Ano: 2000
Finn agora era mais famoso do que nunca. Com 18 anos, tinha deixado definitivamente a infância para trás e já era quase um homem. Até do colégio já tinha se formado. Seu corpo adquirira mais forma e ele agora tinha barba para fazer. Isso significava que não era apenas a atenção de meninas novas que ele recebia. Mulheres, inclusive várias mais velhas do que ele, sentiam-se atraídas.
E Finn não podia reclamar, uma vez que ele também se sentia atraído pelas mulheres. Tinha que admitir que a fama ajudava um pouco. Não, um pouco não. Ajudava muito. Não era nada difícil encontrar alguém disposta a dar atenção a ele. Finn era um rapaz em plena forma, seria hipocrisia dizer que não se aproveitava, nem que fosse um pouco, deste lado de sua fama.
Foi no mundo do cinema que conheceu uma garota por quem se interessou bastante. Quinn Fabray era uma linda atriz que estava apenas começando a carreira. Ela fazia parte do elenco do sexto filme de Finn. Os dois não tiveram tantas cenas juntos, mas bastou um olhar para que ele ficasse encantado com sua beleza.
Não demonstrou interesse por ela logo de início, mas, depois de um tempo, terminado as filmagens, os dois se encontraram algumas vezes e Finn deixou claro suas intenções. Teve sorte, pois ela correspondia aos sentimentos dele. E foi assim que Finn Hudson e Quinn Fabray se transformaram no casal jovem mais badalado de Hollywood.
– Namorando? – Rachel exclamou, chocada. – Namorando?
No quarto de Rachel, o melhor amigo dela, Kurt, pegou a revista que ela estivera olhando. Na capa, tinha uma foto de Finn e Quinn juntos.
– Você já sabia disso? – Rachel perguntou.
Ele hesitou antes de responder.
– Mais ou menos.
– O quê? – ela perguntou. – Como não me disse nada?
Kurt se encolheu numa reação instintiva com o grito da garota.
– Acalme-se, Rachel.
– Como quer que eu me acalme? – ela andava de um lado para o outro no quarto agora. – Ele está namorando! – falou, apontando para a revista.
Kurt olhou para a foto de novo.
– Não é a primeira vez que ele sai com uma garota.
– Mas dessa vez ele não está apenas "saindo com ela". – fez o sinal das aspas com os dedos. – Estão namorado! É algo mais sério! Você devia ter me dito alguma coisa.
– Eu disse.
– Mas não que ele estava pensando em namoro sério.
Rachel tinha ouvido Kurt falar que Finn estava andando por aí com Quinn Fabray, mas ele não tinha dito que, o que era apenas um rolo no início, começara a virar namoro de verdade. E agora Rachel tinha que ler a notícia numa revista de fofoca.
– Bom, ainda há a possibilidade de não ser verdade e ser só fofoca. – Kurt sugeriu, meio em dúvida.
Rachel parou de andar e olhou para o amigo.
– Você acha isso mesmo?
Kurt demorou um pouco para responder, depois balançou a cabeça negativamente. Rachel passou as mãos pelo rosto.
– Quer saber, preciso tomar um copo de água, minha garganta está seca. Eu vou descer até a cozinha. – ela foi até a porta e a abriu. – Quer alguma coisa de lá também?
Kurt respondeu que não e Rachel saiu. Desceu as escadas de sua grande casa e foi até a cozinha. Ao entrar, estancou no mesmo lugar instantaneamente. Finn estava ali.
Ai, meu Deus, Finn estava ali!
O rapaz percebeu a presença dela e, ao ver os olhos arregalados da garota, ofereceu um sorriso hesitante.
– Oi, Rachel. – cumprimentou.
Ela engoliu em seco. Se bem que já não agia mais como uma completa muda perto dele, também não conseguia relaxar totalmente. Ainda mais assim, sendo pega de surpresa. Não tinha certeza de quanto tempo demorou ali parada, olhando para ele.
– O-oi... – A voz dela saiu tão fraca que Rachel teve que limpar a garganta e tentar de novo. – Oi. – Não podia dizer que se orgulhava da segunda tentativa, mas tinha sido, digamos, menos ruim.
Ele sorriu novamente ao obter resposta.
– E então... Kurt está aqui com você?
Rachel andou nervosamente para pegar um copo e respondeu que sim balançando a cabeça rapidamente.
– Legal. – foi só o que Finn conseguiu dizer a mais. Era difícil ter uma conversa com ela.
Rachel pegou um copo e viu como sua mão tremia.
– É engraçado, não é? – Finn voltou a falar. Ficava incomodado por estar num lugar com uma pessoa sem ter o que dizer. – Que você seja melhor amiga de Kurt e eu seja melhor amigo de Puck?
De costas para ele, Rachel segurou o copo com as duas mãos, para ter mais firmeza, e deu um gole na água, sentindo o líquido aliviar o nó tinha na garganta.
– Acho que sim. – respondeu, mas a voz ainda saiu fraca e baixa.
Depois disso, Finn já não sabia o que dizer e ficou em silêncio. Depois de passados cinco anos que a conhecia, Rachel ainda nutria algum tipo de idolatria cega por ele. Ouvia Puck e Kurt dizendo o quanto ela era uma garota legal, mas Finn achava difícil de imaginar. Se fosse, era uma pena que não conseguia mostrar isso a ele, porque, na verdade, a impressão que ele tinha de Rachel era a mesma que tinha em relação àquelas meninas que tentavam agarrá-lo e até mesmo arrancar uma peça de sua roupa nas ruas.
Ficava agradecido pela admiração da garota, quem sabe podia retribuir oferecendo um certo grau de amizade, mas nem isso era possível. Pelo menos agora ela conseguia formar frases inteiras para ele. E, quando não se dirigia a ele exatamente, podia até manter uma curta conversa com outras pessoas.
– Eu soube que você já comprou o ingresso antecipado para meu próximo filme. – Finn tentou novamente.
De repente, Rachel se virou e deu um amplo sorriso, ficando mais animada. Finn não pôde deixar de notar que ela tinha um belo sorriso.
– Uhum... – ela respondeu e depois ficou em silêncio de novo. – Eles davam um pôster de você a quem comprasse antecipado. – Ela acrescentou, quando ele achava que tinha voltado a ficar muda. Mas foi de cabeça baixa e de forma bem rápida, mostrando que ainda estava nervosa.
– Ah... – ele sorriu de forma simpática. – Era só ter me dito, eu tenho vários desses pôsteres em casa. – Finn disso isso só por dizer. Sabia que ela dificilmente pediria algo a ele.
Rachel voltou a se calar. Estava envergonhada e se sentindo uma boba. Ela tinha vários do mesmo pôster que ganhara na bilheteria do cinema, mas guardar os brindes que recebia ao comprar ingressos dos filmes dele já tinha virado uma tradição para ela. Sem saber como agir, voltou a se ocupar colocando outro copo de água, virando as costas para ele mais uma vez.
Finn a observou meio de longe. Não queria deixá-la mais nervosa ficando tão perto e a cozinha, de tamanho bem considerável, permitia isso. Rachel usava um conjunto de pijama de short e camisa. Era um short bem curto, aliás. Estava mesmo fazendo calor em Los Angeles.
Então, pensando nisso, ele focalizou o short dela. O que fez com que notasse que Rachel já estava deixando de ser uma criança. Achou até que ela estava começando a adquirir um par de pernas bonitas e também tinha o bumbum que...
– Finn, aí você está.
Ele se sobressaltou ao ouvir a voz de Quinn. Viu que Rachel também tinha tomado um susto e olhava para a outra com os olhos mais arregalados do que os que tinha, quando olhou para ele anteriormente.
– Estava procurando por você. – Quinn continuou a dizer. – Já saí do banheiro faz um tempão. – terminou de falar notando que Rachel estava lá. – Oi.
Rachel demorou uns instantes para se dar conta de que Quinn estava falando com ela.
– Ah... – balbuciou. – Oi.
Quinn voltou a falar com Finn e, então, a única coisa que Rachel podia pensar era em como Puck era um traidor.
Só podia ter sido ele quem havia trazido Quinn até a casa deles. Quer dizer, ela devia ter vindo com Finn, claro, mas Puck com certeza sabia que ela viria e não disse nada a Rachel.
Naquele momento, viu quando Quinn se aproximou de Finn e deu um rápido beijo nos lábios dele. Rachel desviou o olhar, encolhendo-se involuntariamente.
– Já está na hora de irmos, não? – Quinn perguntou.
Finn respondeu que sim e se afastou do balcão no qual estivera encostado. Estava querendo mesmo ir embora dali. Sentia-se fora de lugar na presença de Rachel. E quando Quinn o beijara rapidamente, só fizera aumentar o desconforto. Ele olhara de canto para ver a reação dela, com medo que a garota de repente começasse a chorar, mas Rachel não estava olhando. Pelo menos não quando ele olhou para ela.
O casal se dirigiu até a porta de saída da cozinha.
– Boa noite, Rachel. – desejou Finn.
Ela forçou um sorriso como resposta.
Ano: 2003
– Finn e Quinn vão se casar? – Rachel perguntou, horrorizada. – Com apenas 21 anos? Eles não são muito novos para isso, não? Pelo amor de Deus, Finn tem a vida toda pela frente ainda, não pode se casar com Quinn Fabray.
Kurt fez uma cara de descrente.
– Por que será que eu acho que você não estaria se importando tanto com a idade dele se a noiva fosse você?
Rachel não respondeu, no lugar disso, soltou um grunhido.
– Não faça perguntas difíceis. – falou, finalmente.
Kurt gargalhou e balançou a cabeça de um lado para o outro lentamente, ao mesmo tempo em que ajeitava a mochila nas costas. Os dois estavam saindo do colégio naquele momento. Depois de terem se conhecido, Kurt e Rachel passaram a estudar juntos.
– Rachel, você deveria fazer o mesmo que ele. – Kurt disse.
Rachel olhou para ele com a testa franzida.
– Está dizendo que eu deveria me casar?
– Claro que não. Casar não, mas sair com outros meninos. – Kurt viu Rachel fazer cara feia devido ao comentário e continuou: – Você não pode passar o resto da sua vida esperando que Finn se apaixone por você de uma hora para a outra.
Rachel não respondeu e continuou andando ao lado de Kurt. Lembrou-se de quando ouviu Finn dizer a Puck que estava brigado com Quinn, há algumas semanas atrás, e de como tinha ficado feliz ao ouvir isso. Obviamente, sentia muito por ele estar triste, mas uma hora a tristeza iria passar, não é?
Chegara a pensar que os dois tinham terminado o namoro de vez, mas alguns dias depois, voltaram a ficar juntos. E agora, para piorar a situação, eles iam se casar. Ainda não tinha saído em nenhuma revista, Kurt achara melhor dizer a ela antes que isso acontecesse.
Mas não significava que doía menos.
Parecia que o coração dela estava sendo apertado por uma garra e ela sentia um pouco de falta de ar. Foi por isso que parou no meio do corredor e se encostou contra a parede, sentindo-se meio tonta.
Dias mais tarde, Rachel estava sentada em seu canto na mesa reservada aos Berry, no dia da festa de noivado de Finn e Quinn. Desolada, ela observava o casal andar pelo salão da mansão da família Hudson-Hummel, cumprimentado os convidados e parecendo apaixonados.
– Você está péssima. – Kurt chegou perto dela e falou.
– Obrigada. – respondeu, ainda olhando para o casal. – Você é de grande ajuda.
Kurt balançou a cabeça e rolou os olhos.
– Ai, Deus, Rachel. – sentou-se na cadeira ao lado da dela. – Olha para mim. – mas Rachel não olhou. Kurt segurou o rosto dela entre as mãos e a obrigou a virar para ele. – Para com isso.
– Parar com o quê? – ela perguntou, ainda com o rosto entre as mãos dele.
– Parar de viver dentro de uma fantasia. – Kurt tentou falar isso com a maior delicadeza possível. – Eu sou seu amigo e te adoro, por isso tento não te deixar triste, mas Rachel, olhe em volta.
– Não posso, você está prendendo minha cabeça.
Kurt soltou o rosto dela e colocou as costas no encosto da cadeira.
– Então olhe agora. Olhe e veja o que está acontecendo. Eles estão noivos e vão se casar. – Kurt viu os olhos de Rachel lacrimejando um pouco, mas continuou, decidido. – Você tem que parar de viver achando que a fantasia que criou dentro de sua cabeça vai se tornar realidade.
– Você sempre disse que o meu lado sonhador é uma das coisas mais fofas sobre minha personalidade.
– E é! Mas não quando isso está atrasando sua vida.
– Eu não estou atrasando minha vida.
Ele fez uma expressão de que era óbvio que ela estava.
– Qual foi o último namorado que você teve? Ou melhor! Quando foi a última vez que você sequer deixou um garoto se aproximar de você?
– Bom, você está a uma distância bem pequena de mim neste momento.
Kurt soltou o ar dos pulmões de forma impaciente.
– Não se faça de desentendida. – falou e depois deu uma pausa antes de continuar. – Lembra-se de Sam Evans? Ele estava obviamente interessado e você fez uma cara tão feia quando ele fez menção ao fato, que o garoto saiu correndo com medo.
– Não é verdade. – Rachel falou de braços cruzados e cabeça baixa.
– Sim, é verdade.
Os dois pararam de falar por uns instantes e Rachel voltou a olhar para Finn e Quinn. Kurt seguiu o olhar dela.
– Finn é realmente um máximo, eu não poderia ter ganhado um irmão melhor, mas ele é uma pessoa como qualquer outra. O problema é que você criou uma imagem de idolatria dele dentro da sua cabeça com a qual nenhum outro garoto pode competir. É simplesmente impossível que algum deles chegue perto da ideia que você tem do Finn.
– O que está dizendo que eu deveria fazer? Sair com Sam?
Kurt afirmou firmemente com a cabeça.
– Com ele ou com qualquer outro. Você tem que dar uma chance a algum deles. Afinal, não é como se faltassem pretendentes.
– Mas... – ela começou, sentindo-se cada vez mais triste. – Mas eu não gosto de nenhum deles.
– Porque você não se dá a chance de gostar de nenhum deles.
Rachel parou por um momento e Kurt deu um tempo para que ela pensasse no que ele tinha dito e então acrescentou:
– Eu não te disse isso antes, mas... Sinceramente? Finn não está nem aí para você. – Kurt sentiu uma pontada de culpa ao ver o olhar que Rachel lançou a ele, mas chegou um momento em que a verdade tinha que ser dita na cada dela. Apesar de que Kurt sabia que, no fundo, Rachel já sabia de tudo isso, só não queria enxergar a realidade. – E se você continuar assim, ele vai continuar a ter a mesma opinião. A verdade é que ele olha para você e vê mais uma das fãs bobinhas que ele tem aos montes. E para piorar, você é irmã mais nova do melhor amigo dele, o que significa que Finn te vê como uma pirralha. Foi assim que ele te conheceu e é assim que ele te vê até hoje.
Enquanto falava, ele viu o lábio inferior de Rachel ficar cada vez mais trêmulo. Mas Kurt sabia que por mais que o tempo passasse, por mais que ela crescesse, Finn nunca deixaria de vê-la como a irmãzinha de Puck, nada mais que isso. E Kurt sabia disso, porque era o que o próprio Finn dizia. Mesmo que agora ela já fosse uma adolescente, Finn falava dela como se ela tivesse 12 anos. Basicamente, Finn a via da mesma forma que Puck.
– Talvez ele ainda te veja assim porque foi mais ou menos nessa idade que ele te conheceu. – Kurt continuou a falar para uma apática Rachel. – Ou talvez seja porque na frente dele você não consegue ser você. Entende o que eu quero dizer?
– Eu não sou mais aquela menininha que ficava muda quando o via.
– Mas também não consegue ser essa adolescente que se tornou. Não na frente dele. Quem sabe se você seguir com a sua vida, projetar outras coisas para o seu futuro, quem sabe assim ele passe a te ver com outros olhos.
Rachel encolheu os ombros.
– Do que é que adiantaria? Você mesmo falou, olhe em volta. Ele está prestes a se casar.
– Bom, isso é verdade, mas não muda o fato de que você tem que seguir com sua própria vida. Pelo contrário, faz com que isso seja ainda mais necessário.
Rachel olhou para sua frente outra vez e viu Finn dando um intenso beijo em Quinn. O coração dela falhou uma batida.
– Ele sempre foi o meu maior ídolo. – falou, em voz baixa e fraca.
– Exatamente. – Kurt concordou. – Finn é uma pessoa normal, mas você insiste em vê-lo com olhos de fã. Nunca conseguiu falar com ele tempo o suficiente para conhecê-lo de verdade. – e então, Kurt riu. – Talvez até você nem gostasse dele, se o conhecesse de verdade.
Rachel negou.
– Isso não seria possível.
– Nunca se sabe. – Kurt decidiu que precisava segurar o rosto dela para olhá-la olho no olho de novo. – Resumindo, Rachel. Você tem que parar de viver dentro de uma fantasia e começar a viver a vida real. Dê uma chance a si mesma. Finn não é o único cara legal deste mundo, acredite em mim.
Esse capítulo é o fim da primeira fase da fic.
Obrigada pelas reviews e também às pessoas que favoritaram e marcaram a opção de alerta. :)
