Quando cheguei ao estacionamento meu pai já tinha dado partida no carro, ele não falou nada o caminho todo. Quando chegamos ao apartamento ele foi pra o quarto e se trancou. Eu acho que ele esperava ficar sozinho tocando o piano dele e se entupindo de Whisky e supostamente Vicodin, mas comigo ali era mais difícil. Por minha causa ele abriu mão de muita coisa, e em muitas vezes eu me sentir culpada por isso. Andei até a porta do quarto dele e me sentei, ele não queria me ver, ele não queria que eu o visse desse jeito vulnerável.
- Minha mãe disse que você não se importava com ela. – Eu esperava que ele respondesse mais nenhuma palavra foi dita. - Mais eu sei que isso é mentira, você a ama, ela te ama, só que vocês são muito cabeças duras. – Que merda, e lá estava a Rachel Cuddy chorando. – Eu disse a ela que você se importava com ela, mais ela disse que você só se importava comigo. Eu tento copiar minha mãe em tudo, você mesmo diz isso. Então quer dizer que se você se importa comigo, se você nota que eu copio ela quer dizer que você se importa com ela não é pai? Diz pra mim!
A porta do quarto foi aberta e quando entrei ele estava sentado com um porta retrato nas mãos, na foto estamos os três, pelo que notei eu devia estar com uns nove anos, lembro pouco acho que nós tínhamos passado o dia em algum parque, meu pai odiava, ele sempre fazia birra mais sempre ia.
- A minha mãe achou que tinha perdido essa foto e ela estava aqui.
- Eu queria que o tempo tivesse parado aqui.
Ouvir meu pai falando aquilo foi surpreendente, foi como um choque, se alguém tivesse visto aquilo não acreditariam no que tinha ouvido. Um sorriso brotou no canto do seu rosto bem pequenininho.
- Sua mãe teve a ideia de nos levar pra um parque, ela queria um piquenique e eu não tinha como dizer não. Você não parava de sorrir e ela estava radiante, ela tinha dito que esses anos foram os melhores da vida dela. E que isso era culpa minha e sua. Eu estava feliz.
- Você se importa! Você se importa sim!
Aquela noite eu passei com meu pai. Cancelamos o Poker com o Wilson e só ficamos eu e ele. Desde que voltamos de viagem tudo tinha virado de cabeça pra baixo, as coisas tinham se complicado e iria ficar pior, meu pai voltou ao trabalho no dia seguinte e eu fui junto com ele, minha mãe tinha forçado ele a resolver o caso, ela acabou cedendo ele a fazer o exame, eles não se viam, e nem tocavam no nome um do outro. Eu me sentia privada a não falar sobre eles, e assim a semana passou, minhas aulas tinham voltado, eu ia à escola pela manhã e à tarde ia pra aula de Boxe. Naquela quarta-feira minha mãe não pode me busca e pediu pra o Wilson fazer isso, já que ela tentava de todas as formas possíveis não falar com ele meu pai. O Sean depois de todo ocorrido resolveu dar uma trégua e não apareceu na minha casa, mantendo os encontros com minha mãe casualmente após o expediente dela. Minha mãe tinha me ligado há poucos minutos antes de minha aula acabar tentando dizendo que não iria me buscar e antes dela termina de falar meu celular descarregou. Eu só não esperava aquele idiota... a última pessoa que eu queria ver na face da terra aparecer na porta da academia.
- Oi Rachel!
- Sean? O que você está fazendo aqui?
- Eu vi você aí um tempão, está esperando sua mãe, e pelo jeito ela não vem te buscar não é?
- Ela vem me buscar.
- Não, não vem, sua mãe é pontual.
- Cai fora!
- Qual é Rachel entra aqui, eu vou te dar uma carona.
- Nem morta eu entro nessa sua lata velha, cai fora. - O Sean desceu do carro e veio na minha direção com cara de poucos amigos.
- Oh garota, eu só vou te dar uma carona, entra no carro.
- N-Ã-O!
- Garota idiota, você vai entra aqui, e eu vou te levar pra casa. – O Sean me puxou pelo braço e começou a me arrastar, com a força que ele estava fazendo no meu braço com certeza iria ficar marcado. Eu tentei me soltar mais ele era mais forte, gritei mais foi em vão, as pessoas que passavam por ali achavam que eu era filha ou seja lá o que eles pensaram e não se intrometeram. Eu gritava dizendo que ele era um louco e ninguém se pronunciou até que o Wilson apareceu.
- Ei, larga ela.
- Não se mete cara, eu sou pai dela e criança mal criada comigo não tem vez.
- Eu disse pra você larga ela.
Quando menos esperei o Wilson tinha se jogado em cima do Sean empurrando ele contra o carro.
- Você é maluco, você tem o que na cabeça ao pensar em machucar a minha afilhada, acho que você não se lembra de mim não é? Pois é seu imbecil eu te conheci na cantina no dia em que você almoçou com a Cuddy. Não lembra não é? O que ela estava na cabeça quando resolveu namorar um louco? Só te digo uma coisa, fica longe da Rachel ou as coisas vão ficar feias pra seu lado.
O Sean entrou no carro dele e disparou, não entendi o que estava se passando na cabeça dele, será que ele é tão idiota assim pra machucar a filha se sua namorada e achar que vai ficar por isso mesmo?
- Obrigada Tio, ele é maluco, a minha mãe não sabe quem ele é.
- Fica calma, uma hora ela se toca e larga esse idiota, agora deixa eu ver o seu braço.
- Tá doendo.
- É vai ficar marcado.
- Tio, não conta nada a minha mãe e nem ao meu pai, por favor.
- Rachel eu não posso fazer isso. A Cuddy precisa saber disso, ela precisa saber o que ele fez.
- Não, depois da briga com o meu pai ela demorou pra se instabilizar, na verdade ela ainda tá muito mal e se o meu pai souber disso ele vai ficar furioso e vai brigar com ela de novo. E ele só saberá se você contar a ele.
Em uma coisa eu tinha absoluta certeza o Tio Wilson não iria segura sua língua, uma hora pra outra ele iria acabar abrindo o jogo pra meu pai, e as coisas iriam piorar. Tentar entender o que se passou na cabeça daquele filho da puta do Sean era o que me incomodava, o meu braço estava roxo agora e inventar uma desculpa qualquer pra minha mãe era o mais importante agora. Eu não sei o que fazer, se eu contar ao meu pai ele vai parti pra cima do Sean e minha mãe vai odiar ele ou vai odiar o Sean, até porque ele não vai contar a verdade, mais o Wilson presenciou tudo, as coisas podem até estarem ao meu favor, mais eu tenho medo, eu não sei explicar.
O carro estacionou na frente de casa e ele novamente olho meu braço e viu a marca. Era visível a raiva em seus olhos, pela primeira vez eu vi aquele ser, que pra mim nunca ficou bravo com ninguém, ter raiva.
- Calma Tio, não precisa ficar assim!
- Calma Rachel, aquele cara te machucou. O que ele tem na cabeça? Merda? Só pode ser!
- Se é merda ou não eu só peço pra você não contar nada a minha mãe e muito menos ao meu pai. Eu to bem e essa marca vai sumir.
- Rachel porque você não quer contar nada a sua mãe? Contando a ela, ela vai acabar deixando o Sean, não é isso que você quer?
- É o que eu mais quero, mais eu tenho medo, eu não sei se devo me preocupar com isso mais ele tem antecedentes criminais, vai que ele seja um maluco assassino, e se o meu pai souber ele não vai deixar quieto, meu medo é que ele faça mal a minha mãe e a meu pai.
- Ele não ousaria fazer nada a eles.
- Ele ousou em me machucar porque eu simplesmente não quis entrar naquela merda do carro dele. Eu só estou pedindo pra você não contar nada a meu pai, por favor.
- Tudo bem Rachel, eu não vou contar. Mais se eu passar por ele de novo ou ele chegar a puxar um fio de cabelo seu ele vai se ver comigo e os antecedentes criminais dele vão aumentar.
- Obrigada Tio, deixa eu ir, minha mãe já deve tá chegando. Valeu pela força.
- Você quer que eu espere com você?
- Não, não precisa, pode ir.
- Ok! Qualquer coisa pode ligar.
- Tudo bem, beijo.
Realmente não demorou muito pra minha mãe chegar, eu estava no meu quarto terminando o meu banho preferi vestir uma camisa de manga comprida já que pela marca ela iria fazer mil perguntas.
- Rachel?
- Oi mãe to aqui no meu quarto.
- Oi, e aí, como foi o dia? E a aula de Boxe? Como é que está?
- Tá tudo bem, depois de alguns dias eu acho que enferrujei legal.
- Nossa, tá parecendo uma velhinha caquética, enferrujando.
- Ahh vai ficar tirando sarro com a minha cara Dona Lisa?
- Não, não vou, eu já estou tirando.
- Mãe!
- Filha!
- Dá pra parar?! Ou tá difícil?
- Tá ok, eu parei. Olha aí, porque você não faz Yoga comigo? Então quando você chegasse à aula de Box não iria se sentir enferrujada.
- Não precisa, eu me aqueço antes e fica tudo bem!
- Como você quiser? E o que vamos jantar hoje?
- Não sei? Eu to muito cansada pra fazer comida, que tal uma massa com aquele suco que você sabe fazer, aquele de Romã com hortelã e limão!
- Boa à pedida! Eu não estou com a mínima vontade de fazer comida.
- Termine de se arruma que eu faço o pedido e o suco.
- Tudo bem.
A noite passou rápido, minha mãe estava babando no sofá enquanto os créditos do filme começavam a passar na TV, do jeito que ela estava cansada acho que ele nem assistiu a metade do filme. Chamei ela e nossa, até parecia uma bêbada, porém de sono. Deitei ela e a cobri. É engraçado, dessa vez os papeis se inverteram, quando já me preparava pra sair ela me chamou.
- Rachel, dorme aqui.
- Tudo bem eu durmo.
Dei meia volta e me deitei no lugar que um dia foi do meu pai, por sorte ela não roncava. Mais tinha mania de falar enquanto dormia. No fundo eu estava torcendo pra ela falar o nome do meu pai, mais ela falava palavras desconexas que eu achei engraçado. Você dormir em uma cama que não é a sua, mesmo que seja a da sua mãe te deixa mal, e a droga do despertador dela as 5:30 da manhã tocando foi o fim. Agora eu entendo porque meu pai reclamava tanto de acorda cedo, quer dizer de madruga. Ela levantou mais eu permaneci dormindo, quando já se aproximava das 6:30 ela me acordou com cócegas, coisa que ela não fazia a muito tempo, isso era no tempo em que eu ainda era girino, assim como meu pai costumava me chamar. E por acidente ela bateu em meu braço arrancando de mim um grito de dor. Ela se assustou e perguntou se ela tinha me machucado, eu disse que não, mais como sempre ela fez questão de ver se estava tudo bem, essa mania de proteção dela às vezes me sufocava.
- Para mãe tá tudo bem, não tem nada.
- Como não tem nada? Você gritou de dor.
- Não tem tá vendo.
- Me deixa ver Rachel e não se fala mais nisso.
- Não tem nada mãe, para com isso.
- Se não tem nada me deixa ver. Deixa-me ver Rachel.
Merda, vamos lá, qual desculpa eu vou arranjar? Se eu disse que foi na academia ela vai querer saber como foi que aconteceu e vai ligar pra lá dá uma super bronca no meu professor, mais não tem jeito.
- Tá aqui, foi por isso.
Mostrei a ela a marca no braço, realmente ficou roxo, pela forma e a força que ele me pegou pelo braço a real intenção era me machucar.
- Rachel, o que houve? Como isso aconteceu? Seu braço tá roxo.
- Isso foi ontem na aula de boxe, mais tá tudo bem mãe, não precisa se preocupar com um pouco de gel fica bem, a macha vai sair.
- Não tá tudo bem, como você se acidenta na aula de boxe e não me conta?
- Foi besteira mãe, eu não queria te preocupar com isso.
- Como besteira? Você não vai pra aula hoje ta me ouvindo.
- Qual é mãe, isso foi besteira, acidente de percurso. Acontece.
- Acontece com os outros com a minha filha não. Você não vai à aula hoje e pronto.
- Vai lá, continua assim, me privando de fazer as coisas por causa de uma besteira. Essa sua mania de proteção me sufoca às vezes.
- Rachel pare de reclamar, se faço isso é porque me importo com você.
- Eu sei disso. Eu gosto de saber disso, mais às vezes você passa do limite e isso me sufoca. Você já viu e eu preciso cuidar se não me atraso pra aula.
A pulga atrás da orelha de minha tinha sido deixada, mas uma das ultimas coisas que eu queria que acontecesse era que ela soubesse a verdade, espero que a mentira sobre o incidente na academia tenha colado, e que meu pai nem cogite a ideia de saber que o causador dessa mancha seja o Sean.
