Cara parente que lê esta carta,
Olá. Meu nome é Grace Cahill, e, no presente ano de 1956, tenho 33 anos.
Não sei o que dizer. Despedidas são difíceis A partir de agora, me despeço de uma etapa da vida e inicio outra.
Adiei um pouco meus estudos e os comecei com 29 anos. Antes, trabalhei de todos os jeitos e maneiras possíveis para conseguir dinheiro e pagar minha formação em egiptologia em Harvard, com minhas queridas amigas e colegas Hilary Jayne Thompson, que felicito pelo noivado com Robert Vale, e Gabriela Mazarino, que em meio ao terrível período do pós-guerra italiano encontrou forças para ir realizar seu sonho em Harvard.
Escondi essa carta em um dos meus livros preferidos, Ulysses, de James Joyce. Este ano fui para a festa dedicada a este livro em Dublin, e devo confirmar que vou por todos os anos da minha vida, até estar inválida ou até a minha morte.
Segue em anexo uma foto minha, rasgada ao meio, de minha breve estada com Hilary e Gabriela no Egito. A outra metade está por aí.
Procure na biblioteca pública de Boston meu livro Cleópatra: Volume 1: De Alexandria à Roma, cuja dedicatória trás mais pistas sobre a outra parte da foto. Boa sorte em sua busca, e não desista.
Com carinho,
Grace Madeleine Cahill.
- Meu Deus... - cobri a boca, chocada. Como assim? Esse livro já fora da vovó. Folhei as páginas, procurando uma pista. Nas folhas, nada. Mas na contracapa do outro lado...
Para o meu QUERIDO Albert Murray, por TUDO!
Grace Cahill.
Albert Murray... Quem seria? O nome não me era estranho.
Fiquei com a pergunta martelando na cabeça, mas decidi dormir.
Como se eu conseguisse. Tive que tomar um remédio. Iria fingir que estava com dor e não iria para a escola, e ficaria procurando.
Sim, não é o do meu feitio fazer isso. Mas ia me dar mais tempo de procurar. O tempo é precioso.
Acordei de manhã cansada. Tive terríveis pesadelos. De Vespers a Albert Murray.
Resolvi agir. Estava na hora. Esquentei minha testa com secador de cabelo (ainda não me lembro como não ouviram nada!), passei um pouco de maquiagem para parecer pálida e comecei a treinar meus gemidos. Ia dar certo.
Fiquei um tempo deitada fazendo isso, mas eles demoraram. Eu estava me levantando para ir esquentar a testa de novo quando Nellie entrou.
- Amy, porque você não se levantou?
Comecei a por meu treinamento em ação.
- Ah, cof cof, Nellie, estou com cof dor de cabeça cof.
Ela tocou em minha testa, ainda estava morna.
- Acho que você deve estar febril. Vou pegar o termômetro.
Quando ela saiu, rapidamente peguei o secador escondido debaixo da cama e esquentei a minha testa mais um pouco. Que estratégia perfeita, Amy!
- Aqui está, vamos colocar esse termômetro.
Ela colocou o termômetro debaixo do meu braço e disse:
- Volto daqui a 3 minutos.
Peguei o secador, e esquentei tudo. Aonde Nellie colocara o termômetro, o termômetro e minha testa e esperei. Acho que Dan e Nellie estão meio surdos por causa dos fones, para até agora não terem desconfiado de nada.
Esquentei até Nellie voltar e sorri por dentro. Daria certo.
- Vamos ver...
Nellie pegou o termômetro e franziu o cenho.
- Não acredito. Quer dizer... 39 graus!
- Está tudo bem, Nellie. Eu irei para a aula...
- Está brincando, não é? Fique aí.
- Não... - eu comecei a me levantar.
- Sim- ela me empurrou de volta para a cama.
Dei um outro sorriso (dessa vez malicioso) por dentro. Perfeito.
O que aconteceu logo depois não importa. Nellie e Dan saíram e eu fiquei só com Saladin.
Mas, passados 5 minutos da saída deles, pulei da cama e fui para a luta. Coloquei um casaco (estava bem frio lá fora), um cachecol grosso e um gorro e tranquei tudo.
Desci correndo as escadas, dei comida para Saladin, e o afaguei um pouco.
Saí de casa e me surpreendi. Estava mais frio do que eu imaginava. 3º Graus. Ah, como eu odeio o Inverno!
Como era impossível andar naquelas condições, peguei um táxi que, graças a Deus, tinha aquecedor.
A Biblioteca Pública de Boston ficava a mais ou menos 7 quilômetros da minha casa, que ficava em Charlestown. Durante a viagem, fui pensando naquele tal de Albert Murray. Devia ser um amigo próximo de Grace, para ela dedicar-lhe um livro. Talvez até um Madrigal!
Estava tão imersa em pensamentos que só percebi que já havia chegado a biblioteca quando o senhor do táxi me chamou a atenção.
- Moça, já chegamos.
Acordei para a vida e dei-lhe 15 dólares. Pulei do carro e dei de cara com um prédio grande e bonito. Eu quase sempre sorria quando estava lá, mas não conseguia fazer isso. Precisava saber a verdade. Naquele momento.
Olá, Cahills! Faz muito tempo que não posto, eu sei, eu sei. Mas não, eu não saí. O único problema é que como a minha mãe está trabalhando, eu vou para a casa da minha avó, e eu não levo o teclado do meu notebook (o que fica no notebook não está com o espaço nem a letra m funcionando). Esse é o problema, senão eu acho que já teria postado há um certo tempo.
E a foto, hein? Se surpreenderam? Terão outra surpresa no próximo... Veremos.
Estou escrevendo a todo vapor, agora que estou com um problema, é o melhor para desabafar. E, calma, fãs (O QUÊ? NINGUÉM?), eu estou REALMENTE a todo o vapor. Terão notícias minhas- talvez de duas fics antigas reescritas...
~ La Bella Cahill
