Disclaimer: Essa história pertence a I'heure bleue, que autorizou eu e a LeiliPattz a traduzir, e os personagens pertencem a Stephenie Meyer.

This history belongs to I'heure bleue, who allowed me and LeiliPattz to translate, and the characters belongs to Stephenie Meyer.


Tradutora: Zahzuda

POV Bella

Domingo, 3 de fevereiro – 20:15h

Só por um momento, eu prometi a mim mesma novamente, segurando firmemente atrás da árvore em que eu estava escondida. Eu podia ouvi-lo agora, me movendo mais pra perto. Só por um momento.

Mas então sua voz caiu sobre mim, e foi tão intensamente maravilhoso que meu coração doeu. Como uma voz podia ser tão linda? Uma voz. Não Edward por inteiro, mas somente sua voz. Eu só podia imaginar sua beleza física. Fechei meus olhos e mordi meu lábio com a onda de emoção que caiu sobre mim.

Isso era errado. Se eu não quisesse me machucar, eu precisava correr. Porque eu sabia que alguém como Edward, alguém tão perfeito, tão lindo, nunca poderia ser meu amigo.

Mas ele falou e não pude me impedir de ir pra frente.

"Bella?" ele suspirou, e sua voz quebrou quando ele falou as próximas palavras. "Bella, é... é você?"

Não pude evitar minhas mãos trêmulas enquanto eu tateava a escuridão sempre presente que me assombrava. Não pude evitar falar.

"Edward."

Pude ouvir sua respiração afiada, e desejei mais do que tudo que eu tivesse ficado escondida. Ele iria me magoar. Apenas me magoar. Me deixar magoada, sangrando, sozinha… como muitos outros tinham feito. Eu tinha tanta certeza que me fechei para o mundo, contra tudo, contra todos... mas ele falou, sua voz tão intensa, meu coração pulou, agitou, e martelou em meu peito.

"Bella."

E então ele caminhou para frente, e seus dedos dançaram no meu rosto, traçando gentilmente minhas pálpebras, meus lábios, minhas bochechas e as lágrimas que escorreram dos meus olhos. Ninguém tinha me tocado tão gentilmente desde... desde...

"Achei que não viria," ele suspirou, e eu pude sentir sua dor enquanto seus dedos sacudiram no meu rosto. "Eu não sei porque isso importa. Não sei porque. Não deveria ser assim. Nada disso. Mas é," ele confessou, e meus joelhos ficaram fracos com a emoção correndo por mim. "Significa tanto. E isso não faz sentido. Eu não entendo porque você significa tanto pra mim. Mas você significa demais."

Senti uma lágrima sozinha correr por minha bochecha, não passou despercebida como eu queria. Em vez disso, ele a pegou entre seus dedos, e pressionou sua palma na minha bochecha.

"Porque você está chorando?" ele perguntou, e sua voz era tão suave, tão delicada, que quase quebrou meu coração.

"Eu n-não sei. P-por que você está sendo t-tão l-legal comigo?"

Eu não podia ver seu rosto, mas pude entender sua confusão.

"Por que eu não seria?"

"Eu sou estranha," eu expliquei. "Sou diferente. Sou uma aberração. Isso é o que todos dizem. Ninguém f-fala comigo tão docemente, o-ou me toca tão gentilmente, ou..."

Mas eu não pude continuar, porque as lágrimas eram muitas. E quando ele me ajudou a sentar na grama, fiquei com medo das minhas pernas falharem abaixo de mim, era demais. Ele era muito carinhoso, muito gentil.

Porque ele era tão diferente?

"Eles te tratam desse jeito porque você é cega?" ele perguntou, e em vez de ser um golpe rude, ou um sussurro de repreensão, era uma genuína curiosidade que envolvia sua voz. Ele não parecia se importar nem um pouco pelo fato de eu não poder ver.

"A-apenas parcialmente," eu murmurei, e eu queria me bater. Eu estava dizendo demais. Certamente, quando ele soubesse tudo sobre mim – sobre como eu nunca poderia ficar no sol, a menos que eu morresse – com certeza ele me deixaria, sozinha na grama, quebrada e chorando.

"Apenas parcialmente?" ele perguntou e eu mordi meu lábio. Ele podia perceber que eu estava hesitante. "Você não tem que me contar," ele murmurou. "Não se você não quiser."

"Eu quero," eu disse. "Mas e-eu não sei como."

"Tudo bem. Eu esperarei," ele sussurrou, e sentamos juntos no silêncio, nos tocando levemente, mas sem falar.

Mas isso era o suficiente. Apenas ouvir sua voz era o suficiente. Somente perceber sua preocupação e sentir seu toque, ganhar seu entendimento... era o suficiente.

E mesmo enquanto as horas passavam em silêncio, mesmo com as nuvens sumindo e permitindo que as estrelas brilhassem – as estrelas que eu não podia ver – eu não disse uma palavra. Mas nosso silêncio aprofundou e o ar a nossa volta parecia tão carregado com toda essa emoção que estava correndo em nossas veias.

Eu queria tanto entender o que estava acontecendo. Porque eu estava me sentindo desse jeito. Porque, depois de um tempo tão curto, eu sentia que se o deixasse doeria demais. Eu nem o conhecia direito, e ainda assim ele significava mais pra mim do que qualquer outra pessoa tinha significado.

Embora, eu sabia o porque.

Era porque ele tinha me aceitado. Ele tinha me aceitado, quem eu era, e não quem eu deveria ser. Ele tinha aceitado minha cegueira, e eu sabia, sem nem mesmo pensar, que ele aceitaria o resto de mim também.

Eu queria tanto contar tudo a ele. Tudo.

"Eu..."

Mas eu não pude continuar, então me calei.

Talvez amanhã...

POV Edward

Sexta-feira, 8 de fevereiro – 21:10h

Amanhã, e no dia seguinte, e nos próximos três dias que passaram. Toda noite, eu ia até ela, e ela sempre estava lá. Nós nunca falávamos muito... nós simplesmente sentávamos em silêncio, juntos.

Ela sempre parecia hesitante, nervosa, como se houvesse algo que ela quisesse me contar, mas não tinha certeza de como fazer isso. Mas eu iria esperar. Quanto tempo precisasse, eu esperaria.

Mas essa noite...

"Você daria uma volta comigo?" eu perguntei calmamente, e um pequeno rubor encheu sua bochecha suave.

"Eu..." ela pausou, mordendo seu lábio. "Eu não sei... eu não memorizei outro lugar além... desse lugar. Eu vou cair se não tiver o caminho memorizado."

Sorri brilhantemente, me inclinando para colocar um suave fio de cabelo castanho atrás de sua orelha. Ela ofegou em uma leve surpresa, e eu quase podia sentir seu coração gritando em seu peito, assim como o meu.

"Por favor?" eu murmurei, e embora eu soubesse que ela não podia me ver, eu ainda assim olhei bem profundamente em seus olhos suaves.

"Tudo bem," ela finalmente suspirou, e eu sorri brilhantemente, pulando de pé na grama suave e pegando sua mão. Sua pele era tão quente e tão macia. A puxei gentilmente de pé, e quando começamos a andar em um terreno que não era familiar a ela, ela me segurou apertado. Fiquei bem perto dela, a guiando gentilmente para passar pelas árvores, e algumas pedras. E quando haviam tocos de árvores grandes, eu a erguia e a colocava gentilmente do outro lado. Não falamos uma palavra o tempo todo, ainda assim era confortável o silêncio que estava entre nós.

Finalmente, quando chegamos ao local que eu queria estar, eu parei e sussurrei.

"Chegamos."

"Descreva, por favor," ela pediu calmamente, e eu sorri.

"Estamos de pé sobre um precipício de frente pro mar. É tão vasto, parece que nunca acaba. As árvores que nos rodeiam estão balançando levemente ao vento, e a grama está soprando ao redor dos nossos pés. A água do mar está batendo nas pedras abaixo, pulverizando uma espécie de névoa branca no ar, e regando a terra com água. O céu está escuro, salpicando luzes das estrelas que brilham. As nuvens estão sumindo, nos prendendo na escuridão." Eu pausei por alguns segundos, e então sussurrei, bem calmamente. "Você pode ouvir isso, Bella? Pode ouvir as ondas, e a água enquanto ela gentilmente banha a praia?"

Minhas palavras foram sussurradas e meus olhos estavam fechados, por um breve momento, tentando imaginar que eu também era cego. Peguei minhas próprias palavras, montando uma imagem com os sons da noite – a água batendo nas pedras abaixo, o vento soprando tão gentilmente – me cercando e me envolvendo em um abraço gentil.

"Você pode ouvir isso?"

Ela sorriu, e parecia tão serena, tão em paz, com seus olhos fechados e suas mãos estendidas na sua frente. Ela parecia um Anjo, muito mais do que ela pareceu na primeira noite em que a vi.

"Sim," ela suspirou, e inclinou a cabeça pra trás, respirando fundo a essência do oceano. Eu queria tanto abraçá-la, pegá-la em meus braços e protegê-la dos horrores do mundo. Eu queria protegê-la pra sempre, do que ela não podia ver.

"Bella?" eu perguntei, ela abriu seus olhos, e embora ela não pudesse ver, seus olhos estavam muito profundos nos meus. Me perguntei como era possível que ela não pudesse ver, porque às vezes parecia que ela via muito.

"Hmm?"

Me movi pra mais perto dela, e peguei suas mãos nas minhas. Ouvi sua respiração acelerar, e sorri.

"Me conte tudo. Estamos nos encontrando por quase uma semana, e ainda assim eu não sei quase nada sobre você. Por favor, me conte."

Era verdade, e ela sabia disso. Com o passar dos dias, ela tinha se tornado tão silenciosa, e embora eu tenha contado a ela sobre mim – o pouco que havia pra contar – ela não tinha me contado quase nada.

"Ajude-me a sentar," ela pediu. "Eu quero ouvir o oceano."

Eu acenei, e fiz como ela pedindo, me certificando de sentá-la longe da beira do penhasco e em uma parte suave de grama em vez da pedra dura.

Ela ficou em silêncio por alguns minutos, e então começou a falar.

"Minha mãe me deixou quando eu era um bebê. Eu não lembro muito dela. Eu quase nunca falo com ela. Meu pai e eu somos muito próximos. Ele é tudo que eu sempre tive. Ele sempre esteve lá pra mim," ela disse, e eu podia ver o amor brilhando em seus olhos enquanto ela falava do homem que claramente significava muito pra ela. "Ele é a única família que eu tenho."

Silêncio reinou por alguns minutos, e eu percebi que se quisesse mantê-la falando, eu teria que fazer perguntas.

"Qual sua cor favorita?"

Ela riu, possivelmente com a insanidade da pergunta, e então ela deu de ombros. Eu apenas sorri.

"Eu não lembro muito das cores. Mas eu acho que é… azul, talvez."

Concordei, e rearranjei minha fisionomia e meu tom de voz até parecer que eu estava pedindo uma confissão de assassinato.

"Há quanto tempo você tem morado em Forks?"

Quando comecei a fazer as perguntas, ela estava rindo, seus olhos brilhando com felicidade. Eu estava tendo dificuldades em não rir com ela, mas não consegui.

"Qual sua hora favorita do dia?"

"À noite," ela respondeu sem pensar duas vezes. "Porque, quando está escuro, eu não tenho que fingir ver o que não vejo, e não preciso imaginar a luz do mundo a minha volta. Quando está escuro, todos vêem como eu. É... um pouco reconfortante, eu acho, por que não estou sozinha no escuro."

Eu não sabia como responder isso, então eu simplesmente limpei minha garganta e fiz outra pergunta, mais leve dessa vez.

"Sua flor favorita?"

"Eu não sei. Nunca vi muitas flores. Mas eu amo a sensação das rosas, e como elas são descritas. Elas são lindas, mas proibidas. Os espinhos protegem sua beleza, e para garantir que elas não sejam despedaçadas, ou mortas."

Suas respostas eram tão complicadas, tão profundas. Me pergunto quanto tempo ela tem pensado nessas coisas, e percebi que provavelmente por muito tempo. Quando não se pode ver, você precisa imaginar, montar as imagens em sua mente de como você acha que as coisas são.

"Qual seu som favorito?"

Ela sorriu; essa, pelo menos, era uma resposta fácil.

"O som da chuva caindo. É tão lindo, tão calmo. Tão sereno."

Eu sorri.

"Seu livro favorito?"

"O morro dos ventos uivantes," ela respondeu sem pensar duas vezes, e eu levantei uma sobrancelha. Abri minha boca para argumentar, e pude ver um pequeno sorriso se formando em seus lábios.

Ah, isso vai ser bom...

POV Bella

"De jeito nenhum," ele zombou. "Você só pode estar brincando comigo." E então ele riu, e meu coração bateu freneticamente com o som. Segurei minha respiração, tentando controlar minhas emoções enquanto respondi.

"É sim. O morro dos ventos uivantes é um clássico! Nada o supera."

"É um livro horrível!" ele argumentou, e eu normalmente iria mudar de assunto – as pessoas muitas vezes discordavam das minhas escolhas de leitura, e eu estava acostumada com isso. Mas sua voz, tão intensa, era linda demais pra deixar pra lá.

"Não é," eu discordei. "É... é…"

"Horrível."

Olhei malignamente pra ele, e ele riu, e naquele momento eu desejei mais do que tudo que pudesse vê-lo. Em vez de insistir nesse pensamento, eu me inclinei, e deixei meus dedos traçarem seus lábios e seus olhos, memorizando o jeito que eles levantavam com a diversão. Ele respirou fundo, seu sorriso caiu e seu coração bateu rápido. Me perguntei como era possível que eu tivesse tal efeito nele, mas deixei pra lá rapidamente quando ele falou sem fôlego.

"O-o que você está fazendo?"

"Memorizando você," eu murmurei, e minha mão direita subiu para se juntar a minha esquerda. Ele continuou em silêncio, e quando minhas mãos finalmente caíram, ele novamente respirou fundo.

"Eu gosto quando você sorri," eu disse, e eu podia dizer que naquele momento ele estava sorrindo novamente... apenas pra mim."

"Sério?" ele murmurou, e ele pegou minha mão e pressionou em sua bochecha. Sua pele era tão fria, mas ao mesmo tempo suave por baixo de meus dedos. Minha mão estava tremendo enquanto ele a segurava firmemente em sua pele. "Posso memorizá-la também?"

"Mas você pode me ver," objetei sem fôlego. "O único jeito que eu posso ver é pelo toque."

"Então irei fechar meus olhos. Eu quero ver como você vê. Quero memorizar você pelo toque e pela visão. Deixe-me por um momento sentir o que você sente. Deixe-me aprender como você aprende. Deixe-me tocá-la."

Meu coração estava batendo tão rápido que tenho certeza, que naquele momento, ele podia ouvir de onde ele estava sentado, tão longe, e ainda assim tão perto. E, incapaz de falar, eu simplesmente acenei, e deixei meus olhos que não enxergam fecharem, tentando em vão me preparar para seu toque.

Mas quando seus dedos tão gentilmente, tão suavemente, traçaram meus lábios, e então minhas pálpebras, e meu pescoço, minha testa, eu nem conseguia respirar. Quando suas palmas das mãos cobriram minhas bochechas, e seus dedos escovaram meu nariz, meu coração quase explodiu. Minha pele se arrepiou onde ele tocou, e eu me senti quente. Tão quente... tão aquecida...

"Tão linda," ele sussurrou, quase silenciosamente, e então se afastou, e meu coração começou a acalmar enquanto minha respiração lentamente voltava ao normal.

"Terminei," ele murmurou, e sentamos em silêncio mais uma vez, sua mão ao lado da minha, ainda sem nos tocar. Seu ombro escovando o meu em uns segundos, enviando cargas elétricas por mim, fazendo meu coração golpear meu peito mais uma vez.

"Então, o que você vê naquele livro?" ele perguntou, e eu me virei pra ele, ainda deslumbrada.

"Hmm?" eu suspirei, e ele riu, brincando ao bater em meu ombro com o seu.

"O que você vê em O morro dos ventos uivantes? O que a faz gostar tanto dele?"

Eu parei, franzindo a testa enquanto pensava. "Não sei. É apenas... é simplesmente…"

"Horrível."

"Edward!" eu resmunguei, e ele apenas riu mais. "Como vou responder se você continua me interrompendo?"

Ele não parava de rir, então cruzei meus braços em meu peito e suspirei, esperando. Quando ele finalmente parou, eu olhei malignamente pra ele, mas quando seus lábios gentilmente escovaram meu nariz, eu esqueci tudo. Eu esqueci até mesmo o meu nome. Onde eu estava? Eu não me importava. Seus lábios eram tão suaves, tão quentes.

"Desculpe," ele suspirou, e sua respiração gelada fez cócegas em minha pele, eu tremi. "O que você estava dizendo? Eu prometo que não irei mais interromper."

"Um..." eu pausei, buscando freneticamente em meu cérebro nebuloso o que estávamos falando. Mas ele estava em branco. "Um..."

"O morro dos ventos uivantes," ele me lembrou, e eu bati meus dedos, lembrando de repente. "O que você vê nele? Honestamente, ambos são monstros que arruínam a vida um do outro."

"Eu acho..." eu disse lentamente. "Que esse é o ponto. O amor deles é a única qualidade que compensa. Eu realmente não sei o que é tão apelativo pra mim no livro. Talvez seja isso, embora tenha tanto ódio, eles ainda se amam. Muitas pessoas não vêem isso. Mas apesar de todo o ódio deles, e mesmo após a morte dela, ele ainda a ama."

Edward não disse nada por um bom tempo, mas quando ele falou, eu podia dizer que ele estava sorrindo novamente, pois quando ele estava feliz dava para perceber em sua voz.

"Eu suponho que você está certa... mas ainda é um livro horrível."

Nós rimos juntos dessa vez, e então o silêncio dominou novamente. E com a escuridão – como sempre – me rodeando, quando ele pegou minha mão, e envolveu na sua, senti meu mundo de repente ser banhado por uma luz brilhante.


N/T: Ai meu caralho viu (não eu não tenho um de verdade), mas esses dois são dois lindos. Eu tenho tanta pena da Bella, pelo que ela passou, até mesmo a vaca da Renée a abandonando (vadia) e o Edward lindo e cuidadoso, esse jeito deles ficarem em silêncio, choro horrores.

Gente eu e a Leili estávamos cada vez mais felizes com todos os comentários, cada dia aumentando mais e isso é tão gratificante. Muito obrigada a todas!

Comentem... até quarta que vem! Obrigada a minha beta (Lou) por betar essa fic em pleno 24.12!

Beijos Zah e Leili s2