Disclaimer: House M.D. e suas personagens são propriedades da Fox e de David Shore.
CORAÇÕES EM CONFLITO
By Ligya Ford
CAPITULO 4
Sexta Feira
4 DIAS ANTES…
Cameron acordou cedo. Era sexta-feira, estava de folga, mas mesmo assim, resolveu manter sua rotina diária.
Foi até a cozinha e bateu um iogurte natural com mel e linhaça, e o bebeu lendo o jornal.
Trocou de roupa, desceu até seu carro e seguiu para a academia.
Andréa estranhou o fato de Cameron estar mais silenciosa que o normal. Ela era sempre bem-humorada e falante logo de manhã. Mas Cameron estava quieta, como se tivesse uma preocupação.
Ah, é. – ela lembrou.
- Você ainda ta pensando naquela historia do mendigo? – ela perguntou, enquanto faziam bicicleta.
- Não. – respondeu rápido. Rápido demais. – Nem lembrava disso.
- Mas... o que você tem então? Parece... preocupada.
- Não é nada. É... – o que poderia dizer? - ... é a minha irmã. Foi aniversário do meu pai ontem, e... minha irmã continua... uma vaca.
Andréa riu.
- Todo mundo tem uma vaca na família. – soltou, rindo.
Cameron riu também.
XxLFxX
Voltou pra casa com o maior gás.
Andou até a cozinha, pegando uma garrafa de água na geladeira, esticando o pescoço para ver a horário no relógio do microondas: 09:06 hs.
Sentou na cama, ligou a TV e mudava de canal. Programas infantis, de peculiaridades e nada, ela percebeu. Nenhuma informação.
Os jornais matutinos começavam, e informavam sobre o tempo e os resultados dos jogos da noite anterior.
Cameron sorriu, aliviada.
- É isso! Já teriam interrompido. Ele errou. – ela deu gritos de felicidade. – Oh, meu Deus! Eu sabia! Eu sabia!
Ela se levantou e começou a andar pela casa. Gritando, dançando e dando pulinhos de felicidade. Foi até o closet, e saiu dele com um roupão felpudo nas mãos. Seguiu para o banheiro, rodando o roupão acima da cabeça, rindo de felicidade.
- "Chegam notícias de um terremoto em São Francisco... ás 9:06 da manhã..."– Cameron sai do banheiro. O ar de felicidade dela foi-se embora. Ela pára em frente a TV, atônita. – "... com 3.3 na escala Richter, é um abalo pouco significativo. Daremos outros detalhes na próxima hora. A seguir..."
Cameron se sentou na cama, pálida e chocada. Sem saber o que pensar, as lágrimas caiam molhando seu rosto.
- Eu vou morrer! Eu vou morrer!...
XxLFxX
- O que é isso? Alguém diz que eu vou morrer na semana que vem, e a minha vida que parecia perfeita até terça-feira passada está parecendo um enorme donut açucarado.
Chase levantou as sobrancelhas.
Cameron havia corrido pra casa dele. Achou que ele entenderia aquela situação absurda. Ele abriu a porta de casa, com o rosto amassado e surpreso ao vê-la ali.
Ela se assustou ao perceber como ele continuava lindo mesmo tendo acabado de acordar.
Chase notou que Cameron estava um trapo. Mesmo cheirosa e bem vestida. Tinha um ar de pleno desespero. Como se ela pudesse desabar a qualquer momento.
Ele a fez sentar no sofá, e lhe trouxe uma manta, a colocando nos seus ombros. A deixou explicar e ela agora falava sem parar.
- Defina donut. – ele disse.
Ela arregalou os olhos, e lhe deu um olhar mortal.
- Por que eu to falando com você? – ela se perguntou alto.
- Não. – ele tentou explicar sua falta de sensibilidade. – É serio. Sua vida tem um buraco? Está faltando algo?
Cameron ainda o olhava, chocada. Por que ele levava tudo na brincadeira?
- Chase, eu vou morrer em uma semana. Em um semana. – ela enfatizou.
- Você não vai morrer.
- Você não sabe.
- Sei sim. Se fosse verdade, saberia. Mas não é verdade.
Cameron fechou os olhos, e resmungou.
- E se for? – ela sugeriu. – E ai? Me diz. Você está sempre tão feliz. Está satisfeito consigo mesmo. Veja este lugar! Ele não tem nada que qualquer um fosse querer. Você é feliz.
- Cam, olha aqui. Relaxa, tá bem. – ele se sentou ao lado dela no sofá. – Você consegue?
- Claro.
- Então, tente sua respiração. Respire profundamente. – ela suspirou alto, de saco cheio. – Não, é serio. Inspire profundamente.
Ela o olhou e o fez.
- Não ficou melhor? Tente de novo. – ela respirou de novo. – É gostoso, não é?
- Oh, Deus! – ela o encarou. – Você tá tentando fazer sexo comigo!
- Não, não estou.
- Porque eu deixei claro que não quero mais fazer sexo com você.
- Você gostava muito de fazer sexo comigo.
- Chase, eu vou me casar com Cal. Sei que é difícil de aceitar isso. Posso estar vulnerável, mas é uma má idéia fazermos sexo e você ficar esperançoso.
- Eu agradeço, mas... Cameron, você é a mulher mais delirante, absorta, egoísta e egocêntrica que eu já conheci.
Cameron assente com a cabeça. Ela estreita os olhos e dá o seu maior sorriso:
- Vamos fazer sexo.
- Eu não quero fazer sexo com você.
- Se você tivesse uma semana de vida, o que faria? – ela perguntou.
- Eu faria... sexo com você.
- Viu? Você... – ela disse suspirando, balançando a cabeça inconformada. Não é isso o que ela quer ouvir.
- Quer saber? Eu não sei. – Chase começou. – Se eu fosse morrer em uma semana, tentaria viver cada momento. Veria as pessoas mais importantes pra mim, e guardaria seus rostos. Eu lhes diria todas as coisas que eu quis dizer, mas sempre tive muito medo.
- Por exemplo?
Chase a olhou fixamente, por alguns segundos mudo. De repente se levantou.
- Não deveria ter essa conversa com o Cal?
- Ele não esta em casa. E ele não gosta de conversar.
- Mas quer ser casar com ele.
- Eu não sei. Eu tenho uma semana. Isso importa?
- Cam, chega! Você não vai morrer!
- Como você sabe?
- Porque é você é quem manda Cameron. Você manda na sua vida. Você faz o seu destino e a sua sorte. Digamos que o profeta estava certo em uma versão do Universo. Pode ter entrado em uma extensão, na qual, nessa versão você, de fato, morre terça feira.
- Okay. – ela tenta conceber aquilo.
- Talvez se você mudar o caminho... você sabe, mudar o caminho em que se encontra... o resultado seja diferente.
- Mas eu trabalhei tanto nesse. – ela choramingou.
- Quer saber de uma coisa? Talvez este seja o seu problema. Talvez você... – ele se sentou ao lado dela, e Cameron se levantou em seguida.
- Sabe, acho que... – ela pegou sua bolsa, e foi na direção da porta.
- Aonde você vai? – Chase gritou. – Aonde vai? Pensei que íamos fazer sexo!
Tarde demais, ela bateu a porta.
XxLFxX
Cameron deu um passo para poder ver toda a opulência da mansão de sua irmã. O enorme jardim, e a enorme porta de madeira trabalhada.
- Posso falar com você? – Cameron perguntou assim que Ashley abriu a porta.
- Comigo? – a irmã estranhou. E Cameron balançou a cabeça confirmando. – Okay!
Ela aceitou, desconfiada. Entraram na enorme sala ricamente decorada com flores e um enorme quadro de Ashley com o marido e os filhos.
- Sente-se. – ofereceu Ashley, e se sentou, logo sendo acompanhada por Cameron. Elas ficaram mudas por um momento, e Ashley resolveu quebrar o gelo. – Conseguiu aquele emprego?
- Ainda não sei.
- Certo. Me mantenha informada.
- Claro. – ela respondeu, surpresa. – Ashley... sua vida tem significado?
- O quê?
- Sua vida tem significado? Eu... andei pensando na vida, e no que ela tem significado. Fico pensando na mamãe, e desde que ela morreu, eu, você, papai... nós não parecemos realmente normais. Estamos tentando ser algo que não somos. Faz sentido pra você?
- Então, eu não sou normal?
- Não, não é...
- Eu sou normal. – ela afirmou. – Meus filhos são normais.
- Ashley…
- Tudo bem, Jerry está no AA. Está lidando com o vicio por sexo, mas está superando.
Cameron segurou uma risada, deixando a irmã mais irritada, mas não consegue evitar.
- Sinto muito, mas... Jerry é viciado em sexo? - e riu.
- Não finja que não sabia. Deve ser bom namorar um jogador de beisebol famoso, e atrair toda a atenção, assim como quando éramos crianças.
- Eu? Atraindo a atenção?
- É. Algumas pessoas tem que lidar com a vida real, Allison.
- Vida real? Na sua mansão? Com seus filhos perfeitos e sendo a esposa perfeita?
- O que você quer de mim, Allison? Você quer ouvir todos os problemas da minha vida para se sentir melhor com a sua? Não vou permitir. Quer saber se eu sou feliz? Eu sou. Eu sou feliz. Tudo está lindo no Pais das Maravilhas.
Ela se levantou, dando as costas para a irmã. Cameron foi atrás dela.
- Ashley...?
- Allison, você é medica. Você sabe quando é a sua deixa para ir embora.
Cameron olhou a irmã por alguns segundos, e então deu as costas, saindo pela imensa porta de madeira. Ashley secou as lagrimas, suspirando alto.
XxLFxX
Uma limusine reluzente parou em frente a um elegante prédio de apartamentos. De dentro dela, um homem jovem saiu, entrando rapidamente no prédio.
Em minutos, ele saiu do elevador, cantarolando e abrindo a porta de um apartamento no fundo do corredor.
Ele entrou e ouviu uma musica altíssima, e encontra um apartamento bagunçado. Havia caixas de pizza, copos de plásticos por cima de mesas, lareiras, no chão e nas janelas. Encontrou a noiva sentada no sofá, vestindo uma camiseta velha, uma calça de moleton rosa e óculos de grau, rodeada por comida, revistas e muita bagunça.
- Hey! – Cameron exclamou ao vê-lo.
Cal, chocado, largou sua bolsa de viagem no chão.
Aquela era uma Cameron totalmente desconhecida.
- O que você está fazendo?
- O quê? – ela gritou, sem ouvir o que ele dizia, devido ao som alto.
- Nós temos um gato agora?
- O quê? – ela repetiu.
Ele se aproxima da mesa de centro e alcança o controle remoto, desligando o radio, logo em seguida.
- Uou! – ela suspirou. – Não ouvia essa musica há anos.
- O que está fazendo? Uma viagem à memória de Allison? – ele pegou um "livro do ano", e começa a folhear. – Isto é seu? Cadê você?
- Bem ali. – ela apontou para uma pagina que ele tinha acabado de virar.
Ele voltou a pagina, e não a reconheceu, se não fosse pelo nome dela logo abaixo da foto. Ele viu uma Allison Cameron muito jovem, com uma camisa de banda de rock, óculos e um enorme sorriso, mostrando os dentes brancos.
Ele riu, desacreditado.
- Não. Essa não é você. – ele a olhou, e Cameron imitou o sorriso feliz. Ele olhou novamente para o livro e comparou as duas. Fechou o livro, chocado.
- Algo errado? – Cameron estranhou, ao ver a expressão no rosto dele.
- Tem, Allie. Tem algo de errado. Eu passo uma semana fora, e quando eu volto, você tá toda estranha.
- Estranha?
- É. Você não tomou banho hoje?
- Não tomei, não. Eu acordei e pensei: puff, que se dane, eu tô de folga. – ela levantou os ombros.
- Você está fumando?
- É, eu tô fumando. Quer Oreo? – ela esticou pra ele uma travessa de biscoitos recheados.
- Não, obrigado. – disse Cal, ainda surpreso. – E por que está de óculos?
- Porque eu uso óculos, e não coloquei as lentes de contato. Surpresa! – ela sorriu.
- Existe cirurgia a laser, Allie. Você pode resolver isso.
- É, eu posso. – ela concordou. Se moveu no sofá, se aproximando dele. – Nós estamos apaixonados?
Cal a encarou, com a testa estreita.
- O que é? – ela perguntou.
- O quê, Allie? O que é o quê? – Cal perguntou de volta, completamente confuso.
- O que nos une? Me faça rir. Eu tive um dia ruim.
- É óbvio. – ele sorriu.
- O que nos manterá juntos por dez... vinte, ou... trinta anos?
- Bem... você tem um belo traseiro, e... você é engraçada. E também...
- Não. Chega! - ela se revirou no sofá, irritada. – Vou fingir que você não disse isto.
- Bem... – ele tentou.
- E sobre as nossas crenças? Nossos sonhos? Nossos ideais?
- Eu não... Não é um boa idéia, okay?
- O que não é uma boa idéia? – ela perguntou.
- Essa conversa sobre nós. – ele tentou fugir.
- Por quê?
- Porque tá me dando dor de cabeça. E é isto que eu adoro na gente. Não precisamos dessas conversas. – ele disse, e Cameron baixou a cabeça, desolada.
- Já sei. Já sei. Venha comigo. Vou te levar em um lugar. Você vai ver.
XxLFxX
Num gigantesco campo de beisebol, Cal puxava Cameron pelo gramado. Ela vestia um pequeno capacete que lhe cobria as orelhas e segurava um grande taco de madeira.
- Obrigado, George. – agradeceu Cal a um senhor.
- Quando quiser. – o senhor devolveu.
Cameron parou no canto do batedor, enquanto Cal ficava no lugar do lançador. A luz forte dos refletores brilhava iluminando tudo.
- Pronta? – Cal perguntou.
- Acho que é melhor estar.
- Confia em mim!
- Okay! – ela exclamou.
- Aí, vai.
Cal lança, e Cameron erra.
- Boa cortada. Mais uma. Veja a bola no bastão, e gire. Fique solta. – ele ajudou.
- Está bem.
- Pronta?
- Estou com você.
Cal arremessou de novo, e Cameron acertou. A bola bateu e foi longe, mas dentro do gramado.
- Isso ai! – Cal exclamou.
- Certo! – ela gritou, feliz.
- Mais uma. Vamos lá! – ele continuou.
- Pode falar, meu bem. Pode falar. O que é? – ela perguntou.
- O quê? – ele não entendeu.
- Foi uma metáfora, não é? Quer que a gente enfrente ou saia dançando...
- Quando eu falo besteira, ajuda vir aqui e descontar na bola. Sabe, quinze ou vinte minutos disso e se esquece todas as preocupações.
- Sua cura pra minha crise emocional é beisebol. É isso?
Cameron finalmente deixa cair a ficha. Balança a cabeça desnorteada. Tinha vontade de chorar.
- O quê? O quê? – ele se aproximou dela. – Está terminando comigo?
Ela não respondeu, e o encarou, mantendo uma expressão de dor e incompreensão.
- Sabia que há uma fila atrás de mim? – ele começou. – Talvez devia reconsiderar um minuto.
Ela chacoalhou a cabeça.
- Um minuto é muito tempo pra eu desperdiçar.
Largou o bastão, e caminhou saindo do estádio. Esticou o braço, chamando o primeiro táxi que aparecesse.
- Por um bar mais próximo. – ela disse ao taxista, que apenas arregalou os olhos.
XxLFxX
N/A: Okay, o capitulo já tava pronto há um tempo, e não postei por falta de... de cabeça, provavelmente.
Bem, não há notas. Ao menos, nenhuma que me lembre no momento.
AGRADECIMENTOS:
Poli, Ni, Lalah, Nessa –e toda galera que lê. Thank you so much!
