DRACO MALFOY 101
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Aparentemente, retirar o pó das asas das Fadas Mordentes não era a única coisa que Malfoy sabia fazer em termos acadêmicos. A aula de Aritimancia era um tanto quanto vazia por se tratar de um assunto extremamente complicado e pouco requerido como matéria básica para se inscrever nos processos de recrutamento das profissões mais cobiçadas; como aurores, medibruxos ou jogadores de Quadribol.
Porque as pessoas eram completas imbecis com aversão ao processo de raciocinar.
Por isso, Hermione tendia a respeitar, pelo menos em algum grau, os poucos colegas do seu ano que haviam optado por aquela matéria. Ao todo eles eram em dez alunos: três ravenclaws, dois hufflepuff, três slytherins e ela própria, preenchendo a cota de única gryffindor da sala, o que a deixava em automática desvantagem quando a Professora Vector resolvia dar a eles algum trabalho a ser desenvolvido em duplas.
Em qualquer outra aula, o fato de Hermione não estar automaticamente pareada com Harry ou Ron seria visto como a única possibilidade de qualquer aluno ir bem em determinada matéria e, por isso, um fato que nem ao menos os slytherins deixavam passar.
Infelizmente, Aritimancia não era uma daquelas matérias que as pessoas mal podiam esperar para tentar grudarem como sangue-sugas ao lado de Hermione e torcer para que ela realizasse todo o trabalho, enquanto esperavam impassivos na cadeira ao lado, tentando parecer muito concentrados na leitura de algum material diante de si.
Não, nada disso. Aritimancia era uma daquelas matérias curiosas em que as pessoas genuinamente queriam aprender. O que levava Hermione a respeitar seus colegas, mas também a os odiar virulentamente.
Com a labareda de mil Sóis flamejantes. Com todo o furor da sua alma. Com a força dos sete mares. Com a mesma intensidade que odiava gente que tomava chá de manhã. Ok, nem tanto.
O motivo para tamanho ódio se dava no mais bem guardado segredo de Hermione: algo que procurava esconder e mascarar com ar de superioridade, o que explicava a má fama de Hermione nos arredores de Hogwarts, era o fato de que ela era uma pessoa com ínfima habilidade social. Ela era o tipo de pessoa que encontrava dificuldades em pedir um prato para o almoço quando saiam para comer, porque sempre acabava dizendo algo meio estúpido e sentia o impêtuo de se explicar para o garçom, o que deixava a coisa toda infinitamente mais estúpida. Hermione era o tipo de pessoa que continuava sentada em bancos contra a sua própria vontade quando alguém sentava do lado dela, apenas para que a pessoa não pensasse que ela estava deixando o seu assento porque tinham se sentado ao seu lado. Hermione era o tipo de pessoa que não sabia muito bem para onde deveria olhar quando falava com alguém que não conhecia muito bem: olhar para os olhos parecia muito íntimo, olhar para o nariz fazia com que ficasse levemente estrábica e olhar para a boca era claramente um convite para a lacividade.
O que levava à constatação que Hermione Granger simplesmente odiava seus colegas de classe de Aritimancia por não se voluntariarem imediatamente a se parearem com ela dada a oportunidade. Então ela ficava ali, fitando a lousa e tentando se lembrar de piscar e respirar, enquanto as palmas das mãos suavam até que alguém finalmente se apresentasse contrariado a fazer dupla com ela.
Naquele terça feira não foi diferente: a professora Vector lhes disse para realizarem um trabalho que se estenderia até o fim do bimestre em duplas. Ela também disse algo sobre o peso do trabalho nas notas e sobre porquinhos da Índia, o que Hermione mal foi capaz de julgar o quão fora de contexto parecia, uma vez que estava muito ocupada tentando cavar buracos na lousa com os olhos.
Ela não queria olhar para os lados. Para quem olharia? Se ela olhasse para a pessoa, estaria ela fazendo um convite mudo para que o tal ser se juntasse a ela? Deveria ela se sentir rejeitada caso a pessoa não a olhasse volta? E se a pessoa olhasse para ela, para onde, Deus do Céu, ela deveria olhar?
Exigia todo o auto-controle de Hermione não hiperventilar enquanto encarava a lousa fixamente.
Por isso, era justo afirmar que o nervosismo por ser obrigada a interagir com os colegas de classe, independentemente de quem fossem, absolutamente explicava a sucessão dos fatos que seguiram o anúncio da professora:
Dois minutos ou duas eras glaciais haviam se passado e Hermione tivera o cuidado de não desviar os olhos da lousa nenhuma vez, até sentir um cheiro cítrico e levemente amadeirado emanando de algum lugar a sua direita. Draco Malfoy estava parado do seu lado, o queixo erguido como o de um imperador que desafia um súdito a questionar sua presença naquele lugar.
Hermione honestamente pensou em questionar a presença de Malfoy ali, pensou também em subornar qualquer um dos outros oito colegas de classe para que fizesse dupla com ela ao invés dele, mas então Draco Malfoy, o bastardo que era, tinha aqueles desconcertantes olhos acinzentados, da cor da água dentro do balde de Hagrid, e Hermione acabou por fechar a boca e dar um passo para trás, tropeçando no pé da sua própria cadeira e levando a mesa, os pergaminho, a pena e o seu tinteiro ao chão na tentativa de se segurar na carteira.
E foi assim que Hermione se viu instantes depois: sentada no chão, com uma mesa virada ao seu lado e um tinteiro inteiro esparramado pelo peito da sua camisa branca, porque era assim que a vida de Hermione funcionava, aparentemente.
A coisa toda aconteceu tão depressa que os colegas mal tiveram tempo em esboçar qualquer reação que não assistir com os olhos arregalados enquanto a professora voava para o auxílio de Hermione e tentava a colocar em pé, lhe perguntando sobre torções, dores e o que havia ocasionado a queda, mas tudo o que Hermione conseguiu registrar em meio a sua humilhação, foi o minúsculo sorriso se formando no canto dos lábios de Draco Malfoy, que se sentou na cadeira ao lado de Hermione e passou a copiar o conteúdo da lousa, o sorriso se abrindo um pouco mais ao abaixar a cabeça enquanto escrevia.
Draco Malfoy Tinha Algum Senso De Humor, concluiu contrariada, já que, novamente, a piada em questão era ela mesma.
Notas da Autora:
Esse.. ahem, demonstração de traquejo social foi inspirada em uma pessoa real (manterei sua identidade em segredo por hora HAHAHAAH).
MUITO obrigada aos que comentaram: Felicia Malfoy, Lucius mon amour, Nanda Magnail (eu tenho certeza que encontrarei forças no meu coração para te perdoar. AHHHAH e PARABÉEENS de novo!), e Tate!
É isso aí, espero que tenham gostado e semana que vem tem mais! (:
Revisem!
