— Posso pensar em um lugar onde a senhorita poderia ser mais útil.
O calor invadiu o rosto de Bella, mas ela se recusou a recuar.
— E onde seria isso, milorde?
— Em minha cama .
Capítulo – 2
Por um momento, tudo o que ela pode fazer foi olhar para o Duque. Ele pretendia choca-la, faze-la sair correndo. Essa devia ser a explicação. Respirou fundo, antes de responder.
— Duvido que o senhor saiba o meu primeiro nome, milorde.
— Claro que sei, mas isso não significa nada, Isabella Marie.
A voz grave falando seu nome com suave intimidade a fez arrepiar-se. Não era surpresa que ele tivesse aquela devastadora reputação com as mulheres.
— Estou surpresa, admito — ela retrucou, tentando manter a calma — mas creio que o senhor me pediu uma proposta detalhando meus planos para o trabalho voluntario. Vou lhe entregar isso, e nada mais.
Ele sorriu, a expressão deliciosamente bonita, exceto pelos olhos, que continuavam cínicos.
— Veremos. Não tem que comparecer a algum circulo de bordado ou algo assim?
Bella sentiu vontade de mostrar a língua para o Duque, mas ele seria capaz de maliciar o gesto. E, afinal, o que ela estava fazendo ali em um corredor deserto, conversando com o Duque de Masen?
— Tenha um bom dia, milorde.
— Adeus.
Ele a observou sair antes de voltar a sala de reuniões para pegar seu casaco e chapéu.
— Milorde, o senhor deseja algo mais? — a governanta indagou.
— Não. Não que a senhora tenha, de fato, feito alguma coisa — ele respondeu,vestindo o casaco.
— Como?
— Aquelas crianças que estavam ha pouco por aqui não deveriam estar fazendo alguma coisa útil?
— Não posso estar em todos os lugares ao mesmo tempo, milorde.
— Então poderia se ocupar das visitas indesejáveis.
— E o que estou fazendo — a mulher murmurou.
Ele fingiu não ter ouvido o insulto da desagradável mulher. Não podia culpa-la.
Todos no orfanato, incluindo os curadores, queriam vê-lo ali o mínimo possível. A única pessoa que gostava menos daquele lugar era ele próprio.
Saiu do prédio e, enquanto esperava que sua carruagem se aproximasse da entrada, viu o coche dos Swan virando a esquina e sumindo de vista. Isabella hesitara em partir, mesmo depois que ele a mandara embora. Interessante, ele pensou.
Mesmo ela sendo atraente, Saint sugerira que fossem para a cama apenas para assusta-la e faze-la sair dali. Isabella era angelical demais para seu gosto. Ainda assim, a jovem tinha lindos olhos, que se arregalaram de forma graciosa quando ele a insultara.
Sorriu de leve ao entrar na carruagem. Sem duvida, aqueles lindos olhos jamais se voltariam novamente em sua direção.
Graças a Lúcifer!
Ele já tinha muita coisa com que lidar sem que um anjo de cabeça vazia cruzasse seu caminho.
Tanya, lady Denali, sabia como cumprimentar.
— Por favor, tire sua mão de dentro de minhas calcas — Saint murmurou, olhando para a porta semiaberta.
— Não foi isso o que você disse na outra noite. — A viscondessa prosseguiu com a caricia
— Isso foi antes de eu descobrir que contou ao seu marido sobre nossas pequenas distrações. Eu a avisei antes, não quero me envolver nas suas brigas domesticas.
A viscondessa puxou a mão.
— Foi por isso que quis me ver em particular? — ela perguntou, estreitando os olhos. — Para se livrar de mim?
— Não esta surpresa,Tanya. Não precisa fingir. —- Ele deu um passo para trás. — E nenhum de nos sabe chorar. Portanto, boa noite.
Lady Denali suspirou.
— Você não tem nada semelhante a um coração, não é?
Saint riu.
— Não.
Verificando rapidamente se o corredor estava deserto, Saint saiu da biblioteca de lorde Hanson e voltou ao salão de baile. Sabia que Tanya não faria objeção alguma, e tudo o que ele queria agora era ficar longe de lorde Denali por alguns dias, ate que a viscondessa encontrasse outro amante. O velho Denali era capaz de querer um duelo,e Tanya Denali não merecia que ele lhe fizesse um favor, livrando-a do marido.
A maioria dos convidados já chegara ao salão de baile, e os jantares de lady Hanson tinham a merecida fama de ser excepcionais, mas ele não tinha intenção alguma de ficar.
Seguiu para o vestíbulo e, quase na saída, deteve-se quando uma jovem vestida de seda azul bloqueou seu caminho.
— Lorde Masen— a disse, fazendo uma de suas reverencias perfeitas.
Saint sentiu-se inesperadamente excitado.
— Isabella — ele disse, usando de propósito o primeiro nome dela, surpreso com a reação de seu corpo diante da moça.
— Eu gostaria que marcássemos outra reunião, milorde — ela disse, com os olhos fixos nos dele.
Interessante. Ele não conhecia muita gente, homem ou mulher, que o encarasse.
— Não.
Um leve rubor cobriu o rosto de Isabella.
— O senhor disse que não me aceitava como voluntaria porque eu não tinha um plano. Estou trabalhando em um, e gostaria que me permitisse apresenta-lo.
Saint a fitou por um longo momento. Seria fácil dispensa-la. Contudo, ela parecia menos tola do que ele esperara, e ele andava entediado demais nos últimos tempos.
Alguma distração valeria um pequeno esforço de sua parte.
— Muito bem. Encontraremos-nos outra vez na próxima sexta-feira.
Os lábios suaves de Isabella se entreabriram, e então se fecharam.
— Obrigada.
— Devo anotar a data para a senhorita, para ter certeza de que vai se lembrar?
O rubor se intensificou.
— Isso não será necessário.
— Ótimo.
— Eu... tenho outro pedido, milorde. Ele cruzou os braços.
— Estou esperando.
— Eu insisto em visitar o orfanato primeiro, para averiguar do que as crianças precisam. Só assim posso ter certeza de que minha presença realmente as beneficiaria de alguma forma.
— E a senhorita já falou sobre isso com os outros membros do conselho?
— Não. Como disse que era o presidente, vim falar com o senhor.
O olhar de Saint se tornou mais especulativo.
— De fato, você veio.
Bella parecia se esquecer de respirar na presença daquele homem.
— E então, concorda?
— Eu também tenho uma condição — ele disse.
Oh, Deus! Agora ele ia fazer alguma observação insultante, como querer ir para a cama com ela ou algo assim.
— E qual e a sua condição, milorde?
— A senhorita será acompanhada durante toda a duração de sua visita.
Ela se surpreendeu.
— Concordo.
— E... — ele continuou, e um sorriso sensual surgiu em seus lábios — dançara uma valsa comigo.
— Uma... valsa, milorde?
— Sim.
Se ela pudesse fazê-lo esperar ate que concordasse com seu plano, talvez conseguisse evitar aquela dança.
— Já estou comprometida para todas as danças esta noite, mas claro, posso guardar uma valsa para o senhor nesta temporada.
— Hoje à noite. Agora.
— Mas eu já lhe disse, estou comprometida...
— A próxima valsa e minha, ou a senhorita vai se manter bem longe do orfanato.
— Muito bem — ela disse, endireitando os ombros. — Posso informar lorde Mayfew que deverei declinar do convite dele?
O olhar do duque se tornou indecifrável por um momento.
— Não, não pode. — Como se estivesse esperando a ordem dele, a valsa começou a ser tocada. Ele fez um gesto em direção ao salão. — Agora ou nunca, .
— Agora. Antes daquela noite, a coisa mais ousada e escandalosa que fizera fora usar as roupas de seu irmão em um baile de mascaras, e isso aconteceu quando ela tinha quinze anos. A mãe quase desmaiara. Isto agora provavelmente mataria Renee Swan.
O duque se dirigiu a pista de dança sem segurar-lhe a mão, sem duvida desejando que ela aproveitasse a oportunidade e fugisse. Bella se sentiu tentada.
Ao chegar a pista, ele a encarou e, com um suspiro, Bella aproximou-se. Saint a segurou pela cintura, puxando-a para bem perto, enquanto ela esperava que um raio a atingisse na cabeça.
Lorde Mayhew apareceu, mas sufocou qualquer protesto ao ver com quem ela estava. Masen apenas o fitou, e Mayhew deu as costas, saindo apressadamente.
— Oh, Deus... — ela murmurou. Talvez Alice e Rosalie estivessem certas, afinal. O cavalheirismo morrera. E Masen chutando pedras no tumulo.
— Mudou de ideia? — ele perguntou, tomando sua outra mão na dele.
De perto, ele cheirava a sabão de barbear e conhaque. Procurou manter o olhar preso na gravata, já que a proximidade era perturbadora. Cada historia escandalosa a respeito dele lhe passava pela mente. O que ela estava fazendo ali, abraçada ao Duque de Manse?
Com leveza, ele a conduziu na valsa. Nunca o vira dançar, mas não se surpreendia que o fizesse com elegância e graça. E sentia a forca sob o toque gentil. Bella não tinha duvida de que não conseguiria escapar, a não ser que ele permitisse.
— Olhe para mim — ele murmurou, a respiração em seus cabelos fazendo-a lembrar da conversa intima que ele tivera com lady Tanya.
Engolindo em seco, Bella levantou o rosto.
— O senhor e muito mau, sabia? Ele arqueou a sobrancelha.
— Ora, estou lhe dando o que me pediu, não e?
— Em troca de me humilhar.
— Apenas pedi uma valsa. Poderia ter pedido algo bem mais intimo.
Foi impossível para Bella não ficar vermelha. Talvez ele acabasse pensando que essa era a cor natural de sua pele.
— O senhor já fez isso, e eu recusei.
Masen riu. O som foi inesperado e caloroso.
— Compartilhar de minha cama foi uma sugestão, não um pedido. Uma sugestão muito boa, por sinal.
— Não, não foi. Nem mesmo gosto do senhor. Por que eu iria querer... que nos tornássemos íntimos?
Por um momento, ele pareceu surpreso.
— O que isso tem a ver com gostar de alguém? E o ato que da prazer.
Oh, Deus! Agora ela ia desmaiar. Discutir relações sexuais no meio de um salão de baile com o Duque de Masen equivalia a pedir para ser arruinada. Felizmente, ele mantinha a voz bem baixa, e ela esperava que ninguém estivesse escutando a conversa.
— Admito ignorar os detalhes do assunto — ela disse —, mas penso que o relacionamento entre duas pessoas seria bem mais... agradável se uma afeição genuína estivesse envolvida.
— Sua ingenuidade é realmente notável — ele murmurou —, e eu ficaria feliz em alivia-la dessa ignorância.
Os lábios dele roçaram sua orelha bem de leve, e Bella estremeceu. Ele esta apenas brincando comigo, disse a si mesma com desespero. Esta entediado, tentando se distrair.
— Pare com isso — ela ordenou, aborrecida por sua voz soar tremula.
A valsa terminou, e ele a soltou de imediato, antes que ela pudesse se afastar. Bella esperava outro comentário intimo e insultante, mas em vez disso Masen se curvou em uma elegante reverencia.
— A senhorita cumpriu a sua parte do acordo — ele disse, curvando os lábios em um leve sorriso. — Esteja no orfanato amanha às dez horas para se encontrar com seu acompanhante. Caso se atrase, perdera sua oportunidade.
Outra vez antes que ela pudesse reagir, ele se afastou, passando pelo meio dos convidados, que pareciam lhe abrir caminho.
Bella sentiu que precisava respirar ar puro. Seguiu para o terraço, percebendo que as pessoas faziam comentários e dirigiam a ela olhares curiosos. Não ouvia o que diziam, mas nem precisava. Sabia muito que essas conversas em nada beneficiariam o nome da Família Swan.
—Bella — uma voz feminina disse atrás dela.
— Alice .
— Por acaso enlouqueceu? — Ela exibia um sorriso para que ninguém percebesse que recriminava a amiga.
— Masen?
— Sabia que ele e o presidente do Conselho de Curadores do orfanato?
A amiga pareceu surpresa.
— Não, não sabia. Os pobrezinhos. Mas Bella, o que isso tem a ver com você dançar com o Duque?
— Quero trabalhar como voluntaria no orfanato — ela respondeu, imaginando como convenceria Alice da importância de seus planos quando ela mesma não entendia exatamente por que aquilo estava se tornando tão importante.
— Isso é... admirável.
— Não acredita que eu seja capaz de ajudar, não é? — As frustrações daquela noite tornaram sua voz mais dura do que pretendera.
— Não e isso — Alice apressou-se a dizer. — É que... se você decidiu como quer focar suas energias, existem outros orfanatos, e em regiões melhores, que não estão associados ao Duque. Pode escolher qualquer um.
—- Sim, eu sei. Mas escolhi esse lugar antes de saber a respeito dele. E acho que seria covardia virar as costas para os necessitados apenas porque um membro do conselho tem uma reputação ruim.
— Mesmo assim, isso não explica por que você estava valsando com ele.
— Oh, aquilo foi um acordo. Ele concordou em mandar alguém me mostrar o orfanato amanha, se eu dançasse com ele.
Alice não parecia convencida de que ela não tivesse perdido o juízo. Porem, boa amiga que era? apenas assentiu.
— Por favor, apenas se lembre de que Masen nunca faz nada de graça, nem em beneficio de ninguém.
A lembrança dos lábios do Duque em seu ouvido a fez estremecer.
— Sei disso, Alice. E, ao contrario da opinião masculina a meu respeito, não sou uma completa idiota.
— Bella, apenas tenha cuidado.
— Terei. Eu prometo.
Naquele instante, Jacob chamou-a.
— Isabella.
Fazendo um sinal para que Alice se afastasse, Bella imaginou se as pessoas precisavam ser idosas para sofrer uma apoplexia ou se poderia acontecer com qualquer um.
— Jacob. Ele a segurou pelo braço com um gesto que parecia afetuoso, mas que provavelmente deixaria um a marca.
— Estamos indo embora — avisou. — De todas as coisas estúpidas, imbecis...
— Mais uma palavra, e eu cairei no chão, desmaiada. Isso vai fazer você parecer muito malvado.
Com raiva, ele a largou.
— Continuaremos esta conversa em casa.
— Sem duvida. — Olhou por sobre o ombro do irmão, avistando seu salvador. —Mas agora, se não se importa, meu parceiro para a quadrilha esta esperando.
Jacob olhou para trás.
— McCarty, o visconde de McCarty, acenou para Jacob.
— Swan.
Lançando para ela um ultimo olhar de raiva, Jacob se afastou em direção aos seus mais recentes aliados políticos.
— Monstro — Bella resmungou.
— Espero que saiba que prefiro quebrar o pescoço a dançar uma quadrilha — Emmett falou, segurando-a pelo braço.
— Eu sei.
— Tenho ordens de leva-la ate Rosalie— ele disse suavemente, conduzindo-a por entre os convidados. — Ela quer repreende-la.
Todos parecem querer isso esta noite.
— E o que acha, milorde?
— Acho que, seja lá qual for o jogo de Saint, você provavelmente não vai desejar fazer parte dele.
— Pensei que fossem amigos. Ele deu de ombros.
— Costumávamos ser. Agora jogamos cartas de vez em quando.
— Por que todos o chamam de Saint?
— Bem, ele herdou o titulo de Masen aos seis ou sete anos. Imagino que "Saint" parecia mais adequado a uma criança do que "Duque de Masen". Agora, contudo,acho que ele deve achar isso... divertido, uma vez que seu comportamento e o mais distante possível do de um "santo".
O comentário de Emmett a surpreendeu um pouco, pois ele mesmo tivera sua fama de libertino ate se casar. Se ele sentia necessidade de alerta-la, era bom levar suas palavras a serio.
— Obrigada pelo aviso — ela disse, sorrindo —, mas lorde Masen e apenas um obstáculo ao inicio de um projeto meu. Em poucos dias, não terei razão alguma para voltar a vê-lo.
— Bem, ate la, não lhe de as costas.
Bella passou a manha seguinte organizando perguntas e enumerando aquilo que ela procuraria conhecer durante a visita ao orfanato. Felizmente, Jacob sairá cedo para uma de suas reuniões, deixando-a com um ultimo daqueles olhares que pareciam revelar sua surpresa ao vê-la respirando sem sua permissão. Por quanto mais tempo ela conseguisse retardar uma discussão sobre o incidente da valsa com o Duque, mais chances teria de o irmão acabar se esquecendo do episodio, especialmente se ele tivesse interesse que ela comparecesse a algum evento social.
Se Jacob descobrisse seus planos, ele a proibiria de sair de casa. Os únicos lugares aos quais ela podia ir sem uma acompanhante eram as casas de Alice, de Rosalie e de tia Houton.
Bella avisou o mordomo que estaria na casa da tia, já que parecia ser o lugar que menos suspeitas despertaria em Jacob. Era ridículo ter de mentir, quando tudo o que pretendia era fazer uma boa ação, mas não queria ver seus planos arruinados antes que tivesse a chance de coloca-los em pratica.
Quando Philip parou a carruagem diante do orfanato, Bella verificou os lápis, papeis e anotações, a fim de não parecer uma tola frente a sua acompanhante ou as crianças.
— Por favor, Philip, espere por mim — pediu. — Não creio que eu vá me demorar.
O cocheiro balançou a cabeça, concordando. — O transito entre a casa dos Swan e a de lorde e lady Houton e muito intenso — ele afirmou, fechando porta da carruagem.
Isabella sorriu com gratidão. Desde que Jacob voltara da índia, todos os criados vinham ajudando-a a escapar do irmão. Philip acabara de encontrar uma boa desculpa para justificar seu atraso para chegar à casa da tia.
Quando bateu a porta do orfanato, Bella lembrou-se de que o duque não dissera quem a acompanharia em sua visita ao orfanato. Esperava que não fosse aquela governanta horrorosa. Não conseguia pensar em ninguém pior.
A porta se abriu.
— Sim? — a governanta perguntou, o corpo enorme preenchendo todo o vão da porta.
— Tenho um encontro marcado esta manha... A mulher fez uma leve reverencia.
— Oh, e a . Por favor, entre. Esta sendo esperada, senhorita.
Bella passou pela mulher e entrou, não muito certa se deveria estar alarmada ou aliviada com a inesperada delicadeza da governanta. Porem, antes de chegar a uma conclusão, estremeceu ao identificar o homem encostado no corrimão da escada.
O Duque de Masen.
Queridos Leitores, vocês gostaram?
E esse irmão da bella? Ele definitivamente não é uma boa pessoa.
Comentem por favor, quero saber o que acham da historia.
