Sete Noites de Pecado

Texto Original: Seven Night of Sins

Adaptação Ccullen


A PRIMEIRA NOITE

O pecado depende da geografia.

Bertrand Russell

Um

Bella chegou a Las Vegas com um vestuário renovado, uma cor de cabelo realçada e uma nova atitude, não diante do sexo com Edward Cullen, a não ser diante do trabalho. Convenceu a si mesmo que Alice tinha razão, que aquela era somente a maneira em que se faziam negócios na indústria do espetáculo. Não era uma questão de ética, simplesmente de regras do jogo. Estava claro que Edward Cullen a veria desse modo, se a situação tivesse sido ao inverso.

Edward tinha saído de Los Angeles até Las Vegas no mesmo dia que Bella fazia sua viagem de cinco horas de carro através do deserto do Mojave. O velho Mike concordou que ela mentisse, mas não tinha dado uma passagem de avião, explicando que depois de tudo, ainda eram uma gravadora independente, e que o dinheiro não crescia em árvores.

—Embora, uma vez que esteja no posto de representante do A&R - tinha prometido ele— desdobrarão o tapete vermelho para você.

Só Deus sabia que não era ali onde ela esperava estar quando fizesse trinta anos, começando toda uma nova carreira e cruzando o deserto para consegui-lo. Mas possivelmente um trabalho importante e tão cobiçado a fizesse recuperar de algum jeito a sensação de segurança que lhe tinha roubado seu divórcio.

Tinha tentado concentrar-se nisso enquanto rezava para que seu carro não superaquecesse com as altas temperaturas de maio, e à medida que avançava no caminho, pôde divisar mais de uma paisagem. Imagens provocadas pelo sol, a convencendo que estava vendo era um enorme e suave atoleiro de água, mas quanto mais se aproximava percebia simplesmente era terra plaina e marrom.

Assim foi um alívio, inclusive embora fora um pouco entristecedor, chegar finalmente a Las Vegas Strip[1]. Nunca antes tinha visto a Cidade do Pecado, mas um passeio de carro pela estrada de dez sulcos dizia que era justo o que tinha imaginado. Inclusive durante as horas do dia, havia milhões de luzes que piscavam e dançavam a cada lado da famosa avenida. Passou por fontes enormes, montanhas russas que se movia a toda velocidade sobre seu carro, e inclusive edifícios inteiros que trocavam de cor à vontade. Pôde divisar a ponte de Brooklyn, uma pirâmide egípcia, a Torre Eiffel, o Coliseu romano e um vulcão em erupção, e embora desse a sensação que os monumentos de todo o mundo entravam em conflito naquele lugar, tudo reestruturava em um espetáculo puro.

Diminuiu a marcha diante do hotel Veneza, onde tinham reservado duas habitações juntas para Edward e ela, e seguiu depois por uma trilha em ziguezague, que levava às portas dianteiras. Sentiu-se assombrada pela extensão do lugar inclusive antes de chegar sob o toldo que cobria ao menos uma dúzia de pistas de uma só direção: um estacionamento lotado, mas eficiente de carros e carrinhos para levar a bagagem e malas que levavam uns homens vestidos com uniformes e lenços no pescoço que recordavam aos gondoleiros italianos.

Um deles correu a toda pressa para abrir a porta do seu carro.

—Bem vinda ao hotel Veneza. Deseja registrar-se?

—Sim.

Estava registrando no hotel Veneza. E estava registrando em Las Vegas, o lugar aonde vai às pessoas que desejam pecar.

E já naquele momento, enquanto atravessava as portas e chegava ao extravagante e enorme vestíbulo com um teto em forma de arco e cenário com afrescos, sentiu como, de algum jeito, invadia-a uma mudança. Começava lentamente, embora fosse fácil de reconhecê-lo, E... Assombrosamente fácil de abraçar.

Não tinha nada que ver com sua roupa nova. Nem com seu novo cabelo. E nem sequer estava segura que se tratava do posto de trabalho, no qual ia roubar e era a razão pela qual estava ali.

Porque parecia crescer desde seu interior, e fazer eco para o exterior do mais profundo de seu ser.

Logo que pudesse encontrar explicação alguma... Simplesmente se sentia diferente naquele lugar.

Uma estranha e nova energia a invadia. Estava preparada para fazer mudanças em sua vida.

Possivelmente sim tinha que ver com a roupa nova e o cabelo. Possivelmente tratasse do trabalho. A verdade tinha dito a si mesmo que aquilo haveria de ocorrer tinha que converter-se no tipo de pessoa que pudesse meter-se em um jogo de tais características. Mesmo assim, havia algo na aura daquele lugar que rapidamente ajudava que o processo fosse mais fácil, e aquilo dava a sensação que tudo ia como seda, e ao mesmo tempo era excitante como... O pecado.

Quando chegou à suntuosa mesa de registro, e informava seu nome ao atendente, uma firme sensação de liberdade a invadiu. Uma sensação de novidade. E inclusive se era verdade que devia haver um momento em sua vida que ser alguém novo, traria muitos benefícios, estava segura que aquele era o momento.

Porque, neném, estava em Las Vegas. Uma cidade enorme e entristecedora, um oásis incrivelmente brilhante construído no deserto exclusivamente para aqueles que procuram o prazer e, gostasse ou não, estava a ponto de inundar-se nele.

Dois

A habitação era luxuosa, sem mencionar o enorme que parecia, e aquilo fez que limpasse suas dúvidas a respeito se iria gostar daquilo de ser uma representante do A&R, inclusive embora ainda não existisse o benefício de viajar de avião.

Estava ocupada olhando boquiaberta o enorme quarto de banho azulejado quando viu, pela extremidade do olho, uma luz que piscava no telefone da habitação, o que informava que já tinha uma mensagem. Sentou na beira da cama e pressionou o botão de recuperação de mensagem, e encontrou completamente deleitada diante do simples som da profunda voz de Edward.

—Bella. Fez uma longa viagem de carro, assim tire toda à tarde para descansar. Logo, se reúna comigo no Mon Ami Gabi diante do hotel Paris, às sete. Desejo trabalhar contigo.

Não se identificou. Porque não necessitava que o fizesse.

Que arrogante, pensou ela, com os olhos em branco.

Mas também sexy. E alguém sexy poderia compensar sua arrogância de muitas formas. Ela pensou que em realidade, nunca lhe tinha escutado falar tantas palavras antes, e só sua voz, inclusive sem um rosto que a acompanhasse, tinha-a feito sentir-se excitada.

Não é que ela pudesse permitir pensar nele como alguém sexy. Ou como alguém que a excitava. Não, para Bella, Edward Cullen era agora simplesmente o meio para conseguir uma meta, um trampolim para uma nova e excitante carreira. E Alice tinha deixado claro: ele mesmo o tinha procurado. Em questão de tempo, aquela semana de subterfúgio seria história, e ela teria um novo e brilhante posto de trabalho que mostrar ao mundo.

É obvio, quando começou a preparar-se para o jantar umas horas mais tarde, foi ficando cada vez mais nervosa. Como seu velho eu, seu eu real, a pequena nervosa Bella que respondia aos telefones, redigia contratos e que geralmente ficava em segundo plano, a pequena e nervosa que sentia pânico diante da idéia de estar perto de um homem ultramoderno como Edward durante mais de um minuto ou dois.

Mas um olhar ao espelho recordou que tinha decidido não ser nunca mais a pequena nervosa Bella. Seu cabelo fazia uns dias tinha sido de um insípido castanho claro, era agora de um tom quente e sexy de castanho avermelhado, com um corte elegante que caía reto até os ombros, mas que emoldurava ao rosto. E seu corpo, que geralmente escondia com roupa bastante conservadora, agora parecia ter muitas mais curva com uns jeans bem ajustados, botas de cano longo de ponta e uma blusa ajustada de cor branca que deixava entrever seu sutiã bordado com contas, e que mostrava algo de seu decote. Alice tinha declarado oficialmente aquele aspecto como o de uma garota segura e moderna, e nunca poderia negar em realidade, sentia-se precisamente dessa maneira. Um par de óculos de sol novo completava a imagem.

Ela sabia que o hotel Paris estava o suficientemente longe para garantir ter que pegar seu carro ou pedir um táxi, mas tinha decidido caminhar um pouco. Por muito fabulosamente luxuoso que tivesse resultado o Veneza, sentia-se com vontades de conhecer mais cenas de Las Vegas e pensou que ir a pé era a melhor maneira de ficar com os detalhes.

O que descobriu à medida que avançava foi uma cidade estranha cheia de passagens de pedestre, elevadores e pontes que pareciam levar a qualquer direção sem deixar necessariamente claro para onde dirigiam. Assim seguiu seus instintos e às multidões, sentindo-se minúscula em comparação com tudo aquilo. Nunca tinha estado no Grand Canyon, mas tinha escutado às pessoas falarem sobre sentir-se pequeno ali, como uma mancha acidental. Pensou que acabava de descobrir o Grand Canyon urbano, um lugar ao mesmo tempo grandioso e opulento embora também chamativo, um lugar que emitia uma sensação subjacente de desastre, que de algum jeito flutuava no ambiente.

Parou em um dos passadiços e encontrou a si mesmo observando o longo e buliçoso da Las Vegas Alameda para a grandeza do Caesars Palace, com sua grama arrumada e suas estruturas de estilo romano e de cor branca antiga. Mas de repente, sua visão ficou obscurecida por uma um outdoor em movimento que passeava pela Strip em um pequeno caminhão, e que exibia a uma mulher com peitos enormes e um lingerie escasso, e com as palavras QUER JOGAR COMIGO? Junto a um número de telefone. Bella sentiu como contraía o peito, e em realidade, compreendeu algo: que tinha parado em um lugar de verdadeiras contradições, mais especificamente, um lugar aonde a grama arrumada e as prostitutas coexistiam em paz.

Enquanto continuava com seu passeio, cruzou com famílias inteiras que levavam seus carrinhos de bebê, seguidas por grupos de mulheres jovens com vestidos bem rodeados e que iam de caminho às discotecas do lugar. As limusines viajavam elegantemente pelas mesmas estradas nas que circulavam os ônibus abarrotados de gente. Ela olhou uns quantos homens mexicanos de pé nas esquinas, que entregavam cartões com fotos de garotas nuas e seus números de telefone a cada pessoa que passava ao seu lado, sem importar a idade ou o gênero. Quando Bella aceitou inconscientemente uma e nela encontrou Bambi, 21 anos, sobressaltou-se e deixou cair ao chão, dando-se conta então que o passeio estava cheio de papéis parecidos. O pecado cobria literalmente a terra daquele lugar.

À medida que se aproximava do hotel Paris, Bella divisou a cafeteria que havia no edifício. Tinha o aspecto do que tinha imaginado que fossem as cafeterias que alinhavam os Campos Elíseos da Paris real, onde ela esperava ir algum dia. A versão de Las Vegas do que era a Torre Eiffel escurecia os restaurantes da rua, e ela não pôde evitar sentir-se deleitada com a eleição que Edward fez do restaurante. Ela sabia que não era Paris realmente, mas estava desejando desfrutar da imitação e se sentia contente de inundar-se de novo nos aspectos mais opulentos da Cidade do Pecado.

Foi então quando o divisou, sentado e estudando atentamente o cardápio. Levava dois pequenos aros em ambos os lóbulos das orelhas, e inclusive assim sentado, seu espetacular corpo fazia que sua simples camiseta vintage dos Ramones e seu jeans rasgado e descolorido parecessem o último na moda. Aquela simples imagem fez que seus peitos se avultassem entre os limites de seu sutiã, e que sentisse os jeans bem ajustados no ponto onde encontravam suas coxas, fazendo-a tremer.

Ele não a tinha visto, é obvio — porque ela tinha um aspecto completamente diferente da última vez que se encontraram— mas aquilo dava a oportunidade de parar para estudá-lo em privado, à distância, durante mais tempo do que tinha feito antes.

Quando ele levantou os olhos para a garçonete, assinalando sua seleção da lista de vinhos, seu olhar esmeraldado brilhou tão intensamente que Bella deu um tombo no coração. Pela maneira em que a garçonete baixava a cabeça para sorrir, Bella soube que ela também se fixou naquele brilho excitante. Devolveu-lhe o sorriso à garota, outra coisa que Bella não tinha sido testemunha antes, ao menos não à distância, e — OH, Deus meu— era tão belo que quase se derrete naquela mesma passagem.

E tinha que passar uma semana com ele? Concentrando-se somente no trabalho? Tentar esconder sua lascívia? Tentar lutar contra ela?

Deixou escapar um suspiro, justo no momento no que o olhar de Edward recaía nela.

Deve sentir como o olhava.

Embora claramente não a tivesse reconhecido. O que parecia ao mesmo tempo vergonhoso e excitante.

Porque sua expressão era descaradamente sensual, sexual, o olhar de um homem que silenciosamente percorre o corpo de uma mulher utilizando tão somente os olhos. E também muito efetiva.

OH, Deus, Alice tinha razão, Edward Cullen pensava realmente que era uma mulher excitante!

Fez todo o possível para ser a nova Bella e aproveitou daquela oportunidade para dedicar um sorriso fácil, depois abriu caminho para o interior do hotel até chegar ao pátio aonde se encontrava a cafeteria. À medida que avançava, dava-se a si mesmo toda uma aula, mas não com seu mantra Não necessito um homem. Agora dirigia toda sua atenção para o seguinte: Pode fazer isto. Pode ser uma mulher moderna, segura e sexy. Pode ser a nova Bella.

Não que aquilo iria a levar a alguma lugar em particular, é obvio. Uma vez que percebesse quem era ela, sua relação se limitaria estritamente aos negócios.

E aquilo estava bem. Porque se não estivesse fazendo suas afirmações naquele exato momento, seguia resolvida em sua idéia de não necessitar um homem, e menos um homem que não pudesse ter realmente. Somente queria que Edward a respeitasse, visse-a como igual, como alguém que podia fazer bem seu trabalho. E se de repente ocorria que também parecia atrativa... Bom, aquilo era somente um extra que acrescentaria a sua segurança em si mesmo.

Depois de atravessar o hotel, saiu de novo para o calor da noite que alagava a zona da cafeteria, e fez o caminho através dos casais que estavam nas pequenas mesas redondas até que chegou onde estava Edward. Sentou diante dele, levantando ligeiramente os óculos de sol até os deixar sobre a cabeça.

Depois, ele a olhou com os olhos entrecerrados.

—Bella? —tinha ambas as sobrancelhas ligeiramente arqueadas. Deus era formoso.

—Surpresa - disse ela, sentia-se contente por como de segura e cômoda soava agora sua voz. — Agora sou "A" morena. Achei que um novo trabalho requeria um novo aspecto. O que achou?

—Está genial— disse ele, e seus olhos voltaram a encontrar-se, e desta vez foi quase fatal.

Porque agora ela estava muito perto dele. E aquele olhar, aquele olhar intenso e incrivelmente sexy, estava deixando cravada no lugar, quase dominando, tomando o controle sobre ela. Tinha sofrido os primeiros formigamentos de excitação uns segundos antes quando tinha estado observando-o... Bom, aquilo não era comparável ao que estava sentindo naquele momento. O lugar no que se uniam suas coxas tinha espasmos, e quase involuntariamente, empurrou seus peitos para frente e fez percorrer o lábio superior com a língua. Dedicou-lhe seu olhar mais provocador antes de dizer em um tom de voz baixo e frio obrigado.

Apesar de todas as vezes que o tinha visto no escritório, aquela era a primeira vez que realmente estava cara a cara, o único enfoque da atenção de cada um, e também era a primeira vez em sua vida que havia sentido uma reação tão física e visceral para um homem. Um dos muitos comentários pouco convencionais e brutos de sua amiga Alice veio repentinamente à mente: Acaso esse homem não faz simplesmente que sua vagina tremer? Bella pensava poucas vezes sobre seu corpo naqueles termos, mas... Possivelmente a nova Bella sim o fizesse. Porque, definitivamente, sua vagina estava agora tremendo, disso não tinha dúvida alguma.

O pequeno sorriso de Edward parecia ligeiramente depredador, mas não importava absolutamente.

—Surpreendeu-me muito que Mike informasse que você embarcava no posto de representante da A&R - disse. Estava falando de negócios, e mesmo assim, seus olhos seguiam dizendo sexo, sexo, sexo.

Havia algo em tudo aquilo que inspirava a ser descarada e isso, ao parecer, tinha passado a formar parte da nova Bella. Arqueou as sobrancelhas e dedicou um sorriso brincalhão.

—Assusta-te um pouco de competência?

Ele soltou uma gargalhada, um som profundo e gutural que seguia fazendo que o ponto entre suas pernas tremesse.

—Não, absolutamente, bonita. Somente é que não sabia que tinha tais aspirações.

Normalmente, ela odiava que um homem a chamasse de bonita ou carinho sem conhecê-la realmente. Mas como qualquer outra coisa naquele homem, quando Edward o fazia, resultava condenadamente excitante. Inclusive o pequeno acento de Nova York soava sedutor vindo daquela boca.

—Não as tinha. — respondeu ela. —E francamente, estive tão surpreendida como você quando Mike ofereceu o posto. Mas adoro a Blue Night, e tenho paixão pela música, assim que pareceu a oportunidade de minha vida.

Edward assentiu lentamente, e a olhou com seus olhos quentes de cor chocolate negros.

—O é. E embora tivesse dúvidas a respeito de como iria encaixar no papel, devo confessar que já não me preocupa.

Ela inclinou a cabeça, e se sentiu quase cômoda com seu novo eu.

—Uma nova cor de cabelo e um pouco de roupa nova marca uma diferença tão grande?

—Não é a roupa - disse ele, negando brandamente com a cabeça. —É a atitude. Tem-na. Asseguro-lhe isso. Abraçou isso com entusiasmo.

—Completamente — disse ela. Abracei com entusiasmo o desejo deste trabalho. E vou mentir para consegui-lo.

E havia algo mais a que Bella também desejava abraçar. A luxúria que sentia por ele. Seus planos não tinham incluído passar tempo comendo-lhe com os olhos, nem desejando fazer com o que havia debaixo de sua calça. Mas estava claro que isso era o que queria naquele momento, com uma força incomparável.

Mesmo assim, aquilo não significava que tivesse planejado fazer algo para consegui-lo. Uma coisa era ser uma nova Bella na aparência, em seu trabalho, mas outra completamente diferente era quando se tratava dos homens, e do sexo. Assim teria que sentir desejos tranqüilamente, embora seus mamilos se sobressaíssem através do sutiã e vibrasse a vagina contra os jeans. E, parecia inclusive que a nova Bella utilizava palavras mais diretas e atrevidas. Estava claro que tinha passado muito tempo com Alice aquela semana.

Justo naquele momento chegava o vinho, um bom Pinot Grigió, e pediram o jantar; ambos começariam com uma sopa de cebola. A conversa tomou a direção que ela esperava o negócio da música, e Edward explicou no que se diferenciavam as gravadoras independentes das grandes, tipo de talentos procurava para a Blue Night, e as tarefas que podiam incluir uma semana normal de trabalho.

—As viagens de exploração são divertidas, mas uma vez que se contrata a um artista, o trabalho inclui um montão de atenção. Responderá suas perguntas, os animará quando estiverem preocupados, fará tudo o que possa para assegurar que seu trabalho siga sendo fiéis as suas visões e às nossas. Você acompanhará a eles às atuações com os meios de comunicação, celebrará com eles o dia que seu CD sumirem das prateleiras, e estará disponível para receber chamadas às duas da manhã quando simplesmente não se sentirem queridos. É basicamente a conexão do artista com a Blue Night. Profissionalmente. Artisticamente. Emocionalmente. E enquanto os leva pela mão cada um deles, deve estar aí fora escutando o seguinte e novo som que possa chegar a estar um pouco fora do comum para a BMC[2] ou Sony. Acha que poderá se encarregar de tudo?

A verdade era que Bella não se deu conta dos aspectos de amplo alcance que abrangia o trabalho. Mas poderia encarregar-se de tudo. De fato, a velha Bella sempre tinha sido por natureza um apoio muito bom para as pessoas. Assim que respondeu: —É obvio —e concedeu um sorriso excitante como resposta, e fez que sua vagina voltasse a excitar-se de novo.

—Boa resposta - disse ele. —Porque tudo isto foi desenhado para te pôr obstáculos, e será assim... Mas passara na prova.

Ela arqueou ambas as sobrancelhas, ainda se sentia segura, inclusive quase coquete.

—Haverá muitas assim? Provas, eu quero dizer.

Ele foi para trás ligeiramente; seus olhos pareciam estar estudando-a. Mas havia algo mais naquele olhar que um atrativo sexual: estava tentando saber se ela seria capaz de fazer o trabalho. Ao final respondeu com uma leve sacudida de cabeça.

—Já posso dizer que é uma profissional. Daqui em diante, tudo o que farei será ensinar como funciona o negócio.

Bella contraiu o peito diante do prazer que dava a idéia de haver ganhado o respeito de Edward. Sem mencionar o prazer de ser capaz de olhá-lo aos olhos e empapar-se de toda sua beleza masculina.

Quando chegou o resto da refeição, Edward a entreteve com as histórias que havia detrás de seus grandes êxitos, onde tinha encontrado a essas pessoas e o que tinha feito que ele quisesse contratá-las.

—Não posso ensinar esse tipo de instinto - lhe disse, enquanto cortava seu lombo de vitela. —Mas posso te dizer o que estive pensando, o que estive sentindo, e espero que possa extrair algo disso.

A escuridão estava caindo sobre eles, às brilhantes luzes de cores de Las Vegas começavam a simular o brilho da noite, e o tráfico na avenida ficava mais denso à medida que as pessoas saíam para desfrutar da noite. Quando outra daquelas cercas publicitárias em movimento se deteve justo diante deles na calçada, Bella não pôde evitar levantar a cabeça para encontrar a uma mulher morena de olhar inocente, em topless, logo que cobrindo seus enormes peitos com as mãos. ENCONTRA-SE SOZINHO? Chame-me, dizia o anúncio.

Como tinha acontecido antes, aquilo pôs os nervos nas alturas. Não era uma surpresa que Las Vegas estivesse cheia de acompanhantes, mas de algum jeito era surpreendente ver a prova disso tão de perto, uma lembrança constante que as pessoas iam ali a pecar entre as luzes de néon.

—Vai tudo bem? —perguntou-lhe Edward, e aquilo fez que devolvesse o olhar.

Fenomenal, pegou-a olhando um anúncio publicitário de prostituição.

—Só um pouco desconcertada - admitiu. —Nunca antes tinha estado em um lugar como este.

—Alguma vez estiveste em Las Vegas? —parecia surpreso.

—Não. Sou uma virgem na Cidade do Pecado. Ou assim era até hoje.

—E o que você acha? —inclinou a cabeça; parecia sentir verdadeira curiosidade.

Bella levantou a cabeça e observou as cores. Pôde distinguir o hotel New York, New York e o Excalibur, as espirais e torres que resplandeciam sob a noite. Sentia como se de algum jeito toda aquela luz parecesse chamá-la com gestos, e disse:

—É lustroso na parte de acima, mas sujo na de abaixo. É sórdido, embora atrativo, de algum jeito.

Ele pressionou os lábios e assentiu, era óbvio que estava assimilando sua resposta.

—Há muitas coisas que me fazem pensar nos acidentes de trânsito - continuou ela. —Quando se trata de um acidente, sabe que você não gostará do que possa ver, mas mesmo assim olha. Aqui, sabe que o que encontra porque não seja bonito, mas te inunda na cidade de todas as maneiras.

Edward esvaziou seu segundo copo de vinho e perguntou:

—E como é que uma garota de Los Angeles não esteve alguma vez em Las Vegas?

Em realidade, Las Vegas era uma rápida fuga de fim de semana da costa para montões de gente, e uma espécie de uma segunda casa para a indústria do espetáculo.

—Em realidade, não sou uma garota de Los Angeles — explicou ela. —Faz três anos que vim de Forks e me instalei no oeste, pelo trabalho de meu marido.

—Não sabia que estava casada - havia ela imaginado um toque de decepção no tom de sua voz? Ao dizer aquilo, baixou o olhar para sua mão esquerda, que casualmente estava curvada ao redor do pé de sua taça de vinho.

Apesar de desfrutar com seu interesse, sentia a mão nua, e ainda detestava ter que falar daquilo.

—Recentemente me divorciei.

Segue sendo a nova Bella, disse-se a si mesmo. Mas a dissolução de seu matrimônio tinha feito uma devastação enorme em sua vida. Se não tivesse escurecendo, poria de novo os óculos de sol para poder esconder seus olhos.

—Sinto — disse Edward.

—Não o faça — deu um gole ao vinho para armar-se de coragem. —Era um idiota. O tipo de idiota ao que gosta de enganar as mulheres, para ser mais exato.

—Foda — disse ele. —Oh merda.

Ela levantou ambas as sobrancelhas, tentou esboçar um sorriso e perguntou se alguma vez ele teria enganado a alguém.

—Sim, o é. Bom, era-o. Mas faz muito que acabou e estou preparada para seguir em frente.

Merda, o que era que acabava de dizer? Teriam divulgado suas palavras como um convite? Por favor, Deus, não permita que pense que isso soou como um convite. E o que tinha passado com isso de não necessito um homem! Tomou outro sorvo de vinho; ainda tremia todo o corpo com a potente excitação que ele tinha despertado.

—Bom Las Vegas é um lugar genial para seguir em frente — disse ele.

OH, Deus, ele pensava que ela queria divertir-se daquela maneira. Possivelmente não necessariamente com ele, mas só em geral, e aquilo era o suficientemente mau. Inclusive embora definitivamente gostasse de divertir-se assim, ela queria que a visse como uma Bella tranqüila, segura de si mesmo e profissional, não como uma garota com a que divertir-se indiretamente.

De acordo, pensemos. Volta a recuperar seu rosto de cosmopolita. Finge que o álcool está começando a fazer efeito.

Deu-se conta com surpresa que aquilo tinha funcionado realmente. Soou completamente acalmada quando disse:

—Estou aqui para trabalhar. O jogo terá que esperar a outro momento.

—Outra boa resposta — disse ele. —Mas eu não me queixaria se deseja jogar sozinha um pouco — seus olhos voltaram a brilhar, e ela temeu gozar ali mesmo.

Permanecer como alguém tranqüilo estava voltando uma provocação com cada segundo que passava, e havia pouco que pudesse fazer para não engasgar em sua resposta, embora arrumasse para deixar sair uma.

—Se te disser a verdade, eu... Não estou segura que Las Vegas ofereça o tipo de jogo no que eu estou interessada.

Dedicou-lhe um olhar cético.

—Aqui pode conseguir algo que seu coração deseje.

Isso não é verdade — quis dizer ela. —Não pode conseguir o amor. Não pode conseguir um marido que não vá pôr chifres.

OH, merda, estava bêbada. Aquilo não era nada bom.

Faça o que fizer, não fique muito sensível com ele. Com cautela, as engenhou para responder.

—Somente digamos que... Que o sexo parece um pouco muito... Público aqui fora. Para meu gosto, de todas as maneiras.

—Ah. E você gosta que seja em privado.

De acordo, deveria ter tido mais cautela ainda. Por que demônio tinha mencionado o sexo, de todas as coisas que podia haver dito? Mas tinha que seguir adiante agora, assim que respondeu com franqueza.

—Isso.

E então, ocorreu... Uma visão impactou em sua cabeça.

Ela tendo relações sexuais, com ele.

Seu corpo nu em cima dela, movendo-se, agitando-se, e seu duro pau enchendo-a com cada uma das profundas investidas.

OH, quando diabo tinha começado a utilizar palavras como pau? Não estava segura se poderia culpar a Alice daquilo. Chegou à conclusão que o vinho era o culpado, inclusive enquanto Edward enchia de novo a taça.

—Só na metade — disse ela rapidamente, e ele parou, mas esvaziou o que ficava na garrafa em seu próprio copo. —Este é um lugar muito centrado no homem, verdade? —escutou a si mesmo fazendo aquela pergunta, sem nem sequer havê-la pensado antes. Maldito vinho.

Ele inclinou a cabeça, com uma expressão de indulgência no rosto. Ela esperava que aquilo significasse que gostava de sua franqueza, em lugar de pensar que era uma espécie de soco.

—Suponho que é uma valoração justa.

—Refiro-me a que simplesmente não acredito que este tipo de coisas atraia às mulheres, o de vender sexo através de um outdoor.

Brilhavam seus olhos; estava claro que estava se divertindo.

—É, se for vender sexo, não é este o melhor lugar?

—Sim, entendo, mas possivelmente seja toda a idéia de vender sexo o que me desconcerta. Suponho que os homens não se sentem tão ofendidos por algo assim.

Ele se encolheu de ombros e sorriu.

—Tenho que admitir que faltasse muito para que eu me sinta ofendido. Mas para que saiba, também há outdoor com homens em lugar de mulheres. Artistas de strip-tease masculinos, esse tipo de coisas. Possivelmente você goste mais disso.

Ela negou com a cabeça quase imediatamente. Gostasse ou não, era quase inevitável falar com honestidade naquele momento.

—Só acredito que é estranho quando o sexo está tão... Exposto, como qualquer outro anúncio — deixou que o tom de sua voz se voltasse mais como o de um vendedor de televisão. —Prove nosso novo produto sem fio. Veja Celine Dion em concerto no Mirage. Compre uma hora de sexo com um estranho.

Ofereceu-lhe um sorriso de cumplicidade.

—Olha desta maneira. Las Vegas é... Como a Disney World para adultos.

—Mas em lugar do Mickey e Minnie, aqui temos artistas de strip-tease e prostituição?

Ele riu ligeiramente.

—Um pouco parecido. Aqui pode encontrar qualquer coisa - baixou o tom de sua voz, e a olhou diretamente aos olhos. —Qualquer.

E houve algo na maneira em que ele pronunciou a última palavra que a fez sentir-se úmida outra vez. Úmida e faminta.

Sofria a louca necessidade de equilibrar-se sobre a mesa, agarrar e dizer que o desejava, em privado ou inclusive em público, dizer que apesar de todas suas afirmações, essa parte nem sequer importava naquele momento.

Merda é sua reação física e visceral para um homem a que está falando!

Nova regra: não beba em sua presença, isso faz surgir à garota má que há em você.

Aquilo era muito interessante, porque ela nunca soube que havia uma garota má nela.

—Mais vinho? —perguntou ele. —Posso pedir outra garrafa.

Ela levantou a mão.

—Obrigado, mas não.

—Está segura?

—Muito segura — segura que vou entrar em combustão antes que acabe a noite.

Porque a garota má que acabava de descobrir que havia nela logo não podia conter-se sob controle. Todo o corpo palpitava com desejo, e uma estranha sensação de impulsividade. Possivelmente fosse o vinho. E possivelmente fosse Edward. E possivelmente fora aquele lugar, aquele luxurioso, luxuoso e pecaminoso lugar.

Ou pior, possivelmente fosse tudo isso, uma mescla que provocava uma resposta sexual que ela não tinha experimentado antes daquilo.

E se esse era o caso, ia ser uma semana muito longa.

Três

Fazia muito calor no táxi que os levava de volta ao hotel, as janelas estavam baixadas e o ar condicionado não estava ligado. Embora Bella acabasse por dirigir toda sua atenção ao feito que Edward estivesse sentado com as pernas abertas, algo que normalmente faziam os homens, mas com aquela postura estava roçando o joelho com a sua.

Era uma loucura pensar como uma carícia tão ínfima como aquela a fazia sentir-se tão excitada também.

Não falaram em todo o trajeto. O taxista tinha colocado um pouco de música tecno aquilo fazia que o assento do carro palpitasse justo debaixo dela. Mas quando atravessaram o enorme vestíbulo com aroma de flores do hotel Veneza uns minutos mais tarde, Edward disse que fosse a sua habitação ao dia seguinte pela manhã. Pediriam o café da manhã ali no quarto, havia-lhe dito, e depois passariam o dia estudando vários dos contratos da Blue Night. Assim, ela aprenderia as coisas que podia oferecer, ou os termos que se podia ser flexível e nos que não.

Enquanto caminhavam ao elevador junto com três meninos bonitos, jovens e com aspecto de esportistas, tentou concentrar-se na conversa, mas resultou muito difícil. À medida que o elevador subia, encontrou-se a si mesmo sentindo toda a masculinidade que a rodeava, e ao mesmo tempo uma sensação tão completamente feminina que logo pode compreender a situação.

Gostava do sexo, certamente, mas nunca tinha sido uma mulher das que sentem fome de sexo. Fome sem tom nem som, como se simplesmente tivesse que fazê-lo e se visse disposta a aceitá-lo viesse como viesse. Mas era assim como se sentia repentinamente nos limites do elevador, aonde a testosterona do ambiente parecia subir em forma de redemoinho. Era assim como se percebia depois de ter passado sozinha um par de horas com Edward Cullen. Ela sabia que ele era um homem atrativo, mas não podia acreditar estar sofrendo uma reação tão amalucada por ele!

Quando a porta do elevador abriu em seu andar, ela saiu, e sentiu como seu corpo movia com a fluida sensação de tranqüilidade que vinha justo depois de uma pequena intoxicação etílica. Somente que naquele momento não sabia se aquela sensação de embriaguez se devia ao álcool ou a Edward.

Quando ele a acompanhou até a porta, ela se deu a volta para olhá-lo e o encontrou muito perto dela, com o olhar em sua boca.

Aquilo fez que ela desejasse beijá-lo. Que o desejasse de verdade.

Desejava beijá-lo, pressionar-se contra ele, esfregar o corpo contra o seu, e tudo aquilo parecia o mais natural e sensato que fazer.

E quando ele levantou os olhos para os dela, as coisas só ficaram piores. Porque a expressão de seu rosto dizia que se decidisse beijá-lo naquele momento, ele ia corresponder. Estava tão perto que ela quase podia senti-lo sem tocá-lo, e sua almiscarada fragrância masculina invadia todos os sentidos.

Mas beijá-lo seria uma estupidez, uma estupidez, uma estupidez. Tem que trabalhar com ele dia e noite durante toda uma semana. E está roubando seu trabalho. Não pode beijá-lo.

—Está preparada para isto? —perguntou ele. Notou como se alagava sua vagina diante da possibilidade.

— Para que?

— Preparada para entrar no mundo de um representante da A&R — disse ele brandamente.

— OH, é obvio que sim — respondeu com uma graciosa rapidez, e se sentiu ao mesmo tempo aliviada e decepcionada, como se a tivessem afastado de um empurrão do precipício sexual no que tinha estado aparecendo.

— Que descanse bem.

Não existe probabilidade que assim seja.

— Obrigada.

O tom de sua voz se voltou mais baixo.

—Nos vemos pela manhã.

—Sim, claro — murmurou ela enquanto Edward agarrava o cartão chave de sua mão, um momento no que seus dedos se roçaram, e abriu a porta.

—Boa noite — disse com suavidade.

Ela seguia com os olhos pegos aos seus.

—Boa noite.

E então, ela entrou na habitação fechando a porta, e ele partiu, e tinha a clara sensação que tinha acabado na habitação equivocada. Ou que ele o tinha feito. Em qualquer caso, deveriam ter ido juntos a uma das duas habitações e haver transado como animais.

Deixou escapar um intenso suspiro e recordou a si mesmo uma vez mais por que não podia ocorrer aquilo.

O sexo misturado com trabalho já era suficientemente mau. O sexo misturado com o trabalho e com alguém ao que está mentindo era fodidamente atroz.

E mesmo assim, enquanto tirava a roupa e deslizava dentro de uma camisola de algodão branca e uma calcinha nova — porque a outra estava empapada— desejou ficar atrasada em sua imagem. E quando estava de pé diante do enorme espelho do quarto de banho, lavando o rosto e escovando-os dentes, foi atentamente consciente que seus mamilos, duros e sensíveis, sobressaíam através do tecido de sua camisola, e que sua vagina, dilatada pela necessidade, voltava a umedecer sua calcinha. E enquanto se metia sob os luxuosos lençóis, encontrou a si mesma perdida em uma confusão de imagens: visões de Edward Cullen e ela, com os corpos nus e entrelaçados.

Aquilo era horrível. Nenhuma resposta parecia o suficientemente boa. Ter relações sexuais com ele era uma impossibilidade moral. Mas não as ter, sobre tudo agora que tinha dado a sensação que ele era receptivo à idéia, pareceu uma loucura, sem mencionar uma tortura. Como tinha passado sequer? Estava claro que ela tinha querido ser alguém nova e diferente ali, mas não diferente daquela maneira. Logo que podia compreender o efeito que uma só noite na presença daquele homem tinha tido nela.

Mas então, Bella se lembrou de como devia confrontar as situações difíceis. Não devia deixar que a obsessão de tudo a afligisse, devia ocupar-se de um problema de cada vez. E o problema que tinha naquele preciso instante era o de dormir, ter uma perfeita noite de descanso.

Assim que mordeu o lábio e deixou que sua mão deslizasse sob os lençóis e cobrisse seu monte. Cobriu, e se sentiu aliviada por ter alguma sensação aí abaixo, finalmente. Desejou, de repente, que tivesse sido o suficientemente corajosa para comprar um vibrador, e o bastante inteligente para viajar com ele. Desejava ter algo dentro dela, no mais profundo de seu interior.

Deu voltas a seu dilatado clitóris com dois de seus dedos, diante de sua vagina, e deixou que o prazer a invadisse. Céus era como ter caminhado através do quente e árido deserto e encontrar ao fim um pouco de água doce. Agora desejava tragá-la, assim pressionou os dedos com mais intensidade, e levantou a pélvis contra eles.

Suspirou e lambeu o lábio superior, necessitava mais. Mesmo assim, não o obtinha, por isso voltou a recorrer a suas fantasias. Imaginou como seria se Edward pudesse observá-la naquele momento. Imaginou que ele fora consciente de ser o culpado de tudo aquilo, de ter sido a pessoa que a tinha excitado tanto. Perguntou se haveria alguma maneira que ele pudesse saber exatamente como de excitada estava naquele instante, e imaginou a si mesmo tombada com ele na cama, ao outro lado da parede que os separava, vendo a daquela maneira.

Mas, merda, ainda necessitava mais, algum outro tipo de estimulação. Toda Las Vegas estava fora de sua habitação, e um pecado atrás do outro estava cometendo-se naquele momento. Quantas pessoas estariam naquele instante fazendo algo peralta a menos de um quilômetro dela? Ela apostava a que seriam milhares. Por isso estar tombada em sua cama, esfregando-se a si mesmo, parecia-lhe de algum jeito muito simples, muito insípido, sem que encaixasse absolutamente com o ambiente do lugar.

Sentiu-se estranhamente impaciente, assim que levantou da cama sem nenhum plano na mente. Caminhou pela enorme habitação e de repente, encontrou a si mesmo de pé diante do mini-bar. Ela não estava acostumada sequer abrir a porta do mini-bar, indignava-lhe que tirassem um rim com o preço, mas isso era irrelevante naquele momento. Jogou uma olhada dentro, e divisou uma fileira de garrafas de bebida de vinho com sabor tropical. Tirou uma e tirou o plugue, depois, deu um comprido sorvo, deixando que o álcool esquentasse o peito. Quase qualquer sensação física a fazia sentir bem naquele momento, como se fora um passo mais para o alívio.

Depois, caminhou para as cortinas que revestiam a parede da habitação e ao localizar o centro, abriu-as. O movimento tinha revelado uma parede de vidro que dava sobre Las Vegas Strip e seu espetáculo noturno de luzes. Deus bendito, como não se deu conta daquilo antes? Voltou a experimentar outra vez, aquela sensação que alguém tinha construído essa cidade unicamente para que as pessoas pudessem tirar seu lado mais perverso. E ela também desejava poder tirar sua garota má naquele momento, comungar de algum jeito com aquele lugar.

Deixou a garrafa de vinho na mesa, baixou a calcinha e a deixou cair ao chão, tirando os pés depois. Sentou-se no carpete, de frente à janela, com as pernas completamente estendidas. Ainda desejava que Edward estivesse ali com ela, acariciando, fodendo, mas tentou convencer a si mesma da verdade das palavras de seu mantra. Ela não necessitava um homem, podia encarregar-se por si mesmo de suas próprias necessidades.

Observou atentamente as luzes e acariciou com seus dedos a separada abertura. Úmida. Suave. Deu-lhe um calafrio, e depois estendeu a mão para agarrar a garrafa de vinho. Seguia tocando-se com uma de suas mãos, fazendo círculos com os dedos sobre seus clitóris. Utilizou a outra mão para levantar a garrafa para seus peitos, e a sentiu dura fria e úmida contra seus mamilos. O frio que cobria a garrafa deixou seu peito úmido, e seu mamilo começou visivelmente a obscurecer-se através do tecido de cor branca; pôde vê-lo inclusive com as luzes apagadas. Las Vegas Strip proporcionava a luz suficiente para iluminar a habitação.

Os dedos da Bella deslizaram dentro das dobras de sua vagina, e a acariciaram mais profundamente, e ela desejou poder sentir a si mesma verdadeiramente, toda ela, da maneira em que um homem podia explorá-la. Da maneira que Edward certamente a exploraria.

Primeiro introduziu um dedo, depois dois dentro dela, e logo os moveu dentro e fora do quente túnel. OH, tivesse querido que fora o membro de Edward, maior, mais duro, mais firme e mais forte que qualquer outra coisa que ela utilizasse para dar-se prazer a si mesma, inclusive se houvesse trazido um vibrador.

Um momento mais tarde retirou os dedos, e os levou de novo a seu dilatado clitóris para dar voltas sobre ele, depois meteu a mão dentro da camisola para tomar um de seus peitos cheios na mão. Depois, baixou a pequena garrafa entre suas coxas, pressionando com força.

Sim, Deus. Estava tão fria, e era tão maravilhosamente dura... Um pouco muito grande e larga, mas mesmo assim a fazia sentir condenadamente bem enquanto começava a mover-se contra ela. Naquele momento se sentia suja. Suja de uma maneira que queria compartilhar com alguém. Porque ela temia que fosse suja consigo mesma poderia fazer sentir bem sozinha, se o permitia.

Mas não podia permiti-lo. Assim voltou a concentrar-se nas luzes de Las Vegas e imaginou de novo que Edward estava com ela. Não só que estava com ela, mas sim estava dizendo o que devia fazer. Move a garrafa acima e abaixo sobre sua vagina. Assim é. Mais rápido. Mais rápido. Sim.

Agora, retira-a a um lado. Retira-a e derrama um pouco de vinho sobre sua vagina. Para fazer que se sinta inclusive mais molhada.

Mordeu-se o lábio, e desviou o olhar do espetáculo de luzes de néon que havia além da janela para baixar a cabeça e observar, enquanto derramava um pouco do vinho frio sobre sua fenda. Ofegou diante da fria sensação de molhado, depois voltou a imaginar a voz profunda e autoritária de Edward.

Toque-se, Bella. Acaricia sua vagina com seus dedos.

O fez. Agora estava muito molhada. Como ele queria.

Sim, assim é. Do fundo, percorre todo o caminho até acima. Pressiona seus dedos contra suas dobras úmidas. Sinta-se. Sinta-se.

Agora esfregue o clitóris para mim.

Também fez aquilo, riscando com seus dedos círculos fechados e quentes sobre a superfície da pequena protuberância.

Empurra contra ele. Obedeceu.

Se esfregue com mais força, com mais força. Se faça alcançar o êxtase. Olhe aquelas luzes, imagina todas as coisas sujas que estão fazendo as pessoas aí fora, e alcança o êxtase com mais intensidade que nunca.

—OH! —o orgasmo foi brutal, fez que seu corpo se dobrasse, a cabeça caísse para frente enquanto sua pélvis convulsionava em uma dura resposta. Cada sensação se repetia dentro dela como uma pequena explosão, rasgando-a, roubando a respiração, a razão. Tudo o que lhe importava naquele momento era o prazer, intenso e exaustivo... Até que desvaneceu.

E então, deu-se conta que estava sentada meio nua diante de uma janela enorme e acabava de gozar com a ajuda de uma garrafa de cristal.

Deus bendito.

Aquela cidade estava roubando algo mais que seus sentidos. Já temia que estivesse ao bordo de roubar a alma.

Que estivesse fazendo algo dela que em realidade não era.

Ou era possivelmente que estava redefinindo, mais especificamente?

O que estava mostrando partes dela que alguma vez antes tinha conhecido?

Fora qual fosse o caso, o mais arrepiante de tudo aquilo era... Que quase não importavam todas as razões que a faziam pensar em não poder ter relações sexuais com Edward. Quase sentiu desejos de chamá-lo, escutar sua profunda voz, e dizer, simplesmente. Foda-me.

Deixou a garrafa de vinho de um lado e, sem nem sequer pensar em sua calcinha, ficou de pé e foi à cama. Sentou e agarrou o telefone. Olhou as instruções para marcar o número de outra habitação teclando os números.

Depois, desligou de um golpe o telefone antes que a chamada se estabelecesse, com o coração esmurrando com força o peito.

No que estava pensando?

Realmente havia tentando chamá-lo? Para rogar que deitasse com ela?

Graças a Deus que tinha recuperado a sensatez.

Ao aparecer, o alívio que tinha provocado o orgasmo tinha desaparecido finalmente.

O alívio, e o pouco de vergonha por ter tido que sentir-se tão suja sozinha. Vá comportamento mais amalucado!

De repente, sentiu-se contente de ter estado sozinha.

Simplesmente vai dormir. Não pense nisto nem um minuto mais. Nunca teve lugar.

Não necessita um homem. Não necessita um homem.

Necessita um trabalho fabuloso.

Amanhã, encontrará com Edward e pensará exclusivamente no posto, não no sexo. Fará o trabalho, sem sexo. O trabalho é o que verdadeiramente importa aqui, o que você quer em realidade.

Não necessito um homem. Não necessito um homem. Não necessito um homem.


[1] Com quase sete quilômetros de distância, Las Vegas Strip é a avenida mais famosa da cidade de Las Vegas e, juntamente com outros, como a Quinta Avenida de Nova York, um dos mais famosos de todos os Estados Unidos. (N. da T.)

[2] BMC é a maior gravadora de música independente no mundo. (T. N)


Obrigada pelo carinho de todas e as reviews..

Vanessa lindinha do core... espero que não tenha ficado chateada comigo... De qualquer forma, obrigada mais que tudo pelo carinho!

Vamos comentar para quem sabe amanhã eu traga a segunda noite?

Bjkas