Os personagens aqui citados pertencem a Masashi Kishimoto
Essa fanfic é uma adaptação do livro Uma prova de amor,da autora Michelle Reid
Uma prova de amor
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Capítulo IV
Cãibra. Sakura entendeu o que era, assim que aquilo a fez gritar de um abismo profundo e sombrio de exaustão. Se contorceu na cama, e a mão cobriu o feio nódulo que surgiu na panturrilha esquerda. Gemeu e começou a friccionar o músculo dorido com a palma da mão.
Não fez a menor diferença e, se fez alguma coisa, pareceu apenas obrigá-la a se contorcer ainda mais. Uma necessidade agitada de tomar alguma providência a respeito, antes que a dor a dilacerasse, deixou os olhos fúlgidos de agonia dardejando em torno do quarto obscurecido, à procura do auxílio de alguma coisa... qualquer coisa!
Entretanto, o músculo dormente se retorceu com um pouco mais de firmeza, e Sakura desabou da lateral da cama para aterrissar de quadril no piso duro de madeira polida, se contorcendo e choramingando como um animal ferido.
Nunca havia sofrido de cãibra antes na vida, por isso não tinha a mínima idéia de como curá-la. Tentou sacudir a perna machucada, depois massageou novamente, quando viu que sacudir não adiantou nada além de fazer os dentes atritarem. Em total desespero, tentou se agarrar à parva idéia de que, caso conseguisse alcançar o banheiro, poderia aplicar alguma coisa morna sobre o músculo, na esperança de que o calor fosse capaz de aliviar aquele espasmo atroz. Porém, no momento em que apoiava qualquer peso sobre a perna, a dor se tornava tão insuportável que aterrissou de volta no chão, em meio a um bramido estridente e abalado. A porta do quarto se escancarou, e a luz do corredor clareou o cômodo.
— Que diabos...? — perguntou uma voz rouca.
Sasuke estava lá. Sakura contemplou indefesa a silhueta esguia, obscura e corpulenta contra a luz.
— Cãibras — gemeu ela. Era tudo o que podia fazer.
Para dar-lhe crédito, Sasuke não precisou que falasse duas vezes. Com passos largos, estava ajoelhado ao lado de Sakura, comprimindo a perna machucada com dedos impiedosos, e em seguida começou a manusear o músculo dormente, de um jeito que fez os dentes dela atritarem de novo.
— Eu previa que algo assim aconteceria — rangeu Sasuke entredentes, sob os lamuriantes gritos de protesto da moça.
— Quando foi a última vez em que bebeu alguma coisa? Você deve estar desidratada, sua tola!
Tola ou não, agora começava a ver estrelas, as lágrimas escorrendo pela face.
— Isso dói — gritou uma vez e mais outra, e continuou acenando o chão com o punho, à medida que Sasuke prosseguia naquela inexorável manipulação da perna.
Miraculosamente, porém, aquela forma de tortura começou a amainar. Um alívio transparente da dor a redimiu, num frêmito de suor frio.
— Ah! — Engasgou tremendo. — Essa deve ter sido a pior dor que eu já senti na vida.
Mas Sasuke não estava ouvindo. Com a face morena trincada de raiva, se retorceu para distender a colcha leve da cama para, sobre ela, acomodar o corpo abalado de Sakura, impetuosamente. Sem uma palavra, a pôs nos braços e se ergueu para carregá-la para fora do quarto, passando pelo corredor e então para a cozinha, onde finalmente a colocou numa cadeira rente à mesa.
Sem saber ao certo o que a acertara, Sakura sentou enrolada na colcha, enquanto olhava fixamente para ele em estado de choque, ao passo que Sasuke cruzou o ambiente e abriu a porta da geladeira. Um segundo depois, colocava um copo limpo de vidro e uma garrafa de água sobre a mesa.
— Beba. — Ordenou ele.
Em obediência muda, Sakura desenroscou a tampa da garrafa e — ignorando o copo — bebeu direto do gargalo. Fria como gelo, a água era néctar para a boca ressecada e a garganta que queimava. Após beber meia garrafa, caiu bruscamente de volta na cadeira, e fechou os olhos enquanto travava uma luta corporal contra o que acabara de acontecer. Sentia como se alguém houvesse lhe chutado a perna; a dor a deixara abalada e enfraquecida. A cabeça doía, num daqueles latejos monótonos que sucedem um estresse muito grande, e sentiu-se tão cansada que poderia adormecer ali mesmo.
Um som atrás dela forçou Sakura a abrir os olhos. Sasuke estava recostado na mesa, ao lado da sua cadeira, olhando cabisbaixo para os próprios pés descalços. Parecia cansado e pálido, o longo dia de esforço se esboçava nos contornos endurecidos da sua face.
— Desculpe por ter acordado você — resmungou Sakura.
— Eu não estava dormindo — replicou ele, e a maneira como falou revelou a Sakura que ficara deitado lá, pensando a respeito do irmão, amando-o, triste por ele, desejando que as últimas vinte e quatro horas jamais tivessem transcorrido.
O coração de Sakura revirou do avesso, com uma comoção angustiada em torno dele. Queria esticar as mãos para alcançar e tocá-lo gentilmente, oferecer palavras que pudessem ajudar a mitigar o sofrimento. Mas tais palavras não existiam, e nem se atreveu a mencionar o nome de Shikamaru, já que toda vez que fazia isso Sasuke se tornava belicoso. Era um sentimento tão indefeso e vazio, saber que não era a pessoa a qual Sasuke queria confiar seus sentimentos.
Sakura já foi essa pessoa, há muito tempo. Sasuke costumava lhe contar tudo. Se estiravam na cama de pernas para o ar e conversavam, conversavam e...
— Beba.
As pálpebras se abaixaram, depois se ergueram para encontrar Sasuke olhando para ela. Os olhos estavam escuros — escuros como ébano, sonolentos e opressivos, os cílios recurvados e ouriçados e apenas suplicando para que...
Sakura afastou os olhos dele, antes que as sensações que podia sentir se espraiando a cercassem perigosamente. Pegando a garrafa, bebeu mais um pouco, torcendo para que a água gelada esfriasse o que começava a incendiar. Ela não queria desejar Sasuke. Não desejava lembrar coisas a respeito dele. Sasuke era passado. Havia seguido em frente desde então.
E só porque Sasuke estava reclinado aqui, vestindo apenas um robe curto, amarrado precipitadamente, não significava que tivesse de conjurar todas as lembranças do corpo sob o robe. E daí que esse homem, em particular, fosse feito para impelir o instinto sexual feminino até um derretimento total? Sexo era sexo. Atualmente Sakura procurava por coisas mais profundas num relacionamento, como amizade, carinho e respeito. Um dia poderá até encontrar um homem, no qual sinta que pode confiar o bastante para lhe dar as outras coisas. Não parou de procurar por causa de uma experiência ruim. Simplesmente, não encontrou o tal homem ainda.
Levando a garrafa aos lábios, bebeu novamente. A única iluminação no cômodo vinha das lâmpadas de baixo, integradas às paredes em grupos. A luz mal alcançava a mesa disposta ao centro, mas forjava um brilho aconchegante e sedutor. E tudo estava quieto, tão quieto que Sakura pensou que podia ouvir a batida inconstante do coração de Sasuke. Ou era o seu coração que batia inconstante?
Claro que era o seu. Sasuke estava tão perto e Sakura desejou que não estivesse. Levantando a garrafa outra vez, manteve os olhos cuidadosamente desviados dele e tentou fingir que ambos eram completos estranhos.
Mas desviar os olhos não adiantou nada além de dar à imaginação dela uma chance de listar cada detalhe sobre Sasuke. O comprimento das pernas, por exemplo, a força nas coxas douradas. O robe que vestia podia cobrir o que quisesse, sem fazer a menor diferença para Sakura, porque conhecia cada centímetro daquele corpo, o formato de cada vértebra em separado na coluna longa e flexível. Conhecia o toque maravilhoso daquela pele de cetim, e os contrastantes tufos de pêlo que recobriam o peito. Sabia o quanto o abdômen era firme, o quanto os músculos eram rijos nas nádegas macias. Poderia pintar um retrato de cada brilhante detalhe, desde os dedos compridos e morenos, até dedos ainda mais longos.
Oh, pare com isso! — ralhou consigo mesma, assim que aquela sensação que conhecia até bem demais a deixou embaraçada. Me deixe em paz! — queria gritar para Sasuke, mas, em vez disso, deu um outro gole na bebida, já que dizer qualquer coisa do gênero seria o equivalente a confessar no que estava pensando, e preferia cortar a língua fora do que permitir que Sasuke soubesse o que se passava dentro da sua cabeça.
Um suspiro a sacudiu. O tipo intencional de suspiro para aliviar a tensão, não o que ajuda a intensificá-la — entretanto, foi exatamente isso o que este suspiro peculiar fez. Intensificou tudo no que andara pensando e sentindo, até que o clima começou a esquentar. Queria correr, mas permaneceu colada ao assento. Desejava que aquelas pernas não estivessem no seu campo de visão, porém Sakura não foi capaz de se forçar a olhar para o outro lado.
— Que horas são? — perguntou.
— Três e meia — respondeu Sasuke, e até a voz funcionava como um tipo de mágica dentro de Sakura. Era grave e profunda e sombria, e lindamente acentuada pelo sotaque. Aquilo a assaltou pelas fibras do coração, o que, em contrapartida, assaltou partes mais suscetíveis.
Tolerou aquilo com um gemido calado. Será que nunca vou esquecê-lo? A síndrome do primeiro amor — ponderou indefesa. Dizem que você nunca se recupera realmente do primeiro amor verdadeiro.
— Como está o músculo?
Sakura abaixou uma das mãos para esfregar a panturrilha. Parecia tesa, porém não estava mais inchada.
— OK — replicou ela, e bebeu um pouco mais de água. Levou um baque ao perceber que, em algum momento durante os últimos minutos, Sasuke havia trocado a garrafa vazia por outra cheia.
— Quantas destas você quer que eu beba, antes que me deixe voltar para a cama?
Aquilo foi dito com um esforço para suavizar a tensão, e Sasuke riu com parcimônia. Mas o som abafado simplesmente fez a carne de Sakura formigar.
— Continue até que eu mande você parar.
Então o silêncio retornou. O pulso de Sakura desatou a acelerar, o ritmo da respiração, previamente estável, estilhaçava tão forte que ela se revirou incessantemente na cadeira, no esforço de aplacar aquilo tudo. O gesto fez com que uma das alças finas da parte superior da lingerie escorregasse do seu ombro. Encontrando-se sob o perigo real de expor um mamilo rijo e protuberante, apressou-se para endireitar a alça — só para colidir contra os longos dedos morenos, no momento em que eles se preparavam para fazer o mesmo.
Ambos se quedaram absolutamente imóveis, com os dedos repousando sobre os dedos, à medida que a carne de Sakura começou a se inflamar. Olhou para cima. Foi instintivo. O que ela viu gerou uma sobrecarga no seu ritmo cardíaco.
Sasuke admirava o corpo dela. Os olhos escuros estavam escondidos sob aqueles ouriçados cílios negros, enquanto se espraiavam sobre o alvo ombro macio, e então mergulharam mais fundo, até a vertente arredondada dos seios. Sasuke queria tocá-la.
— Não — ofegou, rejeitando sem firmeza e deu uma puxada tímida no baby-doll escorregadio.
Aquela negativa soergueu os cílios dele. Um calor negro dos olhos dardejou na direção de Sakura, aprisionando-a na sua sombria armadilha. A peça de lingerie permaneceu onde estava, estirada num monte mole e macio no colo dela, e a agulhada do desejo se arremeteu através do seu sangue, destravando as comportas por onde passava.
Sasuke sabia... Sakura sabia. Tudo que se referia a ele estava se tornando sombrio à percepção. Olhos sombrios, coração sombrio, um abrasador ardor sombrio que se enovelava em torno deles. Não restava mais nada de claro, nem de gentil ou de suave que se referisse a Sasuke. Ele a desejava sem querer desejá-la. Sakura retribuiu o sentimento ressentido.
Os dedos de Sasuke começaram a trilhar ao longo dos ombros dela. Movendo-se com uma lentidão atormentadora, até alcançar a coluna esguia do pescoço, e depois escorregar para os lados, assentando a cabeleira emaranhada longe da nuca. Sakura parou de respirar. Sasuke fez o contrário. Tragando para os pulmões uma lufada de ar profunda e firme, ele se moveu mergulhando a cabeça morena, para cingir os dentes brancos na carne cremosa que ela acabara de expor.
A sensação tomou conta dela: engasgou e estremeceu, então afagou a face contra o rosto dele. Animal, eram animais, ela a gatinha a ronronar e a se enroscar em resposta ao macho exigente. As mãos dele a ergueram de pé. A boca se moveu da nuca para a boca de Sakura, que se equilibrou em um pé só, favorecendo a perna dormente quando se entregou ao calor extenuante daquele beijo.
O que ameaçava faiscar entre eles, desde o momento em que encararam um ao outro ao transpor a soleira do apartamento de Sakura em Londres, agora flamejava com uma energia espetacular. Beijaram como costumavam se beijar, demorado e profundo, e sem nenhuma barreira. Os braços se puseram em torno do pescoço de Sasuke: a lingerie largada ao redor dos pés dela. Sasuke baixou as mãos pelo contorno esbelto de Sakura, moldando a constituição delicada daquelas formas femininas, depois, agarrou-a pela cintura a fim de atraí-la para o espaço entre as suas pernas. Ainda estava escorado contra a mesa, mas o robe escorrera pelos lados até a cintura. Sakura sentiu o calor de Sasuke, a estocada poderosa do seu sexo contra o abdômen, e soube que não seria ela quem ia interromper aquilo.
Ele interromperia? Gemeu de encontro à boca de Sasuke, com horror de que aquilo acontecesse. Sasuke entendeu que o gemido significava outra coisa.
— De jeito nenhum — murmurou ele, e explicou o que pretendia, trocando as mãos de posição outra vez. O short do pijama deslizou para baixo, para descansar nos joelhos de Sakura. Aceitou a força da estocada entre as ancas e o prendeu ali, enquanto o beijo continuava e continuava, e os seios eram aliviados da parte de cima do pijama. Sasuke a tocou, ela ficou enlouquecida. Os dedos se agarravam aos cabelos dele e os quadris de Sakura apertavam o cerco possessivo. Sasuke levantou Sakura nos braços e começou a andar, sem permitir que o beijo se interrompesse e a aterrissou em meio à cama desalinhada.
Ela pensou que Sasuke iria se virar e ir embora. Seria um castigo aos olhos dele, ela sabia disso. Mas, longe de ir embora, Sasuke despiu o robe e foi se juntar a ela, livrando-a dos restos de seda azul antes de deslizar o corpo magnífico por cima dela, entregando-se ao beijo.
Beijaram-se o tempo inteiro, durante todo o curso daquela jornada tempestuosa. Nem por uma única vez, qualquer um deles tentou se libertar. Se tocavam com as mãos e com o movimento sensual dos seus corpos; quando precisaram de mais, Sasuke penetrou-a com uma única estocada suave. Implorou com a boca colada à dele; Sasuke respondeu a súplica com um grunhido que revolveu o fundo da garganta. Os dedos de Sakura se cravaram firmes no cabelo dele novamente, as pernas envoltas em torno de Sasuke, como duas prensas rigorosas. Sasuke se movia em um ritmo primitivo, friccionando o peito contra os seios dela.
Animal? Sim, era animal. O acasalamento esfaimado de duas criaturas selvagens, que não queriam pensar a respeito do passado ou do presente ou mesmo do futuro. Eles só queriam, precisavam disso.
Isso veio com o poder de fazer com que Sakura perdesse o contato com a realidade. Engasgos, gemidos e espasmos chegaram em uníssono. Mesclados com o suor e o calor dos corpos e, finalmente, fluídos corporais que os deixaram exauridos, e chocados.
Sasuke se levantou quando sentiu-se fisicamente capaz. Apanhando o robe do chão, saiu batendo a porta. Sakura acompanhou sua saída com o coração na mão, então se torceu como uma bola e soluçou até não poder mais. Sasuke a odiava, se desprezava por tocá-la, enfim.
Quando a luz do dia chegou, Sakura abriu os olhos para a pálida insinuação do sol através da janela, com o corpo doendo loucamente e o coração agrilhoado numa pulsação monótona. Continuou deitada por algum tempo, relutando a se mover porque mover significava ter que encarar Sasuke.
Então pensou em Temari, e miseravelmente colocou Sasuke de lado e se apressou até o banheiro.
Escolheu um jeans e complementou com uma blusa lilás limpa e, em seguida, rearrumou a mala. Não iria permanecer ali por mais uma noite.
Ao abrir a porta do quarto, um aroma sedutor de café fresco lhe instigou os sentidos, a idéia de que Sasuke estava de pé, e próximo, fez com que os mesmos sentidos se embaraçassem. Não queria vê-lo. Se pudesse ir embora dali sem ter que encará-lo, Sakura o faria.
Nunca mais queria colocar os olhos nele outra vez.
Porém, lá estava Sasuke, com uma aparência muito sombria e civilizada, vestindo uma calça preta de seda primorosamente talhada e uma límpida camisa branca. Estava próximo a um armário da cozinha, representando o sujeito doméstico novamente. Sakura sentiu o estômago embrulhar; em seguida àquela sensação, colocou as bolsas arriadas perto da porta da cozinha.
— Sente-se — convidou Sasuke. — Não vai levar nem um minuto. — Indicou o bule grande de café fumegante.
Mas não se virou para olhar para Sakura enquanto disse isso, o que o denunciava embaraçado, pensou ela. Muito envergonhado de si mesmo? Se era isso, Sasuke não era o único a sentir-se daquela maneira.
— Você ligou para o hospital? — Sakura perguntou, com a voz sufocada.
Sasuke fez que sim.
— Não houve nenhuma mudança ainda — respondeu.
— Então é melhor que eu vá indo.
— Depois de comermos — revidou ele, sem se comprometer. — Não acredito que qualquer um de nós tenha conseguido comer muita coisa ontem.
Devoramos um ao outro, pensou Sakura amargamente.
— Eu não...
— Fizemos a mesma cena na sua cozinha, Sakura —interrompeu ele. — Não vejo nenhuma utilidade em repetir isso de novo.
Em outras palavras, cale a boca. Pressionando os lábios rentes, ela se mexeu até a mesa e se sentou. Se Sasuke enfiar torradas debaixo do meu nariz, provavelmente vou atirá-las de volta nele — decidiu, amotinada. Em seguida, sentiu uma onda de pânico se derramar sobre ela, quando Sasuke se voltou, como se tivesse pronunciado aquelas palavras em voz alta.
Não que Sakura o temesse... só a sua expressão facial. Preferiu continuar olhando para as costas dele. De fato, preferiria muito mais se não precisasse olhar para ele de jeito algum. Por isso, manteve os olhos baixos quando Sasuke andou em direção à mesa e dispôs o bule de café diante dela.
Depois ficou imóvel, porque reparara na bolsa apoiada na porta, e uma nova tensão começou a sugar todo o oxigênio do ar. Sasuke ia dizer algo sobre a noite passada, ela estava certa disso. Caso o fizesse, ela iria sumir dali, mesmo se isso significasse pular para dentro do poço do elevador.
— Sobre a noite passada...
Sakura engatilhou os pés, rápida como uma bala.
— Quero me desculpar por...
Sobre as pernas bambas, correu em direção à porta.
— Sakura...
— Não! — Atirou nele, furiosamente. — Não ouse começar a me dizer o quanto se arrepende! Não ouse, está me ouvindo, Sasuke? Não ouse!
— Estou ouvindo — falou tranqüilamente.
Olhou para ele nessa hora, e viu exatamente o que ansiava ver — as belas feições morenas, aferroadas numa parede fria como pedra de autocomiseração e arrependimento. Um soluço preso na garganta. Queria esconder a própria vergonha. Queria que o chão se abrisse e a engolisse por inteiro!
— Temari tem que ser o único assunto aqui — expeliu abalada. — Você e... e-eu... nós, nada disso importa. Não vou deixar que me obrigue a fugir para longe dessa vez.
— Não quero que você fuja — suspirou, irritado.
A pergunta — Então, o que quer de mim? — cantarolava num silêncio asfixiante.
Sakura não perguntou. Em vez disso, ergueu os dedos vacilantes até a boca, tentou engolir, depois os baixou outra vez.
— Preciso me mudar para um hotel... hoje — comunicou.
Houve um espasmo de rijos músculos viris, um espocar de fúria negra atacando os seus olhos.
— E eu tenho que reclamar o corpo do meu irmão hoje! — açoitou asperamente. — O que você acha que é mais importante nesse exato instante?
Sakura deu um passo atravancado para trás, abalada até a raiz pelo que ele disse.
— Sinto muito — sussurrou dolorosamente, — eu não sabia!
— Sei disso. — Estalou Sasuke, ainda com o cenho soturnamente fechado ao golpear novamente. — Ambos temos que lidar com uma situação intolerável — disse com firmeza. — Necessidades se cruzam, emoções escapam ao controle. Era de se esperar que nossas prioridades entrassem em conflito.
Sábias palavras, admitiu Sakura, se fosse capaz de ignorar o fato de que estava tão envolvida pelas próprias lamentações e angústias, que se permitiu esquecer as de Sasuke.
E quais eram as suas lamentações? Indagou a si mesma. Cometeram o imperdoável na noite passada, porém ambos se sentiam culpados por despencar naquele abismo sombrio em particular, abrandando vorazmente uma coleção de emoções, e logo sobrepujando-as com uma coleção diferente.
Por que Sasuke desapareceu da sua frente logo depois não significava que pudesse jogar toda a culpa sobre ele. Na verdade, Sakura era brutalmente honesta em relação a isso — se Sasuke não tivesse saído, provavelmente ela teria.
O silêncio recente corrompeu a tensão na atmosfera. Desejou que pudesse dizer algo para fazer com que ambos se sentissem melhor, mas não conseguiu pensar no quê. Sasuke estava lá, de pé, usando um bordão de ferro que cingia os ombros largos de ponta a ponta, e os dedos estavam crispados sobre a bancada, com força o suficiente para cravar um talho no sólido mármore negro.
— Sente-se novamente — ordenou ele, rangendo os dentes.
Sente-se, Sakura repetiu mentalmente, espiando o jeito como as bolsas estavam arrumadas aos seus pés, numa provocadora atitude infantil. Sem proferir uma palavra, recolheu a bagagem, se virou e saiu da cozinha. Descendo pelo corredor, voltou ao quarto, arriou as malas ao lado do leito, e depois voltou pelo mesmo caminho. Os dedos fremiram momentaneamente, coincidindo com o profundo fôlego vacilante que inspirou, antes de abrir a porta da cozinha e pisar ali de volta.
Sasuke ainda estava no mesmo lugar onde o deixara, os longos dedos morenos ainda cravados sobre a bancada como um torno. Queria ir ao encontro dele, colocar os braços a sua volta, e demonstrar como se sentia mal por haver esquecido do que realmente importava. Mas, ao contrário, cruzou o cômodo até a mesa e sentou.
E o silêncio pulsava nos seus tímpanos, latejava no seu estômago e se distendia pela carne que lhe recobria o rosto. Mexa-se! Queria gritar com Sasuke. Diga alguma coisa... qualquer coisa! Eu já disse que sinto muito. Já recuei em retirada. Não sei o que mais posso fazer!
Talvez Sasuke tenha captado os seus padrões de pensamento — sempre foi capaz de fazer isso. Ele se virou, caminhou em direção à mesa. A previsível bandeja de torradas foi disposta na frente de Sakura.
— Vou providenciar uma suíte de hotel para você — anunciou ele brevemente, e depois a deixou a sós para engolir o fato indigesto de que a sua rendição fora um completo desperdício de tempo.
Uma hora mais tarde Sakura se encontrava ao lado da irmã, deixada ali por Sasuke, que, após ter se informado sobre o estado de Temari, saiu novamente, a face lisa talhada pela tarefa deplorável que estava por vir, a qual lhe despiria até os ossos do seu autocontrole.
Lágrimas inundaram os olhos de Sakura, enquanto se encontrava acomodada ali, acariciando gentilmente os delicados cabelos loiro-escuros de Temari. Ela e a irmã eram tão diferentes sob tantos aspectos, pensou afetuosamente. A cor dos cabelos, por exemplo, e as distinções de caráter. Ao passo que Sakura era inteligente, independente e naturalmente autoconfiante, Temari sempre fora insegura de si. Conhecer e se apaixonar por Shikamaru colocou estrelas nos seus olhos e uma palidez ansiosa nas bochechas macias. Nunca conseguiu acreditar totalmente que um homem arrojado e vistoso como Shikamaru pudesse se apaixonar por um ratinho tímido como ela. Por isso, Temari se esforçava tanto durante o casamento, para sentir-se digna daquele homem. Assistir àquilo enfurecia Sakura às vezes.
— Você o mima demais. Ele vai começar a tratá-la como um capacho se você não se policiar.
No entanto, Shikamaru permaneceu fielmente inebriado pelo seu ratinho irlandês. Foi o ratinho que assaltou Sakura de surpresa, por ter se transformado em uma raposa astuta.
— Idiota — murmurou, e novamente se viu lutando uma súbita batalha contra as lágrimas frescas.
O que se passou a seguir foi um dia longo e enervante, durante o qual ela dividiu o tempo entre Temari e o berçário.
Por volta das duas horas, começou a sentir que a sua energia emocional fora drenada e, de fato, se alegrou ao ganhar uma prorrogação daquela vigília ao pé da cama, quando um time da equipe médica apareceu e a conduziu para fora.
Precisava de um pouco de ar que não recendesse ao hospital. Então comprou um sanduíche na lanchonete do andar térreo, e foi comê-lo do lado de fora. O sol estava radiante e o ar frio, fresco... limpo. Passeando pelos jardins primorosamente planejados, encontrou um banco sob os raios de sol e sentou, desembalou o sanduíche e experimentou esvaziar a cabeça de todos os pensamentos, na tentativa de comer.
Sasuke partiu no seu encalço dez minutos depois. Os cabelos dela estavam amarfanhados pela tração resistente do laço negro, e a curva do pescoço esguio lhe pareceu atormentadoramente vulnerável. Aquela idéia induziu Sasuke a fazer uma careta, porque não pensou em vulnerável com o sentido indicativo de frágil, pensou em vulnerável com o sentido indicativo de maduro para saborear. A língua até se umedeceu diante daquela perspectiva e Sasuke desejou que não tivesse olhado para Sakura através dos olhos de um amante recente.
Mas o fez. Se render aos instintos básicos pode ter sido um erro estúpido, porém agora estava aprisionado nos resultados decorrentes disso. Na noite passada, ele havia ficado um pouco insano. Perdeu o controle de si. Dois anos atrás, quando o deixou, Sakura levou a sua virilidade consigo quando partiu. Na noite passada, a devolveu para ele. Sasuke deveria estar satisfeito. Deveria estar sentindo o triunfo da retribuição, e ser capaz de sair livre e inteiro, e pronto para prosseguir com o restante da sua vida, entretanto, tudo o que podia sentir era...
Carência, volúpia — possuía muitos nomes, mas todos vinham no mesmo pacote. Queria mais e nenhuma parcela de comiseração dirigida a si mesmo iria mudar isso.
Talvez devesse sair e encontrar uma mulher. Certamente, havia muitas delas por aí, mais do que desejando compartilhar a sua cama. Talvez agora que Sakura o libertou da prisão sexual, Sasuke pudesse até fazer algum jus a si próprio e àquelas mulheres, no seu antigo estilo machão. Sasuke não as desejava; desejava apenas essa aqui. Essa traidora ruiva, de pele alva e olhos verdes, que fazia o seu corpo ferver.
Um sorriso retorcido brincou com os cantos cansados da boca, assim que recomeçou a caminhar. A tensão sutil nos ombros de Sakura quando pressentiu a aproximação de Sasuke conferiu àquele sorriso um crispado diferente. Amando um ao outro, ou odiando um ao outro, ainda podiam sintonizar na presença do outro, como gatos selvagens farejando o rastro territorial.
Contornando o banco, Sasuke hesitou por um momento, para estudar a constrição na face dela. O cabelo deve queimar como fogo à luz do sol, mas as saliências do rosto estavam pálidas, os olhos muito escuros e havia algo que revelava mágoa no modo como Sakura comprimia os lábios.
Num suspiro carregado, Sasuke recordou por que fora encontrar-se com ela. Deslizando para fora da casa o único botão que mantinha o paletó unido, sentou-se ao lado de Sakura com um longo suspiro.
— Sinto muito por não haver ninguém aqui com você — murmurou ele, calmamente. — Foi... uma manhã complicada para todos nós, eu suponho.
Sakura se virou para fitar Sasuke, com uma expressão precavida quando olhou para ele. Sasuke começava a parecer desfigurado e, consciente disso, não se deu ao trabalho de disfarçar.
— Achei que fora duro o bastante quando tivemos que fazer isso pelo meu pai, mas... — Pausou, a boca constrita pelas palavras que não queria proferir, mas sabia que, afinal, não tinha outra alternativa. — Minha mãe entrou em colapso e teve que ser sedada. Hinata está achando muito difícil de suportar. Hanabi se ofereceu para sentar aqui com você, mas Mamma precisa dela.
— Compreendo — aquiesceu ela.
— Mesmo? — Sasuke desejava que sim. Sentia como se a família inteira estivesse envolvida naquele acidente de carro — incluindo a si mesmo e a Sakura. — É uma confusão — murmurou e inclinou para a frente, para repousar os antebraços sobre os joelhos, a garganta superando um grumo, agora permanente, fincado dentro dela. — Tem gente caindo a minha volta como moscas. Formalidades para cumprir. Uma empresa que se recusa a parar de funcionar só porque eu quero. Os telefones continuam tocando. Estamos afogados sob uma onda de solidariedade a qual, para ser honesto, eu dispensaria agora mesmo. — A voz ressecava cada vez mais... Sasuke podia ouvir.
Será que Sakura o acusaria de abuso, caso ele admitisse que queria carregá-la para a cama mais próxima, a fim de se perder dentro dela por uma hora ou duas?
— O problema, Sakura, é que eu preciso lhe pedir um grande favor...
Sakura se retraiu. Sasuke fez um esgar, quando a sua mente traçou uma conexão entre o que estava pensando e o que precisava falar. Porém, era óbvio, Sakura não percebeu.
— Preciso ter certeza de que você está bem, — continuou Sasuke. — Pensar em você sozinha, em algum quarto impessoal de hotel quando não está aqui, não me faz sentir bem. — Voltou a cabeça para vislumbrar Sakura. A luz solar se esforçava ao máximo para dispor um pouco de cor nas faces esmaecidas, mas não estava logrando nada, e a boca parecia tão vulnerável que Sasuke quis...
— Assim, eu gostaria de retirar a minha oferta de achar outro lugar para você se hospedar. Quero que você fique na minha casa. Eu posso me mudar de lá, caso você prefira — ofereceu, escrutinando Sakura detalhadamente por alguma espécie de reação, mas Sasuke não conseguiu nenhuma. — Porém, eu preferiria ficar lá também. Desse jeito, saberei que você não estará sozinha caso o...
— Não diga isso — falou ela.
— Não — concordou Sasuke, cabisbaixo, olhando para os dedos longos das mãos, pendendo flácidos entre os joelhos afastados.
Sakura contemplou o topo da cabeça morena, observando o sol a lustrá-la com um brilho sedoso. Caso o pior aconteça durante a noite, se era isso que Sasuke tentara lhe dizer. Após distribuir o seu tempo entre Temari e o bebê, Sakura estava mais do que ciente de que o "pior" não pairava muito longe. À medida que via o bebê fortalecer a cada hora transcorrida, via a mamãe do bebê fenecer lentamente.
— Sobre a noite passada... — inseriu Sasuke, subitamente. Sakura tragou um fôlego afiado. As mãos dele se moveram retesadas antes de se franzirem unidas, e ela notou um nervo saliente no maxilar de Sasuke dar um espasmo.
— Fiquei um pouco maluco — admitiu ele. — Estou com vergonha de mim mesmo por jogar meus... sentimentos em cima de você.
— Ambos ficamos um pouco malucos. — Sakura se remexeu tensa.
— Não acontecerá novamente — prometeu Sasuke.
— Não — concordou ela.
— Enfim, você vai ficar no meu apartamento?
Sakura baixou o os olhos até o colo, onde as sobras da metade do sanduíche repousavam acondicionadas na embalagem triangular, e viu aquilo embaçar fora de foco mediante a investida das lágrimas.
— Temari nunca mais vai acordar, vai? — Sussurrou.
Sasuke não respondeu por um instante, e então meneou a cabeça morena.
— Eu acho que não — replicou rispidamente.
— Vou ficar — assentiu Sakura, engolindo em seco.
Sasuke voltou a sentar no banco de súbito, e o ar sibilava para fora entredentes, num gesto tenso e constrito de alívio. Um momento depois, algo caiu no colo de Sakura, perto da caixa do sanduíche.
Era um cartão magnético de segurança.
— Acesso — explicou Sasuke. — Você pode precisar disso, caso eu não possa vir aqui buscá-la.
Sakura anuiu.
— Se eu não puder vir, então meu motorista Rock Lee, virá buscar você. Lembra-se de Lee?
— Sim. — Outra inclinação da cabeça, enquanto olhava fixamente para o cartão. Lee era um homenzinho esquálido com uma paciência assombrosa.
— Que bom — disse Sasuke. — Então não preciso me preocupar quanto a você entrar na traseira do carro de algum estranho.
Foi uma piada. Sakura não esperava por isso. Aquilo a surpreendeu o bastante para expulsar uma tímida risada para fora. Sasuke também riu, um daqueles ruídos guturais, suaves e roucos dele, que acariciavam os sentidos dela. Porém, rir pareceu tão estranho e errado sob aquelas circunstâncias que, logo, ambos se quedaram mudos e imóveis.
— Você não tem que se preocupar comigo de forma alguma — disse Sakura naquela quietude.
— Preocupar não é bem a palavra que me vem à cabeça — retrucou Sasuke. — Alguém deveria ficar aqui com você, ajudando você a passar por isso. Tome. — Algo a mais aterrissou no seu colo. Arregalou os olhos de surpresa, diante da visão do próprio celular. — Estava no bolso do meu sobretudo. Encontrei-o essa manhã — explicou Sasuke. — Aqui está o meu número particular. Coloque na memória do seu aparelho. Não hesite em me chamar se precisar de mim, Sakura. — Foi mais uma ameaça séria do que uma forma educada de tranqüilizar.
De repente, Sasuke estacou tão subitamente que a fez piscar. Grandalhão e esguio e sombrio e tenso, ele bloqueou a luz do sol. Sakura sentiu frio, consternada. Sasuke iria embora, e ela queria se atirar sobre ele e implorar que ficasse!
Mas Sasuke tinha deveres para os quais retornar, e ela, uma vigília ao pé da cama para sustentar.
— Preciso ir — disse o óbvio e a tensão zuniu pelo ar como eletricidade estática. — Use o telefone, entendeu bem?
Sakura comprimiu os lábios rigorosamente unidos e acenou com a cabeça que sim. Ele virou e se afastou a passos largos sem olhar para trás, e Sakura permaneceu sentada ali, com o sol tentando repor a calidez que Sasuke levara embora consigo.
E falhou.
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Sasuke jamais se sentira tão inadequado ou inútil em toda a sua vida, como quando se afastou de Sakura daquela maneira. Mas tinha coisas para resolver, coisas repugnantes, que travavam a garganta, que despiam a alma, as quais não podia deixar de lado.
No entanto, a mente estava concentrada em Sakura... ou era o coração? Não sabia ao certo. O que Sasuke sabia é que Sakura pode tê-lo traído há dois anos, mas ele a traía agora, por não estar por perto quando precisava.
E havia de ser ele. Essa era a outra parte do conflito interior que o esfolava vivo. Sasuke não queria que ninguém mais ficasse lá com Sakura. Nem mesmo queria pensar nela recostando em outra pessoa.
— Dio, me deixe em paz! — Zangou-se, quando o telefone sobre a mesa começou a tocar.
Era um repórter querendo que lhe desse uma declaração. Aquele não era o primeiro cretino insensível com o qual tivera de lidar hoje e, provavelmente não seria o último. Ao passo que recolocava o fone no lugar, Hinata enfiou a cabeça na porta para olhar inquisidoramente para Sasuke. Ela havia envelhecido dez anos em vinte e quatro horas. Todos haviam.
— Não — disse Sasuke. — Era a imprensa, não o hospital.
Hinata continuou rondando a entrada e Sasuke pressentiu que a irmã queria que ele a abraçasse. Atravessando a sala, tomou-a nos braços e deixou Hinata chorar, desejando que tudo ficasse bem se ele também desabasse e chorasse.
— Como vai a Mamma? — indagou Sasuke, assim que o choro cessou.
— Está consciente agora, e parecendo um pouco mais forte. — Hinata lhe contou, e depois acrescentou, cuidadosa:
— Sasuke, a respeito de Sakura...
— Não mexa nisso, Hinata — advertiu brevemente, e ficou grato quando o telefone soou, tendo desculpa para se afastar dela. A irmã rondou por mais alguns segundos, calada pela censura dele e aguardando para descobrir quem havia ligado, antes de se esgueirar para fora assim que soube que era um telefonema de negócios.
Sasuke não queria debater os erros e acertos sobre Sakura estar com ele no apartamento. Não queria discutir sobre Sakura com ninguém mais... ponto final.
Seu assistente pessoal fez uma pergunta que exigiu sua concentração total. Sasuke respondeu-a e lidou com o problema como se fosse perfeitamente normal tomar decisões empresariais enquanto o mundo ruía aos seus pés.
Foi então que, em meio a uma frase concisa e entrecortada, o celular começou a zumbir.
Era Sakura. Sasuke estava certo disso. Largou o outro fone como se fosse um tijolo quente.
Os dedos tremeram quando atendeu a ligação. Tudo o que Sakura foi capaz de dizer a ele foi:
— Por favor... você pode vir?
Continua...
