Capítulo 3

Senti um aperto no meu ombro. Antes de sair da minha sensação de torpor, vi que a porta se fechara. Não tive tempo de me despedir de Alice, nem de ver o rosto de Edward, eles foram embora, na velocidade que só um vampiro poderia ir. Eles se foram, e eu permaneceria trancada e sozinha em Volterra por toda minha vida eterna.

[...]

Fiquei olhando para a porta de madeira por minutos, o silêncio estava angustiante. Não sabia o que eu poderia esperar de agora em diante. Quando ia me transformar, como ia viver, o que ia fazer em Volterra. Não sabia das regras dos Volturi. A alimentação já era clara, os olhos carmins de Demetri me fitavam.

- Creio que tenho que te levar ao quarto, não?

Assenti e ele gesticulou para que eu o seguisse. À medida que caminhava, ouvi vozes, muitas vozes. Não eram nem de longe parecidas com as vozes de sinos e sensuais de vampiros, eram vozes humanas. Chegando mais perto da origem, vi pessoas de todos os tipos, observei um por um passando por mim. Homens, mulheres, idosos e crianças. Crianças? Uma senhora segurava um crucifixo e carregava um olhar de quem sabia que algo estava errado, muito errado. A mulher na ponta da fila guiava a multidão pelo corredor. Com apenas um olhar dava para saber que ela era vampira, se destacava entre os demais. Lembrava-me Rosalie, era muito bonita, tinha os olhos cor violeta e carregava consigo um sorriso de triunfo. Demetri respirou fundo.

- Boa pescaria, Heidi. Vou levar Isabella até seu quarto, volto em um instante. Guarde um pouco para mim.

A vampira Heidi olhou para mim com curiosidade, mas não falou nada. Sorriu para Demetri e entrou na sala que eu tinha saído há minutos, de longe ouvi a voz de Aro.

- Bem vindos convidados!

Meus pêlos da nuca se arrepiaram. Aquilo era o jantar deles. Eu sabia que os olhares de desconfiança, deslumbre e fascínio das pessoas que cruzaram comigo no corredor iam me atormentar a vida inteira. Os gritos ecoaram pelos corredores, gritos de dor e desespero. Eu definitivamente teria que acostumar com a dieta dos Volturi. Demetri percebeu minha reação.

- Não fique assim, isso só acontece três vezes por semana.

E sorriu. O filho da puta sorriu.

- Claro.

Respondi, tentando demonstrar indiferença.

Seu sorriso se alargou. Ele parou em frente a uma porta larga de madeira, com detalhes em ouro. A maçaneta parecia um monte de rosas douradas incrustadas. Não entendi o motivo do luxo. Demetri abriu a porta para mim. Entrei no quarto.

Imenso e nobre, eram as palavras que o descreveria. O piso era todo de granito preto. No canto direito havia uma lareira, em frente um sofá de veludo cor vinho e um tapete. Olhei para o outro lado do quarto, havia um armário de portas pretas em detalhes dourados. Pensei seriamente na minha falta de roupas. Ao lado do armário, havia outra porta, não sabia o que era. Um banheiro? Outra saída para algum corredor? A janela ficava ao fundo, era enorme, ia do chão ao teto, tinha cortinas que raspavam no chão, de um veludo mais escuro do que o sofá.

Mas meus olhos se arregalaram quando eu vi a cama. Gigantesca, com dossel, os lençóis eram pretos e dourados. Linda. Minha vontade era deitar ali e ficar o resto da vida. Caminhei até a cama em passos lentos e passei a mão delicadamente no lençol. Macio, bem macio, não reconheci o tecido.

-Gosta?

Meu coração deu um pulo. Eu não vi que Demetri estava atrás de mim. Eu tinha esquecido completamente do vampiro que me acompanhava quando entrei no cômodo. Estava deslumbrada demais com o quarto de princesa que eu sonhava quando tinha dez anos de idade e lia contos de fadas. Senti-me uma idiota. Ele deve ter percebido meu fascínio. Seu sorriso torto voltou. Ele realmente tinha percebido.

- S-s-sim.

Respondi com a voz trêmula. Merda de fraqueza humana.

- No armário tem roupas. A porta ao lado é um banheiro, pode tomar um banho e descansar. Deve estar cansada, eu acho, não sei como é isso. Aqui ninguém dorme, como já sabe, só Gianna. Providenciaremos um jantar, alguém virá ao seu quarto mais tarde entregá-lo, nunca tivemos uma hóspede humana.

Seu sorriso se alargou exibindo os dentes branquíssimos. Ele tinha covinhas, sua pele era branca e parecia de seda. Percebi que Demetri era mais velho do que Edward, sua idade de vampiro eu não tinha certeza, mas Edward parara com seus perfeitos dezessete anos, Demetri tinha mais cara de homem, se fosse humano, seria um homem de quase trinta anos. Um belo homem de quase trinta anos.

O nariz era reto e os lábios, mesmo esticados pelo sorriso, carnudos. Seu peito subia e descia lentamente. Ele usava um colar por cima da roupa preta com algum símbolo que tentei decifrar. Percebi que de novo estava observando demais. Encontrei os olhos de Demetri, carmins intensos. Meu sangue subiu para as bochechas. Ele sentiu o fluxo e seus olhos escureceram. Ótimo. Engoli em seco. Ele olhou para minha garganta e se aproximou um pouco respirando fundo.

- Bem vinda à Volterra, Isabella.

E saiu, deixando um rastro de aroma de canela onde seu corpo havia estado segundos antes.