Depois da Dor II
Disclaimer: Infelizmente Supernatural não me pertence mas eu posso sonhar com o Dean.
Shipper: Logan/Gabe
Avisos: Fic Slash! sem avisos.
Beta: Sem beta
Capítulo adiantado! Boa leitura.
Capítulo IV
Logan levantava-se a cada amanhecer decidido. Esforçava-se o máximo que podia em cada tarefa, sempre em progresso continuo; seguindo regras, funcionando corretamente e recebendo manutenção quando necessário. Era uma maquina imperfeita à espera da próxima atualização. Seu único desejo era agradar.
Seus dias seguiam uma rotina; entre esconder-se em seu quarto e fugir do contato humano, frequentava o psiquiatra e visitava a mãe todos os fins de semana na tentativa deixar todos satisfeitos.
As consultas com o doutor, de longe, era o mais doloroso. Prometeu mudar, mas falar era mais fácil do que fazer.
"Como você se sente, Logan?"
Deitava-se no sofá e se remexia até encontrar uma posição confortável. Consciente e incomodado, olhava para o teto esperando pelo doutor pegar sua ficha e analisa-lo como um objeto quebrado prestes a ser remendado. Algo crítico, porem necessário.
"Eu estou bem." Era sua frase ao iniciar todas as seções.
Forçava-se a relaxar e colocar os sentimentos para fora.
Começava contando sobre seus dias, suas ações e atividades. Gabriel era constante em seus relatos, uma vez que o irmão parecia estar em todo lugar, decidido a invadir sua vida.
Percebia estar lutando para combater a aproximação do irmão. Sem poder fazer nada, chorava frustrado. Seus soluços eram arrancados à força. Subiam rasgando por sua garganta, sem consideração alguma por seu coração. Gostaria poder receber o irmão como qualquer outra pessoa sã faria, mas algo dentro dele se rebelava com todas as forças.
Sempre chorava.
Seus olhos logo enchiam de lagrimas e inchavam, sentimentos miseráveis e pobres vazavam sem que ele pudesse evitar. Podia ser no começo ou no fim da sessão, algo triste, doloroso, feliz ou até frustrante. Tudo junto. Os fatos eram jogados em sua cara sem pudor. Entendia, mas, por sua vez, não conseguia aceitar.
Ficou consciente de seu complexo egoísta e controlador. O pior era gostar da sensação. Nenhuma droga se comparava com o prazer de dominar ou controlar as pessoa. Não tinha muito influencia sobre desconhecidos, mas ter a atenção de quem amava o deixava em êxtase.
Gostava de quando o pai passava um tempo com ele, mesmo quando sabia estar atrapalhando e prejudicando Sam. Gostava quando o tio lhe dava dicas de como conquistar as garotas, algo que nunca usaria, mas era o que lhe dava satisfação. Às vezes fingia estar triste para ter um carinho ou tempo dedicado.
Ainda que soubesse tudo isso, não conseguia parar essa compulsão deliciosa e venenosa. Por isso não tinha desistido das consultas quando superou a relação do pai e do tio e todo o drama com a mãe encarcerada.
O medico deu a ele uma receita e explicou, calmamente, depois que Logan se calou.
"Você está indo muito bem, Logan." Explicou. "Uma grande melhora desde nossa primeira consulta."
"Não vejo nada diferente." Deu de ombros, se sentando. Limpou o rosto molhado e olhou para o doutor.
"Você agora tem consciência do que faz." Disse olhando suas anotações. "Já aceita que Gabriel é seu irmão e sabe que tem problemas a trabalhar. Se fosse há alguns meses não seguiria chama-lo de irmão. Certo?"
Concordou. Isso era verdade. Tinha consciência de cada ato praticado e cada pensamento individualista. Era por esse motivo que não via melhora alguma.
"Vamos diminuir sua medicação"
Logan franziu a testa. Ele não se sentia bom o suficiente para diminuir o que o deixava centrado e no controle da própria vida.
"A medicação serve com um apoio. Ela não é a cura, é o impulso que o senhor precisa para se manter calmo e ciente. Só você pode tomar a decisão de melhorar." Disse explicando o que Logan já sabia, o que sempre era falado em todas as sessões. "Me diga qual a ultima vez que teve alucinações." Perguntou, provando o seu ponto.
"Tudo está acontecendo como deveria, senhor Winchester. A recuperação de um trauma é lento e trás consequências como qualquer outra doença ou ferida." O doutor disse se levantando e apertando suas mãos. "Por hoje o senhor está liberado."
Tudo que o medico lhe disse se provava real. Com o nascimento de Gabriel não teve tempo ou vontade de fugir para seu mundo de fantasia. Estava ocupado lutando por consciência mental e irritado diante de outras pessoas invadindo seu mundo.
-x-
Após sair do consultório Logan seguia para a penitenciaria da cidade. Sempre escolhia um dia diferente do anterior quando todos estivessem ocupados e não sentissem sua falta. Era o dia que ele tirava para repensar em tudo o que havia passado e visitar a mãe na cadeia.
Apesar de erros do passado Jessica parecia ter se endireitado, fazendo tudo o que estava ao alcance dela para se redimir, principalmente aos olhos do filho, a única pessoa que aparentava se importar com ela.
Durante mais de um ano Jessica ficou presa, permitida de ver a luz do sol duas vezes por dia e receber visitar do filho e do advogado. Nada mais que isso. Qualquer outra pessoa que quisesse vê-la não passaria da recepção. Nunca soube se alguém mais a visitou, mas não era importante. Porque alguém iria querer? Ela mal entendia como Logan ainda podia sentir qualquer traço de afeto, quanto mais alguém que havia conhecido no passado. Era uma criminosa e aceitava ser tratada como uma.
Jessica pôde perceber algo durante as visitas. O filho sempre vinha no mesmo horário, geralmente quando o sol estava alto no céu e sempre ia embora pouco antes de entardecer. Tudo em Logan dizia mecânico e perfeito. Às vezes tinha a impressão de ver um olhar calmo e frio demais. Não, a definição certa seria controlador.
Era algo que subia a superfície velozmente e se ia ainda mais rápido. Aparecia quando menos esperava. Tinha certeza, se piscasse perderia o momento. Logo não havia nada lá, Logan já estava falando e gesticulando, contando animado sobre as novidades no colégio e na família.
Ele não a enganaria. Tinha pena do filho. Logan era exatamente como ela. Por fora se comportava amável e prestativo, mas se você olhasse com atenção, veria. Pelas bordas Logan era alto-suficiente, analítico e esperto. Ela não queria pensar nisso, mas reconhecia o olhar malicioso escondido por um rostinho inocente e a ganância e ambição, algo feroz que há tempos, felizmente, havia perdido.
"Eu odeio isso!" Logan disse pela primeira vez, sincero, sem precisar pagar alguém para isso. "Odeio não conseguir odiar Gabriel."
Jessica não sabia se essa declaração era boa ou má. Pelo menos Logan não mostrava abatimento e necessidade de ser protegido como meses atrás. O filho tinha dezoito anos e já mostrava ombros largos e segurança na postura falsamente descontraída. Logan dava a impressão de nunca baixar a guarda, um tanto agressivo, mas confiante ainda que carinhoso e gentil. Ela podia ver a mistura dela com Sam e a arrogância de Dean Winchester. Uma confusão de personalidades, mas não negava, seria atraente se a pessoa em questão não fosse o seu filho.
"Isso é bom, Logan." Disse. Sua voz soava afetuosa e afável. Controladora. Habito que ainda não conseguia se livrar. Gostaria que Logan e Gabriel fossem tão unidos quanto Sam e Dean, assim o filho nunca ficaria sozinho. "Você não gostaria de companhia? Alguém para conversar e passar o tempo?"
"Eu não estou sozinho, tenho muitos amigos."
Revirou os olhos impaciente.
"Estou falando de alguém que te entenda. Alguém que você possa ser você mesmo."
Logan levantou as sobrancelhas e franziu o cenho, daquela forma desconfiada quando achava que outros estavam errados e tentava achar uma resposta a altura.
"E você, como está de verdade?" Perguntou preocupada. Tirando os problemas esternos, sabia que Logan ainda se consultava com o psiquiatra e tomava seus remédios.
"Melhor." Falou dando de ombros. "A cada dia me sento melhor. Mais forte. Mais capaz."
Jessica suspirou.
Achava que Logan nunca ficaria melhor pelo simples fato de não querer. O filho lutava contra o irmão ou a voltar a ser como antigamente porque era mais fácil e seguro. Proteções e escudos eram mais prudentes. Entendia a necessidade de ser forte e não precisar da ajuda de outros.
De uma forma distorcida, tinha orgulho do filho. Pois de uma forma ou outra, Logan havia superado seus problemas e evoluído para alguém responsável, decidido a seguir no caminho certo.
Provavelmente Logan iria demorar a chegar onde deveria, mas talvez com a ajuda de Gabriel ele conseguisse. Agora ela tinha que torcer para Logan fazer a escolha certa.
Limpou sua cela e pegou os seus pertences, poucos objetos pessoais que havia trago um ano trás. Uma foto. Uma escova de dentes. Uma pulseira. Hoje ela não iria pensar nisso, era a data de seu primeiro dia de liberdade graças aos conselhos do advogado e sua conduta perfeita.
Passou algemada pelas celas e presidiárias, que por tanto tempo foram suas companheiras e pesadelo particular. Chegou a pensar que não houvesse escapatória, que iria apodrecer naquele lugar escuro e com cheiro de lodo, mas Logan sempre esteve lá para anima-la. Foi por causa dele que Jessica agora podia ver a luz do sol sem medo que fossem rouba-la.
As algemas foram tiradas de uma vez por todas. Era o símbolo de sua liberdade. Abraçou o filho e com seus braços rodeou a cintura de Logan. Encostou a cabeça no ombro forte e firme. O apertou como se nunca mais fosse larga-lo e soluçou. Molhou a camisa polo. Gemidos de dor saíram de sua garganta. Não pode evita-los. Mãos grandes acariciaram seus cabelos e costas numa cadencia lenta e afetiva.
"Está tudo bem, Mãe. Agora está tudo bem."
-x-
Logan deve ter passado meses nessa brincadeira de pique-e-esconde porque quando percebeu Gabriel já tinha um ano de idade. O irmão ainda parecia pequeno e frágil nas mãos de Sam e Genevive.
Não pode evitar, aproximou-se quando a família se reuniu em volta do bebê em um tipo de comemoração. Era aniversario do irmão. Parou em frente a ele, fez um leve carinho em seus cabelos escuros e saiu da sala assim que pode, tentando não parecer suspeito. Estava satisfeito por não voltar completamente ao velho padrão de ciúmes. Era um avanço lento, progredia ao passo de tartaruga, mas era uma evolução.
Entrou em seu quarto e foi direto para o piano no canto da parede, seu salvador na maioria dos dias quando queria dormir e ficar sozinho. A música que havia abandonado nos últimos anos surgiu como escapatória em sua necessidade de fuga.
Deslizou seus longos dedos pelas teclas e fechou os olhos deixando que a melodia conhecida entoasse pelo quarto. Tinha se esquecido do quanto gostava das sinfonias melancólicas e de poder se emocionar sem sentir-se culpado.
Logo ouviu uma batida na porta, não se preocupou em atender e voltou a se concentrar. A porta foi aberta e Gabriel entrou se equilibrando nas frágeis pernas, sendo guiado por Sam.
"Log!Log!" O garotinho guinchou animado tentando chegar mais rápido a dele e a fonte do som.
Parou de tocar e observou o pequeno.
Gabriel, impaciente, resmungou irritado e desistiu de andar, engatinhando até chegar a seus pés e puxou suas calças em busca de atenção. Revirando os olhos, Logan o pegou e o sentou em seu colo.
Gabriel sorriu feliz e bateu as mãos nas teclas, brincando com os sons destoantes.
Suspirando, se rendeu a Gabriel. Acariciou as mãozinhas do bebe chamando sua atenção, as parando em sua travessura barulhenta.
"Gabe, não faça isso." Fala num tom leve. "Assim." Logan mostrou para o irmão onde apertar. O bebê sorriu feliz a cada vez que apertava a tecla indicada e Logan aperta outra formando uma melodia simples.
Não tinha sido tão ruim, foi até divertido ver a concentração e felicidade do irmão ao acertar a tecla. Uma brincadeira simples e indolor que o fez esquecer todo o resto, não se lembrou da aversão ao irmão e muito menos do pai os observando da porta.
Deu de ombros e voltou a observar o irmão. Tinha lido em algum lugar que aprender musica era como respirar para os bebês, o que se provou real. Gabriel apertava as teclas certas, lento e com espaços, mas numa sequencia harmoniosa.
Sorriu orgulhoso.
"Muito bem, irmãozinho." Parabenizou fazendo cócegas no irmão e recendo em troca risadinhas e batidas de palmas. O irmão parecia mais satisfeito em agradar do que em tocar. Logan conhecia a sensação.
-x-
Logan estava na casa de Jim Beaver. Foi recebido pelo velho advogado com a fraca desculpa de visita-lo e se pelo caminho encontrasse com Gabriel e brincasse com ele durante algumas horas, não tinha nada a ver com a saudade que sentia desde o aniversario do pequeno.
Sentiu-se levemente incomodando com o olhar de águia que Genevive lançava sobre ele. A mulher parecia acusá-lo como se ele fosse roubar o filho dela. Voltou sua atenção a Gabriel que brincava com sua camisa e mordia a tecido o olhando inocente, mas sem largar sua roupa.
O garotinho era tão fofo e bonito que ele queria morder a pele macia e o apertar feito um boneco de pano. Não o fez, obviamente. Era capaz da mulher o expulsar e o colocar em uma ordem judicial, 30 metros de distancia de Gabriel devia ser o suficiente para ela.
Levantou-se e entregou o bebê o mais respeitoso que conseguiu. Acatou a ordem não dita porque a mulher parecia a ponto de esgana-lo a qualquer segundo.
"Até amanha, Senhorita Cortese." Disse sorrindo sem que Genevive visse. Falou de costas ao atravessar a sala em direção à saída. Ele voltaria mesmo que ela não quisesse, só estava fazendo o que o pai queria.
Passar um tempo com Gabriel estava se mostrando melhor que imaginava.
Olá. Chegamos ao fim do lenga-lenga. Esses capítulos foram para explicar o fim da outra historia. No próximo começa a parte legal.^^ Ah! Perdoem meus erros, estou sem beta.
