Yugao POV

Foi difícil dormir tranquilamente esta noite. Kakashi enrolado em uma toalha não saia da minha mente. Era claro que ele estava brincando comigo, irônico pensar que só agora eu tenha despertado sua atenção. Eu devia sentir raiva, mas estaria mentindo se dissesse que não estava gostando. Eu queria brincar também. Eu não era mais uma menina e ele iria me conhecer.

Levantei da cama decidida, dei uma olhada em uma das bolsas que Yamato havia trazido do meu dormitório e encontrei exatamente o que eu precisava. Segui para o banheiro pra fazer minha higiene matinal e tomar um banho. Eu já estava me sentindo melhor em razão aos fortes medicamentos, apenas o corte ainda estava recente e dolorido. Ele teria que trocar o curativo, sorri.

Depois que sai do banho, me vesti com um short curto e uma camiseta branca que tinha um decote largo. Sem sutiã. Penteei meu cabelo e estava pronta para retribuir a atitude da noite anterior.

- Ohayo, Kakashi-kun. - Disse entrando na sala e o encontrando preparando uma bandeja.

- Ohayo. - Ele me encarou por longos segundos antes de conseguir me responder. - Eu já ia levar seu asa gohan. - Seus olhos percorreram meu corpo descaradamente.

- Arigatou. - Me estiquei pela bancada para depositar um pequeno beijo em sua bochecha sob a máscara e lhe dar uma bela vista do meu decote. - Estou me sentindo melhor hoje. - Ignorei a dor por ter me esticado e comecei a me servir. Ele foi pego totalmente de surpresa pelo meu atrevimento. De canto de olho o vi levar a mão disfarçadamente ao local que o beijei. - Você não vai comer? Eu fecho os olhos de novo. - Disse rindo.

- Eu acordei um pouco cedo e acabei comendo antes de você. - Se explicou.

- Bom, está delicioso... Como tudo que você faz. - Segurei seu olhar. Era como se seus olhos negros faiscassem.

- Onde você conseguiu essas roupas? - Ele estava me encarando como se nunca tivesse me visto antes. Nem tentava disfarçar.

- Yamato me trouxe ontem com alguns itens pessoais. - Limpei um pouco de café dos meus lábios com o indicador. - Lembra? - Ele cruzou os braços e se recostou no fogão, mantendo o olhar.

- Claro... - Sorriu de lado e por Kami eu queria rasgar aquela máscara a unha.

- Eu posso lhe fazer uma pergunta um pouco pessoal? - Eu precisava saciar minha curiosidade de alguma forma. Ele pareceu refletir um pouco, mas assentiu. - Quando você está com uma mulher, qualquer mulher, você tira essa máscara para beija-lá? - Era como se houvesse um incêndio em seus olhos. Ele me desejava. Isso era certo.

- Quase nunca as beijo. - Ele veio se aproximando e se apoiou na bancada a minha frente. - Mas quando quero brincar um pouco mais, eu vendo seus olhos. - Sua voz soou no meu ouvido e me arrepiei por completo.

- Me parece interessante. - Lutei para recuperar o controle do jogo.

- Acha? - Sua voz saiu surpresa.

- Pra mim seria um desafio ficar vendada. - Vi seus olhos semicerrando, "o estrategista" não parecia saber onde eu o queria levar com meu jogo de provocações.

- Porquê? - Não acredito que fora tão fácil prever o caminho dessa conversa.

- Porque gosto de olhar nos olhos quando estou por cima. - Hayate que me perdoe por me expor assim, mas não sou nenhuma santa.

Era como se ele tivesse perdido o controle do seu corpo, em um impulso se aproximou do meu rosto, por um momento pensei que ele iria me beijar. E então ele se afastou da bancada. Acabei de tomar minha xícara de café.

Eu havia empatado o jogo.

- Kakashi-kun? - Me fiz de desentendida. - Acho que precisamos trocar o curativo.

- Hrr... - Ele limpou a garganta ainda se recuperando do meu ataque. - Vou pegar a caixa de primeiros socorros. - E saiu em direção ao banheiro.

Me deitei no sofá e me dei conta de como o cenário havia mudado de ontem para hoje. Era como se fossemos fogo e pólvora e a explosão fosse inevitável.

- Pronta? - Ele já havia voltado. Levantei minha blusa até abaixo dos seios, muito mais de minha pele do que ele havia visto ontem.

Não precisei dizer nada para que ele se ajoelhasse ao meu lado e com o cuidado de um devoto cortasse as bandagens. O plano era provocá-lo um pouco mais, porém parecia que o homem já estava no seu limite, o observei tocar minha pele com as pontas dos dedos como se eu fosse feita da porcelana mais fina e quebrasse a qualquer grande pressão. Limpou toda a extensão da ferida e aplicou a pomada cuidadosamente. Seus dedos eram ásperos devido aos treinos pesados que se submetia desde seus cinco anos de idade. Imaginei o toque com desejo daquelas mãos em minha pele. Merda Kakashi.

Eu me sentei de súbito, ele sequer esperava esse movimento, não havia terminado o curativo ainda. Minhas pernas estavam ao redor dele e seu rosto na altura dos meus seios. Ele me encarava.

-Yugao. - Sussurrou meu nome carregado de desejo. Sorri meu sorriso mais diabólico.

- Você quer me beijar? - Eu me curvei em direção ao seu rosto, nossos narizes se tocavam.

- Eu quero muitas coisas. - Ele confessou.

- Você não pode ter tudo o que deseja. - Sussurrei, nossos lábios só eram impedidos de se tocar pela sua mascara, me afastei e me deitei no sofá.

- Você é má, Uzuki Yugao. - Sua voz estava magoada.

- Isso é minha retribuição por ontem. - Eu havia emplacado dois pontos e assumido a liderança.

- Não pense que não haverá retaliação. - Seu olhar era como metal liquido. Sorri, eu desejava que houvesse retaliação com toda minha alma.

- Termina o curativo e para de falar. - Ordenei e ele voltou sua atenção para as novas bandagens. Sorri vitoriosa.

Ele finalizou o curativo demonstrando um enorme controle emocional. Eu só queria beija-lo. Sem aquela máscara ridícula por favor.

- Eu tenho uns compromissos com a Godaime hoje. - Ele permaneceu ajoelhado ao meu lado. - Ainda tem um pouco da sopa que preparei ontem.

- Tudo bem. - As palavras saiam com dificuldade da sua boca, parecia estar sendo forçado.

- Você já se lembra? - Ele despejou o que queria perguntar. - Do porque recebeu esse corte?

- Ainda não, mas acho óbvio. - Revelei. Ele me encarou com olhar questionador. - Eu devo ter imaginado que você estava em risco. Você, mais que qualquer pessoa, deveria entender. Eu não suportaria perder mais alguém.

- Quando te vi sangrando... Pensei que te perderia também. - Me confessou com a voz baixa.

- Nós somos muito fodidos. - Ri e ele me acompanhou. O som da sua risada sempre fora importante para mim, era lindo.

- Disso ninguém tem dúvidas. - Ele se levantou e vestiu seu colete Jonin. Me sentei devagar para vê-lo se despedir de mim e sair, dessa vez usando a porta de entrada.

Eu não seria capaz de explicar à sintonia que estávamos desenvolvendo, eu confiaria a ele minha vida e sei que é recíproco, mas devia confiar meu coração? Seria muita ingenuidade crer que poderia encontrar algo próximo ao que tive com Hayate com Kakashi. Ele era outro homem com outros gostos e atitudes. Se eu queria brincar com ele, eu deveria me manter em cima do muro. Sem nunca cair para nenhum dos lados. Sem sentimentos. Seria possível?

Kakashi POV

Eu andava devagar para o escritório da Tsunade-sama. A imagem da Yugao vestida com aquele shorts e aquela camisa branca não saia da minha cabeça. Ela era linda demais para sua própria segurança. Suas curvas pareciam ter sido desenhadas especialmente para me agradar. Eu precisei usar todo meu controle físico, mental e emocional para não rasgar aquelas roupas. Para não beija-la. Ela estava brincando comigo. Entrando no meu jogo. Era demais para mim.

Não vi como chegamos tão "rapido" a esse ponto... Desconsiderando os anos anteriores. Me lembrava exatamente como havia a conhecido. Quando me designaram meu primeiro time ela veio com sua mascara de gato, seu cabelo violeta aos ombros, com seus treze anos. "Uzuki Yugao, as suas ordens." Ela disse. Disso até o "Você quer me beijar?" De hoje de manhã, havia um longo caminho, havia outras pessoas. Havia burrice de minha parte.

A manhã correu tranquilamente, Tsunade vinha me passando todas as informações que eu precisaria para executar o papel de Hokage. Ela disse que ia me dar todo o treinamento que ela, infelizmente, não pode receber. Ela acreditava muito em meu potencial como Hokage embora eu não me achasse no perfil. Eu não causava admiração nas pessoas, todos os meus títulos foram recebidos por medo. Quando expliquei isso pra ela, ela apenas me respondeu que mesmo sendo a lendária otaria acreditava que desempenhou bem o papel de Hokage. "Apenas nós conhecemos nossos sacrifícios" foram suas palavras. Desde esta conversa aceitei meu destino e tenho tentado lidar da melhor forma com o meu futuro, será uma honra para o clã Hatake, será uma honra para a memória de meu pai, de meu sensei e principalmente seria minha homenagem a Obito.

- Como está a Uzuki? - Tsunade levantou a questão depois de longas horas me explicando detalhes do banco de dados de cada ninja de Konoha.

- Melhorando. - A xinguei mentalmente por ter me obrigado a lembrar da Yugao depois de finalmente começar a focar em outra tarefa. - Sem infecção, ela está se sentindo mais forte e em breve deve ser capaz de curar o corte sozinha.

- Ah, eu sai para beber ontem com Shizune e me esqueci de passar por lá. - Ela se explicou. - Bom, hoje dou minha palavra que cuido dela. Vou precisar dela amanhã.

- Amanhã? - Meu tempo com ela estava acabando.

- Sim, uma missão de infiltração. Ela é muito boa, quando precisar pode contar com ela... Como pude me esquecer, ela foi da sua equipe na ANBU. Você conhece suas habilidades bem melhor que eu. - Ela divagava enquanto lia mais um relatório de alguma missão de jovens gennins.

- Ela é excepcional. - Afirmei. Tsunade me encarou pensativa, parecia querer me dizer algo porém voltou a sua leitura.

Já era por volta de três da tarde quando Tsunade me liberou, estava retornando ao meu apartamento passando pelo centro comercial de Konoha quando me deparei com um item em especial em uma vitrine. Um colar longo de prata com uma lua minguante e um pingente de pedra da lua. Era coincidência demais para não aceitar que era destino. Não pensei duas vezes antes de comprá-lo. Quando estava saindo da loja esbarrei na ultima pessoa que desejava no momento.

- Ah, olha aí você. - Anko estava com uma expressão bastante enfurecida. Guardei a caixa com o colar em um bolso do meu colete.

- Olá. Tudo bem? - Tentei ser simpático e voltar ao meu caminho para minha casa.

- Tudo bem?! Kakashi eu vi a Uzuki na sua casa. - Ela estava começando a chamar a atenção de alguns passantes e seria ridículo se ela fizesse uma cena.

- E daí Anko? - A puxei pelo braço para um beco.

- E daí? Nós estamos saindo! - Ela tentava se soltar.

- Saindo? A gente transou umas quatro ou cinco vezes pelos cantos do prédio Hokage. Isso não é "estar saindo". - Minhas palavras a haviam magoado.

- Então eu sou apenas isso pra você? - Choramingou.

- Pensei que tinha sido claro. Eu te falei que não estou procurando uma namorada, eu queria sexo e contigo estava sendo fácil. - Senti meu rosto esquentar. Ela me deu um belo de um tapa. Estava furiosa. Okey, eu havia sido insensível.

- Eu pensei que tínhamos algo especial. Eu fui lá para te surpreender... e a encontrei vestindo suas roupas. Eu fui muito idiota. - Ela despejava todo o ódio que sentia em mim.

- Desculpa se de alguma forma te ajudei a entender nossa situação errado. Mas nunca te prometi nada. - Soltei seu braço.

- E prometeu pra ela? Eu te vi comprando aquele colar, é pra ela não é? Você nunca me levou na sua casa. - Ela estava me acusando novamente. Revirei os olhos.

- Ela fez parte da minha equipe, está ferida e emprestei umas roupas para ela. Por favor não fica criando cenários em sua cabeça que não existem. - Não sei porque estava me explicando, eu não devia nada a ela, essa cena era ridicula.

- Sei. - Ela limpou uma lágrimas. - Eu fui muito burra mesmo.

- Anko, acabou okey? Não vou mais te procurar. - Ela era muito histérica para a minha paciência. Ela riu de desespero.

- "Okey". - Cuspiu a palavra em mim antes de sumir do meu campo de visão. Anko havia sido um erro.

Precisei demorar um pouco mais no meu caminho para me acalmar. Levei meu tempo no memorial levando novas flores para Rin. Notei que o tempo estava passando quando começou a escurecer. Decidi que já era hora de voltar para casa.

Abri a porta devagar. Yugao estava na cozinha e sorriu ao me ver. Ela era linda demais.

- Tsunade-sama esteve aqui. Estou 100% curada. - Ela dei um giro para me mostrar que estava em perfeito estado, estava com o cabelo preso em um coque alto me dando uma bela visão da sua nuca. - Também me entregou uma nova missão. Para amanhã - Ela revirou os olhos. - Pensei em preparar o jantar hoje, para lhe agradecer. Claro que não vai ficar tão delicioso quanto o que você prepara... - Corou levemente. - Kakashi-kun? - Me encarou preocupada.

Eu desisto.

- Feche os olhos. - Caminhei em sua direção decidido. Ela parecia confusa, mas obedeceu.

Retirei minha máscara e a beijei. Primeiro delicadamente, queria lhe pedir permissão para continuar. Ela tinha o gosto do paraíso.

Senti sua língua pedindo passagem e era o sinal que eu precisava para aprofundar o beijo. A segurei pela nuca e a beijei como se ela fosse um copo de água depois de três dias vagando no deserto. Ela era mais que isso. Era meu maná. Era feita para ser minha.

E seria.


Olá meninas, esse capitulo tá ótimo, me diverti muito escrevendo hahah

Espero que gostem e comentem por favor, adoro o feedback!

Acho que posso prometer no próximo capitulo um +18 hahah