Nota: não faço a mínina idéia de onde se localiza a cidade de Bellwood, não há nenhuma pista no desenho. Por isso, nessa fic, resolvi que a cidade se localiza no estado da Califórnia, na região leste dos EUA.
Capitulo 03 – Viagens
Ben abriu a porta de casa e notou que não havia cheiro de almoço no ar. Sempre quando voltava do colégio, jogava sua mochila no sofá e corria para a cozinha, porque sua mãe havia acabado de preparar a refeição para o filho e o marido.
Tudo bem que aquele dia em especial, era oficialmente era o último dia de aula e agora restava apenas aproveitar as férias de verão. De qualquer maneira, seu estômago dava voltas e ele estava morrendo de fome.
-Mãe? –ele chamou, andando desconfiado até a cozinha.
O lugar estava vazio e nem mesmo existia panelas no fogão, cozinhando algo extremamente saboroso, como era de costume. Alguma coisa estava muito errada. Ele continuou procurando pelo andar térreo e não achou ninguém, sendo assim resolveu subir as escadas.
Assim que se aproximou do quarto dos pais, pôde ouvir o barulho de conversas animadas.
-Nossa, amor! Mal posso esperar pela viajem... –Sandra comentava.
-É, eu também. Essa promoção veio no momento certo! –Carl não deixava de mostrar sua satisfação.
-Ei, eu estava procurando por vocês. –Ben entrou no quarto do casal, notando que havia grandes malas na cama. –Vão viajar?
-Sim, querido! E você vem conosco. –a mãe respondeu, fazendo um sinal para o filho se aproximar. –Seu pai ganhou três passagens para passar as férias num cruzeiro de luxo!
-Sério?! –o adolescente sorriu, não acreditando.
-Isso mesmo e um carro da empresa vai passar aqui em casa para nos levar até o porto em quinze minutos. –ele colocava algumas blusas na mala. –Preciso que você se arrume rápido, ou vamos perder as passagens.
-Okay!
Ben correu até o próprio quarto e abriu sua antiga mala de viajem, sem pensar muito, abriu o armário e jogava as roupas que achava necessárias, depois colocou seu laptop, para jogar Super Sumo durante a viajem.
Enquanto arrumava as coisas, seu celular vibrou no bolso da calça jeans. O nome de Kevin ficava piscando na pequena tela do lado exterior do aparelho.
-E aí? –Ben atendeu a chamada.
-Tá de bobeira? –o moreno do outro lado da linha parecia entediado. –Posso dar uma passada na sua casa, daí a gente faz alguma coisa. O que você acha?
-Não vou poder, vou viajar com meus pais. –ele respondeu, enquanto lutava com as roupas que teimavam em não caber na mala. –Desculpa.
-Como assim, Tennyson? –Kevin exclamou surpreso. –Me conta isso com calma...
-É... Cheguei em casa hoje e meu pai disse que vamos viajar, porque ele ganhou passagens para um cruzeiro. Ele estava esperando por isso há muito tempo... –enquanto explicava, tirava a calça jeans e vestia uma bermuda azul. –Não faço a mínima idéia de quando eu volto.
-Hhmm... –ele grunhiu, insatisfeito. –Pelo menos você sabe para onde vai?
-Acho que é para o Caribe. -rapidamente, Ben trocou a camisa. –Vou te ligar de vez em quando para saber como vão as coisas. Cuida da Gwen por mim e avisa a ela, por favor.
-Já entendi... –a voz grossa de Kevin não estava muito normal. –Pode deixar que eu deixo o recado. Pelo menos alguém aqui tem para onde sumir nessas férias.
-Está tudo bem com você, Kev? –o mais novo deixou as atividades de lado e prestou atenção
-Claro... –ele tentou disfarçar. –Então, aproveite a viajem.
Ben abriu a boca para responder, mas antes que sua garganta produzisse qualquer som, Kevin desligou. O dono do Omnitrix ficou olhando incrédulo para o aparelho, incapaz de aceitar que seu melhor amigo desligou o celular na sua cara.
—X—
Kevin sentia-se irritado. Seu estômago dava voltas e isso piorava ainda mais seu péssimo humor. Desde acordou naquela manhã, nada estava dando certo. Quando foi levar o carro para uma revisão no motor, um pneu estourou no meio da avenida principal de Bellwood.
Ainda bem que não demorou muito para trocar o pneu furado pelo estepe, se não do jeito que as pessoas estavam gritando e buzinando, seria linchado ali mesmo. Logo após isso, a lanchonete onde sempre tomava seu café da manhã, havia fechado.
A inspeção sanitária achou que o estabelecimento não estava de acordo com algumas normas e resolveu que seria melhor interditar até que a papelada de renovação estivesse pronta.
Ou seja, até lá, Kevin teria que arranjar outro lugar para comer. Eram pequenos detalhes que faziam sua paciência ir pelos ares. O cúmulo aconteceu quando ligou para Ben.
Qualquer programa seria do seu agrado, mas a última coisa que desejava naquele dia infernal era ser largado para trás. E foi exatamente isso o que ocorreu. No momento em que ouviu a voz de Ben, dizendo que não poderia fazer nada porque iria viajar com os pais foi o máximo.
Conforme ia escutando os planos do amigo, sua raiva foi subindo pela garganta, até que num acesso de raiva desligou na cara dele e jogou o celular para o banco traseiro. Arrancou o Camaro com tudo, fazendo com que os pneus deixassem marcas no asfalto.
Queria sair dali, na verdade, precisava urgentemente sair daquela merda de cidadezinha pequena. Automaticamente, dirigiu até a casa de Gwen, estacionando na porta e batendo buzina freneticamente.
-GWEN! –ele berrou, não desligando o carro. –GWEN!
Ela surgiu da janela do quarto, parecendo meio assustada com tanto barulho.
-Oi, Kev!
-Quer sair? –ele perguntou, com as sobrancelhas franzidas.
-Tá... Espera cinco minutos que eu vou me trocar. –a ruiva entrou no quarto novamente.
Depois de cinco minutos, como combinado, Gwen trancava a porta e entrava no carro verde de Kevin. Ele não disse nada, apenas arrancou em alta velocidade.
-Ainda bem que você apareceu, achei que ia mofar hoje em casa! Então, v... –ela parou sua fala no meio, encarando a expressão carrancuda de Kevin.
-O que? –o moreno perguntou num tom monótono. –Tem alguma coisa de errado com a minha cara para você ficar me olhando assim?
-Que mau humor é esse, Kev? –perguntou, enquanto prendia o cabelo num rabo de cavalo.
-Meu dia está uma merda total, se é isso que você quer saber. –ele voltou o olhar para a rua, sem deixar de franzir as sobrancelhas.
-Problemas? –Gwen também olhava para a rua.
-Mais ou menos. –sua voz grossa e masculina respondeu secamente.
-Calma... Vamos fazer o seguinte, a gente faz uma parada no Mr. Smoothie e você me conta tudo, pode ser?
-Tá... –ele suspirou, enquanto diminuía a velocidade e tentava relaxar.
Assim que pegaram seus pedidos, os dois sentaram-se nas cadeiras que tinham do lado de fora da lanchonete. Era final de tarde e o ar estava começando a ficar refrescante, contrastando com o resto do dia, que foi muito quente.
Kevin vestia uma camisa preta, que delineava seu corpo definido, uma calça jeans larga com alguns rasgados e uma bota também preta. Enquanto que Gwen usava uma regata branca, short jeans escuro e sandálias de salto baixo.
-Então, está mais calmo? –ela perguntou, antes de levar o milkshake à boca.
-É, um pouco. Só esse calor que continua me irritando... –Kevin comentou, enquanto levantava a barra da camisa e secava o suor do rosto.
Gwen teve que tomar cuidado para não engasgar. A visão do abdômen "tanquinho" de Kevin foi algo surpreendente. Ele tinha mania de fazer essas coisas, ficar sem camisa na frente dela, enquanto mexia no carro, ou então parecer extremamente sexy quando usava o macacão da oficina onde trabalhava.
Por mais que ela tivesse visto aquele corpo várias vezes, quando iam os três até o lago ou nadavam na piscina na casa de Ben, seu coração parecia ainda não ter se acostumado e sempre começava a bater mais rápido. Gwen teve que desviar o olhar para acabar não babando em cima da mesa.
-Por que você não tenta usar outro tipo de roupa? –ela sugeriu, olhando ao redor, fingindo estar desinteressada. –Está muito quente para cores escuras...
-Azul-marinho e preto são minhas cores favoritas. –respondeu, enquanto dava uma mordida no sanduíche. –Não vou me vestir como playboy.
-Não é isso! Eu acho que preto e azul ficam bem em você... –Gwen tentou ignorar o fato de que seu rosto estava corando. –Estou querendo dizer que existem outras maneiras de você se vestir, entende?
-Eu não ligo muito pra moda, você sabe disso. –ele bebeu um pouco de refrigerante. –Então, o Ben me pediu para avisar que ele foi viajar.
-Ah é? –a ruiva levantou as sobrancelhas. –Para onde?
-Cruzeiro para o Caribe. –ele franziu as negras sobrancelhas sob a pele branca e pareceu irritado quando tocou no assunto. –E me largou aqui, pirando nessa cidade quente e idiota. Quando ele voltar, juro que arranco o cérebro dele fora!
-Ele não te largou sozinho, você tem a mim, Kev. –Gwen disse, colocando a mão sobre a dele, sem pensar muito.
Quando seus olhos negros pousaram em suas mãos uma sobre a outra, sentiu algo estranho no peito. Era como se pela primeira vez, tivesse enxergado que Gwen era uma garota linda.
Sempre esteve com ela ao seu lado, porém nunca tinha se dado conta. Foi neste momento que ele levantou o olhar e fitou aqueles olhos verde-escuros, que o hipnotizavam, sentiu-se atraído, como nunca antes.
-Então, quer que eu te leve para casa? –Kevin perguntou, entrelaçando seus dedos aos dela.
Por um momento ela pareceu hesitar, pensou um pouco e seu rosto corou levemente. Já haviam terminado o lanche.
-Sim, claro. –ela se levantou e andou até o carro.
O sol estava se pondo e agora o céu estava trocando o alaranjado pelo azul da noite. Kevin dirigiu até a casa de Gwen normalmente, agora estava mais calmo. Contudo, de certa maneira, ainda era estranho os dois ficarem sozinhos, sem a presença de Ben por perto.
O moreno não sabia como lidar com meninas muito bem e ela sabia disso, procurando não se iludir e acabar pensando que ele seria capaz de fazer todos os seus sonhos se tornarem realidade. Gwen tinha total noção de que Kevin não era um modelo e que cometeu muitos erros graves no passado, mas havia mudado e conseguiu provar que dali para frente, as coisas seriam diferentes.
Ele estacionou o Camaro na porta da casa, o rádio tocando música de uma estação qualquer, baixinho. Os dois ficaram em silêncio, sem saberem exatamente o que falar.
-Então, obrigada pelo passeio, foi ótimo. -ela cortou o silêncio, sua voz era suave.
-É, foi mesmo. -o moreno concordou. -Temos que fazer isso mais vezes.
-Se precisar de qualquer coisa, pode me ligar, okay? -Gwen soltou o cinto e virou o tronco, para pegar a bolsa no banco de trás.
Depois disso, ela despediu-se dele e voltou para casa. Quando chegou em seu quarto, jogou-se na cama, com o rosto voltado para o teto. Nunca esteve assim tão perigosamente perto de Kevin, como naquele momento. Seu coração parecia querer sair do peito, do jeito que batia fortemente. Ela desejou que não tivesse parecido uma perfeita idiota na frente dele.
"Muitas coisas ainda vão acontecer nessas férias..." Gwen pensou consigo mesma, conforme um sorriso de satisfação iluminava seu rosto.
—X—
O carro da empresa passou exatamente quinze minutos depois, na residência dos Tennyson, conforme o combinado. Assim que Carl, Sandra e Ben se acomodaram no veiculo, junto com suas malas, viajaram durante vinte minutos até a próxima cidade, que possuía um porto, famoso por ser escala de grandes navios transatlânticos.
Assim que chegaram ao porto e se dirigiram até o lugar onde a embarcação estava aportada, Ben teve que inclinar seu tronco para trás, tentando ter uma visão geral do Marine, por onde ficariam hospedados durante as férias de verão. Em alguns minutos, depois de conversar com o capitão do navio e deixar as malas com os marinheiros, os Tennyson foram até as cabines que lhes estavam reservadas.
Os quartos eram requintados e não ficavam atrás de qualquer hotel em terra firme. Possuíam uma sala de estar com televisão, o quarto propriamente dito, com uma pequena varanda, além do banheiro com vista para o mar. Ben iria dormir separado dos pais, que quiseram aproveitar aquele tempo em alto mar como uma espécie de segunda lua-de-mel.
O adolescente arrumou suas coisas e foi até a varanda, onde sentou-se em uma espreguiçadeira e ficou olhando o mar. Dentro de minutos, o navio zarpou e o continente foi ficando cada vez mais distante. Era estranho estar se afastando tão repentinamente de Bellwood, sem a companhia da prima e do amigo. Nunca tinha deixado o estado da California antes e agora estava indo rumo às ilhas tropicais do Caribe.
Ele pegou o celular no bolso da bermuda e ligou para Kevin, mas estava dando fora de área ou desligado. Já o número de Gwen sempre caia em caixa postal. Ben desistiu e achou melhor ligar mais tarde, talvez fosse porque estivesse atravessando o mar e logo estariam longe da área costeira dos Estados Unidos.
Resolveu subir ao convés para conhecer melhor o navio e as coisas interessantes que se tinha para fazer por lá. A embarcação era a maior que ele já tinha visto durante toda a sua vida e com certeza teria muitas pessoas para conhecer e conversar, além das melhores comidas do mundo para saborear. Talvez essas pequenas coisas que fizesse durante o tempo que iria permanecer ali pudessem acalmar seu coração e fazer com que Ben pensasse menos em Kevin e Gwen.
Às vezes desejava não ser tão necessitado e atenção e companhia. Queria ser mais independente.
