Draco seguiu Hermione até a torre da Grifinória. Queria conhecer logo seu dormitório. Nada melhor que ter um quarto só para ele mesmo. Não ter que dividir o chuveiro com seus outros colegas seria um alívio. Ele até sentiria falta das masmorras, mas sabia que um lugar tão escuro e frio não seria propício para uma criança.
Hermione ficou calada durante o caminho, contemplando como tudo havia mudado de um momento para o outro. Harry agora era um bebê indefeso e só queria ficar perto de Malfoy. A garota já havia percebido os olhares do amigo direcionados para Draco, quando ainda estava em seu corpo de 18 anos. Ela sabia que Harry sentia algo muito profundo pelo loiro, e tinha certeza que era isso que estava por trás da sua vontade de estar perto do sonserino agora. Ela não se importava. Se Harry havia perdoado o outro garoto e estava disposto a confiar nele, ela faria o mesmo sem hesitar.
Ela reparou que Draco também parecia sentir algo além de ódio por Harry, e achou adorável quando o loiro transfigurou a roupa dele em um body de sapinhos. Se Harry estivesse em suas condições normais, e visse um bebê vestido daquele jeito, ele não aguentaria. Harry teria amado a roupinha. Ela sorriu abertamente. Eles estavam no caminho certo, e ela os empurraria para alcançarem seu inevitável destino.
- Por que você está sorrindo desse jeito, Granger? - Malfoy perguntou rudemente. - Imaginei que você não iria ficar feliz com essa decisão.
Hermione revirou os olhos. Draco parecia genuinamente curioso, mas ele não conseguia sair da defensiva.
- Pelo contrário. Acho que Dumbledore fez a coisa certa. Você é parte culpado pelo que aconteceu... E acho que passar um tempo com Harry fará um bem para vocês dois.
- O que você quer dizer?
Ela apenas sorriu, e parou na frente de um quadro. A garota sabia que era ali, pois era a primeira vez que o via. Era enorme, com uma moldura marrom de aparência antiga. Nele estavam pintados um leão, que balançava sua juba levemente, e uma cobra, que se aproximava dele. Draco se preocupou por um momento que os dois entrariam em um tipo de conflito, mas a cobra continuou rastejando, até chegar bem perto do leão e se enroscar do lado dele. O leão pareceu contente.
Draco se sentiu incomodado com aquela pintura. Um leão e uma cobra... Amigos? Isso era muito estranho. Tão estranho quanto ele e Potter naquele momento.
O loiro colocou sua mão na moldura, e o quadro abriu passagem.
Hermione pigarreou e Draco olhou para ela.
- Eu... não vou entrar com você, Malfoy. Confio que consiga se virar e cuidar bem de Harry. Não me decepcione. - A garota se virou e foi embora.
Draco continuou encarando as costas dela por alguns instantes. Granger estava agindo muito estranha. Desde quando era bom os dois passarem um tempo juntos? E como assim ela confiava nele?
Resolvendo deixar essas questões de lado por um tempo, ele entrou em seu novo dormitório.
O primeiro cômodo era uma sala. Tinha um sofá de aparência bem confortável e uma grande lareira na sua frente. Uma escrivaninha onde ele podia estudar e uma estante de livros. No canto esquerdo tinha uma pequena mesa, onde Draco faria suas refeições. Perto dela, havia uma cadeira de alimentação para bebês.
O próximo cômodo era o quarto de Draco. Havia uma enorme cama de casal e um armário.
Do lado, estava o quarto de Harry. Era todo enfeitado nas cores vermelho e dourado. O loiro revirou os olhos. Péssima decoração. Mas na verdade, o quarto era bem adorável. Vários pomos de ouro de brinquedo flutuavam no ar. Eles eram a fonte de iluminação. Um berço ficava no canto esquerdo, e no direito um armário com um trocador em cima. No resto do quarto, estavam distribuídos vários brinquedos. Harry ia amar.
O loiro olhou para o bebê que ainda descansava no carrinho. Não sabia se devia tirá-lo dali. O garoto podia acordar e não dormir mais. Mas ele estava com fome. Draco não sabia o que fazer.
Depois de pensar um pouco, resolveu deixar Harry dormir pelo tempo que quisesse. Iria acordar se estivesse com fome... Não é?
Draco foi até o banheiro e ficou contente de ver uma banheira. Ia adorar passar longos minutos ali. Se Harry deixasse. Havia uma banheirinha para criança e vários produtos também. O loiro cheirou alguns e resolveu que eram ótimos. Pela primeira vez na vida, Harry Potter ia andar arrumado. Draco ia vesti-lo com as melhores roupinhas, e ia arrumar seu cabelo todo dia.
Meia hora depois, o sonserino escutou Harry chorar e levantou de sua cama. Tinha conseguido tirar um cochilo, graças a Merlin! Ia precisar de toda sua energia! Draco tinha levado o carrinho para seu quarto, então tirou Harry de lá e o levou para sala. Estava quase na hora do almoço e o moreninho devia estar faminto! Quando chegou no cômodo, o loiro ficou aliviada em ver que a comida estava servida.
Ele colocou Harry na cadeirinha, e o grifinório começou a balbuciar coisas estranhas.
- Dadadadadadadada
- Eu não faço ideia do que você está falando, Potter - Draco murmurou
- Dadada!
Draco suspirou. Harry estava batendo as mãozinhos em cima da mesa de sua cadeira. Ele segurou as mãos do moreno e colocou o prato com a papinha na frente dele. O garoto soltou uma gargalhada e Draco sorriu para ele.
- Você está com fome, não é? Não se preocupe, eu vou cuidar de você.
O loiro pegou a colher, encheu de comida e colocou na boca de Harry. Depois de repetir o movimento três vezes, ele já estava relaxado. Isso era super fácil!
Na próxima tentativa, Harry aceitou a comida mas a cuspiu logo em seguida. Draco olhou para a roupa suja do menino, sem acreditar no que estava vendo. Pegou um pano e a limpou. Tentou novamente colocar a comida na boca dele, mas o moreno não quis comer.
- Ah vamos lá! Você ainda deve estar com fome! Não comeu nada! - Harry ainda não aceitou a comida - Potter! Por favor, só mais um pouquinho!
Draco tentou novamente e para seu aliviou, Harry aceitou. Mas quase instantaneamente, ele cuspiu de novo e sujou a manga longa da camisa do loiro. O sonserino largou a colher no prato e levantou irritado. Aquela era uma de suas camisas favoritas!
- Tudo bem! Se você não quer, não coma!
Com isso, Harry começou a chorar.
- Dadadadadadada
- Não adianta, você não vai me dobrar!
O moreno olhou para Draco, com os olhos suplicantes e fez um beicinho.
- Dadadadada - ele não parava de chorar.
Draco respirou fundo e se sentou na frente de Harry novamente.
- Me desculpa - ele murmurou.
Passou a mão pelo cabelo macio e preto do bebê.
- Prometo ter mais paciência, ok? Não chore, por favor.
O garotinho parou de chorar, mas continuou fazendo beiço.
- Olha só o trêmzinho! É o expresso de hogwarts! PIUÍ!
Draco levou a colher para a boca de Harry, que parecia encantado com o trêmzinho. Ele já tinha parado de chorar, e aceitou a comida. Depois disso, o loiro conseguiu alimentá-lo sem mais problemas. Iria negar para qualquer um que um dia imitara um trêm para alimentar uma criança.
Quando terminaram, ele tirou Harry da cadeirinha e resolveu dar um banho nele. O garotinho estava imundo! Ele foi até o banheiro e enquanto carregava Harry, ligou a água e encheu a pequena banheira. Isso levou o dobro de tempo pois não podia soltar o menino. Quando tentara colocar Harry no carrinho, ele segurou seu cabelo e não quis soltar.
Draco tirou a roupinha de Harry e descobriu que precisava limpá-lo antes de dar banho. Tinha esquecido de trocar a fralda mais cedo. Não podia cometer esse tipo de erro novamente, senão Harry ia ficar assado por culpa dele. Prometendo para si mesmo que iria fazer um trabalho melhor, ele colocou o moreno dentro da banheira.
A hora do banho foi tranquila. Draco colocou brinquedinhos na água e Harry se divertiu muito. O garoto era tão lindo! Tudo que o sonserino queria fazer era abraçá-lo e nunca mais soltar!
Depois disso, Harry e Draco passaram o dia brincando. No meio da tarde, o moreno tirou uma soneca e Draco ficou muito aliviado. Ele usou o tempo livre para fazer sua lição de casa e ficou contente ao perceber que a bagunça feita pelos dois tinha sido arrumada magicamente. Antes que pudesse terminar sua última tarefa, Harry já estava acordado novamente e pronto para brincar.
A noite, Draco percebeu que teria que dar outro banho em Harry. Depois, ele o alimentou com uma mamadeira e o garoto caiu no sono rapidamente. O loiro colocou o bebê no berço e o observou dormir por alguns segundos. Exausto, resolveu dormir também.
oOoOoOoOoOo
Draco não conseguia dormir. Não depois da guerra. Eram raras as noites em que descansava. Ele rolou na cama por vários minutos até decidir que deveria checar como Harry estava. O grifinório dormia com a boquinha aberta, e uma poça de baba se formava em seu travesseiro. Era lindo. Draco queria ficar olhando para sempre.
Com isso em mente, o loiro enfeitiçou o berço para que ficasse mais leve, e o levitou até seu próprio quarto. Colocando-o do lado de sua cama, Draco se deitou, e depois de uns minutos observando o rostinho de Harry, ele finalmente conseguiu dormir. Nem mesmo percebeu que não comera quase nada durante o dia e não teve tempo de tomar banho.
