Capitulo 4
Set
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O avião contornava a cidade, ela deu uma olhada curiosa la para baixo. Aquele so podia ser o rio Danúbio cortando a cidade antiga e a nova. O sol fazia todas as pontes resplandecerem, mesmo diminutas. Procurou pelo castelo, mas não o viu. Brincava com os dedos, estava tão agitada que os segundos se arrastavam sem piedade da sua saudade. Ele estava ali. Um sorriso largo a dopou pensando em como seria sensacional beijá-lo.
Estava tão acostumada com todos os procedimentos de aterrissagem, malas, alfândega e etc; contudo.. Hoje.. Ela não tinha a minima paciencia. Ele não poderia buscá-la, teria que encontrá-lo no set. Seria ate melhor, pois se ele estivesse ali a esperando, não se aguentaria em correr, se jogar no pescoço dele e beijá-lo. Tudo em câmera lenta como um bom filme de romance pede. Riu dos desvaneios. Era esta puta ausencia dele que a deixava assim.
Olhou mais uma vez para a cidade la embaixo. Cada parte de um lado do rio: Ôbuda e Pest. Jogou uma mão para cima da cabeça e respirou fundo.
Ela estava ali. Ela sorriu.
Ela tinha vindo. E não queria nem saber nos rumores que aquilo iria gerar, seria até interessante ler como explicariam que ela estava no outro lado do mundo. Bem, se tudo desse certo.. seria se iludir pensar que talvez eles não a percebessem ali?
Até agora ela tinha se saído bem. Costa oeste-Costa Leste-Ocidente Europeu-Leste Europeu sem chamar a atenção, sentia até um orgulho, uma adrenalina, quase uma agente secreta em tão detalhado que fora seu plano. Mas quem podia imaginar que ela fugiria na véspera de seu aniversario?
Mas como não fugir? Se Rob estava preso no set, sem maneira de ir, tinha que vir.
Nunca pensou que iria pedir isso, porém percebia como era mais fácil que o seu aniversario coincidisse com as filmagens crepusculares. Ele estava la, também, era garantido, não chamava a atenção. Parecia quase uma tradição, sempre a seu lado. Talvez fosse isso, não estava disposta a abrir mão daquela tradição. Sem ele a seu lado, que graça teria comemorar?
Nem ligava muito para datas assim, ainda mais a sua. Mas tinha uma alegria pueril com comemorações.. E melhor, com presentes. Ele pensava em cada detalhe, a torturava com pistas e sempre lhe roubava o ar quando abria os presentes. Era sempre tão perfeito, como se ela nem soubesse que precisava daquilo ate recebê-lo, como se ela não percebesse o quanto queria aquilo, ou tinha se conformado que não precisava... Até ele surgir.
Fora assim com o violão, e com todos os outros presentes. Ou talvez antes de qualquer comemoração... Com "Doomed Love". Assim, do nada, lhe dera um livro. Se ela quisesse se lembrar bem, não tinha sido assim sem justificativas. O que importa é que quando ela o recebeu.. Fora assim.. Surpresa.
Surpresa em como ele empurrava seus limites ate hoje.
"Não se esconda no fundo da pelagem do coelho, Kristen.. Sofia não aprovaria.."
Podia ouvir a voz dele dizendo aquilo. Desafiando-a. E se algum dia ela pensou no amor como algo seguro e fácil e tranqüilo, ela estava tão enganada consigo. Aquilo era amor para ela, cruzar o mundo para passar seu aniversario com alguém. Com quem realmente importava para ela. E nunca tinha se imaginado fazendo aquilo, e se achava corajosa e atrevida antes dele, mas com ele. Fazia com ela saisse da area de conforto e pensar, confrontar, sentir. Sentia-se viva com ele.
Um aviso no Aeroporto Internacional de Ferihegy tomou sua atenção. Finalmente, ela ouviu algo que entendeu. Inglês, graças a Deus! Era mais fácil ela entender mandarim que húngaro. Lingua dos infernos. Juntou sua bagagem, passou as burocracias, achou seu carro para seu destino. Pronto.
Um sorriso que não lhe deixava. Uma ansiedade que lhe consumia.
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O caminho até o lugar onde Rob filmava foi tranquilo, ficou analisando as novas paisagens que a cercavam. Era algo de Viena, algo de Paris, algo de Moscou. Algo bonito, algo de livros e filmes definitivamente. E pensar que toda aquela cidade tinha virado ruínas na II Grande Guerra, e fora reconstruída pedra por pedra. A humanidade a surpreendia de tempos em tempos. Boas surpresas também.
Ela se infiltrou no set com sua mochila nas costas e algumas dicas de onde achar seu namorado, o qual tinha avisado de sua vinda e deixado seu passe livre a postos. Kristen se mesclou a equipe técnica e fez silencio perdida em Rob atuando em uma cena, estava cortante como Georges Duroy, mordaz com toda aquele figurino do final do século XIX, e a entonação na medida. Seu peito se encheu de contentamento, ela ficava tão feliz em ver a carreira dele em uma boa direção. Cortando laços com a Saga, isso seria vital quando esta terminasse.
A cena estava finalizada. E ele a viu, abandonando na hora com quem falava e se dirigindo a ela. A jovem teve que pensar rápido e foi se afastando do grupo e procurando um lugar mais recolhido. Sentia que estava bem atrás dela.
Um braço a puxou e ela se afundou no peito dele.
- Não acredito que você está aqui.. –falou tão sinceramente- Você não sabe como eu estou feliz.
- De verdade verdadeira?- ela brincou ainda presa nos braços dele.
- A mais pura verdade... Vem aqui...
O namorado a puxou para um corredor do set, e a beijou profundamente. Os braços dela formaram um aspiral no corpo dele e uma das mãos se enterrou nos cabelos dele. Ele gemeu, sentia o gosto famíliar dela e seu corpo reagia como a uma droga, ela sentia a lingua malandra dele brincar em sua boca. Uma mordida no labio dela. Ela gemeu.
- A gente tem que cair fora daqui antes de um escândalo.. –ele riu.
- Você pode? –falou quando conseguiu recuperar o fôlego..
- Sim, tenho um intervalo de 2h...Vamos para meu hotel.. E depois volto para o set e você pode descansar. Nos vemos de noite, quero te mostrar um lugar fabuloso aqui.
Ela olhou as horas. E o puxou pelo braço.
- Então... Não vamos perder tempo.. –riu maliciosamente.
- Espera... Tenho que passar no figurino e deixar esta roupa.. – gargalhava com a pressa dela, que não era diferente da dele.
Ela parou e o olhou com plena doçura.
- Você não pode ir com ela? Estava torcendo que o Monsieur Du Roy se aproveitasse de mim.
Ele deu uma risada. E a abraçou.
- Nossa... Como você me faz falta.. .
- Isso é um sim? " Você virá para casa comigo, monsieur?" –ela lembrou de algo do livro.
- "Sim".. –ele pensou um pouco lembrando daquilo-.. "Mas eu tenho apenas um Louis no meu bolso" –riu.
E ela saiu saltitante. Aproveitando as últimas horas que poderia ser considerada teen. Permitir-se algo tão teen como sair saltitando porque alguém lhe cumpria um capricho.
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Eles subiram até o quarto com uma velocidade não humana, perdendo as roupas a medida que adentravam e trocando palavras desconexas ou tão próprias que apenas os dois se entendiam. Kristen notou que o quarto era um pouco barroco demais, cheio de exageros, no entanto, perfeitos para um Rob vestido a caráter. Era seu jeans e camiseta que destoavam ali.
Ou não mais, porque eles já estavam esquecidos no chão.
Ele estava sentado na cama, apenas com a calça, camisa, gravata e ela. Sua namorada estava em seu colo semi nua com as pernas cruzadas em suas costas. E pode ter certeza que aquilo o enlouquecia.
A lingerie que ela ostentava era de um magenta aveludado com uma renda negra fina por cima, devidamente escolhida para aquela reunião. Puxou a cabeça dele para trás, segurando firme seus cabelos, e trilhou aos beijos desde a têmpora esquerda ate o final do seu pescoço.
As mãos masculinas acariciavam as coxas dela simultaneamente, numa deliciosa e continua caricia. Ele começou a movê-la sobre si, e ela sentiu pontos de desejo explodirem por todo seu corpo. Buscou a boca dele e recebeu um beijo tão faminto quanto oferecia.
Demonstrando toda a sua experiencia, apos se livrar da gravata, foi abrindo a camisa dele com apenas uma mão impaciente, enquanto a outra estava presa na nuca dele e seus lábios ainda unidos. Ela percorreu com os dedos o torso, leves como um pássaro, arrepiando seu refém. Buscando o botão da calça e sentindo a ereção dele em sua mão.
Ele arfou.
E ela se separou um pouco, olhando-o numa indulgencia culpável. Ditando um ritmo no prazer dele.., suave em reconhecimento ao principio. Exigente depois.
O peito dele tinha um compasso perdido. Seus olhos não, estavam fixos nela. Sua mão percorreu mais uma vez a coxa dela, e se insinuou, desta vez, por entre aquela renda. Seus dedos tiveram a confirmação que ela estava tão perdida quanto ele. Todavia, aquilo não lhe foi um alivio. Foi apenas mais uma maldição. Ele a queria.
Kristen emitiu um som desesperado a medida que os dedos dele brincavam com ela. Senti-lo assim dentro dela.. Mas era tão.. .Ela o queria totalmente.
O jovem adivinhou os pensamentos dela, ou poderia ser o inverso, e a puxou para si.
- Você tem... – ela iniciou.
- Meu bolso direito, coloquei ali.. – falou com o resto de dominio que tinha.
A gringa pegou o preservativo, abriu atrapalhada e o colocou em mais uma provocação. Não houve nem tempo para retirar aquela última peça intima, ele apenas moveu a renda, e a penetrou.
Eles não se moveram por um espaço de tempo. As testas coladas em cumplicidade.
Então, ela se levantou e vagarosamente.. Desceu novamente...
Mais uma vez...
As respirações plangentes...
Mais uma vez...
A mão dele apertava um dos seios dela, e a outra segurava o quadril dela possessivamente.
Mais uma vez...
Rob buscou a boca dela, e ela descobriu a boca dele com sua lingua, sentindo os dentes afiados dele. Aquilo a excitava.
Mais uma vez...
Os movimentos sem pressa foram substituídos por uma busca inadiável. Respirar não era mais um ato automático. Era como se a atmosfera tivesse se tornado lunar. Ele sentiu quando os músculos íntimos dela lhe avisavam que era o fim, e acelerou o ritmo, tentando ajustar o derradeiro momento entre eles.
Um grito. Uma respiração pesada. Um nome lamentado na luxuria.
Era o fim.
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Concultou seu blackberry quando tempo ainda tinha ali. Não era muito. Ele não podia se atrasar, eram as últimas cenas. Kristen estava –preguiçosamente- estendida na cama, dormindo ha algum tempo, seu corpo estava indecorosamente nu, e ela estava simplesmente linda. Rob pensou.
Aconchegou-se perto dela, passou os dedos pelo cabelo dela, tão lindos, tão dela, de qualquer maneira que ela escolhesse. Seu rosto era de uma beleza que não melindrava, convidava. Seus dedos continuaram pelas curvas do corpo dela, os seios pequenos, a cintura desenhada, o quadril atraente, o sexo provocador, as pernas longas, os pés delicados. A pele branca, deliciosa, perfumada e sua.
Percorria aquele corpo que conhecia tão bem, e as vezes ainda se surpreendia em descobrir algo novo. As sardas que ele repara algum tempo depois de conhecê-la, uma cicatriz, o formato de suas unhas, o jeito de caminhar quando estava feliz. Gostava das mudanças. Em como igual ou diferente, ela era tão dele.
- Mas nem dormindo, tenho um descanso?
Riu sem olhar para sua interlocutora.
- Estou pedindo para você fazer alguma coisa?
- Está sim, que bem te conheço...
Aproximou-se dele, sentando-se ao seu lado no meio da cama. Passou os dedos pelo rosto, como se pudesse le-lo assim.
- Oi.
- Oi.
- Você já tem que ir?
- Sim, mas não queria te acordar...-ela olhou-o incrédula-.. de verdade. Mas você estava tão apetitosa que não resisti.
Ela deu uma risada de descrença, envergonhada, e olhou para baixo.
- Antes de te conhecer, tinha mais vergonha na cara..
- Isso é verdade. Você teria a decência de gozar mais baixo e se cobrir com algo agora...
- Cala a boca!.. E para de olhar assim para mim..
- Assim como?
- Assim!
Eles riram. E ela o beijou, abraçando-se a ele.
Ambos sabiam que ela faria qualquer coisa que um filme pedisse, se acreditasse naquilo. E tinha muito orgulho do seu corpo, na verdade, era ele que tinha sérios problemas em mostrar seu físico. Mas, particularmente, eles encaravam a nudez no sexo diferentemente.
Foi uma jornada de confiança, para que ela permitisse que ele olhasse para o corpo dela como queria, sem pressa, cobrindo-o de elogios, saboreando-o. Ela não gostava de elogios. Podia olhá-la, não precisava dizer nada, ela percebia. Contudo quando eles se tornavam palavras, não sabia bem o que fazer com elas. Preferia mil vezes mil observá-lo e traçar o foco das atenções nele, e sabia que ele adorava quando ela o elogiava. Ele era fan das palavras.
- Descansou? Foi uma longa viagem. - afastou algumas mechas do cabelo dela.
- Um pouco.. Mas vou aproveitar você fora para dormir mais um pouco. Assim estarei bem descansada quando você chegar.. –levantou ambas as sobrancelhas duas vezes.
- Ok.. parceira... Mas depois vê se você acha a camisinha quando a gente estava perto do sofá. Achei só as outras... E antes que você mude o foco da conversa, teu pai falou que liguei antes de você sair de LA? – falou mais serio.
- Falou.
- E ele falou que tua mãe conversou comigo?
Ótimo. Sabia onde isso ia dar.
- Não, ele não contou, mas tenho uma ideia do que ela falou. Você sabe como é minha mãe? Adora exagerar. Eu desmaiei uma vez. Não foi nada – mordeu o lábio.
- Sei... –disse mostrando bem que não tinha sido convencido.
Ela mentira duas vezes. Rob sabia muito bem que o exagerado na família era o pai dela, a mãe era assunto serio. Ela mesma o avisara anos atrás.E tinha desmaiado mais de uma vez aquela semana, sem falar em um mal estar constante que escondera como pudera. Contudo, aquele desmaio não pudera ser escondido. E mesmo assim, não ia procurar um medico que lhe dissesse que não tinha condições físicas de viajar para Budapeste. Estava fora de cogitação.
- Não se preocupe, quando voltar para casa.. .Saio do aeroporto e procuro um médico.. Posso ver um medico NO aeroporto se você disser que sai do meu pé com isso... Fechado?
- Love...Por que acho que você não está levando isso a serio?
- Porque não é nada serio.. é stress.. preocupação.. essas coisas...
- Entendo, mas nunca te vi assim. Você pode achar que me engana, mas vi que no caminho para ca, você não estava muito bem. E quando você foi no banheiro, vi que você se segurou na pia por um bom tempo... O que houve?
Ela se afastou.
- Agora nem no banheiro posso ir sem ser seguida?
- Fui falar com você, e fiquei preocupado. Lembrei da minha conversa com a tua mãe, também está preocupada com você.
- Eu sei, não precisa me lembrar.
Eles se olharam. Somente suas mãos estavam juntas.
- Você vai se atrasar... –falou calmamente botando final naquele assunto e ele sabia-.. A gente vai sair hoje de noite?
- Sim... Promete ligar para mim se, por qualquer razão, você não se sentir bem?
- Prometo.. .O que eu devo usar hoje de noite?
- O que você quiser!.. É seu aniversario, certo?
- Amanhã é meu aniversario..-deu-lhe um olhar zombador.
- Depois da meia noite... E não adianta ficar procurando seu presente, não o deixei aqui..
- Ahh.. –uma risada-.. não ia mexer nas suas coisas..
- De novo.. Você vasculhou o meu quarto ano passado, lembra?
- Só porque você não queria me dar mais pistas!..Culpa sua!
- Sei... Agora me passa aquele colete ali, acho que você rasgou algo e tenho uma cena com ele ainda..
Ela passou a vestimenta.
- A gente nem aproveitou muito do seu personagem desta vez..
- É... imagina se a gente tivesse... O que eu ia devolver para o figurino agora?
- Cala a boca, seu pilantra!
Despedidas não eram seu momento favorito, mas eram menos dolorosas quando se tinha um horário marcado para se estar junto de novo. E logo.
O lugar era um castelo medieval, pequeno, e afastado da cidade. Como unicamente o leste europeu podia ter, castelos medievais a vontade, de todos os jeitos e estilos de eras. Um lago deslumbrante se estendia a frente daquilo tudo, e uma floresta escondia os fundos da construção.
Aquilo era deles. E não havia mais ninguém invadindo aquilo.
O jantar fora sublime, ele se lembrara de tudo que ela gostava. Suas saladas, seus pratos, suas sobremesas, seus vinhos. O melhor era poder conversar e rir com ele, não havia pessoa no mundo que a compreendesse tão bem, até quando não a compreendia.
No fim da noite, eles se sentaram num balanço, a fumaça dos cigarros os acompanhava. Ela estava chateada com algumas coisas, e quando aquela mulher estava chateada com algo, ninguém gostaria de ser o alvo da ira.
- Mas você acredita que ela me disse isso? Com a cara mais seria do mundo?Vai se foder...- estava bufando.
- E o que você iria esperar dela. Você sabe que a gravação do próximo filme está chegando e há muito tempo ela quer consertar a merda que fez.
- E eu não sei? Mas ela que vá para a puta que pariu! Volta para o inferno e não ovlte. Eu trato ela bem, você sabe. Mas ela que não venha com estas conversas para cima de mim. Acha que eu sou o que? Retardada?
Se era algo que ele podia riscar dos predicados de Kristen era "frágil". Numa briga, ela o colocaria no chão com uma mão amarrada nas costas; numa discussão, ela o faria chorar antes de tomar fôlego, se quisesse. Ela era o diabo. Quando ele a notara nas telas, a 1ª vez, em Into the Wild, fora aquela fragilidade sexy que o deixara louco. Aquela mulher criança. Aquela mulher criança cantando. Quando esteve na presença dela, a 1ª vez, foi aquele mesmo magnetismo que o deixou de joelhos. Então, ela conversou com ele. Aquela timidez amável. Então, ele a beijou. Estava em sérios problemas.
Contudo, fora depois de uma brincadeira que ele acreditou ter sido muito inteligente da parte dele, que ele descobriu a lingua mordaz dela com mais três palavrões. Ela era o diabo. E irresistível. Ele estava completamente e irrevogavelmente apaixonado por ela.
- O que? – percebeu que ele não prestava mais atenção nas suas palavras.
- A minha sorte.
- Do que?
- De você não estar furiosa comigo... –ele fez uma cara de alivio-...Quem tem juízo não briga com você, Kris...
- Você já brigou...
Ele se sentiu mal. Balbuciou algo.
- Você mereceu.. E isso não vem ao assunto.
- ...Voce não atendeu seu telefone uma única vez...
- A noite é sua..
- Eu vi... Quem era ligando antes?
-O insuportável do Tom. Desde que você disse que ele ia ficar perfeito no teu próximo filme, o cara surtou..
- E por que ele não liga para mim? – divertiu-se com Tom surtando.
- Falou que seria indelicado ficar te incomodando,mas não tem o mínimo escrúpulo de me encher o saco.
- Como é ele surtando?
- Insuportável. E você está linda, se eu não mencionei antes...
Um vestido curto verde musgo com um ombro só tinha sido sua escolha.
- Você não está mal também. Muito elegante, Sr. Pattinson.
- Nós formamos um belo casal, né?
- Sim, quando a modéstia não nos abandona.
- Sim, especialmente quando... Ei ... espera aqui..
A atriz não entendeu aquela saída, até ve-lo voltar com um pequeno bolo de chocolate e algumas velas, cantando "parabéns para você". E justiça seja feita que Rob cantando "parabéns para você" não era qualquer "parabéns para você".
Fez um pedido. Apagou as velas.
- Já é meia noite? Serio? E meu presente?!
- Como você anda muito materialista, puta merda!
- Não, ando ansiosa -tinha um olhar de criança na manhã de natal.
- E se o meu presente fosse esta noite, neste castelo? –ele olhou interrogativo.
- Mas isso não cabe no teu bolso...E eu sei que tem algo no teu bolso...
O queixo dele caiu.
- Kristen, não sei se alguém já te disse... Mas você é tão baixa... Isso foi baixo.
- Bem, você sabe que eu gosto de te apalpar e você adora...
- Sim, love, por pura sorte sua...
"Love" era a única palavra tão inglesa que ela nunca o tinha corrigido. Ela apenas não se cansava de ser chamada assim. Ele lhe entregou um saquinho de veludo. Ao abri-lo; um cartão minúsculo e uma caixinha típica de jóias estava ali.
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"Se a história começa num encontro, ela tem que acabar numa busca. PF".
Estou aqui, como prometido. Infinitamente.
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Respirou fundo, segurando-se para não chorar com aquele lembrete. Pegou a caixinha.
- Antes de você abrir. Comprei isso na cidade antiga... Espero que você goste.
A caixa era, em si, muito linda, um pouco alongada e com detalhes de flores no veludo. Ao abrir, puxou a correntinha e viu a delicadeza da jóia e o símbolo pendurado na ponta.
- Como prometido... –ele disse-...Infinitamente, para estar com você, algo de mim...
Ela sentiu algo salgado molhar seus lábios. Pulou no colo dele, roubo-lhe dois beijos e escondeu o rosto em seu ombro.
- Você gostou então? Não foi muito gay?
- Não seu idiota, adorei!
- Percebi que meus presentes nem sempre são fáceis de andar carregando por ai. E eu vi esta jóia em uma loja do outro lado do rio; o vendedor me contou que deve ter no mínimo alguns séculos. Algo de amor eterno. E eu ... Ah.. você vai rir de mim, certo?
- Sim, porque você é adorável...-ela o beijou mais uma vez- Amei, me ajuda a por?
- Agora?
- Sim! Agora mesmo...
Ela ainda olhava a correntinha no pescoço, pensando em como ele sempre fazia isso. Os únicos presentes que se lembrava eram os dele. Era patético. Antes mesmo de estarem juntos, era assim. Ela tentava, mas não conseguia. Ele sempre a deixava sem palavras. E ela se lembrou de um detalhe.
- Rob, tenho um presente para você, não sou tão boa com isso como você... Mas...
- Para mim?
- Na realidade.. É um presente para mim.
- Você anda impossível...
- Escuta primeiro. É um presente que comprei para você,mas para você me dar.
- Continua impossível.
- Para! Não sei explicar...Toma...
Uma outra caixinha estava nas mãos do namorado, e não sabia bem de onde ela tinha surgido. Ela era mais simples que a sua, e dentro dela havia uma aliança dourada. Ele a olhou curioso.
- Calma, não estou pedindo para você me pedir em casamento... Respira.
- Ainda bem, porque na minha terra isso não se faz com a masculinidade de um homem... O que eu iria contar para os nossos filhos?
- Ok, vou ignorar este comentário - falou seca- Lembra que você vive dizendo que a gente sempre está separado? E que esta coisa de não sermos públicos romanticamente, às vezes te deixa ..
- Irritado, chateado, inseguro?
- É .. isso.. Tira o anel da caixa.
Ele olhou o anel mais perto. Tinha algo escrito.
- Tem certeza? –estava sorrindo.
- Tenho, é a minha letra.
-Eu notei, e você notou que foi colocada FORA do anel?
- Onde devia estar.
- Vou perguntar de novo: Tem certeza?
- Tenho. Cada vez que você fuçar uma foto na internet e eu estiver la na China, você vai saber de quem eu sinto falta...
- Você vai usar sempre?Vai chamar a atenção...
- Ahram.. .
- E meu nome esta para fora do anel, com a tua letra?
- Ahram...
- Você está chutando o pau da barraca mais uma vez, certo?
- De certeza. Mais com muita classe.
- Adoro quando você faz isso...
- Faço para você deixar de ser imbecil..
- Nossa, eu me senti TÃO amado agora... –fez uma voz afetada..
- E porque é sincero, sinto tua falta, quero você comigo... Sempre.
O anel cintilou por um momento ao ser posto no dedo dela. Ele beijou a mão dela.
- Infinitamente...
- Infinitamente... –ela repetiu.
Outro infinito observava aqueles dois amantes. Um infinito de estrelas que eram as únicas testemunhas daquilo. Como devia ser.
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Caos.
Os dois se olhavam através daquela mesa. Ambos estavam em estado de choque. não havia palavras, e isso não era bom.
O café que eles pararam, em uma das praças da cidade, podia ser qualquer um, pois eles não se lembravam nem em que país estavam. Ela apenas pediu para parar o carro em qualquer lugar, precisava descer, precisava de ar puro. As cores da tarde eram uma laranja com vários tons de rosa. Contudo isso também não era notado por nenhum dos dois, mesmo sentados ao ar livre.
Com um olhar na mesa de vidro, segurava a cabeça com uma mão, infiltrando os dedos no cabelo, as pernas tremiam. Ainda bem que ela estava sentada. Rob tinha passado as mãos pelos cabelos sem conta, estava com os dois cotovelos na mesa e as mãos apoiadas na boca. Olhava agora para algum ponto que nem ele sabia identificar.
Ambos tentavam recapitular o dia para ver se compreendiam como, em poucas horas, o mundo tinha virado de cabeça para baixo.
Noite extraordinária, manhã deliciosa, seguida de Kristen no chão do banheiro desacordada. Emergência, exames, telefonema urgente da produção, Rob com o coração na mão, Kristen no telefone xingando o medico húngaro que não sabia falar inglês direito; Rob no hospital, exame refeito, positivo, conhecido chamado, conhecido confirma, Kristen ...grávida.
Caos.
Eles nunca depreenderam aquela palavra tão bem. Eles a sentiam em cada célula. Saíram do hospital sem falar nada de consistente um para o outro, e ali estavam.
Ao perceber que amassava algo na outra mão , Kristen percebeu que estava com o papel do exame. Colocou-o na mesa, pondo o cinzeiro em cima para não voar.
- Eles podem ter errado o exame? -falou fitando o papel.
- Eles o fizeram duas vezes, Kris –respondeu sem sentir as palavras.
- Você tem certeza que o teu amigo sabe bem inglês?. –negação balançava as silabas.
- Ele é nosso interprete aqui, ele sabe... Ele é de confiança também. Bem, espero. Sem falar que aquele médico estava furioso por você dizer que ele não sabia inglês.
- Deixa alguém te dizer que você está gravido em um pais estrangeiro para ver se você também não acredita.. – ainda havia tensão- Ainda não acredito nem em minha própria língua...
Silencio.
- A gente sempre se cuida... Eu me cuido.. –ela falou num tom baixo como que mais para ela que qualquer pessoa.
- A gente já esqueceu...
- Mas é quase nunca...
- Creio que é o bastante...
- E para que tomo pílula então?
- Você deve ter se esquecido de tomar algum dia, também não é 100%.. Nada é 100%... E não adianta a gente pensar nisso... Você está...
- Você nem consegue dizer...- passou as mãos no rosto.
- Não , não é isso. É apenas que eu .. Você também está... É um pouco irreal.
Ele tentou alcançá-la através da mesa, mas ela se esquivou.
- Kris... Kris?
Ela o olhou soltando todo o ar dos pulmões para por a cabeça no lugar.
- Não estou com sintomas de grávida, não estou enjoando assim, vomitando. Eu apenas... este mal estar, as tonturas, a queimação, dor de cabeça...Mas...
-Você ouviu o que ele disse.. Os sintomas em cada mulher são diferentes, e pediu para você fazer mais exames quando chegarmos em casa, a gravidez pode estar mascarando algo também. E se alimentar direito, cuidar desta gastrite... E do stress.
- Meu ciclo... não notei que estava atrasado. Devia ter percebido, ne? – bateu na testa e fez uma cara de culpada.
- Não, não se cobra assim... – respirou fundo- É muita coisa, também estou tentando absorver isso.
Silencio.
- Desculpa Rob, não estou perdendo a cabeça aqui. Apenas... –ela levantou as mãos desconsolada.
- Eu sei...
Ele se lembrou as palavras de seu filme favorito, o romance perfeito..."Por que ...Tudo treme?...A terra ...A casa ...Eu..." Era assim que se sentia.
Como não podia ficar feliz? Era um filho dela e Rob. Mas o temor era o sentimento mais forte agora, como é com qualquer coisa não planejada. Ela 1º estava tentando acreditar que aquilo era real. Então ela pensou nas consequencias.
- Devemos ligar para nossas famílias, agentes, PRs.. os estúdios?.. –ela falou pensativa.
- Não ... 1º a gente tem que decidir isso entre a gente.
- Decidir?.. Ah... -entendeu-... Eu não tinha pensado nisso... –mesmo com tudo aquilo a soterrando, não tinha pensando nas alternativas, ou não quisera.
Queria poder dar todo o apoio para ela naquelas horas. Quantos livros, filmes, historias ele não tinha visto... Sim, ela tinha alternativas. Ele precisava dizer isso a ela. Mas a maneira como ela o olhou. Ela achava que ele não queria aquele bebe?
O jovem se levantou na mesma hora e se sentou ao lado dela. Segurou os braços dela.
- Olha para mim... Eu sei que nenhum de nós esperava isso. Nos dois sabemos que não é a melhor hora... Mas estamos juntos, ok?
- Eu te mato se você me deixar sozinha para resolver isso..-um pouco de humor, era algo bom.
- Então, presta atenção no que vou dizer: estou com medo também. Mais medo ainda de falar algo "errado" e você me odiar. Eu te amo.. Olha para mim, Kristen.. Eu te amo, ok? Eu sei que isso é algo demais...
- Demais Rob? É uma puta brincadeira de Deus! -olhou para o ceu- Valeu! Já se divertiu comigo? –ela estava furiosa, era bom, mais um estagio ultrapassado.
- Tenho receio de perguntar do que você está falando...
- É que, achei...Que estas similaridades entre a gente e aquele livro, aqueles filmes iam acabar... Parece maldição...
- A gente tem a nossa historia, baby...
- Mas minha vida está uma bagunça há tanto tempo. Eu te conheci, já vivi o triangulo, já vivi você fora da minha vida, já vivi toda a loucura das escolhas. E agora um bebe? Parece ser uma puta ironia poética. Parece que alguém irá gritar "corta" a qualquer momento: "Bem-vinda a sua vida, Kristen Stewart... Você é um clichê!"
- Você se arrepende? -falou serio.
Ela se surpreendeu com a pergunta. Foi a vez dela de toca-lo, segurou as mãos dele.
- Já pensei muito nisso. Muito mesmo... Já te falei isso, mesmo com a minha vida em alguns momentos não sendo minha vida...Você sabe que sou uma "control freak", isso me desespera... Eu NUNCA iria voltar no tempo e não fazer tudo isso... Entende? Se voltasse, se pudesse, ia ser para avisar a mim mesma la no começo para parar de ser teimosa e admitir que te amava bem antes que tudo. Seria ótimo polpar aquele puta esforço e trabalho de ficar longe de você.
- É, posso viver com esta resposta -ele a beijou de leve- O que você quer fazer quanto a .. nossa nova... situação?
- Eu não sei. Eu sinto.. .Eu penso... É o nosso filho, não é?...-ele deu um sorriso leve-... E por outro lado, sempre me esforcei para não sonhar com algo assim. Sei que não é .. certo... não é a hora. Tenho trabalho até 2012... Como farei com isso?Nao quero abrir mão de nada...
Já se sentia exposta demais, não queria chorar. Um nó na garganta estava se formando, e não sabia como ia continuar aquela conversa.
- Sei que a decisão final é tua... Eu sei, é o teu corpo, e você sempre será a mais afetada nisso... Droga, estou tentando fazer um discurso politicamente correto aqui... Eu te apoio em qualquer decisão...apenas...
- Apenas..?
- Eu quero este filho, Kris...
Não tinha se preparado para ouvir aquilo. Mas como estava espantada com a reação de Rob? Claro que ele não ia ser um cafajeste e abandoná-la por estar grávida. E desde que o conhecera sabia da fascinação dele por crianças. Ele nunca escondera que queria uma família. Porem, era a hora? Ela estaria preparada?
- Baby, sei que falar isso para você pode ser injusto. Você vai passar isso sozinha, de uma forma.. Eu não tenho idéia que papel tenho aqui... Cara, isso é tão confuso. Eu apenas sei que dentro de mim, estou tão feliz com isso. É você.. e .. como você falou.. é nosso filho. Não seremos os 1os nem últimos a ter um filho nestas condições. E não vai faltar nada para esta criança...
- E as nossas carreiras?
- Bem.. Para as gravações com o Walter, creio que não haverá maiores problemas.. Quanto BD... Bem... O estudio ficará feliz com o realismo da gravidez da Bella, até economizarão uns trocados na tua barriga falsa...
A namorada suspirou contrariada, em conflito entre rir, chorar, agradecer por ele estar se esforçando, matá-lo ou apenas pedir uma passagem para Vênus. Deviam ser os hormônios. No entanto, teve que admitir que ele nem mencionara a carreira dele.
- Obrigada, sweetie –respirou fundo-.. ok, sei que há varias maneiras de se gravar grávida. Eles tem experiencia nisso de sobra, e se eles quiserem complicar... Eu caio fora!
- Não fala merda..
- Estou falando sério...
Silencio.
- Rob.. .a gente irá fazer mesmo isso?
-É o que você quer?
- Sim...
- Então, vamos pensar... -colocou as mãos dele nas coxas dela, suas faces estavam próximas-... como dizer isso ao teu pai e irmãos sem que me mandem para Guantánamo..
- Pelo menos não é mais uma gravidez adolescente... Eu tenho 20 hoje...
Ele respirou aliviado.
- Que foi?
- Você fez uma piada de verdade... Isso é bom.
- Achei que você estava aliviado de não ter ido no medico antes e ser uma gravidez adolescente.. Ia vender muita revista. Posso ver ate as manchetes.
- Engraçadinha, posso ver que você já está normal...
- Minha cabeça ainda dói – segurou a correntinha sem notar.
- Quer ligar para tua mãe?-ele falou fazendo um cafuné na namorada.
-Não, conto pessoalmente... É melhor. Você irá ligar para teus pais?
-Não, quando a gente voltar para Londres, você conta para eles...
- Robert, não vou fazer isso...
- Então... A gente pode esperar a tua barriga ficar maior e eles se darem conta. Ou lerem alguma revista dessas que você falou, minha mãe acredita em tudo mesmo, não seria a 1ª vez que vai me perguntar se é verdade...
- Mentira! Clare nunca falou isso...
- Ah tá. La vai você defender tua sogra de novo...
Um abraço foi sendo tecido ali.
- Ei... Você acredita que foi no Bafta?Tenho boas memórias...- ele disse e ela sabia o que queria dizer- ...Eu digo pelo tempo que o médico estimou...
- A gente nunca saberá com certeza. Mas, pensei que NY seria o maior culpado.
- A premiere? – abriu os olhos e os dois ficaram concordando com a cabeça- Sim, foi algo a se lembrar de certeza. Você estava uma delicia contra a parede gemendo...
- E você ótimo me fazendo gemer...
- É, você tem razão, melhor memoria aidna e a gente foi bem irresponsável por lá...
Tocou na aliança no dedo dela.
- A gente já pode ir para o hotel? Temos a festa de encerramento ainda do filme este final de semana. Se você não quiser ir...
- Não,eu quero.. –apertou o pulso dele com carinho- Vai fazer bem para a gente, sei que aquela Ricci não tira a mão de você ...
- Agora é oficial. Você está de volta!
- Para de rir da minha cara! Tem muita mulher folgada que fica se passando.. "oi Robert".. "Ah Robert".. "Rob aqui.. Rob ali".. e ficam te pegando...
- Kris, você ja se olhou no espelho quando você da um olhar homicida para alguém?
- Por isso que eu vou...
- Você não tem jeito.. Vem...
Deixaram dinheiro e gorjeta na mesa, deram-se as mãos. Ele só queria que aquilo acabasse bem, não podia esperar para contar para sua família, mas queria que ela estivesse com ele. Queria esperar ela digerir tudo e ser algo a se comemorar. A família dele ia enlouquecer, não a deixariam em paz. Ele ia ser pai. Quanto louco era aquilo? Um bebe deles. Deles.
Ela não pode deixar de olhar para os lados e ver se alguém os espionava. Hábito. Eles podiam ter sido mais cuidadosos, mas como pedir algo normal no dia de hoje? Ela bem que tinha pedido um aniversario inesquecível... Mas isso já era demais. Queria chegar a casa logo e contar para sua família, não queria que soubessem de outra forma. Sentiu a mão dele na sua. Ia dar certo. Ela não queria perde-lo. não queria perder nada.
Segurou forte na correntinha para se recordar da promessa, passou a mão pela 1ª vez no ventre com proteção e reconhecimento. Foi algo mais natural que pensado. Ele percebeu, mas não disse nada. Eram tantas palavras para o que sentia, nenhuma que ele conseguisse escolher para aquele momento.
Felicidade. Foi a que ele escolheu afinal. Ela tinha vindo, estava ali e era sua.
E carregava um filho seu. Definitivamente, felicidade.
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