Epílogo
Nova York, dezembro - 3 anos depois
— Tem leite na geladeira. Fralda e lencinho umedecido estão no banheiro. A chupeta está dentro do congelador, porque ele gosta dela gelada. — Eu fingia não ver a cara de riso de Jake, nem o rolar de olhos de Edward enquanto eu repetia as instruções para Tanya. Ela não deveria estar anotando o que eu estava dizendo?
— Bella, love, não é como se Tanya e Jake fossem ficar com o Luc pela primeira vez — Edward disse se aproximando de mim por trás, massageando meus ombros. — Vai ficar tudo bem, e se eles precisarem de alguma coisa, eles ligam e a gente volta.
— Eu sei — soltei um suspiro e relaxei ao seu toque. — É só que olhe pra ele, tão pequeno, tão indefeso enquanto dorme. É difícil deixá-lo — falei olhando para meu filho dormindo em sua cabaninha perto do sofá, um sorriso abrindo-se instantaneamente em meu rosto.
Eu descobrira que estava grávida cerca de um ano depois do casamento. Não fora planejado, e a gravidez aconteceu em um período de muito trabalho, tanto para mim, quanto para Edward. Mas também, não era como se nós não treinássemos. Na verdade, se pensarmos bem, não sei como não aconteceu antes, já que, como Emmett gostava de dizer, nós dois não conseguimos manter nossas mãos longe um do corpo do outro.
Luc nasceu exatamente dois dias depois da inauguração da minha tão sonhada galeria, a Twilight. Sonho meu e de Edward, já que ele tem uma sala de exposição permanente na galeria só para suas obras. Eu brinco que nosso pequeno sabia como aquele era um momento especial para os pais dele e esperou um pouquinho para que tudo desse certo, como tínhamos planejado. Luc chegou em uma noite fria de outubro, pesando 3,8 kg e medindo 45 cm. O parto foi normal e super tranquilo, para inveja de Alice, que sofreu por horas nos partos das duas filhas e me botou medo durante toda a gravidez. Mas Renee sempre disse que meu quadril largo faria de mim uma boa "parideira".
Pelo jeito minha mãe não estava errada. Eu nunca vou esquecer o momento em que peguei meu filho no colo pela primeira vez, mas isso foi tão especial quanto ver Edward carregando nosso pequeno pela primeira vez, um olhar de verdadeira adoração em seu rosto. Nos primeiros dias não dava muito para definir com quem ele se parecia. Renee dizia que ele tinha o meu nariz, e Esme rebatia dizendo que o queixo era de Edward. Para nós dois, pouco importava. Ele era nosso e era perfeito. Agora que ele estava um pouco maiorzinho, já dava para saber que ele tinha o meu cabelo castanho e os olhos verdes de Edward. O queixo era realmente do pai, e ele sorria meio torto enquanto dormia, exatamente como Edward fazia quando estava feliz.
Havia espaço para tudo em nossa família: para a galeria, para nós como pais com o Luc e para Edward e eu como um casal. Dentro do possível tentávamos ao máximo tirar pelo menos uma noite por mês para sairmos apenas nós dois, independente da quantidade de trabalho e do caos que estivesse nossa vida. Aquele era o nosso momento. E era para uma dessas noites que estávamos nos preparando hoje. Mas eu sempre sofria. Não tinha jeito. Deixar meu pequeno aos cuidados de outra pessoa não era natural para mim. Mesmo que esse alguém fosse suas duas avós ou avôs babões. Eu sei que eles já criaram os filhos, como gostavam de me lembrar. Mas aquele era o MEU filho.
Essa noite era a vez dos padrinhos de Luc, Tanya e Jacob. Aliás, Jake babava tanto no catarrentinho, como ele chamava, para meu desespero, que eu não estranharia que logo, logo chegasse a vez deles de aumentar o número de crianças em nossa turma. Alice e Jazz já tinham duas meninas, e segundo Alice, já estava de bom tamanho; Rose e Emmett estavam grávidos e a pequena Bree era esperada para a última semana do mês; só faltavam Jake e Tanya se juntarem ao rol dos papais.
— Bells, você está me ouvindo? — Jake chamou de repente, e eu pude ouvir Edward rindo atrás de mim, apertando um pouco os meus ombros.
— Desculpa, o que você disse?
— Eu disse que você não precisa se preocupar. Se o catarrentinho começar a chorar, eu dou uma dose de vodca para ele e tenho certeza de que ele voltará a dormir como um anjinho — ele falou, rindo.
— Jake, Jake, você gosta de brincar na cara do perigo — Edward riu.
— Você chega com uma garrafa de bebida perto do meu filho, e vai ver só perto de onde que eu vou chegar com uma faca bem amolada — ameacei. — E você — falei, me virando para Edward, batendo com o dedo indicador em seu peito —, fica rindo das besteiras que ele diz para ver se não sobra para você também.
— Vocês dois, vão logo — Tanya mandou, estendendo minha bolsa e nos dando leves empurrões em direção à porta. — E fique tranquila, Bella, vou cuidar do Luc como se ele fosse meu. Qualquer coisa eu te ligo. Agora vá e divirta-se.
— Promete que liga, se precisar de mim? — perguntei, dando uma última olhada para o pequeno que seguia dormindo.
— Prometemos, Bells. Agora vá se divertir, porque a julgar pelo seu estresse, você está precisando — Jacob disse, deixando um beijo na minha bochecha antes de finalmente eu deixar Edward nos guiar para a noite gelada de Nova York.
Como já era tradição entre a gente, seguimos caminhando por diversas feirinhas de Natal, passando de barraca em barraca, parando para ouvir os vários corais espalhados pela cidade. Agora estávamos patinando, de mãos dadas no ringue de patinação do Bryant Park. Tínhamos patinado ali em nosso primeiro encontro, e Edward fazia questão de repetir o ritual todos os anos desde que voltamos a ficar juntos.
— Será que ano que vem já poderemos trazer o Luc para patinar com a gente? — Edward perguntou, seu olhar acompanhando uma família que patinava junto um pouco à nossa esquerda.
— Desculpa, amor, mas não acho que eles permitam a entrada de uma criança de pouco mais de 2 anos. Além do mais… — mas parei antes que acabasse falando demais. Ainda não era o momento.
— Além do mais o quê?
— Nada. Eu já te contei que foi aqui que você realmente me ganhou no nosso primeiro encontro?
— E eu achando que tinha te ganho pagando seu Cosmopolitan.
— Nah, Jake teria me dado aquele Cosmopolitan mais cedo ou mais tarde para eu deixá-lo em paz. Falando nele, será que está tudo bem em casa?
— Claro que está, amor! Se eles precisassem, eles ligariam — Edward me assegurou, deixando um beijo no topo de minha cabeça. — Mas acho que você ia me contar algo que eu não sei sobre o nosso primeiro encontro?
— Eu soube aqui, enquanto a gente patinava, que você seria a minha perdição. A sua empolgação com um simples patinar no gelo, somado ao seu olhar de menino encantado com todas as luzinhas e enfeites de Natal enquanto passeávamos pela feira… não tinha como não ficar contagiada com tudo aquilo.
— Eu lembro de passar boa parte do tempo pensando o que você acharia se eu te beijasse. Se eu estava interpretando os sinais corretamente. E então você tropeçou caindo diretamente em meus braços e era tudo o que eu precisava para tomar coragem.
— Eu nunca tropecei de verdade — confessei, rindo.
— O quê? — Edward perguntou, parando à minha frente com uma expressão de espanto em seu rosto.
— Eu forjei o tropeço — contei, mordendo meu lábio inferior. — Eu apenas queria que você me beijasse, e resolvi ver se você pegava a dica.
— Como eu nunca soube disso?
— Eu não tinha porque contar. Apenas achei que você já teria percebido, afinal, quantas vezes você me viu tropeçar enquanto patinava em todos esses anos?
— O que mais você esconde de mim, hein, Isabella Marie Cullen? — Edward perguntou, me puxando para junto de si, colando nossos lábios em um beijo suave enquanto as pessoas continuavam passando por nós na pista de patinação.
Tínhamos acabado de jantar e estávamos aproveitando para finalizar nossas compras de Natal. Eu já tinha comprado a maioria dos presentes, mas queria aproveitar a presença de Edward para escolher os presentes de Esme, Carlisle, de Alice e das meninas - afinal, além de sobrinhas dele, Leah, a mais velha, era nossa afilhada - e também de Luc. Mas fazer compras de Natal com Edward era mais cansativo do que sair com Luc, tamanha sua empolgação com os enfeites, as diversas decorações, as músicas natalinas e tudo o mais.
— Às vezes tenho a impressão de que você não teve infância — comentei, rindo enquanto Edward me puxava por entre corredores da loja até o local onde um coral de crianças cantava a centésima canção natalina que eu ouvia naquela noite. — Suas sobrinhas não ficam tão empolgadas com o Natal quanto você, Edward.
— Porque a mãe delas cria elas como se elas fossem duas mini-adultas, e não duas crianças que merecem aproveitar cada segundo da infância — ele respondeu sem tirar os olhos das crianças cantando. — A gente podia trazer o Luc aqui qualquer dia desses. Ele vai adorar isso.
— Claro, amor — concordei, rindo.
No Natal anterior Luc tinha apenas 2 meses, e nem se deu conta das dezenas de enfeites que Edward espalhou por nossa casa e nem das centenas de luzinhas acesas no jardim. Mas esse ano ele já olhava praticamente sem piscar para as luzes piscando na fachada da casa, e se nós não tomássemos cuidado, ele jogaria nossa árvore no chão, agarrando as bolinhas e os enfeites pendurados nela. Se dependesse de Edward, depois de mamã e papa, a próxima palavra de nosso filho seria Noel.
— Acho que terminamos, amor — Edward disse, se aproximando. — Uma gravata para Carlisle, um relógio para Esme, uma bolsa para Alice, uma boneca para cada uma das meninas, e o ferrorama para o Luc.
— Eu só preciso passar na Carter's, e podemos ir.
Eu podia sentir os olhos de Edward em mim enquanto eu andava pela loja, por entre roupas e sapatinhos de recém-nascidos. E depois, enquanto pagava e esperava pelo embrulho do sapatinho.
— Achei que você já tinha comprado algo para a Bree — ele disse enquanto abria a porta do carro para mim.
A casa estava praticamente toda apagada por dentro quando Edward estacionou o carro na calçada em frente. Apenas uma luz fraca vinda da sala, provavelmente Tanya e Jake assistindo a algum filme. Só esperava que não fosse nenhum pornô. Me vi soltando um suspiro ao perceber que Luc provavelmente dormia no andar de cima, e tudo estaria bem. Vendo meu sorriso ao olhar para a casa, Edward deixou um beijo estalado em minha bochecha, antes de se virar para abrir a porta.
— Espera — segurei seu braço. Edward se virou para mim, procurando algo em meu rosto. Normalmente eu estaria ansiosa para entrar e ver nosso pequeno. Não que eu não estivesse. Mas eu precisava fazer algo antes. — Mês que vem a gente faz 3 anos de casados — eu disse, sem olhar diretamente para ele. — Você se arrependeu de ter dito sim em algum momento?
— Você se arrependeu de ter me pedido em casamento? — Edward perguntou, levantando meu queixo e me obrigando a encará-lo.
— Claro que não!
— Então por que eu me arrependeria de ter dito sim?
— Não sei. Só queria ter certeza de que nós dois estamos felizes com o rumo que a nossa vida tomou.
— Bella, amor... Eu posso não ter mais nada. Mas se tiver você e o Luc comigo, então eu terei tudo o que preciso.
— E se surgir mais alguém? — perguntei, mordendo meu lábio.
— Mais alguém? Do que você está falando, amor?
— Abre — pedi, pegando o embrulho da Carter's e colocando em sua mão. — Eu tinha planejado te dar apenas no Natal, mas hoje eu quase deixei escapar mais de uma vez, e sei que não vou conseguir esconder isso de você por muito tempo com os enjoos e tudo mais, então…
— Você está grávida? — Edward gritou, olhando de mim para os sapatinhos em suas mãos. E então me puxou para o seu colo, para um beijo repleto de paixão, enquanto uma de suas mãos acariciava minha barriga, nossas lágrimas se misturando ao beijo. — Há quanto tempo você sabe? — ele perguntou quando finalmente interrompemos o beijo, nossas testas coladas uma na outra.
— Eu já estava suspeitando há um tempinho. Desde aquele jantar na casa da sua irmã, duas semanas atrás. O perfume dela me enjoou absurdamente. Aí depois foi o peixe naquele restaurante que fomos. Semana passada comprei um exame de farmácia quando estava indo para a galeria, e ele confirmou. Mas só consegui marcar uma consulta com a Dra. Robinson para a semana que vem. Se você quiser ir comigo...
— Eu não acredito que você escondeu isso de mim por tanto tempo! — Edward disse, espalhando beijos pelo meu rosto.
— Você está feliz? - perguntei, mordendo meu lábio inferior.
— Se eu estou feliz? Bella, você simplesmente me deu a melhor notícia que alguém poderia me dar. Como eu não estaria feliz?
— Não sei. A gente nunca conversou sobre ter outro filho. Tive medo de você achar que não era um bom momento.
— Minha menina boba — ele deixou um beijo em meus lábios antes de levantar minha blusa, me empurrando um pouco para trás, em direção ao volante, até encostar sua cabeça em minha barriga. — Sua mãe é uma boba, bebê. Mas eu amo ela mais do que tudo nesse mundo. E nós dois já amamos muito você — falou, depositando um beijo em minha barriga antes de voltar a me encarar, seus lábios a centímetros dos meus. — Eu te amo, sua boba. Agora vamos entrar, porque eu tenho muitas ideias para te provar o quanto eu te amo e o quanto eu estou feliz.
E dizendo isso Edward saiu do carro, logo abrindo a porta para mim e me pegando no colo, andando em direção à nossa casa, antes de parar de repente.
— Amor?
— Hum? — perguntei, com a cabeça encaixada no vão do seu pescoço.
— Meu pai às vezes colocava um dedinho de whisky no meu leite e no da Alice, para que a gente dormisse mais calminho. E olha só, aqui estamos nós sãos e salvos. Talvez a Alice tenha ficado com alguma sequela, mas...
— Cala a boca, Edward — falei rindo, mordendo seu pescoço enquanto entrávamos em casa, prontos para os próximos dias, meses e anos.
Dentro de mim eu também sabia que os próximos meses seriam uma loucura, mas enquanto tivéssemos um ao outro, tudo estaria onde deveria estar.
FIM
Quero agradecer a quem teve paciência para chegar até aqui! Foi uma história extremamente difícil de escrever, cheia de momentos de bloqueio criativo, mas se eu pudesse eu colocava minha Bella e meu Edward em um potinho e protegia eles para sempre!
Participar desse amigo oculto me mostrou o quanto eu sinto falta de escrever. E caraca... 10 anos. Parece que foi ontem que eu estava na fila do cinema. Podem falar o que for, mas eu sou muito grata a tudo o que Twilight me trouxe: amizades incríveis, a descoberta da escrita e com ela leitoras incríveis acompanhando todas as minha loucuras e muitas, muitas loucuras e histórias de vida para contar.
Para terminar, deixem reviews, por favor. Vocês não imaginam como é bom ainda receber reviews.
Até a próxima!
