Título: The Sweet Escape
Summary, capítulo 4: Grimmjow e Renji recebem uma visitinha, só que ela não foi exatamente convidada.
Rating e avisos: M; sem spoilers, YAOI. Grimmjow é boca-suja e o Renji às vezes vai pra mesma linha.
Disclaimer: Bleach is © Tite Kubo
The Sweet Escape is © Gwen Stefani. A música foi usada apenas para os títulos e o título da própria fic.
Comentários: Sim, Puri-Purishira, tem continuação sim. Hehe, eu ando tão feliz com os resultados dessa fic e é tão prazeroso pra mim postar ela, até porque eu sou loucamente louca pelos dois e... Bah, que falta de novidade.
Eu gosto desse capítulo. Gosto do visitante deles (gosto? que delicada que eu sou), gosto dos dois, gosto de quem manda reviews (isso foi uma indireta *-*), enfim... Espero que gostem :D
AND I COULD BE YOUR FAVORITE GIRL
– Grimmjow...
– Quê? – Renji virou no sofá que estava na sala, focando o Espada. Eles haviam estabelecido um sistema simples em casa e demoraram coisa de uma semana para encontrar um lugar para ficar, e não estavam em Karakura, até porque, seria meio óbvio procurá-los por lá. O fato é que eles caminharam um bocado (no sentido figurado, ou não, mas o fato é que eles usaram seus respectivos Shunpo e Sonido) até encontrar um local "fixo". O condomínio era forrado de diversos apartamentos quarto-sala-cozinha-banheiro e o deles estava particularmente bagunçado.
Grimmjow havia se recusado terminantemente a trabalhar (como se ele fosse mesmo mexer um dedo para isso) e, portanto, Renji estava contando com o dinheiro recentemente fornecido pela Soul Society aos Shinigamis que têm estadias longas na terra. Era bastante, até, mas dificultava um pouco a vida para sustentar duas pessoas— e uma como Grimmjow, meio que contava como duas.
– Até quando vamos permanecer assim?
– Como?
Renji semicerrou os olhos, suspeitando que o outro estivesse se fazendo de idiota, e de certo estava mesmo. Ele parecia bem concentrado no Quiz que passava na televisão enquanto Renji falava. Grimmjow nunca sequer havia olhado para um aparelho de TV, era compreensível que ele ficasse assim. – Ah, você sabe, assim... Morando aqui... Sei lá.
– Até o Aizen notar que eu estou demorando demais pra levar aquelas duas pro Las Noches e resolver mandar o Tousen atrás de mim de novo... Ou até a Soul Society dar na sua falta.
– Você tá insinuando que ninguém liga se eu não aparecer?
– Eu não falei nada disso, mas pelo jeito não houve comoção pra te procurar.
O ruivo revirou os olhos e levantou do sofá, desligando a televisão pelo botão principal do aparelho, impedindo Grimmjow de ligá-la novamente com o controle remoto. – Eu tava vendo isso! – Ele reclamou, apontando para a TV e logo em seguida, atirou o controle para o outro lado do sofá e se estirou no móvel.
– Vou dar uma volta por aí...
– Tá, mas pode pelo menos ligar a TV de novo?
Renji o ignorou completamente – embora tenha forçado o maxilar de raiva – e rumou para fora do apartamento, batendo a porta com força nas costas ao sair.
Ele desceu as escadas até a rua e caminhou pela cidade onde estavam – era grande, para poder mascará-los entre a multidão (embora um cara de cabelo vermelho e outro de cabelo azul não saiam exatamente despercebidos por aí). Mas bem, pelo menos não era o tipo de lugar onde todo mundo se conhecia e assim, novatos seriam o assunto principal.
E quando se trata de dois novatos homens indo morar juntos, não seria um assunto muito bom... E Renji sempre foi chato com essa coisa de pessoas falando sobre ele. Mesmo que não o conhecessem ou vice-versa.
Enquanto o Shinigami caminhava na calçada, ele suspirou pensando nos momentos partilhados com Grimmjow na semana que se passou após terem saído da Urahara Shop. Como ele já havia sentido anteriormente, a onda de emoções que havia no coração daquela pessoa era muito intensa; quase difícil de encarar. Ele podia estar explodindo de paixão por Renji em um minuto e no próximo, tão frio quanto a cor de seus cabelos fazia Renji se lembrar do gelo.
O fato é que toda a paixão que Grimmjow tinha para lhe oferecer era muito mais intensa e valiosa do que os momentos em que ele ficava apático. Ele não sabia se isso era egoísmo de sua parte, mas sabia que estar perto do Espada o fazia sentir-se bem... E quando estavam com os corpos enroscados, a troca de sentimentos à flor da pele e o coração retumbando em perfeita harmonia, Renji sabia que era aquilo que ele vinha procurando— que tanto imaginava que talvez encontrasse em seu capitão, mas no fim, estava na última pessoa pensada no mundo todo. Alguém que na verdade, ele mal conhecia. Só havia ouvido de nome através de Ichigo.
Quando Renji ergueu a cabeça para olhar adiante, seus olhos captaram por um vago segundo a imagem de seu capitão caminhando em sua direção e ele estava com seu haori branco, o que significava que estava ali como um Shinigami, e não com uma gigai ou qualquer coisa que o valha.
Renji virou na primeira esquina que encontrou e apressou o passo, acreditando ter visto coisas e quando chegou ao outro lado da rua, trombou direto em uma pessoa e quando seus olhos tomaram coragem para encarar o indivíduo... Kuchiki Byakuya estava parado diante dele e o ruivo sentiu o coração parar por um milésimo de segundo que lhe pareceu uma eternidade.
– Renji.
– K... Kuchiki-taichou.
Houve um instante onde Renji pensou ter captado no rosto de Byakuya um sutil sorriso— imperceptível a olhos leigos, como basicamente todas as emoções do capitão. Renji, porém, com tamanho tempo de convivência com o homem acabou por acostumar-se com a feição quase inexpressiva do mais velho e, portanto, conseguia visualizar a mais discreta mudança de humor que a linguagem corporal de qualquer um pode transmitir.
– Te procurei por toda parte. Você falhou na sua missão, pelo que eu pude perceber. Não era motivo para fugir do Seireitei.
– Eu não fugi, Kuchiki-taichou, eu...
– Não importa, agora você deve voltar.
O ruivo encarou seu capitão com olhos sérios e sem piscar, abanou a cabeça em negação. Por que— mas por que diabos Byakuya havia ido pessoalmente buscá-lo? Aliás, procurar por ele no mundo real? Normalmente ele mandaria um subordinado do 6º esquadrão. Não seria de surpreender, mas aquilo sim fazia o queixo de Renji pender no ar por alguns instantes.
– Isso está fora de cogitação no momento, Kuchiki-taichou, me perdoe.
– Fora de cogitação está você me desobedecer. Vamos voltar ao Seireitei imediatamente.
Quando Renji abriu a boca para falar, Byakuya deu um passo adiante e parou perto de seu sub-capitão – tão perto que o ruivo, de forma bastante incômoda, podia sentir o peito de Byakuya roçar-se ao seu quando este inspirava o ar à sua volta. Incômoda, digo, porque isso não o agradava... Ao menos não no momento. Mas quando houve o momento onde Renji gostaria de estar próximo de Byakuya, isso não aconteceu. – Renji...
– Sinto muito, Kuchiki-taichou.
– Você está aqui sobre ordens superiores?
– Não, senhor.
– Então por que você quer tanto ficar aqui?
"Porque eu estou fazendo um teste emocional comigo mesmo e morando com um inimigo" não parecia a melhor resposta a ser dada, mas era a única, portanto, Renji apenas se calou.
Obviamente Byakuya não se satisfez com o silêncio de consentimento de seu sub-capitão; sua reiatsu se estendeu de forma tremenda a ponto de fazer o ruivo sentir seu corpo ser pressionado para baixo. Renji ofegou, mas manteve com orgulho sua posição de negação a voltar ao Seireitei.
– Renji, eu preciso que volte. – Silêncio novamente e Byakuya piscou os olhos.
No meio-tempo do piscar de olhos do capitão, Grimmjow surgiu entre os dois como se tivesse simplesmente se materializado no ar e Renji arregalou os olhos com o susto. Byakuya, porém, sequer se mexeu. O sub-capitão pegou no ombro de Grimmjow e o puxou com força para trás. Ele estava com seu uniforme Espada (Urahara-san fez outro, viva ele), o que significava o óbvio— ele havia saído de sua gigai e agora sua reiatsu assustadora de Hollow estava espalhada gratuitamente; ele sequer estava tentando suprimi-la.
– Seu imbecil, por que você saiu da gigai?
– Eu senti a reiatsu do capitão e vim verificar. Obviamente eu estava certo.
Byakuya e Grimmjow trocaram olhares cheios de faíscas de ódio; o rosto do capitão estava impassível, mas seus olhos gritavam sua amargura ao ver Grimmjow parado diante de Renji. Já o Espada, por sua conta, estava com o rosto retorcido com o sentimento ruim que o engolia o coração no momento, e aquele maldito— aquele desgraçado Kuchiki havia vindo atrás do Renji.
No momento, Renji pertencia a ele. E aquele idiota não o tiraria de Grimmjow.
– Renji... Você não só falhou em sua missão como se juntou ao inimigo?
– Eu não me juntei, taichou, eu...
– Kuchiki Byakuya, hein? – A voz de Grimmjow sobressaltou-se à do Shinigami e este se calou imediatamente. – Veio atrás do seu cachorrinho? Sinto muito, a coleira dele foi trocada faz tempo. Pode sair daqui se não quiser que eu te arranque essas porras da cabeça depois de te cortar. – Ele indicou o kenseikan que adornava o cabelo de Byakuya com a mão num gesto desdenhoso.
Renji fez uma expressão indignada para a referência à sua pessoa como cachorrinho, mas não se manifestou porque não houve tempo.
– Sua boca é tão suja quanto sua raça.
– Não abra a sua boca para falar assim comigo.
O ruivo puxou Grimmjow pelo ombro novamente com força e os dois encontraram-se frente a frente, encarando um ao outro com aquele olhar reprovador que havia surgido entre eles uma ou duas vezes quando o assunto era "Seireitei" ou "Las Noches". – Grimmjow.
– Renji, sinceramente, pare com essa merda. Você vai voltar pra ele por acaso?
Silêncio. Sim, Grimmjow agora o chamava de "Renji". Já havia intimidade suficiente, afinal.
– Eu vou ter que lutar contra ele por você, é isso que você quer?
– Não espere que eu faça isso. – Byakuya interrompeu a discussão com sua voz suave e Grimmjow virou o rosto com ódio, tal como tivesse interpretado a fala como uma desvalorização da pessoa que Renji era e nos últimos dias, o Espada vinha dando altíssimo valor ao seu Shinigami. E não havia sequer pensamento sobre perdoar aquele desdém. – Eu posso facilmente substituí-lo se quiser, mas ele vai ser executado de uma forma ou de outra.
Enquanto o coração de Grimmjow retumbava com a adrenalina liberada pela ira, Renji sentia o seu se espremer com tamanha mágoa dentro do peito; a figura de respeito que Byakuya sempre foi para ele esvaía-se com aquelas palavras duras. Há uns instantes, ele dizia que precisava que Renji voltasse para o Seireitei— ótimo, era somente um jogo de palavras para fazê-lo voltar e executá-lo?
O rosto de Renji baixou-se, o queixo quase tocando no peito e ele respirou fundo.
Grimmjow o olhou de esguelha, sentindo claramente que o ruivo havia ficado extremamente magoado com aquelas palavras e ah não— ninguém, absolutamente ninguém, tinha mais o direito de machucá-lo.
Só ele mesmo podia. Mais ninguém. Não que ele planejasse ferir os sentimentos de Renji; mas creio que deu pra entender o que eu quis dizer.
O Espada estendeu a mão na direção do rosto de Byakuya e a fração de segundo necessária para seu Cero formar-se foi o suficiente para Renji ver os olhos escuros do Kuchiki arregalarem-se com o movimento inesperado. Houve uma explosão após a expansão do ataque e as pouquíssimas pessoas que estavam ali próximas gritaram desesperadas e Byakuya já estava no topo de um dos prédios, ileso.
– FILHO DA PUTA!
– Grimmjow! – Exclamou Renji, apavorado com a agitação que aquilo havia causado. – Seu idiota!
– Idiota é aquele retardado, como você deixa ele falar assim com você? – Grimmjow bufou e quando Renji esticou a mão para tocar o braço do Espada, ele desapareceu com seu Sonido, evaporando no ar. Segundos depois, Grimmjow estava no topo do mesmo prédio de Byakuya, empunhando sua Pantera com orgulho para defender Renji, e particularmente tentar cortar fora a cabeça do capitão.
Renji só conseguiu pensar que Grimmjow atrairia todos os Shinigamis do Seireitei após liberar tanta reiatsu Hollow— não, Espada. E que ele era um idiota por ser tão imprudente.
Correndo, já que não podia simplesmente largar sua gigai no meio da rua, o Shinigami chegou ao topo do mesmo prédio onde Grimmjow agitava freneticamente sua zanpakutou para tentar acertar Byakuya e o capitão desviava com rapidez, além de eventualmente usar a sua Senbonzakura para evitar os ataques.
Assim que Renji saiu de sua gigai, ele empunhou a espada e pôs-se na frente de Byakuya. As lâminas da Zabimaru de Renji e da espada de Grimmjow chocaram-se com intensidade e os olhos azuis do mais alto arregalaram-se com o espanto.
– O que você pensa que está fazendo? – O Espada rosnou entre dentes e Renji o olhou firmemente.
– Te impedindo de fazer uma idiotice. Ele vai te matar.
– Escute ele, Espada.
– NÃO SE META! – Grimmjow explodiu e seu maior pecado tomou conta de todo seu corpo. Ira.
Não se importou com o que Renji ia pensar, ou com o que ia fazer depois. Simplesmente afastou sua zanpakutou da do Shinigami e num movimento altamente ágil, acertou-lhe o braço com a lâmina e jogou Renji para o outro lado. O corpo do ruivo se chocou contra uma das paredes do alto do prédio e ele caiu, sentindo o sangue escorrer pelo braço.
O clima pesou por segundos após a queda de Renji ao chão, como se o espanto tivesse tomado conta de todos – até mesmo do causador do momento.
– Grimmjow... – A voz de Renji não se fez ouvir, mas ele resmungou mesmo assim.
O Espada tirou vantagem do momento de espanto de todos e recobrou a consciência com mais rapidez, erguendo o braço e seu Cero mais uma vez tomava forma diante da palma. O brilho vermelho expandiu-se, mas a reiatsu de Byakuya desapareceu assim que isso aconteceu e a parede do outro lado explodiu.
Ele havia ido embora. Grimmjow só conseguiu pensar que ele era um covarde nojento.
Guardando a Pantera na bainha, Grimmjow adiantou-se até Renji e se agachou diante dele, estendendo a mão para tocar o ferimento, mas o ruivo evitou o contato com rapidez. Complacente, Grimmjow assentiu. – Não me importo que você queira me matar agora. Ainda vai me agradecer por isso. Agora, pare de frescura e me deixe te levar de volta, depois eu volto para buscar sua gigai.
Renji não respondeu, mas também não se calou— ele tinha que perguntar, não conseguia se conter. – Por que você fez isso?
– Eu tenho a mínima honra de defender quem se coloca na reta para me ajudar. E você obviamente se arriscou mostrando a cara para aquele cara de Karakura.
– Só isso?
O Espada calou-se— foi o necessário para Renji deduzir o óbvio. Havia algo atrás dessa intenção "honrosa" à qual Grimmjow se referia, mas não era necessário falar. Saber que Grimmjow se importava já era o suficiente por instância. – Tudo bem... Mas não espere que eu apague da minha cabeça que você me cortou e me jogou pra longe desse jeito.
– Puta, você nunca vai deixar de ser chatinho assim? Nem foi um corte tão grave. Eu fiz o que tive que fazer. Preferia que ele te levasse e te executasse?
– Claro que não... – Renji resmungou enquanto colocava-se de pé e apertou com força o braço cortado. Grimmjow franziu a sobrancelha e apoiou um dos pés na parede, curvando-se para alcançar o tecido branco da calça de seu uniforme Espada e rasgou um pedaço grande. Baixou o pé e segurou no braço do ruivo, laçando o ferimento e fez um nó forte para estancar o sangue. – Obrigado.
– Não há de quê. – Ele pôde sentir um tom irônico na voz de Grimmjow, e sorriu amarelo.
Grimmjow adiantou-se até a gigai de Renji e pegou-o pela cintura, colocando no ombro como se fosse uma boneca de pano e sinceramente, isso fez com que o Shinigami se sentisse um pouco deprimido. Era meio patético. Fato é, Grimmjow voltou até onde Renji estava e ofereceu seu outro ombro para ajudá-lo a voltarem ao apartamento.
Concordando pacientemente, Renji passou o braço pelo pescoço do Espada e eles voltaram de onde jamais deviam ter saído em pouco tempo com o Sonido de Grimmjow.
Chegando lá, Grimmjow largou a gigai do ruivo ao lado da porta e o encaminhou até o sofá. Renji se soltou nas almofadas e pôs as pernas para cima, suspirando estressado. Deus, que confusão; mas agora, pensando bem no assunto, eles teriam que sair dali porque não devia ser difícil encontrá-los depois disso. E Byakuya certamente não deixaria barato, com toda aquela história de "regras" e essa bobagem toda.
Quando o Espada parou de pé ao lado do sofá, Renji virou-se para olhá-lo e seus olhos se inquietaram por alguns segundos até alcançarem os olhos azuis de Grimmjow e lhe sorrir. – Não sei o que passa na sua cabeça, mas eu estou, no momento, feliz por você ter feito tudo isso. Mesmo que eu não saiba seus motivos de verdade.
– Meus motivos não importam. – Grimmjow fez um gesto com a mão e Renji abriu um pouco de espaço para ele se sentar. Assim que o fez, Grimmjow encostou a mão no espaço aberto do peito entre a Shikakushou do ruivo e massageou calmamente com a ponta dos dedos. Renji fechou os olhos, deixando-se levar pelo toque do outro e em poucos segundos sabia que ele havia trazido seus lábios para perto, afinal a respiração quente era facilmente sentida na pele.
Eles se beijaram e Renji ergueu o braço bom para o topo da cabeça do outro, passando os dedos pelos fios de cabelo azul e num movimento do pescoço, seu queixo roçou na máscara Hollow de Grimmjow (ele ainda estava idiotamente fora de sua gigai) e isso fez com que o Shinigami imediatamente se afastasse. – Vá de volta pra sua gigai e me traga a minha... Não dá pra se dar ao luxo de ficar fora delas.
– Ah... Mas eu quero olhar você um pouco mais nessa roupa.
– Grimmjow, eu visto um kimono depois—
Aham, claro.
– Agora, vai lá.
– Quer um chazinho também? – Grimmjow resmungou ofendido (obviamente sabendo que o lance do kimono era mentira) e se levantou após bufar. Em alguns instantes, estava de volta à sua gigai e trazia a de Renji de volta para ele. O ruivo levantou-se e assim que voltou à gigai, ele mexeu o braço atingido sentindo que a dor era apenas superficial. A tecnologia de Urahara era bem útil nessas horas.
– E agora? O que a gente vai fazer? – Renji perguntou seriamente, pondo-se de pé diante o outro, que estava parado perto do sofá com as mãos no bolso da calça. Grimmjow moveu a cabeça em negação, fazendo subentender-se que não fazia a menor ideia e adiantou-se até o Shinigami, segurando os lados da cabeça dele com força. Era com a intenção de imobilizar o ruivo, mesmo, a fim então de evitar que ele desviasse o olhar.
– "A gente" eu não sei, mas eu vou te derrubar no sofá agora. – Grimmjow sorriu com um ar divertido e até mesmo arrancou um sorriso dos lábios de Renji, ao menos um segundo antes de tombar o ruivo no sofá e passar o corpo por cima dele. – Não sei o que me dá na cabeça, Renji. Simplesmente não faz o menor sentido. E eu também nem quero saber, porque eu sou o tipo de pessoa que se importa com o agora. Justificar o que eu sinto por você só vai fazer importância pro futuro e...
– O quê? – Renji incentivou-o com a pergunta após sentir a hesitação na voz quase decidida do outro.
– Agora eu prefiro apenas demonstrar. – Ele continuou com um tom um pouco mais rude, mas nada muito grave. Grimmjow curvou-se e seus braços passaram por baixo dos do ruivo, abraçando-o com força contra si e eles se beijaram. A paixão que eles partilhavam agora parecia mais intensa e mesmo que aqueles cabelos fizessem Renji lembrar-se da frieza que Grimmjow por vezes exibia, não importava quantas vezes ele pensasse nisso... O calor do sentimento que o Espada demonstrava agora era mais do que o suficiente para derreter não só a sua própria frieza, mas o coração de Renji.
Grimmjow por sua vez sabia que era tudo uma questão de defensiva; dizer que não entendia o que sentia não era simplesmente "falar por falar", mas a mais pura sinceridade. Só que o Espada nunca foi de procurar compreender o motivo das coisas, mas senti-las ao máximo e qualquer sentimento que fosse devia ser explorado até o fim. A sua hesitação era simplesmente chegar ao ponto de fazer o que havia feito por Renji naquela tarde e em menos de uma semana chegar à conclusão que seu inimigo havia roubado seu coração. Ele tinha honra e orgulho, mas não assim. Mas por óbvio, não importava quantas vezes tentasse evitar estar perto do Shinigami o tempo todo, seu corpo automaticamente respondia a qualquer toque vindo do ruivo e assim, ele não tinha outra opção senão entregar-se ao que sentia, exatamente como estava fazendo agora enquanto deslizava as mãos fortemente pelo lado do corpo de Renji, achando assim que quanto mais força ele aplicasse, mais de Renji ele conseguiria tirar.
Eles se arrancaram as roupas de suas respectivas gigais e o sofá era particularmente o local favorito de Grimmjow naquele apartamento, uma vez que evitava que Renji se mexesse muito. Não que ele não gostasse de brincar um pouco com o ruivo em um lugar amplo, mas bem... A submissão era sempre um importante ponto para alguém com um ego tão grande quanto o Espada. Grimmjow trouxe Renji para si com os braços e passou seu rosto pela pele do ombro e pescoço do ruivo, aspirando o cheiro quase-que permanente e confortável de shampoo que ele tinha nos cabelos e impregnava no pescoço e ombros, afinal ele sempre dormia com os fios soltos e espalhados.
– Grimmjow...
– Sim?
– Cheguei à conclusão que é melhor que você sempre demonstre o que sente ao invés de dizer.
– Então se eu ficar puto, posso te socar?
– Não nesse caso – Renji revirou os olhos e cerrou o punho, segurando os fios de cabelo de Grimmjow entre seus dedos. – Você entendeu...
– Claro que entendi. – O Espada forçou a cabeça para cima e olhou os olhos de Renji por alguns segundos antes de tomar a boca do ruivo para a sua com rapidez e extrema intensidade. Como se o mundo estivesse prestes a acabar e Renji percebeu que essa era a inconsequência que fazia falta em seu mundo. Que era melhor abraçar o "agora" do que sempre depender do "futuro" que talvez não chegasse... E ele não via maneira melhor de fazer isso do que entregar seu corpo para Grimmjow, assim como ele obviamente queria.
Para Renji era apenas figurativo, mas essa necessidade da entrega era a prova de que Grimmjow queria devorá-lo e ter todos os seus pedaços e cada um de seus sentimentos apenas para ele próprio e que mais ninguém pudesse tocá-lo.
E ambos que há uma semana julgavam um "babaca" quem se apaixonava pelo inimigo... Por isso que o passado vai passar a não importar tanto assim, também.
