Os dias pareciam passar bem mais lentos para Gina, ultimamente. Principalmente quando ela marcava encontros com Draco, o que havia se tornado freqüente. O humor dela andava bem melhor também. Seu rosto parecia mais iluminado e as sombras do fim do namoro com Harry pareciam estar sumindo. Ninguém na casa sabia exatamente o que estava acontecendo, mas Molly Weasley, estava desconfiada.
Bom dia! – Gina cumprimentou o pai, que já estava à mesa para o café, folheando um exemplar do Profeta Diário.
Oh! Bom dia, querida! – ele respondeu. – Dormiu bem?
Como uma pedra! – ela respondeu, sentando-se ao lado dele, depois de receber um beijo na testa.
Oh, Gina, querida! Bom dia! – Molly entrou na sala com uma bandeja nas mãos.
Bom dia, mamãe. – ela respondeu. – O que está fazendo?
Pondo a mesa, oras! – a mãe respondeu.
Mas mãe! – Gina protestou. – Deixe que os empregados façam isso! – sorriu.
Eu já falei isso, querida, mas... – Arthur falou.
Vocês têm que entender que esses empregados seriam muito úteis anos atrás, quando eu tinha sete filhos para cuidar, mas agora... – ela sentou do outro lado da mesa para comer. – Acho que devíamos ter trazido para cá o vampiro do quarto de Rony. Ele, pelo menos, me dava algum trabalho!
Só a senhora mesmo! – Gina sorriu. – Bem que Fred falou que é difícil agradá-la.
Eu não estou reclamando, estou?
Oh! Não acredito! – Arthur mudou o assunto.
Que foi, papai? – Gina perguntou, servindo-se.
Já é a terceira essa semana! Mais uma senhora teve suas jóias roubadas por um desses garotões... – ele ficou encabulado. – Hum... Vocês sabem, não é?
Não me diga! – Molly exclamou.
Eu contei para vocês sobre Miss Hammilton, não contei? – Gina perguntou. – A coitada estava arrasada, mas disse que o cara não lhe roubou as mais caras...
Menos mal... – Molly opinou. – Elas dizem o nome dele, querido? – perguntou.
Para cada uma ele dava um nome diferente... – ele lia. – Ficava alguns meses e depois desaparecia com a burra cheia! – exclamou. – Não sei por que essas senhoras dão trela para esses rapazes. Será que não desconfiam? – ele dobrou o jornal e aceitou a xícara de chá que sua mulher oferecia.
Elas são solitárias, papai... Coitadas...
Humpf!
E você, querida?! Não vai trabalhar hoje? – o assunto mudou mais uma vez, não sem causar susto em Gina.
Resolvi me dar uma folga! – ela respondeu, mais tranqüila por não ter sido encaixada no grupo das solitárias. – Acho que estava trabalhando demais. Agora com a Luna por lá as coisas estão mais tranqüilas.
Que bom... – Molly sorriu.
Luna é uma ótima moça, mas tem certeza que é de confiança, querida? – Arthur interveio. – Quer dizer... Ela e o pai são um pouco... Como eu diria...
Excêntricos? – Gina sorriu.
É... – Arthur concordou.
Mas são gente boa, pai. E Luna é muito série no que diz respeito ao trabalho, não se preocupe. – ela passou geléia numa torrada. – Eu estava precisando me dar um descanso. Precisando me cuidar um pouco. Olhe só esse cabelo! – ela pegou uma mecha e olhou as pontas. – Ressecados, sem brilho e com pontas duplas! – balançou a cabeça, descontente. – E minhas unhas então? Nem sei há quanto tempo não as faço!
E olha que você é dona de clínica de estética, hein? – Arthur brincou.
Hum... E toda essa vontade de se arrumar... – Molly a olhou, desconfiada. – Tem algum motivo?
Oras... – ela ficou encabulada. – Claro que tem! Não é bom para os negócios que a dona da clínica seja uma baranga, não é?
Hum... Você me entendeu, mocinha! – Molly insistiu.
Mas eu não! – Arthur as olhava, confuso. – Do que vocês estão falando?
Ora, Arthur!
Oh! Já entendi! Você está namorando, filha? Nós o conhecemos? É um bom rapaz? De família?
Hei, hei, hei! Vão com calma! – Gina pediu. – Eu não estou namorando ninguém.
Mas está saindo com alguém, não está? Está sim! – Molly insistiu. – Bem que eu estava desconfiando! Que bom, querida! Você precisa trazê-lo aqui para que o conheçamos!
Mais devagar, pessoal. Não é nada sério ainda...
Ainda? Isso é um bom sinal! – Arthur falou.
Eu não quero apressar as coisas, entendem... Mesmo porque... Não sei o que vocês vão achar dele... – ela falou, insegura.
Sinceramente, Gina? – Molly perguntou. – Desde que você esteja feliz, minha filha, não vou interferir na sua relação com esse rapaz misterioso. Você já está bem grandinha para saber o que faz, não é?
Obrigada pela confiança, mãe. – ela sorriu. – Mas como eu disse, quero ir com muita calma.
Você está certa, querida. – Arthur concordou. – Vá com calma...
i "Não acredito que ela está namorando!" /i– Jane pensava, inconformada, escondida atrás da porta. – i "Já não basta ter tudo que quer? Ainda consegue um homem?!" /i – ela deu um murro, silencioso na porta. – i "Humpf! É claro que consegue! Ela é rica, é bonita! Se eu tivesse todo esse dinheiro também teria um monte de homens aos meus pés!" /i – ela olhava a família com raiva. – i "Se ela me pagasse um pouco melhor, eu também poderia me tratar numa dessas clínicas caras, não a dela, lógico!" /i– desdenhou. – i "Mas não se pode ter tudo! Um dia sua maré de sorte vai acabar, Ginevra Weasley! Um dia vai! Porque não é justo que você tenha tudo e eu não tenha nada!" /i – sorriu, maliciosa, e voltou para a cozinha.
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Oh! – Luna sorriu, avoada, ao topar com Gina na clínica. – Achei que você não trabalharia hoje. – falou.
Oi Luna! – Gina deu dois beijos no rosto da amiga. – Não vim trabalhar. Hoje vou bancar a cliente!
Hum... – Luna a olhou, desconfiada. – Por que?
Ora, por que?! Tem sempre que ter um motivo para tudo? – ela disfarçou.
Tem. – Luna concluiu, calmamente.
Ok! Eu preciso contar para alguém! – ela puxou Luna pela mão e a arrastou até o salão, onde uma funcionária a esperava para cuidar dos cabelos. – Eu estou saindo com uma pessoa!
Oh! Não me diga! – Luna sentou-se em frente a ela e começou a escutar.
Você não vai adivinhar quem é?
E quem mais seria?! Draco Malfoy!
O quê?! – Gina deu um pulo da cadeira, e a água que saía da varinha da cabeleireira respingou nelas. – Como você sabia?!
Draco Malfoy?! Eu só estava brincando. Você está saindo com Draco Malfoy?! – Luna arregalou os olhos mais ainda.
Estou... – Gina ficou vermelha e voltou a deitar-se para a bruxa terminar o tratamento.
Mas Gina...
Eu sei, eu sei... – Gina suspirou. – Começou completamente por acaso... Eu fiquei relutante no começo, afinal...
Não precisa nem falar. É Draco Malfoy, não? – ela pegou uma lixa sobre a mesa da manicura e começou a lixar as unhas.
Pois é! – Gina concordou. – Mas ele está tão mudado, Luna... Ainda fico meio insegura com tudo isso, mas tenho que assumir que estou contente, sabe?
Se você se sente bem com ele, Gina, vá em frente! – Luna sorriu. – Sou da opinião de que todos podem mudar um dia. Todos merecem uma segunda chance, não é?
É, mas...
Vai fundo! O que você tem a perder?
É né... – Gina ficou pensativa.
Ele beija bem? – Luna perguntou, então.
O quê? – Gina se assustou.
Você me ouviu! – Luna repetiu, meio envergonhada. – Sempre tive essa curiosidade. Eu nunca fiquei com um cara loiro, e eu li que os loiros são os que beijam melhor!
Onde você leu isso?! – Gina começou a rir, já imaginando a reposta.
No Pasquim, oras! Beija ou não beija?!
Não vou comentar isso com você, Luna!
Por que não?
Esquece!
Humpf... Que ingrata! – Luna fechou a cara. – Você vai sair com ele hoje?
Hum... Vou.
Por isso a produção?
Não estou me produzindo para ele! – ela se defendeu.
Não te vejo se arrumar assim desde a época do Har... Oh, desculpe... – ela se calou.
Hum... Tudo bem. – Gina respondeu, notando que aquela lembrança não a incomodava tanto quanto antes. – E por falar em Harry, o que ele queria com você, afinal?
Ainda não sei. Ele está com problemas no Ministério, por causa desse cara que tem roubado jóias de senhoras sozinhas. Mas disse que assim que tiver um tempo conversamos. Ele disse que é um assunto delicado.
Nossa... O que será? – Gina questionou.
Quem sabe... – Luna respondeu, vaga.
Você não está curiosa? – Gina se agitou.
Para quê? Um dia eu fico sabendo o que é... – ela respondeu, calma.
Gina balançou a cabeça, inconformada, mas sabia que Luna era assim mesmo. Então resolveu apenas relaxar, e aproveitar a tarde no salão. Horas depois, sentindo-se completamente bem disposta, ela deixava o salão, quando encontrou Lia.
Gina! – ela chamou. – Tudo bem? Nem nos falamos hoje.
Oi Lia! – Gina respondeu, apressada. – Desculpe, mas agora não tenho tempo. Estou atrasada.
Como assim, atrasada?! Te vi batendo papo com a nova funcionária o dia todo e não vai ter tempo para sua amiga aqui? – ela perguntou, tentando disfarçar o incômodo.
Desculpe, Lia, mas não dá mesmo!
Mas aonde você vai com tanta pressa, mulher? – ela insistiu, disposta a travar uma conversa com Gina.
Hum... Nada de mais! – Gina disfarçou. – Conversamos depois, ok? – voltou e deu um beijo na amiga, notando a decepção no rosto dela.
Ok! – Lia falou, desgostosa, mas sorrindo. – Amanhã vou querer saber de tudo, hein? Como nos velhos tempos!
Claro! – Gina falou, já atravessando a porta da saída. – Beijo!
Humpf! – Lia cruzou os braços e ficou observando Gina entrar em seu Porshe vermelho. – Aonde ela vai com tanta pressa? – perguntou-se, de cara feia.
Até amanhã, meninas! – Luna passou por ela, quase tão apressada quanto Gina.
Hei, Lovegood! – Lia a chamou.
Sim? – Luna parou, com os olhos levemente arregalados.
Eu te vi conversando com a Gina hoje... – ela se aproximou, séria. – Vocês se conhecem há muito tempo, não?
Desde o colégio! – Luna respondeu, com um sorriso no rosto. – Gina foi minha única amiga por um bom tempo.
Hum... – Lia sentiu uma fisgada estranha. – Não diga... Você sabe para onde ela vai com tanta pressa? – sondou.
Sei sim! Ela vai se encontrar com Draco Malfoy. Um rapaz que estudou conosco lá em Hogwarts. Ele não é um cara muito legal, mas...
Sei, sei, sei! – ela a interrompeu, impaciente. – Ela me contou essa parte, só não me disse que estava se encontrando com ele. – ela voltou e mirou, desdenhosa, a porta por onde Gina tinha saído.
Bom... – Luna falou. – Até amanhã então! – sorriu.
Humpf! – Lia simplesmente deu as costas para ela, e encaminhou-se para sua sala, revoltada. – Quando ela precisou de alguém para se reerguer aqui estava eu, enquanto essa outra corria atrás de animais que não existem! Agora que ela superou o pé na bunda a melhor amiga é essa Luna?! – ela bateu a porta do escritório, possessa. - Ela não pode fazer isso comigo! – sentou-se atrás de sua escrivaninha e pegou um bloquinho de notas. - Não pode! – e começou a amassá-lo. – Eu sou a melhor amiga dela, e ela não vai me trocar por outra! Nem pensar!
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Gina dirigiu para casa, ansiosa. Passou direito, sem falar com ninguém. Não queria se atrasar. Trancou-se em seu quarto, tomou um banho demorado, usando todos os tipos de sais de banho que ela mesma inventara. Passou um creme hidratante pelo corpo, morango com champanhe, escolheu a dedo uma lingerie provocante, não que pretendesse mostrá-la para alguém, mas porque sentira vontade.
Ficou em dúvida se usava o pretinho básico, justo e curto, ou o rosa bebê, na altura dos joelhos, saia soltinha, mas com um belo decote. Preferiu o rosa, mais discreto, mais parecido com ela mesma. Maquiagem leve, perfume suave, e estava pronta. Partiu para o restaurante em que havia combinado se encontrar com ele e ficou esperando.
E esperou mais do que desejava. Draco estava atrasado, para variar. Mas ela não se importava. Sabia que ele era ocupado. Ela, apesar de, agora, ter tanto dinheiro quanto ele, contratara pessoas para administrá-lo, não tendo a menor paciência para números. Mas sabia que ele não confiaria tal tarefa a mais ninguém. O faria ele mesmo, zeloso de seus bens.
Já estava no seu segundo copo de suco de uva, temendo ter levado um bolo, pensando em todo o tempo que havia perdido se arrumando, imaginando uma dezena de impropérios para falar para ele quando o encontrasse novamente.
Homens! – bufou.
Desculpe o atraso. – Draco a surpreendeu, com um botão de rosa vermelho em suas mãos, e aquele sorriso que a fazia esquecer de tudo que havia pensado até então.
Tudo bem. – ela respondeu com um sorriso bobo, aceitando a rosa que ele lhe oferecia. – Também me atrasei.
Você está magnífica hoje! – ele falou, como se não a tivesse ouvido.
Ela sorriu, encabulada. – Só hoje? – brincou.
Hoje mais do que nos outros dias. – ele respondeu.
Obrigada. – ela desviou o olhar, tímida.
Draco sorriu. Não conseguia parar de sorrir quando conseguia deixá-la encabulada. – Já pediu?
Não. – ela se concentrou. – Apenas um suco para não ficar a seco.
Suco? Por que não pedimos um champanhe ou algo assim?
Eu estou de carro. – ela respondeu, achando graça da careta que ele fez.
Aquela coisa que quase me matou?
Você esteve longe de morrer aquele dia, Draco! – ela respondeu. – Mas é aquele sim!
Hum... Para o bem de quem atravessar desavisado, acho melhor você ficar apenas no suco mesmo. – debochou. – Posso fazer o pedido para nós?
Por favor. – ela respondeu, ignorando a gracinha.
Draco chamou o garçom e pediu o prato mais caro do cardápio. Aceitou o champanhe que lhe ofereciam e, enquanto esperavam, aproveitou para admirar Gina e, lógico, deixá-la um pouco encabulada.
Hum... – ela começou, um pouco sem graça com o modo como ele a olhava. – Como foi seu dia hoje?
Meu dia? – ele sorriu, percebendo as maçãs do rosto dela ficarem mais rosadas diante da insistência de seu olhar. – Hum... O mesmo de sempre. Um monte de reuniões que não me deixaram nem um centavo mais rico, apenas mais estressado. – ele tomou um gole de sua bebida.
Por isso eu contratei gente para fazer isso por mim. Estresse dá ruga, sabia? – ela também sorveu um pouco de seu suco.
Você não tem que se preocupar com rugas, acredite. – ele elogiou.
Por enquanto, pelo menos. – ela respondeu.
Por que logo uma clínica de beleza? – ele perguntou, curioso. O pedido deles havia chegado.
Hum... Não sei. – ela falou, vaga, esperando que os garçons se fossem. – Acho que sempre levei jeito para a coisa. Acho que por ser a única filha entre seis irmãos, sempre fui muito paparicada. Mamãe gostava de me encher de "enfeites" e acabei me tornando vaidosa. – ela sorriu. – As meninas que dividiam quarto comigo sempre me pediam para maquiá-las quando íamos para Hogsmeade ou quando havia baile.
Vocês se maquiavam para ir a Hogsmeade? – ele não controlou o riso.
Eu sempre me maquiava na escola, coisa leve, mas me maquiava. – ela respondeu, indiferente.
Para chamar atenção do Potter? – ele provocou.
Sim! – Gina o surpreendeu com essa resposta. – Pelo menos no começo. Mas acabou servindo para atrair outros olhares, não o dele.
Hum... – ele se incomodou por não ter conseguido tirá-la do sério. – Mas vocês namoraram, não é?
Namoramos. Mas nós temos mesmo que falar do Harry? Você ia achar divertido se eu ficasse te perguntando sobre a Pansy? – ela alfinetou.
Hum... Não. Vamos mudar de assunto então, antes que comecemos a discutir. – ele sugeriu.
Obrigada. – ela disse apenas, concentrando-se em sua comida.
Hum... – ele tentou voltar a uma conversa. – Então você resolveu se especializar naquilo que gostava, sem saber se daria algum lucro.
Oh, sim. Nunca tive grandes ambições. – ela respondeu contente por terem voltado ao assunto inicial. – Vi que levava jeito para isso e resolvi apostar. Como meus irmãos estavam se saindo bem com a loja de logros, eles me ajudaram a começar.
Sei... – ele observava cada movimento dela. – Então deve ser bom ter irmãos, pelo menos nessas horas.
Você é filho único, não é? Não se sentia sozinho?
Às vezes. – ele respondeu, vago. – Mas às vezes era bom também. Eu nunca tive que dividir nada com ninguém, nem a atenção dos meus pais. Era tudo meu.
Não sei como viveria sem meus irmãos. – ela se viu falando, e sorrindo. – Às vezes eles realmente me irritavam, principalmente o Rony, mas hoje vejo que aprendi muito com eles.
Todos os meus amigos eram filhos únicos. Era estranho ver tantas pessoas da mesma família lá na escola. – ele observou.
Por isso você vivia nos enchendo a paciência? – ela perguntou.
Ele sorriu, cínico. – Eu enchia vocês porque gostava mesmo.
Uhum! E aí corria para trás de seus amigos grandalhões, não é? – ela provocou.
Eles tinham os músculos, precisavam do cérebro! – ele respondeu, sem criar caso.
Gina se viu divagando sobre a afirmação dele, imaginando se ele era todo cérebro e nada de músculos. Não era o que parecia, apesar das roupas pesadas que ele costumava usar. Ela sentiu o rosto esquentar quando notou que estava olhando para o peito dele, como se quisesse desenvolver uma visão de raio-x, então resolveu disfarçar de algum modo.
Ótima a comida daqui, não? – ela falou.
Deliciosa! – ele concordou, embora com certa malícia na voz.
A noite dos dois se estendeu por horas de conversa fiada, costurada com algumas provocações e regada a champanhe, e suco. Foi uma noite agradável, como há muito Gina não tinha e que ela não queria acabasse tão cedo.
Ao fim do jantar Gina sentia como se nunca tivesse tido problemas com Draco durante sua juventude. Conseguiram manter uma conversa cordial e trivial por um bom tempo, até sentirem-se completamente relaxados na presença um do outro. Até sentirem-se à vontade para rirem alto e deixar a etiqueta de lado para apoiar os cotovelos sobre a mesa. Até o toque ocasional de suas pernas por baixo da toalha se tornar proposital, e até o toque de suas mãos entre as taças se tornar uma carícia contínua.
Acho que está ficando tarde... – Gina falou da boca para fora, disposta a continuar na companhia dele pela noite adentro.
Você ainda tem hora para chegar em casa, Gina? – ele intensificou o carinho na mão dela, provocativo.
Hum... Não. – ela fechou os olhos por um segundo. – Mas eu tenho que trabalhar amanhã.
Péssima desculpa! – ele sorriu, enlaçando os dedos dela com os seus. – Você é a dona. Não vai perder o emprego se atrasar.
O restaurante vai fechar. – ela tentou, então.
Hum... – ele pensou. – Contra isso eu não tenho argumentos. – lamentou. – Vamos para outro lugar então. – ele soltou a mão dela apenas para chamar um garçom e pedir a conta.
É sério, Draco. – ela avisou. – Eu tenho mesmo que ir. Nós podemos nos encontrar outro dia, mais cedo.
Aí podemos ficar mais tempo juntos? – ele insistiu.
Ela não pode deixar de sorrir. – Se você quiser...
O garçom chegou e Draco pagou a conta, sem nem olhar quanto tinha realmente deixado de gorjeta.
Eu vou querer. – ele se levantou e afastou a cadeira dela, dispensando o garçom que o faria.
O carro de Gina era o único na rua, já que a maioria dos clientes daquele restaurante eram bruxos e aparatavam de lá para suas casas ou onde quer que fossem. Draco a acompanhou até ele e não pode deixar de apreciar a máquina. Era um modelo impressionante, até mesmo para ele que não entendia nada de carros.
Tem certeza que vai ficar bem indo para casa sozinha? – ele perguntou. – Você passa por bairros trouxas. Não é perigoso?
Não há essa hora. – ela respondeu, agradecida pela preocupação dele. – As ruas estão vazias e meu pai instalou um botão de invisibilidade nele. Posso passar despercebida pelos meliantes.
Hum... – ele colocou as mãos no bolso e ficou mirando o carro, pensando em mais alguma desculpa para estender um pouco mais aquele encontro.
Tem certeza que não quer uma carona? – ela ofereceu, sorridente.
Hum... – ele a olhou, desconfiado, mas finalmente conseguindo uma maneira de passar mais um tempo com ela. – Quero.
Quer? – ela se espantou.
Não era para aceitar? – ele perguntou.
Era. – ela respondeu. – Eu só não esperava que você aceitasse!
Draco entrou no carro e teve que se render ao conforto que ele proporcionava. Era mais demorado que, simplesmente, aparatar, mas se ele queria alguns minutos a mais com Gina, então aquele era o método perfeito.
A mansão Malfoy não era muito longe dali. Em pouco mais de quinze minutos Gina se viu estacionando em frente a um grande portão alto e suntuoso, ladeado por muros tão altos quanto.
Pelo portão mesmo ela pode ver a grande extensão do jardim que levava até a porta de entrada da casa. Esta, ampla e de uma madeira escura e elegante, adornava paredes escuras, juntamente com um sem número de janelas largas e brancas.
Mas é... – Gina olhou, boquiaberta. – Enorme!
Draco sorriu, satisfeito com a impressão que causara. – Parece bem maior por dentro. – ele se inclinou um pouco sobre ela, tentando ter a mesma visão que ela da janela do motorista.
Hum... Já está entregue. – ela disse timidamente, diante daquela proximidade.
Não quer entrar um pouco? Conhecer a casa? – ele perguntou, voltando à posição normal, afastado dela.
Acho melhor não...
Dez minutos apenas. – ele insistiu. – Dez minutos e você fica livre de mim... Por hoje! – ele sorriu.
E ela não podia resistir ao sorriso dele, mas também não podia mostrar que estava completamente em suas mãos. Seu orgulho não permitiria isso: - Está querendo exibir sua mansão para mim, Draco? – ela perguntou, provocativa.
Não posso mais. – ele respondeu. – Agora você também tem uma mansão, não é?
Mas não é tão grande quanto a sua. – ela olhou para fora da janela. Sua bela casa devia ser um terço daquela casa imensa.
Daqui de fora não dá para ter uma idéia tão boa. Vamos lá dentro e você me diz se é mesmo tão diferente da sua. – ele argumentou, mais uma vez inclinado sobre ela, olhando para a casa.
Você não vai desistir, não é? – ela perguntou, enfrentando aquele olhar acinzentado, que a deixava insegura.
Não... – ele sorriu, aproximando mais o rosto do dela. – Vamos? – parou então, afastando-se dela e abrindo a porta do carro para sair.
Gina rolou os olhos, certa de que estava sendo provocada a noite toda. Vendo-se sem escolha quando ele deu a volta no carro, abriu sua porta e ofereceu-lhe a mão, ela pegou sua bolsa no banco de trás e acompanhou-o.
Bem vindo à mansão Malfoy, Ginevra Weasley. – Draco falou, pomposo, quando os dois atravessaram a porta para o hall de entrada.
É magnífica! – ela falou, observando cada peça da decoração daquela pequena parte da casa. – Incrível!
Obrigado. – ele respondeu, satisfeito. – Mas você ainda não viu nada.
Ele pegou-a pela mão e a levou para outros cômodos, fazendo comentários rápidos sobre as obras de arte, os móveis que, apesar de não ser especialista, Gina imaginou que deveriam valer muito dinheiro, além de serem muito antigos, e sobre quem havia feito a decoração.
Gina olhava e escutava tudo, impressionada. A mansão era cheia de portas e corredores, cada um levando a um cômodo mais impressionante que o outro. Todos decorados com papéis de parede escuros e sóbrios, cobertos, em alguns pontos, por quadros de pessoas de pele clara e rosto fino, com certeza os antepassados de Draco, que os seguiam com os olhos, dando à casa uma atmosfera mais assustadora ainda.
Com certeza sua casa não tem nada a ver com a minha. – Gina comentou, enquanto voltavam para o hall, para explorar o outro lado da casa. – Ela é magnífica, mas...
Sombria? – Draco completou para ela.
Sim. – Gina falou.
E solitária. – ele continuou.
Como você agüenta? – ela perguntou, perplexa.
Cresci aqui. – ele respondeu, indiferente, enquanto a levava por outro corredor, em direção a uma porta dupla de vitrais. – Estou acostumado.
Mas é tão triste... – ela lamentava.
Nem todos os cômodos são assim! – ele abriu a porta no fim do corredor e sorriu ao ver o modo como os olhos dela se abriram mais ao se deparar com a biblioteca que se escondia ali.
Nossa! – ela se soltou dele e caminhou até o centro daquele cômodo. Não duvidaria se, apenas a biblioteca, tivesse o mesmo tamanho de sua casa toda. – Hermione ficaria extasiada aqui dentro! – ela olhava para o alto, sem conseguir enxergar direito os últimos livros da coleção.
Você também pode ficar extasiada aqui dentro. – ele falou, suave, depois de fechar a porta. – Só depende de você.
Gina sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Continuou a olhar para os livros, fazendo-se de desentendida, e afastou-se mais dele, lentamente, passando os dedos por sobre as lombadas dos livros mais próximos.
Você já leu todos esses livros? – continuou, ignorando o comentário dele.
Nem metade. – ele respondeu.
Gina pode perceber que ele sorria, já reconhecia aquele tom. Ouviu o barulho de tecido e adivinhou que ele estivesse tirando o casaco de frio. Suas mãos começaram a suar. Ela não sabia exatamente se estava gostando ou não daquela tensão no ar. Ouviu os passos dele.
Não costumo vir aqui para ler... – ele falou, mais próximo dela do que ela imaginava. Passou, de leve, os dedos por seus braços nus.
Acho que já vi tudo por aqui! – ela se apressou em afastar-se.
Ainda não viu o segundo andar. – ele falou, paciente, divertindo-se com o nervosismo dela.
E o que tem lá em cima? – ela perguntou, completamente atordoada.
Ele sorriu. – Os quartos. – e caminhou até ela, devagar.
Quem sabe... Quem sabe outro dia? – ela sorriu, nervosa. – Agora eu tenho mesmo que ir. – ela girou sobre os calcanhares, procurando a saída.
Está com medo do que, Gina? – ele perguntou, antes que a mão dela alcançasse a maçaneta.
Medo? – ela se virou, confusa. – Não estou com medo de nada!
Então fique mais um pouco. – ele segurou a mão dela. – Fique um pouco mais comigo. – e a puxou para perto de si.
Draco... – começou. – Acho que estamos indo rápido demais. – ela falou então, incomodada com o calor da mão dele sobre a sua.
Não somos mais crianças... – ele segurou a outra mão dela. - Não temos que dar satisfações a ninguém... – a puxou para mais perto ainda. – E estamos sozinhos... – e a encostou ao seu corpo, soltando as mãos, e segurando-a pela cintura.
Ah... – ela não resistiu à proximidade de seus corpos. – Eu penso que...
Não pense! – ele mandou e, sem aviso, tomou os lábios dela nos seus.
Não era a primeira vez que ela os sentia, mas era a primeira vez que eles causavam um turbilhão tão forte de sensações. Levou décimos de segundos para ela suprimir a razão e corresponder ao beijo, abrindo os lábios para sentir o toque da língua dele, explorando sua boca e deixando-a sem fôlego.
Não houve meios de controlar seus movimentos e, sem nem mesmo notar, ela estava com os braços em volta do pescoço dele, sentindo seus cabelos lisos entre os dedos, apertando seu corpo contra o dele, encorajada pelas sensações que as mãos dele lhe causavam.
Quando achou que perderia os sentidos por falta de oxigênio, Draco liberou seus lábios, apenas para transferir os seus para o pescoço, por onde espalhou beijos quentes e molhados. Ficou tão tonta ao sentir as mãos dele explorando seu corpo, massageando seus seios, que não se deu conta de que estava sendo empurrada para trás, voltando a ter noção de seus movimentos apenas quando sentiu a superfície macia do sofá sob suas costas, e o peso de Draco sobre seu corpo.
Ah... Draco... – ela sussurrou.
Tem certeza de que não quer continuar? – ele parou de beijá-la, apenas para provocá-la com palavras.
Eu não tenho certeza de mais nada... – ela falou, ofegante, as bochechas vermelhas.
Draco sorriu e beijou seus lábios superficialmente. Gina abriu a boca na expectativa, e ficou confusa quando o percebeu se afastar novamente. Ela abriu os olhos para vê-lo sorrindo, satisfeito.
Você vai... – mas Draco a interrompeu, beijando-lhe de leve, novamente, para depois se afastar.
Vai ficar brincando comigo? – perguntou rápido, antes que os lábios dele tocassem os seus novamente.
Não... – ele sussurrou no ouvido dela quando, fingindo que ia beijar-lhe novamente, desviou os lábios para a orelha, e depois para o pescoço, onde beijou tão de leve, que lhe causou arrepios.
Draco continuou beijando-a, percorrendo um caminho até seu colo, enquanto, com as mãos, baixava as alças do vestido.
Ai meu Deus... – Gina sussurrou quando se deu conta de que já não podia mais controlar suas vontades.
Ela sentiu, no vale entre seus seios, o ar que escapou da boca de Draco quando ele riu de sua lamentação. Teve que rir também, sentindo-se ridícula por se deixar levar tão facilmente, mas não havia mais como voltar atrás, e nem ela o faria.
O vestido já havia sido baixado até a cintura, e agora era sua barriga que recebia os beijos dele. Gina estava de olhos fechados, apreciando seu toque, enquanto emaranhava os cabelos dele com as mãos, puxando-os um pouco mais, ou um pouco menos, de acordo com o que sentia.
Apenas a lingerie cobria seu corpo agora, juntamente com a sandália, que havia sido esquecida. Draco parou de acariciá-la, ajoelhou-se entre as pernas dela e ficou apreciando-a, com um sorriso sacana nos lábios.
Não faça isso. – ela pediu, envergonhada.
Isso o quê? – ele sorriu mais ainda.
Ficar me olhando desse jeito! – ela desviou o olhar, encabulada.
Você é linda! – ele voltou a se deitar sobre ela, apoiando-se nos braços estendidos ao lado do corpo dela. – Mais linda do que eu havia imaginado.
Obrigada. – ela falou timidamente. Colocou a mão em sua face, e levantou o corpo para alcançar os lábios dele. Escorregou as mãos do rosto para os botões da camisa.
Não demorou até que seus corpos completamente despidos sentissem o calor um do outro. Draco não parava de beijá-la e saboreá-la, sugando seus mamilos rijos de desejo, empolgando-se mais ainda a cada gemido dela. Ele não queria deixar de experimentar cada pedaço daquele corpo, e ela não lhe negava nada, pelo contrário, apenas o encorajava com sussurros descontrolados, cada vez que sentia sua língua úmida explorar seu corpo.
Finalmente Draco não pode mais esperar. Tomou o corpo dela com o seu, desprendendo um gemido alto, assim como o que ela soltou ao senti-lo dentro de seu corpo. Ela enlaçou o quadril dele com as pernas, e o encorajou a se movimentar cada vez mais rápido, arranhando suas costas e jogando a cabeça para trás, em espasmos descontrolados de prazer.
N/A: Mais um cap, galera. Essa semana foi um pouco mais fácil de escrever, embora eu não saiba se o capítulo vá agradar. Eu gostei... Espero que gostem também. Espero os comentários, hein? Até o próximo!
