Naruto não me pertence... Mas sequestrei os personagens pra essa fic xD
Essa fic e todas que serão interligadas a ela são uma homenagem a escritora que adoçou minha vida com suas história, a saudosa Penny Jordan. 3
~*S2*~
Sasuke olhou para o relógio de pulso e respirou fundo. Por culpa do "lanche" feito por Hinata estava meia hora atrasado pela primeira vez desde que a Yoshiaki fora fundada. Por onde passava era seguido por olhares curiosos. Com certeza na hora do almoço seu atraso seria motivo de falatório.
Entrou no elevador e apertou o botão para o nono andar. No quinto as portas abriram e Temari, do setor de criação e irmã mais velha de Gaara, entrou. Quando ela removeu os olhos esverdeados da pilha de papéis que levava e os cravou sobre ele, Sasuke observou a sobrancelha fina se erguer com desprezo.
- Atrasado pela segunda vez em uma semana. – Disse a jovem de cabelo loiro dividido em quatro rabos-de-cavalo. - Pretende deixar a empresa nas costas do meu irmão?
Sem interesse na queixa infundada da Sabaku, Sasuke moveu a atenção para o visor de andares.
- Além de encher a cara e ter de ser escoltado até sua casa, agora vai me ignorar?
Alerta, Sasuke voltou a encarar Temari, dividido entre a vontade de saber mais detalhes da noite anterior e a de manter a posse inabalável. A segunda opção venceu.
- Não perco tempo com reclamações sem sentido.
- Sem sentido? – A ira na voz da Sabaku era palpável. – Sem motivo algum, você bateu em um dos meus amigos, e acha que minhas reclamações são sem sentido? Quem você pensa que é? – Vociferou contendo a vontade de arremessar os documentos no rosto arrogante.
- Presidente da Yoshiaki, ou seja, seu chefe. – Ele recordou, acrescentando insolente: - Portanto, não me incomode com bobagens.
- Seu merdinha prepotente. Meu irmão também manda nessa porcaria, e...
As portas se abriram no nono andar e, ignorando a furiosa Sabaku, Sasuke saiu do elevador sem olhar para trás.
Pelo menos o ataque da loira esclarecera um pouco da noite anterior, já que, a não ser pela chegada à festa e por alguns pedidos de bebida, não recordava de nada com clareza.
Apressou os passos até sua sala, parando estático na antessala, onde Sakura tinha de cuidar de seus afazeres. No entanto, sua secretária estava toda sorridente para um homem de cabelo loiro que não tinha noção do quanto Sasuke o desprezava: Uzumaki Naruto.
- Oi, teme! – Naruto cumprimentou ao notar sua presença.
A simples presença do Uzumaki em seu escritório teve o poder de irrita-lo, ouvir o apelido idiota que recebera dele no colegial só aumentou seu mau humor.
- O que faz aqui? – Questionou ignorando a saudação.
- Decidi resolver pessoalmente o contrato.
- Contrato?!
- Sim, pra Yoshiaki promover a nova linha da Namikaze Cosmetics.
Droga! Esquecera totalmente aquela proposta idiota.
- Infelizmente não podemos promover a Namikaze.
- Não?! – Naruto o encarou confuso. – Mas o Gaara disse que poderiam e até foi imprimir um contrato padrão para análise.
- O Gaara fez o quê?!
- Informei que ficaríamos imensamente felizes em ajudar o Naruto em seu projeto. – Respondeu Gaara ao sair de sua sala segurando o que Sasuke supôs ser o contrato.
- Temos diversos trabalhos que ocuparam nosso tempo por meses. – Sasuke refutou entredentes quando o sócio parou ao lado da mesa de Sakura.
- Nossa equipe é grande o suficiente para atender todos os clientes, incluindo a Namikaze. – O Sabaku contrapôs antes de se voltar para Naruto e entregar o documento. – Podemos marcar uma reunião com seus advogados para adequar os termos a necessidade da Namikaze.
Folheando, Naruto concordou.
Sasuke encarou o sócio com raiva, recebendo um olhar de indiferença.
- Podemos conversar em particular?
- Claro. Porém temos que acertar uma data para...
- Primeiro conversamos e depois decidimos, em conjunto, sobre esse contrato.
- Como preferir. – Gaara retrucou com olhar gélido. – Na minha sala ou na sua?
Sem responder, Sasuke caminhou com passos pesados para dentro de seu escritório, deixando a porta escancarada.
Calmamente, Gaara o seguiu.
- Não vamos de forma alguma trabalhar pra Namikaze. – Informou Sasuke depois de Gaara fechar a porta.
- Por quê?
- Porque eu não quero. - Os olhos do Sabaku se estreitaram com desagrado, mas Sasuke ignorou ao continuar: - Não deveria aceitar sem me consultar.
- E você pode rejeitar o que quiser sem me consultar, só porque você não quer.
- Sabe muito bem que não suporto o Uzumaki.
- O que sei é que Naruto apareceu hoje dizendo que você ficou de falar comigo ontem sobre promover um novo produto da Namikaze. O que obviamente você não fez. – Proferiu com desgosto. - O que sei é que o Naruto me convidou para o casamento dele e declarou, rindo satisfeito, que convidou você para ser seu padrinho. Agora pergunto: Que maldita desavença vocês tiveram que, aparentemente, o Naruto não tem conhecimento?
Sasuke ficou em silêncio e se voltou para a janela, ficando de costas para o Sabaku, que continuava a falar:
- Desde os treze anos nós três estudamos juntos. Por diversas vezes brigarmos como animais e trocamos xingamentos, mas sempre mantivemos a amizade. Porém, de uns anos pra cá, você se distanciou do Naruto e praticamente me obriga a escolher um lado.
- Que eu lembre nunca te proibi de ser amigo daquela ameba. Não me culpe por não manterem contato. – Sasuke resmungou sem se voltar. – E quem se afastou foi ele... Infelizmente não o suficiente. – Completou baixinho.
- O Naruto se afastou porque assumiu as empresas do pai. – Recordou o Sabaku, argumentando em seguida: - Não sou o tipo que liga pra manter contato, e tenho passado noite e dia trabalhando para que a Yoshiaki seja maior que a empresa do meu pai. Mas você que desculpa tem? Deve ter visto o Naruto muitas vezes nos últimos anos, até reclama disso. – Relembrou.
- Exatamente. Cansei de olhar para a cara daquele baka.
- Você nem consegue chama-lo pelo nome. – Criticou. - O quê Naruto te fez afinal?
- Isso não é da sua conta. – Respondeu Sasuke com agressividade. - Se quer trabalhar para o idiota do Uzumaki, tudo bem, o problema é seu.
Insatisfeito com o comportamento de Sasuke, Gaara decidiu que não valia a pena discutir com as paredes e saiu da sala.
Sozinho e enfurecido com a decisão do sócio, Sasuke jogou o corpo pesadamente em sua poltrona e abriu seu notebook para começar a trabalhar. Esperava que isso acalmasse seus nervos.
- Com licença Uchiha-sama. – Sakura evitou o olhar furioso de Sasuke e depositou na mesa um maço de folhas. – É do escritório do senhor Hatake. Ele precisa da sua assinatura em ambas as vias.
Sasuke puxou o documento enquanto Sakura se retirava com pressa. Leu as primeiras linhas. Pelo jeito o plano de Mikoto tivera uma falha.
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Cantarolando, Hinata estava satisfeita por manter a ordem, o que não era difícil uma vez que Sasuke não era do tipo bagunceiro e o apartamento era menor que a casa de sua antiga patroa.
Na noite anterior, antes do retorno de Sasuke, explorara cada cômodo. A sala de estar tinha dois sofás de três lugares, uma mesa de centro de vidro e um televisor enorme em uma das paredes. No canto dele havia um pequeno bar com duas banquetas. A sala de jantar era menor, com uma mesa de madeira e tampo de vidro para seis pessoas. O quarto principal era enorme, com closet, banheiro e uma varanda com área para o café-da-manhã. Os dois quartos de hospedes eram menores e tinham cama de casal. Hinata supôs que Sasuke pensara na possibilidade dos pais e o irmão passarem a noite ali. A lavanderia era pequena, porém bem equipada.
Decidiu que a cozinha era seu cômodo favorito no momento que passou pela porta de correr. Encantara-se com os armários embutidos, equipada com fogão, forno, coifa, lava louça e geladeira de duas portas. Toda vez que entrava no recinto não resistia a percorrer com uma mão a bancada de granito, imaginando todas as maravilhas que prepararia ali. Tinha imaginado cenas românticas ao visualizar duas banquetas junto à bancada. Ela preparando o jantar e Naruto a observando-a, provando o que colocasse a sua frente até o momento em que ela sentaria ao seu lado e comeriam juntos. Estava decidido: Teria uma cozinha semelhante após se casar.
A decoração em todos os cômodos era em tons neutros, o que combinava com a personalidade do dono do imóvel.
Do lado do quarto principal havia um pequeno escritório, com escrivaninha, poltronas confortáveis e estantes de livros que iam do chão ao teto. Foi o último recinto em que entrou para arrumar. Tomando cuidado em limpar sem tirar nada do local em que Sasuke deixara.
Terminava de limpar a escrivaninha quando não resistiu a pegar o único porta-retratos no local. A maioria das pessoas colocava do lado do computador uma foto da família, ou de alguém com quem estivesse se relacionando, Sasuke optara por uma foto do casamento do irmão mais velho. Observou os recém-casados, Itachi e Konan, transbordando alegria ao lado dos padrinhos. Do lado da noiva, o melhor amigo de Konan, Nagato, e a esposa Ame, e do lado do noivo, ela e Sasuke.
De todas as coisas que aconteceram no casamento, o que recordara ao ver a foto fora o que durante dias perturbara seus pensamentos: Uma conversa que tivera com Sasuke durante a valsa.
~*S2*~
Como madrinha tivera de dançar com Sasuke.
Ficara em silêncio quando a música começou e Sasuke lhe estendeu a mão. Por um segundo hesitou, porém, consciente de seu papel, aceitou sem que quase ninguém percebesse a tensão em cada fibra de seu corpo. Mas ele percebera e sorriu. Um inclinar de lábios que só piorara seu estado emocional.
Desde seus dez anos, Hinata ficará consciente de dois fatos. Primeiro: Sasuke não sorria com frequência para ela; Segundo: quando sorria era melhor correr. Mas, a menos que quisesse fazer uma cena no meio do grande salão de festas, era forçada a acompanha-lo torcendo mentalmente para não errar o passo que fora ensaiado durante duas semanas. Teria de ficar calma e, seja lá o que ele insinuasse, ser civilizada, evitando contar em voz alta o tempo de tortura que teria pela frente.
Em uma das voltas aproveitou para olhar em direção a mesa que Naruto estava. O namorado conversava com a mãe, Kushina, e com o primo de segundo grau, fruto do primeiro casamento de Konan. O garoto de quatorze anos parecia entediado.
- Chateada que o namoradinho não se importa onde e com quem está?
Surpresa, o fitou rapidamente e depois cravou o olhar no pomo-de-adão que se movia conforme o Uchiha continuava com voz desdenhosa:
- Esse namoro de hora marcada até que dura bastante. – O comentário mordaz não a abalou, mas conseguiu isso ao perguntar: - É algum tipo de fetiche ou penitência?
Respirou fundo e contou até dez em ordem regressiva. Precisava ficar calma, a música terminaria logo...
Sasuke a puxou para mais perto, o que fez seu nervosismo duplicar.
- Com encontros esporádicos, vocês conseguem transar? – Ele questionou perto de sua orelha.
O pânico fez seu corpo estremecer levemente. Havia alguma forma de dançar com o inimigo sem sair queimada? Provavelmente não quando o inimigo era Uchiha Sasuke.
- E-el... – Se forçou a responder com firmeza: – Ele me respeita...
- Respeita ou não se sente atraído? – Sasuke interrogou em um sussurro, o ar quente da boca dele roçando à pele sensível de sua orelha. – Vocês não parecem namorados. Ele praticamente não a toca ou beija em frente a outras pessoas.
Mesmo recordando a razão da discrição do namorado e até os seus motivos, a verdade contida naquele comentário a desestabilizou, levando-a a errar um passo. Sasuke sabia que feridas apertar.
- N-não pre-preciso... – Começou, mas apertou os lábios desejando encerrar o assunto. No entanto, Sasuke continuou a importuna-la:
- Não precisa ser desejada? É isso que pretende dizer? – Ficou em silêncio, ansiando pelo fim da valsa. – Você se nega algo tão básico. Não percebe que, se Naruto a desejasse de verdade, mesmo sem sexo, todos os sentidos dele ficariam em alerta perto de você. – Ele argumentou ignorando sua mudez e aparente desinteresse. - Inconscientemente os olhos dele buscariam quem os cativou, incapazes de se desviar por muito tempo; Os dedos formigariam de vontade de toca-la, mesmo que seja só para sentir o calor emanado por sua mão; A boca ficaria seca, querendo encontrar alívio nos seus lábios, ansiando conhecer o seu sabor mais íntimo; A audição ficaria mais aguçada quando estivesse perto. As palavras entrando em seus ouvidos como música, seduzindo-o a cada sílaba; E o que dizer do olfato? Ah! Ele ignoraria qualquer perfume e sentiria somente o cheiro da sua pele, antecipando como exalará após o sexo. – Os dedos fortes se fecharam com força em torno de sua mão. - É uma necessidade que não cessa. – Completou com voz baixa e arrastada. – Nunca cessa!
Sentiu a face em chamas e a pele em contato com a dele formigar. Tensa, tentou afastar o corpo, porém a mão de Sasuke em sua costa não lhe permitiu tanto quanto gostaria.
- Desejo não é amor... – Conseguiu retrucar em um fio de voz. - E não sou um objeto...
- Há apenas uma coisa errada no que disse.
Respirou profundamente, aguardando Sasuke dizer que ela era sim um objeto, afinal ele enxergava todas as mulheres como seres descartáveis.
- Num relacionamento íntimo o amor não sobrevive sem desejo. A zona de conforto só funciona quando não há paixão, Hina-chan. – Ele completou afastando o corpo. – Mas, porque estou perdendo tempo dizendo isso? Você nunca sentiu e nem sentirá isso enquanto continuar se escondendo atrás daquele imbecil.
O encarou em choque pelo olhar furioso do Uchiha. De onde vinha tanto ódio contra ela? Abriu a boca para revidar. Mas dizer o que? As palavras lhe faltaram. Ficou como um peixe abrindo e fechando a boca para que algo saísse. Ineficaz e pareceu aumentar a antipatia do Uchiha, cujo olhar tornava-se cada vez mais sombrio e hostil.
De repente ele fixou a atenção em um ponto acima de seu ombro e sorriu. Um sorriso que só dedicava a outras mulheres.
- Finalmente os alcancei.
Virou a cabeça e viu Itachi e Konan ao lado. Não notara que se aproximavam deles.
- Pode trocar de parceira comigo? – Sasuke pediu ao irmão. - Quero ter a honra de dançar com a belíssima noiva.
- Uma dança. – Itachi ordenou após um breve silêncio.
Após ser passada para Itachi, Hinata observou Sasuke segurar Konan suavemente pela cintura e, ainda sorrindo, bailar pelo salão enquanto conversavam. Pela expressão da noiva supôs que a conversa era mais agradável do que a que tivera com ele.
Retornou à atenção para Itachi, querendo felicita-lo, porém o Uchiha mais velho não tirava os olhos da noiva e até mesmo se movimentava de forma a não perdê-la de vista.
As palavras de Sasuke voltaram a sua mente, encontrando eco na atitude de Itachi. Todos os sentidos dele estavam alertas a Konan.
Olhou na direção em que o namorado estava, mas a cadeira que ele ocupava estava vazia. Ao fim da dança foi até a mesa ocupada pelos Uzumaki, onde somente estavam Kushina, o filho de Konan, Pain, Nagato e sua esposa.
- E o Naruto...?
- Recebeu um telefonema da empresa e teve de partir. – Kushina respondeu a piedade reluzindo nas íris azul petróleo. - Disse que você entenderia.
Sim, sempre entendia que a prioridade, por enquanto, era da empresa. Porém, isso não diminuiu a dor que oprimiu seu coração ao relembrar o discurso de Sasuke.
~*S2*~
Devolveu o retrato ao seu lugar e suspirou profundamente. Não deixaria que a dúvida que Sasuke jogara sobre si criasse raízes, logo seria esposa de Naruto. Se isso não provava o quanto ele a amava, duvidava que a cama provasse.
Além disso, Sasuke jamais tivera um romance sério que passasse de poucas semanas, não podia afirmar o que não conhecia. O que dissera com toda certeza fora uma maneira de constrangê-la. Recordar aquele incidente não a levaria a nada, Sasuke não compreenderia os motivos que Naruto e ela tinham para aguardar o momento certo, que, obviamente, seria após o casamento.
Tremeu levemente ao pensar na noite de núpcias. Sendo o bruto arrogante que era, Sasuke seria incapaz de oferecer o espaço que precisava ou a respeitaria como Naruto. Afastou aquele pensamento inconveniente e absurdo.
O som da campainha a fez retirar as luvas e o avental, colocar o trabalho de lado e seguir apressada em direção à entrada.
Pelo olho mágico viu se tratar de Mikoto. Ajeitou a roupa, abriu a porta e não se surpreendeu ao ter os ombros imobilizados pelo abraço da Uchiha.
- O que está fazendo? – A Uchiha perguntou após encerrar o abraço pra permitir que Hinata trancasse a porta.
- Terminava de arrumar o escritório. – Respondeu com um sorriso gentil.
- Não precisa limpar nada. Deixe tudo nas mãos da diarista. – Mikoto sentenciou e, segurando a mão direita da Hyuuga, completou carinhosa: - Você só tem que verificar tudo e garantir que a vida do meu filho seja perfeita.
Duvidando que sua presença naquele apartamento influenciasse Sasuke, Hinata assentiu com insegurança.
De repente teve a mão puxada bruscamente até a altura dos olhos negros da Uchiha.
- O que é isso?
- O Naruto me pediu em casamento. – Contou transbordando de alegria. – Pretendemos comunicar o meu pai no fim de semana. Pode guardar segredo até lá?
- Oh, claro! – Mikoto concordou ao parar de apreciar o solitário e analisar a face feliz de Hinata. – Já escolheram a data?
- Não decidimos o dia, mas Naruto quer que seja daqui quatro meses.
- Tão rápido?
- Depois de tanto tempo juntos, queria que fosse hoje. – Comentou sem conseguir segurar uma risadinha de felicidade. – Mas Naruto quer que ocorra após o lançamento do novo produto que a Namikaze lançará.
- Compreendo.
Notando o semblante sério da Uchiha, Hinata se apressou a garantir:
- Ficarei aqui até o casamento... Depois terei de sair...
- Não precisa se justificar, querida. – Os lábios da Uchiha se inclinaram em um pequeno sorriso. – Sua felicidade é o que importa.
- Obrigada!
Mikoto a puxou em direção ao sofá. Sentou e, como não soltou a mão de Hinata, a forçou a fazer o mesmo.
- Como foi seu primeiro dia?
Queria ter coragem para dizer que Sasuke a ameaçara na noite anterior e fora grosseiro pela manhã. No entanto, reclamar não adiantaria, e nem fazia parte de sua personalidade, então sua resposta foi curta e mentirosa:
- Excelente.
Mikoto inclinou a cabeça e a fitou intensamente. Parecia querer ler sua mente em busca da verdade. Para seu alivio, após alguns segundos incômodos, ela sorriu condescendente.
- Confesso que receei que suplicasse para sair do emprego.
Hinata apertou os lábios, temendo que um "Quero sair" escapulisse.
Mikoto soltou uma risadinha, como se soubesse o que se passava em seu pensamento naquele momento. Não resistiu e riu também.
- Ah, querida, você herdou o coração puro e leal de sua mãe. – Mikoto murmurou nostálgica. – Por isso confio que cuidará bem do meu filho. – Comentou levando uma mão para acariciar a face de Hinata.
- Não acredito que conseguirei... Sasuke é... – Procurou a palavra certa, mas todas pareciam ofensivas.
- Intolerante, presunçoso, terrível? – A Uchiha questionou divertida com a hesitação da jovem. – Posso enumerar muitos outros defeitos para que escolha.
Hinata considerava "terrível" a característica mais marcante de Sasuke, porém não verbalizou, afinal, ele era seu patrão. Optou por mudar de assunto.
- A diarista chega a que horas?
Mikoto franziu o cenho.
- Não está aqui? – Olhou ao redor. – Pensei que estivesse ajudando-a.
Hinata suspirou e negou que houvesse mais alguém na casa. Conhecendo a implicância do Uchiha, deduziu que - fosse para irrita-la ou só mostrar seu poder - houvesse demitido a diarista. Mas, novamente, guardou seus pensamentos.
- Já sei! Vamos a empresa saber o que houve. – Decidiu Mikoto agarrando sua mão e arrastando-a em direção a porta.
Hinata tentou para-la, temendo que a Uchiha confrontasse o filho no trabalho. A última coisa que queria era entrar em conflito com Sasuke.
- Posso cuidar de tudo sozinha.
- Claro que pode. – Concordou Mikoto. - Porém não há necessidade.
Sabendo que nada podia fazer para impedir a Uchiha, Hinata foi pegar sua bolsa para acompanha-la. Só esperava que Sasuke não se zangasse.
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Ao ser informado por Sakura que Mikoto e Hinata estavam no prédio, Sasuke as deixou entrar em seu escritório.
- Bom dia, bebê! – Cumprimentou Mikoto abraçando-o.
Odiava quando sua mãe o chamava assim, mas reclamar não adiantaria de nada.
- É bom vê-la também, kaasan. – Afastou o corpo, colocando fim ao abraço. - Precisava mesmo conversar com você.
- Sobre o que?
Sasuke olhou em direção a governanta. Ela permanecia muda ao lado da porta, as mãos unidas em frente ao corpo e os olhos abaixados. A submissão em pessoa.
- Hyuuga, faça um café para mim. – Hinata ergueu o olhar surpresa. – Peça para Sakura te mostrar a copa.
Ela assentiu e saiu apressada.
Quando a porta se fechou, com uma delicadeza que contrastava com a rapidez que a jovem saíra, Mikoto se voltou para o filho.
- Hinata não é funcionaria da sua empresa.
Sasuke deu de ombros, caminhou com passos decididos até sua mesa e sentou, indicando com a mão a cadeira a sua frente para que sua mãe sentasse.
Notando a expressão compenetrada do filho, Mikoto sentou e aguardou. Estava ali para falar, mas podia perceber que o caçula também tinha algo a dizer.
- Kakashi me enviou os papéis da contratação da Hinata. – Deslizou o documento sobre a mesa até chegar às mãos de Mikoto.
Sem compreender, ela olhou para o papel e depois para o filho.
- Algo errado?
Percebendo que ela não notara a falha em seu plano, Sasuke riu internamente. Amava Mikoto, mas as artimanhas dela sempre o irritava. Pegou o contrato, abriu na parte de assinaturas e recolocou em frente a ela.
- Como vê, precisa da minha assinatura para ser válido.
Mikoto agarrou o contrato, olhando para o espaço vazio.
- Sempre contratei os empregados da mansão e nunca tive problema...
- Contratou no nome do papai, que deixou uma procuração para isso. Mas Kakashi colocou o contrato em meu nome.
Mikoto levou a mão à fronte. Em sua ansiedade esquecera-se de pegar a assinatura de Sasuke. Se tivesse feito isso Sasuke assinaria sem pensar, mas agora...
- Não pode demitir a pobrezinha. – Disse erguendo os olhos suplicantes. - Ela é uma boa garota e lhe fará bem.
O silêncio de Sasuke a preocupou.
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Levada por Sakura a pequena copa, Hinata pegou tudo o que precisaria para fazer o café, enquanto respondia distraída às indagações da rósea.
- Você morava na mansão Uchiha?
- Nasci e fui criada na mansão. Meu pai é motorista deles e minha kaasan... – Deixou a colher de café suspensa acima do coador ao recordar da mãe. Com um suspiro despejou o pó ao continuar: – Minha falecida kaasan era a melhor amiga da dona Mikoto e também trabalhava como governanta na mansão.
- Melhor amiga?
Hinata assentiu enquanto ligava a cafeteira.
- Elas se conheceram em um orfanato de freiras na Inglaterra. Anos depois, Mikoto e a contratou para ser governanta na mansão Uchiha. – Resumiu, sorrindo ao completar: – Foi assim que meus pais se conheceram.
- E agora você é governanta do Sasuke-sama. – Sakura riu. – Juro que pensei que Mikoto contrataria uma velha para controlar o filho... – Calou-se. Os olhos esverdeados analisaram Hinata de cima a baixo, reparando pela primeira vez no cabelo longo, preso por uma fita, e na franja espessa quase cobrindo os olhos. As roupas, uma saia longa, camisa branca de gola alta e terninho, ambos acinzentados, eram sérias demais para alguém que parecia ter a sua idade. Não era velha, mas a aparência combinava com o que imaginara quando Sasuke dissera que Mikoto contrataria a governanta.
- Controlar o senhor Sasuke não é minha função. – Ouviu Hinata murmurar enquanto despejava o café em uma xícara e a ajeitava no centro da bandeja pequena de madeira.
- Posso levar. – Ofereceu Sakura.
- Não precisa. – Hinata proferiu com um sorriso, temerosa de que se outra pessoa levasse o pedido Sasuke não gostasse.
Foi acompanhada por Sakura de volta ao escritório, deixando que ela abrisse a porta para que entrassem.
- Finalmente! Pela demora pensei que se perdera.
Ignorou a bronca, segurou a vontade de contestar que tivera de fazer outro, por ter certeza que o que estava na cafeteira antes não o agradaria, e pousou a xícara em frente ao Uchiha. Ainda teve de aguentar o olhar desconfiado dele ao pegar a xícara e beber seu conteúdo. Parecia que lhe servira veneno em vez de uma simples xícara de café.
- Hum! – Ele desviou a atenção para um ponto atrás dela. – Deveria aprender a fazer café com a Hinata.
Hinata ouviu o resmungo de Sakura atrás de si. Só não ficava feliz pelo "elogio" porque fora à custa de outra pessoa. Sasuke tinha um sério problema de arrogância em excesso.
- Bem, tenho de voltar à mansão e Hinata ao trabalho. – Lembrou Mikoto levantando. – Te vejo em breve filho!
Hinata acompanhou Mikoto e Sakura até a porta. Ao saírem viu Naruto conversando com Gaara. Com o coração pulando de felicidade, pensou em saudá-lo, mas Mikoto a impediu ao se voltar para ela e dizer:
- Ah, querida, esqueci-me de falar sobre a diarista. Melhor voltar e resolver essa situação. – Recomendou. - Te espero aqui.
Hinata ainda lançou um olhar esperançoso em direção ao noivo, porém ele estava entretido na conversa e não notara sua presença.
Com um suspiro resignado retornou.
Assim que entrou, fechando com cuidado a porta para não fazer barulho, Sasuke levantou o olhar do computador e a fitou intrigado.
- Que foi agora?
- É... B-bem, eu q-queri-ria fa-falar...
- Respire antes de falar. – Ele ordenou com irritação. - Com essa gagueira insuportável só consegue me estressar.
Hinata fez o que ele mandou e tentou novamente.
- Dona Mikoto disse que você tem uma diarista, mas ela não apareceu ho...
Ele a interrompeu para informar frio:
- Você é a única responsável pelo apartamento de hoje em diante.
Hinata o observou abrir uma gaveta, retirar algo e estender em sua direção. De onde estava lhe parecia um cartão.
- Não tenho o dia todo, Hyuuga.
Apressou-se a pegar o objeto com mãos trêmulas. Realmente era um cartão.
- Qualquer coisa que precise comprar não precisa me pedir, é só usar o cartão. Recebo um extrato no fim do mês.
Ela assentiu.
- Antes de voltar ao apartamento compre algo para o jantar, o suficiente para duas pessoas.
Ela movimentou a cabeça em sinal afirmativo.
- Esqueceu como se fala, Hyuuga?
Ela balançou a cabeça em negativa, mas ao notar a expressão azeda do Uchiha falou:
- Não, Uchiha-sama. – Apertou uma mão na outra com nervosismo. – A que horas o senhor e sua visita chegarão?
- Tenha tudo pronto às oito.
- Sim, Uchiha-sama!
O olhar dele ficou levemente sombrio.
- Hinata.
- Sim, Uchiha-sama!
- Esse "Uchiha-sama" me irrita, parece que sou um idoso. Pode me chamar só de Sasuke.
- Sim, Sasuke-san. – Retificou. – Mas algum pedido?
- Não.
- Com sua licença.
Tensa, saiu o mais rápido que a educação permitia. Naquele ambiente Sasuke ficava mais ameaçador.
~*S2*~
Com desgosto, Sasuke observou a pressa da governanta em sair e lamentou ter assinado o contrato. No entanto, logo relembrou seus motivos. Seria cansativo e demorado procurar outra pessoa. Estava sem paciência para novas entrevistas e relegar essa função também não o agradava.
Pegou o celular, acessou a agenda e percorreu as fileiras de nomes sem grande interesse até selecionar um.
- Aqui é Sasuke Uchiha. Está disponível hoje? – Soltou logo que a voz feminina foi ouvida.
~*S2*~
Colocando a última travessa na mesa de jantar, Hinata admirou seu trabalho. Tudo estava perfeito e em uma quantidade suficiente para duas pessoas. Esperava que Sasuke aprovasse. Mordeu o lábio inferior duvidando de tamanha sorte. De qualquer forma, mesmo que gostasse, Sasuke nada falaria.
Como se seu pensamento criasse vida, ouviu a voz de Sasuke lhe chamando. Apressou-se a chega na sala e se surpreendeu com a visão que teve.
A visita de Sasuke parecia uma modelo. Possuía um rosto perfeito e maquiado, olhos claros contornados com delineador, cílios longos, boca carnuda carregada de gloss. O cabelo longo e preto chegava a sua cintura extremamente fina. O corpo magro e alto coberto por um vestido azul curto e decotado, que deixava as longas pernas à mostra.
Porém o que mais impressionou Hinata foi que a mulher estava praticamente pendurada no pescoço de Sasuke, beijando-o no rosto sem se importar com quem visse. Parecia querer se tornar a segunda pele do Uchiha.
- B-boa noite Sasuke-san! – Conseguiu proferir após receber um olhar irritado do Uchiha. – O jantar os espera. Podem me acompanhar?
Sem esperar resposta se virou e caminhou em direção à sala de jantar, respirando aliviada ao ouvir os passos seguindo-a.
Eles sentaram lado a lado.
Hinata os servia e, entre um prato e outro, aguardava em silêncio atrás de Sasuke, reparando que somente Sasuke comia. A mulher mal tocava na comida e Hinata podia imaginar o motivo. A fome daquela mulher era outra.
A mesa de vidro não ocultava o que uma das mãos dela fazia, subindo e descendo pela coxa de Sasuke, bem na sua frente, não parando nem quando Hinata se aproximava para trocar os pratos.
Queria não olhar, ignorar, mas seus olhos se moviam por conta própria naquela direção.
Sasuke parecia não notar o que a mulher fazia. A expressão indecifrável como de costume. O que parecia incitar a mulher a aumentar os movimentos e fazer outros mais ousados. Inclinando-se para beija-lo sem vergonha alguma.
Seus olhos se moveram para o rosto de Sasuke, chocando-se com as íris negras. Um calor intenso subiu ao seu rosto e, como em todas as vezes que se encaravam, suas pernas ficaram trêmulas e inexplicavelmente se sentiu sufocada diante do olhar profundo dos olhos negros.
- Sasuke-kun... – Ouviu a voz feminina ronronar sem conseguir desviar os olhos dos de Sasuke, até ele fazer isso ao se levantar.
Envergonhada, Hinata observou Sasuke levando a mulher em direção aos dormitórios. Ele calado, ela rindo animada.
Respirou fundo e recolheu tudo com irritação. Ela estava acostumada com pessoas comendo pouco, ou quase nada como aquela mulher, o que não conseguia suportar era o comportamento deles.
Ninguém devia se atracar daquele jeito, na frente de terceiros, em uma sala de jantar, censurava mentalmente. Esses joguinhos, ou o que fosse que eles chamavam, deviam ser reservados a intimidade do quarto.
Limpou a sala de jantar e a cozinha antes de seguir para seu quarto. Tomou um banho e se trocou para dormir. Ao deitar olhou para o celular sobre o criado mudo.
Queria telefonar para Naruto, ouvir sua voz. Porém sabia que o incomodaria ligando. Com certeza Naruto estava ocupado e não poderia atendê-la.
Fora uma pena não tê-lo encontrado ao sair do escritório de Sasuke. Embora ele só a cumprimentaria rapidamente e continuaria a trabalhar, pois, não tinha dúvida alguma que ele estivera ali a trabalho.
Ajeitou o corpo na cama, ficando de barriga para cima e fitando o teto. Pela segunda vez naquele dia recordou a conversa que tivera anos antes com Sasuke.
"A zona de conforto só funciona quando não há paixão, Hina-chan."
Sentiu as bochechas esquentarem quando em sua mente veio à imagem das carícias feitas na sala de jantar. Incomodada, moveu o corpo, deitando de lado.
Se paixão era aquilo, podia sobreviver sem, decidiu ao fechar os olhos com força.
~*S2*~
N/A – *Afasta a poeira* Oi pessoal! o/ Desculpem-me pela demora, não foi a minha intenção fazer isso quando comecei essa história, mas tive várias dificuldades nos últimos anos e acabou que me afastei das fanfics, tanto como ficwritter quanto como leitora.
Mas agora estou de volta e mais destemida que antes. Terminei duas fics e pretendo terminar a maioria ainda esse ano.
Prometo atualizar em breve, mínimo de um mês, pois só escrevo os capítulos nos fins de semana.
Sobre o capítulo, espero que tenha ficado bom. Não tenho mais beta e decidi que continuarei sem, pois sou muito complicada e perdi 3 durante esse tempo no limbo, rs. Culpa minha e devo arcar com as consequências. Esforcei-me ao máximo e se tiver algum erro, por favor, me avisem que corrigirei imediatamente.
Obrigada pelo carinho, pelos puxões de orelha e pela torcida pela minha volta. Os reviews foram decisivos para a minha decisão de voltar e terminar as minhas fics. Responderei todos nessa semana.
Caso queiram, podem me acompanhar no facebook na fanpage lucimoonn. Link disponível no meu perfil.
Resposta dos reviews que não consigo responder por MP.
maisa costa: Obrigada! Desculpa a demora, de agora em diante as esperas não serão tão longas. :) Só respeitei a personalidade dele, ele é arrogante por natureza, rs.
monica: Obrigada! Não desisti e não desistirei. Tive alguns problemas e deixei as fics de lado por um tempo, mas agora voltei e atualizarei com mais frequência. :*
Kyuubi-Chan: Desculpa a demora, de agora em diante será mais curta.
natalia: Obrigada! Fico feliz que gostou da história e prometo não demorar muito para postar o próximo capítulo.
Big beijos e até mais! o/
