Capítulo 4: Hogwarts

Eu passei o resto do dia contando ao Snape-sensei todos os detalhes sobre aquele dia na floresta, quando o Orochimaru colocou aquele selo maldito no Sasuke-kun. Depois, mostrei a ele nossas estufas e todos os estudos e tentativas frustradas que eu e Tsunade-sama havíamos realizado até ele chegar. Ele analisou tudo atentamente e, juntando amostras de nossas ervas e outros ingredientes usados em antídotos e venenos, decidiu que já podia voltar para sua terra.

Eu ainda estava apreensiva de deixar o Sasuke sozinho no hospital, mas se ir com aquele homem era a única maneira de salvá-lo, despedi-me dos meus pais e segui para o escritório da Hokage, onde deveríamos nos encontrar para partir.

Foi a viagem mais estranha que fiz em minha vida. Eu já tinha visto o Sasuke-kun e o Kakashi-sensei se movimentarem tão rapidamente que davam a impressão que eles desapareciam no ar, mas aquele bruxo me fez desaparecer literalmente de Konoha. Foi um pouco embaraçoso quando ele me abraçou, nossos corpos ficaram tão próximos que eu podia sentir o cheiro dele, e aquilo me fez sentir um frio estranho na barriga. Entretanto, no segundo seguinte eu sentia meu corpo inteiro sendo puxado, e quando abri os olhos, ele já se afastava de mim, e descobri que estava parada num lugar que nunca havia visto antes.

- Severo! Imaginei que você chegaria em breve – um senhor de cabelos e barba brancos e compridos exclamou. – Como foi sua estadia no País do Fogo?

- Dumbledore – o Snape-sensei o cumprimentou com um aceno de cabeça -, esta é a Srta. Sakura Haruno, a aprendiz da Hokage que veio para me ajudar com o antídoto.

- Ah! – O senhor levantou de sua mesa e parou na minha frente, cumprimentando-me com uma reverência. Eu repeti o gesto dele em respeito. – Muito prazer, Sakura-san. Espero que aprecie o Castelo de Hogwarts.

- Eu e a Tsunade-sama ficamos muito gratas pelo senhor ter concordado em nos ajudar – respondi. – Vocês são a nossa última esperança.

Os olhos azuis dele pareceram brilhar por trás das lentes em forma de meia-lua dos óculos que ele usava. Eu me senti totalmente familiarizada com aquele bruxo, ele transmitia uma paz e uma confiança que fizeram meu coração ter a 

certeza de que eu sairia dali com uma cura para o Sasuke. Um sorriso sincero se formou no meu rosto.

- Ah... a Princesa Tsunade! Como gostaria de encontrá-la novamente – ele disse, com um enorme sorriso no rosto. – Mas deixe-me apresentar. Eu sou Alvo Dumbledore, Diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. É um prazer tê-la aqui conosco, Srta. Haruno, e saiba que eu jamais poderia recusar um pedido da Tsunade. Será um prazer poder ajudá-las.

Um pigarro seco do Snape-sensei nos fez virar para a direção dele. Ele parecia muito mal-humorado e o seu olhar, mais sombrio que quando o vi pela primeira vez. Aquilo fez um arrepio cruzar minha espinha...

- Agora que já estão todos devidamente apresentados, como você pretende explicar a presença dessa garota em Hogwarts, Alvo? Ela não tem mais idade para ser uma aluna, mas ainda é muito jovem para se passar por uma professora.

- Cada coisa ao seu tempo, meu rapaz – o Diretor Dumbledore respondeu. Ele acenou para que nos sentássemos nas poltronas em frente à lareira e, depois de eu ver com os meus próprios olhos um bule e xícaras de chá aparecerem apenas com um aceno da varinha dele na mesinha de centro, continuou: - Acredito que a Srta. Haruno precise de um tempo para se recompor. Ainda me lembro da primeira vez que aparatei, foi um susto e tanto... – ele disse, piscando para mim e oferecendo uma xícara de chá.

Realmente, eu ainda me sentia um pouco zonza com aquela viagem. Aceitei o chá que me foi oferecido com prazer, mas assim que o experimentei, me arrependi. Era uma bebida estranha, misturada com leite e açúcar, e que me fez perceber que eu teria que me adaptar a muitas coisas naquele lugar tão diferente de Konoha.

- Será que agora que a Srta. Haruno já está descansada – o Snape-sensei começou, sem esconder o sarcasmo e recusando a xícara que lhe foi oferecida – você pode nos explicar como pretende que essa loucura continue?

O Diretor Dumbledore ainda fez aparecer um prato cheio de doces e os ofereceu para mim antes de responder ao professor.

- Ora, isso é óbvio, não é? Ela está aqui como sua aprendiz, então nós diremos que a Srta. Haruno é uma aluna de medibruxaria de intercambio, e está em Hogwarts para fazer um estágio em Poções Medicinais com você, meu caro.

- Uma aluna de intercâmbio? Em Hogwarts? – o Snape-sensei repetiu as palavras do Diretor com um tom irônico. – E desde quando Hogwarts recebe alunos de intercâmbio?

- Ora, Severo – o Diretor Dumbledore respondeu com um largo sorriso no rosto, como se estivesse se divertindo com a fúria do outro homem. – St. Mungus não tem nos enviado aprendizes nos últimos anos porque todos eles parecem ter um certo receio do nosso mestre de Poções...

Meus olhos correram do Diretor Dumbledore para o Snape-sensei enquanto eu pensava se deveria me preocupar com o que ele acabara de dizer.

- Entretanto, Srta. Haruno – o Diretor Dumbledore continuou, virando-se para mim –, quando eu apresentá-la para a escola amanhã, direi que a senhorita veio do Japão. É o país mais próximo da sua cultura que tem algum tipo de relações diplomáticas com o nosso Ministério da Magia.

Eu assenti com a cabeça. Como ninja, fui preparada para me passar por diferentes papéis, e fingir que era uma bruxa aprendiz de um país distante seria apenas mais um subterfúgio para cumprir minha missão.

- Excelente! – o Diretor Dumbledore exclamou. – Vou pedir para Minerva levá-la ao Beco Diagonal amanhã cedo para vocês providenciarem vestes bruxas, e a tarde, vocês dois já podem começar a trabalhar.

Eu respondi com um sorriso, enquanto o Snape-sensei apenas bufou da sua poltrona. E mais uma vez eu me assustei ao observá-lo; era como se estivesse vendo o Sasuke quando eu e o Naruto fazíamos alguma brincadeira que ele não gostava...

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No dia seguinte, eu conheci a Profa. Minerva McGonagall, e nós tivemos uma manhã agradável no tal Beco Diagonal. Eu ganhei vestes bruxas e até uma imitação de varinha, para deixar meu disfarce mais convincente. Enquanto andávamos pelas ruas, ela me explicava vários detalhes sobre o mundo bruxo, medibruxaria e Hogwarts.

Aquilo me deixou mais aliviada quanto ao meu papel em Hogwarts. Afinal, concluí que, de certa forma, eu era realmente uma estudante de medibruxaria e estava mesmo passando por um estágio com o Prof. Snape – como eles chamavam seus mestres na Inglaterra.

O mais difícil foi entender toda hierarquia em Hogwarts. Os alunos eram divididos em diferentes Casas, cada uma com características diferentes. E parecia que havia uma rivalidade enorme entre cada Casa, que competiam entre si por pontos dados nas aulas e disputados num jogo estranho com vassouras voadoras. Quando voltamos ao castelo, eu me peguei observando o brasão da escola, onde aparecia o símbolo de cada casa. Não pude deixar de me perguntar a que Casa eu pertenceria... O Naruto provavelmente seria da Grifinória – a Casa dos corajosos e puros de coração – e, olhando para o símbolo da Sonserina – uma cobra – não pude deixar de pensar no Sasuke mais uma vez: era a Casa daqueles que não mediam esforços para atingir seus objetivos e, segundo a Profa. McGonagall, a que mais originou bruxos das trevas...

- O Prof. Snape é o Chefe da Sonserina – a voz da Profa. McGonagall ainda ressoava em minha mente. Eu estava começando a ficar incomodada com as semelhanças que encontrava entre eles.

Mas meus receios foram repentinamente interrompidos pela voz de uma garota, aluna de Hogwarts.

- Eu adorei o seu cabelo! Você também é uma metamorfomaga?

Eu me virei para ela. Nós devíamos ter quase a mesma idade, ela vestia as vestes da Lufa-lufa e sua característica mais marcante era o cabelo amarelo e preto – as mesmas cores da Casa dela.

- Metamorfomaga? – perguntei, confusa.

- É... – ela respondeu, colocando um dedo no nariz e fazendo-o mudar de forma. Eu olhei espantada, então ela continuou: - E eu posso mudar a cor do meu cabelo também... Já estou enjoada destas cores, e adorei esse seu rosa!

- Er... Obrigada – respondi, tentando fingir que estava acostumada com aquilo.

- O meu nome é Tonks – ela continuou, estendendo uma mão para mim. – E todos nós achamos que você foi muito corajosa em escolher o Morcego Seboso como mestre.

Olhei em volta, mas não havia ninguém com ela. O Diretor Dumbledore tinha me apresentado para todos os alunos da escola durante o almoço. Ela estaria falando em nome da escola inteira?

- Bem, eu tenho Feitiços agora. Boa sorte com o Morcegão e, se precisar de uma amiga aqui em Hogwarts, pode me procurar – ela concluiu com uma piscadela, enquanto subia as escadas para a sua aula.

Eu estava sozinha de novo, e estava atrasada. Desci correndo para as masmorras, onde ficava o laboratório no qual iria trabalhar, sem tempo para refletir sobre o que os alunos pareciam pensar sobre o Prof. Snape.


Continua...