N/T: A música do parque é do Blondfire e se chama "Where the Kids Are."
Capítulo 4 - Nas mãos dela
A crítica artística de Rachel estava marcada pra sessão da manhã. Eles chegaram em Chicago com bastante tempo para gastar no dia anterior. Seus pais tentaram tirá-la do hotel para ir andar ao redor do Pier da Marina com eles. Ela implorou pra ficar. Seu estômago já estava virando em círculos e ela estava certa de que só de olhar pra enorme roda gigante iria mandá-la correndo pro banheiro mais próximo. Os pais dela saíram, prometendo trazer o jantar pra ela quando voltassem.
Ela sentiu-se inundada por cinza, seus membros pesados e sua mente girando que nem o estômago dela. Ela tenta não ficar pensando nisso, focando, por outro lado, no que Quinn dissera na noite anterior.
"Você é uma estrela, Rachel," ela sussurra essas palavras alto. Não é tão convincente vindo da boca dela como foi vindo da de Quinn, especialmente quando outra parte dela está gritando para correr de volta pra Lima e nunca mais pensar sobre se mudar novamente.
Ela respira, focando na imagem de Quinn em sua cabeça. Acalma os seus nervos o suficiente para que ela possa sentir que pode praticar suas peças pra audição. Ela passa por cada seleção com sucesso. Mais do que com sucesso. Ela está tão pronta quanto pode estar. Ela se certificou especialmente de praticar seu monólogo dramático o suficiente para que ela pudesse suficientemente conferir toda sua emoção sem qualquer dos efeitos colaterais indesejados. Ela não acha que os juízes ficarão particularmente impressionados com uma estudante em potencial se desfazendo depois de um monólogo. Além disso, não é como se Quinn estaria ali para imediatamente fazer tudo ir embora, também.
Quinn é muito talentosa em apagar o mal – ou ao menos fazê-la esquecer momentaneamente.
É algo no jeito que Quinn a segura – embala, na verdade. Algo no tom baixo e quente das palavras dela. Algo no contato do corpo dela.
Rachel engole, sentindo um calor subindo abaixo do seu umbigo e queimando através do seu sangue. Ela afunda na cama de repente, muito ciente do que aquele calor significa e muito ciente de que ela está reagindo fisicamente ao pensamento de Quinn.
Há uma batida na porta do quarto do hotel antes que o pensamento realmente tome conta dela. Rachel pula com um engasgo, assustada.
Ela corre pra porta, ficando nas pontas dos pés para olhar pelo olho mágico. Ela pula de volta pra ficar de pé direito ao ver quem está do outro lado. Ela traz uma mão ao coração, gentilmente colocando a testa na porta. Ela respira e vira a maçaneta da porta.
"Quinn!"
"Oi Rachel," Quinn diz, sorrindo timidamente. Ela está num casaco de couro solto e echarpe que realça o verde dos olhos dela. Seus vestido está amassado e seu cabelo bagunçando, mas Rachel pensa que nunca ela estivera mais linda.
Rachel pula pra ela, envolvendo os braços ao redor do pescoço dela. Quinn ri, derrubando a mala de pernoite e envolvendo, em retorno, seus braços ao redor de Rachel. Esta não pôde evitar que um grito de alegria passasse pelos seus lábios enquanto o abraço de Quinn a tirava do chão.
Quando ela gentilmente é colocada de volta ao chão, Rachel se afasta, escaneia Quinn, percebendo-a totalmente. "O que você está fazendo aqui?" ela diz sem acreditar. "Como você está aqui?"
"Apoiando você," Quinn diz simplesmente. Rachel tentou segurar seu sorriso impressionado, mas foi impossível. Ao invés disso, ela abaixa a cabeça, colocando o cabelo atrás da orelha enquanto Quinn continua. "No que concerne ao como... eu terminei meu trabalho de aula mais cedo, peguei um avião no LaGuardia, liguei pros seus pais pra ver onde você estava e então tomei um táxi até aqui."
"Mas como? É caro e tão longe! Eu ei que Yale te mantem ocupada."
"Não se preocupe com o dinheiro. Eu não perderia isso por nada, Rachel," Quinn diz enquanto passa por Rachel tocando-a para deixar a mochila ao pé da cama. "Vamos sair daqui e jantar algo."
"Eu disse ao meus pais pra pegar algo pra mim," Rachel diz.
"E eu disse a eles que te tiraria do quarto de hotel. Será bom pra você. Eu prometo. Você está mais do que pronta pra amanhã."
Quinn a guia pra porta, dando pra ela a bolsa, antes que Rachel possa fazer mais do que bater o pé. Se ela estivesse sendo honesta consigo mesma, Rachel mal podia processar ainda o pensamento de que Quinn está aqui, agora, com ela.
Elas estão no elevador antes que ela possa honestamente pensar em outra coisa além de Quinn. "Eu devia estar praticando."
Quinn dá uma olhada nela. "Vamos comer e então você pode praticar novamente. Você vai precisar comer de qualquer forma em algum momento."
Rachel cruza os braços, fazendo beicinho. "Eu estou muito nervosa. Eu só vomitarei tudo."
"Você está sendo difícil de propósito," Quinn diz levemente.
"Estou sendo verdadeira. Meu estômago estará cheio e eu só projetarei vômito em todo canto."
"Você vai andar muito bem se você não se encher," Quinn diz enquanto o elevador chega no térreo do hotel. Quinn imediatamente sai, deixando Rachel pra trás.
"Quinn Fabray! Você é impossível!" Rachel diz, batendo o pé atrás dela.
Quinn gira ao redor, um sorriso iluminando seu rosto. O fôlego de Rachel é roubado de seus lábios com a visão.
"Não há nenhum outro lugar que eu preferisse estar do que aqui sendo impossível pra você," Quinn diz. Ela diz isso petulantemente, mas seus olhos estão escuros e focados.
Rachel pensa que o sol foi movido pra dentro do seu próprio corpo porque ela queima de um jeito que é certo dar a luz à algo.
Quinn espera pra ela alcançá-la e então a leva pra fora do hall do hotel. Rachel se acha inapta a resistir o desejo de tocá-la e entrelaça os braços nos de Quinn para que esta esteja mais ou menos a escoltando.
"Onde estamos indo?" Rachel pergunta depois de um tempo.
"Eu pensei em irmos ao Parque Millenium. Não é longe. Eu olhei no meu telefone no caminho pra cá."
"Isso parece... legal. Mas eu deixarei você saber que eu vou fazer você escutar minhas peças de audição quando voltarmos," Rachel diz.
"Mesmo que eu já tenha escutado milhões de vezes e ache que elas estão bem?"
"Elas têm que estar mais do que bem."
"Elas estão perfeitas," Quinn diz. "Mas já que importa, estarei feliz em escutar você apresentá-las novamente."
Rachel fica em silêncio por um momento, e então, "Obrigada. Por estar aqui. Por estar sendo tão paciente comigo. Eu teria desistido há muito tempo se não fosse por você e eu acho que todo mundo teria também."
"Há alguns dias onde eu estou certa de que eu deveria ter morrido naquele acidente de carro," Quinn diz de repente. O mundo inclina-se para um cinza silencioso, balançando-a, só para tão rapidamente quanto isso aconteceu pular de volta pro som e cor. O coração de Rachel bate com força. Quinn continua. "Sou frágil. Todos somos. Sonhos são frágeis também. Eu não sei mais o que dizer, mas eu nunca, sequer pensei que o seu sonho fosse. Por um tempo, lá no colégio, o fato de que você era destinada a muito mais era única coisa real pra mim. Além disso, todo artista precisa de uma jornada convincente."
Há tanto que ela pode dizer a isso. Tanto que é especial e amável e – ela se conforma, ao invés disso, com a resposta mais fácil. "Arruinar minhas chances em NYADA e minha perseverança subsequente daria uma excelente história."
"Todo mundo gosta de um azarão."
"Eu não estou certa do que eu sou mais," Rachel diz suavemente. "Eu sinto como se tivesse vivido duas vidas ou que eu sou duas pessoas. Uma antes da audição, e outra agora. Mas esses dois aspectos de mim estão em guerra. Alguns dias parece que eu vou ser estraçalhada pela metade."
"Você gosta de se apresentar?" Quinn pergunta bruscamente.
"Sim," Rachel diz lentamente. "Uma vez que estou no palco, eu esqueço de tudo. É o que leva até lá que é tão difícil."
"Eu sei que não é muito, mas é por isso que estou aqui. Pra ajudar você a voltar praquele palco," Quinn diz, olhos esverdeados brilhando como ouro à luz do sol. Algo acende no peito de Rachel, em seu estômago, em seu ser. É colorido. Melódico. Como se talvez a vida fosse destinada a ser. Ela está certa de que a menor brisa atearia fogo a ela.
Rachel abaixa a cabeça, pensando novamente sobre como ela desistiria de tudo para que Quinn vivesse.
Ela nunca teve romances pela metade.
Mas quaisquer sentimentos que Quinn parece iniciar dentro dela não tem lugar em sua vida atual. Não quando ela está lidando com duas pessoas, duas chamadas dentro de si – incerta de quem ela é ou o que está destinada a ser, incerta de onde ela terminará. Ela olha de volta pra Quinn e esse algo acende em seu peito e isso machuca. Mas por agora, é a única coisa que ela pode saber.
É a rota madura – algo que a Rachel de antes nunca teria tomado. Não é familiar, essa estrada. Machuca, mas é a coisa certa a se fazer. Mesmo quando Quinn sorri pra ela dessa forma.
Rachel imagina se algo ou alguém lá fora está rindo dela. Balançando oportunidade – felicidade – na frente dela, só para tirar dela.
É cruel.
Ela respira de volta pro presente, olhando pra Quinn. "Eu não quero falar sobre mim."
Quinn arqueia uma sobrancelha, um sorriso preguiçoso lentamente tomando forma nos lábios dela. "Oh, sério?"
"Realmente," Rachel diz, bufou amigavelmente.
"Eu não tenho nada a dizer que você já não tenha escutado antes," Quinn diz dando de ombros. "As aulas estão indo bem. Parece meio doente, mas eu gosto do estresse acadêmico e pressão pra fazer as coisas. Eu tenho amigos. Eu amo New Haven."
"E você está feliz? Realmente feliz?" Rachel diz.
"Sim," Quinn diz, e Rachel nunca soube de uma palavra que podia ser infundida de tanto significado. "Ensino médio parece tão longínquo. Eu não posso acreditar em algumas das coisas que fiz. Eu me arrependo de muitas delas."
"Eu fiz algumas coisas bem mesquinhas, ruins e de pouca visão também."
"Rachel, eu mexi com você por um ano e então fui inimiga por mais. Para não mencionar a traição e a história de roubo de bebê e a insanidade da formatura e –"
"Você estava crescendo, e, se eu posso ser franca, você não teve exatamente os melhores modelos naquele tempo."
"Foi só o ano passado. Eu não mudei tanto assim," Quinn disse sombriamente. "E falta de modelos a seguir não é uma desculpa. Eu sabia melhor, mas eu fiz coisas de qualquer forma."
"Você mudou. Você mudou tanto. Olhe pra nós! Você voou para Chicago para me apoiar!" Rachel diz. As bochechas de Quinn, já vermelhas do frio, ficam mais avermelhadas. Ela olha pra longe então Rachel continua. "E você mesma me disse que você estava vendo um terapeuta. Eu não quero desrespeitar você, Quinn, mas você tinha um monte de problemas porque você era tão inteligente e se sentia como estivesse tão encalhada."
Quinn fica em silêncio por um momento, mordendo o lábio inferior dela. "Eu tinha um monte de problemas," ela ecoa. "Não perdoa tudo que eu fiz."
"Eu acho que quer dizer muito que você olhe pra isso do jeito que faz agora," Rachel diz. Ela aperta o braço de Quinn, subsequentemente puxando os corpos dela para ficarem mais juntos. Quinn sorri hesitantemente pra ela.
O Parque Millenium aparece na visão delas, e com isso, há um mero som de música. Há uma vibração de energia, algo cheio e pulsante. Quando elas chegam mais perto, torna-se aparente que é algum tipo de concerto, e, apesar do frio, as pessoas estão indo em multidões pro parque. Rachel começa a andar mais rápido, uma dica de algo muito mais importante está acontecendo para manter seu passo despreocupado.
"Você não quer comer?" Quinn disse, provocando. "Eu pensei que você tinha que voltar pra treinar novamente?"
"Você me fez esquecer," Rachel diz. "Só por um momento, não fique se achando. E eu gostaria de investigar o quer que talvez esteja acontecendo."
"Você não ouvirá reclamações de mim," Quinn diz. Ela gentilmente se solta do braço de Rachel e estende a mão dela. "Venha, então."
O olhar de Rachel passeia da mão, para os olhos quentes de Quinn e leve sorriso, antes de voltar para a palma oferecida e dedos curvados. Sua própria mão desliza pro lugar do aperto de Quinn e está certo. Rachel está certa de que seu coração vai explodir em chamas a qualquer momento – mesmo quando ela se lembra de acalmar as chamas e preveni-las de se tornar em algo selvagem.
Porque essa é a única opção.
Ela tem que cuidar de si mesma primeiro. Com os sonhos dela ainda em cinza, e o puxão, as garras, destroçando seu corpo, deixando-a em metades, ela não está em um lugar de oferecer nada a ninguém. Especialmente Quinn.
Mas Quinn aperta a mão dela, e isso acende tudo novamente viajando pelo sangue dela e os ossos. Rachel resolve que não há razão pela qual ela não pode se divertir.
Quinn a puxa através da multidão e sequer importa porque há um concerto ou até mesmo quem está se apresentando porque as pessoas estão de pé dançando e cantando e Quinn está segurando a mão dela, viva.
Quinn para numa pequena abertura de pessoas, levando Rachel para os braços dela enquanto as letras correm soltas do líder da banda. Rachel não conhece a música, não conhece a banda. Mas a canção é vibrante, aberta e reverberante. "Viva, você está crescendo. Festas na selvageria da vida. Acenda-se, apenas desista. Onde os garotos estão correndo livres hoje à noite."
Quinn a gira e Rachel ri, por outro momento, esquece tudo.
"Eles estão correndo livres hoje à noite."
Elas não ficam muito tempo. Ela está na verdade faminta e também bem preocupada sobre amanhã para esquecer pra sempre. Elas voltam pro quarto de hotel antes dos pais dela, e ela treina as peças de audição duas vezes. Ela acha que isso é tudo que ela precisa. Sair do hotel e esquecer sobre tudo isso por um tempo fez maravilhas. Ela ainda está ansiosa, mas não parece mais como se tudo fosse esmagá-la. Naquela noite, a respiração constante de Quinn a guia para os sonhos cinza.
Rachel acorda com o alarme do seu telefone e ansiedade imediatamente borbulha dentro dela. Seus pais estão se mexendo na outra cama, mas Quinn sequer se move. Ela foca na respiração de Quinn, o subir e descer do peito dela na meia luz do quarto de hotel e o braço jogado casualmente por cima do abdômen dela. A mão de Quinn está quente ao lado dela.
Isso ajuda.
Ela levanta e toma um longo e escaldante banho. Quando ela sai, seus pais estão se movimentando ao redor quarto, mas Quinn ainda está dormindo a sono solto, sem saber do mundo. Suas feições estão relaxadas e tranquilas, cabelo caindo sobre os olhos. Ela está enrolada e envolvida ao redor dos lençóis.
Ajuda olhar pra ela também.
Isso ajuda a ansiedade, o medo, a parte dela eu diz que isso – Tisch, Nova York, seu sonho – é tudo errado. O fato de que é Quinn... Há muito mais pra se preocupar pra entrar nisso.
Ela respira e o resto da manhã passa num furacão. Quinn e seus pais a escoltam pelos poucos quarteirões até o centro comunitário que está sediando a crítica artística. Ela se sente meio como se estivesse marchando pra guerra, e ela supõe, que de alguma forma, ela está. Seu equipamento de combate só acontece de ser suas roupas de dança favoritas e uma mochila com uma barra de granola, água e suas partituras. Suas armas? Seus vocais, sua atuação e a habilidade do seu corpo de se mover com o ritmo.
Eles chegam com trinta minutos de antecedência, mas o lobby já está cheio de prospectos assim como ela. Seus pais ficam pra trás enquanto Quinn a leva até a mesa de inscrição. Rachel está certa de que seu batimento cardíaco está na mesma velocidade que um carro de corrida. Ela está com frio e suada, tudo ao mesmo tempo. Cada passo é trêmulo, incerto. Ela sente como se fosse desmaiar.
"Rachel," Quinn diz com certeza, levando-a a pular. "Olhe pra mim."
Ela o faz. O tom de Quinn é um que transborda obediência, e Rachel está muito embasbacada para lutar. Esverdeados a penetram, mas com isso vem um toque gentil e contrastante quando Quinn toma as mãos dela.
"Não pense em mais ninguém, certo? Não pense sobre nada que aconteceu antes. Foque em você e no agora. Isso é tudo que você tem que fazer," Quinn diz firmemente.
Rachel concorda com a cabeça.
"Você é a pessoa mais talentosa que eu conheço," Quinn diz. "Você pode fazer isso."
"Eu posso fazer isso," Rachel diz, mas é forçado e totalmente falso. Não há confiança na voz dela. No momento, ela está quase certa de que sua única experiência se apresentando foi a audição da NYADA dela. É a única apresentação que ela pode se lembrar com alguma claridade.
"Lembra das Nacionais? Nessa mesma cidade, você provou que você era a melhor."
"Aquilo foi um esforço de time," Rachel diz fracamente.
"Foda-se isso," Quinn ruge. "Coral sempre foi seu. Eu disse de verdade – você é uma estrela, Rachel."
Cor irradia dentro dela, e com isso, uma convicção aflora. Confiança. Desplante. Ela está tão pronta quanto pode e Quinn está dizendo a ela que ela é uma estrela. Novamente.
"Você está certa," Rachel diz, agradecida. "Estou pronta."
Quinn sorri. "Não importa o que aconteça, estarei aqui."
"Obrigada, Quinn," Rachel diz. Ela se lança ao pescoço de Quinn e se permite um segundo para esquecer tudo fora do abraço de Quinn. Quinn suspira nela, mas Rachel se afasta rapidamente. Só pode durar um momento. "Eu não posso mostrar qualquer sinal de fraqueza."
"Justo," Quinn ri levemente. Ela fica séria rapidamente. "Boa sorte, Rachel."
Rachel concorda com a cabeça e engole. Ela dá uma última olhada em Quinn – um último olhar para força e confiança – e ela se aproxima da mulher sentada na mesa de inscrição.
Ela recebe um pequeno pacote de informação, mas mais importante, ela recebe a ordem da audição da crítica artística. Primeiro é o componente de atuação, então a entrevista, dança e finalmente, pro que der e vier, cantar vem por último. Ela diz a si mesma para fazer uma coisa de cada vez – não pensar sobre os solos dela até que ela termine com todo o resto.
Ela vira, procurando por Quinn e seus pais. Eles estavam juntos perto da entrada, olhando-a. Rachel treme sob o olhar como o de um falcão até mesmo do outro lado do cômodo. Seus pais acenam pra ela e Quinn acena com a cabeça uma vez. Ela respira fundo e então marcha pelas portas duplas que serão ou o fim ou o começo dela. O corredor do outro lado está lotado com ainda mais prospectos a Tisch.
Onde em outros tempos ela talvez teria tentado se misturar e discutir Tisch ou a crítica artística, ela escolheu ignorá-los. Ela não podia entrar nessa de medir a esperança dos outros ainda, mas sempre há uma chance de qualquer conversa podia resultar em jogos mentais por um prospecto mais competitivo. Ela não está tão longe do mundo de show de corais ainda para esquecer algumas das táticas usadas pelos adversários deles. Ela já tem o bastante pra se preocupar. Então ela espera.
Ela eventualmente passa por todo o processo burocrático, dirigida pra um grupo com os outros concorrentes ao departamento de drama, colocada em outro grupo com os candidatos ao teatro musical, o qual então é dividido em um de quatro grupos e finalmente mandado para o componente de atuação. Há mais espera e ela sente como se ela estivesse fora do seu próprio corpo olhando pra dentro. Finalmente, ela é chamada. Ela entra no cômodo para achar três juízes de admissão esperando por ela.
"Rachel Berry?" diz a mulher na ponta direita.
"Sim senhora."
"Você pode escolher qual monólogo você gostaria de apresentar primeiro. Quando você estiver pronta, Srta. Berry."
Rachel respira profundamente e se joga no monólogo de comédia. Ela pensa que seu dramático é melhor – é certamente mais pessoal – então se certificar de deixar pro final. Quando ela termina, ela sai de si mesma, sai do personagem, e, enquanto a mulher na ponta direita está sem expressão, os dois outros juízes parecem estar resistindo um sorriso.
"Muito bom. E sua escolha dramática?" a mulher diz.
Rachel concorda com a cabeça, fecha os olhos e dá as boas vindas à Connie de volta à psique dela.
Ela termina e respira, jogando Connie pra fora. Ela corre a mão sobre o rosto, tomando outro momento pra si mesma reganhar o controle.
"Obrigada, Srta. Berry."
"Obrigada pela consideração," Rachel diz. Ela quer dizer mais. Rachel de antes teria dito algo mais, mas a Rachel que ela é agora – a Rachel que é tão incerta sobre tudo – pode só sair pela porta.
É só quando ela consegue sair que ela percebe que suas pernas estão parecendo uma geleia, trêmula e instável, e que há um suor frio percorrendo seu corpo.
Ela espera pelo resto do grupo dela passar pelos monólogos deles, e então eles são acompanhados para a entrevista deles. Tisch providencia quatro entrevistadores do departamento de drama, o que faz a fila parecer se mover muito mais rapidamente. Quando ela é chamada, ela encontra um homem com um cabelo branco e vermelho e linhas de expressão pronunciadas.
A sessão de entrevista foi o que ela ficou menos nervosa durante os meses de preparação. É só quando ela aperta a mão do homem à guisa de cumprimento que ela percebe tudo que pode dar errado nela. Ela se sente estranha e hesitante e até mesmo sentar diante dele parece uma tarefa delicada.
"Vamos entrar de cabeça logo. Eu vejo no seu currículo e transcrição que você se formou do ensino médio ranqueada dentro dos 5% melhore da sua classe com valores de SAT notavelmente altos. Você também passou em todos os seus exames de Psicologia Avançada com 10, exceto por Cálculo, que você passou com 8. Você foi a capitã do clube do coral da sua escola por três anos, incluindo seu último ano no qual você ganhou a competição nacional. Você teve um tanto de outras atividades de clube e extracurriculares tanto quanto uma extensiva lista de trabalho voluntário. Minha pergunta pra você, Srta. Berry, é por qual motivo você está atualmente inscrita na Estadual de Ohio em Lima?"
"A explicação mais simples é que eu fui inocente," Rachel diz suavemente. Ela lembra de falar firmemente, articulada. "Para ser clara, eu não acha nada errado estar frequentando OSU Lima, mas eu acho que meus objetivos pessoais não estão de acordo com minha posição atual. Eu cometi um erro ano passado. Um bem custoso, mas me ensinou muito sobre mim mesma, sobre o mundo. Eu mudei, eu evoluí e eu me sinto um indivíduo muito melhor e mais forte."
Ela está esticando a verdade. Há vezes, sim, quando ela se sente muito mais preparada pro mundo – e Quinn tem muito a ver com isso. Mas ainda há vezes demais em que ela se sente totalmente inadequada. Isso sequer conta com os sonhos cinza, ou as garras em seu peito tentando rasgá-la pela metade.
O resto da entrevista continua com mais perguntas típicas de "O que você pode trazer pra Tisch" e "Quais são três fraquezas que você tem?"
Então ela está terminada e ela sai com proposito. Está na hora da dança, a qual é organizada em pequenos grupos a fim de serem examinados pela habilidade deles de aprender e adaptar uma coreografia. Ela não é a melhor dançarina – Mike, Brittany... Quinn sempre foram muito mais talentosos nesse departamento. Mas ela está ainda assim confiante em sua habilidade para aprender a coreografia. Agora que ela está se aprontando para começar a parte da dança, ela desejava ter pratico um pouco mais.
Talvez ela pudesse ter convencido Quinn a dar ela lições mais privadas, detalhadas...
Rachel balança a cabeça. Não tenho tempo para isso agora. Não quando o coreógrafo já está falando e o garoto ao lado dele está suando pra caramba. Ela tem um pouco de trabalho, mas objetivamente ela sabe que ela é pelo menos tão boa quanto a metade das pessoas na sala. Subjetivamente, ela está okay com sua apresentação.
Seu grupo é então escoltado para a parte final da crítica artística deles, e realmente não é notado por ela até que eles são recomendados a esperar ter seu nome chamado, e então ela começa a se preparar pra cantar na audição dela.
A memória daquelas palavras ficando presas em sua garganta... aquele momento que ela percebera que estava tudo terminado pra ela... Perda. Fracasso. Desespero. Ser nada, ninguém, desconhecida.
Ela está com frio novamente. Cinza. O que ela está fazendo, tentando entrar em Tisch?
Ela não pode cantar. Ela veio todo esse caminho até Chicago para –
Chicago.
Essa palavra torna-se a corda de salvação. Nacionais em Chicago foi um final de conto de fadas comparado a todo o resto que aconteceu desde antes.
Glee sempre foi seu.
Você é uma estrela.
Quinn acredita nela.
"Rachel Berry?"
Ela pula. É a vez dela. A assistente que está chamando-a apressa-a para dentro do cômodo. Como o componente de atuação, há três juízes de admissão sentados diante dela. Há uma acompanhante ao piano no canto. Ela oferece um sorriso nervoso a eles.
"Srta. Berry, eu presumo?" o homem do meio pergunta, ajustando os óculos.
"Sim, Senhor."
"Você pode dar sua partitura para a acompanhante. Uma vez que ela esteja pronta, você pode começar."
Rachel faz como é mandada, indicando à acompanhante qual seleção ela cantará primeiro. A acompanhante sorri e concorda. Rachel toma seu lugar de volta na frente dos juízes.
A música começa. Ela inspira e canta a primeira nota.
Rachel empurra através das pessoas no lobby, procurando por Quinn ou os pais dela. Ela atravessa um grupo e entra num vão, e ela os vê do lado das portas. Seus pais conversam juntos no canto. Quinn está inclinada na parede ao lado deles, lendo um livro.
Rachel não pode parar a curvatura pra cima nos seus lábios com a visão. Enquanto ela encara, se movendo pra mais perto, Quinn olha pra cima, suas feições visivelmente se iluminando. Ela fecha o livro, se empurrando da parede. Rachel a encontra no meio do caminho.
"Estou tão orgulhosa de você," Quinn diz antes de Rachel poder sequer abrir a boca direito.
"Eu não sei de nada ainda," Rachel diz.
"Não imporá. Você fez algo corajoso e incrível."
Antes de Rachel poder responder, ela é atacada pelos pais. Seu olhar nunca deixa o de Quinn enquanto eles fazem pergunta após pergunta sobre a experiência.
Seu coração está leve durante a caminhada de volta pro hotel. Ela se sente com o dever cumprido. Orgulhosa. Mesmo se ela não conseguir entrar, ela encarou os medos dela.
Mas ai, ela quer isso tanto.
É só quando Quinn tropeça que seu mundo cai de volta no cinza.
Rachel pega ela pelo cotovelo, envolvendo um braço ao redor da cintura dela, alarmada. "Quinn!? Você está bem?"
"Sim," Quinn diz fracamente. "Minha coluna só decidiu ser um pouco vadia do nada."
"Isso é – isso não é – devemos ir ao hospital?" Rachel pergunta preocupadamente. Seu coração bate com força. Ela mal nota que seus pais fizeram uma parada na frente delas, olhando pra trás preocupados.
"Não, está tudo bem. Eu tenho alguma dor, ocasionalmente. Isso só achou de acontecer realmente rápido."
"Você tem certeza? Eu realmente não me importo ir ao hospital com você. Eu só quero me certificar de que você tem o melhor cuidado disponível."
"Estou bem. Eu prometo," Quinn diz.
"Okay," Rachel diz meio em dúvida. Ela não pode se fazer soltar Quinn quando elas começam a caminhar novamente. Ancora ela à realidade, ancora ela à Quinn. Ela pensa que se ela se segurar tempo suficiente, ela pode transferir parte da saúde dela pra Quinn.
"Conte-me mais sobre sua audição. Como foi a parte de cantar? Eu sei que era sobre o que você mais estava nervosa."
Quinn está tentando distrai-la, ela sabe. Rachel cede, entretanto, porque não há outra coisa que ela possa fazer. "Eu não teria conseguido sem você. Quando eu cheguei naquela parte, tudo que eu podia pensar sobre foi o que aconteceu na minha audição de NYADA. Eu teria congelado tudo de novo se não fosse por você e tudo que você me disse."
Quinn olha como se ela quisesse dizer algo, mas ao invés disso ela sorri com força. Há um leve ruborejar nas bochechas antes dela abaixar a cabeça.
Rachel sorri timidamente enquanto seu coração bate em seu peito e pela sua garganta.
As coisas caem numa rotina bem normal uma vez que eles voltam de Chicago. Ao invés de passar as tardes preocupando-se com a crítica artística, agora ela se preocupa com quando ela receberá o envelope de Tisch decidindo o seu futuro. Mesmo com sua inscrição tendo sido completada, ela ainda sente o rasgar, o puxar. Ela ainda experimenta o mundo em cinza mudo exceto quando Quinn propicia cor, deixando isso explodir livremente de algum lugar dentro dela.
As férias de primavera de Quinn se aproximam rapidamente. A semana antes dela estar marcada para voltar pra casa, elas fazem planos – ou bem, Rachel faz planos e Quinn aquiesce com um sorriso no Skype. Depois, Rachel não pode evitar que sua preocupação sobre Tisch deslizar para a conversa.
"Eu sei que eu posso esperar ou um grande envelope ou um pequeno. Um grande é bom. Quer dizer que há várias quantidades de informação dentro, aconselhando você sobre o que esperar em Tisch como novo aluno. Um pequeno geralmente é ruim porque não há necessidade de mandar pra você toda a informação se você não fora aceito. E se eu fui tão mal que eles não me mandaram carta nenhuma como uma forma de punição por eu até mesmo tentar entrar? E se eles só querem me fazer esperar pra sempre pela resposta deles?" Rachel diz. Ela se mexe, puxando a camiseta, bagunçando as pontas do cabelo.
"Rachel," Quinn diz. Ela se inclina pra mais perto do computador, seus olhos grandes e expressivos até mesmo através da tela do laptop de Rachel. "Eles vão te mandar uma carta e vai estar enfiada num envelope gigante."
"Eu não sei como você pode estar tão certa sobre essas coisas, Quinn."
"Eu sempre estive certa sobre você," Quinn diz.
Rachel não está certa se Quinn quis engrossar essas palavras ou não, mas ela se mexe quando ela sente um calor empoçando abaixo do seu estômago. Ela morde o lábio inferior; quase com medo de olhar pra tela, preocupada que Quinn verá que ela está enrubescendo fortemente. "Boa Noite, Quinn."
"Boa Noite, Rachel," Quinn diz suavemente.
Rachel sai do Skype rapidamente, cor explodindo no coração dela. Ela se acomoda na cama, colocando seus pensamentos e sentimentos sobre Quinn Fabray tão longe em sua mente quanto possível. Ela dorme, e, seus sonhos cinzas são mais pronunciados do que nunca.
Quinn puxa pra ela – morta, viva, fria, quente. Rachel é uma sombra, tangível, nada, tudo.
Rachel acorda com o alarme dela com suor na sobrancelha dela. Ela imediatamente pula da cama e ataca o elíptico. Quanto mais rápido ela vai, mais rápido ela pode se afastar daqueles sonhos cinzas.
Ela vai pra aula. Passa num borrão. Ela não está certa de quais assuntos eles cobriram ou se mesmo o professor está presente. Ela não pode se afastar dos sonhos cinzas até chegar em casa e checar o correio.
Seu coração e mente param enquanto ela puxa um envelope grosso da caixa de carta. Suas mãos estão de repente inchadas e entorpecidas. Ela deixa as outras cartas caírem e quase derruba o envelope, também, claramente marcado como Tisch. É grande, cheio. Ela pode sentir cada ponto de pulso individual em seu corpo e o sangue correndo por debaixo da sua pele. Ela tremulamente rasga o envelope ali mesmo na sua calçada.
Ela lê, uma vez, duas. E prontamente senta com força no pavimento da sua calçada.
Ela chora.
Ela sorri.
Ela fica de pé rapidamente e sai correndo em direção a porta da frente. Ela encontra seu telefone onde ela tinha deixado no balcão da cozinha. De alguma forma, ela consegue ver através das lágrimas para ligar pra Quinn.
"Quinn! Eu entrei! Eu vou pra Nova York!"
Ela manda sua carta de aceitação como estudante transferida pra Tisch no dia seguinte. Ela sela com um beijo e cantarola cheia de felicidade enquanto ela coloca isso na caixa de correio.
Ela está impressionada. Há tanto pra fazer agora, e tanto pouco tempo. Ela já começa a conversa com seu conselheiro que recomenda que ela faça alguns cursos de verão em Nova York porque nem todas as aulas dela em OSU Lima serão transferidas. Aulas de verão começam em questão de poucos meses. Dois meses! Ela tem que se registrar, organizar seu novo e-mail de NYU, comprar coisas pra dormitório, preencher formulários de bolsa e tanto mais.
Naquela noite, ela consegue ter uma rápida conversa com Quinn que tem uma prova no dia seguinte. Rachel está agradecida por ela ter tido um pouquinho de tempo para conversar, mas ela se despede cedo na conversa porque Quinn parece distraída. A única coisa que ela quer fazer é interferir nos estudos de Quinn, e ela a verá pessoalmente dentro de uma semana, de qualquer forma.
Ela passa o resto da noite dela, comprando suprimentos pra dormitório. Por volta das 22h, seu telefone toca novamente. Ela se ilumina, vendo que é Quinn na outra linha. Quinn deve ter terminado seus estudos cedo.
"Oi, Quinn," ela diz brilhantemente.
"Rachel?" A voz feminina do outro lado não é Quinn. Quem quer que seja soa estressado, em pânico.
"Sim," Rachel diz. Preto, branco, cinza nadam em sua visão.
"É a Dharmi. A colega de quarto de Quinn. Ela está em má forma e eu não consigo alcançar a mãe dela. Os paramédicos acabaram de pegá-la."
Rachel congela. Ela engole. Sangue bate em seus ouvidos. "Eu tentarei a mãe dela. Você pode só– você pode ficar com ela? Manter me atualizada?"
"Sim. Há um monte de nós indo pro hospital agora mesmo. Rachel – ela..." Dharmi exala trêmula. "Foi assustador. Mantenho você atualizada."
"Obrigada," Rachel respira. "Obrigada por cuidar dela."
"Sem problemas," Dharmi diz fracamente. "Converso com você em breve."
Rachel desliga. O ponteiro dos segundos bate. Ela passa pelos seus contatos antes de finalmente cair em Quinn. Então ela vagamente lembra Quinn dizendo que sua mãe estaria visitando a irmã dela por alguns dias. Ligar pra o número da casa Fabray está fora de questão, mas depois da última vez, Rachel se certifica de salvar o número do celular da Sra. Fabray. Ela de alguma forma chega ao contato salvo.
Ela seleciona o número e escuta tocar e tocar e tocar até cair na caixa de mensagem. Ela tenta novamente. E novamente. E novamente. É a única coisa que ela pode fazer. Finalmente, na sexta tentativa, uma voz atormentada atende ao telefone.
Rachel mal deixa Sra. Fabray dizer um "alô" antes de cortá-la. "Sra. Fabray, é Rachel Berry. Quinn está no hospital novamente."
"Oh. Oh. É – ela está? Rachel, ela está?" Sra. Fabray gagueja, sua voz ficando cada vez mais fraca com cada sílaba.
"Eu não sei. Eu não sei," Rachel diz com a voz embargada.
"Okay. Okay. Estou indo pra New Haven agora mesmo. Obrigada Rachel."
Sra. Fabray desliga antes dela poder responder. Rachel senta à sua mesa. Ela sente, fisicamente, o ponteiro dos segundos circular. Cada batida é um pulso ressoando em seu corpo. Quinn, hospitalizada. Novamente. Logo depois dela aceitar a vaga em Tisch. Ela respira, desejando que seu corpo ache a força pra se move. Ela sai do quarto dela.
O corredor parece se prolongar indefinidamente. Parece preto, tons de branco e então torna-se de uma lavada em cinza. Ela está aturdida.
Quinn quase morreu quando ela mudou de graduação na OSU Lima para teatro. Quinn quase morreu quando ela se inscreveu pra Tisch. Quinn pode ou não estar morta em um hospital em New Haven agora mesmo.
Ela consegue alcançar os degraus, que levam à sala da família. A TV está ligada. Soa embaçada, muda. A tela vem à vista, e as cores estão drenadas, sangrando para o chão.
"Rachel?" Ela ouve a voz do seu pai à distância.
Não é uma coincidência.
Nada que aconteceu desde o acidente de Quinn é.
É a única coisa certa que ela sabe.
Quinn está viva por causa dela. Quinn pode morrer novamente por causa dela.
O ponteiro dos segundos sobre a lareira circula e circula. Ela não dorme. Ela mal resiste mandar mensagem ou ligar pra Dharmi a cada cinco minutos depois de conseguir o número dela. Sra. Fabray a contata nas primeiras horas da manhã, deixando-a saber que ela chegara em New Haven. Quinn continua em condição crítica. Pielonefrite – Sra. Fabray deixou-a saber. Uma infecção no rim.
Depois, uma mensagem chegou. A infecção no rim levou a uma septicemia. Uma infecção no sangue.
As mãos de Rachel tremeram quando ela olhou a informação sobre infecções sanguíneas no laptop dela. Ela estava perto de vomitar quando ela viu que a taxa de mortalidade era aproximadamente um terço de todos os pacientes, até mesmo aqueles que estavam sob cuidados médicos.
Luz entra pelas janelas da sala. Não faz nenhuma mudança significativa. Tudo o que faz é iluminar o cinza do cômodo enquanto seus pais se despedem preocupados no caminho deles pro trabalho.
Uma voz na cabeça dela repete – está feito, está feito, está feito. Ela tomou aquela decisão. Ela segura a vida de Quinn nas mãos dela. No seu futuro. Na sua escolha. E ela disse a si mesma, ela desistiria de tudo para Quinn viver. O ponteiro dos segundos bate.
Para mudar um destino, outro deve ser mudado em troca.
Ela tomou aquela decisão. Ela tomaria novamente.
O mundo não para de existir em cinza. Ela reza, implora por algo, qualquer coisa, que ainda seja o suficiente que seja feito.
Seu telefone toca, assustando-a de seu devaneio. Ela não pensa sequer que ela ainda tenha algum batimento cardíaco para ser parado. Ela atende, sem olhar o identificador.
"Sua vadia!" uma voz chega cheia de raiva e lágrimas. "Eu pensei que tínhamos a retaguarda uma da outra sobre Quinn! Você não me disse. Ninguém me disse!"
Santana.
"Desculpa. Desculpa." Rachel murmura.
"Ninguém me disse," Santana chora no outro lado da linha. "Eu tive que descobrir de Britt nessa manhã depois dela só descobrir pela colega de quarto de Quinn porque Quinn nunca ligou de volta pra ela noite passada."
"Desculpa," Rachel diz. Ela está chorando também. E ela está arrependido por tanto mais. "Eu estou tão perdida."
"Uma porra de infecção no rim e no sangue. E ninguém me contou, porra! Rachel, ninguém me contou. E eu não posso estar lá."
"Eu sei," Rachel diz.
"Maldito seja! Não é justo, porra! Ela não sofreu o suficiente!" Santana grita. Há uma batida do outro lado e Santana respira tremulamente. Então, "Me desculpa. Não é sua culpa."
Rachel mal resiste à tentação de dizer que é.
Ela tem que desistir de Tisch, ela decide enquanto o ponteiro dos segundos continua circulando. É a única solução. Ela ainda terá a vida dela no final do dia, e, mais importante, Quinn terá a dela. Não pode ser tarde demais. Tudo permanece em cinza – ainda há um balanço, um equilíbrio, entre as decisões dela para o seu próprio futuro e a vida de Quinn.
Ela chora novamente. Por si mesma (porque ela é egoísta). Mas em grande parte por Quinn. Ela devia ter notado o tempo todo o que estava acontecendo, porque tudo parecia tão destoante desde o acidente. Se ela tivesse, Quinn nunca teria que ter sofrido por cada decisão que ela tomara.
Ela abre o laptop dela, indo pro site da NYU e encontra a informação de contato para o escritório de admissões. Ela ligar para o número listado, mas vai direto pra caixa de mensagem. Ela imagina que eles devem estar incrivelmente ocupados com lidar com os estudantes que estão entrando, mas ela ainda assim cerra os dentes em frustração. Ao invés disso, ela desliga e clica no endereço de e-mail. Seu provedor pula e ela apressadamente começa a digitar uma mensagem.
Sai como um monte de tolice – cheio de erros e sintaxe incompreensível. Ela deleta tudo, e passa a mão pelo cabelo, tentando se acalmar. Ela começa novamente, mas só chega até a segunda linha quando seu celular vibra. Ansiedade vibra por ela, tremendo-a até o âmago dela quando ela vê que é a Sra. Fabray.
"Quinn?" Rachel diz a título de cumprimento sem fôlego. Há uma pausa, um ponteiro dos segundos bate que parece durar eternamente e para todo o sempre até que finalmente –
"Ela está bem."
E Rachel respira. Seu coração bate.
"Ela não está fora de perigo ainda," Sra. Fabray continua. "Mas os médicos estão otimistas porque ela chegou a eles tão rapidamente. Graças a deus pela companheira de quarto dela que foi insistente em ligar pra emergência quando ela o fez... Ela quer falar com você."
"Ela quer?" Rachel disse fracamente.
"Sim, me dê só um segundo," Sra. Fabray responde.
Há um clique de passos, suaves murmúrios e então, "Rachel?"
Rachel segura as lágrimas quando ouve a voz de Quinn. "Quinn. Você está bem? Não, essa é uma pergunta estúpida. Você não está bem. Mil perdões."
"Você não tem nada pelo que pedir perdão," Quinn diz. Sua voz está baixa, frágil e há um tremor nela que assusta Rachel. "Eu só queria conversar com você. Eu gosto de escutar sua voz. Me faz sentir melhor."
Rachel engasga numa respiração trêmula.
"Ei, não chore," Quinn diz. "Eu vou ficar bem. Nós vamos ficar bem."
"Era pra eu ser a forte agora mesmo," Rachel diz, um vestígio de um sorriso quebrado cruzando seu rosto ao perceber que Quinn está tentando confortá-la.
"Eu estarei em casa para férias de primavera. Eu prometo."
"Você não vai pra casa no dia seguinte a ter uma infecção no sangue. Eu olhei."
"Não se preocupe. Eu irei. Eu tenho que ir agora, mas espere por mim, Rach. Não faça nada impulsivo."
"Tchau Quinn," Rachel diz suavemente.
Quinn cantarola uma resposta e o telefone fica mudo. Rachel continua com o celular na orelha dela. "Eu amo você," ela diz suavemente para o cinza vazio de sua casa.
