Capítulo IV

Finalmente a carruagem parou em uma estalagem. Bella suspirou aliviada, porque estava faminta e imaginou se Edward não a havia esquecido.

A cabine do veículo dos Cullen era surpreendente mente confortável, ela nunca viajara em uma carruagem tão luxuosa. Embora tivesse todo o cuidado com a postura, para não estragar as rosas do penteado, conseguiu tirar um breve cochilo.

Podia sentir a maciez do estofado, porque vestia menos anáguas do que o aconselhável para manter a forma e o vo lume da saia. O apropriado seriam dez, porém, optara por apenas quatro, uma vez que não conseguiria tal proeza, sem a assistência de Alice. O único inconveniente era o de ter que se manter em constante vigilância, para não amarrotar o tecido.

O espartilho que usava fora tão bem ajustado pela criada que lady Beth tinha lhe enviado, que quase a impedia de respirar. Embora ajudasse na postura, era uma verdadeira tortura ter que usar aquele apetrecho. Agora, além de des confortável, começava a esquentá-la. Bella teve vontade de livrar-se daquilo, mas sorriu ao imaginar se alguém a sur preendesse tentando se despir sozinha.

Contudo, deveria dar graças a Deus de viajar em tamanho conforto, em vez de estar sobre a sela de um animal, como provavelmente estaria o duque.

Será que Edward cavalgava o cavalo dourado? Bella refletiu e ao mesmo tempo condenou-se por tomar consciência que até aquela parte da viagem não pensara em outra coisa senão nele, em seu corpo, seus beijos...

— O duque reservou uma sala particular, Alteza. Poderia me acompanhar? — falou um dos cavaleiros de Edward, assim que abriu a porta da cabine.

Ela ergueu a barra da saia, segurando uma porção do tecido com uma das mãos e ofereceu a outra para que o ho mem a auxiliasse a descer.

Uma outra criada veio ao seu encontro e, com uma reve rência, pediu que Bella a acompanhasse até um dos quartos da hospedaria. Lá, a jovem ofereceu-lhe uma vasilha com água morna para que se refrescasse. Bella mergulhou o lenço no líquido e, com ele, limpou o suor do rosto e pescoço.

Depois, observou-se no espelho e notou que, com exceção de algumas rosas perdidas e umas poucas rugas na parte de trás da saia, ela estava impecável, quase da mesma forma como iniciara a viagem.

A criada a conduziu até a sala de jantar privativa, onde o duque a aguardava. Em seguida, retirou-se.

Edward parecia mais atraente do que de costume. A roupa esportiva emprestava-lhe um ar ainda mais sensual: calça caqui justa e ajustada dentro das botas que alcançavam os joelhos. A camisa ferrugem de musselina encorpada, com as mangas dobradas até a altura dos cotovelos, expunham par te dos braços claros.

Bella não pode lhe ver os detalhes do rosto por conta da fraca luz das velas sobre a mesa. Porém a sombra daquele corpo forte projetada na parede branca fez tremer-lhe os sen tidos, aguçando-os ainda mais. Naquela fração de segundo, ela recordou o perfume daqueles músculos, ouviu o descom passo de sua respiração ao beijá-la...

Porém havia frieza naqueles olhos dourados que a obser vavam agora; eram bem diferentes, mas suficientes para fa zê-la voltar de seus doces delírios.

Tinha que se apegar às poucas razões que a manteriam afastadas. Afinal, o biótipo de Edward não era dos que mais lhe agradavam. Era muito rude, como bem o dissera Mike, pouco tempo antes das confusões todas. Sem contar que seus modos também não eram os mais refinados, apesar do título nobre. Tudo aquilo parecia ter ocorrido séculos atrás em vez de alguns dias.

Bella preferia homens com cabelos negros e olhos escuros e não claros com olhos de um dourado indefinido como os do duque.

Contudo se lhe perguntassem, não teria explicações para a compulsão de não desviar os olhos daquele corpo viril. Sem contar que quando seus olhares se encontravam, ou quando ele sorria daquele jeito matreiro, seu corpo frágil respondia involuntariamente, deixando que fortes arrepios lhe levan tassem a pele dos recantos mais íntimos de seu corpo. Es perava, sinceramente, que ele nunca tivesse notado aquelas reações exacerbadas.

— Viajou confortavelmente até agora?

— Eu diria que foi aceitável — respondeu ela, enquanto se sentava graciosamente na cadeira do lado oposto de Edward.

— Quer sempre estar no controle da situação, não é? — perguntou ele, ironizando, enquanto a observava acomodar a saia, para não amarrotar.

Bella abriu a boca para falar, mas foi interrompida pela entrada do dono da estalagem e de um ajudante.

— A sopa está servida, Alteza — disse o homem, com uma reverência tão exagerada que a duquesa mal conteve o riso.

— Parece comível... — murmurou Edward.

— Minha Sue cozinha tão bem quanto os melhores che fes de Londres. Posso garantir-lhe — o humilde senhor res pondeu indignado.

— Só poderei concordar depois da refeição — afirmou Edward, com indiferença. — Agora pode se retirar.

Edward aguardou que os homens saíssem, para perguntar à duquesa:

— Por que me olha com reprovação?

— Não estou fazendo isso.

— Está, sim, O que gostaria que eu dissesse se ainda nem provei a comida?

— É uma questão de delicadeza, suponho.

— Prefiro a sinceridade. Essas formalidades são para pes soas como você. Aliás, ontem à noite, dei uma espiada nos jornais de Londres. Não imaginava como era famosa nos círculos sociais.

Bella ignorou o comentário e serviu-se de uma fatia de pão fresco. Parecia saboroso e crocante.

— Experimente, Edward. Está delicioso.

— Estou tentando manter um diálogo com você.

— E estou respondendo educadamente. Não é o que de seja?

— Nunca exigi educação. Prefiro quando é sincera. Ad mito, entretanto, que há algumas coisas em você que não aprecio.

— Vai me dizer que quer que eu seja rude como você?

— Para mim, não faz a mínima diferença a forma como age. Só não gosto da maneira como flerta comigo.

— Eu? Flertando com você? — Ela abriu um daqueles sorrisos superficiais. — Deve estar enganado. Não perderia meu tempo com isso.

— Se bem me lembro, você gostou quando a beijei. Vai negar isso também?

Naquele instante, os dois homens da estalagem retorna ram à sala trazendo duas bandejas.

O cheiro de rosbife era inebriante. Após servirem a carne com legumes na manteiga, os homens se retiraram.

— E então? Não vai me responder? — insistiu o duque.

— Acho que está desviando minha atenção — respondeu ela, dissimulando a afronta. — Prefiro degustar a refeição. Por que não faz o mesmo? Sue é realmente uma cozinheira admirável.

— Não tem coragem para admitir? — Indiferente à indi ferença dela, insistiu no assunto.

— Vamos acabar com esta farsa — Bella falou em um tom mais alto do que o de costume, perdendo a paciência. —Tenho meu próprio patrimônio, independentemente dos Black. Em bora não seja tão vultoso quanto o seu, para mim é suficiente. Se me deixasse partir, eu lhe prometo que nunca mais ouvirá falar de mim.

— Acho que está desviando o rumo da conversa.

— Eu imploro que me deixe voltar a Londres.

— Esse comportamento não é próprio de uma dama de sua posição.

Ela respirou fundo por várias vezes, até conseguir a cal ma que desejava. Depois permaneceu olhando-o em total silêncio.

— Assim está melhor — falou o escocês, reclinando-se no espaldar da cadeira e cruzando os braços. Então, sorriu.

— Essa encenação não pode continuar, Edward. — Bella resolveu tentar outra vez.

— Nisso eu concordo.

— Concorda? Mas disse que...

— Concordo que não deva continuar para sempre. Ainda espero conhecer a mulher que será minha duquesa.

— A questão é exatamente essa! Não quero ser sua du quesa.

— E o que quer?

— Que me deixe em paz!

Edward preferiu não responder. Agindo como se nada tivesse acontecido, lotou o prato de carne e vegetais e começou a comer.

Ela o observava, enquanto o escocês devorava a refeição. Parecia que ele mantinha um sorriso satisfeito o tempo todo, Bella sabia a razão. Estava fazendo parte de um jogo que ele até então sempre vencia.

Para passar o tempo, ela brincou com o garfo, tentando apanhar uma azeitona. Tinha perdido o apetite.

— Uma coisa você tem que admitir: poderemos ser famo sos juntos — ele disse entre uma garfada e outra.

— Que proposta vulgar! Estou surpresa com sua falta de originalidade! — exclamou Bella com a voz repleta de sarcasmo.

Para completar, cobriu a boca com uma das mãos e simulou um bocejo de tédio.

— Minhas razões podem ser bem diferentes das que ima gina, minha querida. Sei que não é minha esposa de verdade. Com certeza, também não a quero — o duque afirmou, com frieza. Diante da expressão de espanto dela, prosseguiu: — Sei que encenei tudo isso e até providenciei que espalhassem a notícia de que estava procurando uma esposa. Mas tudo não passou de uma trama. Como sabe, herdei o título recen temente e com ele uma incontável fortuna. Ainda estou ten tando me acostumar com a idéia de ter tanta responsabili dade e riqueza, com apenas vinte e oito anos de idade. Sou muito novo para estar algemado a uma mulher como você. Prefiro uma que não seja tão experiente.

— Então, por que...

— Não me interrompa, Isabella. Ou não conseguirá entender o que aconteceu.

Ela mordeu o lábio inferior e forçou um sorriso amarelo.

— Sabe que é uma mulher muito bonita, tem um título de nobreza. Porém, da forma como gasta seu dinheiro, sei que está à beira da ruína. Não quero me casar com a mulher que me foi prometida agora, ainda não. E você caiu nos meus braços por acaso, eu não podia perder a oportunidade.

— Mas eu... — Bella se interrompeu no instante em que percebeu a voz sair chorosa.

—Além do mais — ele continuou —, é considerada a Dama de Gelo, uma mulher fria e sem sentimentos... Perfeita para o que eu precisava. As mulheres comuns costumam fazer cenas de ciúme e dramas emocionais. Mas você não. Tudo isso li nos jornais. Também podemos olhar pelo ponto de vista do carma.

— Ca... carma? — ela conseguiu balbuciar, com os lábios trêmulos.

Edward deu um sorriso contido.

— Carma está relacionado ao destino. E foi o que aconte ceu. Percebi a relação quando você surgiu em meu quarto, na noite em que pensou ter matado Mike. Como toda moeda tem dois lados, percebi que você também precisava de mim.

— Edward, eu...

— Além do mais, a julgar por suas atitudes, imagino que como homem não desperto interesse em você. O que me deixa livre de certa forma e também a libertará de assédios importunos. Não poderia haver melhor casamento de interes ses, não acha?

Bella sentiu que se ele dissesse mais uma palavra, não conseguiria conter as lágrimas de humilhação. Receava que estivesse evidente em cada parte do seu corpo a crescente onda de emoção. Edward estava descrevendo tudo que ela sem pre criticara nos casamentos de aparência.

Como alguém poderia estar tão enganado? A situação era exatamente inversa, era ele que não demonstrava um sen timento qualquer em relação a Bella. Além do mais doía-lhe saber que o duque ainda a julgava fria e fútil. A verdade única e simples era que um segundo casamento sem amor não estava em seus planos: Contudo, pela primeira vez, ficou apavorada diante da visão de um futuro solitário.

O estalajadeiro entrou e Edward ergueu os olhos para o ho mem.

Bella aproveitou para virar o rosto e, rapidamente, secar algumas lágrimas teimosas com o pequeno lenço que trazia na bolsa, sem que o duque percebesse.

Logo depois uma mulher robusta, de meia-idade, entrou e postou-se ao lado dele. Bella imaginava que fosse Sue.

— A refeição estava satisfatória, Alteza?— indagou o homem.

Edward afastou a cadeira e ergueu-se:

— Melhor do que o esperado. Sua esposa é uma excelente cozinheira, como disse. — Gesticulando na direção de Bella, desculpou-se: — Infelizmente, a duquesa perdeu o apetite. O balanço do coche deixou-a enjoada, sabe como é... Seria possível providenciar algumas frutas para a viagem?

Sue sorriu e garantiu selecionar também alguns doces. Bella assistia a tudo, imóvel.

— Está sem a estola, querida? — perguntou Edward, com uma entonação suave, própria de um marido dedicado, mas ela bem sabia que era apenas uma encenação.

— Deixei-a na carruagem — respondeu num sussurro.

—Vejo que preciso cuidar melhor de você!

Após ajudá-la a erguer-se, ofereceu gentilmente o braço, para conduzi-la.

Bella ainda estava trêmula, quando chegaram à porta da cabine da carruagem. Naquele momento, deveria dispensar a escolta, segurar na alça de apoio e subir no estribo do veí culo. Não era tão difícil. No entanto, ficou parada, como se não soubesse o que fazer.

O que estava acontecendo comigo? Pensou.

Dentre as inverdades que Edward dissera, só uma delas fa zia sentido: a duquesa de Black jamais faria uma cena. Esse era, sem dúvida, um código de honra.

Contudo, ali estava ela, apenas representando um papel para a comitiva, mesmo depois que o homem que se dizia seu marido acabara de confessar que não a desejava. A julgar pela mágoa que sentia, começava a perceber que a Dama de Gelo tinha um coração afinal.

— Vou prosseguir a viagem na carruagem, Jasper — infor mou o duque.

— Como quiser, Alteza.

Bella ouviu a ordem, mas não esperava o que Edward fez a seguir. Ergueu-a nos braços e entraram juntos na cabine. Depois se acomodou num dos bancos, mantendo-a no colo. Bella poderia ter protestado. Em vez disso, fechou os olhos e lutou contra os instintos. Como gostaria de desfrutar da quela intimidade! Bastaria recostar a cabeça no peito más culo e aproveitar o contato físico!

— Prefere permanecer assim?

O som gentil daquelas palavras parecia ecoar de um sonho. Ela sacudiu a cabeça e moveu-se para o outro banco, antes que se arrependesse.

Edward tinha resolvido aceitar o convite do marido de Jessica para se hospedarem na mansão dos Stanley naquela primei ra noite de viagem.

Bella o teria avisado sobre a dificuldade de acesso ao lugar, caso ele tivesse lhe perguntado.

Sob a fraca luz das lanternas da carruagem, o veículo vencia o trecho final do caminho estreito que conduzia à mansão. Algumas pedras soltas faziam a cabine sacolejar em excesso, deixando Bella enjoada. Com certeza estaria prostrada no momento em que chegassem. Até que seria conveniente, pois teria uma excelente desculpa para reco lher-se cedo aos aposentos, já que não tinha a mínima fome e precisava descansar o mais que pudesse.

A família Stanley estava instalada em Barton's Abbey desde a época do primeiro patriarca. A mansão havia sofri do um incêndio parcial alguns anos antes do casamento de Jessica, mas, a parte danificada ainda não fora reconstruí da. E, a julgar pela péssima manutenção do caminho da entrada principal, os fundos de reservas da família deveriam estar desfalcados.

Assim que o cocheiro estacionou a carruagem, Edward des ceu e ajudou Bella a fazer o mesmo.

— Bella! Que felicidade em recebê-los! — exclamou o ma rido de Jessica, aumentando a entonação da voz, à medida que se aproximava.

— Quil! Como vai? — perguntou Bella para o homem rechonchudo. — E as crianças?

— Estamos todos bem — agradeceu ele, enquanto beija va-lhe a mão, num gesto cortês. — Vamos entrar.

Um dos servos do duque apanhou-lhe o sobretudo e Bella aguardou pela governanta, que não veio. Edward encarregou-se de ajudá-la a desfazer-se da estola e entregou-a ao mesmo serviçal. Enquanto atravessavam a porta principal da man são, construída em madeira escura entalhada no estilo gó tico, provavelmente uma relíquia deixada pelos ancestrais, Quil prosseguia falando, com profuso entusiasmo:

— Viram Jessica recentemente? Ela está bem? — pergun tou. Porém, sem esperar a resposta, continuou quase atropelando as palavras: — O jantar está quase pronto. Passei o dia todo providenciando para que os convites fossem en tregues a tempo de as pessoas se prepararem adequadamen te. Acredito que teremos uma multidão para recepcioná-los... Ah! Obrigado, pelo envio da provisão, mas não precisava exagerar! A quantidade de alimentos é tanta que daria para outros dez jantares além do de hoje. Receio que terá de levar consigo uma enorme sobra.

Edward abriu um sorriso largo e simpático ao recusar:

— Nada disso, milorde. Espero que possa aproveitar o excesso. Tal carga só me atrapalharia. — Com um olhar de cumplicidade, indagou: — Será que pode indicar os aposen tos para a duquesa se refrescar? Enquanto isso, poderemos manter uma longa conversa sobre cavalos.

Se o escocês desejava agradar a Quil, não poderia ter dito nada mais atrativo, pensou Bella, enquanto seguia o servo dos Cullen pela escadaria. Ela sabia o quanto Jessica se aborrecia com as infindáveis conversas do marido so bre cavalos.

Pelo que conhecia da história da condessa, sabia que o casamento com Quil fora arranjado da mesma forma que o de Bella.

Porém, depois de lhe dar dois herdeiros, Jessica resolveu permanecer a maior parte do tempo na residência da família em Londres. Bella procurava evitar julgar a atitude da ami ga, principalmente sobre o que ela lhe confidenciara ter in tenção de fazer.

Bella tinha encontrado Quil duas vezes antes daquela. E, como sempre, demonstrava-se simpático e receptivo. Mas, quanto ao fanatismo por cavalos, concluiu que Jessica não havia exagerado.

O criado abriu a porta do aposento designado pelo anfi trião e acomodou a bagagem, retirando-se em seguida.

Bella observou o ambiente espaçoso e surpreendeu-se ao constatar a falta de mobília. Além da cama de casal e do guarda-roupa, havia apenas uma penteadeira com um espe lho oval imenso.

Forçou-se a ignorar os pertences de Edward ao lado dos dela, deixados no chão pelo serviçal.

Após uma leve batida na porta, a aia entrou com um ves tido de noite, oferecido por Quil, para que a duquesa o usasse, já que os dela estavam no porta-malas da carruagem. Seria um transtorno trazê-los, uma vez que a permanência na mansão seria muito curta.

Tudo por causa da pressa maluca de Edward em retornar ao castelo!, pensou Bella, com um olhar desgostoso no vestido posto sobre a cama. Sempre se esmerara na escolha dos tra jes adequados para cada ocasião. O que faria com aquele modelo completamente fora de moda?

Teria que improvisar algo e rápido. E se retirasse a apli cação bordada com fios dourados e os ornatos de cetim preto nas bordas das mangas e da cintura? Talvez se usasse umas seis anáguas para encorpá-lo...

Com a ajuda da idosa e simpática criada, Bella conseguiu improvisar um estilo moderno ao vestido e adequá-lo sem muita dificuldade.

—Vou alisar o traje com o ferro de passar, enquanto Vossa Alteza se banha — informou a ama, ao abrir a porta para os criados que traziam a banheira de metal e água morna.

Bella percebeu que todos os serviçais usavam no unifor me as cores da família Cullen. Edward era um homem muito organizado, pensou. Com certeza, anotava todos os detalhes do que necessitaria em cada ocasião. Lembrou-se de que, quando foi conversar com ele, na biblioteca do ca sarão de lorde Barrigan, o duque conferia um número in findável de listas.

Ela mesma nunca agira de maneira tão previdente. Pre feria improvisar e obter um retorno imediato. Passar por um processo tão meticuloso para ela significava aumentar o es tresse apenas. Afinal, acostumara-se a ter as coisas à mão no momento em que quisesse. Para isso contava com a efi ciência de Alice.

Bella nunca havia sentido tanto a falta de sua própria criada como naquele momento em que tentava desatar so zinha os laços do corpete.

Por que os fechos têm que ficar sempre na parte das cos tas?, praguejava em pensamento.

A porta se abriu e, pelo espelho, ela viu que Edward entrava no quarto, sorrindo ao perceber-lhe o embaraço.

— Precisando de serviços de criada de quarto, querida? — perguntou ele a poucos passos dela e cruzando os braços sobre o peito imenso.

— Parece mais do que óbvio, não é? — respondeu Bella, girando o corpo para encará-lo e esconder as costas semi nuas. — É uma pena que tenha esquecido desse detalhe.

— Vire-se — ele ordenou, estreitando os lábios.

— Não! — exclamou ela, convicta.

Edward cruzou o espaço entre eles em segundos e, apoiando as mãos sobre os ombros miúdos, forçou-a a ficar de costas para ele.

Em seguida, começou a desatar os laços que prendiam o corpete.

— Pode parar Edward. Eu...

— E quem mais poderia ajudá-la? Quer que eu chame Quil? Ele iria gostar muito e eu não poderia nem sequer desafiá-lo.

Bella sentia o ar lhe faltar. Mas não por causa da opressão da peça íntima, e sim pelo contato das mãos que pareciam lhe queimar a pele nos pontos onde os dedos grossos casual mente a tocavam.

— Estou fazendo o melhor que posso. Contudo, sou desa jeitado para estas coisas — ele murmurou.

Edward dizia ser desajeitado?, ela pensou, enquanto um ca lafrio lhe percorria a espinha. Se pretendesse ser perfeito então, como seria?

— O que aconteceu com sua aia? Por que não veio para servi-la?

— Ela nos encontrará em Crewe.

— Crewe? — Edward perguntou num sussurro.

Bella delirou ao sentir-lhe o hálito quente próximo a um dos ouvidos.

— Eu... eu... — A jovem desistiu de falar ao perceber que a voz lhe faltava.

Era impossível pensar numa resposta, sentindo o calor provocante dos lábios do duque tão próximos da curvatura do pescoço delicado. Esforçava-se para impedir a sensação quase dolorosa, quê o próprio corpo lhe impunha.

Após um silêncio comprometedor, ela resolveu se explicar:

— Imaginei que iríamos terminar a viagem de trem. Sei que, em determinadas épocas do ano, as estradas do norte da Escócia ficam intransitáveis para as carruagens. Além do mais, segundo os jornais, que os Cullen são donos de uma linha férrea. Então deduzi que... a estação de Crewe seria o lugar ideal para Alice nos encontrar. Dali se iniciam os trilhos para a Escócia, não é?

Edward manteve-se calado por algum tempo. Quando por fim falou, usava um tom carinhoso:

— Você me surpreende, Bella! É claro que os Cullen possuem a linha férrea. E também é certo que iremos em barcar em Crewe. Só não comentei nada porque julgava que isso não a interessasse. Aliás, nem imaginei que qualquer coisa a meu respeito lhe importasse.

— Bem, não é da maneira que...

— Quem fez isto? Há um nó aqui. Não consigo desfazê-lo! — ele a interrompeu, praguejando.

A situação era mais do que embaraçosa, sem saber como ajudá-lo.

—Vai ser preciso cortá-lo — disse Edward, procurando uma tesoura na gaveta do toucador.

O mínimo que ele se afastou foi o suficiente para que a duquesa respirasse com mais facilidade. Quando Edward se preparou para cortar o nó, Bella segurou a frente do corpete com ambas as mãos para não ficar com o busto nu no mo mento em que a peça se soltasse.

— É uma pena, não vai poder reaproveitá-lo depois.

— Não faz mal, tenho outro disponível — falou Bella, intimamente conformada, porque fora ela mesma que dera o nó teimoso.

— Para que usa essas coisas se já é tão magra feito uma estaca?

— Não sou magra, sou esbelta — protestou ela.

Edward agarrou firme na base do corpete, com a intenção de tirá-lo.

— Edward! Você não vai... — ela exclamou assustada. Tarde demais... A peça do vestuário deslizou inteira sob o comando das mãos dele.

Bella sentiu o coração subir à boca e o olhou pelo espelho. Edward erguia a peça feminina nas mãos com um incrível sor riso sedutor.

— Só o pensamento a aborrece tanto?

— A atitude fala por você — ela o desafiou. — Não se preocupe, não vou atrapalhar seu banho com a minha pre sença — o duque concluiu em tom áspero e saiu do quarto, após atirar em cima da cama o corpete danificado.

A idosa serviçal retornou para auxiliá-la no banho. Clare era o nome dela. Foi o que Bella descobriu e muitas outras coisas, antes de estar vestida e arrumada. Tinha preferido não lavar os cabelos porque levaria muito tempo para secá-los.

— Devo admitir que estes olhos cansados estão orgulho sos de contribuir para a radiante aparência da duquesa Cullen! Hoje esta casa vai ganhar um pouco de vida! Confesso que fico muito triste ao assistir ao sofrimento de lorde Quil pelas atitudes da esposa.

— É mesmo? — Bella perguntou, erguendo as sobrance lhas e fingindo surpresa.

— Ela não se importa nem um pouco com ele nem com esta casa. O que a condessa gasta em Londres daria para reformar a mansão. E os meninos então...

Bella ajudou a prender os próprios cabelos para distrair a atenção da criada e evitar maiores comentários. Com cer teza a aia não tinha reconhecido que a nova duquesa de Cullen era a mesma Isabella Swan Black, amiga inseparável de lady Jessica.

E também não interessava que a mulher soubesse.

Dessa maneira, Bella ficou ciente do sofrimento de Quil e das crianças, segundo as palavras de Clare. O que poderia fazer?, perguntou-se em pensamento. Era direito de Jessica desfrutar da casa em Londres, se assim o desejasse. Aliás, defendia o direito das mulheres em casar sem amor e não por escolha e acordos familiares. Ela própria sentira na pele o que era ficar aprisionada num casamento arranjado. Além do mais, sabia que o dinheiro que Jessica gastava à vontade não provinha dos cofres dos Stanley...

A mesa da sala de jantar tinha um comprimento desco munal e estava primorosamente decorada. Flores recém-apanhadas enfeitavam cada um dos lugares reservados aos convidados.

Bella mantinha-se entretida numa conversa agradável com um casal, enquanto aguardava a chegada de Edward.

Perguntava-se onde ele teria se vestido. Depois concluiu que pouco importava desde que fosse longe dela!

— Percebo que uma de suas virtudes é a pontualidade! — A voz de Edward soou ao lado de Bella.

O duque elegantemente trajado com uma roupa preta na qual se destacava a larga gravata clara, com um emaranha do de babados em forma de cascata, parecia recém-saído de uma fábula.

Bella tentou disfarçar a surpresa quando girou a cabeça para encará-lo. O difícil era desviar o olhar do rosto perfeito e dos olhos iluminados...

Edward beijou-lhe a mão e acomodou-se na cadeira ao lado.

A duquesa sentiu-se orgulhosa ao apresentar o garboso marido para o casal com quem conversava. Só esperava que ele não percebesse o tremor involuntário das mãos.

Desde o instante em que o duque se acomodou à mesa, houve um silêncio na sala. Os olhares das mulheres eram incapazes de dissimular a admiração pela figura imponente do duque. Algumas delas nem mesmo se preocupavam em disfarçar a inveja que sentiam de Bella. Ela, porém, não se incomodava, porque Edward parecia alheio ao assédio feminino.

Quando do impacto produzido pela chegada dele, os diá logos voltaram a ser ouvidos entre os que se sentavam mais próximos.

Quil, acomodado na cabeceira da mesa, declarou ini ciado o jantar. Os serviçais começaram a servir os primeiros pratos. A partir dali, o assunto principal da conversa foi, naturalmente, "cavalos".

Bella ficou tão entediada que num dado momento chegou a fixar o olhar no chão e suspirar com desânimo. Tornou a concentrar-se nos próprios sentimentos. Por que a simples presença de Edward a deixava tão fora de controle? Qual a razão dos seus olhos arderem de euforia com a figura altiva daquele homem? Será que o coração não estaria envolvido demais e ela se recusava a aceitar que se apaixonara desde o primeiro instante em que o viu?

Cair de amores por Edward seria a última coisa que esperava acontecer, pensou em desespero.

Não poderia permitir que esse sentimento a dominasse nem por um instante. Recusava-se a amar um Edward. Jamais! Precisava controlar suas emoções. Afinal, ele não passava de um estranho que a tinha enganado, forçado-a a um casa mento sem amor. Nada mais. Essa era a verdade.

— Presente de algum pretendente? — perguntou Edward, interrompendo-lhe os devaneios, olhando a corrente de ouro com uma pedra lapidada de topázio, servindo de pingente. — É uma linda jóia!

— Fico feliz que tenha gostado — respondeu Bella com um sorriso educado e sem querer alisou a pedra preciosa com uma das mãos.

Preferiu não revelar a origem do adorno, uma vez que ela mesma o tinha comprado. Poucos sabiam que a viúva do duque de Black financiava suas próprias jóias.

— As jóias dos Cullen ficarão muito bem em você. Isso é bom, pois lhe servirão de recompensa.

— Pelo quê? — ela quis saber.

— Como minha esposa, não poderá mais usar essa que está agora nem o colar de pérolas ou aquele com os minús culos diamantes.

— Prestou atenção a todas as jóias que uso? — perguntou, incrédula.

O coração de Bella disparou, bombeando mais sangue do que o necessário, corando-lhe o rosto. Infelizmente não tinha um leque disponível no momento.

— Claro que não. Vi na lista dos seus pertences.

Ela precisou respirar fundo várias vezes antes de conse guir se recompor emocionalmente. Até que a resposta foi me recida, pensou. A reação que tivera só seria justificada par tindo de uma adolescente, e não da mulher adulta que era. Recuperando a auto-estima, empinou o nariz e enfrentou os olhos do marido, que lançavam curiosas fagulhas cintilantes caramelo.

— Acho que está vivendo no passado. Tenho a intenção de usar minhas próprias jóias, da mesma maneira como faço agora.

Ele estreitou os lábios com raiva a ponto de fazer saltar-lhe um músculo da mandíbula.

— Será que precisa me contrariar toda vez que conversa mos? — ele perguntou, sussurrando-lhe ao ouvido.

— Até que me liberte dessa farsa, sim. Inclusive, estou achando divertido.

— Como sabe que não vai gostar da Escócia? Ainda não viu as montanhas verdejantes nem sentiu o clima agradável.

— Ah! Tenho certeza de que vou adorar as lindas paisa gens da Escócia!

— O clã Cullen foi um dos poucos que se uniram a outros para combater os Clearance. Poderemos passear por lugares históricos onde aconteceram sangrentas batalhas.

— Os Clearance, Alteza?

— Sim. Era como se chamavam os donos de terra que achavam mais lucrativo transformar fazendas em pastos de ovelhas. Expulsaram os colonos e derrubaram suas casas, incendiando muitas delas. Algumas dessas famílias eram obri gadas a sair sem prévio aviso e sem um lugar para onde ir.

— Isso me parece bárbaro e desumano!

— Talvez eu deva lembrá-la de que a maioria dessas fa zendas, de onde os colonos foram expulsos, pertencia a famí lias inglesas.

Bella cobriu a boca com uma das mãos indignada.

— Se é assim, como os Cullen sobreviveram aos tem pos difíceis e ainda

prosperaram?—perguntou Quil, que, obviamente, estava prestando atenção a tudo que o duque escocês falava.

— Por meio de casamentos afortunados, milorde — res pondeu Edward, sem se importar em mover a cabeça na direção do anfitrião.

Preferiu permanecer observando Bella. Por alguns instantes, ela poderia jurar que Edward lhe fi tava a boca com um desejo contido.

— Onde pretendem passar a lua-de-mel? — Quil in sistia em chamar a atenção.

Com movimentos lentos, o duque direcionou o olhar para o anfitrião e respondeu em voz alta:

— Não temos outros planos, a não ser retornar para o castelo dos Cullen. Nosso casamento aconteceu tão rá pido que não tivemos tempo de pensar a respeito de uma viagem de núpcias, não é, querida?

Bella concordou com um gesto de cabeça. Era só o que podia fazer.

Quando a aia desatou as presilhas dos cabelos e os fios caíram livres até a cintura delgada, Bella sentiu um profun do alívio.

Contudo, não foi suficiente para afastar a dor de cabeça que a incomodava havia horas, agravada pela tagarelice de Clare, que ressaltava sem parar a sorte que tinha a duquesa por ter se casado com um homem tão bonito, charmoso e rico!.

Bella aguardou até que a criada terminasse de escovar-lhe os longos e avermelhados fios de cabelo para dispensá-la. Tam bém não dava para agüentar por nem mais um minuto as lamúrias da anciã sobre o sofrimento da família Stanley. Afinal, a duquesa tinha as próprias desventuras para en frentar...

Por alguns minutos, ficou observando-se no espelho. Era incrível como o tempo parecia não ter passado! Pelo que se lembrava, não estava muito diferente dos seus dezoito anos. Pena que Edward nunca lhe fizera um elogio nesse sentido...

Como se o pensamento dela o tivesse atraído, o duque entrou naquele mesmo instante. Afrouxou o colarinho com uma das mãos e fechou a porta com um solavanco, produzido pelo impulso do calcanhar.

Bella sentiu o calor costumeiro imediatamente lhe subir às faces. Odiava quando isso lhe acontecia, mas era impos sível controlar a emoção espontânea.

— Nossa! — exclamou ele, arqueando as sobrancelhas. — É um sinal de boas-vindas?

— É que eu não o esperava — ela justificou, desejando ter um pó-de-arroz bem claro para encobrir o rubor.

— Dá para perceber...

— O que quer?

— Terá que me perdoar, mas parecerá estranho se eu ficar muito tempo longe de minha esposa.

Bella não respondeu.

— Não precisa ficar assustada. Não vou tocá-la, prometo.

— Não tenho medo de você, Edward.

— Acho que tem. E não só de mim, como de qualquer outro homem que se aproxime de você.

Ele colocou a gravata sobre a penteadeira e enfrentou-lhe o olhar desconfiado.

Bella apanhou a escova apenas para ter alguma coisa a fazer, enquanto pensava.

— Tenho mesmo sua promessa?

Edward não respondeu e começou a desabotoar o casaco.

— Não pode dormir aqui! — protestou ela.

— Por quê? Não representamos a imagem do casal apaixonado, que nem mesmo esperou as cerimônias formais para se casar?

Bella fechou os olhos na tentativa de controlar a emoção. Precisava resistir à tentação de entregar-se ao belo homem. Ele era um Cullen e ela jurara odiá-los para sempre. Contudo, quanto mais o conhecia, mais difícil era a tarefa. Por que tinha que ser tão atraente e ter o sorriso e os olhos mais lindos que já havia visto na vida?

Bella começava a entender como a irmã se sentira diante de outro belo exemplar da família. Por que Rosalie tinha se atirado de corpo e alma naquele romance com um Cullen? E agora era ela quem estava a ponto de cometer o mesmo erro da irmã. Será que também pretendia acabar desprezada e hu milhada?

Abriu os olhos e percebeu que Edward a observava.

—Você possui um notável autocontrole! Parabéns! — Dito isso, ele despiu o casaco e o pendurou no cabide atrás da porta. Depois desabotoou a camisa e a tirou, deixando à mostra o tórax nu.

Bella não conseguiu evitar espiá-lo pelo espelho. A pele clara e a musculatura evidenciada pelo rastro de pêlos dourados que seguiam para a linha da cintura quase lhe roubaram o fôlego. Ela deixou a escova de cabelos na pen teadeira com a mão tão trêmula que provocou um ruído alto.

E, claro que ele não perdeu a oportunidade de atormentá-la:

— O autocontrole parece ter decidido abandoná-la.

— Será que poderia ser mais discreto, por favor?

Ele suspirou e depois soprou o ar, afastando alguns fios de cabelo que lhe caíam dobre a testa.

— Acredite ou não, Bella. Não estou preocupado com a sua rejeição. Aliás, tenho uma sugestão a você.

— Qual seria?

— A colcha da cama é bem grossa. Posso enrolá-la e co locá-la no meio do colchão. Dará uma excelente divisão. O que acha?

Ela deu de ombros. Não seria aquilo que aplacaria o desejo que provavelmente a consumiria durante a noite toda ape nas por senti-lo tão próximo.

Edward pôs-se em ação e Bella assistia a tudo em silêncio. Não demorou muito para que a tão conhecida sensação de torpor a dominasse, tendo como estopim aquele corpo más culo, trajando apenas a calça preta justa.

— A cama está pronta, madame — disse ele com uma reverência divertida. — Espero que se sinta segura.

— Suponho que sim — ela falou num fio de voz, tentando disfarçar o ridículo da situação.

— Quero que saiba que se eu tivesse outra opção, não a ignoraria — afirmou ele, com seriedade.

— Está bem. — Bella escolheu o lado encostado à parede e, puxando os lençóis até a altura do pescoço, tentou conciliar o sono.

Não tinha dado mais do que um cochilo, quando um som abafado a alertou. Sob a fraca iluminação da lamparina pos ta em cima da penteadeira, Bella pôde observar Edward incli nado e mirando-se no espelho. Parecia absorto, examinando a cicatriz embaixo do queixo. Em seguida, ele se ergueu e, com as mãos na cintura, iniciou movimentos rítmicos e en graçados. Uma seqüência de exercícios físicos, ela imaginou.

Só não contava vê-lo apenas com uma peça íntima dimi nuta. Talvez a peça não fosse tão pequena, ponderou, o físico é que era gigante!

Extasiada diante da beleza do porte masculino, sem que rer soltou um gemido de admiração. O som alertou Edward, que olhou na direção da cama. Bella cerrou as pálpebras e fingiu dormir, torcendo para que ele não tivesse percebido que o observava.

Não demorou muito e ela conseguiu dormir. Nem mesmo percebeu quando o duque apagou a lamparina.

Os primeiros raios da claridade do alvorecer atravessa ram pelo vão da persiana, fazendo com que Bella abrisse as pálpebras ainda pesadas pelo sono.

Algo estava errado, pensou. Um calor aconchegante lhe aquecia as costas e uma sensação de segurança a invadia. Quando abriu totalmente os olhos, percebeu a posição em que se achava. Edward estava com o braço por cima de sua cintura e os corpos estavam amoldados em um encaixe perfeito.

Por mais gloriosa que fosse a experiência de tê-lo tão perto, aquecendo-a e tocando-a mesmo que involuntariamente, Bella sabia que deveria se afastar.

De fato a barreira de colcha não servira de nada, mesmo porque ela estava do lado errado da cama. Percebeu então que provavelmente os dois rolaram juntos, trocando de po sições. Oh, não. Isso não pode acontecer novamente!, pensou desesperada.

Com movimentos cuidadosos, deslizou o corpo para desvencilhar-se, sem que ele acordasse. Até prendeu a respira ção, a fim de evitar qualquer barulho. Contido admitia que precisava lutar contra os instintos mais primitivos para abandonar a cama e o prazer que aquele contato físico lhe causava.

Não havia outra opção no quarto pouco mobiliado, a não ser uma estreita poltrona, onde ela procurou se ajeitar da melhor maneira. Apoiando os calcanhares na beirada do as sento, Bella abraçou as pernas e repousou o queixo entre os joelhos.

Dali podia observar Edward adormecido. Ele estava deitado de costas, deixando à mostra o esplendor do peito saliente, dos músculos definidos e do abdômen rígido e plano.

Suspirou ao lembrar-se de como estava se sentindo amparada e confortável, aninhada àquele corpo perfeito. Não podia imaginar como era tão bom!

Rosalie era sua única irmã, mas nunca foram muito próximas. Não que isso tivesse acontecido por escolha pró pria. Quando Bella se tornou a duquesa de Black, a irmã se encontrava em Londres pela terceira vez, em excursão de verão. Era costume das famílias que tinham filhas em idade de se casar financiarem tais viagens.

Essas excursões pretendiam proporcionar às moças oportunidade de encontrarem um partido afortunado para am pará-las pelo resto da vida. Porém, em vez disso, Rosalie caiu de amores por Emmett Cullen, que a abandonou grá vida e com o coração despedaçado.

Bella ficou tão indignada com a atitude da irmã que nem ficou ao seu lado quando Rosalie deu à luz Masen e, infe lizmente, morreu logo a seguir.

Sempre taxou a irmã de estúpida e a culpava pelo que tinha acontecido. Jamais deveria ter-se apaixonado por um escocês. O final da história não poderia ser muito diferente daquilo. Todos sabiam que os nobres da Escócia eram arro gantes e fanáticos em questões de linhagem e tradição.

Agora, observando Edward, gostaria de poder voltar no tem po e dizer à irmã que a compreendia.

Não que tivesse a intenção de maiores envolvimentos emocionais. Mesmo porque recusava-se a amar quem quer que fosse. Preferia continuar sendo a Dama de Gelo, como era conhecida por ter descartado mais amantes do que al guém pudesse imaginar.

Ainda era um mistério o que Edward sentia por ela, ou se teria um comportamento similar ao do irmão, mesmo quando ele próprio já a esnobara sem dó.

Se Rosalie não era boa o suficiente para desposar um Cullen, por que Bella o seria?

Edward revirou-se na cama e ela o olhou com ternura. Infelizmente, tinha que admitir que o coração de gelo que julgava ter se derretia cada vez mais pelo charmoso duque. Algumas lágrimas sofridas banharam-lhe o rosto. Afundou a cabeça entre os joelhos para secá-las. Não era à toa que detestava pensar nesse assunto.

E também já deveria ter contado a ele toda a verdade sobre Masen e se afastado. Precisava tomar essa atitude o quanto antes.

— Está rezando, Bella? Não sabia que o fazia logo pela manhã! — exclamou Edward, que acabava de acordar.

— Há muita coisa que não tem conhecimento a meu res peito — respondeu ela, depois de erguer a cabeça.

— Com certeza — afirmou ele, sentando-se na beirada do colchão, com o lençol enrolado na cintura. — Eu a acordei com meu ronco?

— Você... não ronca — disse Bella com dificuldade.

Não era nada fácil falar diante da imagem daquele homem seminu. A beleza de Edward ia muito além do corpo e rosto bonitos, ele também era dono de um carisma irresistível.

— Então foi por causa da divisão? É melhor pensarmos em outra coisa.

— Não, Edward. Simplesmente acordei cedo. Só isso.

— Suponho que não atrapalhei seu sono com meus exer cícios antes de me deitar?— o duque indagou e ela poderia jurar que havia um tom zombeteiro em sua voz. — Eu não estava vestido de maneira apropriada, mas prometo usar mais roupas da próxima vez, assim poderá me espiar se quiser.

Bella corou. E, para disfarçar, abandonou a cadeira e aproximou-se da penteadeira, a fim de escovar os cabelos.

Só não esperava vislumbrar, largada sobre o móvel espelhado, a peça íntima que ele estava usando antes de se deitar. Para abafar um gemido de espanto, cobriu a boca com a palma da mão.


Oiiii!

Como vcs estao? Curtindo muito o fim de semana?

Espero que estejam gostando da historia, eu adoro.'

Queria agradecer a todos que comentaram. E tambem pedir para os que nao, me deixem reviews. Pode ser bem short.

Please.

Ate amanhã.

BEIJINHOS