Olá! Bem, espero que gostem desse capítulo. É meio deprimente, de fato! Mas fazer o que, a história se faz sozinha, eu só escrevo. Hehe. Mandem Reviews!

Shall the story Begin.


Meu coração pareceu parar. Um zumbido em meu ouvido me incomodava. Meu pai? Morto? Lene arregalou os olhos. Eu olhava para minha mãe, sem prestar atenção em suas explicações. Ela continuou a falar e Lene não sabia o que dizer. Depois do que pareceram minutos sem respirar, eu puxei o ar e senti minha garganta arder. Mamãe conseguiu se controlar e olhava pra mim preocupada, chamando meu nome. Foquei em seus olhos acinzentados e depois olhei para Lene, que controlava o choro.

- Lily. – chamou mamãe, sacudindo meu ombro. – Fala comigo Lily!

- Lily. – Lene se aproximou.

- Lily! – senti o tapa atingir minha cara e então eu pisquei os olhos, as lágrimas quentes caíam.

- P-papai. – gaguejei. – Quando ele morreu?

- Há duas semanas. – respondeu mamãe, os olhos aflitos. – Ele não estava bem... Desde o dia do acidente com Petúnia. Ah Lily, sentimos tanto por brigar com você. Fomos injustos! Seu pai não parava de se culpar. Depois que você foi embora, percebemos o quanto sua irmã tinha nos manipulado. Seu pai não se alimentava direito e o problema de coração piorou. Ele teve um ataque cardíaco no trabalho e não aguentou a cirurgia. Me desculpe, Lily. Senti tanto sua falta! – seus olhos estavam novamente marejados.

- Tudo bem mamãe. – sussurrei entre o choro. – Me desculpa também.

Senti seus braços novamente me segurando. As pessoas em volta nos olhavam e Lene chorava ao nosso lado. Lene fora a primeira amiga que eu apresentei a minha família e que passara as férias em minha casa. Ela era a favorita do meu pai. Sempre se entenderam bem e ele tinha prazer em lhe explicar sobre o mundo trouxa, rindo de suas expressões de surpresa e suas curiosidades quase infantis. Ele era o pai que ela nunca teve.

Maurice, o mordomo de Lene, chegou, perguntando qual era o problema. Lene explicou o que acontecia e ele se ofereceu para nos levar em casa. Olhei para Maurice e agradeci, mas disse que ficaríamos bem. Lene me abraçou e ambas choramos ainda mais. Eu disse que ficaria bem e que mandava Marrie com uma carta. Ela concordou e, relutante, se despediu. Maurice me deu os pêsames e então partiram.

Mamãe e eu fomos para casa. O caminho pareceu maior do que realmente era. A chuva caía pesada e o frio pareceu se estender por todo meu corpo. Chegamos em casa e fui direto para o quarto. Mamãe respeitou minha vontade e me deixou sozinha. Ouvi Petúnia sair de seu quarto e começar a discutir com mamãe. Coloquei o travesseiro por cima da cabeça e deixei o choro tomar conta de mim.

Um monte de lembranças passava como um filme em minha mente. Os dias em que eu ficava doente e papai lia histórias para mim, quando eu caí de bicicleta e ele fingiu ser um mago, que curaria todas as minhas dores e aflições. Os presentes que eu fazia, ele guardava todos. A expressão de orgulho em seus olhos quando eu recebi a carta de admissão em Hogwarts. As palavras de consolo quando voltei da escola, chorando por causa da morte de Emmeline. A apreensão em seu rosto sempre que eu me despedia para um novo ano letivo. Eram tantas. Minha garganta doía. Meu coração pesava. Minha cabeça parecia que ia explodir. Nunca pensei que perderia meu pai. Sempre tive a ilusão de que ele viveria para sempre. Chorava ainda mais porque me sentia culpada. As últimas palavras que ele dissera para mim eram "Estou decepcionado com você Lilian".

Não sei quanto tempo fiquei ali, na cama, sentindo as lágrimas saírem sem qualquer esforço. Lembro-me de mamãe bater na porta e me oferecer chá. Eu disse que não queria e então ela me deixou. Ouvi um barulho na janela, quando olhei vi uma coruja de belas penas pretas e olhos claros. Acendi meu abajur.

- Percy. – deixei a coruja entrar. Marrie piou em sua gaiola, feliz por ver o amigo. Abri sua gaiola e ela voou até minha escrivania, onde Percy sacudia as penas e oferecia a perna para eu pegar a carta. Peguei o pequeno rolo de pergaminho e vi a letra de Lene, alguns borrões estavam espalhados pela carta.

Lily,

não consegui esperar por uma carta sua, estava muito preocupada. Nem mesmo sei como te consolar nesse momento. Tio William também era muito importante pra mim, mas sei que o seu sofrimento é incomparável. Nunca tive um pai e ele foi o que mais se aproximou de um. Não sei o que lhe dizer, mas espero do fundo do coração que fiquei bem. Sei que você deve estar se culpando neste momento, mas você deve saber que por mais horríveis que as coisas sejam, a culpa não foi sua! James e os outros mandaram um beijo e pêsames. Todos esperamos por sua chegada e entenderemos se você não puder vir. Amo você. Fica bem.

Lene.

Enxuguei os olhos e passei a mão na cabeça de Percy, que me bicou delicadamente. Sorri. Ele me lembrava Lene.

- Você deve tá exausto. Pode passar a noite aqui, tá chovendo muito. – falei, colocando um pouco de ração no pote de Marrie para caso estivesse com fome. Peguei uma folha e comecei a escrever a resposta.

Querida Lene,

obrigada pelo apoio. Eu sei que você também tinha grande consideração por meu pai. Sei também que não devo me culpar, mas por mais que eu diga isso, minha consciência não me deixa aliviada. Mas não se preocupe comigo. Talvez seja melhor eu ficar com minha mãe por uns tempos, mas tentarei encontra-los quando eu sentir que ela está bem. Mande meu agradecimento a todos. Também te amo. Obrigada mais uma vez.

Lily Evans.

Reli a carta e enrolei. Coloquei sobre a escrivania. Sentei em minha cama, observando Percy comer. Mais que nunca eu estava cansada. Minha garganta doía, meus olhos ardiam. Suspirei sentindo meus pulmões pesarem. Apoiei minha cabeça em meu colo. O barulho da chuva me acalmava e ao mesmo tempo me trazia mais lembranças dolorosas. Controlei o choro que mais uma vez queria submergir. Respirei fundo e me levantei. O relógio na parede dizia serem três horas. Abri meu guarda-roupa e peguei meu pijama. Abri a porta do banheiro e liguei a luz. O espelho refletia uma ruiva de cabelos bagunçados, olhos de um verde vivo e avermelhados. Passei a mão pelo cabelo e peguei uma liga para amarrá-lo.

Tirei a roupa e fui para a ducha. A água quente percorria meu corpo cansado. As lágrimas se confundiam com a água. Encostei a testa na parede fria e permaneci quieta. Minha pele já estava ficando vermelha. O vapor quente preenchia todo o banheiro. Olhei pela janela embaçada. A chuva ainda caía forte.

Enxaguei meu rosto e desliguei a ducha. Peguei a toalha e me enxuguei. Coloquei meu pijama e escovei os dentes. Meu estômago roncava. Não queria comer, mas sabia que precisava. Calcei minhas pantufas e desci até a cozinha, deixando Percy e Marrie no meu quarto.

Abri a geladeira e vi um grande pedaço de torta de morango com cerejas. Sorri, sentindo que iria chorar novamente. Respirei fundo, conseguindo me controlar. Peguei a torta e a jarra de leite. Coloquei um pedaço da torta em um prato e leite em um copo. O gosto doce e levemente azedo preencheu minha boca. Meu coração acelerou e me segurei mais uma vez para não chorar. Lembrei-me de James e da noite em que finalmente nos encontramos e senti uma grande vontade de vê-lo.

Terminei de comer a torta e tomei o resto do leite. Coloquei a jarra e a vasilha de volta na geladeira e subi as escadas sem fazer barulho. Voltei para meu quarto e tranquei a porta. Percy e Marrie brincavam com um rato de borracha. Peguei um papel em uma gaveta e comecei a escrever.

James,

olá.

-Droga, o que eu falo? – pensei alto, atraindo a atenção das duas corujas. – Desculpa. – murmurei, voltando a olhar para o pergaminho. Suspirei e simplesmente voltei a escrever.

James,

olá... Não sei bem o que escrever, nunca nos correspondemos antes. Não sei por que estou te escrevendo também. Só me deu vontade. Minha mãe fez torta de cerejas com morango, talvez seja por isso. Talvez eu demore a encontrar vocês, você já sabe sobre o que aconteceu... Bem, enfim... Está chovendo muito aqui, imagino que aí também esteja. Quando chove assim, eu me lembro de Hogwarts e da lula gigante que sempre aparece na superfície do lago nos dias chuvosos... Já sinto falto do castelo, engraçado, não faz nem um dia que saímos de lá. Desculpa por te mandar essa carta sem sentido é só que... deixa pra lá. Bem, até mais.

Lily Evans.

Li a carta, achando-a estranha. Tive vontade de amassá-la e não mandar, mas de algum modo sentia que deveria manda-la. Enrolei-a e deixei ao lado da de Lene. Olhei para as duas corujas.

- Vou desligar a luz, vocês deveriam dormir. – disse com a voz rouca.

Ambas me olharam como se entendessem e logo foram para a gaiola. Sorri e desliguei a luz. Deitei na cama e me cobri com a coberta. Pisquei os olhos, me acostumando com a escuridão. A chuva tinha suavizado e o barulho ainda era relaxante. Meus olhos pesavam e logo dormi.

Tive vários sonhos. Meu pai aparecia em quase todos, sempre sorrindo. Sentia meu coração aquecido. "Vai ficar tudo bem Lily", ouvia-o dizer enquanto eu me aninhava em seu colo. Acordei com a luz do sol batendo em meu rosto. Marrie e Percy ainda dormiam. Os dois pareciam um casal.

Esfreguei os olhos e espreguicei. Continuei na cama, não queria acordar e topar com Petúnia. Coloquei o braço sobre meus olhos para tampar a claridade. Lembrei-me dos sonhos, mas não tive vontade de chorar. Meu pai nunca desejaria me ver daquela forma, tão vulnerável e chorando por qualquer coisa. Resolvi levantar.

Arrumei minha cama e fui até o banheiro do meu quarto. Meu rosto estava um pouco inchado e meus olhos vermelhos. Fiz uma careta. Joguei um pouco de água gelada na tentativa de amenizar o efeito. Escovei os dentes e fiz uma trança. O dia amanhecera ainda mais gelado. Procurei por um agasalho e peguei meu casaco preto de lã. Destranquei a porta e desci até a cozinha. Mamãe estava sozinha, parada, olhando pela janela. Quando me viu, veio sorrindo e me abraçou.

- Bom dia meu amor. – disse me soltando.

- Bom dia mamãe. – respondi com um sorriso fraco.

- Como você está?

- Melhor. – me sentei em uma cadeira e coloquei o suco de laranja que estava em cima da mesa.

- Vou fazer torradas com ovos. – disse, colocando a frigideira no fogo. – Você está tão magrinha.

- É... – disse bebericando meu suco.

- Como vai a escola? - perguntou quebrando um ovo.

- Bem... Esse ano será o último e teremos que decidir nossa carreira. – falei pausadamente.

- Já sabe o que fará? – desligou o fogão após alguns minutos e senti o cheiro da torrada.

- Não tenho certeza, mas... obrigada, - agradeci quando colocou duas torradas em meu prato. – talvez eu vire auror.

- O que seria isso? – perguntou com a voz rouca. Pude ver as olheiras roxas e o cansaço em seu rosto.

- Hum... – mastiguei a torrada com ovos enquanto pensava em uma explicação. – É como se fosse uma polícia. Eu faria missões, lutaria contra outros bruxos... – vi a preocupação manifestar em seu semblante. – Não se preocupe, eu vou ficar bem.

- Não sei Lily, parece perigoso. – ela disse me olhando aflita.

- Eu sei mamãe, mas esses tempos estão perigosos. Não posso ficar sentada esperando que as coisas se resolvam por si só. – respondi e bebi mais suco.

- E o que você pode fazer minha querida? Não quero que você se arrisque.

- Eu posso lutar mamãe. Pior seria nada fazer. Ninguém está imune... – eu disse colocando minha mão sobre a dela. – Eu sei que eu sou capaz de ajudar nessa guerra. Quero poder proteger aqueles que eu amo e mesmo aqueles que precisam ser ajudados e não podem se proteger.

- Não sei Lily... – ela disse balançando a cabeça, preocupada. – Não quero te perder também.

- Você não vai me perder. – levantei e a abracei. – Prometo. Vou ficar bem.

- Espero que sim, minha querida. – senti suas mãos trêmulas em minhas costas.

Logo descobri que Petúnia tinha ido para a casa de Válter, seu noivo. Senti-me aliviada com a notícia. Poderia ficar com mamãe sem as confusões armadas por Petúnia. Subi para meu quarto e pedi que Percy entregasse a carta para Lene e que Marrie entregasse a de James. Desci as escadas e eu e mamãe passamos o dia vendo a temporada de filmes que passava no meu canal preferido, comendo pipoca e debaixo das cobertas. Finalmente me sentia realmente bem. Aninhei em seu colo e deixei que me afagasse. O dia escureceu e a chuva veio mais uma vez.

- Quer dormir comigo? – perguntou mamãe e percebi que era mais um pedido do que uma pergunta.

- Sim. Faz tempo que não dormimos juntas. – comentei sorrindo.

- Desde que você tinha treze anos, se não me engano.

- Deve ser... – foi na época que Emmeline morrera, não quis trazer o assunto à tona.

Escovei meus dentes e fui até seu quarto. Senti o cheiro de lavanda. Papai sempre dissera que esse era seu cheiro preferido. Meu coração apertou mais uma vez, mas balancei a cabeça para afastar os pensamentos ruins. Mamãe ainda não tinha chegado. Deitei na cama, ouvindo o barulho do chuveiro. Fechei os olhos, sentindo o calor me aquecer. Adormeci antes que eu percebesse.

Sonhei com um campo de lavanda. Eu corria pelo campo ao lado de James. Ele sorria. Toquei seu rosto e ele fechou os olhos. Murmurei seu nome e ele abriu os olhos. Ele dizia alguma coisa, mas não lembro o que. Acordei quando mamãe se levantou. Pisquei os olhos e ela sorriu, pedindo desculpas por me acordar. Espreguicei e disse que tudo bem. Fazia tempo que não dormia tão bem.

Fui até meu quarto depois que tomamos café. Marrie e Percy estavam de volta, piando indignados. Há quanto tempo estariam ali? Pedi desculpas e recebi bicadas não muito gentis. Peguei os rolos em suas pernas e coloquei ração para comerem. Abri a carta de Lene primeiro.

Lily,

não precisa pedir desculpas, nós entendemos. Mamãe mandou saudações e disse que espera vê-la em breve. Alice já está aqui. Mandei uma carta avisando que você não viria hoje. Ela mandou um beijo e seus sentimentos. Sirius está insuportável como sempre. Mamãe gosta dele, isso é o pior de tudo. Remo e Dory estão estranhos. Dory disse que Remo desconfia dela. James está bastante preocupado, mas apareceu feliz essa manhã ao lado do seu digníssimo amigo. Mande um beijo para a tia Mary. Queremos te visitar em breve, caso não tenha problema, claro! Responda logo.

Com amor, Lene.

Sorri, Lene e Sirius deveriam se entender logo também. Por mais que a amiga negasse, podia ver que a morena gostava do maroto. Fiquei preocupada com Dory e Remo, torcendo para que não se afastassem. Reli a parte em que Lene falava de James e senti meu rosto queimar. James estaria feliz por causa da minha carta? Olhei o rolo de pergaminho e hesitei em abri-lo.

Querida Lily,

fico imensamente feliz por receber uma carta de você. Depois de tanto lhe escrever e ser obviamente rejeitado isso é realmente um consolo. Tudo bem, o momento não é o mais propício para os meus ataques de autoestima... Agora que sei que você vai ler, não tenho certeza sobre o que escrever. Primeiramente, espero que você esteja bem. Não conheci seu pai, mas me lembro de Lene contar histórias e ele me pareceu ser uma ótima pessoa. Não posso dizer que entendo como se sente, mas imagino como deve ser essa dor. Não saberia como lidar melhor se fosse comigo. Queria poder fazer algo quanto a isso, mas sei que não posso. De qualquer maneira, espero ajudar de alguma forma ao transmitir meus sentimentos por essa carta.

Ah, aqui também está chovendo. Fiquei surpreso quando vi sua coruja, toda encharcada. Devo dizer que ela é linda, principalmente porque possui os mesmos olhos de esmeralda da dona e pelo visto o mesmo temperamento. Também sinto falta de Hogwarts, de poder te ver todos os dias (principalmente). Tudo bem, parei, antes que você me odeie. Almofadinhas está roncando como um cachorro. Por mais que eu o cutuque ele simplesmente não acorda. Comentei com mamãe que você adora torta de morango com cereja e ela me fez prometer que te traria aqui em casa para você provar a dela. Eu falo bastante de você, ela não aguenta mais.

Essa carta está ficando enorme. Então, na esperança de você ter chegado até aqui, mais uma vez digo que espero pelo seu melhor. Lene falou em te visitar, estou tentado a ir junto, se você permitir. Estou parecendo um maníaco. Prometo que agora parei com isso. Fique bem, ruivinha.

Com amor, (seu) James Potter.

Reli a carta. James realmente parecia um maníaco, mas me senti bem por sua resposta. Meu coração estava agitado. Resolvi responder a sua carta antes da de Lene.

James,

sim, você parece um maníaco. Mas obrigada pelas palavras, sinceramente. Está sendo difícil não ter meu pai por perto, principalmente quando eu estava tão acostumada em tê-lo comigo. Mamãe também não está bem... Mas não vou ficar te fazendo ler essa conversa literalmente fúnebre. De qualquer forma, obrigada pela preocupação.

Marrie tem mesmo o meu gênio forte. Espero que ela não tenha te bicado muito forte. Ela fica estressada perto de pessoas que não conhece e ela pegou o mal tempo, deveria mesmo estar estressada... Ah, imaginei que você diria coisas desse tipo, é simplesmente um costume seu. Sirius é mesmo folgado, mas se me lembro bem, você é tanto quanto ele. Demorei minutos até conseguir acordar você! Sua mãe deve realmente pensar que sou uma pessoa terrível, não sei se posso te ajudar a cumprir a promessa. Não lido bem com expectativas.

Falarei com mamãe, mas tenho certeza que poderão vir me visitar e eu ficaria muito feliz. Claro, não espere uma mansão Potter e tem que prometer se comportar. A carta foi realmente grande, mas com grande esforço consegui ler! Brincadeira... Obrigada mais uma vez pela consideração.

Lily Evans.

Terminei de escrever, pensando se tinha exagerado. Olhei para Marrie e sorri. Estava um pouco mais feliz. Respirei fundo e comecei a escrever uma resposta para Lene.

Lene,

obrigada pelo apoio. Ficarei imensamente feliz de ter vocês aqui. Mande meus agradecimentos a tia Christine e a Alice. Mesmo que você me odeie por isso, devo dizer que Sirius é uma boa pessoa, apesar de tudo... Ele sabe ser adorável quando quer. Espero que Dory e Remo se entendam, desculpe não poder fazer nada para ajudar. James sempre foi estranho, isso é um fato.

Espero vê-los me breve. Mamãe não está bem, mas graças a Merlin Petúnia não está em casa. Saiu com seu noivo. Pelo menos isso. Estou pensando em falar para mamãe ficar com tia Helen quando eu tiver que deixá-la. Não confio nela para ficar com Petúnia, não é saudável. Sinto saudades.

Com amor, Lily Evans.

Enrolei a carta e coloquei na perna de Percy, colocando a de James em Marrie. Observei as duas corujas voarem pelo céu nublado. Fechei a janela, pois ventava forte. Desci as escadas, estranhando o silêncio. Procurei mamãe. Ouvi um barulho na cozinha. Parei na porta, vendo-a olhar pela janela e chorar.

- Mamãe? – sussurrei, preocupada.

- Ah, Lily. – ela se assustou, escondeu o rosto e pareceu enxugar as lágrimas. – Que vergonha, fui pegar um pouco de chá para fazer e vi um homem passar pela rua. Era tão parecido com... – ouvi sua voz embargada falhar.

- Mãe. – corri para abraçá-la.

- Desculpa, é só que... – começou enquanto chorávamos abraçadas. – Às vezes acho que ele passará por aquela porta, sorrindo como sempre e dirá que tudo não passou de uma piada sem graça.

- Eu sei. – murmurei, afagando seu cabelo.

- Você não pode trazê-lo de volta Lily? Não tem nada que sua magia possa fazer? – perguntou a velha senhora Evans, olhando-me, esperançosa. Meu coração doía.

- Não mamãe... – seus olhos sofriam - Não posso trazer os mortos de volta a vida.

- Imaginei. – ela disse enxugando os olhos. – Seu pai teria vergonha de mim. – comentou rindo amarga.

- Ele entenderia mãe, sei que sim. – disse me recompondo também.

- Não sei Lily. Não sei como lidar com minha vida sem Will. Ele era tudo pra mim. Me sinto tão sozinha. – e voltou a chorar.

- Ah, mamãe. – eu não sabia como consolá-la. – Talvez seja melhor você ficar com tia Helen por um tempo. Não quero ir embora e te deixar aqui, sozinha.

- Eu sou uma péssima mãe. – ela murmurou. – Desculpa te preocupar Lily... Eu vou ficar bem, estou feliz que possa ficar comigo por um tempo. Vou ficar bem. – disse respirando fundo e enxugando o rosto mais uma vez.

- Mãe. – comecei.

- Tenho que fazer o almoço! – ela disse sorrindo e mexendo nas prateleiras apressada.

- Mamãe. – disse novamente.

- Tudo bem Lily. – ela disse de costas e virou-se pra mim sorrindo tristemente. – Vou ficar bem, não se preocupe.

- Hum. – não sabia o que dizer.

- Então, o que vai querer almoçar? – perguntou.

- O que você fizer me fará feliz. – sorri.

- Bem, que tal torta de frango com palmito? Se me lembro bem é sua preferida. O que acha?

- É sim, eu ia adorar. – respondi vendo-a sorrir e abrir a geladeira, pegando os ingredientes.

Observei mamãe enquanto ela cozinhava e preparava a comida. Conversávamos e pude ver que hora ou outra ela se distraía com algum pensamento. Apoiei minha cabeça na mesa, continuando a olhá-la. Depois de uma hora ela colocou a torta no forno e se sentou ao meu lado.

- Fazia tempo que não ficávamos assim. – comentou.

- É... Desculpa não ter vindo antes. – disse suplicando.

- Eu entendo minha querida, o que importa é que estamos juntas.

- Sim.

Ficamos em silêncio por um tempo, ouvindo o barulho do forno e os pingos de chuva do lado de fora. Pensei em Hogwarts mais uma vez, na época em que as coisas estavam menos agitadas e eu era apenas uma garotinha de 11 anos. Tanto mudou em sei anos. Apoiei minha cabeça sobre meus braço na mesa e fechei os olhos, ouvindo um zumbido no ouvido.

- Tenho que visitar o túmulo de papai. – disse finalmente.

- Tudo bem. – ouvi sua voz rouca. – Iremos mais tarde se você quiser.

- Obrigada. – murmurei.

Alguns minutos depois e pude sentir o cheiro de torta. Pela primeira vez em meses senti vontade de comer. Comemos em silêncio, os pensamentos pesados demais para permitir uma conversa. Tomei uma ducha demorada e me troquei. Coloquei um vestido azul escuro e peguei meu casaco preto. Mamãe me esperava na porta. Entramos no carro e no caminho para o cemitério passamos em uma floricultura e compramos uma dúzia de lírios.

O caminho era longo. A chuva dificultava a vista e por isso atrasou mais a viagem. Finalmente, depois de uma hora, chegamos ao lugar. Sentia o cheiro de flores no ar. Peguei os lírios e segui com mamãe. Ela estava muito quieta.

- É aqui. – parou e pude ver a lápide de mármore preto. – Vou deixá-la a sós.

- Tudo bem. – eu disse e ela se virou, andando calmamente entre as lápides.

Não chovia mais. No entanto, a umidade parecia pesar o ar. Agachei em frente à lápide e depositei as flores no chão gramado. Pude ler os dizeres:

"William Evans 1920 – 1977.

Um pai amado, um marido fiel e um ser humano admirável. "

- Olá papai. – disse sentindo as lágrimas caírem. Dessa vez me permiti chorar. Respirei fundo antes de continuar. – Espero que esteja bem. Desculpa por demorar a vir. Desculpa por tantas coisas. – escondi o rosto nas mãos. – Sei que não ficaria orgulhoso de mim por ficar chorando assim, mas eu estou tão triste. – minha garganta doía. – Queria que você estivesse aqui. Por que você teve que ir? A culpa foi minha, se eu soubesse me controlar melhor eu não teria machucado Petúnia e nós não teríamos brigado. – minha voz falhou. – Desculpa papai. Desculpa. Desculpa por te decepcionar. Sinto tanto sua falta... Eu te amo tanto.

Não conseguia mais falar. Minha cabeça latejava e meus olhos não paravam de lacrimejar. Meu choro era alto, mas eu não me importei. Só por aquele momento eu me permitiria chorar tudo o que eu estava contendo. O vento soprava forte. Quanto tempo fiquei chorando ali, agachada, eu não sei. Pareceram horas. Esperei por um consolo paterno que não veio. Levantei a cabeça olhando uma última vez para a lápide.

- Eu tenho que ir. – murmurei com a voz rouca. – Mamãe deve estar preocupada. – respirei fundo. – Prometo de visitar mais vezes. Cuide de mamãe quando eu não estiver por perto. – passei a mão pelo mármore gelado. – Eu te amo papai.

Levantei, sentindo as pernas dormentes. Esperei poucos minutos antes de começar a andar, depois de enxugar o rosto e olhar mais uma última vez para o túmulo. Mamãe não estava muito longe. Ela sentara em um banco, ao lado de uma grande árvore de tronco retorcido. Ela enxugou o rosto calmamente e me olhou melancólica. Levantou-se e me deu a mão. Caminhamos lentamente até o carro, seguindo de volta para casa.

O caminho estava mais rápido, pois não chovia. Ligamos o aquecedor e o rádio. Tocava uma música dos Beatles, Hey Jude. Olhei pela janela, ouvindo a música. Vi uma coruja marrom sobrevoar pelo céu nublado e me lembrei das cartas.

- Esqueci de te perguntar mãe. - minha voz saiu rouca.

- O que? – sua voz era suave.

- Alguns amigos meus gostariam de me visitar... – olhei para ela. – Lene, Alice e Dory. Talvez outros, não sei. Se não tiver problema...

- Seria bom ver suas amigas novamente, não é? – ela disse sorrindo. – E vocês tinham combinado de passar as férias juntas... E conhecer seus outros colegas também seria bom.

- É. – murmurei.

- E eu nem falei com Lene aquele dia. Ela deve ter achado ruim. – falou pensativa.

- Não, tudo bem, ela entende. – sorri.

- Então, pode dizer para elas virem. – suspirou. – Vai ser bom.

- Obrigada. – agradeci.

A música estava terminando. Fechei os olhos ouvindo o refrão e os últimos acordes do violão. Logo chegamos em casa e as duas corujas me esperavam do lado de fora.

- Marrie. – mamãe deixou a coruja pousar em seu braço.

A coruja piou alegre. Abrimos a porta e Percy passou voando até o corrimão da escada. Peguei o pergaminho amarrado em sua perna. Mamãe me entregou o de Marrie perguntando de quem eram.

- Ah. – senti meu rosto corar. – Lene e James.

- James? – questionou passando a mão pela cabeça de Marrie.

- Sim, - disse olhando para os olhos verdes da coruja. – um... amigo.

- Amigo? – ouvi o tom brincalhão em sua voz.

- Isso mesmo. – pigarreei. – Vou ler e responder. Com licença.

- Tudo bem. – ela disse sorrindo de lado. – Vou alimentar as corujas.

Agradeci e subi as escadas apressada. Fechei a porta do quarto e sentei na cama. Peguei a carta de Lene.

Lily,

muito bonita, senhorita Evans! Você mandou uma carta para o Jay? Tive que ouvir o insuportável do Sirius narrando como Jay estava sorrindo suspeito e que ele estava escrevendo cartas escondido. E você ainda vem me dizer que ele é uma boa pessoa. (Alice aqui) É, mas se não fosse por ele nós nunca saberíamos sobre esse fato! Nós não somos mais suas amigas Lily? Por que fica escondendo seu romance logo de nós? Deveríamos ser as primeiras a saber! (Dory) Isso mesmo dona Lily. Pelo menos você está tendo progresso com James. Remo está me evitando, tenho certeza.

Tudo bem,chega dessa confusão na minha carta! Todas nós concordamos que você deveria largar de ser orgulhosa e falar sobre isso! Somos suas amigas e não pessoas quaisquer. Você falou com sua mãe? Somos egoístas, queremos te ver! Que bom que seu protótipo de irmã não está aí, torna tudo melhor. Mamãe está chamando para o jantar. Espero que você tome consciência dos seus erros e se repare com a gente! Das suas amigas que te amam muito,

Lene, Alice e Dory.

Sorri, relendo a carta. Elas estavam achando coisa onde não tinha. Eu estava apenas me correspondendo com James, nada mais... Não é? Suspirei. Talvez eu estivesse mesmo errado em não comentar sobre os últimos acontecimentos com elas, mas faria isso pessoalmente. Peguei uma pena e escrevi a resposta.

Queridas Lene, Lice e Dory,

desculpa por não ter comentado com vocês antes. Só não achei que era importante. Não escrevi nada demais para James. De qualquer forma, não estamos tendo um romance, Dory. Desculpa não poder te ajudar com Remo, mas tenho certeza que vai dar tudo certo. Como você está se saindo sem Frank, Alice?

Falei sim com mamãe e ela concordou que seria uma ótima ideia vocês virem me visitar, ela também está animada por poder ver vocês. Quando vocês poderão vir? Sinto saudades! Beijos da sua amiga que as ama muito,

Lily Evans.

Não estava muito boa, mas deveria servir. Sorri, cantarolando o refrão Dear Prudence, dos Beatles. Peguei a carta de James para ler e vi que tinham dois papeis, um com a letra de James e outro menor, com a letra de Sirius e uma foto. Arqueei uma sobrancelha. Era James, dormindo apenas de cueca na sua cama gigante. Ele estava sem blusa e os cabelos ainda mais rebeldes, mas estava realmente... sexy. Ele se mexia inquieto, pude ver as palavras "Lily" se formar em seus lábios. Senti o rosto queimar. Decidi ler a carta de Sirius primeiro.

Lily, meu anjo,

Primeiramente quero dizer que sinto muito por sua perda. Espero que não esteja pior do que estava quando em Hogwarts, mas imagino que seja difícil suportar uma perda como essa sendo seu pai tão importante para você. Meus mais sinceros sentimentos...

Mas, mudando de assunto. Espero também que se faça bom proveito dessa foto. Foi um momento realmente mágico. Ele ficava dizendo "Lily, Lily, não, Lily, esqueça o Diggory babaca". E então, lá estava eu, tirando uma foto para te enviar, quando acho duas cartas, com sua letra. Achei realmente uma graça. Tirando o fato de que você o convidou para te visitar e esqueceu-se dos seus outros amigos. Eu sabia que vocês estavam se pegando. Eu te subestimei ruiva! Saiba que irei te visitar também. Isso não é um pedido. Fique atenta à sua lareira. Do seu amado e mais legal, bonito, engraçado, gostoso e inteligente amigo,

Sirius.

Girei os olhos. Sirius conseguia ter um ego maior que o de James. Peguei a carta do outro maroto para ler, depois de dar mais uma olhada na foto...

Querida Lily,

inicialmente gostaria de dizer que sinto muito por almofadinhas. Tive certeza de que ele se arrependeria por mexer em minhas coisas. Não acredite em qualquer coisa que ele disser! Enfim, não me preocupo por ouvir seus problemas, fico até feliz, não por você ter problemas, mas por você confiar em mim! Quanto a eu ser folgado, devo dizer que sou um pouco, mas Sirius é pior que eu. Mamãe não te acha uma pessoa horrível, ela esta impaciente para te conhecer. Mas tudo a seu tempo. Você não parece uma pessoa que não saiba lidar com expectativas, você sempre foi bastante decidida e coerente. Pelo menos, sempre te vi assim.

Obrigada por me deixar te visitar. Estou ansioso para conhecer sua família, digo, sua mãe. Sua irmã não parece muito gentil. Sinto muito, estou sendo insensível. Okay, desculpa. Espero que faça um esforço para ler esta carta também. Não me odeie, por favor. E não precisa agradecer, estarei sempre ao dispor da ruiva irritadinha de olhos verdes. Com amor e carinho,

(Seu) James Potter.

Ps.: Almofadinhas vai mandar uma carta também, não sei por que ele está rindo tanto, mas mais uma vez peço para não acreditar no que ele diz.

Ps2.: Aluado manda um beijo, no rosto, e pede desculpas por não ser tão legal quanto eu e te mandar cartas.

Sorri. Peguei dois papeis para responder. Comecei por Sirius.

Querido Sirius,

seu ego realmente me impressiona. Eu e James não estamos, como você diz, "nos pegando". Somos apenas amigos, algo que você dificilmente entende. Agradeço por seu apoio, aos poucos estou me recuperando. Quanto à foto, não faço ideia do que fazer com ela e não imagino por que você achou que eu gostaria de ter uma foto do seu amigo semi-nu.

Não convidei James, ele quem disse que gostaria de me fazer uma visita quando Lene e as meninas viessem. Por favor, não invada minha lareira sem avisar. Você também pode me fazer uma visita, mas como eu disse para James, contanto que você se comporte! Diga a Remo e Peter que venham também. Da sua, simplesmente, amiga

Lily Evans.

Enrolei a carta. Peguei o próximo papel para responder James.

James,

eu entendo. Não precisa se preocupar. Sirius consegue ser inconveniente quando quer... Mas, de qualquer modo, obrigada por se importar. Já estou melhor. Você e Sirius deveriam ser irmãos em outra vida. Agradeço pelos elogios e espero corresponder às esperanças de sua mãe.

Mamãe também ficaria feliz por conhecer mais amigos de Hogwarts e disse que ficaria contente por recebê-los. E tudo bem, Petúnia é realmente desagradável! Não te odeio, você tem se mostrado mais decente do que era. Isso merece minha consideração. Até,

Lily Evans.

Ps.: recebi a carta, Sirius me mandou uma foto sua.

Ps2.: diga a Remo que não se preocupe, ele nunca gostou de escrever cartas. Eu entendo. Mande um beijo.

Peguei as duas cartas e guardei as recebidas em uma gaveta juntamente com a foto de James. Desci as escadas. Mamãe afagava a cabeça de Percy.

- Onde está Marrie? – perguntei procurando por minha coruja branca.

- Ah, foi beber água. – apontou para o pequeno bebedouro de pássaros no jardim.

A coruja veio voando assim que me viu. Piou alegremente, oferecendo a perna para eu amarrar a carta. Percy também voou em minha direção e fez o mesmo que a amiga. Amarrei as cartas em suas pernas e ambas voaram pela porta aberta da cozinha.

- Então, que dia pretendem vir? – perguntou mamãe sorrindo.

- Não tenho certeza. Lene não disse. – continuei olhando pela porta até que não visse mais Marrie ou Percy. – É provável que apareçam na lareira.

- Oh, - ela exclamou. – imaginei que seria assim.

Continuamos conversando. Lanchamos e fomos assistir algum filme que passava na televisão. E o vento levou. Enquanto via o filme, percebi como James era parecido com Scarlett. Era teimoso e mimado, com sua estranha obsessão por Ashley, fazia de tudo para chamar sua atenção. Seria eu Ashley? Não, ele era um ser passivo e gentil ao extremo. Eu era mais parecida com Rett, gênio forte e concepções maduras. O relacionamento dos dois era explosivo, bem como o meu e de James. Sorri com esse pensamento.

A noite chegou e não recebi respostas para as minhas cartas. Imaginei que Marrie e Percy estavam exaustos com tantas viagens. Estava com sono. Mais uma vez dormi com mamãe. Ela afagava meus cabelos, dizendo que tudo ficaria bem. Aninhei em seus braços, o seu perfume me acalmava. Fechei os olhos e dormi.

A semana passou rápida e logo sábado chegou. Não recebi respostas de James e Lene. Comecei a ficar preocupada. Mamãe dissera que por causa das tempestades era provável que eles tenham preferido não mandar as corujas. Almoçamos calmamente e ela disse que faria alguns lanches pelo acaso de chegarem visitas. Suspirei. Talvez eles apenas chegassem mesmo do nada.

Estava sentada vendo televisão quando ouvi um barulho estranho. A lareira estremeceu. Levantei do sofá, olhando para a fuligem que caía. BOOM. Lene apareceu praguejando.

- Black seu idiota! – disse olhando para trás. Pareceu notar que estava em um lugar diferente e olhou para mim, sorrindo. – Lily!

- L-lene. – gaguejei abraçando a morena de volta.

Mais um barulho e logo Sirius apareceu, seguido de Alice, Remo, Dory e James. Peter não veio. Todos vieram ao meu encontro, dizendo o quanto sentiam, que estavam com saudades, que eu parecia bem apesar de tudo.

- Obrigada. – eu disse arqueando uma sobrancelha. – Mas vocês podiam ter avisado que viriam.

- Lily? – mamãe apareceu assustada pelo portal da sala.

- Tia Mary! – Lene, Alice e Dory abraçaram minha mãe.

- Sentimos saudades. – disse Dory.

- Oh queridas, também senti falta de vocês. – disse mamãe sorrindo. – Vocês estão tão crescidas!

- É, faz um tempo que não nos vimos. – comentou Alice passando a mão na cabeça.

- E quem seriam esses rapazes? – perguntou mamãe, olhando para mim com aquele olhar que eu bem conhecia.

- Sirius Black a seu dispor, senhora Evans. – Sirius se antecipou. Pegou uma das mãos de mamãe e a beijou.

- Oh, que adorável, mas pode me chamar de Mary, querido – ela sorriu com a face avermelhada.

- Almofadinhas, não seja inconveniente! – disse James e olhou sorrindo para mamãe. – Eu sou James Potter, prazer.

- James? – mamãe me olhou e retornou a falar com James. – Entendo. Lily andou recebendo cartas de você.

- Mamãe! – eu sussurrei apressada.

- Ah, é. – James disse sorrindo. Estreitei os olhos. – Temos nos correspondido.

- Então. – eu disse. – Mãe, esse é o Remo Lupin, meu amigo que tanto te falei. – peguei Remo pelo braço e coloquei em frente a James.

- Ah, o famoso! Lily sempre adorou contar como tinha amigos diversos e interessantes. – mamãe cumprimentou Remo que a essa altura estava vermelho.

- Então, onde está Marrie? – perguntei para James.

- Ah, ficou lá em casa. – James disse sério. – Ela deve ter brigado com algum pássaro. Ela estava com algumas penas quebradas. Meu primo John é especialista em criaturas mágicas e estava lá em casa. Ficou cuidando dela.

- Oh, não. – eu disse preocupada. – Ela está bem?

- Já está melhor, mas John preferiu que ela descansasse um pouco mais antes de voltar a voar. Não se preocupe. – ele disse sorrindo.

- Bem, garotos, fiquem à vontade. Terei que voltar a cozinha. – mamãe saiu após cumprimentar novamente a todos.

- Sua mãe é um doce Lily querida. – disse Sirius sentando sem cerimônia em um dos sofás. Estreitei os olhos.

- De fato ela é. – James olhou zangado para o moreno. – Adorável. Como você. E são bem parecidas também.

- É, é o que todos dizem. – respondi.

- Então Lily, como você está? – Dory parecia preocupada.

- Estávamos ansiosos para te ver. – Alice e Lene me olhavam apreensivas.

- Eu estou bem. – disse, sorrindo francamente. – Feliz por ver vocês.

- Não estamos incomodando? – perguntou Remo ao meu lado.

- De modo algum! – falei rapidamente. – Mamãe estava ansiosa, eu também.

- Tia Mary parece melhor do que antes. – comentou Lene.

- Sim, estava preocupada, mas agora ela está se recuperando...

- Pois então vamos conversar sobre coisas mais felizes. – Sirius sorriu sem tato e eu ri quando todos olharam zangados ao mesmo tempo para ele.

Continuamos a conversar animadamente. Mamãe fizera vários tipos de tortas que foram profundamente apreciadas por todos. Perguntei por que Peter não tinha vindo e Remo respondeu que ele teve que visitar os pais. Contaram sobre as vezes que Helen, mãe de Lene, chamara Sirius de genro e o tratava como se já fosse da família. Sirius estava imensamente feliz enquanto Lene não poderia estar mais irritada com a situação.

A tarde chegou e perguntei se não ficariam aqui em casa por alguns dias. Mamãe concordou feliz, dizendo que tinha muitos quartos para hóspedes. Lene agradeceu e disse que voltariam mais tarde. Todos disseram até logo. Observei-os partirem.

- Você tem ótimos amigos, Lily. – mamãe comentou sorrindo.

- Sim. – continuei mirando a lareira. – São realmente ótimos.

Duas horas depois, todos estavam de volta com suas malas. Sirius e James ficaram em um quarto, Alice e Lene em outro e por fim, Dory e Remo tiveram que dividir um quarto. Mamãe sorriu, dizendo que confiava em todos. Sorri divertida e os dois ficaram imensamente vermelhos, mas aceitaram a partilha de quartos. Sirius pareceu contra.

- Ah, Mary meu amor! Você deveria ter colocado eu e Lene no mesmo quarto! – argumentou Sirius olhando sério para minha mãe.

- Duvido que você durasse mais que um dia vivo, Sirius. – mamãe se divertia. – Pensei em colocá-los juntos, mas Lene foi extremamente contra.

- Lene! – Sirius virou-se para a morena, bravo.

- Algum problema Black? – perguntou Lene com a sobrancelha levantada.

- Você não está lutando por nosso amor. – ele disse dramático, arrancando risada de todos.

- Claro que estou. Estou lutando para que ele não aconteça. – ela rebateu.

- Que coração gelado! – continuou Sirius.

- Vamos, não é tão ruim assim. – eu sorri. – Você poderá aproveitar para espiar James dormindo.

- Ah, ruiva, só faço isso por você. – Sirius piscou e me deixou vermelha.

- Como assim? – perguntou Alice curiosa.

- Então, lá estava eu... – começou Sirius, mas James o interrompeu.

- Folgado como sempre, se metendo na vida dos outros. – ele pigarreou, olhando perigosamente para Sirius, que sorriu sarcástico. – Nada demais, Alice.

- Não pareceu nada demais. – falou Lene.

- Enfim. – James disse. – Não vamos discutir. Mary, estamos todos satisfeitos do jeito que está. Muito obrigado.

- Oh, querido, por nada. – mamãe estava contente.

Continuamos conversando, até que mamãe disse que iria dormir. Despediu-se de todos e desejou boa noite. Fechei as portas de vidro da sala para não fazer muito barulho.

- Tem certeza que não tem problema ficarmos aqui? – Dory parecia sem jeito.

- Claro que tenho. É mais fácil recuperar com pessoas te ajudando. – sorri abraçando Dory ao meu lado.

- Então ruiva, - disse Sirius sério. – eu e as meninas concordamos que você e James devem abrir seus corações e...

James tacou uma almofada no maroto e sentou em suas costas. Arqueei a sobrancelha e vi Lene girar os olhos.

- Você e sua boca grande Black! – reclamou Lene.

- Om qum vocn tm fmlmndo, vocm também concordaram com isso! – Sirius conseguiu tirar James de cima dele. – Não tenho culpa se eu sou sincero! Pelo menos eu digo alguma coisa e não fico fingindo que não percebo nada.

- Black, fica calado. – ameaçou Lene.

- Vocês não vão brigar aqui, né? – disse Alice com a sua voz baixa, aquela que te dá um arrepio, principalmente se for dirigida a você.

- Argh. – Lene virou o rosto.

- Então... – Alice sorriu. – O que queremos dizer é... Estamos felizes por finalmente estarem se dando bem. Isso beneficia a todos nós, que podemos nos reunir sem brigas e gritos e tudo o mais.

- Exatamente. – Dory falou rapidamente.

- Ahn, okay. – eu disse estranhando a conversa.

- É, é exatamente isso que queremos dizer. – Sirius falou com tom irônico. Lene deu um chute em sua canela e sorriu.

- Que bom que estamos todos entendidos. – Lene falou se levantando. – Tá tarde, né? To morrendo de sono... Se você não se importar Lily, eu já vou dormir. – Lene acenou para todos.

- Tudo bem. – eu disse e olhei o relógio. Era realmente tarde, uma hora.

- Acho que vou subir também. – Alice pediu para Lene esperar e sorriu para mim, piscando. Tudo bem, elas estavam aprontando alguma coisa. – Dory, você vem?

- Ah, ah. – Dory olhava Alice como se esperasse ler seus pensamentos apenas com isso. Seu rosto se tornou escarlate. – É, v-vou com vocês.

- Vocês já vão mesmo? – perguntou Sirius projetando o lábio. – Se for assim, eu vou também! Lene, meu amor, me espere.

- Vai sonhando Black, você vai dormir com James! – Lene ficou atrás de Alice, se esquivando de Sirius.

- Eu sei, mas podemos passar um tempo juntos. – ele disse esperançoso.

- Sem chances! Vamos Dory, Lice. – a morena se despediu mais uma vez e sorriu para mim e depois olhou para Remo. Talvez... eu tenha começado a entender o que elas estavam esperando que acontecesse. Sorri em resposta.

- Vocês são cruéis. – Sirius sussurrava enquanto subia as escadas com as três.

- Almofadinhas está quase me convencendo do seu amor pela Lene. – comentou James.

- Ainda não me convenceu. – disse simplesmente.

- Ele não sai com uma garota há muito tempo. – falou Remo sorrindo.

- Mesmo? – arqueei uma sobrancelha.

- Mesmo. Achei que ele tava doente, Sirius nunca passou mais que dois dias sem sair com nenhuma garota. – disse James pensativo. – Talvez ele goste mesmo de Lene.

- Isso eu pagaria pra ver... Ia ser no mínimo interessante. – sorri com a possibilidade de Sirius e Lene ficarem mesmo juntos. Olhei para Remo e estreitei os olhos. – Você podia dar um jeito na sua vida amorosa também Remo.

- Hum? – o maroto me olhou surpreso.

- Tô falando da Dory. – falei séria. – Você tem que parar com esse seu drama. Aposto que se vocês conversassem tudo ficaria bem.

- Lily. – ele disse e pareceu reconsiderar. Sorriu. – Eu entendo sua preocupação, afinal ela é sua amiga. Mas não acredito que uma simples conversa é o suficiente.

- Você não entende Remo. – balancei a cabeça. – Que tipo de pessoa você acha que Dory é? Ela não é uma menininha ingênua ou mesmo preconceituosa. Ela com certeza entenderia.

- Imagino que sim. – ele afirmou.

- Então, qual o problema? – perguntei sem entender.

- O problema Lily? E se um dia eu machucá-la? E se um dia eu fugir do controle e acabar até... matando Dory? Vamos um pouco mais além. E se um dia tivéssemos um filho? – ele disse baixo. – Não... Não posso deixar que Dory passe por esse tipo de sofrimento. Ela merece alguém melhor.

Olhei para Remo sem saber o que responder. Ele realmente tinha uma boa razão, mas... Poxa. James também não falou nada. Sustentei seu olhar, tentando achar um contra argumento, mas eu sabia que de certa forma, ele tinha direito de se preocupar com ela. Suspirei.

- Tudo bem Remo... Você tem um bom argumento, mas só acho que você deve falar isso tudo diretamente para Dory. É o mínimo que você pode fazer. O mínimo de consideração. – articulei.

- Eu sei. – ele disse por fim. – Estou procurando o momento correto para isso. Mas, enfim, não se preocupe com isso Lily. – seu sorriso era vacilante.

- Como se eu pudesse. – respondi balançando a cabeça. – Você também é meu amigo. Também me preocupo com você. Espero te ver feliz Remo, você também merece isso!

- Estou feliz por ter amigos como vocês. – rebateu.

- É impossível te convencer de alguma coisa! – olhei irritada e o maroto sorriu compreensivo.

- Receio que sim. Mas bem, Dory já deve ter dormido... Espero. – ele pareceu apreensivo. – Acho que seria melhor se Sirius tivesse ficado com Lene ou se James tivesse ficado com Dory.

- Tá com medo lobinho? – James se manifestou pela primeira vez, com um sorriso brincando no rosto. Remo rebateu com um olhar zangado.

- Boa noite. – Remo ignorou a fala de James e me deu boa noite. Piscou e disse antes de sair. – Comportem-se crianças.

Olhei pra ele sem entender e percebi que apenas eu e James estávamos na sala. James pigarreou e eu tive que olhá-lo. Ele ainda tinha um meio sorriso no rosto. Agradeci pela pouca iluminação da sala ou ele poderia enxergar o quanto eu estava vermelha.

- Enfim sós. – brincou. Seus olhos brilhavam por trás dos óculos.

- Tá agindo como um maníaco de novo. – comentei e ri da careta que ele fez.

- Tudo bem senhorita Evans, manterei uma distância segura entre nós. Estou deveras aflito com vossa opinião sobre minha pessoa. – falou formalmente, se afastando de mim no sofá, foi minha vez de fazer careta.

- Que horror. Nunca achei tão ruim por você me chamar de Evans. – comentei enquanto ele ria de mim.

- Posso te chamar de Lily então? Permissão concedida? – perguntou esperançoso.

- Como se o que eu dissesse surtisse algum efeito pra você.

- Claro que faz! – ele falou sério. – Se você faz tanta questão, posso te chamar de Evans.

- É sério? – arqueei a sobrancelha.

- Se você insiste... – ele disse ainda sério.

- Tudo bem.

- Ah. – ele ficou decepcionado. – Pensei que você não gostasse mais que eu te chamasse de Evans!

Ri do seu desânimo. Eu realmente já tinha me acostumado a ouvi-lo me chamar de Lily.

- Era apenas pra provar pra você que eu dizer ou não para você fazer algo não vai adiantar muito. – sorri. – Pode me chamar de Lily. Seria muito estranho te ouvir me chamar de Evans.

- Obrigada ruivinha! – ele se aproximou e eu arqueei uma sobrancelha. – Não pode te chamar de ruivinha?

- Desisto James, me chame como você quiser. – girei os olhos e sorri.

- Okay. Meu lírio. – fiz uma careta e ele riu. – Tá, Lily.

- Melhor assim.

- Então. – ele deitou a cabeça no sofá e continuou a me contemplar. – Como você está?

- Bem... – fiquei de lado e me recostei mais confortável, ficando de frente para ele. – Acho que... melhor.

- Estava preocupado com você. – sua voz era suave.

- Obrigada pela preocupação. – meu coração batia mais rápido.

A lareira estava acesa e ainda queimava as toras de madeira. As chamas trepidavam e criavam uma dança de sombras. O rosto de James não estava bem iluminado já que ele estava de costas para a lareira. Talvez seja por isso que ele me pareceu tão irresistivelmente misterioso. Lembrei-me da fatídica noite em que eu o beijei e alguma parte de mim queria descobrir por que ele não comentara nada.

- James. – comecei.

- Sim, Lily? – a mesma voz suave me respondeu.

- Você se lembra da primeira vez que saímos? – perguntei sentindo seu olhar cravado em mim. – Aquela noite na torre de astronomia?

- O que tem? – ele se mexeu e não pude identificar sua expressão.

- Quando nós fomos embora e chegamos ao salão comunal... Quando eu ia me despedir de você. – eu falei lentamente. – Quando eu... – meu coração pulava sem parar. Tinha ciência do que eu estava fazendo, mas eu estava tão curiosa que não aguentaria mais. – Quando eu te beijei. Você se lembra?


Ah, isso foi emocionante. *-* E agora? O que vai acontecer? Acreditem, por mais que eu tenha uma ideia na cabeça, estou tão ansiosa quanto vocês podem estar para descobrir. É aquele sentimento de excitação que você tem quando alguém te conta a história de um filme que você nunca viu e aí, quando você vai ver, é como se tudo fosse novo. Espero que tenham gostado. Foi difícil conduzir essa parte da vida da Lily, porque eu não podia colocá-la como uma menininha chorona, mas também não podia deixá-la fria né. Enfim.

Gostaria de agradecer imensamente à Lady Aredhel Anarion e à Kelly, minhas primeiras leitoras! Muito obrigada pelo apoio e espero que continuem gostando da leitura.

Beijinhos, mandem reviews *-*