ATENÇÃO! ESSA NOTA NÃO FAZ PARTE DA FIC.
Você pode muito bem continuar a sua leitura sem esse blablablá!
N/A: Uma curiosidade sobre o mundo de Erde.
No mundo de Erde não há a consciência das horas como nós conhecemos. Entretanto, os habitantes de cada região possuem táticas para definirem o horário do dia. Em Utara, há três estações. O Semestre do Sol, o Trimestre das Chuvas e o Trimestre das Flores.
No caso dos Utaranos, eles definem as horas do sol de acordo com a posição dos pinos. Cada província de Utara possui em sua praça central, três relógios de sol, cada relógio representa uma estação. No semestre do Sol, são 14 pinos de sombra. No Trimestre das Chuvas, nos poucos dias em que os raios de sol conseguem atravessar as nuvens, são aproximadamente 12 pinos. No Trimestre das Flores, são 8 pinos.
A noite, como não é utilizada para trabalho, não foi criada uma forma de controle de tempo pelos Utaranos. Entretanto, desde pequenos os habitantes são ensinados a observar como a altura de cada fase da lua principal, Mond, podem definir se a manhã está ou não próxima de chegar.
~~ É A PARTIR DE AGORA QUE COMEÇA O CAPÍTULO ~~
Havia passado aproximadamente um pino de sombra desde que Illie caíra no mundo dos sonhos.
O sol estava no seu ponto mais forte, já deveria estar próximo do 9° pino.
- É melhor eu voltar. – disse para si mesma. Illie, ainda sentada, pegou a gaiolinha de seu pássaro. Entretanto, a gaiola estava com a porta aberta.
E vazia.
- Ai merda, eu devo ter esquecido de fechar antes de pegar no sono. – Ela ficou de joelhos e começou a tatear cuidadosamente a grama, estava com receio de machucar o seu amigo. – Onde você está passarinho?
Depois de ter analisado completamente o perímetro próximo a árvore, Illie sentiu um aperto em seu coração. Alguma coisa lhe dizia que o amigo estava próximo a floresta de Robus.
Seguindo os seus instintos, Illie começou a engatinhar em direção a floresta. Olhava atenciosamente para baixo, em busca de alguma pequena pena negra, farelo de pão, qualquer pista que lhe indicasse que o seu amiguinho estava por perto.
Passou-se pouco tempo desde que Illie começara a engatinhar, entretanto, sua pele já estava bastante castigada pelo Sol, e a fadiga já estava tomando conta de seu corpo. Contudo, para a alegria de seu coração, ela finalmente encontrou uma pena negra.
Ela se ajoelhou, e observou se a pena realmente pertencia ao amigo. Era realmente dele. Entretanto, a poucos metros donde ela se encontrava, um homem, nu e com o braço direito extremamente ferido, andava lentamente em direção a floresta.
- Ei! Você! – Illie gritou para o homem. Ele parou. Ela foi andando em sua direção.
O homem continuava de costas e não soltou nenhuma palavra. Quando Illie estava a apenas um metro de distância do desconhecido, ela observou o estado de seu braço.
O braço do homem estava completamente coberto por uma casca que mais se assemelhava as casquinhas de feridas. Em vários locais do braço havia pequenas erupções. O antebraço estava extremamente inchado, parecia que fora completamente deslocado.
- Por favor, espere. – Illie se esquecera completamente do pássaro - Irei trazer algumas roupas para o senhor. Você poderia esperar?
O homem continuou imóvel e em silêncio.
- Se sim, por favor, faça algum sinal com o seu braço esquerdo.
O homem vagarosamente levantou o braço esquerdo.
- Eu já volto!
Illie saiu em disparada em rumo a sua casa. Ao chegar em casa, a mãe ainda não saíra do quarto e tampouco o seu irmão havia retornado.
Ela foi até o quarto de Isack e pegou uma calça, uma blusa e um par de botas. Antes de sair de casa, pegara na cozinha e em seu quarto alguns itens, e montara um pequeno kit de primeiros socorros.
Como ela não conseguia carregar tudo, então decidiu calçar as botas do irmão. Colocara as roupas embaixo de seu braço esquerdo e a cestinha do kit ela carregava com a mão direita.
Como não conseguia correr devido o tamanho das botas, tentava andar o mais rápido que conseguia até onde estava o estranho.
Ele continuava do mesmo jeito em que Illie o encontrou. Em pé e de costas. Nos seus estudos, Illie e nem as outras meninas puderam ver a olho nu o corpo dos homens em sua totalidade. As partes íntimas eram estudadas através de desenhos, ou em simples comparações com alguns animais.
- Você consegue vestir sozinho as calças? - Ela perguntou.
O homem levantou o braço esquerdo.
Ela deixou a cestinha na grama, e deixou a blusa em cima da cestinha. Aproximou-se ainda mais do desconhecido, e fez com que a calça encostasse na mão esquerda dele.
Ele pegou a calça e muito lentamente, vestiu-a. O homem tomava todo o cuidado para que o braço direito não fizesse nenhum movimento. Illie estava impressionada com o equilíbrio que esse homem possuía.
- Posso ajudá-lo a vestir a blusa?
O homem ficou imóvel.
Illie foi buscar a blusa. A blusa era da cor branca e possuía alguns detalhes em azul, era feita de um tecido bastante leve e possuía mangas compridas. Ela abriu a cestinha e retirou uma rústica tesoura, entretanto, bastante afiada. Ela retirou a manga direta da blusa, e cortou em linha reta a partir do início do buraco que ficara na antiga manga, até o final da blusa.
Ela levou a nova blusa até onde estava o homem e ficou de frente para ele, no entanto, contrariando as vontades dele, ela vagarosamente começou a vesti-lo.
- Você não deveria ser tão orgulhoso. Jamais iria conseguir vestir essa blusa com esse braço. – Ela conseguiu vesti-lo sem que o braço direito fizesse qualquer movimento. Em seguida voltara para a cestinha e pegara uma agulha, linha e a tesoura. Ela costurou a abertura que fizera na blusa para que o braço direito encaixa-se na roupa.
Illie descalçou as botas, o homem entendeu que o calçado era para ele.
- Eu vou pegar algumas ataduras, aguardente e ervas para o seu ferimento. Tenha mais um pouco de paciência.
- Eles não funcionarão em mim. – O homem finalmente respondeu, a voz do homem era grave, tinha o tom levemente de baixo, era extremamente marcante. – Obrigado pelas roupas. És uma menina muito gentil.
Illie finalmente pode prestar atenção no homem. Ele era alto como o seu irmão, e parecia um pouco mais novo que Isack. A pele, apesar de já estar bem queimada devido ao Sol, provavelmente era tão branca quanto a dela. Ele possuía densos e lisos cabelos negros, que se encontravam na altura do pescoço. A franja dele impossibilitava Illie de descobrir a cor de seus olhos.
- Mais adiante, a floresta que o senhor se dirige é a de Robus. – Ela falou em um tom de aviso.
- Eu sei. Novamente, muito obrigado pelas roupas. Agora tenho que continuar o meu caminho.
- O senhor sabe que em Robus há uma grande quantidade de miesnys, não sabe?
O homem hesitou. Alguma coisa em Illie dizia que o homem já sabia das miesnys em Robus e que essa hesitação não era apenas cautela com a floresta. O homem tinha medo de que Illie descobrisse alguma coisa.
- Tenho certeza que o senhor está com bastante fadiga. – disse Illie. – Em poucos pinos, o sol irá se por, e hoje a noite será completamente escura, não conseguirás caminhar pela floresta apenas com a luz das estrelas. O senhor diz que os meus cuidados não irão lhe surtir efeito, mas uma boa noite de sono e um farto prato de sopa irão lhe dar energia para que continue com a sua jornada. Não deixarei que o senhor passe por Robus sem que aceite o meu convite.
- No estado em que eu me encontro, creio que não posso lhe enfrentar, mesmo que seja apenas uma menina. - O estranho falava com um tom de amargura em sua voz - Eu sou obrigado a aceitar o seu convite.
- O meu nome é Illie. Qual o seu?
- Cael.
- Que nome esquisito ! – Illie soltou um risinho, mas Cael permaneceu calado, deixando Illie ruborizada pelo seu constrangimento.
Então lentamente, os dois andaram até a casa de Illie. Ao chegar lá, ela cedeu o seu quarto, o único que ficava no térreo, para Cael. Ele logo adormeceu. Enquanto Cael dormia, Illie foi checar se a mãe havia comido a sopa ou o pedaço de pão, mas ambos estavam intocáveis.
A noite já havia chegado a algum tempo e Isack ainda não havia retornado. Tampouco Marie havia saído de seu quarto. Illie recém terminara de fazer o jantar. Ela encheu dois pratos com a sua nutritiva sopa e foi jantar no quarto com Cael.
Cael devorava forazmente aquela sopa, Illie nunca vira alguém comer com tanto gosto a sua comida. Ele pediu para repetir duas vezes, enquanto que ela ainda não havia terminado nem a primeira metade.
- Você por acaso, não viu um passarinho preto com uma asa machucada, andando em direção a floresta de Robus? – Cael recém havia terminado o seu último prato de sopa quando Illie lhe fez a pergunta.
- Não... – o calor do lampião fazia brotar gotículas de suor em seu rosto. Ele passou a mão pela sua testa, retirando a franja do lugar e revelando os seus olhos ameaçadores. Havia um tom de hesitação em sua voz. – Eu não o vi.
