BEIJO NA NEVE

O vento branco e frio fustigava seu rosto com força. Ela tremia sobre os casacos molhados, as roupas grudadas no corpo, mas a sensação de liberdade era tão grande que ela não conseguia se conter e se forçar a voltar. Ela sorriu e chutou a neve para longe de seus sapatos congelados, o gelo grudado na sola, e levantou os olhos para o lago.

Estava tão terrivelmente feliz que sentia vontade de gritar. Com uma olhada para o lado para ver se não havia qualquer perigo, abriu a boca e o fez.

Então começou a rir enquanto as lágrimas brotavam em seus olhos, rir de um jeito despreocupado e feliz, lindo; ela gargalhou, parada sobre a neve, durante um longo tempo, até que seu rosto começou a doer.

Deixou-se cair no chão coberto de neve – não ligava se morresse de frio ali, estava feliz demais para ligar. Continuava a rir mais de leve, tentando expressar toda a sua felicidade.

Foi então que, ao rolar na neve, bateu contra algo sólido e duro, muito ao contrário da neve na qual rolava. Parou de rir. Levantou-se e tirou a neve do casaco. Fechou os olhos, as lágrimas ainda rolando.

"Charlie estaria quase tão feliz quanto você hoje... Só não tenho certeza sobre rolar na neve e rir histericamente por cinco minutos sem parar" ela abriu um sorriso e, sem sequer se virar, soube exatamente quem era, exatamente qual era sua expressão, seu sorriso, o brilho no olhar...

"Não tenho tanta certeza sobre as risadas" disse ao se virar e o encarar diretamente nos olhos. Ele sorriu de volta aquele sorriso que ela não via há tanto tempo... Suspirou "Afinal, o que você está fazendo aqui? Não devia estar em Londres?"

"Devia, mas eu não sigo todas as regras"

"É, nós sabemos muito bem disso!" ela disse e riu, dando um passo na direção dele e ficando séria "Você veio por minha causa?"

"Pensei que isso era óbvio" ele disse dando um passo para mais perto também. Ela fechou os olhos sentindo a neve contra seu rosto e o hálito dele contra a sua pele, quente como o amor dela por ele.

"É óbvio. Mas o que você quer comigo? Não deveria estar na festa, comemorando a derrota do mal absoluto?" sorriu de modo despreocupado, e ele riu de volta.

"Pensei que isso também era óbvio..." ela sentiu mãos enlaçarem sua cintura e deixou o sorriso se alargar "Eu quero te transformar na minha prisioneira perpétua" ela riu com isso e resolveu abrir os olhos, encarando as íris verdes com uma expressão séria.

"Foi, é? Vai me prender na sua cama e jamais me deixar sair de lá? Vai me mostrar aquele hipogrifo que você tem tatuado no peito?"

"Isso mesmo, Srta. Weasley. Mas antes de eu te prender na minha cama preciso te levar para Hogsmeade e trocar o seu nome."

"Para Sra. Potter?"

"Isso mesmo"

"Perfeito" e sorrindo, congelados de frio na neve, deixaram o passado para trás e foram viver o futuro, o selando com um beijo de amor eterno.