Os raios solares irradiavam atravessando a fresta deixada pela cortina semiaberta da janela de vidro e pousavam no rosto angelical de Sarah.
O som de conversas advindos da cozinha a acordou, abrindo os olhos lentamente espreguiçava-se ao mesmo tempo em que levantava o tronco ficando sentada. Saiu da cama, trocou o pijama por um short rosa claro com desenhos de pequenas flores e uma regata branca.
Ao adentrar o cômodo em que seu pai e a visita estavam, parou, surpresa! Esfregou os olhos na esperança de ainda estar dormindo e poder acordar.
- Bom dia querida. - seu pai foi o primeiro a notá-la.
- Bom dia. - alternava o olhar entre seu pai, vestido com uma de suas típicas camisas havaianas e o calção de tecido fino e mole, e Connor, camisa vermelha com gola v contrastando com sua pele branca e calção branco com listras finas e cinzas. Tão impossível ficar menos bonito! Balançou a cabeça para espantar o pensamento.
- Bom dia Reese - a cumprimentou com um pequeno sorriso no canto dos lábios - seu pai me convidou para o desjejum matinal, espero que não se importe.
Ela andou até o balcão e se sentou, dando de ombros. Mantenha a calma Sarah!
- Sem problemas. - falou sem lhe dirigir o olhar - Então, o que está preparando? - perguntou ao pai enquanto ele remexia em uma panela no fogão.
- Ovos com bacon. - Sarah fez uma careta - Que foi?
- Reese é vegetariana. - Sarah automaticamente olhou para Connor, lábios entreabertos, era a segunda vez em menos de quinze minutos que era surpreendida. Ela nunca havia lhe dito nada sobre. Mas ele com certeza deve tê-la ouvido comentar com uma das meninas do Med e não esqueceu.
- Oh! - seu pai abriu a boca e fechou, pego de surpresa e constrangido ao perceber que não sabia o básico sobre a filha.
- Relaxa. - ela o acalmou - Perdi o interesse em carnes após nossa última temporada juntos.
- E como foi isso? - perguntou Martin.
- Foi no segundo ano da faculdade, quando em uma festa um dos calouros bebeu e comeu tanta carne que não conseguiu manter no estômago, aquela cena me deu repulsa.
-Certo. - meneou a cabeça - E o que você quer que eu lhe faça, então?
- Pode deixar, eu mesma preparo. - pôs-se de pé e foi até a geladeira. Retirou de lá uma laranja, uma fatia de melão e duas fatias de pão, pôs tudo em cima do balcão, sentando-se logo em seguida.
- Esse vai ser seu café? Bem se nota por que está tão magricela.
- Pai? – enrubesceu. Seu pai realmente queria envergonha-la. Tinha que ser na frente dele. abaixou a cabeça e aproveitou a necessidade de descascar a laranja para não ter que olhar para Connor.
Connor ainda estava tão perdido em seus pensamentos que não deu atenção a conversa que se seguiu após deixar que seus pensamentos tomassem conta de sua boca.
- Ela é vegetariana.
Essas palavras não saiam de sua mente. Nem mesmo ele imaginava que tivesse guardado a conversa que ouvira entre Joey e Sarah na lembrança em um momento dos dois em que eles nem notaram sua presença.
Estava sentado na mureta que protegia as plantas do pequeno jardim na frente do hospital. O food truck a sua frente não permitia que visse quem chegasse e também não permitia que o vissem.
Um casal chegou conversando alegremente e fazendo planos para o final de semana que se aproximava. Reconheceu a voz de Sarah, mas não do acompanhante.
- Dois cachorros-quentes e dois refrigerantes. - Joey pediu ao atendente.
- Hrumhrum! - pigarreou Sarah. Joey a olhou se dando conta que havia esquecido a sua apatia por carne.
- Desculpe! - coçou a cabeça e voltou-se para o atendente - Um cachorro-quente. - virou para ela ainda envergonhado por ter esquecido o que ela repetira diversas vezes - Sinto muito, mas salsicha não é carne. - tentou disfarçar o esquecimento.
- Mas é derivado. E vê se da próxima vez não esquece. - ela tocou sua testa com o indicador e retornou a atenção ao atendente - Um bolinho de arroz.
Mais tarde naquele mesmo dia Connor descobriu que o rapaz é o garoto da Patologia, Joey, namorado de Sarah.
Não pode deixar de sorrir de si próprio, antes que pudesse pensar ele já estava respondendo por Sarah, percebeu a surpresa no olhar dela, porém ele era o mais surpreendido.
Seus pensamentos foram interrompidos quando ouviu alguém chamar de fora da casa.
Martin somente gritou que a visita entrasse sem se importar em saber primeiro quem era.
- Belo dia Martin. - o rapaz que entrara era alegre e jovem. Sarah que acabara com sua tarefa de descascar a laranja não pode deixar de notar no belo par de olhos castanhos e o sorriso jovial que ele lançava. Encantador!
Martin que já finalizava os preparativos para o desjejum o cumprimentou com um abraço.
- Seth, bem vindo.
- Desculpe chegar assim logo cedo e sem avisar.
- Tudo bem rapaz, ah, deixa te apresentar minha filha. - apontou para Sarah, Seth a olhou e sorriu ainda mais, aproximou-se e lhe estendeu a mão, ela retornou o cumprimento.
- É um prazer senhorita. - todo galante, fez uma mensura e lhe beijou a mão, a deixando envergonhada e sem saber como responder.
Martin percebendo o desconforto da filha tratou de apresentar Connor.
- E este é Connor, meu novo amigo de Chicago.
Os dois homens cumprimentaram-se casualmente com apertos de mãos. Seth retornou o olhar para Sarah.
- Você também é de Chicago, não é?
- Sim, estudo lá.
- Então vocês - apontava de Sarah para Connor - vieram juntos. - afirmou.
- Doutor Rhodes e eu? Não, não viemos juntos, quer dizer nos conhecemos de lá, mas não. - ela se sentiu desconfortável com aquela afirmação.
- Foi só coincidência nos encontrarmos aqui. - Connor que explicou o fato.
- Ah! Isso é bom - Sarah arregalou os olhos - digo, é que eu cheguei a pensar que fossem um casal, e... Bem, eu acho que me excedi na apresentação.
- Fica calmo Seth, Sarah não morde. – Martin olhou para a filha e deu uma leve levantada de sobrancelha - Ou morde?
- Engraçadinho você, não. - Sarah riu sem humor - Senta aí Seth, meu pai vai adorar mais uma companhia.
- Com certeza querida, quando se passa muito tempo sozinho, é sempre bom quando aparecem os amigos, principalmente quando a filha é uma desnaturada.
Sarah não teve como contestar, ela realmente se distanciara do pai, ele nunca deixou de procura-la e até visitava-a em Chicago mais de uma vez ao ano. Ela é que se envolveu demais com os estudos e acabou não dando atenção a ele.
Durante toda a refeição a conversa seguiu normal, com assuntos variados. Connor conversava mais com Martin, mas não deixava de prestar atenção na conversa que se seguia entre Sarah e Seth. Os dois estavam se entendendo e de vez em quando ele era surpreendido por gargalhadas dela, não conseguia não notar o quanto seu sorriso era bonito e como seus olhos brilhavam quando achava algo engraçado.
Vez ou outra Sarah pegava Connor em suas olhadas furtivas, tentava não imaginar coisas onde não existiam, mas a forma como ele a olhava a fazia sentir-se estranhamente bem, ele nunca havia a olhado daquela forma, como se estivesse notando-a pela primeira vez. Ela poderia até dizer que eram olhares de desejo. Será? Seus pensamentos pregavam-lhe uma peça, não queria pensar aquelas coisas, mas era instintivo. Tira isso da sua cabeça Sarah, ele nunca vai olhar pra você dessa forma e nem você deve olhar para ele assim. Com desdém de si mesma deixou os pensamentos sobre Connor de lado e passou a prestar mais atenção ao que Seth lhe dizia.
