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O conselho

"Você precisa conhecê-lo!" – Rose exclamava pela milionésima vez enquanto tentava chamar minha atenção com algumas sacudidas e empurrões.

Não demorou muito para que Emmett conseguisse convencê-la de que ela não vive sem ele e vice versa, mas também não demorou para que Rose se sentisse extremamente culpada e tentasse me jogar um dos frequentadores mais fiéis de sua oficina. Jacob Black.

"Ele é médico, moreno, alto e lindo! Extremamente lindo, de verdade, Bella!"

"Não importa. Eu não quero conhecer ninguém agora, Rose." – eu repetia insistentemente.

"Bem, agora já é tarde. Falei de você para ele e ele quer te conhecer, sabe." – não fiquei nem um pouco impressionada. Rose era a rainha dos relacionamentos arranjados.

"Que pena, vai levar um bolo, porque eu não vou!" – seus olhos azuis se arregalaram.

"Bella, por favor! Não faça isso com ele, ele é um amor!"

"Se ele é tão perfeito assim, porque está solteiro, então?" – acertei em cheio, Rose pareceu pensar.

"Porque ele quer."

"Jura Rose? Você pode fazer uma tentativa melhor de me convencer."

"Você não se arrependerá. Basta fingir que vai na oficina por acaso neste sábado sem falta. É o dia em que ele costuma ir." – é logico que eu não faria aquilo, mas me impressionei por estar prestando atenção ao que ela dizia. – "Lá pelas três horas, não se esqueça."

"Não tem como eu esquecer algo que eu farei questão de não lembrar."

"Eu sei exatamente quando você não está dando a mínima para o que eu falo, Bella." – ela sorriu e se afastou, enquanto piscava para mim, convencida. – "E eu sei que você estará lá."

Talvez ela tivesse razão, mas de qualquer maneira a semana estava apenas começando e eu só conseguia pensar que um mês tinha se passado e nada de Edward. Depois do incidente da sala de aula, ele não me mandou mensagens, muito menos ligou. Provavelmente ele tinha aceitado nossa situação, mas de uma maneira impressionante, isso me decepcionava. Edward tinha desistido tão facilmente.

De volta à minha rotina normal na escola, eu todos os dias me sentia um caco, como se um caminhão me atropelasse durante a madrugada inteira e meu corpo estivesse agindo contra os comandos do meu cérebro, o que nos intervalos me fazia perder meus preciosos trinta minutos tirando uma soneca, ou então quase tirando, como naquele momento, antes de Angela chamar minha atenção:

"Bella!" – levantei meus olhos pesados da pilha de livros à minha frente e a encarei, tentando disfarçar minha fadiga, mesmo assim ela me olhava com enorme preocupação transbordando de seus olhos castanhos.

Ang, depois de Rose, era a pessoa que mais cuidava de mim. Talvez por ser mãe e sempre ter tido esse lado maternal, ela era propensa a cuidar de tudo e de todos com verdadeiro amor. Eu a invejava, não sabia cuidar nem de um peixinho dourado.

"Hey Ang, o que houve?" – seus olhos me fitavam como se devolvesse a pergunta.

"Nada demais, estava preocupada com você. Você anda tão pálida e sonolenta, e também teve aquele cara que veio aqui..."

"Ah, Edward! Ele é um amigo, ou era..." – olhei instintivamente para meu celular, como se esperasse que ele vibrasse discordando da minha indecisão. Mas foi Ang quem quebrou o silêncio.

"Bella, estou preocupada com você. Você está com um aspecto horrível!" – aquilo me fez rir.

"Obrigada Ang."

"Não, eu quero dizer... As crianças andaram me perguntando se há algo errado com você... Eles se apegaram muito depois da sua súbita mudança de personalidade."

"Eu fico feliz com isso, eu realmente estou maternal de uns tempos pra cá. E ando chorando tanto, e dormindo e vivendo no mundo da lua..." – Ang assentia com o semblante preocupado.

Suspirei dramaticamente antes de prosseguir: "Isso é claro, quando não estou vomitando minhas tripas ou prestes a fazer isso."

"Espere, está tão ruim assim?"

"Ah, foi algo que veio do nada..." – minha resposta saiu distraída, mas depois de ver seu semblante preocupado piorar, decidi que era hora de amenizar as coisas. "Mas isso é porque briguei com meu melhor amigo, o Edward, que veio aqui aquele dia. Somos-éramos amigos a seis anos... E então..."

"Tudo bem se não quiser dizer." – Ang me assegurou, vendo minha hesitação.

Olhando atentamente para ela, eu decidi que ela poderia saber. Acalmaria suas preocupações e quem sabe, as minhas também.

"Nós dormimos juntos. Mas sabe algo que... Acontece? Foi isso. Mas depois tudo virou de cabeça para baixo... E olha que nem usamos camisinha." – seus olhos se arregalaram assim que terminei de falar.

Me apressei para consertar as coisas de novo:

"Mas eu tomo pilula, então isso não é problema."

"Mas você toma regularmente? Pulou alguns dias? Não né, Bella?" – Ela me perguntou meio desesperada.

Ok, não estou gostando desse rumo, pensei antes de responder:

"Eu pulei alguns dias... Quando viajei com Rose e o namorado dela para a minha cidade natal e não pude comprar por não venderem da marca que eu costumo tomar." – Sua boca se tornou um perfeito O enquanto me ouvia atentamente. – "Eu não quis misturar dois tipos, então não vi problema. E eu também nem estava indo para cama com alguém e..."

"Bella, foi por causa de pensamentos assim que eu tive meu primeiro filho um ano antes de me formar." aquilo me atingiu em cheio.

Angela tendo um filho na faculdade? Por essa eu não esperava. Se eu já a achava uma verdadeira guerreira por aguentar três pirralhos com apenas 33 anos de idade, eu não queria imaginar o que foi seu último ano de faculdade, com um presentinho da cegonha chegando mais cedo do que deveria. Ela prosseguiu:

"A minha maior sorte foi ter minha família e a de Ben do nosso lado, e então nos casamos e eu pude chegar aqui. Mas pular pilulas não é seguro, Bella. Cada caso é um caso, é claro. Mas vendo como você está... Eu estou realmente preocupada." – a risada que saiu de mim sabe-se lá como, saiu engasgada e nervosa.

De repente meu estômago parecia ter vida própria e querer sair do meu corpo.

"Isso não é possível, é claro. Não com Edward. Tenho certeza de que isso é estresse."

"Assim eu espero." ela disse poucos segundos antes do sinal tocar indicando o fim do nosso intervalo. Mais duas aulas e eu poderia enfim ir embora e tirar as palavras de Ang da minha mente.

Bem, isso não aconteceu. Mesmo com a tentativa clara e óbvia dos meus alunos de me animarem, eu só podia me lembrar das palavras de Angela me alertando do perigo, o mesmo perigo que a levou a uma gravidez precoce no meio do seu tão sonhado curso de pedagogia. Mas ela tinha Ben, e eu? Eu não teria Edward ao meu lado se algo realmente desse errado.

"Eu tenho Tanya, não posso lidar com isso." ele com certeza diria.

Eu nunca iria estragar seu relacionamento, mas também não conseguiria lidar com o fato de ter um filho sem pai. Um filho cujo pai recusaria criá-lo, ou quem sabe recusaria até mesmo reconhecer como seu. Porque não seria um filho de Tanya, a mulher que ele escolheu como sua namorada. Seria um filho de Bella, a mulher que praticamente o instigou para ir pra cama com ele.

"Ei!" – eu pude ouvir alguém, um homem, gritar próximo demais, mas não dei atenção.

Minha cabeça girava a mil por hora. Onde eu estava mesmo? Nem sequer me dei conta de que já tinha saído da escola. Minha visão estava turva pelas lágrimas que já tinham se formado e eu só podia ver reflexos de faróis e sombras de pessoas passando. Chorando atoa novamente, meu subconsciente brincou.

"Ei!" – alguém, provavelmente a mesma pessoa, gritou de novo, dessa vez mais próximo que antes. Ignorei novamente.

"Isabella!" – outro grito, mais alto, dessa vez roubou minha atenção. Alguém que me conhecia? Emmett? Edward...?

Pisquei para focar minha visão e fazer com que as lágrimas que não caiam, fossem embora. Mas nada aconteceu. Foi então que eu percebi que não estava chorando. Eu estava, na verdade, prestes a desmaiar. Com a visão turva eu nem sequer pude ver o desconhecido antes que meu corpo cedesse e eu perdesse minhas forças. Algo amorteceu minha queda iminente, para o meu alívio.

"Que ótima maneira de te encontrar." – eu pude ouvir antes de cair na inconsciência.


Estar em hospitais foi algo bem presente na minha infância, então não foi difícil reconhecer que estava em um quando acordei. Olhando por debaixo do cobertor, reconhecei minha combinação rotineira (que Rose detestava) de saia preta plissada, meia calça também preta e blusa social branca intactas. Eu não sabia o que tinha me feito desmaiar, mas sabia muito bem que quem tinha me agarrado, e salvado, era um homem. Se ele tinha boas intenções quando o fez, eu não sabia, mas pelo menos minhas roupas estavam intactas e pude ver que mina bolsa e meus sapatos estavam em uma poltrona no canto do quarto.

E, pelo sim e pelo não, ele tinha me levado para um hospital também. Um bom homem, pude ver.

O barulho da porta se abrindo chamou minha atenção e instintivamente eu ajeitei meu cabelo e minhas roupas. O gesto me fez perceber, de maneira meio dolorosa, a agulha no meu braço esquerdo, que provavelmente injetava soro. Não tive nem mesmo tempo para xingar um palavrão antes da porta se abrir completamente, revelando um homem alto, moreno e... Droga, lindo. Tão lindo que eu senti minhas mãos automaticamente irem para o meu cabelo de novo.

"Hey, Isabella. Eu sou o cara que te salvou de ser quase atropelada em uma avenida movimentada..." – ele começou, exibindo seus dentes perfeitamente brancos em um sorriso de matar.

"Jacob Black, prazer." – antes de retribuir seu sorriso ou de estender minha mão para apertar a sua já estendida, eu só pude ficar abobalhada por um momento, com a descoberta do fato de que aquele homem bem na minha frente, era o mesmo de quem Rose falava animadamente naquele mesmo dia de manhã.

"Acho que o nosso encontro está meio adiantado, mas o prazer é todo meu." respondi, apertando sua mão e rindo genuinamente da maneira que o destino gostava de brincar com a minha vida. Jacob sorriu tão genuinamente quanto eu, talvez pensando o mesmo.

Nota: mil desculpas pela demora, pessoal! Nem sei como começar.

Tive um bloqueio seríssimo com essa fic por um bom tempo e para vocês terem idéia, para terminar esse capítulo foi praticamente todo o mês passado tentando. Mas saiu. O segredo pra inspiração vir é a calma e eu estava uma pilha, forçando a barra e escrevendo muito mal, além de ter feito várias versões para esse capítulo que no final não me agradavam.

E há uma novidade: farei um extra POV DO EDWARD, talvez o único da fic, que descreverá os sentimentos dele da noite em que ele e Bella passaram juntos. Tudinho. E sobre o Jake chegando na área? Curtiram? Ele será um amor, ajudará muito a nossa Bella e, como em toda história, ajudará o nosso protagonista a abrir os olhos. Eu espero de verdade que minhas leitoras estejam aí, sei que demorei, mas não quero largar a fic, se alguém está acompanhando, por favor deixa uma review.

Um grande, enorme, abraço e até o próximo. Se Deus quiser sem demoras! s2