Sweet Lemon
Parte II
Tudo se passou em frações de segundos. Não havia nem terminado de pensar no nome dele que o próprio apareceu de súbito, e num movimento ágil já estava com Ciel em seus braços.
Ainda tentando assimilar o que aconteceu, Ciel permaneceu pasmo e Sebastian falou repreensivo:
- Bocchan! Peço para que nunca mais torne a fazer algo assim! – Ciel conseguiu perceber um tom de preocupação escondido pelo de raiva. – E se tivesses se ferido gravemente? –
- Mas não aconteceu. Porque, afinal, você está aqui. – Disse o jovem conde ainda em transe.
Sebastian suspirou cansado – Pois bem, as coisas terão de ser resolvidas agora mesmo! – E tendo dito isso, O mordomo marchou de volta ao quarto de Ciel, que apenas conseguiu se debater e reclamar birrento de que queria que o mordomo o colocasse no chão imediatamente.
- Não. –
Ciel se silenciou. "Mas... Como assim... Não? O que diabos ele pensa que está falando?"
Após algum tempo a porta de seus aposentos estava sendo aberta e de supetão, O mordomo já adentrara o quarto e recolocara seu Bocchan na cama.
- O que pensa que está fazendo desobedecendo a uma ordem minha? – Exclamou Ciel com raiva.
- Eu não tenho de obedecer a mais nenhuma ordem sua. – Disse Sebastian áspero.
Ciel arregalou os olhos, não conseguindo acreditar no que ouvia. Sebastian havia mesmo se referido a ele desta forma? E o costumeiro pronome de tratamento? O QUE ESTÁ ACONTECENDO?
- Co... Como assim? – Perguntou Ciel apreensivo.
Sebastian sorriu zombeteiro – É isto mesmo "Bocchan" – Falou com ironia – O nosso contrato já se acabou a muito. Não tenho nenhum dever de obedecê-lo. –
Ciel ficou estagnado. Então, Sebastian também estava muito consciente de que o contrato se terminara. Mas então... Porque ele continuava a obedecê-lo? Porque mesmo com o término do contrato Sebastian não devorou sua alma?
- Mas... Então... – Começou Ciel, porém foi interrompido por um Sebastian impaciente.
- Não Ciel. Quem faz as perguntas aqui agora sou eu. – E continuou, andando até parar em frente à Ciel e ficando muito próximo a ele. – E então, o que você queria conversar comigo antes? –
Ciel encarou o chão, porém quando se voltou a Sebastian o encarou com determinação.
- Por que você não devorou minha alma? – Foi direto ao ponto. Não havia mais tempo a desperdiçar, Ciel queria saber da verdade naquele exato momento.
Sebastian ficou em silêncio por longos segundos, que à Ciel, equivaleram a tortuosas horas.
- Será que ainda não entendeu Bocchan? – Perguntou o demônio suavemente, quase com um quê de súplica. Mas talvez fosse a imaginação de Ciel.
Ciel fechou os olhos para evitar que lágrimas rebeldes viessem à tona. Não demonstraria fraqueza na frente do mordomo, não mais do que já demonstrara. Sentiu-se tremer. Aonde ele queria chegar com isto?
- Bocchan, eu sou um demônio. Apenas existia para me alimentar, e era apenas isso em que pensava... E este vicio me consumia. Este é o castigo dos demônios, perderem-se em sua fome, solidão e desprezo. Muitos se perdem neste intento. Porém, quando lhe encontrei Bocchan, todo o seu ódio clamava por mim... Toda a sua petulância, sede de vingança, determinação, quase que sobre-humanos. Não consegue imaginar como fiquei encantado com sua alma. Nunca antes havia desejado uma alma como desejei a sua. –
Ciel escutava a tudo com os olhos quase para fora de orbita, de tão surpreso que estava por aquele desabafo. Então... Sebastian não queria viver como um demônio? Não queria ter uma natureza demoníaca? Mas... Tudo que ele fizera não fora para conseguir sua alma?
Sebastian pareceu entender o que ele estava pensando e continuou com um sorriso torto: - Sim Bocchan, Eu me interessei imensamente por sua alma e foi por isto que firmei o acordo com o senhor. Porém, não foi unicamente por esta razão. Porque então não devorá-lo imediatamente? Porque me submeter à servidão apenas por uma alma, por mais deliciosa que fosse? Tudo isto se passou pela minha mente e... Aparentemente nem eu mesmo sabia a resposta. Mas... Com o tempo, fui me dando conta do que realmente me atraia em você bocchan, e não era apenas sua alma, disto tenho certeza. –
Um instante de silêncio foi feito, e Ciel não conseguiu se conter e perguntou com a voz trêmula:
- Sendo assim... O que tanto poderia atrair um demônio além de minha alma? –
Sebastian não conseguiu evitar sorrir divertido com o interesse que seu "mestre" não queria demonstrar, mas que o consumia por dentro. Ah! Até em horas como estas seu Bocchan sabia ser divertido.
- Seu interior. –
Ninguém poderia fazer uma expressão de surpresa como a que fora feita por Ciel naquele momento.
- Meu... Interior? – Perguntou perplexo. Não conseguiu se conter e continuou falando rapidamente e de forma desesperada - Mas eu sou impuro! Sou um ser sujo e desprezível! Apenas vivi por minha vingança e ódio! Como podes ter se interessado por um interior tão podre Sebastian? –
Sebastian sorriu ante a perplexidade do conde. – Ora Bocchan, mesmo que você se enxergue desta forma, eu consigo ver quem você realmente é. Toda a dor que você carrega por dentro, a infância perdida, a tristeza descomunal, a solidão incomparável até mesmo com a de um demônio... E a necessidade irremediável por amor. –
Com a última frase Ciel se arrepiou e já abria a boca para protestar quando foi interrompido por Sebastian que falou sorrindo.
- Ah! Sim! O amor Bocchan. Sei que o necessita tanto quanto qualquer outro humano. Sei que anseia tanto quanto qualquer outro, ou até mais. Bocchan, o motivo de eu ter me apaixonado por você foi por você ser tão único. Tão carente e dependente, porém arrogante e orgulhoso. Todos os contrastes e vazios dentro de você. Tudo me cativou e me prendeu para sempre ao teu lado. –
Ciel saltou num susto e arrastou-se pela cama, se afastando. Não tirou por um momento os olhos do olhar carmesim e hipnotizador do outro.
"O-OQUE ELE ACABOU DE DIZER? APAIXONADO! NÃO, NÃO, NÃO, NÃO, NÃO É POSSÍVEL!" Ciel não conseguia acreditar no que escutou e nem ao menos percebeu quando sua boca se abriu e perguntou:
- O que? Apa-apaixo... Nado? Por mim? – Chegou ao centro da cama de lençóis carmesim com a respiração descompassada e o coração saindo pela garganta.
Sebastian se limitou apenas a sorrir travesso – Hm... Bocchan, nesse tipo de posição você está me tentando. – Sebastian sentou-se na cama e, de quatro, começou a se dirigir a Ciel sem, em momento algum, pararem de se encarar. Olhos carmesins como o sangue se encontrando com os olhos azuis da incerteza e desespero. "Um belo par, não?" Pensou o demônio que já passava os braços nas laterais da cintura do menino, que apenas assistia a tudo, como uma presa espera pelo predador.
Ficou por cima de Ciel, ainda de quatro, formando assim uma espécie de prisão, de onde o conde não conseguiria escapar. Não sem pedir com jeito. De um jeito que Sebastian anseia de toda a alma.
- Sebastian... Está dizendo que me ama? – Perguntou Ciel em transe, a respiração ainda descompassada e trêmula. Afinal, não é todo dia que um demônio declara seu amor a você.
Sebastian foi se aproximando lentamente, passou suavemente os lábios na bochecha direita de Ciel e continuou até chegar à orelha dele. Sua respiração quente causando arrepios na nuca dele, que suspirou alto.
- Amo – A voz do mordomo veio suave e penetrou no ser de Ciel, fazendo com que este fechasse os olhos em um deleite até então não percebido. "Será que... Eu também..."
A mão de Sebastia tocou a face de Ciel, acordando-o de seu transe e fazendo-o abrir os olhos. Sua mão desceu pela sua garganta, alcançando o mamilo esquerdo, ainda por cima das roupas. Mas não importava, O conde conseguia sentir perfeitamente cada toque. Como se fosse a primeira vez que Sebastian lhe tocava na vida. Tudo estava diferente. Melhor.
- Então... Era por isso que você fazia questão de quando estávamos juntos me tocar... Suavemente... Fazendo-me... Es-Estremecer? – Perguntou Ciel corando.
O demônio pareceu ficar genuinamente surpreso, perguntando:
- Lhe tocar? Mas... Bocchan... – No silencio que se fez os olhos de Sebastian brilharam de compreensão – Ah... Compreendo. – Falou sorrindo maliciosamente. – Quer dizer que um simples toque meu... Faz-lhe sentir tesão? –
Ciel praticamente engasgou com aquela pergunta atrevida.
- O-OQUE? É CLARO QUE NÃO! – Gritou emburrado. – Como se eu fosse idiota de gostar de toques seus. – Dizendo isso, virou o rosto para o outro lado numa clara demonstração de birra.
Sebastian riu da situação e falou desafiador, sem deixar de ter um quê de malicia – Ah, é mesmo Bocchan? – Sua mão se dirigiu ao membro do garoto, dando leves cutucadas com o dedo indicador.
Ciel, que não esperava por aquele ato, foi pego de surpresa e não conseguiu evitar soltar um baixo gemido.
- Hm... Ao que me parece você está gostando sim de meus toques. Não é, Bocchan? – Atiçou Sebastian.
- Ora seu...! – Começou o garoto, parando abruptamente o que ia falar, pois o demônio nesse exato momento enfiou a habilidosa mão por dentro de sua calça e segurou firmemente o membro do conde, fazendo Ciel gemer sonoramente.
Com o rosto extremamente corado, Ciel tentou esconder o rosto com a mão, sendo impedido por Sebastian, que segurou sua mão e prendeu-a acima da cabeça do garoto.
- Não esconda seu rosto de mim. – Pediu Sebastian, com seu costumeiro sorriso torto.
- Mas... Eu... –
- Eu gosto de ver sua expressão de prazer, bocchan. – Disse com uma voz rouca e atiçadora.
Ciel ficou ainda mais envergonhado, porém não tentou esconder o rosto novamente. Sebastian, em um rápido movimento, retirou as roupas de seu jovem mestre, que ficou inteiramente nu. Logo se via a ereção de Ciel, que clamava por alívio.
Sebastian Lambeu os lábios, umedecendo-os. Lambeu a orelha dele, arrancando alguns suspiros. Porém o demônio queria escutar muito mais. Assim, começou a lenta descida pelo corpo de seu mestre, deixando para trás um rastro de saliva. Passou pelos mamilos, se concentrando ali por um tempo. Mordeu, lambeu e chupou de forma ávida, a fim de preparar seu Bocchan da melhor forma.
Ciel não conseguia ficar indiferente à aqueles toques, logo começando a soltar baixos gemidos, o que estimulou o mordomo a continuar seu trajeto. Sebastian desceu ainda mais, passando pelo umbigo dele, deixando uma pequena poça de saliva por lá. Quando finalmente chegou à virilha não fez suspense, abocanhou avidamente toda a extensão de Ciel, fazendo-o quase gritar de prazer.
Começou com os rápidos movimentos de vai e vêm, fazendo com que o seu mestre se esquecesse de qualquer coisa que estava pensando. Aquilo era tão prazeroso para o garoto. Ele percebeu que os dias que passaram, em que ele ficou repudiando Sebastian, ele desejava ser tocado por aquela mãos e aquela boca durante todo o tempo.
Enquanto continuou a satisfazer seu jovem mestre com a boca, Sebastian retirou sua luva e, sem anúncio, lambuzou seu dedo com o sêmen de Ciel e logo o introduziu na entrada do garoto, que gemeu ainda mais de prazer.
- Vejo que não se desacostumou com isto... Isso é bom. – Comentou entre uma chupada e outra.
Ciel, que tinha muita dificuldade em falar, disse entre pausas:
- Cale... A... Bo... CA! – Quando estava dizendo isso, Sebastian introduziu outro dedo, fazendo com que o conde soltasse uma expressão de dor. Mas logo, com a boca do mordomo para distrair, a dor passou e se misturou ao prazer.
O terceiro dedo foi adicionado, porém nenhuma demonstração de dor foi feita por parte de Ciel, que já não a sentia. Vendo que seu Bocchan já estava pronto, Sebastian parou com tudo abruptamente, recebendo em troca um grunhido de reclamação por parte de Ciel.
Sebastian apenas riu e então começou a tirar sua própria roupa. Nesse momento Ciel ficou boquiaberto. Nunca vira o demônio sem roupa antes, e agora descobriu que estava morrendo de vergonha, porém com uma curiosidade colossal. Não conseguiu desgrudar os olhos da cena. Sebastian primeiro tirou a gravata lentamente, como que para provocar o conde, logo após retirou o terno e a blusa social, ficando apenas com a calça e sapato.
Ciel nunca vira antes alguém tão belo em toda a sua vida. Aquele corpo esguio, tão bem traçado e definido. A pele clara que praticamente aclamava por ser marcada por mordidas e chupões... "Mas que droga eu estou pensando!". Sebastian sorriu vendo o conflito que o garoto enfrentava por dentro e então começou a retirar o cinto. Ciel engoliu em seco quando o demônio finalmente ficou nu. O membro dele já completamente acordado e pulsando. Ele quase gemeu apenas com a visão.
- Não se preocupe Bocchan. Agora lhe darei o que você deseja. – Ele se aproximou novamente e pediu com a voz baixa e sedutora. – Bocchan... Fica de quatro pra mim. –
Ciel arregalou os olhos e quase enterrou a cabeça no travesseiro de vergonha. – COMO É? –
- Assim você se machucará menos Bocchan. – Explicou Sebastian que logo ajudou um Ciel emburrado a obedecê-lo. O mordomo quase não se conteve com a visão da perfeita e redondinha bunda de seu mestre, quase o tomando de imediato. Porém se controlou, afinal, não poderia machucar Ciel de modo algum. Então com todo o cuidado, foi penetrando-o de forma suave e lenta.
Ciel não conseguiu evitar soltar um grito de dor. Sentia-se sendo dilacerado por dentro. Imaginou se agüentaria todo o membro de Sebastian dentro de si.
O demônio vendo o sofrimento de seu mestre, logo começou a masturbá-lo ao mesmo tempo em que o invadia. Quando sentiu a penetração e a mão de Sebastian lhe tocar ao mesmo tempo, Ciel foi se esquecendo da dor, pois apesar dela, não podia negar que estava gostando muito de tudo. O mordomo não parou até finalmente ter seu membro inteiro dentro de Ciel, que tentava se acostumar à sensação nova de ser invadido.
Sebastian se conteve por longos segundos e quando achava que não aguentaria mais a espera, foi até o ouvido de Ciel e sussurrou:
- Quero teus gritos, gemidos, prazer, entrega, corpo, alma, coração... Tudo. – Finalizou a confissão com uma lânguida lambida em sua orelha, e assim começou a estocá-lo, conseguindo gritos de prazer e dor de seu Bocchan.
Tudo era novo, sensual, extasiante. Os dois não conseguiam se controlar e gemidos mais altos foram ecoados pelo quarto. O corpo impubescente de Ciel ia de encontro ao corpo felino de Sebastian, formando o ritmo perfeito e tornando-os um. A entrega era completa de ambos os lados.
Sebastian virou Ciel para si, e sentando o em seu colo, passou as pernas dele pelas laterais de seu corpo e logo o penetrou novamente em uma estocada. O conde gritou de prazer, e logo o ritmo de vai e vêm foi recuperado. Ciel sentia o membro do demônio chegando mais fundo a cada nova penetração, e quando numa das estocadas, sebastian tocou sua próstata, ele sentiu que ficaria louco.
Os dois continuaram desta forma até que Sebastian disse de forma descompassada:
- Ciel... Eu vou... – Não conseguiu completar o que ia dizer, e sentindo uma eletricidade e bem estar se apoderando dele chegou ao orgasmo. Ciel, ao sentir ser completo pelo prazer do demônio, também chegou ao ápice e derramou seu prazer, que melou seu abdômen e o de Sebastian.
Os dois caíram deitados lado a lado. Suados, ofegantes e trêmulos. Sebastian segurou a mão de Ciel, e se apoiou num de seus braços para poder olhá-lo nos olhos.
- E então Bocchan, o que me diz? –
Ciel ficou um instante em silêncio, porém o que estava guardado em seu peito pedia libertação. Uma dor que ele nunca sentiu antes, um desespero de dizer o que se passava no seu interior. Abraçou violentamente o peito de Sebastian e, escondendo a cabeça em seus braços, sussurrou:
- Eu... Te amo Sebastian. – Disse Ciel completamente envergonhado.
- Então... Façamos um contrato. –
- O que? – Ciel levantou o rosto perplexo para Sebastian, que já esperava por esta reação e apenas sorriu travesso. – Mas Sebastian! Não é possível! O antigo contrato teria de ser cumprido! Não podemos firmar outro contrato sem que o antigo se acabe! –
Sebastian o silenciou com um dedo. – Bocchan, sou eu que determino quando comerei sua alma. Posso esperar até que fiques velho e estejas à beira da morte. –
- Mas... Não estou entendendo onde queres chegar! Ainda assim não podemos firmar outro contrato! –
- Quem disse isso? –
Ciel imediatamente calou-se. É... ele não sabia. Esperou impaciente que o demônio continuasse sua linha de raciocínio.
- Façamos um novo contrato Bocchan. E os termos serão os seguintes: Você será meu para todo o sempre, mesmo após a sua morte. E eu serei teu para todo o sempre, mesmo após a minha morte. O que me diz? –
O conde encarou aqueles tão profundos olhos carmesins e se perguntava se ele falava sério. É, falava. Não duvidava disso. Sebastian é uma pessoa calculista, porém impulsiva. Mas será que Ciel estava pronto para se entregar a isto? Aquele amor... Tão doce e tão amargo. Doce como limão. Será o certo a se fazer?
"Ah! Pare de pensar e responda logo seu idiota!" pensou, repreendendo a si mesmo.
- Aceito. -
