Gente, eu sei que falei que iria postar um capítulo por semana, mas esse capítulo acabou saindo bem rápido e decidi postá-lo logo para vocês! Sou meio louca mesmo. =P Espero que gostem!


Capítulo 4 – Amor próprio.

Eles andaram por um tempo a procura delas até que Sakura cansou. Sasori percebeu e a puxou para um canto da boate que tinha um sofá daqueles compridos, para ser compartilhado por várias pessoas. Ele sabia que os pés dela provavelmente já estavam doloridos, e tudo o que ela queria era sentar um pouco. Ela não resistiu quando viu aonde ele estava a levando, e deixou ser conduzida até o sofá.

Fazia apenas 6 meses desde que Sakura descobrira toda a traição de Sasori. E sabe lá quanto tempo ela durou. Ela não queria estar ali. Queria achar as meninas e ir embora. Estava se achando uma burra por ter aceitado estar perto dele, quando sabia que devia era estar longe. Resolveu não esperar mais. Não queria estar ali com ele. Pegou a bolsa do colo e se levantou, com a intenção de ir embora.

O ruivo começou a ir atrás dela se levantando do sofá, mas recebeu a ponta do salto fino no tênis. Não havia doído tanto graças à proteção de borracha, claro, mas tinha um aviso ali.

"Olha aqui, Sasori. Só por hoje, não finja ser uma boa pessoa que você não é. Você é um babaca de todas as formas possíveis. Fique longe de mim, senão eu não responderei pelos meus atos" – Tudo saiu rápido e ela praticamente despejou sua raiva em cima dele. Raiva, frustração... O que sempre vinha de combo quando ela o encontrava.

Saiu em retirada e deixou um ex assustado para trás.


"Sakura, onde você se meteu ontem a noite? Nós procuramos você por todos os lados e não te encontramos em lugar nenhum... Ainda bem que o Shikamaru disse que te viu indo embora de táxi, porque a gente estava louca atrás de você" – Ino falava enquanto as duas andavam pelos corredores do hospital.

"Tive a infelicidade de encontrar o Sasori ontem" – Sakura falou desgostosa, sem prever a reação imprevisível da amiga.

"Oh" – foi tudo que ela conseguiu dizer. Sabia que quando se tratava desse assunto, Sakura não tolerava brincadeira nenhuma. Ela preferia nem comentar, na maioria das vezes. Ela sabia que a amiga não tinha interesse de voltar com ele, então pode descansar em paz sua consciência de que não precisava avisá-la que aquele ali não tinha jeito.

"Tudo bem. Infelizmente ele ainda está vivo, e eu não estou disposta a matá-lo e ter que viver na cadeia. Então-" – Sakura falou com um tom meio psicopata, e Ino riu.

"É, fazer o quê..." – Ino concordou e ambas foram para suas respectivas funções.

Sakura estava sentada em sua sala, esperando o próximo paciente. Na verdade, estava mais perdida em seus pensamentos do que esperando qualquer coisa. Lembrava dos tempos em que parecia certo que iria casar com Sasori, que iria ter filhos ruivos de olhos verdes e de como sua mãe havia a importunado dizendo que não deveria deixar um partido tão bom quanto ele fugir, nem que fosse por causa de uma traição boba. Ela sorriu melancólica.

"Você está mesmo em condições psicológicas de atender a minha filha?" – Sakura ouviu uma voz masculina e se assustou, se esquecendo até de onde estava. Levantou o olhar da mesa em direção à porta, e então ela derreteu. Ali estava um dos homens mais lindos que ela já tinha visto na vida; parecia algum modelo italiano tirado de alguma revista de consultório, só que muito, muito melhor. Ele era alto, com os ombros largos embaixo de uma camisa fina, branca, e uma calça social muito bem alinhada à estatura. Tinha os olhos negros e os cabelos da mesma cor, lisos e rebeldes, mas pareciam muito, muito macios. Tinha uma boca bem tentadora e-

"Desculpe, eu estava distraída!" – Sakura se repreendeu mentalmente ao mesmo tempo em que pensava: me distraí de novo. Ela havia ficado vermelha sem nem perceber, detalhe que Sasuke não deixou de notar. Talvez devesse participar mais das responsabilidades da filha mesmo, como sua mãe sugerira.

Sakura, com muito esforço e concentração, tirou os olhos do moreno a sua frente e olhou para a criança que estava junto com ele.

"Harumi-chan!" – Sakura falou um pouco espantada.

"Oi Sakura-chan" – A menina respondeu com um sorriso. "Já estou melhor?" – Ela perguntou com uma curiosidade que parecia não estar se aguentando.

"Sim, seus exames chegaram hoje de manhã e vou conferi-los junto com o seu... pai?" – Sakura falou tentando confirmar, apesar de que as semelhanças entre eles eram óbvias.

"Sim. Uchiha Sasuke" – Sasuke falou se apresentando, formalmente.

"Prazer em conhecê-lo, Sasuke. Sou Haruno Sakura, médica de sua filha" – Sakura não sabia o porquê, mas pronunciar o nome daquele homem parecia ser um pecado por si só. Mas ele estava sem aliança, ela pensou. De repente, ele se aproximou dela, escondendo a filha do campo de visão de Sakura. Ela arregalou os olhos por causa da aproximação repentina, mas então ele falou.

"Somos só nós dois. Minha esposa morreu há um ano atrás" – Sasuke respondeu. Claro. Ele não queria dizer aquilo perto da filha. Mas como é que ele sabia que ela estava pensando-?! Que homem mais parecido com um demônio! Sakura crispou-se de vergonha. Ele tinha que reparar todos os olhares dela e saber exatamente o que é que ela estava pensando o tempo todo?!

"Ah, sinto muito" – ela se esforçou para parecer o mais profissional possível, levantou-se e se aproximou para pegar os exames.

"Bom, está tudo certo com a Harumi-chan. É só ela tomar a medicação conforme prescrita e estará tudo certo. Qualquer coisa, você pode me ligar" – Sakura falou, tentando ser o mais profissional possível.

"Hn, ok." – foi tudo o que ele disse.


É claro que Sakura tinha ficado um pouco perturbada com a presença daquele homem. Ele era lindo e tudo e tal, mas não pode deixar de notar como parecia tão frio, quase um cubo de gelo. Sakura já tinha seus problemas, e com certeza não estava no mundo para ser a salvadora na vida de ninguém. Não psicologicamente falando. Suspirou.

Todo o dia que se seguiu após a consulta dos Uchiha foi agitado. Um plantão na emergência corrido, algumas crianças com fraturas inimagináveis, e até mesmo uma morte. Não que Sakura não se importasse com pessoas morrendo, mas ela já estava acostumada. Se não se acostumasse com os problemas das pessoas, não poderia tentar salvá-las. E assim acabou mais um turno, e ela deixou seu posto para ir para casa. Ino já havia ido embora e ela optou por ir a pé para casa, já que morava perto mesmo.

Assim que Sakura saiu do hospital, sentiu uma brisa agradável passar por ela. A noite estava bem fresca, e apesar de estar cansada, de toda a loucura do dia-a-dia, ela estava tranquila consigo mesma. Tinha o emprego que conquistara com todas as forças, estava orgulhosa do que tinha conseguido. Era certo que não precisava de homem nenhum para preencher algo, porque nada faltava. Lá no fundo, Sakura não tinha certeza que uma história a dois poderia realmente dar certo.

Enquanto namorava Sasori, tinha a plena certeza no amor verdadeiro, encantado, puro e sereno. Mesmo com as brigas que tinham, mesmo com as decepções que ele causava nela. Era uma romântica incontrolável. Depois que quebrou a cara, não conseguia mais acreditar. Confiar direito nas pessoas. Talvez porque o amor fosse algo muito superestimado; talvez porque existissem outras relações muito mais importantes do que o amor entre um homem e uma mulher. Talvez ela que fosse muito romântica ainda e não quisesse se abrir para qualquer outro cara que não quisesse estar com ela, e apenas ela. E esse cara lá existia?!

Com um barulho infinito de chaves e penduricalhos, Sakura abriu a porta do seu apartamento. Jogou sua bolsa em cima do sofá, ligou a TV e seguiu para seu quarto. Antes disso, ouviu um miado prolongado vindo da cozinha. Uma gata de pelos pretos e olhos igualmente escuros, veio se aproximando, dengosa. Yuki. Ela era recém-nascida quando Sakura a encontrou há algumas quadras dali, voltando do hospital para casa. Era um dia chuvoso, e alguém teve a crueldade de largá-la dentro de uma caixa de papelão na calçada da avenida movimentada.

"Você não vai ganhar comida ainda. Tá enorme de gorda!" – Sakura falou em tom de deboche para a gata. Afinal, era normal conversar com a gata e fingir que a televisão significava barulho, pessoas por perto. Coisa de gente que mora sozinha. A gata deu um miado de protesto e contornou Sakura, pulando para subir no sofá.

Sakura finalmente jogou seu jaleco no cesto, tirou suas roupas deixando-as pelo quarto mesmo, e ligou o chuveiro quente. Pode aproveitar bastante os poucos momentos de relaxamento do dia. Enquanto a água caia, deixando rosada a pele branca, Sakura pensou em Sasuke. Nos olhos tristes que tinha, nas suas frases diretas, objetivas e sem emoção. Em como ele parecia ser uma pessoa superficial e ao mesmo tempo que escondia tanto. As emoções que uma pessoa de terno e gravata finge não ter. Ela riu. Mal sabia seu nome direito, quiçá fazer toda essa análise psicológica e estar certa. Será que não estava?!


Hmmm, e agora, como será que a situação fica?

O Sasuke se acha O gostoso, mas a Sakura não vai ser tão boba assim por ele como ele pensa não! hahahahah =P
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