CAPÍTULO IV I

Os primeiros raios do sol enfeitaram o quarto, incomodando os olhos fechados de Sakura. Quando ela preguiçosamente se atentou à hora, viu que ainda levaria muito tempo para se considerar atrasada. Lembrou-se dos momentos do dia anterior, quando imediatamente um sorriso lhe entortou os lábios. Mesmo que o dedo estivesse vazio, poder-se-ia considerar uma aliança preenchendo-o naquele instante.

— Estou noiva de um idiota. — Pensou em voz alta, radiante de felicidade.

Notou a ausência dele, quase que instantaneamente, e perguntou-se como um indivíduo pode ser relapso com o lazer, mas tão impreterível com o trabalho. Levantou-se de camisola, sentindo um estranho calor subir-lhe pelo corpo. De vez em quando acordava desse jeito, com vontade, embora nunca tivesse companhia nessas circunstâncias. Correu para o banheiro, dando uma olhada em si mesma no espelho. Bochechas coradas, corpo em chamas… É, de fato, estava excitada. Apesar da hora do trabalho se aproximar, tudo que pensava era como Naruto reagiria ao vê-la só de camisola. Uma camisola clara, com tecido transparente, bom para expor as pernas e a bunda que ele tanto ama. Um desejo saliente acabara de surgir.

— Sakura-chan, está acordada? — Ele perguntou da cozinha. Sakura mal havia prestado atenção no cheirinho de café invadindo a sala.

— Ah, sim. Daqui a pouco estou indo. — Retrucou.

Naruto murmurou um tudo bem e continuou seus afazeres. Pelos ruídos externos ao banheiro, Sakura podia jurar que ele estava arrumando a mesa. A Kunoichi molhou o rosto com água bem fria, desejando apagar um pouco daquele fogo abrupto.

Ao sair do banheiro, notou que Naruto terminava de depositar alguns pãezinhos com presunto sobre a mesa. Também havia cereal e leite fresco.

— Ora, dormiu até tarde ontem, na data do nosso encontro, mas acordou incrivelmente cedo para o trabalho. Você é uma pessoa bem estranha, Uzumaki Naruto. — Sakura fingiu um tom de nervosismo.

— Se liga, Sakura-chan, ontem eu estava muito feliz porque ia passar o dia com você. Hoje eu estava triste porque sabia que só a veria mais tarde. Se estou feliz, tenho sono pesado. Se estou triste, tenho sono leve. Não é óbvio? — Ele perguntou com um tom muito charmoso sob o ponto de vista de Sakura. Trajava uma camisa longa, de cor laranja, e uma calça preta, mais justa do que de costume. A capa preta encontrava-se presa ao corpo. Imaginou se hoje teria um novo relance dele trajando a máscara sensual.

— Algum plano especial para hoje ou a pressa é só uma forma de soar mais romântico? — Sakura perguntou enquanto puxava uma cadeira para se sentar.

— Se liga, eu tive uma ideia meio maluca, mas não quero contar agora. Prefiro deixar para mais tarde. — Respondeu, tragando um gole do seu café. Passou um pouco de manteiga sobre o pão, provando-o logo em seguida. — Ah, preciso levar algumas coisas. Não creio que terei pausa para o almoço.

— Alguma coisa me diz que você se diverte muito fora da Vila. — Sakura bufou, olhando-o com suspeita.

— Não é verdade, Sakura-chan. — Ele sorriu. — Eu me divirto ao pensar que voltarei para cá. Com você.

A interrupção proposital entre essas sentenças causou uma expectativa deliciosa em Sakura. Ela corou ao ouvi-lo, de tal modo que o calor entre as pernas se intensificou ainda mais.

— Sonhou com o quê? — Ela mudou de assunto.

— Você não entenderia. Algo com cães e campos verdinhos. Sério, era uma grande planície vestida de verde, não algo como florestas, pois eram campos bem vastos e abertos. E tinha um cachorro bem gordo lá. Mas se fosse para dizer de um modo plausível, diria que era um cachorro gordo de amor. Era uma criaturinha muito dócil. Brincou comigo por um bom tempo (mais do que eu pudesse contar). — Naruto suspirou sob a lembrança. — E você, Sakura-chan?

Embora o sonho narrado tenha sido um pouco estranho, Sakura amou a forma com que Naruto o contou. De alguma maneira, quase tudo que saía da boca dele se tornava um poema. Diferente de antes, quando ele costumava falar asneiras com pompa. Havia duas opções plausíveis: Uzumaki Naruto havia se tornado um homem incrivelmente atraente, ou ela estava tão apaixonada por ele que as asneiras teriam se tornado irrelevantes.

— Eu não me lembro bem com o que sonhei. — Disse corada. — Você quer ter um cachorro?

— Sim. — A resposta veio rápida. Sakura riu.

— E… Outra coisa? — As palavras saíram da sua boca antes que pudesse prever.

Naruto pareceu confuso por um instante, mas não demorou muito para que percebesse do que se tratava.

— O que mais quero é ter filhos com você, Sakura-chan. — Dito isso, ao perceber o peso da própria fala, Naruto babou uma quantidade do seu café.

Sakura riu e sentiu a bochecha em chamas. O coração novamente acelerou, com batidas fortes latejando contra o peito. Tentou comer um pouco dos biscoitos e dos pãezinhos, mas nada disso aplacava o seu calor.

— Enfim, como vai ser o seu dia hoje? — Foi a vez de Naruto desconversar.

— Acho que comparecerei ao escritório do Kakashi-sensei para obter mais informações. Não creio que teremos coisas novas, já que você é o principal informante. Caso contrário, simplesmente pegarei alguma missão para acompanhar os garotos. — Respondeu, tentando esconder o claro desconforto.

— E como eles estão, aliás? Alguns times podem achar difícil terem um Chuunin como supervisor, principalmente se ele tiver a mesma idade. — Naruto comentou com estranha naturalidade.

— Você se sentiu inferiorizado por mim quando voltou do seu treinamento de dois anos e meio com Jiraiya-sama, é? — Um estranho tom provocante brotou na voz de Sakura.

— Se… Se liga, Sakura-chan. Não é isso. — Naruto gaguejou.

— Acho que acertei uma ferida antiga. Não se preocupe, idiota. Você foi promovido a Jounin antes de deixar a Vila, não foi? — Sakura relembrou numa tentativa de aliviar o clima pesado.

— Não é bem assim. Aliás, não é como se eu tivesse o mérito de ter passado por um Exame Chuunin, como todo mundo. — Resmungou.

— Ah, Naruto. Você parece realmente afetado pelo que eu disse. — Sakura acariciou a mão dele. — Não fique assim. Pensando por um lado, você sempre foi muito forte mesmo sendo um Genin. Não é verdade? Não é isso que importa?

Naruto bufou, agindo quase como uma criança, cruzando os braços e crispando os lábios num bico.

— Não para quem quer ser Hokage.

Sakura riu daquela infantilidade. Sentiu-se novamente uma integrante do Time Kakashi. Contudo, após alguns instantes, já havia voltado ao agora. Comeu um pouco mais do que devia, tudo por causa do nervosismo que Naruto lhe causava, e por alguma razão egoísta, amou atacá-lo pelo orgulho daquela forma. Mas não demorou muito para que ele resgatasse aquela expressão feliz e encantadora.

— Se liga, hoje a louça é por sua conta, não é? — Sua voz brincava de felicidade.

— Se me encher muito a paciência vou exigir que me chame de senpai, fui clara? — Sakura riu novamente ao ver a expressão carrancuda de Naruto.

Ainda assim, ela se levantou e cuidadosamente recolheu tudo que precisava ser lavado. Naruto, por sua vez, permanecia olhando Sakura mover-se para lá e para cá. E, como um bom admirador, analisava-a de cima a baixo. Na sua opinião, usar aquela camisola, logo de manhã, era uma sacanagem sem igual.

— Bem, para sua informação, o time não reagiu tão mal à promoção do Soki. Ficaram felizes, é claro. Mas imagino que seja impossível não sentir um pouco de ciúme. — Sakura comentou enquanto esfregava a louça. Seu corpo balançava conforme fazia os movimentos com a esponja.

Naruto seguia o corpo de Sakura a cada instante. Olhou para o pescoço, à mostra sob um charmoso coque, depois para as costas, expostas, de forma provocante, através da camisola transparente. Deteve-se na parte inferior do seu corpo, que era bem volumosa, formosa e definida. Lembrou-se da primeira noite de amor deles, na qual ela permitiu que ele a agarrasse por ali. Sentiu uma vontade estupenda de repetir o ato, sofrendo uma atração incessante recaindo sobre si. Não demorou muito para que o coração começasse a latejar violentamente contra o peito.

— Naturalmente, aprenderão a lidar com isso. Ora, é claro que todos serão Chuunin em breve. Tenho certeza disso. — Sakura continuava a falar, alheia ao sentimento que provocava no noivo. — Não acha que todos têm potencial para serem Jounin de elite? Acho mais do que possível…

Sakura se deteve ao sentir um abraço de Naruto vindo por trás. Era intenso, silencioso, viril… Ela não esperava por isso. Não nessa situação, com a mão cheia de espuma e a louça por lavar. Contudo, não se importou muito. Na verdade, amou aquele avanço, especialmente pelo calor que começava a latejar entre as pernas. Involuntariamente, Sakura apertou a mão envolta na sua cintura, e Naruto afagou a testa sobre o ombro dela. Era possível sentir a respiração dele, quente e pesada, sobre a fina pele do pescoço.

Sakura, sem saber bem como reagir, fechou a torneira, apoiando-se firme sobre a pia. Teve medo de perder o equilíbrio. O desejo faz algumas coisas loucas com as pessoas, e muitas vezes entregar-se aos seus efeitos pode ser perigoso. Não tardou para que Sakura sentisse algo duro tocá-la por trás. Aquilo, sim, tornou a intensificar o calor que sentia. Tudo piorou até Naruto arfar intensamente e aplicar-lhe um beijo molhado na nuca.

— Sakura-chan… — Ele murmurou ofegante.

Novamente, ela era dele. Não se sabia qual o sentimento que impulsionava esse instinto de dominação num relacionamento. Era implícito, abstrato; ora pertencia a um, ora pertencia ao outro. Era como um agente duplo, aplicando suas punições para o lado que lhe fosse mais conveniente. Naquele momento, obviamente era Naruto.

Mas Sakura era orgulhosa e atentada. Não queria se sentir dominada por ele; não o tempo todo. Por isso, ajustou-se no quadril de Naruto, empurrando o próprio corpo para trás. A boca de Sakura permanecia entreaberta, como num ato de concentração, e molhou os lábios com a língua ao sentir a rigidez de Naruto tocando-a por trás. Mais que impagável era senti-lo arfar em resposta, latejando, desejando penetrá-la a todo custo. Mas Sakura não o permitiria ainda; havia muito respeito a impor. Queria vê-lo dominado, subjugado aos seus pés. Por isso, começou a rebolar sobre ele, girando o pescoço em movimentos lentos e entorpecentes. Naruto só podia ver o pescoço dela, sensualmente tocado por finos fios de cabelo cor-de-rosa, e sua bunda, perfeitamente esculpida pela cintura fina, roçando contra seu membro necessitado.

Sakura podia ser novata no âmbito das relações sexuais, mas sabia impor seu desejo e sua vontade sobre Naruto. Há homens que apreciam a feminilidade envolvente; aquela que aquece e queima no íntimo, que se torna inesquecível para todo sempre. O amor deve ser voraz, explorador, livre… Sem liberdade não há prazer. E Sakura estava pronta para explorar tudo o que pudesse.

Num dado momento, ela virou o olhar para trás, apenas para contemplá-lo com uma expressão explosiva. Estava corado, mordendo o lábio inferior, arfando intensamente e acompanhando todo o movimento que Sakura realizava com o quadril. No entanto, assim que Naruto viu os olhos verdes dela, junto com as bochechas vermelhas, os lábios carnudos e tudo o mais, não resistiu em tocá-la: agarrou-a pela cintura, aprofundando o contato dele com as nádegas firmes e sedutoras. A camisola era bem fina e transparente, do tipo que permite uma boa sensação sob o menor dos contados. Ainda assim, Naruto duvidou da sua capacidade de suportar aquilo. Mas Sakura continuou brincando com ele, roçando seu corpo para cima e para baixo, esfregando-se sem pudor.

Não havia palavras que descrevesse o desejo. Naruto queria fazer algo que não podia ser transcrito em palavras. Algo que não poderia ser, em termos mais simples, simplesmente dito. Como dizer a sua namorada, recém-proposta noiva, que quer fazer sexo anal com ela? Há pouco mal haviam descoberto a sexualidade, e agora estravam ávidos por receber tudo de uma vez. Afinal, foram 29 anos sem contato com o sexo oposto. O quanto disso é preciso para que os seres humanos ultrapassem todas as fronteiras do desconhecido?

Naruto por um instante perdeu a razão. Puxou-a para si, com muita força, e Sakura arfou em resposta. Levantou a camisola dela, até a altura da cintura, podendo contemplá-la de modo único. Sakura estava totalmente inclinada para ele, apoiando-se com força contra a pia, e agora com a calcinha totalmente exposta. O que Naruto menos precisava, agora, é que ela continuasse roçando sobre ele; mas ela o fez, e ainda parecia gostar. Naruto via o volume de sua calça perder-se entre as nádegas de Sakura, e quanto mais aquilo se repetia, mais ele se via inclinado a pedir a ela o que tanto desejava.

Contudo, passado um tempo, ela simplesmente parou.

— Está gostando, Naruto? — Ela perguntou, encarando-o com um sorriso sacana.

Naruto não soube o que responder. Sim? Não? Talvez?

— Então, — ela tirou as mãos da pia e encostou-se sobre ele, encarando-o bem de perto — tente voltar mais cedo hoje. Tenho uma surpresa para você.

O coração dele saltou, e rapidamente a surpresa substituiu sua expressão devassa.

— Como assim, Sakura-chan? — Perguntou, afastando-se um pouco.

— Não volte muito tarde, e eu lhe darei um presente. É isso que quero dizer. — Sakura explicou, ajustando a camisola de volta no lugar. — Mas é melhor que trabalhe direito, senão não tem surpresa. Fui clara?

Ele acenou um sim tímido, como se ainda não soubesse bem o que estava acontecendo. Sentia os sentidos todos entorpecidos. Demorou um tempo até que recobrasse total consciência.

— É melhor andarmos, Naruto. — Ela deu um selinho nele, tocando-o carinhosamente no rosto. Sentia-se um pouco culpada por cortar aquele momento íntimo de maneira brusca, embora fosse necessário. A responsabilidade era uma qualidade indispensável para qualquer Shinobi; e ele seria o Hokage, aquele que comanda a todos. — Fique bem, sim?

Naruto deu um breve sorriso, embora não tenha conseguido dizer muito.

— Pode deixar, Sakura-chan. Cuide-se!

Ele saiu antes dela. Sakura ainda tinha de se vestir. Além disso, quanto mais cedo ele voltasse, mais rápido saberia o que era aquela surpresa. Estava louco para saber.

II

Há poucos dias, em uma de suas andanças, Naruto recebeu notícias de que um grupo estava se reunindo no País da Grama. Orochimaru, quando apareceu pela primeira vez na Folha durante o Exame Chuunin, havia se disfarçado como uma Kunoichi desse país. Karin também havia sido criada por lá. Muitas das informações faziam crer que o ataque estava sendo organizado em algum lugar da Grama; se não, pelo menos parte dele. Uma das coisas que Naruto aprendeu com Jiraiya foi conseguir informações (depois da morte deste, porque antes não o dava muita atenção). Utilizava sapos pequenos para anotar dados, que ficavam comumente escondidos em partes da sua roupa. Gama Han e Gama Katsu eram especialistas em tirar retratos e fazer notas, por isso estavam sempre presentes nessas missões perigosas.

— Naruto-sama, esta é a terceira cidade pela qual passamos hoje. Tem certeza de que será possível encontrá-los? — Han perguntou.

— Se liga, o ataque pode ocorrer a qualquer momento. Preciso obter informações sobre o inimigo. — Respondeu com discrição, enquanto adentrava um pequeno bar.

Como de costume, havia apostadores amontoando-se nos cantos do estabelecimento. Alguns jogavam cartas, outros shougi, outros jogos dos quais Naruto não tinha conhecimento, e por aí vai. Geralmente, comprava doses e puxava conversa com os donos ou clientes. Também comprava presentes para eles como forma de abrir-lhes a boca. Nada melhor do que o saquê para tirar a verdade de alguém, aprendeu ao longo dos anos.

— Com licença, velho. — Chamou Naruto, todo afável. Sabia bem encenar o papel de bobo. Era assim que conseguia tudo o que queria.

— E aí? — Respondeu o velho. Tinha uma careca bem redonda, um bigode volumoso e cabelos pretos espalhados por todo o corpo. Parecia exercitar-se sempre com o pano sujo, secando uma série infinita de louças.

— Poderia me servir uma dose de saquê? Acabou que meu dia não rendeu muito, para variar. Preciso de emprego e resolvi tentar a sorte nessa cidade. — Comentou, ainda com o tom adorável.

— Pelo jeito não teve muita sorte, não é? A primeira vai por conta da casa. Temos um bom saquê da Vila da Névoa aqui, apesar de não parecer. — O velho resmungou, olhando para o próprio restaurante. — Então, o que faz? É viajante?

— Na maior parte do tempo, sim. Mas já trabalhei desde construção civil até venda de mercadorias. Pode não parecer, mas sou capaz de percorrer muitos quilômetros por dia. — Respondeu com um sorriso cativante, tocando o bíceps como se quisesse demonstrar sua força.

— Ah, sim. Parece muito forte, de fato. É uma pena, mas muitos jovens desempregados dessa cidade foram levados para um emprego duvidoso. Não sinto que devo recomendá-lo a você. — O velho suspirava enquanto falava. Por algum milagre, a série infinita de louças estava seca e guardada num armário empoeirado.

— Sério? Ora, meu velho, melhor uma coisa duvidosa do que nada. Meu dinheiro está prestes a acabar, se é que me entende. — Naruto quase que se inclinou sobre o balcão.

— Quantos anos tem? 22, 23? — O homem encarou-o de cima a baixo, notando que Naruto era um garoto muito forte e bem-apessoado. Não parecia o tipo de gente desempregada. — Você está num estado muito bom. Com certeza conseguiria um excelente trabalho fora daqui.

— Ah, que bom dizer isso, senhor. Tenho 24. — Mentiu. — Mas a verdade é que eu já tentei em muitos lugares. Acho que há algo estranho acontecendo nas redondezas, afinal. As pessoas andam dizendo que há um trabalho desse tipo, mas nunca me falam o que é.

O homem encarou-o com pena. Por algum motivo, o tom afável de Naruto estava o envolvendo. O jovem era muito bem conhecido por conseguir convencer as pessoas ao seu redor, afinal de contas.

— Você sabe sobre os lunáticos, não sabe? — Comentou com a voz baixa. Naruto fez um sinal de mais ou menos. — Aqueles que ficaram loucos pela Árvore, ora essa. Os Shinobi estão ansiosos tentando tratar esses caras, mas a verdade é que muitos não se consideram loucos. Estão atendendo a ofertas de trabalho que prometem a volta da Árvore.

Naruto assentiu. Até agora, nada de novo.

— Acontece que uma das organizações que prometem essa loucura se encontra por aqui. — Um brilho faiscou nos olhos de Naruto. Gama Han começou a rabiscar seu bloquinho de notas. — E o negócio parece bem sério. Ficaram reunindo pessoas desiludidas com a vida. Mas não faça isso, meu jovem. Isso não é coisa para alguém como você. Só de olhá-lo sei que é uma pessoa de bem. Não se meta com essas coisas de louco. Se tiver bom juízo, suma dessa cidade.

— Nossa, o senhor é bastante gentil. Não sei como agradecê-lo. — Naruto curvou-se de forma dócil. O atendente soltou um grunhido.

— Apenas suma daqui. Essa cidade deixou de ser a mesma nos últimos tempos. — Comentou com um tom de saudade perambulando nas suas notas. — Fico preocupado com o que esses caras pretendem fazer. Muitos já notificaram a Aliança Shinobi, mas parece que as mensagens nunca chegam ao destino.

Bingo, Naruto pensou. Coisas assim só podem ser feitas por organizações Shinobi. Naruto viu ali uma oportunidade. Só faltava conseguir uma localização.

— Eu fico realmente preocupado com esse tipo de coisa. O senhor poderia me dizer qual lugar da cidade eu devo evitar? — O tom mudou de afável para extremamente preocupado.

— Se tiver mesmo juízo, passará bem longe das matas a norte e a sudeste. Dizem que estão fazendo túneis ali, sabe-se lá para quê.

Gama Han soltou uma risada bem baixinha de dentro do bolso de Naruto. O velho realmente abria a boca fácil. Quem diria, que na terceira cidade, quase chegada a hora do almoço, conseguiriam aquele montante valioso de informações.

— O senhor foi de muita ajuda. Nossa, foi por pouco. Eu cheguei por aqui pela estrada a nordeste. Não saberia o que fazer se me pegassem. — O tom de inocência parecia convencer, e muito, ao atendente.

— Tome cuidado. Se for parar nessa dose de saquê, fica por minha conta. — O velho respondeu sem sorrisos, embora trajasse uma expressão afável.

— Muito obrigado, senhor! De verdade. Não vou me esquecer dessa gentileza. — Reverenciou com veemência.

O velho pareceu satisfeito com a educação de Naruto. Mal sabia que levou anos até que ele pegasse o jeito. Dos treze anos que passou no exílio, quatro serviram só para aprender a pegar informações. Por isso viveu a maior parte do tempo fugindo. Beirando os cinco anos do exílio, descobriu que simpatia e uma boa dose de mentiras eram suficientes para convencer as pessoas. E as informações se encontravam pelos cantos mais inesperados.

— Bom, se estão a norte e a sudeste, preciso de uma média de quatro clones para investigá-los. — Naruto comentou, já fora do bar. Gama Katsu também precisaria ser evocado. — Estou assumindo, é claro, que o esconderijo é pelo menos tão grande quanto a maioria dos que investiguei nos últimos anos. Espero que a estatística esteja a meu favor.

Naruto desviou o olhar para o Norte e para o Sudeste. Fez, então, os clones de sombra necessários. Tardou um tempo até preparar a marcação do Hiraishin no Jutsu em seu ponto de encontro. Caso alguma coisa desse errado, transferir-se instantaneamente para aquela localidade seria bastante eficaz. Agora, precisava de dois reféns e uma aparência nova. Usaria o refém como fonte de informações sobre o esconderijo, também assumindo sua forma e função. Transformar-se-á nele para que investigue o esconderijo mais rápido, sem que seja reconhecido por qualquer pessoa. Apesar de os civis não conhecerem a forma de Uzumaki Naruto, sua aparência era bastante comentada no mundo Shinobi.

Os clones possuíam bem menos chakra que o corpo original, portanto era natural que fossem menos aptos a utilizarem Senjutsu. Ainda assim, poderiam detectar quaisquer formas de chakra na redondeza, além de possuírem o poder de Kurama para sensoriamento. Naruto suspirou, analisando cada etapa do plano rabiscada na terra por um pedaço de pau. Havia fraquezas? Brechas? Buscou imitar Shikamaru, naquela mesma pose que ele fazia quando pensava em algo.

— Se liga, não sou tão inteligente quanto ele, mas parece tudo certo. — Olhou para os clones. — Bora botar para quebrar.

A primeira coisa que descobriu, após algumas horas, era que o Sudeste não era o local correto. A parte interessante do poder de Gama Han e Gama Katsu é que poderiam dividir seu bloco de notas, de modo que o chakra que utilizavam para escrever e retratar imagens transmitia as mesmas informações para a outra parte. Sendo assim, o corpo original de Naruto recebia todas as informações ao mesmo tempo em que eram escritas. Fora a saída encontrada após tantos obstáculos com uma singela fraqueza do Kage Bunshin: tudo o que um clone aprendia só era repassado ao usuário quando a técnica era cancelada. Agora Naruto podia tomar decisões em tempo real.

A sudeste, havia apenas uma gangue de pessoas desajustadas, que aparentemente foram dispensadas do trabalho certo. Pelo que fora analisado, não possuíam muita habilidade nem talento para arte ninja. Naruto refletiu sobre o quanto aquilo lhe cheirava a Orochimaru. Assim que o clone desapareceu, Naruto acabou recebendo o chakra da Natureza que ele armazenava. Agora podia sentir tudo à sua volta, e surpreendeu-se ao saber que havia uma pessoa muito, muito forte, localizada a norte daquela cidade.

— Preciso ir para o Norte. — Disse num sobressalto.

Escreveu no bloco de notas de Gama Han que precisava saber sua localização precisa, pois ele mesmo faria a invasão. Não levou muito tempo até que obtivesse as coordenadas exatas. Com a velocidade que tinha, chegou lá em poucos segundos. Viu seu clone encarando um rapaz jovem, de cabelo castanho, resmungando qualquer coisa sobre árvores e serpentes.

— Vocês não sabem no que estão se metendo. Vocês não têm ideia do que está por vir. — Ele resmungava, o clone de Naruto virou a cabeça.

— Esse daí não quer falar. — Disse com um tom de derrota.

— Um Kage Bunshin não tem tanta habilidade para sentir o que eu senti. Pode ir embora, eu lido a partir daqui. — Disse Naruto, observando seu clone desaparecer em fumaça. — E aí, cara? Está tudo bem?

— Não há nada que você possa fazer para que eu conte. Nada. — Ele rangeu os dentes.

— O cara é osso duro de roer, chefe. — Disse Gama Han, voltando para o ombro de Naruto. — Fiquei sabendo que Gama Katsu não teve sorte no Sudeste, né?

— Se liga, aquele não era o lugar certo, mesmo. Daqui a pouco ele vai se unir a nós. — Naruto ajoelhou-se, assumindo uma expressão afável diante do Shinobi capturado. — Qual o seu nome, rapaz?

Não recebeu qualquer resposta.

— Ei, para que eu o ajude nós precisamos estabelecer um diálogo. Entende o que digo? — Continuou, ainda com um sorriso adorável no rosto. O homem sentiu o suor se formar na testa.

— Você não me assusta. — Disse, por fim.

Naruto deu os ombros.

— Eu não pretendo assustá-lo. Mas se for necessário, temo que não terei escolha. — Disse, perdendo o tom afável e adquirindo uma expressão bastante séria.

De repente, apertou o homem pelos ombros, puxando-o para perto de si. O rapaz perdeu-se nos olhos azuis de Naruto, que por um instante ganharam uma coloração vermelha-sangue. O mundo começou a girar, fazendo com que perdesse o equilíbrio e tombasse para trás, mas Naruto permaneceu segurando-o firme. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, o jovem soluçou. O suor intensificou, rapidamente caindo pelo rosto. Repentinamente, não via mais Naruto, o verde das árvores ou o mundo que conhecia: encarava uma raposa demoníaca, gigante, com longas e afiadas presas, cujos olhos eram brilhantes e vermelhos, sanguinários e assustadores, como nunca se havia visto. Naquele lugar, o ar era quente e rarefeito. Ouvia-se só o barulho das nove caudas gigantes, sacudindo-se e agitando o vento ao redor.

— Diga tudo o que sabe, rapaz. — A voz do demônio saiu, grave e ríspida, fazendo com que o pobre refém tremesse de medo.

— Não! Saia de perto! Suma, demônio! — Gritou, tentando se mover sem sucesso.

A raposa soltou uma gargalhada, como se apreciasse o desespero.

— Então diga o que sabe, e eu o libertarei.

Eis que, ao ouvir essas palavras proferidas lentamente, o Shinobi vacilou por alguns instantes. O medo falou mais alto do que a razão.

— Meu nome é Shimura. Estou a serviço de Orochimaru-sama. Sou apenas um vigia da base, mas consigo acesso a boa parte dos corredores. Por favor, me tire daqui! Eu imploro! — Rogou diante da raposa.

O riso dela ganhou mais volume. Contudo, rapidamente o tom maléfico se perdeu numa voz mais comum.

— O resto é com você, Naruto. — Ela disse, quando novamente se transformou no ninja louro.

O rapaz imaginou se aquilo era um genjutsu. Não havia qualquer indício de sê-lo, mas se fosse, então estava num nível acima de qualquer um. De qualquer modo, o medo era tão real que não conseguiria mais resistir ao interrogatório de Naruto. Naruto.

— Você… Você é Uzumaki Naruto, da Folha. — Sussurrou, não escondendo o medo. — Maldito.

— Não se sinta tão mal assim. Só preciso saber como andar pelo seu esconderijo, certo? Se liga, vai ficar tudo bem. — Naruto disse, sentando-se à frente do seu prisioneiro.

Apesar de o homem ter descoberto a identidade daquele que o capturou, não conseguia resistir ao passar as informações. O medo de ter encarado a Kyuubi não lhe deixava voltar ao normal. Além disso, Uzumaki Naruto era atencioso o bastante para não gerar transtornos duradouros em seus cativos.

— Obrigado pelas informações, Shimura-san. Agora não se preocupe. Você vai dormir por um tempo. — Disse, antes de lhe aplicar um golpe e desmaiá-lo. — Kage Bunshin no Jutsu!

Criou mais um clone, fazendo com que ele cuidasse do refém. Fez este com uma boa dose de chakra, a fim de se preparar para imprevistos. Normalmente, Naruto não utilizava toda sua força para esse tipo de empreitada. Mas como estava ao alcance de Orochimaru, todo cuidado era pouco.

A poucos metros dali a floresta era absorvida para dentro de uma depressão. Seguindo para norte dela, Naruto chegou à abertura de uma caverna, coberta por folhas de árvores e galhos caídos. Se olhasse de longe, nunca diria que havia um túnel ali. Agora estava transformado em Shimura, então podia se mover com mais tranquilidade. Pediu à Kurama que mantivesse sensoriamento sobre toda a região. Em hipótese alguma eu posso ser descoberto, pensou. Se o fosse, rapidamente os planos de Orochimaru seriam mudados. Mais ainda, se descobrissem que era ele, Uzumaki Naruto, o ataque poderia ganhar proporções bem diferentes, quiçá ferindo civis ou seus amigos.

Conforme o que fora informado por Shimura, Naruto percorreu os túneis nos quais tinha autorização. Passou por uma pequena esquina, notando portas fechadas em duas seções distintas. A voz de Kurama brotava na sua mente.

— Naruto, o chakra que você sentiu vem do outro lado do esconderijo. É um Shinobi habilidoso, com certeza.

O rapaz sorriu, sentindo a adrenalina vibrar no seu organismo. Há muito não tinha uma missão tão empolgante como essa. Ao adentrar a porta, notou que os arquivos estavam cuidadosamente organizados em prateleiras. Era, de fato, um armazém de informações, como Shimura havia lhe dito.

— O rapaz não mentiu. Muito bom, muito bom. — Naruto sussurrou.

Caminhou calmamente entre as mesas e móveis do salão, que era parcamente iluminado por tochas em cada canto. Orochimaru tinha um gosto muito antiquado, afinal. Ao aproximar-se da estante, retirou algumas pastas e rapidamente ordenou que Gama Han tirasse retratos. Gama Katsu o ajudou nesta tarefa. Contudo, ao girar o pescoço, Naruto viu um arquivo um tanto suspeito. Havia o símbolo do Clã Uzumaki cravado nele.

— O que Orochimaru roubou do meu Clã? — Pensou, aproximando-se do arquivo e folheando-o com cuidado.

Havia informações sobre sua mãe, Kushina, sobre Karin e sobre Nagato. Havia algumas anotações feitas em vermelho, indicando que Nagato, por ser um Uzumaki, possuía muita compatibilidade com Rinnegan. Naruto riu da perspicácia de Orochimaru.

— Esse cara, — sorriu — confirmou a ligação dos Uchiha com os Senju pelo fato de Nagato ser um Uzumaki. Será que encontrou o corpo dele?

Naruto suspirou. Percorreu outros arquivos, embora nada mais tenha sido encontrado.

— Ei, chefe. Terminamos a parte de cá. — Disse Katsu.

— O senhor quer que tiremos fotos de todos, Naruto-sama? O tempo é muito curto. — Comentou Han.

— Não. Meu instinto diz que essas aqui não são as mais importantes. Temo que tenhamos de avançar mais a fundo no esconderijo. — Naruto suspirou. Shimura não possuía quaisquer informações sobre a qualidade dos dados armazenados.

Entrou na outra sala, onde as informações eram mais relacionadas à Akatsuki e às demais vilas ocultas. Felizmente, não havia nada relacionado à aldeia de Satoru.

— Será que esse é um arquivo velho? — Perguntou Naruto. Contudo, ao abrir uma informação sobre Hidan, percebeu que estava datado de muito recente. — Han, Katsu, guardem o máximo que puderem daqui.

Os sapos o obedeceram. Naruto buscou nos arquivos das vilas, onde tinham informações sobre Kakashi, Kurotsuchi, Darui, Choujiro e Gaara. Orochimaru parecia temer bastante a Aliança Shinobi. Claro, pois não existia exército capaz de enfrentá-los. Naruto concluiu que o ataque só seria plausível numa data em que as cinco nações estivessem separadas.

— O Natal? — Ponderou. Estavam em novembro, o que não fazia muito sentido. — Não. Algo mais próximo. Pense, pense, pense!

Naruto não conseguiu chegar a uma conclusão. Mandou que guardassem aquele documento. Queria levá-lo por inteiro a Shikamaru para que fosse analisado. De repente, Han o chamou:

— Naruto-sama, este arquivo trata de você e dos outros Junchuuriki. — Apontou para a pasta.

Naruto a olhou com cautela, percebendo que havia informações sobre todos os Jinchuuriki, desde o selamento até a possível retirada. Na seção sobre si mesmo, Naruto sentiu uma pontada de orgulho.

— "Tomar todo cuidado com este homem. Não há possibilidades de derrotá-lo em combate" — recitou. — Parece que sou temido.

— Acho que a parte do em combate é preocupante, chefe. Se não for em combate, significa que há outras formas de derrotá-lo. — Katsu comentou, tirando retrato de outra série de informações.

Naruto ponderou por um instante. Pensou em todas as pessoas que lhe eram especiais, e em como a morte de Neji o afetou durante a guerra.

— Se liga, não vou deixar aquele filho da mãe ferrar com meus amigos. — Naruto rangeu os dentes, guardando o arquivo em um pergaminho especial.

— Trabalho feito, chefe. — Avisou Katsu. Han apareceu logo atrás, atônito.

— Naruto-sama, eu encontrei algo incrível. — Disse em voz baixa.

Naruto seguiu o caminho de onde Han veio. Notou que havia cinco arquivos especiais. Tratavam-se de fichas de treinamento.

— Sakazuki, Kuzan, Aoshi, Isshou e Todoroki. — Os nomes saíram lentamente da boca de Naruto. O título era emblematicamente cravado como Os Generais. — Conseguimos o mais importante. Vamos embora.

Contudo, a porta se abriu. Veio um homem grande, com uma grande foice presa às suas costas, de pele escura e olhos vermelhos.

— O que está fazendo aqui, garoto? — Perguntou com a voz serena, embora trajasse tom imediato.

Naruto deu um jeito de guardar o arquivo nas suas costas. O aviso de Kurama crescia em seu interior: este é o homem. Com um suspiro, começou a falar:

— Meu nome é Shimura, senhor. Estou cuidando da segurança desses corredores. — Respondeu com cautela.

— A sala faz parte do corredor? — O tom continuava sereno, embora imediato.

— O quê? — Naruto retrucou.

— Não me responda com perguntas. Vou repetir: a sala faz parte do corredor? — O tom ganhou mais urgência. Até Naruto podia dizer que o homem à sua frente era muito forte.

— Sim, senhor. — Respondeu. — Quero dizer, não, senhor.

O homem arqueou uma sobrancelha.

— Acho que estamos com um problema de comunicação, Shimura-san. — Disse com a voz plácida. — Esqueça sobre os corredores. Que veio fazer aqui?

O homem caminhou pela sala, chegando próximo a Naruto. O último arquivo estava preso na parte de trás do seu cinto. Se o homem tentasse vê-lo de costas, então saberia da coleta de informações.

— Apenas vim verificar se estava tudo em ordem, senhor. — Fez uma breve reverência, tentando manter um tom tranquilo na voz.

— E está tudo em ordem? — As perguntas ganhavam mais severidade.

— Sim, senhor.

— Então por que continua aqui? Queira se retirar, por favor. — Disse. Contudo, permanecia parado, como se quisesse observar cada movimento de Naruto.

— Sim, senhor.

Naruto sentiu que o homem não engoliu toda sua história. Não importando o que acontecesse, jamais poderiam descobrir aquela invasão. Orochimaru era um homem bastante precavido. Uma vez que tivessem notícia da invasão, os planos sofreriam mudanças imprevisíveis. Ainda assim, não era seguro que todos os dados colhidos continham um vislumbre dos planos de Orochimaru.

Sentindo o perigo se aproximar, Gama Katsu saiu de seu esconderijo em um dos bolsos traseiros de Naruto e recolheu o arquivo num pergaminho, tudo sem que o homem tivesse conhecimento. Contudo, como bom leitor da informação que obtinha, Katsu sabia que aquele homem era Todoroki. O pouco que sabia sobre ele era a respeito do coração frio: nunca se tinha certeza do que se passava em sua mente. Muitos homens haviam morrido pelo ataque de sua foice. O estranho era uma singela referência, no meio do arquivo (até a parte em que pode ler), a um antigo membro da Akatsuki. Será que Orochimaru fez pesquisas acerca dessa organização de modo a treinar seus ilustres generais?

Tendo Katsu e Han mantidos em segredo, assim como o arquivo a salvo, Naruto caminhou com tranquilidade até a porta, sob o olhar vigilante de Todoroki.

— Continue o bom trabalho, Shimura-san. — Disse o homem, antes que a porta se fechasse atrás de Naruto.

— Obrigado, senhor. — Gaguejou.

Por fim, ao fechar a porta, Naruto soltou um grande suspiro de alívio. Contudo, não se deteve por ali. Tinha que sair o mais rápido possível e garantir que ninguém encontrasse o verdadeiro Shimura.

— Creio que Kakashi-sensei vai gostar de um refém atordoado. — Disse com um sorriso.

Ao deixar o esconderijo, fez questão de utilizar o Hiraishin no Jutsu para reaparecer, instantaneamente, à frente de um clone entediado e um Shimura ainda desacordado.

— Parece que deu tudo certo. — Disse o clone. Naruto assentiu em resposta.

— Aqui, também. — Foi a vez do clone responder, logo se desfazendo em fumaça.

Naruto olhou de novo para o Norte, onde o esconderijo sumia para baixo da terra. Agora, tinha de garantir que o Conselho da Folha obtivesse todos aqueles dados.

— Há quanto tempo não sentia tanta adrenalina, Naruto-sama? — Perguntou Han, com um tom jocoso.

— Se liga, odeio dizer que parte de mim está se divertindo muito com tudo isso. Mas vamos. Kakashi-sensei está ansioso para receber isso. — Disse Naruto. Deteve-se por um instante, voltando o olhar para a Vila e lembrando da simpatia do atendente do bar. — As ações do Orochimaru não provocam somente a Vila da Folha. Ele também tem causado estragos pelos lugares onde passa. Vamos garantir que as pessoas possam superar as mazelas da Guerra do jeito certo.

Os sapos desapareceram em fumaça. Naruto usou o Hiraishin no Jutsu para se transportar até a Vila da Folha, mais precisamente, para bem perto do Escritório do Hokage.

III

Kakashi caminhou de um lado para o outro em seu escritório. Shikamaru seguia-o com o olhar, impressionado pelo rápido vislumbre do Sexto Hokage e sua ansiedade. Há alguns dias, foi informado de que a ANBU não tinha condições de seguir obtendo informações sobre Orochimaru. Se fossem descobertos, a situação poderia virar contra a Folha de forma imprevisível.

— Temos que garantir, primeiramente, a segurança dos civis e dos mais jovens. — Avisou Kakashi, que ordenou a construção de plataformas de batalha ao redor da Vila.

— Que eu saiba, Kiba… quero dizer, Fuuta-san está coordenando todos os preparativos para três esquadrões de ANBU nos arredores. Vão ficar escondidos entre os galhos de árvores e moitas. — Shikamaru pigarreou, lembrando-se de que o velho amigo, Kiba, agora pertencia à ANBU, portanto não podia ser tratado com o mesmo nome.

— De nada adianta se não soubermos quando ele vem. O conselho está pisando no meu pescoço por causa dos "gastos" das últimas semanas. Gastos? — A voz de Kakashi saiu ríspida. — Que eu saiba, todos os meus ancestrais viam a segurança do povo e dos mais jovens como um investimento. Esse é o propósito do Hokage. Esse é o meu propósito!

— Não se preocupe com o Conselho, Kakashi. — Disse Tsunade, fechando a porta atrás de si. — Você é quem manda neles, no fim das contas.

Kakashi deu os ombros.

— Eu me sinto abençoado por tê-la no Conselho, Tsunade-sama. Pergunto-me como a senhora fez para lidar com aqueles dois, Homura e Koharu. — Kakashi bufou, finalmente se sentando no sofá.

— A princípio eles me detinham bastante. A última vez que tentaram me impedir foi quando Naruto enfrentou Pain. Eu os fiz engolir minha autoridade. — Ela sorriu como uma monstra.

— Queria ter essa coragem. Queria apenas que alguma solução rápida voasse por ali. — Kakashi permaneceu encarando a janela com desânimo.

De repente, alguém bateu à beirada da janela, atraindo o olhar de Kakashi, Shikamaru e Tsunade.

— Se liga, cuidado com o que deseja, Kakashi-sensei. — Naruto entrou, novamente disfarçado como Ruto.

Tsunade e Shikamaru ficaram com os olhos arregalados, sentindo o coração palpitando de um jeito estranho no peito. Apenas Kakashi, de todos os presentes, havia presenciado o retorno oficial de Uzumaki Naruto.

— E aí, Shikamaru, Tsunade no baa-chan. — Saudou, sendo rapidamente cortado por um abraço da Quinta Hokage.

— Seu pirralho idiota e egoísta. Você realmente voltou. — O tom de Tsunade era choroso em contraste com suas palavras ásperas.

Shikamaru também se encontrava emocionado, olhando para aquela figura de cima a baixo. Um avolumado grande com uma capa longa, espessa, maltrapilha e preta, e uma máscara de raposa. Somente um tolo não diria que aquilo é um tanto suspeito. Como pode Konohamaru levar cinco dias para suspeitar?

— Seja bem-vindo de volta, Naruto — saudou o assistente, com grande felicidade.

Naruto abraçou à Quinta com grande afeto. Antes de conhecer sua mãe, mesmo que por uns instantes, imaginou que Tsunade seria a figura mais próxima daquele papel. De fato, ela era, pois havia mais do que uma semelhança entre a Quinta Hokage e a Pimenta Escarlate da Folha. Contudo, diferente de Sakura, Tsunade não bateria em Naruto por ter desaparecido por tanto tempo. Ela mesma, após a Terceira Guerra, deixou tudo para trás devido à morte do seu amado. Ela, tão bem quanto Naruto, sabia como era a dor de viver entre fantasmas. Por esse motivo não quis correr atrás dele, pois sabia que Naruto só voltaria quando estivesse pronto.

— Agora você pode seguir em frente, não pode? — Tsunade perguntou com um tom grave, olhando-o com firmeza.

— Sim, baa-chan. — Ele respondeu com o mesmo tom de quando tinha 16 anos, embora tivesse o gestual e a estatura de um homem feito. — E, como Kakashi-sensei acabou de pedir, trouxe não a solução; mas algo que julgo bem próximo disso.

Kakashi levantou-se do sofá.

— Naruto, estamos lutando contra o tempo. Preciso que fale tudo o que sabe. — O Hokage não escondia sua aflição.

— Se liga, eu ainda sei muito pouco. Mas esses carinhas aqui… — Naruto tirou meia dúzia de pergaminhos do bolso, jogando-os em cima da mesa do Hokage.

Rapidamente, a fumaça que saía dos pergaminhos revelou dois arquivos e diversos blocos de anotações. Todos cuidadosamente organizados e encapados.

— Se liga, não devia ter trago os arquivos completos. Podem acabar descobrindo sobre a invasão, mas não tive escolha. — Naruto suspirou, apontando para o arquivo com o título Os Generais. — Esse daí é um bem sério. Dei uma lida pouco antes de vir para cá, mas precisamos de uma análise mais completa.

O olho de Kakashi permanecia arregalado conforme passeava pelas páginas de ambos os arquivos.

— Eu não sei o que me surpreende mais: eles possuírem esse tanto de informação a nosso respeito ou você ter sido capaz de recuperá-la. — A atenção voltou-se ao antigo aprendiz. — Está bem diferente do garoto de 12 anos que me deram para treinar.

Naruto sorriu, tirando a máscara por uns instantes.

— Acho que tive um bom professor. — Kakashi se sentiu lisonjeado, mas Naruto não se deteve àquele elogio. Olhou tanto para Shikamaru como para Tsunade, e disse: — bons professores, na verdade. Se liga, eu aprendi muito com todos vocês. Desculpem-me por ter sumido, mas depois de tanto tempo posso realmente dizer que estou de volta.

Shikamaru e Tsunade assentiram.

— E Shikamaru, se liga, é melhor que permaneça aqui. Quando eu me sentar naquela cadeira você será o meu assistente. — Naruto riu do próprio comentário.

— Devo dizer que também tenho dificuldade em acreditar que você é aquele Naruto. Impressionante. —Shikamaru olhou-o mais uma vez da cabeça aos pés. Já notara como Uzumaki Naruto havia se tornado um verdadeiro homem. Caminhou até a mesa e pegou os arquivos de Orochimaru. — Vou investigar esses dados e obter qualquer estratégia ou informação acerca do Inimigo. Começaremos já.

Naruto pareceu matutar por uns instantes.

— Espere aí. Já ia me esquecendo de uma coisa. — Disse, correndo para fora da janela e logo retornando com alguém por cima do ombro. — Esse é o Shimura-san. Tratem-no bem, por favor. Ele foi muito útil para mim.

Tsunade e Kakashi riram do que lhes foi exposto.

— Você fez um bom trabalho ao limpar tudo, Naruto. Shikamaru, por favor, faça o que puder. — Kakashi avisou, recebendo uma resposta instantânea.

Assim que Shikamaru deixou o recinto, Naruto recolocou sua máscara e aproximou-se do antigo professor e da Hokage. Sentou-se em frente à mesa como se esperasse alguma coisa.

— O que vocês fazem o dia todo? Conversam enquanto bebem chá? Até agora apenas conversamos, então cadê o chá? — Os dois Hokage sentiram um tom risonho perambulando na voz de Naruto.

— Você não deseja se revelar para muitas outras pessoas, não é? Na verdade, sinto que além de todos que estiveram aqui, Konohamaru, Soki e Sakura, — Tsunade deu ênfase a esse nome, logo observando um rubor brilhar nas bochechas do Herói — temo não saber para quem mais se revelou.

— Hinata — respondeu com o tom sincero.

— Entendo. Isso é muito bom. Afinal, ela assumiu um peso muito grande por nossa responsabilidade — a voz da Quinta carregava uma censura pesada.

— Se liga, eu sei disso, baa-chan. Melhor do que ninguém. — Naruto trincou os dentes. — Ela assumiu um filho que não era dela, sobretudo a meu pedido. Não me sinto honrado pelo que fiz.

Tsunade deu um longo suspiro. Kakashi alternava entre olhar para a Quinta e para o antigo aluno.

— Não creio que tenha sido para todo mal. Hinata ama aquele garoto. Para todos os casos, ele é o filho dela. — A bela mulher deu um curto sorriso.

— Mas ele não é um Hyuuga, baa-chan. Na verdade, é até difícil descrever o que ele é. Podemos dizer que ele é um Uchiha por parte de Sasuke. Também podemos dizer que é um Uzumaki por parte de Karin. Também se pode dizer que é um Senju, se olhar na sua árvore genealógica e remontar seus ancestrais. Mas… — sua voz entrecortou-se com um suspiro — talvez ele esteja mais próximo de um Outsutsuki do que de todo o resto.

— O que quer dizer com isso, Naruto? — Perguntou Kakashi em tom severo.

Naruto levantou-se e encarou a Vila pela janela. O sol brilhava num ponto alto a oeste, dando a entender que a hora do poente se aproximava. Girou os olhos por toda a extensão que a janela lhe permitia, reparando em prédios novos, antigos, alguns reformados, ruas que nasceram durante sua ausência e aquelas que conhecia tão bem quanto a palma de sua mão. Contudo, quando finalmente a gravidade da questão caiu sobre si, foi que ele teve a coragem de dizer.

— Eu me lembro de dizer-lhes que o Soki era um potencial usuário do Rinnegan, não é? — Todos assentiram. — Eu menti. Se liga, ele é o herdeiro do Rinnegan. Kurama já havia me informado assim que pus os olhos nele quando retornei. — Kakashi engoliu seco e tremeu de preocupação. — Os chakra de Indra e Asura estão dentro dele. Se Orochimaru conseguir capturá-lo, então tudo estará perdido; não só ele será imortal, como também terá um grande poder em mãos.

Tsunade mordeu o lábio inferior. Lembrou-se da conversa que teve com Orochimaru durante a guerra. Todo o papo de mudança e a ideia de observar o futuro; tudo morto quando Sasuke se foi. Ela sabia que Orochimaru decerto havia mudado e não se interessava mais pela Vila da Folha. Mas isso não implicava no fato de que as ações dele não poderiam afetá-la, de alguma forma.

— Temos que estar prontos a qualquer custo. Já o deixamos solto por tempo demais. — O tom de Tsunade era firme.

— Manteremos vigília redobrada sobre Soki. Chamarei alguém especial para a tarefa. — Kakashi depositou as mãos em cima de sua mesa.

— Ah, tenho uma pergunta importante. — Naruto interviu. — Como vai o Iruka-sensei?

— Ele se recusa a sair do trabalho na Academia. Creio que entende o motivo, não é? — Kakashi sorriu.

— Ele tem mais amor pelas futuras gerações do que qualquer um. Se liga, é claro que eu entendo. — Naruto sorriu, voltando a olhar pela janela. — Ah, me desculpe. Quem você irá chamar para a tarefa?

Um brilho faiscou pelo olho de Kakashi.

— Hanabi! — Sua voz grave chamou, alto o suficiente apenas por aqueles à sua volta.

Poucos segundos depois Naruto já havia desaparecido. Não podia se revelar para outra pessoa, especialmente para Hanabi que era uma usuária do Byakugan. Tanto Kakashi como Tsunade compreenderam a situação. Explicaram a Hanabi a parte que lhe concernia, enfatizando que Hyuuga Soki deveria ser guardado vinte e seis horas por dia.

IV

Naruto chegou bem mais cedo que de costume. Havia uma boa justificativa para isso, se considerar que suas pesquisas o levaram diretamente ao destino final: um dos esconderijos de Orochimaru. Olhou bem para sua casa, sentindo o aroma de Sakura espalhado pelos cômodos. Tudo parecia muito diferente com ela ali, tanto que ele costumava fazer comparações mentais em relação ao seu antigo estilo de vida. Cansado, sentou-se sobre o sofá e mal se viu adormecendo.

Teve um sonho bastante estranho. Via Hinata dizendo-lhe "pense direito" repetidamente, como num hino repleto de bis. Ao acordar, pensou se não estaria se esquecendo de alguma coisa: pegara as informações sobre as principais forças do Inimigo, houvera capturado um soldado, tornara a reforçar a vigília sobre Soki. Olhou a hora e viu que já era bem tarde. Sakura voltaria logo.

— Droga. Queria ver Soki ainda hoje para lhe contar a meu respeito. — Resmungou ao se lembrar de sua dívida. Mas àquela altura não queria procurá-lo. Sabia bem que o garoto se encontrava na Mansão dos Hyuuga.

Ainda entorpecido pelo sono, tomou um intenso banho e limpou-se de todo suor e sujeira conquistados na sua pequena aventura. O dia fora complicado apesar de recompensador. Saiu do banheiro usando apenas uma toalha. Não imaginava que chegaria à sala e encontraria Sakura carregando sacolas cheias de vegetais.

— Eu não esperava voltar e encontrar isso — passou os olhos de cima a baixo por Naruto.

— Se liga, desculpe-me. — Naruto gaguejou, apresentando um leve rubor nas bochechas.

— Não que eu me importe. — Sakura manifestou seu lado mais devasso. — A casa é sua, afinal de contas.

Não é apenas minha, Naruto fez menção de dizer, mas essas palavras ele guardou. Provavelmente por causa da timidez. Dirigiu-se rapidamente ao quarto, onde trajou-se com a mesma roupa de dormir da noite anterior. Sakura devia estar no fogão, preparando novamente o jantar. Naruto apreciava aquele gesto mais do que qualquer outro, pois sentia-se parte de uma família. Pena que não sabia cozinhar tão bem quanto preparar café; caso contrário, encantaria Sakura de outras formas.

Por falar em encantar…

— Sakura-chan? — Sibilou ele incrédulo.

— Que foi? — Ela perguntou sem encará-lo, provando o tempero da sopa que preparava.

Naruto não teve mais palavras. Ela estava trajando apenas calcinha e uma camisa larga, que ele logo reconheceu como sendo dele. Não tardou muito para mudar de opinião acerca da cena da manhã de hoje: aquela era a visão mais provocante que já tivera. Provocante, é claro, no sentido mais sexual possível. E Sakura parecia saber disso, mesmo que não desse a entender. Por que outro motivo se vestiria daquela forma, afinal?

Era impossível não a encarar. Suas curvas perfeitamente esculpidas, mesmo que singelamente omitidas pela larga camisa masculina, só ganhavam mais ênfase à medida que se olhava para o todo. O cabelo cor-de-rosa, preso para não deixar fios soltos sobre a comida, deixava um curto rabo-de-cavalo dançando nas costas de Sakura. A camisa era preta, o que já era provocante por si só, mas a calcinha era cor-de-rosa… Naruto mentiria se dissesse que não postou o olhar por ali durante um longo tempo. Olhou de todos os ângulos possíveis, por mais que fingisse que não estivesse olhando. Olharia com muito mais do que os olhos, se fosse possível. Só tinha uma resposta para aquela situação: Sakura sabia do seu desejo; tanto sabia que, se dependesse dela, ou lhe daria o que ele tanto desejava, ou provocá-lo-ia enquanto pudesse.

— Eu fiz apenas uma sopa de vegetais com carne de porco. Está bom assim? — Ela virou o olhar por uns breves instantes, dando de cara com a expressão estupefata do noivo.

— Está ótimo — ele respondeu com uma conotação totalmente diferente na voz.

Sakura riu. Não se importava com os olhares vorazes que recebia do noivo. Pelo contrário, quanto mais recebesse deles, melhor. Estava atiçada para dominá-lo em todos os sentidos, e fazia-o nos mais simples gestos: em cada mexida de panela, em cada coçada de perna, numa simples inclinação para buscar algo, etc. e tal.

Difícil era ficar sentado, sem se mexer, com um volume daquele entre as pernas.

Não levou muito tempo para que Sakura aparecesse à mesa, caminhando com um gingado nada sutil, distribuindo a refeição entre eles. Contudo, Naruto não estava de olho no prato principal. Seguia Sakura como um predador persegue sua presa, embora os papéis talvez fossem outros: era Sakura quem o dominava, e não o contrário. Não se sabe se ele estava ciente disso, mas isso pouco importava.

— Espero que esteja bom — ela disse com um sorriso, provando um pouco do próprio prato. Sua expressão deliciosa indicava que ela apreciara o trabalho.

— Se liga, está incrível — respondeu Naruto, conseguindo controlar um pouco mais de seus impulsos. — Como foi seu dia, Sakura-chan?

— O meu? Foi ótimo, como sempre. Soki está louco para pegar alguma missão fora da Vila, embora tenha sido veementemente proibido dá-las a times de Genin. — Sakura ponderou por um tempo. — Apesar de ele já ser um Chuunin, ainda é muito jovem.

Naruto concordou, embora ele mesmo fosse um dos que exigiam missões difíceis quando mais novo.

— E você? — Sakura apoiou o queixo nas mãos, olhando-o com ternura.

— Ah, — Naruto enrubesceu — foi muito bem, na verdade. As informações que consegui nos dias anteriores me ajudaram a encontrar o esconderijo quase de imediato.

— Quer dizer que… — Sakura começou com um tom exaltado.

— Sim. Se liga, não estamos mais às escuras quanto a nosso Inimigo. Shikamaru dará as informações em breve. — Naruto assentiu com felicidade.

Sakura deu um leve riso e encurtou os ombros.

— Eu já sabia, seu bobo. Shikamaru já terminou a análise. Vejo que você ainda está muito distraído para certas coisas. — Sakura desviou o olhar para a cômoda da sala, onde algumas pastas estavam cuidadosamente organizadas. Uma delas estava aberta, indicando que fora utilizada recentemente.

— Se liga, isso foi sacanagem. — Naruto resmungou, obtendo um novo riso de Sakura.

— Não são pessoas comuns, você sabia? Um deles tem uma técnica obscura que só foi vista uma vez, num inimigo que causou grande transtorno ao Time 10. Lembra-se dele? — Naruto assentiu. — Pelo jeito, Orochimaru saiu pesquisando loucamente nos últimos 13 anos. Teremos adversários não só formidáveis, mas com técnicas sombrias perfeitamente aprimoradas para nos enfrentar.

Naruto suspirou. Sabia que a situação não estava tão favorável, inda mais com a imprevisibilidade do ataque. Contudo, era uma pessoa muito otimista, por isso acreditava na força dos seus companheiros e da própria Vila Oculta da Folha.

— Acabei encontrando um deles enquanto investigava o esconderijo. Não sei se porque fiquei mais esperto ou se ele que não era tão inteligente, mas consegui contornar o problema sem ao menos um arranhão. — Sakura pareceu surpresa com esse comentário.

— Quem diria que você é aquele Naruto… — suspirou.

Foi a vez de Naruto presenteá-la com um sorriso.

— Se liga, estou ouvindo muito isso hoje.

Depois que terminaram de comer, Sakura retirou a louça suja e levou-a para a pia. Bastou um único vislumbre da sua cintura perfeita e seu gingado envolvente, que Naruto lembrou-se de toda excitação de minutos atrás. Seus olhos seguiram-na como mariposas seguem a luz, e rapidamente se perderam à imagem dela lavando a louça, como fora feito na manhã de hoje.

— Sakura-chan, não quer que eu cuide da louça? — Ele arriscou com um tom fraco.

— Não precisa. Amanhã você cuida. — Respondeu com normalidade.

Se havia normalidade nos atos de Sakura, Naruto podia encontrá-la apenas no tom de voz. Ela estava muito cheirosa, bem mais do que o comum, e vestida daquele jeito, não podia estar pensando em outra coisa senão provocá-lo. Caso contrário, ele teria de pedir muitas desculpas por não compreender absolutamente nada do universo feminino.

Sakura inclinou-se sobre a pia, lavando cuidadosamente e, é importante mencionar, certa lentidão, a louça do jantar. Vez ou outra a camisa subia até a altura da cintura, permitindo um vislumbre de todo seu corpo numa perfeita forma feminina. Assim como na manhã de hoje, Naruto perdeu-se naquilo, quase se entregando à irracionalidade. E quando deu por si, já se encontrava de pé, próximo a ela. Ela o olhou por cima do ombro, dando o vislumbre de mais um sorriso, quase como convidando-o a se aproximar ainda mais. No entanto, ele se viu estático, analisando as curvas perfeitas do corpo dela se exaltando naquelas posições. Ah, que corpo… que costas… que b…

— Acho que mudei de ideia. Se quiser me ajudar. — Sakura olhou-o novamente, observando-o atônito. Deu um suspiro entediada. — Pode vir, Naruto.

O pobre Herói se via derrotado diante da permissividade. Não havia nada mais cálido e desesperador do que um desejo sendo saciado. Apesar de ser um mestre no autocontrole, isso requeria uma capacidade sobre-humana de apreciar o presente. Naruto contemplava uma grande oportunidade nesse mesmo instante.

Aproximou-se dela, como fizera de manhã, e agarrou-a pela cintura. Mergulhou o rosto na nuca dela, arrancando-lhe um suspiro exaltado. Sakura apoiou-se sobre a pia, empurrada pela chegada brusca de Naruto, que praticamente avançara sobre ela como um foguete lançado ao espaço. Mas Sakura gostou daquilo; tão breve sentiu-o tocar-lhe por trás, empurrou o corpo na direção dele, desejando uma aproximação ainda menos sutil com a que fora tratada hoje de manhã.

Havia outra coisa que Naruto queria experimentar: subiu as mãos até os seios dela. Eram pequenos, sim, bem pouco volumosos. Mas queria saber como era acariciá-los. Sakura virou o pescoço para cima, desejando que ele a mordesse e beijasse; e permitiu que ele lhe tocasse daquele jeito. Além disso, as carícias nos seios pegaram-na de surpresa. Estava preparada para provocá-lo com a bunda, mas aquilo também serviria. Abriu as pernas, firmou-se bem à pia, esticou o corpo e encaixou-se sobre Naruto. O Herói sentiu-se fraco sob aquele toque erótico: Sakura novamente rebolava sobre ele, de um jeito que tornava a deixá-lo louco. Ele também apertou as mãos nos seios dela, beijando-lhe a nuca sob o cabelo preso, exalando um perfume doce e intenso de rosas.

Sakura sabia bem o que Naruto queria. Tão breve sentiu sua bunda tocá-lo, ele largou os seios e se ajeitou de forma a ver o movimento. Apreciava aquilo com uma respiração ofegante, quase como se tivesse sido eletrificado. Não era uma camisola fina que cobria o corpo de sua amada; era sua camisa, e aquilo dava um toque ainda mais especial. Além disso, a calcinha parecia ter sido feita para aquela posição. Nunca Naruto esperava vivenciar algo do gênero; e lá estrava ele, insaciável, transferindo as mãos da cintura para as nádegas de Sakura.

Ela o agarrou pelo pescoço, girando o rosto para encontrar os lábios dele. Quando o fez, suspirou de forma provocante, rapidamente sentindo Naruto pulsar atrás de si.

— Me leva para a cama? — Perguntou num sussurro entrecortado. Havia um tom de recompensa na voz dela, embora não se soubesse o motivo para isso.

Independentemente das perguntas, Naruto fez o que ela lhe pedira. Não se desgrudou de seu abraço, mas foi andando aos tropeços e balanços até o quarto (a cena era bem engraçada, mesmo que ninguém se importasse). Sakura tinha pudor o bastante para omitir esses desejos: quando sentiu Naruto agarrando-a daquela forma de manhã, imediatamente entendera o que ele desejara. O mais surpreendente é que ela também queria. Achou interessante, talvez, ou simplesmente sempre tenha tido essa vontade. Talvez os homens que gostassem de seios fartos preferissem outra posição; enquanto ela, como uma mulher com pernas grossas e uma bunda bonita e firme, tinha aquele desejo.

Quando se ajoelhou sobre a cama, abaixou o corpo e ficou de quatro em frente a ele. Ah, aquilo estava ainda além do que ele imaginara. A forma de Sakura naquela posição era mais que perfeita… não havia nome que se dava à sua excitação naquele momento. E olha que dar nome às coisas era uma prática de natureza humana.

— O que você vai fazer comigo nessa posição, Naruto? — Sakura perguntou em tom inocente, dando uma pequena rebolada provocativa.

O sábio costuma dizer que quem brinca com fogo se queima. Sakura não estava preparada para aprender aquilo daquele jeito. Naruto deu-lhe uma apalpada tão forte quanto um tapa, fazendo-a deslocar alguns centímetros para frente e dando um gemido, meio de dor e meio de prazer. Ela esperava que ele se enfiasse sobre ela de uma vez, assim como fizera após o café-da-manhã, mas não esperava ter a língua dele delineando sua nádega de cima a baixo. O toque fê-la arrepiar, deixando um rastro úmido e que fazia cócegas. Apertou a colcha da cama, surpresa e sentindo-se uma idiota, com ideias de ser a dominadora da noite, mas sentindo-se mais dominada do que o contrário.

Contudo, Naruto parecia não perceber os efeitos que sua última ação surtira sobre a amada. Fora guiado apenas pelo desejo, que retumbava no peito e em cada ação que executava. Ver Sakura de quatro, tão tentadora e aberta, ainda de calcinha e esperando quaisquer coisas que ele pudesse fazer, fora um golpe maior que a expectativa. Naruto alisou-a das coxas às costas, tardando-se um pouco nas nádegas firmes e volumosas. Sakura gemeu um pouco sob o contado. Realmente, ela tinha tara com aquela posição.

Naruto já havia experimentado sexo oral com Sakura. Mas havia uma pequena curiosidade crepitando em sua mente. Ele foi em direção à calcinha de Sakura, colocando a língua sobre ela na beira de suas costas, e deslizando-a até a altura das coxas. O toque molhado e quente fez com que Sakura gemesse. Sua mente encheu-se de expectativas: será que ele vai fazer o que estou pensando? E fez. Ele moveu a calcinha um pouco para o lado e passou a língua no centro, em pequenos movimentos circulares. Sakura sentiu cócegas e um intenso prazer; tanto que apertou a colcha da cama com bastante força. Gemeu ainda mais quando o sentiu introduzindo a língua.

— Ai, meu Deus… Naruto… seu louco…— gaguejou entre suspiros. Não demorou muito para que os suspiros se tornassem gemidos.

A língua de Naruto entrou e saiu algumas vezes, voltando a desferir alguns movimentos circulares e cautelosos. Lentos, como se aproveitassem ao máximo a situação. Num movimento voraz, apertou as nádegas de Sakura com força e enfiou a língua o mais fundo que pode, como se mergulhasse dentro dela.

— Naruto! Ai! — As pernas de Sakura tremeram, e ela por um instante perdeu o equilíbrio, sendo forçada a se segurar na cabeceira da cama.

— Que foi, Sakura-chan? Quer que eu pare? — Ele perguntou com a voz inebriada.

Sakura não disse nada, apenas continuou na mesma posição. Se aquilo era sexo anal, então estava saindo melhor do que o esperado. Claro, que certas precauções teriam de ser tomadas, mas não havia espaço para preocupações naquele momento. Naruto não se deteve outra vez e repetiu todos os novos movimentos que acabara de aprender. Sakura se forçou contra ele, como fizera na cozinha. Ela abaixou a cabeça, com os olhos fechados, arfando e gemendo lentamente, como se apreciasse um fruto delicioso e proibido.

No entanto, seu propósito não era ser dominada. Ela é quem queria dominar. Passado um tempo, quando o prazer não era tanta novidade assim, obteve mais firmeza nas pernas e empurrou o corpo dele com as mãos. Encarou-o de costas, dando um sorriso maroto, fazendo-o tombar de joelhos na cama. Ele esticou as pernas por baixo dela, arfando em excitação quando a viu tirando a calcinha e jogando-a para longe. Nem ao menos viu aonde a peça íntima fora parar, apenas contemplou a magnífica obra da natureza à sua frente.

— É minha vez de fazê-lo provar a loucura.

E ele provaria com todo prazer. Foi ele mesmo quem se despiu, exibindo um membro rijo e pulsante. Sakura teve vontade de prová-lo com a boca, mas tinha outras necessidades à frente. Quando encaixou suas pernas ao redor das dele, de costas para o membro que pulsava sob o mais simples roçar de peles, deixou-lhe que ele se perdesse no vale formado entre as nádegas. Naruto podia sentir a umidade deixada por sua língua, que mal ele sabia, mas seria de grande utilidade.

Sakura adorava aquela sensação. Novamente rebolou sobre ele, dando a entender que era assim que devia ser: ela no comando, e ele obedecendo. Fora permitido que Naruto a tocasse como bem entendesse, mas que toda a penetração seria comandada por ela. Por mais que fosse algo prazeroso, os primeiros movimentos sempre traziam um pouco de dor e desconforto. Por isso, quando Sakura sentiu ele entrando a primeira vez, suspirou fundo e deixou que saísse novamente. O coração de Naruto havia disparado, mesmo que fosse apenas o começo.

Sakura tentou uma segunda vez: agarrou firme as pernas de Naruto, alinhando seu ânus em frente ao membro, e deixou que ele entrasse mais um pouco até que se sentisse confortável. Falhou uma segunda fez, tal como na noite em que perdera a virgindade. Contudo, Naruto era paciente (na verdade, estava tão entorpecido que mal sabia como reagir), e deixava à sua amada o direito de controlar aquela posição. Sabia que coisas novas exigiam um custo, e esse preço era barato demais para que pestanejasse.

Na terceira vez, Sakura segurou o membro para que o mantivesse alinhado dentro de si. A penetração queimava um bocado, mas era um tanto excitante. O gemido que saía vez ou outra não era apenas de dor; Sakura sabia disso.

Naruto acariciou a bunda dela, vendo seu membro penetrando-a lentamente. Quando viu que a metade tinha entrado, deu-se por satisfeito e relaxou as costas sobre a cama. Era quente, apertado, gostoso. Sentia uma certa umidade lhe provocar, provavelmente resultado da sua língua, mas era muito gostoso. Sakura tinha de concordar que, após alguns minutos de dor e queimação, o ato estava um pouco mais prazeroso. E ia ficando gradativamente, até que num certo ponto, ela pôs as mãos sobre as de Naruto, que a agarrava com voracidade, e apertou-as com firmeza. Naruto gemeu forte ao sentir Sakura empurrar mais o corpo contra o dele, enquanto lhe era permitido um vislumbre de seu membro penetrando-a. Conseguira ir até a metade, o que era um bom começo, e permaneceriam ali pelas próximas vezes que tentassem aquela posição. Era muito bom, muito mesmo, mas requeria certo cuidado e calma. Poderiam se machucar caso tentassem coisas muito bruscas.

Sakura já estava um pouco mais acostumada ao sexo anal. Na verdade, o mesmo tesão que Naruto sentia ao vê-lo entrando e saindo dela, Sakura sentia ao coordenar o movimento. Numa certa altura, ela já elevava o quadril e abaixava-o com velocidade, percorrendo todo o comprimento de Naruto até à metade. Sakura já gemia com prazer, levando a mão até à boca num movimento sensual. Não mais que Naruto, que observava o belo corpo de Sakura envolvendo-o com força.

— Sakura-chan. Sakura-chan. Eu… — Ele arfou entre gemidos.

— Sim, Naruto. Pode gozar! — Sakura retrucou, sentindo-o pulsando ainda mais forte que nas noites anteriores. Provavelmente porque a sensibilidade dessa posição era um pouco maior.

Apesar de o ato não ter sido demorado, principalmente por esta ser a primeira vez, Naruto acabou atingindo o ápice bem cedo. Sakura também sentiu que poderia gozar com sexo anal, embora requeresse mais estímulos em outras partes do corpo. Da próxima vez que fizessem, ela ia pedi-lo que fosse de conchinha, e ia querer os dedos dele para ajudá-la.

Sentiu-o gozando dentro de si, mas não tinha problema. Sabia que em pouco tempo aquilo não estaria mais no seu organismo, e apesar de a sensação ser estranha, não era exatamente ruim. Ela o deixaria fazer isso sempre que estivesse disposta a fazer anal. Com um último suspiro, virou-se novamente para ele e o beijou com muita intensidade. Um tipo de beijo que só podia ser dado após fazer amor, porque era quente, suado, ofegante, repleto de desejo e ternura.

Sakura só tinha mais uma coisa a dizer:

— Gostou de me pegar por trás?

Naruto arregalou os olhos numa expressão atônita. Quase quis dizer que não se falava esse tipo de coisa, mas a verdade é que ele gostou. E muito.

Sem mais uma palavra, Naruto viu que o desejo ainda brilhava nos olhos de Sakura. Por isso ele a tomou num longo beijo, enquanto a masturbava com intensidade. Queria terminar aquela noite com o orgasmo dela, por isso, além da masturbação, também apelou para o sexo oral. Sakura amava aquilo. Amava o jeito com que ele a chupava e penetrava com a língua. Também usou os dedos para intensificar o prazer. Sakura amava quando ele fazia aquilo.

— Ai, Naruto. Ai… — gemia sem medida de volume. Levou alguns minutos, mas logo atingiu o ápice, apertando-lhe o cabelo com força enquanto as pernas tremiam.

Ambos ficaram deitados lado a lado, cansados, sentindo que em poucos dias haviam compensado grande parte da falta que tinham um do outro. Se encararam com um pouco de vergonha, embora ela tenha se perdido no calor de um abraço. Não demorou muito tempo para que os dois adormecessem, satisfeitos, com o coração acalmando suas batidas pouco a pouco. Contudo, a paz que sentiam não duraria por muito tempo. Infelizmente, a guerra voltava a soprar suas nuvens negras sobre o horizonte da Vila Oculta da Folha. Os tambores voltaram a rufar no ritmo da batalha.