N/A: Alguns de vocês estão, justificadamente, preocupados com a abundância de babaquices de James. Bem vocês estão certos em se preocupar, e só posso lhes assegurar que James é um moleque mal-humorado e será alternadamente malicioso e maravilhoso. Por enquanto. Quanto aos momentos Lily-e-James, há poucos nesse capítulo, mas há uns bem bacanas chegando no infinitamente superior próximo capítulo.
Chapter 4- "Snaps and the Second Week"
(Snaps e a Segunda Semana)
Or
"Won't Get Fooled Again"
Aparentemente três tentativas de suicídio em um dia era demais para o Ministério aceitar como mera coincidência. Drake se foi, e outra pessoa foi trazida – um bruxo alto de cabelo loiro e um comportamento que não poderia ter sido menos típico do Ministério se ele fosse o próprio Sirius Black. Seu nome era Lathe, e James estava pendurado no ar de ponta cabeça, a dez pés do chão, na primeira vez que eles se encontraram.
Tudo começou com um gato e uma tradição.
Mrs. Norris – o irritante bicho de estimação de Filch – era uma gata, e a tradição – instituída pelos Marotos – era bastante simples: mexer com Mrs. Norris sempre que ela aparecesse.
Assim, James estava ocupado entre a aula de Defesa e de Herbologia na segunda de manhã, e só ocorreu ao jovem bruxo que a aula estava prestes a começar após ter terminado de levitar Mrs. Norris até um candelabro no quarto andar.
"Merda," xingou ele, pegando sua mochila e virando-se na direção das escadas imediatamente.
"O que quer dizer com 'merda'?" indagou Remus, que estava com ele, esforçando-se para alcançá-lo. "James, qual é o problema?"
"N-nada."
Remus olhou para o relógio. "Droga – estamos atrasados, não estamos?" James não precisava responder. O sinal de alerta soou. "Droga! Estamos atrasados!" Ambos aceleraram o passo para uma corrida.
"Isso é tudo culpa sua, Prongs," disse Remus quando alcançaram o patamar do Hall de Entrada. "Por que tinha que pendurar Mrs. Norris num candelabro, afinal?"
"É tradição, foi por isso," disse James. Eles correram pelas portas do castelo, as mochilas batendo em suas costas. "Deus, está frio aqui fora. Quando isso aconteceu? Estava quente essa manhã!"
"Não fale sobre o clima comigo, Prongs. Estou com raiva de você."
"Você vai superar."
"Não vou não se recebermos detenção!"
Os dois grifinórios estavam tão ocupados discutindo e correndo que, quando viraram a esquina da estufa número três em busca da estufa número dois, não perceberam alguém parado bem na curva. Como resultado, James esbarrou nessa pessoa, e Remus esbarrou em James. Os três caíram no chão.
"Você está bem, Lupin?" indagou James, levantando-se e oferecendo uma mão ao amigo. Tirando a poeira do uniforme, Remus resmungou algo como "Eu estou bem", e agarrou a mão do capitão. Apenas quando os dois grifinórios estavam em pé notaram a terceira vítima.
Nicolai Mulciber olhava furioso para eles. Já de pé, o sonserino segurava um frasco em uma mão e a varinha na outra. James ignorou completamente a varinha.
"Sério? Está enchendo a cara atrás das estufas? Sozinho, ainda por cima? Tão clichê."
"Você não quer me tirar, Potter," rosnou Mulciber, brandindo a varinha. "Depois daquela artimanha que montou... eu teria cuidado se fosse você."
James revirou os olhos. "Olhe, Mulciber." O rapaz apontou para si e contou: "Um." E apontou para Remus: "Dois. Há dois de nós, e um de vocês, e mesmo que tivesse apenas meio Lupin aqui, eu ainda apostaria nele em uma briga. Então, talvez você deva ter cuidado, Tijolo."
Mulciber parecia confuso. "Tijolo?"
"Hum, é do que decidi te chamar, por conta de todas as características que compartilha com um tijolo. Vamos ver, vocês dois são desarticulados, insensíveis e conhecidos por serem muito pesados."
"Prongs," suspirou Remus, mas tarde demais.
Mulciber ergueu a varinha, e James sacou a dele.
"Pordiporsus!" gritou Mulciber e, ao mesmo tempo, James berrou: "Levicorpus!"
O grifinório foi jogado para trás, seu corpo batendo bruscamente contra uma árvore, enquanto o sonserino foi levantado no ar e ficou pendurado, como que preso pelo tornozelo. James se recuperou primeiro e percebeu que Mulciber tinha deixado a varinha cair. Ele sorriu.
"Prongs," disse Remus, expressando uma infinidade de outros pensamentos com uma única palavra. Ele poderia muito bem ter simplesmente lembrado ao amigo que não valia a pena se encrencar com aquilo, ou que estavam atrasados para a aula de Herbologia, ou que ele era um monitor e, portanto, tinha obrigação de parar aquilo. James assentiu, sacudiu a varinha, e Mulciber começou a cair. Antes que o sonserino atingisse o chão, James balançou a varinha novamente, e ele parou a cerca de três centímetros do solo. Uma última vez, o capitão sacudiu a varinha, e Mulciber caiu no chão.
Enquanto ele se recuperava, James apanhou sua mochila que tinha caído e, seguido por Remus, rumou em direção à estufa número dois novamente.
"Ei, Potter!" chamou Mulciber.
"Por favor, James," implorou Remus, cansado.
"Tudo bem, Moony, eu não vou me virar…"
Mas ele não teve escolha. "Ei, Potter," repetiu Mulciber – mais perto dessa vez – e James sentiu uma mão pousar em seu ombro. O capitão se virou e antes que tivesse alguma ideia do que estava acontecendo, sentiu uma dor aguda em seu rosto. Mulciber o socara e ele cambaleou para trás.
"Gostou?" vociferou Mulciber. James o encarou, cambaleando para manter o equilíbrio. Enquanto ponderava suas opções, olhou para o sonserino, presunçoso e comemorando a aparente vitória. Definitivamente havia um caminho certo que podia – e por definição, deveria – ser tomado naquele momento. Ele devia se afastar... dar meia volta, ir à aula de Herbologia e apenas deixar aquilo para lá. Essa era a opção sensata, responsável, madura e adequada para quem possuía setenta e quatro detenções.
James lançou-se para frente, acertando Mulciber na cintura e jogando-o no chão.
Aparentemente o sonserino pensara que James seria mais do tipo que optaria pelo caminho certo. No entanto, o rapaz rapidamente revidou com um golpe no rosto de James, embora esse não tenha tido nem a força, nem a pontaria do primeiro, e o capitão se recuperou rapidamente. Derrubou a varinha que Mulciber lutava para pegar de suas mãos e sacou a sua, lutando para manter o domínio da luta. Remus estava indeciso – sacara a varinha, mas não estava disposto a atacar o amigo. Ainda assim, quando – aparentemente do nada – James sentiu seu corpo inteiro ser levantado e colocado no ar, da mesma forma que fizera com Mulciber há poucos instantes, tinha certeza que Remus lançara o feitiço. Mulciber estava pendurado não muito longe dali, mas não era Remus quem estava apontando a varinha para os dois, mas Donna Shacklebolt.
"Sério, vocês dois," disse ela com a expressão severa. "Nós já não assistimos a isso antes?"
"Por que não está na aula de Herbologia, Shack?"
"Porque eu não estou cursando ela," disparou Donna. "Por que vocês não estão na aula?"
"Porque eu estava ocupado lutando com Mulciber," respondeu James. "Agora me ponha no chão."
"Ponha nós dois no chão," gritou Mulciber.
"Não até jurarem parar de brigar," disse a bruxa teimosamente. "Vocês vão só perder mais pontos da Grifinória!"
"Donna!" ralhou James. "Pare de ser tão bajuladora!"
"Eu não sou…"
"O que está acontecendo aqui?" Um bruxo de cabelos loiros e cerca de trinta anos de idade apareceu quase de repente, e James imaginou como não o viu chegar.
Donna começou. "Ah, é só... veja…"
O bruxo mais velho lançou um olhar confuso a ela, e a jovem bruxa imediatamente soltou os garotos briguentos.
Thump.
Ambos gemeram. "Obrigado," disse o outro. James tropeçou em seus pés enquanto fazia um exame mais completo do recém-chegado. Um distintivo de auror estava preso no colarinho de suas vestes marrons e o capitão de quadribol logo soube do que se tratava. "É por isso que eu não queria essa tarefa," suspirou o bruxo. "Tudo bem... hum... eu não sou professor de vocês, então não vou puni-los ou algo assim, mas... apenas... parem. Você... garota..." Para Donna, "Não azare as pessoas. Não é assim que se consegue a atenção de um cara."
"Ah, eu não os azarei," respondeu Donna na bucha. "Veja, eles estavam brigando, então eu tentei separá-los."
"Os azarando," concluiu o outro secamente.
"Foi só o 'Levicorpus,'" retrucou Donna. "Eu estava tentando ajudar."
"Bem, não tente," suspirou ele. "E não... sabe, não importa. Eu nem sei porque estou continuando essa discussão. Por que não vão todos para as aulas?"
"Eu não..." começou Donna novamente, mas James a cortou.
"Shack, dá para ficar calada? Ninguém está encrencado."
"Obrigado. Exatamente!" disse o mais velho. "Apenas... vão para a aula." Eles começaram a obedecer. "Esperem, um instante..." Eles pararam. "Algum de vocês sabe onde posso encontrar James Potter?"
A expressão de Donna era de completa indignação e ela não disse nada. James e Remus se entreolharam, e Mulciber imediatamente apontou para o grifinório em questão. "Ele é."
"'É ele' seria gramaticalmente correto," informou-lhe James. Ele se virou para o outro bruxo. "Estou encrencado?"
"Não."
"Vou perder a próxima aula?"
"Provavelmente."
"Ah. O.K. Do que você precisa?"
"Os... os demais podem ir," disse o bruxo, e eles obedeceram. Quando a sós, o homem continuou: "Meu nome é Lathe. Eu trabalho para o Ministério, e preciso te fazer algumas perguntas."
"Vocês já têm minhas lembranças daquela noite," disse James desconfiado. "Eu entreguei a McGonagall para que examinassem na penseira."
"Sim," disse Lathe, "e eu dei uma olhada. Mas não estou bem familiarizado com você, ou com a Senhorita Meloni ou com qualquer aluno envolvido. Para entender o que aconteceu, preciso de sua opinião... o que aconteceu que você achou fora do normal sobre certos comportamentos e reações: qualquer coisa que pareceria estranho para alguém familiarizado com os envolvidos."
James o encarou. "Você é mais esperto que a tal Drake."
Lathe assentiu. "Sua mochila escolar provavelmente é mais esperta que a tal Drake."
(O Problema)
"Sei não," suspirou Marlene Price descontente, "me parece que você devia ficar mais um dia."
"Marlene," começou Adam, "pela décima sexta vez: eu não tenho sequer um arranhão, estou na enfermaria por quase seis dias. Acho que está na hora de eu ir embora daqui."
Sua amiga parecia insatisfeita com essa resposta ao sentar-se no canto de sua cama naquela terça-feira à tarde. "Mas o Curandeiro Holloway nem sequer sabe o que aconteceu com você..."
"Eu já te disse: ele sabe." Adam se esforçou para parecer cansado, mas na realidade o incomodava muito, muito pouco, o fato de Marlene estar entrando e saindo da Ala Hospitalar a cada intervalo de duas horas desde que o Curandeiro permitira que os pacientes recebessem visitas. "Ele disse que o motivo pelo qual Carlotta, a garota da Lufa-Lufa e eu tentamos... fazer algo drástico foi provavelmente resultado de..."
"Exposição acidental a objetos contendo magia das trevas," concluiu Marlene por ele. "Você me disse centenas de vezes."
"Você perguntou centenas de vezes."
"Não mude de assunto."
"Isso tem tudo a ver com o assunto."
Marlene olhou feio e ele se calou. "Tudo que estou dizendo," continuou a loira, "é que até que alguém descubra que 'objeto com magia das trevas' supostamente os conduziu ao ímpeto incontrolável de cortar os pulsos, pular no lago e se jogar da Torre de Astronomia – diferentes métodos de suicídio, um fato que eu, por exemplo, acho esquisito – você não deveria ter permissão para vaguear pelos corredores."
"O Curandeiro Holloway diz que seja o que for que tenha passado em nossos organismos, se foi," disse Adam, e quando Marlene pareceu menos satisfeita, ele acrescentou: "Eu prometo não ir à Torre de Astronomia, se isso te faz se sentir melhor. Porém, foi uma observação interessante sobre os diferentes métodos. Isso é estranho."
"Foi Lily quem me apontou isso," admitiu Marlene. "Mas eu fui esperta o bastante para concordar com ela." A jovem checou o relógio na parede. "Tenho aula de Transfiguração em poucos minutos..." (claramente desapontada). "Te vejo mais tarde, certo?"
"Estarei aqui até as seis da noite," assegurou-lhe Adam.
"Certo, venho por aqui na hora do jantar." Marlene hesitou. "Não, deixa pra lá. Tenho que encontrar Miles no jantar. Ele jura que eu não faço refeições com ele há séculos. É engraçado como no instante que fiquei interessada em outra coisa... quer dizer, ocupada fazendo outras coisas, ele ficou completamente apaixonado por mim novamente." Adam não estava nada satisfeito, mas tentou esboçar um meio-sorriso. "Te vejo à noite na sala comunal então, o.k.?"
"A não ser que eu pule da Torre de Astronomia nesse meio tempo."
"Não tem graça, McKinnon. Tchau." Ele acenou em resposta. "Tchau, Carlotta!" acrescentou Marlene, acenando para a bela morena, que estava em uma das camas da enfermaria. Ela também acenou, embora um pouco preocupada, rabiscando um pedaço de pergaminho. "Eu vou trazer sua lição de Transfiguração," disse Marlene ao rapaz. Ele franziu o cenho.
"Para falar a verdade, eu preferia pular da Torre de Astronomia."
"Continua não tendo graça."
"Te vejo mais tarde."
"Tchau." E apesar de alegar o contrário, Marlene saiu da ala hospitalar com um leve sorriso.
(Amigos, Ex e James)
Quando Donna anunciou sua saída para a aula de Aritmancia na quarta-feira à tarde, Lily não podia dizer que estava terrivelmente arrasada por conta disso. E quando, alguns minutos depois, Luke beijou-lhe o topo de seu cabelo ruivo e disse que tinha que ir à aula dos N.I.E.M's de Runas Antigas, a ruiva não derramou nenhuma lágrima. Finalmente sozinha em sua mesa na biblioteca, Lily abriu seu romance favorito de Jane Austen e se preparou para um duplo período completo de solidão. Amava os amigos, é claro, e gostava muito de Luke, mas a solidão... a solidão era legal.
Ocupando-se com a entrada do Sr. Knightley em Hartfield, Lily até mesmo conseguiu deixar de lado as batidas suaves de seu subconsciente, lembrando-lhe de como costumava passar os períodos livres com Severus.
Solidão era legal.
"Lily, eu preciso de ajuda."
Amigos, infelizmente, eram mais importantes.
"Alice, o que houve?"
A ruiva pousou o livro sobre a mesa, enquanto Alice Griffiths desabava numa cadeira à sua frente, uma expressão de desânimo total em seu doce rosto.
"Frank."
"Frank?"
"Meu namorado."
"Eu sei quem é Frank, querida."
"Bem, eu preciso de ajuda."
"Círculos, querida. Estamos falando em círculos."
Alice organizou os pensamentos antes de falar novamente. "Há algo errado com Frank. Ele tem agido tão estranho ultimamente, eu mal o reconheço."
Lily acariciou a mão da amiga em sinal de conforto. "Al, tenho certeza que é por causa dessas coisas estranhas que estão acontecendo... A investigação do Ministério, o que aconteceu com Adam e Carlotta... e o estresse adicional de ser monitor-chefe..."
"Começou antes disso," argumentou Alice. "Há algo estranho com ele desde que voltou das férias em agosto. Tem estado mal-humorado e antissocial... e fica bastante carente e insiste em fazer coisas comigo, e então, quando estamos juntos, ele começa a brigar sem motivo algum. Metade do tempo ele simplesmente fica enfurnado no dormitório ou sai para andar também, e ele tem estado completamente fora de si sobre o que aconteceu com Carlotta e Adam."
Após pensar por um instante, a ruiva suspirou: "Bem, Al, eu não sei como dizer isso, mas acho que Frank pode estar grávido."
A setimanista tentou não rir. "Isso é sério, Lily."
"Tudo bem, sendo séria. Como está a família dele?"
"Eu pensei nisso," respondeu Alice. "Mas o irmão dele disse que tudo estava bem nesse aspecto. Frank passou momentos agradáveis em suas férias na costa, e ninguém percebeu nada, mas desde então, toda vez que estamos juntos, ele é completamente imprevisível."
"Vocês dois não tiveram nenhuma briga de verdade, então? Quer dizer, uma briga grande, que poderia ter começado essa coisa toda?" Alice sacudiu a cabeleira cacheada. "Tem certeza? Então… então você tem que olhar os sintomas."
"O que quer dizer?"
"Bem, se alguém está doente, se olha os sintomas para saber o que há de errado. Então, examine o comportamento dele e veja que tipo de problema aquele comportamento indica. Ele está mal-humorado, você disse, e briguento."
"Hum, sim, ele simplesmente começa a discutir sobre coisas idiotas."
"Ele está alternadamente pegajoso e antissocial?"
"Passa mais tempo 'caminhando' que nos últimos quatro anos do nosso relacionamento."
Lily assentiu. "E ele definitivamente não está grávido?"
"Lily."
"Certo, bem, me deixe pensar por um minuto." Ela pensou por um minuto. E então lhe atingiu em que direção todos aqueles sinais apontavam.
Merda.
Mas, não, estavam falando de Frank. Frank Longbottom. Não era algum babaca; era Frank.
"No que está pensando, Lily?" suplicou Alice após um tempo. Sendo uma garota prática e segura, Alice nunca parecera tão desesperada para Lily. A ruiva pensou rapidamente – havia momentos para honestidade e momentos para compaixão. O olhar nos olhos castanhos de Alice lhe disse que era o último caso.
"Eu não sei, Al. Pode... pode ser qualquer coisa. Quer dizer, Frank... ele te ama, e..."
"Ele não fala mais isso."
Lily piscou os olhos. "Quê?"
"Ele não diz mais 'eu te amo'. Ele não diz há semanas." A setimanista disse baixinho, sem encarar os olhos da ruiva.
Merda.
"Alice, Frank te ama. Eu sei disso, está bem? Confie em mim, vocês dois são cerca de 30% da razão de eu acreditar no amor. Jane Austen é os outros 70%." Alice sorriu. "Seja o que for que ele esteja passando, você não pode se culpar por isso".
"Mas eu não sei o que fazer!"
"Apenas converse com ele."
"Eu tentei… ele não me escuta."
"Então seja paciente," insistiu Lily. "Ouça, vocês estão juntos há muito tempo... quatro anos é um longo relacionamento para qualquer padrão, não apenas para adolescentes. E com tudo tão bagunçado na escola e no mundo, Frank provavelmente só está lutando para... se ajustar. Afinal, é o último ano de vocês aqui."
Descontente, Alice assentiu.
"Se ajuda," continuou a sextanista, "a Professora McGonagall me disse que designou Frank para monitorar minha detenção na sexta, já que ele é monitor-chefe. Eu vou falar com ele então, certo?"
"Você faria isso?"
"É lógico."
"Mas não diga que eu disse alguma coisa."
"É claro que não."
"Nem pense nisso. Se ele adivinhar, minta."
"Pra que servem as amigas senão para mentir umas pelas outras?"
"Eu te amo."
"Eu sei."
Levantando-se, Alice abraçou Lily brevemente, e então – com um último sorriso agradecido – saiu da biblioteca. A ruiva franziu o cenho para o romance. Estavam falando de Frank. Frank não podia...
Ela afastou o pensamento de sua mente. A biblioteca estava deserta (exceto pela corpulenta bibliotecária, a Sra. Sevoy, que continuava visível), e a monitora tinha que tirar vantagem dessa rara solidão antes que outra coisa a perturbasse.
"Lily, nós temos que conversar."
Amigos eram mais importantes que solidão, mas ex-amigos não.
Sem erguer os olhos, Lily reconheceu a nova companhia. Não disse nada; a respiração ficou presa na garganta.
"Lily, por favor." Ele se inclinou sobre a mesa. "Sei que não está lendo esse livro… temos que conversar, você sabe..."
"Sev, pare." Lily fechou o livro mais uma vez. "Severus, pare, estou falando sério, o.k.?" A Sra. Sevoy olhou feio e a ruiva lançou um olhar de desculpas em sua direção. Severus não se importou.
"Lily, por favor," sussurrou ele. "Você esteve me evitando a semana inteira, e..."
"Eu estive te evitando," respondeu Lily, "porque da última vez que conversamos pessoas acabaram na Ala Hospitalar. Isso te dá uma dica de quão bem estamos nos relacionando no momento, não é?"
"Eu não posso acreditar que você assumiu a culpa por aquilo," murmurou Severus, para o que Lily revirou os olhos.
"Eu não te vi reclamando."
"Eu... eu estava confuso... não conseguia lembrar qual de vocês fez aquilo. Estava tudo... confuso. Mas foi Potter – você assumiu a culpa por Potter, não foi?"
"Chegou a essa conclusão rápido demais, não foi?" foi tudo que ela disse.
"Ele seria desprezível o bastante para te deixar fazer isso," disse Severus. "Lily, você não podia pensar que..."
"Vá direto ao ponto, Sev. Eu estou tentando ler." Ela se odiava... Odiava Sev e sua maldita sinceridade… Odiava a biblioteca simplesmente por servir de cenário para aquela cena estúpida.
"Eu… Lily, eu quero ser seu amigo de novo. Quero que sejamos amigos. Eu quero..."
"Não."
"Lily..."
"Não."
"Mas..."
"Severus, eu sei que você sempre me fez ceder... perdoar qualquer coisa, fechar os olhos para tudo, mas não. Não mais."
O sonserino ficou sentado em silêncio por um tempo. A ruiva fingiu ler. "Por favor, Lily..."
"Vá embora, Sev." (Suavemente... ela não tinha certeza que era realmente o que queria).
Ele obedeceu. A monitora fechou os olhos e esperou até se sentir sozinha novamente. Quando olhou em volta da biblioteca mais uma vez, as façanhas de Emma Woodhouse não pareciam mais divertidas o bastante. Lily fechou o livro e descansou o queixo nas mãos, os cotovelos apoiados sobre o romance fechado.
Severus.
Seu estômago revirou-se em nós – nós intricados o bastante, que se estivessem em seus sapatos, em vez de estarem no estômago, provavelmente teria que pegar um par de fortes tosqueadores para cortá-los e comprar cadarços novos.
"Eu não posso comprar um estômago novo," comentou Lily, verbalizando o pensamento de forma inconsciente.
"É uma grande verdade."
A ruiva saltou três ou quatro centímetros da cadeira. Olhou em volta freneticamente. James Potter estava recostado em uma estante próxima, um sorriso torto em seu ("Estúpido," pensou Lily) rosto.
"Você estava bisbilhotando?" exigiu ela em voz baixa, para que a Sra. Sevoy não ralhasse com eles.
"Você estava falando sozinha?" indagou James. Com as mãos nos bolsos, ele não fez nenhum esforço para baixar o volume da voz ao andar em direção à mesa.
Lily franziu o cenho. "Você não tem alguns filhotes para afogar ou algo do tipo?"
"Está defendendo a violência contra os animais?" retrucou o outro. Solidão era muito, muito mais importante que inimigos.
"Alguma vez eu já apoiei suas atividades extracurriculares?" perguntou a ruiva. "E, por favor, não se..." James ocupou a outra cadeira da mesa: "... sente," concluiu a monitora com um suspiro. "Por favor, Potter, não tem nada melhor para fazer?"
"Na verdade, não. Já terminei todos os meus deveres de casa. Então, vejo que você e Snivellus são amigos novamente."
"Você vê?" foi sua única resposta. Ela meio que gostava do fato de essa possibilidade claramente o irritar.
"Bem, não são?" Ele tentou parecer indiferente, mas não conseguiu tão bem quanto em outras ocasiões. Lily reabriu o livro.
"Mas você já concluiu que nós somos, e você nunca está errado, James."
"Eu não me importo, de qualquer forma."
"Evidentemente."
"Eu só estava entediado, e você não consegue não transmitir sua vida pessoal por toda a biblioteca, só isso."
"Bem, eu nunca teria suspeitado que você estivesse na biblioteca para ver isso. Me diga, quando foi que aprendeu a ler?"
"Isso foi um tanto maldoso," disse James alegremente.
Lily piscou. Foi? "Sinto muito," ela se desculpou rapidamente. Seu companheiro lhe lançou um olhar estranho, que ela não conseguiu interpretar. Após um tempo, a boca dele formou o sorriso semi-arrogante novamente e ele arqueou as sobrancelhas.
"Relaxa, Snaps. Não é como se eu desse a mínima."
"Não, é claro que não. Por que o grande James Potter se importaria que... do que me chamou?"
Seu sorriso torto se alargou para um sorriso completo ao levantar-se da mesa. Sem responder à pergunta, ele simplesmente acenou e disse: "Te vejo por ai, Snaps." E havia triunfo em seus passos ao se afastar.
Snaps.
Snaps?
...
Quê?
(O Cabelo de Kevin Sherbatsky)
"Estou entediado," anunciou James durante o jantar na quinta-feira.
Os três marotos que o acompanhavam na citada refeição lançaram ao capitão de quadribol e líder do grupo olhares confusos. "Como é que pode estar entediado?" indagou Peter sem acreditar. "Não estamos sequer há duas semanas na escola, e já tivemos uma briga enorme, três tentativas de suicídio, dois investigadores do Ministério, um enxame de outros aurores questionando tudo que se move, e – no seu caso – ao menos duas grandes discussões com Lily Evans e dois duelos com Nicolai Mulciber."
"A maior parte disso aconteceu semana passada," respondeu James. "A questão com Mulciber no outro dia mal chegou a ser perigosa, e não há nada terrivelmente fascinante com esses sujeitos do Ministério. O que aconteceu hoje? Nada. Kevin Sherbatsky cortou o cabelo, talvez, mas, sério, acho que é isso."
Sirius pousou o garfo sobre a mesa. "Você percebeu também? Graças a Merlin, eu pensei que tinha ficado completamente maluco por notar algo desse tipo."
"Não descarte a teoria de estar completamente maluco ainda," interferiu Remus.
"Alguma coisa precisa acontecer," continuou James. "Algo bom. Todo esse cenário deprimente… notas medíocres em Poções, pessoas tentando se matar, brigas enormes no Hall de Entrada, é... deprimente."
"Isso significa que você vai abrir mão da turbulenta rotina estilo Bob Dylan?" indagou Remus esperançoso. Peter começou a perguntar sobre a referência, mas pensou melhor e manteve a boca fechada.
"Se está tentando me insultar, não deveria me comparar com um cara completamente fodão, Moony," disse Prongs friamente. "E não. É outra coisa..." Mastigando uma batata, James passou os olhos pelo Salão à procura de inspiração. E algo o atingiu guando avistou a mesa da Lufa-Lufa. "Sabem o que eu odeio?" indagou.
"Perguntas retóricas?" sugeriu Sirius.
"O cabelo de Kevin Sherbatsky," disse James. Os outros Marotos ficaram quietos, incertos sobre onde o amigo queria chegar. Foi Padfoot quem entendeu primeiro. Ele sorriu para o melhor amigo.
"Prongs, cara, eu não recebo detenção há... séculos, eu acho."
"Detenção, Sr. Black, essa sexta-feira," a Professora McGonagall repreendeu o jovem, que estava em seu escritório com uma vaga imitação de remorso no rosto. "E sem dúvidas vai ficar feliz em saber que quase todo o cabelo do Sr. Sherbatsky foi restaurado."
"E está melhor?"
"Black."
"Sinto muito, Professora," suspirou o rapaz. "Eu só estava tentando ajudar. Quem não gostaria de ajudar dando fim ao cabelo daquele patet... Quer dizer, dando àquele doce garoto uma nova chance com o... cabelo. A primeira tentativa dele evidentemente fracassou."
"Eu pensei que tinha dito que foi um acidente."
"E foi. Um feliz acidente. O destino trabalha de formas engraçadas às vezes, Professora."
"Detenção na sexta, Black."
"Certo, Professora. A propósito, você está linda hoje à noite."
"Saia do meu escritório, Black."
"Se insiste."
James estava esperando por ele do lado de fora. Sirius sorriu. "Detenção amanhã," disse o último, antes que o primeiro pudesse perguntar.
"E valeu a pena?" indagou o capitão de quadribol enquanto começavam a voltar à Torre da Grifinória.
"Ah, 110%," assegurou-lhe Sirius. "Não consigo acreditar que ele levou dez minutos para perceber que aquele cabelo abominável em sua cabeça de formato estranho tinha desaparecido."
James riu. "Por que não temos feito nada parecido com isso em tanto tempo?"
"Porque estávamos de férias e o cabelo de Kevin Sherbatsky não estava por perto," disse Sirius. "Ah, e porque você estava num humor terrível."
"Eu tinha uma boa desculpa."
Sirius o encarou. "Qual delas – o resgate de Carlotta Meloni, Lily Evans sendo… Lily Evans, ou o seu velho?"
James parou de repente, enquanto Sirius prosseguiu. "Você sabia? Sobre meu pai..."
"Prongs, sutileza não é típico de sua família, e eu estive morando com vocês por dois meses. É claro que eu sabia." James o alcançou, enquanto o amigo começou a explicar: "Quer dizer, sério, você esperava que eu acreditasse no conto de fadas que sua mãe conseguiu formular à mesa do café sobre ele ter ido a uma viagem de negócios – que, convincentemente, durou até depois de voltamos à escola? E, tem o fato de que as únicas fotos dele que restavam na casa ao final do dia eram aquelas com você."
"Por que você não me disse que sabia?" exigiu James.
"Por que você não confiou em mim?"
"Porque eu não sou uma garota. E eu te perguntei primeiro. Por que não me disse que sabia?"
"Por que você é... você." disse Sirius. "De qualquer forma, odeio conversas sérias. Se você fizer um trocadilho, eu vou te matar enquanto dorme hoje à noite."
N/T: em inglês as palavras "Sirius", nome do personagem, e "serious", que significa sério (a), têm a mesma pronúncia, então Sirius sempre usa isso como um trocadilho para fazer gracinha. No diálogo acima como ele usou a expressão "serious discussions" (conversas sérias), foi a isso que se referiu em seguida.
"Devidamente anotado. Não posso acreditar que você sabia e continuou me deixando mentir para você sobre ele."
"Foi um pouco divertido, na verdade."
"Idiota." James mudou de tática. "De qualquer forma, você estava completamente errado."
"Sobre o quê?"
"Sobre o que me deixou de mau humor."
"Não foi Carlotta, Evans ou o seu velho?"
"Não."
"E foi o quê, então?"
"Você ter ido morar conosco."
"Idiota." Eles tinham alcançado a sala comunal da Grifinória. "Sabe," continuou Sirius antes que fornecessem a senha para entrar; "Eu me sinto meio que... mudado."
"O que quer dizer?"
"Só recebi uma detenção, e ainda preciso de mais dez para estar no perigo da regra das setenta e cinco. Como é que isso aconteceu?"
"Eu estive pensando nisso," respondeu James, "e acho que descobri. Você se lembra do... pequeno incidente há alguns anos atrás... o bolo, os elfos domésticos, o precioso cactos do Professor Stottlemeyer..."
Sirius sorriu nostálgico. "Foi um dia legal."
"Bem, eu assumi toda a culpa e recebi dois meses de detenções nos finais de semana. São dezesseis no total."
"Isso explica," concordou o outro. "Mas eu ainda me sinto mudado."
James arqueou uma sobrancelha. "Você quer voltar e pedir a McGonagall outra detenção?"
"Não, mas... ah... eu ouvi que eles meio que restauraram o cabelo de Kevin Sherbatsky."
Entendendo a mensagem, Prongs começou a sorrir. "Foi mesmo? Deus, mas que pena, depois de todo o trabalho que tivemos para nos livrar dele."
"Foi exatamente o que pensei, Prongs."
"Acho que ele está lá embaixo, terminando o jantar que foi interrompido, Padfoot."
"Esse seria meu palpite também, Prongs."
James fez uma reverência. "Me acompanharia, Padfoot?"
"Seria um prazer, Prongs."
(O Restante do Dia)
"Ele fez o cabelo de Kevin Sherbatsky desaparecer duas vezes?" repetiu Lily com uma meia risada. Ela se conteve. "Isso é terrível. Realmente terrível. Engraçado, sim, mas terrível."
Frank Longbottom assentiu em concordância. "De qualquer forma, é por isso que Sirius Black está em detenção, acredite ou não. Mas ele parece estar atrasado."
Era verdade. Às quinze para as oito, Sirius estava quinze minutos atrasado para a detenção na sala de troféus. Lily chegou pontualmente, é claro (dois minutos adiantada, na verdade), e Frank estava esperando com um pano de limpeza na mão, pois ela deveria dar polimento nos troféus sem usar magia. "É claro," adicionara o monitor-chefe, "eu não sou terrivelmente brilhante, então tenho certeza que não notaria se você enfeitiçasse um pano ou quatro deles para começar a limpeza na outra extremidade da sala."
Quinze minutos depois, houve significativamente mais conversa do que polimento. Quando o assunto acerca da detenção de Sirius morreu, Lily deu as costas e fingiu estar espanando um troféu de quadribol de 1952. "Escute, Frank," começou lentamente, "estava querendo te perguntar uma coisa..."
"Vá em frente," respondeu o monitor-chefe, que lanchava uma maçã, sentando em um banco próximo às placas dos monitores.
"Bem, é sobre Alice." Ele não disse nada, então ela continuou: "Tem... tem algo estranho com ela ultimamente. Você notou, certo?"
"Eu... ah... para falar a verdade, não posso dizer que notei."
"Bem, é só que... que ela tem parecido tão pálida e tão cansada, sabe? De qualquer forma, ela falou comigo outro dia e mencionou que vocês dois têm brigado... Deus, espero não estar me metendo, eu só queria me certificar de que tudo está bem com vocês dois." Ela olhou por sobre os ombros para encarar o monitor-chefe, mas ele não fez contato visual, focando-se na maçã em sua mão em vez disso.
"Todo mundo briga," respondeu ele, distante, após alguns segundos. "E eu e Alice estamos juntos há muito tempo. É assim que as coisas são..."
Lily sentiu um peso ser tirado de seus ombros, percebendo pela primeira vez a existência dele. "Sabe, foi exatamente isso que eu disse a ela. Quer dizer, ela não tem nada com que se preocupar... vocês dois sempre tiveram uma relação tão sólida e... quer dizer, Deus, vocês são a prova que eu tenho de que as relações duram. Como eu discutiria com Donna se vocês dois terminassem?" Ela sorriu até perceber que Frank não fazia o mesmo.
"Só... só porque um casal tem uma história não significa que eles vão ficar juntos para sempre."
O coração de Lily afundou. Ela queria gritar para o amigo que ele e Alice tinham que ficar juntos para sempre... que foi a sorte, o destino e a providência e todos esses conceitos legais, mas decididamente vagos. Em vez disso, a monitora mordeu a língua e o lábio.
"Alice e eu," continuou Frank, "estamos juntos há um longo tempo, mas é nosso último ano em Hogwarts e... bem, eu provavelmente vou me tornar um auror, e Alice..."
"Mas eu pensei que Alice quisesse ingressar no departamento de aurores também," interrompeu Lily. "Ela fez aquele estágio nas férias, e sei que gostou muito."
Frank hesitou. "Bem... nada… nada é certo," respondeu de forma imprecisa por fim. "Tem tanta coisa acontecendo... tanta coisa está mudando... nada mais é realmente certo. Não é? É só que..."
"Bem, estou aqui." Sirius Black anunciou sua presença ao entrar na sala de troféus. "Por nada."
"Você está..." Frank limpou a garganta desconfortavelmente, "você está atrasado, Sirius."
"Vai contar à Professora McGonagall?" O Maroto queria saber.
"Não."
"Frank, cara, você é o melhor monitor-chefe que já existiu e existirá." Sirius pegou o pano de limpeza. "E como você está, Lily?"
A monitora, temporariamente chocada, tentou pensar em algo que tivesse que discutir com o recém-chegado. "Eu estou bem. Ei, Black, pode me dizer, pelo amor de Deus, o que significa o novo apelido de Potter? Por que é que ele fica me chamando de 'Snaps'?"
Sirius sorriu. "Não tenho a menor ideia, querida," respondeu. "Só Deus sabe o que se passa na cabeça de James. É claro que ficarei extasiado em transmitir a ele a mensagem de que você está curiosa. Ele tem sido bastante petulante ultimamente, já que você tem sido obstinadamente indiferente ao jogo dele."
"Não diga a ele," pediu Lily. "Ele vai ficar muito presunçoso. Não vai contar, vai?"
"Eu vou pensar." Seu belo sorriso permaneceu travesso, e a sala ficou em silêncio. "Então... do que estavam falando antes de eu chegar?" indagou o maroto, bastante inocente. Lily olhou para Frank.
"Hum... ouvi dizer que você fez o cabelo de Kevin Sherbatsky desaparecer," ela conseguiu formular.
Sirius assentiu solenemente. "Duas vezes."
(Alguém para dar notícia)
O escritório de Lathe era pequeno e apertado, uma sala que lhe foi dada às pressas para que pudesse dar início às tarefas o mais rápido possível. Com uma mesa plana e extensa, duas cadeiras, quatro aurores vestidos de preto e o próprio Lathe – dando ordens aos outros quatro – o cômodo parecia ainda menor. Pequeno e abafado. Até as paredes exalavam a mesma preocupação e comoção que as pessoas dentro delas, de modo que Lily – sentada na cadeira providenciada para ela – sentiu que devia ser o único item parado no escritório. A jovem esperou calmamente Lathe voltar a atenção para ela e explicar qual era seu papel naquele drama.
Por fim, os outros aurores se retiraram para executar as solicitações de Lathe, e o bruxo sentou em sua extremidade da mesa.
"Lily Evans, certo?" indagou ele, olhando para o pedaço de pergaminho. "Me desculpe a demora em começar seu interrogatório."
"É sobre Carlotta, não é?" questionou Lily.
"Hum, sim," ele folheou alguns papéis. "Você já apresentou sua memória da manhã de 2 de setembro para o exame na penseira, acredito."
"Isso."
"Bem, então eu tenho apenas mais algumas perguntas." Ele colocou os papéis de lado. "Me diga cada detalhe que sabe sobre Carlotta Meloni."
Lily piscou os olhos. "Cada detalhe? Sem ofensas, Sr. Lathe, mas… eu não conheço Carlotta tão bem quanto outras garotas ou... garotos... conhecem. Shelley Mumps..."
"Michelle Mumps já prestou depoimento," disse Lathe. "Infelizmente ela estava histérica. Queria falar com alguém que eu achasse que fosse capaz de conectar as palavras... você é monitora e esteve diretamente envolvida com o incidente; você também divide o quarto com a Senhorita Meloni. Você é a escolha mais lógica."
"Ah."
"Além disso," continuou ele, mantendo o tom de voz sempre sério, mas ainda com um toque de inexplicável ironia, "eu li o relatório da detenção sobre sua briga com um rapaz chamado... Mulciber." Lily desviou o olhar. "Você realmente o socou?"
"Isso é… isso é o que dizem."
"Hum... Bem, eu encontrei Mulciber. Duas vezes, na verdade. Uma sem querer e uma para interrogá-lo. Ele foi testemunha da garota que pulou no lado." Lily esperou o veredito. Numa voz uniforme, branda e sem humor, ele disse: "Eu teria socado ele também."
Lily tentou não sorrir; ainda não estava completamente certa se devia ou não temer Lathe. "Agora," continuou o auror, "eu preciso de detalhes. Qualquer coisa que consiga pensar... qualquer coisa estranha que aconteceu naquela manhã ou na noite anterior... qualquer conversa esquisita com a Senhorita Meloni..."
"Bem," começou a ruiva, "Carlotta não voltou ao dormitório naquela noite... não que pudéssemos saber, de qualquer forma. Ela não estava lá quando as outras foram dormir, e Shelley disse que acordou no meio da noite e a cama de Carlotta ainda estava arrumada. Mas... você provavelmente já sabia disso...?" Lathe assentiu. "E… hum… quanto a Carlotta, ela… ela é legal, eu acho. Não somos grandes amigas, mas sempre nos demos bem. Ela é... meio que... hum… moderna? Sabe… É por isso que não ficamos chocadas quando não voltou ao dormitório naquela noite. Está entendendo o que eu...?"
"Certo, sim."
"E... ela é... ela…" Lily procurou em seu cérebro informações sobre Carlotta, mas apenas coisas triviais pareciam vir à sua mente. "Ela medita todas as manhãs. Gosta de dormir nos finais de semana. Ela… bebe chá verde. Ele é vegetariana. Ela…"
"Vegetariana?" interrompeu Lathe de repente.
"Ela não come carne."
"Estou ciente do significado da palavra," respondeu o outro. "É só que eu conduzi cinco outros interrogatórios sobre a Srta. Meloni, e nenhum dos outros mencionou que ela era vegetariana." Ele escreveu alguma coisa em um pedaço de pergaminho.
"Isso é importante?" indagou a monitora.
"Ah, eu não faço ideia." Ele encolheu os ombros. "Há mais alguma coisa?"
Lily sacudiu a cabeça. "Na verdade não. Eu falei com ela rapidamente no trem aquele dia. Ela estava... bem. Normal. Apenas… Carlotta."
Lathe ficou calado por um tempo, antes de perguntar: "O que pode me dizer sobre Adam McKinnon?"
"Ele é o goleiro do nosso time de quadribol," respondeu a ruiva. "E ele... hum... bem, não consigo pensar em nada relevante."
"Você teria adivinhado que o fato de Carlotta ser vegetariana era relevante?" Lily admitiu que não teria. "Bem, então...?"
"É sobre a garota que ele gosta," elaborou a ruiva. "Eu tenho absoluta certeza de que não é relevante."
Lathe sacudiu a cabeça. "Não, não é relevante," concordou ele. "Nada mais?"
Lily pensou cuidadosamente. "Bem, Adam esteve desaparecido por algumas horas antes... bem, de tentar se jogar da Torre de Astronomia. Eu sei disso porque minha amiga Marlene disse que ele não apareceu para a aula de Trato de Criaturas Mágicas após o almoço." Lathe escreveu algo em outro pedaço de pergaminho. "Além disso, não consigo pensar em mais nada."
"Tudo bem. Obrigado. Acho que pode se retirar agora… Não vou mais desperdiçar sua noite de sábado." Ele esfregou o queixo com um dedo de forma pensativa, encarando a página à sua frente. "Se pensar em mais alguma coisa, apenas escreva e cole na minha porta."
"Certo, é claro." Lily levantou-se da cadeira.
"E se você pudesse mandar o próximo aluno entrar..." acrescentou ele, com um aceno de cabeça em direção à porta, atrás da qual uma série de pretensas testemunhas esperavam por seus interrogatórios.
"É claro."
Ela saiu do escritório. À frente da pequena fila estava um lufano magrelo de cabelos castanhos acinzentados e olhos grandes, estalando os dedos nervosamente enquanto esperava o que ele parecia acreditar que seria uma cerimônia de sentença.
"Acho que você é o próximo," disse Lily, encorajando-o. "Não se preocupe. Ele é legal."
"Sério?" perguntou o garoto. "Porque eu ouvi Donna Shacklebolt falando sobre ele ontem na biblioteca, e ela disse coisas terríveis."
"Donna Shacklebolt teria coisas terríveis a dizer sobre o Papai Noel," comentou Lily, dando-lhe uma tapinha no ombro. Ele sorriu desanimado. "Entre. Vai ficar tudo bem." Ele obedeceu e a ruiva rumou de volta à sala comunal.
(O Outro Problema)
Rindo, Marlene se afastou o suficiente para perguntar: "Miles, que horas são?"
Era sábado à noite e o casal estava no corredor do quarto andar, Marlene contra a parede e Miles cobrindo a namorada de beijos. "Eu não sei... isso faz diferença?"
"Miles, por favor," argumentou a outra, mas sorrindo. "Eu tenho que ir às sete horas. Que horas são?" Mas ele estava muito ocupado para responder, e a garota agarrou seu pulso para checar a hora.
"Merda," xingou ela, se afastando novamente. "Miles, são quinze para a oito."
"Vamos lá, Marly," suspirou o rapaz, acariciando seu braço. "Você pode chegar um pouco atrasada para sua... reunião de estudos." Isso ele disse com grande desgosto.
"Não posso," protestou Marlene. "Eu já deixei meus amigos esperado vezes demais essa semana. Você tem estado muito sensível ultimamente..."
"Eu não tenho estado muito sensível," respondeu Miles sensivelmente. "Eu tenho sido perfeitamente legal, não tenho? Eu disse alguma coisa maldosa, ou..."
"Não sensível desse jeito," interrompeu a grifinória. "Sensível com suas mãos." Passando o braço em volta do pescoço dele, Marlene lhe deu o que pretendia que fosse um beijo de despedida. "Tudo bem, agora seja bonzinho, e eu te vejo amanhã."
Miles deslizou os braços pelas costas dela. "Mas, Marly, você pode estudar comigo. Vamos lá, podemos ir à biblioteca e tudo mais."
"Certo, porque estudar é definitivamente o que tem em mente, não é?" Marlene sorriu, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha. "Miles, por favor, eu tenho que ir..."
"Mas, Marly, está quase na hora do toque de recolher. E então você vai ter que ir para a sala comunal, e eu não vou poder te ver. Você pode estudar com seus amigos depois..."
"Mas..."
"E, além disso, eu sou seu namorado... seu namorado há dois anos..."
Ele esboçou a expressão mais suplicante que Marlene achara já tê-lo visto esboçar, e ela cedeu. "Só mais meia hora, certo?"
Sorrindo de orelha a orelha ele a beijou novamente.
(Na Sala Comunal)
A sala comunal da Grifinória estava cheia aquela noite. O fogo ardia, e com Carlotta e Adam de volta aos seus dormitórios, finalmente parecia ser admissível rir em voz alta. Assim, a maior parte dos alunos da Casa tinha se reunido no salão comunal, e tudo – é o que parecia – voltara ao normal.
Torneios de xadrez, jogos de bexigas e rodadas intensas de Snap Explosivo abundavam todo o cômodo, todos conversavam em voz alta – pela primeira vez sobre coisas completamente normais de adolescentes. Foi em meio a essa cena que James chegou, vindo do dormitório, onde Remus estava descansando, pois se sentia doente. O capitão de quadribol passou os olhos pela sala à procura de alguém interessante. Sirius, Peter e Lily estavam ausentes, mas Adam McKinnon estava em uma cadeira perto da lareira, com um rolo de pergaminho e o livro de Poções.
James sentou-se por perto. "Fazendo lição de casa no sábado à noite, McKinnon?" perguntou, passando a mão pelo cabelo bagunçado. "Cuidado, muito entusiasmo não é saudável."
"Muito engraçado," respondeu Adam. "Eu não estou te vendo pendurado em nenhum candelabro."
"Meus amigos me abandonaram," disse James. "Então... você está... sabe... se sentindo bem? Nenhum outro impulso suicida?"
Adam o encarou. "Tato não é do seu feitio, é?"
"Temo que não."
O outro deu de ombros. "Bom, eu estou bem. Sabe, apenas me acostumando com os segundanistas que apontam para mim quando passo nos corredores."
"Hum, as pessoas apontam para mim também," suspirou o capitão. "Mas por razões completamente diferentes. Um rápido e eficiente Levicorpus pode acabar com isso."
"Sim," disse Adam secamente, "porque isso funcionou muito bem com você."
"O que quer dizer com isso?"
"Dizer? Ah, nada."
James arqueou as sobrancelhas. "E você, McKinnon? Estudando sozinho? Marlene Prince não costuma ser sua companheira de estudos? Imagino onde ela pode estar..." Ele olhou em volta da sala comunal como que procurando.
"Eu não tenho ideia de onde Marlene está," respondeu Adam com firmeza.
"Não tem?" murmurou James.
"Quê?"
"Quê?"
Adam franziu o cenho. "O que quer dizer com isso?"
"Dizer? Ah, nada." Os dois garotos se entreolharam por um momento. "Eu vou deixar você voltar à lição de casa," disse James por fim, levantando-se.
"Boa sorte em encontrar seus amigos," disse Adam.
Com um aceno de cabeça, James saiu do sofá. Pouco depois, o buraco do retrato se abriu e Marlene Price tomou o assento que ele tinha ocupado. A garota estava se desculpando por alguma coisa, mas Adam não mostrou nenhum traço de ressentimento. James sacudiu a cabeça em entendimento e estava considerando enganar alguns quintanistas para faturar alguns galeões jogando Snap Explosivo quando alguém bateu em seu ombro.
"Oi, Alice."
"Olá, James," respondeu Alice Griffiths, parecendo um tanto desgastada. "Você viu Frank por aí?" O capitão de quadribol lhe disse que não vira. "Droga. Bem, obrigada mesmo assim. Talvez ele tenha alguma reunião de monitores ou algo assim…"
James teria lhe dito que não havia nenhuma reunião de monitores marcada aquela noite (Remus quase nunca perdia as reuniões, não importava quão doente se sentisse), mas não teve chance de fazê-lo, já que ela saiu correndo imediatamente. A garota despareceu pelo buraco do retrato, que ainda não se fechara atrás dela quando Sirius adentou a sala comunal.
"Já não era sem tempo," disse James, aproximando-se do amigo. "Onde você foi, pelo amor de Deus?"
"Chá," respondeu o outro.
"É um pouco tarde, não é?"
"Com o Tio A."
"Tio A?" repetiu James. "Isso é idiota." Então, a graça da situação lhe ocorreu. "Você tem noção que acabou de tomar chá com um professor? Você é praticamente um monitor puxa-saco agora. Acho que vão te fazer monitor-chefe ano que vem!"
"Vá se foder, Potter. Ele não é um professor de verdade; é meu tio." Eles se sentaram mais próximos do canto que havia na sala circular. "Ele é praticamente meu único parente decente, sabe. Tenho que visitá-lo de vez em quando."
James sorriu, o que Sirius interpretou como zombaria e respondeu com um tapa na nuca do amigo.
Ficaram sentados conversando sobre o que se passava em suas cabeças por um tempo, antes de Peter Pettigrew chegar – das cozinhas – e sentar-se com eles. "Como estavam os elfos domésticos?" perguntou Sirius. "E o que trouxe para nós?"
Peter entregou uma bandeja de sobras de sobremesa. "Eles não tinham mais nada que sobrou do banquete de boas-vindas," disse a Sirius. "Embora eu não sabia porque você ia querer comida de onze dias."
"A comida do banquete de boas-vindas é superior, é por isso," respondeu o Sr. Padfoot. "Eles encomendam metade das coisas de Hogsmeade, sabia?"
"Não, não sabíamos," disse James. "E estamos meio assustados que você saiba."
"Eu presto atenção ao que como," disse Sirius, indignado. "Não me odeiem por meu avançado conhecimento."
Lily voltou à sala comunal após uma caminhada à noite com Mary e Donna, por volta das oito e meia. Menos sossegada que agitada, a maior parte da caminhada se passara com uma discussão entre Lily e Donna sobre o auror Lathe.
"Ele não é mau!" reclamou Lily. "Poppyfield", acrescentou para a Mulher Gorda, que abriu o buraco no retrato em resposta à senha correta, permitindo que as três bruxas entrassem na torre. "Ele foi inteligente e descontraído. Eu gostei dele."
"Ele foi grosso," respondeu Donna. "Ele ficou dizendo que eu..."
"Você apenas não aceita críticas," interrompeu Mary. "É verdade, Don, por geralmente fazer tudo com perfeição, se alguém se atrever a fazer uma correção você fica ressentida. Deve ser por isso que não gosta do Professor Slughorn."
"Eu aceito críticas," vociferou a outra. "Como eu toleraria andar com você o tempo todo, Mcdonald? Você está sempre pegando no meu pé."
"Por favor," zombou Mary. "Nos últimos dez minutos, você me disse que meus cosméticos me fazem parecer uma prostituta profissional, que meu gosto para homens estimula essa teoria e que esses sapatos desfavorecem as minhas pernas. Sou eu que estou sempre pegando no seu pé?"
"Eu disse que a maquiagem faz você parecer uma prostituta profissional," disse Donna. "Não que você era realmente uma. Isso não significa quase nada."
Lily as conduziu em direção à lareira, mas o número de alunos na sala comunal no momento tornava inviável se sentar. "Está vendo, Donna," disse a ruiva. "Era isso que eu estava tentando te dizer na outra manhã. Você não tem que ganhar todos os debates."
"Eu estou só me defendendo."
"Não, você está transformando numa discussão. Como Potter sempre faz, certo? Ele pega uma coisa simples como um cumprimento e transforma numa competição... dando um apelido estúpido que ele sabe que você não vai descobrir o significado, mas não vai poder perguntar a ele porque isso significa que ele ganha... pois ele transformou tudo numa competição."
"Não estamos mais falando de mim, estamos?" indagou Donna.
"Às vezes," reiterou Lily, "você tem que deixar as coisas de lado."
Donna fez careta. "Mas ganhar é tão... bom."
Lily assentiu e deu uma tapinha no ombro da amiga em solidariedade.
"Ei, Snaps," disse uma nova voz e Potter apareceu. Ele sorriu alegremente para ela, como se fossem melhores amigos. "Teve um bom dia, não é?"
"Eu não vou perguntar," disse Lily friamente. "Desculpa, Potter, você perdeu, pois eu não me importo com o que seu apelido idiota significa." Ela realmente tentou ser convincente.
"Tem certeza, Snaps?"
"Sim."
"Porque você diz que eu perdi, mas sinto como se tivesse ganhado. Especialmente já que você pediu a Sirius para te dizer o que significava."
Lily fez careta para Black. "Você disse que não ia contar."
"Eu disse que ia pensar," respondeu Sirius defensivamente. "E é força do hábito contar tudo a James... apenas meio que escapou. Ele pareceu tão contente quando contei... como uma criança levada no Natal."
James socou o amigo no ombro.
"Eu vou para a cama," anunciou Lily, ignorando o fato de que ainda não eram nem nove horas. "Boa noite, gente." Ela começou a se retirar.
"Isso é meio indelicado," observou James.
"Bem, sempre que sou educada com você, você é um completo idiota," retrucou a ruiva. "Eu decidi não ser enganada pela esperança de que talvez, dessa vez, você vá realmente mostrar algum sinal de humanidade."
Destemido, James assentiu sabiamente: "Boa ideia, Snaps."
Sirius suspirou e se voltou para Peter: "Isso poderia continuar indefinidamente – quer ir comigo enganar alguns quintanistas e arrancar alguns galeões?"
"Snap Explosivo?" perguntou Peter, com o rosto iluminado.
"É claro."
"Vocês sabem como trapacear no Snap Explosivo?" indagou Donna, claramente impressionada. Sirius assentiu.
"Podemos participar?" perguntou Mary.
"Se vocês acham que podem se desligar desse intrigante entretenimento." Sirius acenou com a cabeça na direção de James e Lily, que ainda discutiam.
"Daremos um jeito."
Os quatro partiram, mas nem James nem Lily perceberam. "Ah, por favor," zombava ela. "Você pode apenas... pelo mais breve dos segundos, fingir que seu ego incrivelmente enorme vai permitir que seu cérebro infinitamente pequeno compreenda que a vastidão do universo, ao contrário do que parece acreditar, não gira em torno de você?"
"Por Deus, Snaps, eu não preciso de sua historia de vida! O que dizem sobre brevidade e sabedoria?"
"Não cite Shakespeare para mim." (Como se ele tivesse blasfemado) "Você não tem permissão para citar Shakespeare para mim. Shakespeare me pertence... você é apenas um idiota fingido."
"Eu nem mesmo sei o que é Shakespeare. Qual é o seu problema, afinal?"
"Meu problema é apenas você, Potter, na verdade!"
"O tamanho do seu moralismo nunca deixa de me desnortear e surpreender, Snaps."
"O abecedário nunca deixa de te desnortear e surpreender."
"Ah, eu sinto muito... que nota você alcançou nos N.O.M.s mesmo? Foram... sete O's? Espera. Não. Esse fui eu."
"Santo Merlin, sério? Acho que você não contou a ninguém ainda... exceto uma vez a cada dez minutos desde que pisou na plataforma!"
"Engraçado." Ele sorriu. "Pelo menos eu tenho algo do que me gabar."
Lily suspirou pesadamente. "Isso é idiota," disse ela após algum tempo. "Eu não vou mais fazer isso. Não vou brigar com você. Não vou falar com você. Eu vou te ignorar. Tudo vai ficar bem melhor se nós apenas não interagirmos."
"Por mim tudo bem, Snaps."
Com um último olhar, Lily girou nos calcanhares e rumou para o dormitório. Ela parou antes de alcançar as escadas.
Snaps.
Virando-se mais uma vez para encarar Potter, a ruiva agora tinha um sorriso no rosto. James não sabia porque, mas era um tanto intimidador (fantástico, também). Ela caminhou de volta até ele. "Gingersnaps," disse ela. Ele piscou. "Gingersnaps… ginger-buscuits… a sobremesa." Ela apontou para o próprio cabelo. "Ginger. Snaps." Sarcasticamente: "Muito esperto."
N/T: Então, "gingersnaps" são biscoitos de gengibre. Só que "ginger" em inglês também é usado como gíria para se referir a ruivo (a). Por isso Lily ligou o apelido de "Snaps" aos biscoitos. Mas, na verdade, esse não é o verdadeiro significado.
James começou a sorrir. "Bravo."
"Decifrar o que se passa em sua cabeça é realmente simples," comentou Lily, fingindo meiguice. "Eu deveria saber que tinha a ver com comida." Ela deu as costas e novamente caminhou na direção de seu dormitório, lembrando-se de dizer a Donna mais tarde que ela estava certa.
Ganhar era muito bom.
