Olá, graças!
Tudo bem? Caso eu não venha aqui até o natal Feliz Natal pra vcs! E me dêem de presente mtos reviews! Iei!!
Xoxo
Quatro
De banho tomado coloquei Magritte para dormir numa cama improvisada no andar de cima,Apfel se enrolou aos pés dela e eu parei incerta,sem saber o que fazer. Se devia me juntar ao elfo,Aeric, ou se devia ficar onde estava. Não tinha sono e estava muito agitada.
Resolvi descer e agradecer sua gentileza e hospitalidade. Quando cheguei na sala ele se encontrava recostado ao lado da lareira com o alaúde nas mãos e cantava baixinho. Sua voz parecia se entranhar na música que falava de amor perdido,dor e solidão e eu quase comecei a chorar. Essa música era cantada pra mim por meu pai quando eu era pequena e me lembrava de coisas que há tempos não faziam parte da minha vida.
"Eu passarei a noite fora." Seus olhos se abriram subitamente e me encolhi desconfortável perante sua ardente mirada. " Tranque o ferrolho."
Ele se levantou em toda sua gigante estatura e senti minhas pernas enfraquecerem quando ele passou por mim. Seus ombros eram quase da largura do batente e sua cabeça quase tinha de se inclinar para passar confortavelmente pela porta.
Lambi os lábios secos e corri a fechar o ferrolho. Depois subi para o quarto e me deitei ao lado de minha filha onde passei a maior parte da noite acordada imaginando o que iria fazer.
A primeira semana foi confusa e parece um borrão em minha memória,toda noite Aeric saía e todo dia eu ficava dentro da casa ou em seus arredores. Tinha medo de perder Magritte na floresta de novo,tinha medo de ficar tentada a voltar para Wilhelm,tinha medo de Aeric e acima de tudo estava irritada com minha falta de coragem e decisão. Passava os dias quieta e inerte.Não me sentia confortável nem em brincar com Magritte e minha filha preferia brincar sozinha,esse tinha se tornado seu costume.
Ela passava os dias correndo de um lado pro outro seguida por Apfel. Awdrina aparecia de vez em quando ,mas não falava muito comigo,ou foi assim que me pareceu, se limitava a conversar com minha filha,ela deixava comida para nós e sempre dava uma passada na oficina nos fundos da casa,onde Aeric passava a maior parte do tempo. Minha solidão só não estava me deixando louca porque eu estava acostumada,os últimos cinco anos haviam sido uma boa lição.
Porém numa noite eu me irritei. Havia fugido para escapar aquela situação opressora em que me encontrava e havia caído em algo semelhante. Será que meu destino era sempre ser esmagada e esquecida?
Subitamente me levantei da cama,fazia um certo tempo que Aeric tinha saído, e desci até o andar inferior, meus pés descalços incomodados com a aspereza do chão de madeira. Abri a janela e uma imensa lua cheia iluminava o mundo. Magritte estava dormindo e num ímpeto eu abri a porta,uma brisa fresca fez minha camisola revoar e tranquei o ferrolho,mas me certifiquei de deixar um pedaço da lingüeta de couro pra fora de modo que pudesse abrir quando voltasse, antes de fechar a porta e sair correndo.
Pode parecer bastante temerário sair correndo sozinha pela floresta,mas eu havia percebido que perto da casa dele não havia sinais de animais ferozes. Eu me sentia livre! A noite a floresta era bastante diferente e se eu não estivesse tão alucinada talvez tivesse ficado com medo,mas não fiquei. Cheguei até o riacho e me lembrei da época em que podia nadar sem me preocupar. Bem ,eu não precisava me preocupar agora.
Tirei a camisola e pulei na água,estava gélida ,mas mesmo isso me fez feliz. Eu nadava de uma borda a outra e revoluteava e ria ,parecia um tonta.Não sei quanto tempo passei ali , mas a Lua já ia alta no céu quando saí e me vesti. Voltei pra casa sorridente.
Quando estava prestes a abrir a porta senti um agarrão no meu braço.
"Ah!!!!" Gritei assustada e por instinto,que eu nem sabia que possuía,dei uma cotovelada no plexo de solar do meu captor.
"Au!O que pensa que está fazendo?"A voz profunda de Aeric cortou a noite. Me virei pra ele e pude ver seu cenho franzido e seus olhos de prata líquida irritados. "Eu não disse pra ficar dentro da casa?"
"Não."Respondi simplesmente. "Você disse para trancar o ferrolho."
"Bem" ele franziu mais ainda o cenho "estava implicito!Enlouqueceu,mulher?Não sabe que é perigoso vagar por aí de noite sozinha?"
"Você vaga." Respondi petulantemente. "Desculpe." Acrescentei logo depois ao me arrepender dos meus modos.
"Eu sou eu e você é..." Ele olhou pro meu tamanho diminuto desdenhoso. "Você.Não creio que exista comparação.E de qualquer forma não acha perigoso deixar sua filha sozinha?"
"Eu...eu tranquei a porta." Informei apreensiva.
Ele apenas revirou os olhos e abriu a porta . Arregalei meus olhos estupidamente,havia pensado que estava sendo muito esperta deixando a lingüeta para fora,mas não havia considerado que uma floresta não é só feita de animais selvagens. Havia me esquecido de algo mais perigoso,ladrões e assassinos.
"E por que saiu ?"
Não respondi. Seria muito mal agradecido de minha parte dizer que estava entediada,presa e sufocada. Olhei pra baixo envergonhada e murmurei umas desculpas novamente.
"Pare de se desculpar."
"Desculpe." Tapei a boca com as mão,era mais forte que era uma vida de submissão,um único ato de rebeldia não era o suficiente pra suplantar anos de aceitação.
Ele riu e foi como eu havia pensado,não existia coisa mais maravilhosa. Sua risada me fazia pensar em noites correndo livre pela floresta ou excursões noturnas ao rio em luz e calor. Em encantamento.
"Olha,sei que você tem estado entediada,mas não precisa ficar trancada na casa como tem feito. Pode sair ou fazer o que gostar."
"Não achei que pudesse."
"E por que não poderia?" Pareceria digno de pena dizer que em minha vida eram poucas as coisas que me eram permitidas e que eu ainda não estava acostumada com a liberdade,por isso não falei nada.
"Você poderia ir visitar minha irmã.Ela mora do outro lado do rio,ali na curva,pode ver?" Ele se aproximou das minhas costas e esticou o braço por cima do meu ombro e eu estremeci ainda abalada pelo som do seu riso
"Não consigo. Está muito escuro."
"Esqueço que você é humana. Certo,amanhã te mostro o caminho."
Quando entramos na casa percebi que seu rosto estava sujo e também suas roupas. A imensa sacola de couro agora cheia e parecia cansado.A curiosidade me mordeu,mas não me atrevi a perguntar. Porém, ele deve ter percebido meu olhar.
"Não quer saber o que estive fazendo?Não está com medo que eu seja um bruxo poderoso e estivesse fazendo sacrifícios humanos e bebendo sangue no coração da floresta?"Perguntou jocosamente enquanto jogava a sacola sobre a mesa e retirava a camisa para se perdi o fôlego. Seu corpo era musculoso e um lindo desenho azul cruzava seu peito até suas costas descendo por sua cintura e se perdendo dentro de suas calças,engoli em seco envergonhada e tentei me concentrar em outra coisa.
"Gostaria de saber,mas não achei que fosse meu direito perguntar." Informei baixinho. "E não acho que você seja mau só por ser de detrás do véu mágico. Conheço seres muito bons vindos de lá e pessoas muito más que lá nunca estiveram." Pensei em minha madrasta e em toda sua maldade. Embora todos pensassem que ela fosse uma bruxa ,e esse tenha sido o principal motivo para meu marido condená-la,ela era apenas uma leiga e simpatizante das artes negras. Seu passatempo preferido era procurar artefatos e livros de necromancia.
" Então você é capaz de emitir opinião . Achei que fosse apenas um rosto bonito sem nada por dentro." Aeric arqueou uma sobrancelha escura e eu enrubesci loucamente,não por ele ter dito que eu era bonita,com isso eu estava acostumada,mas por ele ter admirado a minha mente. " Eu fui buscar um certo tipo de metal para minhas forjas. Um tipo de metal que só existe nesta floresta devido a queda de uma estrela." Arregalei meus olhos. Metal vindo das estrelas?Isso parecia maravilhoso.
"Você está com frio." Percebi que tremia e cruzei os braços tentando me aquecer. "Vá dormir , Clara. Amanhã lhe mostrarei como ir até Awdrina e depois ,se quiser, posso lhe mostrar a forja."
Assenti feliz e subi as escadas correndo. Adormeci com o som suave da voz dele que cantava e com a certeza de que no dia seguinte as coisas seriam diferentes.
