- Está uma linda manhã, não está? - Sua alegria era absolutamente incômoda. Kamus temia não conseguir agüentá-la por muito tempo.

- Sim está...

- Aí Kamus, o que você tem?

- Nada, só não quero conversar...

- Ah ta... Desculpe, não queria te incomodar.

- Não é isso... É que, não estou num dia muito bom, é só isso!

- Bom, acho que vou dar um passeio, mas, não pretendo demorar então, caso você mude de idéia e queira conversar a respeito do que está te incomodando, sabe onde me encontrar né?

Apesar da alegria do pisciano ser extremamente irritante conseguiu contagiar um pouco o francês.

- Pode deixar! Mais tarde prometo passar na sua casa para conversarmos.

- Está bem.

Afrodite saiu da 11ª casa pensando quem poderia acompanhá-lo para um passeio. Shura? Não ele era muito chato e impaciente. Aioros e Milo devem estar com uma ressaca daquelas depois da festinha de ontem. Será que Shaka aceita passear comigo?

Chegou então à casa de Virgem. Entrou procurando o indiano e viu uma bela bagunça. Ficou hesitante, mas resolveu começar a recolher as coisas. No templo da sexta casa isso, definitivamente, não era normal.

Shaka apareceu de repente. Seu rosto franzido expressava bem o seu espanto com a presença do outro cavaleiro ali.

- O que faz aqui?

- Saí pra passear e estou procurando companhia... Quer ir comigo?

- Está muito sol... E eu tenho algumas coisas pra fazer...

- Shaka, tem algo errado?

- Não, por quê?

Dite só olhou para toda aquela bagunça e voltou-se para Shaka.

- Um colega me irritou.

- Por acaso, foi o Kamus?

O sueco pode perceber o indiano corar.

- Ele te disse alguma coisa?

- Não, mas ele ta lá todo murcho na casa dele... Nem quis passear...

Shaka continuou calado.

- Sha, quer conversar?

- Ainda não. Preciso digerir esta história direito. Espero que entenda.

- Tudo bem. Mas, caso você precise sabe que pode contar comigo né?

- Claro Dite.

Os dois acabaram de arrumar tudo em silêncio. Dite se despediu do virginiano e continuou a descer as escadas do santuário.

Afrodite esqueceu do passeio e de procurar um acompanhante. Ficou imaginando o que poderia ter acontecido entre aqueles dois. Duas pessoas tão equilibradas mostrando-se tão frágeis. Pensando isso acabou esbarrando em Saga.

- Nossa Dite, tudo bem?

- Sim, é que estava distraído pensando em umas coisas. Bom, mas esqueça. Quando saí de casa queria alguém pra passear comigo, que vir?

- Tudo bem!

Os dois foram em direção à casa de gêmeos. Saga queria trocar de camisa. Ofereceu um sofá para que o outro lhe esperasse. Com Saga pronto, os dois saíram e conversaram bastante.

- Estou me divertindo bastante! Nunca havíamos saído só nós dois não, é?

- É... Acho que não! – respondeu Saga depois de pensar um pouco.

- Você está com fome?

- Um pouco...

- Quer experimentar comida sueca?

- Claro! E vamos testar seus dotes culinários também!

Os dois riram bastante e começaram a voltar para o Santuário. Ao chegarem na 12ª casa foram até a cozinha e Saga perguntou:

- No que posso te ajudar.

- Imagina! Eu vou mostrar meus dotes culinários pra você! Não posso receber auxílio!

- Posso pelo menos colocar a mesa?

- Hum... Está bem, mas nada de ficar bisbilhotando no que estou fazendo. É surpresa!

- Pode deixar.

Saga foi procurando onde ficavam os talheres e a louça do sueco. Ao terminar sua tarefa ficou bem satisfeito com o resultado. Então Dite disse:

- Sabe uma coisa que não tenho?

- O que?

- Um bom vinho! Esqueci-me de comprar quando fui ao mercado. Será que você pode ir pra mim?

- Tenho vários em casa. Qual você prefere?

- Tinto e suave.

- Certo, volto em breve.

Saga agradeceu aos deuses por lhe dar uma boa desculpa para ir até sua casa. Queria trocar de roupa. Afrodite estava tão elegante! E sua figura com roupas de fazer caminhada estava completamente discrepante com o ambiente da casa de Peixes.

Entrou apressado em casa e foi direto ao guarda-roupa. Seu irmão estava no quarto lendo.

- Onde você estava?

- Passeando com Dite. Posso pegar essa sua camisa emprestada?

- Claro. Mas, pra onde você vai?

- Almoçar.

Saga começou a tirar sua camisa enquanto ia até a cozinha pegar o vinho. Colocou-o em cima da mesa e voltou pro quarto. Então decidiu tomar banho. Kanon assistia a tudo intrigado.

O geminiano saiu do banho se vestiu, colocou perfume e começou a sair.

- Saga!

- O que foi Kanon? Ele está me esperando!

Kanon riu e entregou a garrafa de vinho para seu irmão.

- Obrigado, tinha esquecido.

- Eu percebi. Depois você me conta como foi.

- Ta bom.

Kanon voltou à sua cama rindo. É parece que Saga estava se envolvendo com o sueco. Mas, acho que nem mesmo ele se deu conta disso!

[Ele tinha um olhar puro e curioso de uma criança em meio a uma descoberta. De um brilho inocentemente sedutor e atraente.