Vocês tão bem, amores? Porque eu estou ótima depois de receber reviews lindas e fofas, algumas engraçadas. E as teorias sobre quem Edward é podem acabar porque nosso querido aparece nesse capítulo. Então...

Show me the love

OBS: próximo capítulo só dia 15/11 ok? Preciso me organizar nas postagens. E semana que vem tem fic nova no ar *todas comemora*


4.

Meu dia seguinte começou cedo, assim que meu celular vibrou ao meu lado na cama e reconheci imediatamente o código de área de Nova York. Olhei no alarme-relógio que estava no criado-mudo e mesmo a diferença de fuso entre as cidades sendo de 1 hora, era cedo demais para acordar alguém que estava teoricamente de folga. Mas em nome de meu precioso emprego, eu sentei na cama e atendi a ligação.

- Isabella Swan.

- Oi, Bella. É Alice.

- O que aconteceu para você já está me ligando às 5 horas da manhã?

- São 6 horas aqui...

- Não importa. Desembucha.

- Como está a viagem? Está fazendo frio em Chicago?

- Você não me ligou para saber como eu estou, eu sei disso. O que você quer?

- É que os editores de vídeo passaram a madrugada trabalhando na "chamada-teste" que vamos mostrar para o Governador semana que vem e você sabe como são os homens, como eles comem demais e tal...

- Eu não acredito que você está me ligando a essa hora para eu liberar verba pra esses nerds melateclado comprarem Mc Donald's!

- Eles precisam comer, Bella. E como ficaram mais de 8 horas seguidas trabalhando é mais do que justo que o café da manhã seja bancado pela campanha.

- Eu não te disse que nessa situação em que eu não estou na cidade, onde estou ocupada demais com coisas realmente importantes, você é responsável pelas decisões e merdas também?

- Mas eu não tinha certeza se deveria fazer isso...

- Eu não estou aí, Alice! Por 4 míseros dias eu não existo para vocês, entendeu? Se quiser, pode pagar um jantar no Masa para eles que eu não vou responder por isso.

- Ok, entendi.

- Eu autorizo liberar o dinheiro pra comer essa merda de Big Mac, só que essa é a última vez que eu aceito uma ligação que não seja importante para o andamento da campanha.

- Desculpa, Bella. Prometo que não vou mais te perturbar esses dias.

- Eu espero. Tchau!

Eu vivia pra isso; aturar alguém atrapalhando minhas horas sagradas de sono pra liberar dinheiro pra comprar sanduíche. Como não ser estressada? Como não precisar fumar meio maço de cigarros durante o dia? Como não mandar todo mundo ir pra merda quando eles me deixavam loucos daquela forma? Eu só queria voltar a dormir e deixar nas mãos de outra pessoa a responsabilidade do almoço dos funcionários tercerizados da campanha, mas em menos de 3 horas de sono após a ligação de Alice, meu celular tocou novamente.

- Bom dia, Bella. - escutei a voz singular de Carlisle do outro lado da linha e respirei fundo para não descontar nele. - Te acordei?

- Não, já estava acordada. Bom dia.

- Eu marquei uma consulta para você conversar com um dos médico de Bree sobre o transplante. Às 15 horas, tudo bem pra você?

- Tudo. Eu não tenho nada marcado para fazer hoje.

- Se eu não tivesse tão ocupado, te levaria para conhecer a cidade.

- Eu me viro. Nada que uma internet móvel no celular e um táxi não me ajudem. E antes das 15h eu estarei de volta ao hotel.

- Passo para te buscar às 14h. O hospital é um pouco longe do seu hotel. Marcado?

- Marcado.

Eu tinha cerca de cinco horas antes daquela consulta em que eu não entenderia metade dos termos médicos, então resolvi fazer o que eu mais gostava e sentia falta; compras. Quase não tinha tempo para comprar roupa e sapato quando estava em Nova York, e algumas vezes preferia fazer compras on-line durante o break do almoço e receber a mercadoria em casa, no entanto. como eu tinha essas pequenas férias resolvi que iria desenferrujar meus cartões de crédito e passar a manhã em algum shopping ou avenida cheia de lojas. Foi essa indicação que eu pedi ao taxista quando o abordei na porta do hotel e ele me levou para a Avenida Michigan, onde entrei na MaxMara às 10h e saí de lá na hora do almoço com vestidos, salto-alto e bolsas em quase cinco sacolas. Mesmo milhares de dólares mais pobre, estava infinitamente relaxada enquanto fumava um cigarro, bebia uma taça de vinho e esperava minha salada Cobb chegar.

Chicago me distraiu facilmente com seus prédios gigantes, as pessoas ocupadas passando de um lado para o outro e o clima. Era como viver me Nova York, mas sem o excesso de turistas e imigrantes se batendo com você nas ruas sempre cheias demais, e eu me vi morando naquela cidade dos ventos. Mas por que eu estava cogitando aquela possibilidade? Eu sempre seria uma moradora de Nova York e já tinha recusado várias ofertas de emprego em outras cidades e países para continuar na cidade que eu amava. Porém, isso não me impediu de curtir um pouco de Chicago como visitante e chegar em cima da hora para Carlisle me encontrar. Às 14h em ponto ele estava na recepção do hotel me esperando.

- Já conhecia Chicago? - ele puxou assunto para facilitar o trajeto.

- Conhecia, mas minhas vindas se resumiam a reuniões então, nunca tive muito tempo para conhecer a cidade.

- Conheceu algum ponto turístico hoje?

- Bom, se a loja da MaxMara for um ponto turístico de Chicago... - brinquei o fazendo rir e ficando mais calma ao seu lado. - Onde estão Esme e Bree?

- Já foram para o hospital. Bree gosta de ver o irmão trabalhando.

- Irmão? - fui pega de surpresa com a novidade. - Pensei que Esme não pudesse ter filhos...

- Ela não pode, mas isso foi depois que Edward nasceu. Enquanto ele ainda morava com nós, Esme não se importava com o fato de ter removido o útero quando Edward ainda era criança, mas depois que ele foi para a faculdade e a casa ficou vazia, seu lado materno aflorou outra vez.

- Então, vocês decidiram adotar uma criança.

- E foi aí que você entrou em nossas vidas.

- Não fazia ideia que vocês já tinham um filho na faculdade quando nos conhecemos. Pensei que Bree fosse a primeira.

- Estavamos tão ansiosos para oficializar a adoção e tê-la conosco logo que nem mencionamos isso em nossos encontros.

- Entendi... E ele trabalha no hospital que nós vamos?

- Trabalha. É um dos médicos acompanhando o caso de Bree.

- Médico?

- Edward decidiu fazer medicina quando descobrimos que Bree estava doente. Antes ele queria estudar Direito, mas assim que a irmã ficou debilitada demais, mudou drasticamente de área. Bree é tudo para ele desde que a trouxemos de Forks, ele mima aquela garota até não ser mais possível e faria qualquer coisa para salvá-la. Inclusive se tornar Pediatra. Você vai ver como os dois não se desgrudam quando estão juntos, chega é cansativo.

Aos poucos eu ia fazendo parte cada vez mais da história daquela família, mesmo que minha vontade fosse contrária a aquilo. Eu só queria ser o útero responsável por gerar sua filhinha, mas agora estava tentando ajudá-los outra vez e teria que lidar com irmão mais velho que certamente era superprotetor e chato. Médicos sempre eram chatos em sua maioria, então era esperado que um médico que ainda por cima era o irmão mais velho da paciente fosse duplamente insuportável. Cigarros... Eu precisaria de muitos aquela tarde.

Era um hospital que mais parecia um hotel 5 estrelas. Recepção elegante, pessoas educadas cumprimentando quem cruzava seu caminho e Carlisle parecia ser conhecido ali, pois falava com algumas enfermeiras e médicos passando enquanto caminhávamos até o elevador. Nosso destino era o 4º andar e em silêncio subimos rapidamente, até que uma voz feminina anunciou quando chegamos a Ala Pediátrica e Carlisle fez um gesto para que eu fosse na frente. As enfermeiras naquela ala usavam jalecos com bordados coloridos, certamente por causa das crianças, e eu observava com curiosidade tudo ao meu redor. O menino na cadeira de rodas que passou por mim, uma mulher carregando um bebê no colo ao lado de um soro pendurado que estava ligado ao braço do bebê, médicos passando apressados até um quarto e fechando a porta. Todo aquele clima que fazia entender porque eu odiava tanto hospitais. Fiquei feliz quando paramos em frente a uma porta com uma plaquinha presa; Dr. Cullen.

Carlisle deu uma batida para anunciar nossa chegada e abriu a porta, me dando passagem com toda sua educação. Esme estava sentada de costas para a entrada e me lançou um olhar "meio simpático", pelo menos não me fuzilou com os olhos como no nosso primeiro reencontro, mas minha atenção foi desviada para o barulho de risada vindo do outro lado da mesa. Um homem de cabelo loiro escuro bagunçado e jaleco mexia em um iPad enquanto Bree estava sentada em seu colo mexendo também no aparelho, os dois rindo de algo que faziam juntos. Rapidamente, analisei o Dr. Cullen, também conhecido como "irmão mais velho de minha filha", e a conclusão breve que tirei foi; charmoso, pelo jeito que sua barba estava um pouco crescida e seus dedos mexendo na tela eram longos e másculos.

- Seu pai chegou, Edward. - Esme comentou como se fosse necessário dizer que alguém havia chegado, embora ele e Bree continuasem com os olhos na tela. - Edward! Bree!

Eles olharam juntos para a mãe e depois para as outras duas pessoas presentes - Carlisle e eu. A menina sorriu discretamente para mim e pulou do colo do irmão para correr ao encontro do pai, o abraçando forte, enquanto Edward ficou de pé ajeitando o jaleco e deixando o iPad sobre a mesa. Segunda análise do homem em minha frente; extremamente gostoso com seus ombros largos, corpo aparentemente forte e jeito sexy de mexer no cabelo. Carlisle tinha passado corretamente seus genes à frente...

- Bella, esse é Edward, meu filho mais velho e um dos pediatras responsáveis por Bree.

- Muito prazer, senhorita Swan. - ele disse esticando a mão educadamente para mim, mas mantendo uma expressão séria.

- Bella. - eu o corrigi apertando seu mão - Deus, mãosgrossas... - e sorrindo. - Nada de "senhorita", por favor.

- Entendi. - Edward assentiu.

- Bree, por que nós não vamos visitar a Tanya? - Esme sugeriu ficando prontamente de pé, como se tivesse ensaiado aquela cena. - Ela andou reclamando para Edward que você nunca mais foi vê-la.

- Posso levar seu iPad? - Bree perguntou lançando um olhar adorável ao irmão.

- Claro, Bee.

- Obrigada!

Ela depositou um beijo na bochecha de Edward antes de pegar o iPad sobre a mesa e acompanhar a mãe para fora do consultório. Carlisle indicou uma cadeira vazia para que eu sentasse a medida em que ele e Edward faziam o mesmo. O doutor sentando em nossa frente com a mesma cara de poucos amigos que já estava começando a me irritar. Precisava aquela "marra" toda só porque era médico?

- É melhor que Bree não esteja por perto enquanto nós conversamos sobre os exames e a cirurgia. - Carlisle disse e eu concordei. - Pode explicá-la, filho?

- Sim. Primeiro, nós iremos tirar uma amostra de seu sangue para fazer o exame de compatibilidade. A chance de a senho... você ser compatível é um pouco maior do que a de outras pessoas já testadas, mas seria ideal se Bree tivesse um irmão gêmeo univitelino.

- 100% de certeza de que só Bree saiu de mim. - comentei em tom de brincadeira e nada. Nenhuma risadinha ou manifestação vinda daquele homem. - Ok. O que mais eu preciso saber?

- O resultado sai em 3 dias. Dando positivo, passaremos para o pré-operatório com o exames de rotina como eletrocardiograma, mais exames de sangue, consulta com o anestesista, mudança de alguns hábitos caso você seja fumante ou faça ingestão constante de bebida alcóolica...

- Eu vou ter que parar de fumar?

- Apenas no mês anterior a cirurgia e algum tempo após o transplante. - Carlisle me explicou vendo que eu estava em choque e o filho sem paciência alguma.

- Entendi. É uma maneira de me fazer parar de vez de fumar. Minha mãe agradece.

- É aconselhável que você pare de fumar antes de operar para não haver nenhuma complicação respiratória durante a cirurgia e a cicatrização de fumantes é mais lenta do que a dos demais pacientes, agora caso você queira continuar fumando é um risco que você estará assumindo. - Edward comentou como se dissesse "continue fumando e morra durante a cirurgia, eu ficaria satisfeito".

- Eu paro de fumar, não se preocupe.

- Ok. Você passará duas semanas no hospital após a retirada de um pedaço de seu pâncreas que será utilizado como enxerto no pâncreas de Bree. Precisará fazer visitas regulares nos próximos meses para controlar sua produção de insulina já que uma parte de seu pâncreas será retirada, mas em 6 meses no máximo sua vida poderá voltar ao normal.

- Então, eu terei que ficar aqui em Chicago por alguns meses?

- Não necessariamente. No primeiro mês, sim, mas depois só precisará vir uma vez ao mês ou poderá consultar um médico especialista onde você estiver. Alguma dúvida?

- Quais as chances de esse transplante não dar certo?

- Bree tem 50% de chance de ter trombrose vascular nos três primeiros meses de transplantada, 20% de ter pancreatite, 18% de infecção, 6,5% de fistula e 2,4% de ter uma hemorragia que a leve a morte.

- E vocês ainda estão correndo esses riscos mesmo sabendo que ela pode morrer? Eu não entendi metade do que você disse, mas tudo parece ser perigoso demais.

- Se ela não fizer o transplante, a próxima crise de hipoglicemia a levará ao coma e possivelmente a morte. Se ela fizer o transplante, poderá se livrar de doses diárias de insulina, restrição alimentar e vida comedida. É um risco que nós estamos querendo correr para tê-la saudável e ao nosso lado.

Ok, Dr. SabeTudoeSemHumor.

- As chances de dar errado existem, mas são menores comparadas com as chances de Bree mudar de vida. - Carlisle disse quando notou que Edward e eu trocávamos olhares de poucos amigos. - E a equipe que acompanhará você e Bree é composta por excelentes médicos.

- E um deles é seu filho... - murmurei pensando alto demais e notei o olhar de ultraje que Edward me lançou. - Não que eu esteja criticando isso. Só estou comentando o fato.

- Eu não colocaria minha irmã em risco se não soubesse o que estou fazendo. E não se preocupe, eu não irei tocar em 1 centímetro de seu pâncreas. O Dr. Francis irá cuidar dessa parte enquanto eu cuido da minha irmã.

- Obrigada pela informação...

- Agora que todas as dúvidas foram esclarecidas, podemos seguir para o exame de sangue? - Carlisle sugeriu ficando em pé e nós dois o imitamos.

- Vou bipar Tanya para saber se ela pode tirar a amostra de Bella.

- Você não pode fazer isso?

- Se ela não se importar...

- Sem problemas.

Não tão "sem problemas" assim já que eu odiava agulhas me perfurando, mas mantive minha postura e acompanhei os dois pelo corredor do 4º andar. Edward e Carlisle conversavam entre si e eu andava alguns passos atrás observando como eles interagiam, como Edward falava com calma e sua expressão era diferente da que esteve em seu rosto durante nosso encontro. Ele até mesmo sorriu com um comentário do pai! Algo me dizia que seu problema era comigo, e a expressão dura estava de volta quando nós entramos na sala de coleta de materiais e ele indicou uma cadeira.

- Aperte essa bola, por favor. - ele pediu quando prendeu a borracha ao redor de meu braço e me entregou uma bolinha de espuma.

Eu apertava a bolinha para meu sangue se concentrar no braço e soltava o ar pela boca buscando por calma. Evitei olhar enquanto ele preparava a seringa e nem queria ver o tamanho da agulha, estremecendo de surpresa quando senti uma mão segurando meu antebraço e ele me pedindo que eu parasse de apertar a bolinha. Foi a picada de agulha mais indolor que eu senti em minha vida, nada comparada com as injeções que tomei durante a gravidez e a agulha do soro em minha mão durante o parto. Minha surpresa me fez abrir os olhos e ver meu sangue enchendo um tubo de ensaio encaixado na seringa, rapidamente sendo substituído por outro. Levantei os olhos para encarar o rosto sério de Edward e até mesmo sua ruga entre os olhos demonstrando toda sua concentração.

- Doeu? - ele perguntou quando colocou o adesivo colorido e recolheu meu braço.

- Nem um pouco, o que é estranho. - respondi ainda o observando tirar as luvas cirúrgicas e descartar a agulha.

- Algum tempo lidando com crianças e você acaba achando um jeito de ser o mais indolor possível. - Edward concluiu colocando os dois tubinhos no bolso do jaleco. - Suas amostras e as de Bree terão prioridades, então, em 3 dias teremos o resultado.

- Mas eu volto para Nova York na segunda... tem algum problema? - retruquei olhando para Carlisle, pois nem precisava encarar Edward para saber que ele não curtiu essa idéia.

- Acho que não... - Carlisle murmurou olhando para o filho em busca de uma resposta e me obrigando a olhar para ele.

- Eu posso te ligar quando o resultado sair e agendar suas consultas de pré-operatório caso o resultado seja positivo.

- Só mais uma dúvida; eu posso fazer alguns exames em Nova York? Porque eu estou no meio de uma campanha política e não posso me afastar por muito tempo do escritório. Eu ficaria muito feliz se não precisasse me mudar para Chicago antes da cirurgia.

- E nas duas semanas em que você ficará no hospital? Como você fará? - pelo seu tom de voz, ele queria gritar que eu era uma chata irresponsável que colocava empecilho em tudo, mas estava se controlando pra não estourar.

- Tenho certeza de que Bella irá resolver isso quando tivermos o resultado. Conversar com o chefe dela e explicar a situação, não é?

Carlisle pôs um fim a aquele momento tenso entre seu filho e eu, e fiquei mais que grata por não precisar mandar aquele homem mal-humorado sefuder e baixar um pouco sua bola. A superproteção com a irmã beirava o ridículo e só porque ele era um dos médicos responsáveis pelo transplante não significava que podia me dar uma lição de moral por conta de meus hábitos. Não queria nem imaginar quando o resultado saísse e eu passasse a ser a doadora de órgão trancafiada no mesmo hospital que ele por duas longas semanas.


Novamente, review = spoiler.