4. To save me from tears
This year
Esse ano
To save me from tears
Pra me poupar das lágrimas
I'll give it to someone special
Eu vou dá-lo pra alguém especial
25 de dezembro de 2014 03:30 pm
Então, tudo bem: talvez eu estivesse sendo infantil ao correr dele, mas alguém poderia não correr? Porque eu sabia, eu sabia com absoluta certeza, que se ele me beijasse – droga, se ele tocasse em mim eu acreditaria em qualquer coisa que ele dissesse.
Porém, minha fuga não ocorreu como eu desejava. Eu mal tinha dado dez passos e Edward me ultrapassou e parou na minha frente. Não consegui desacelerar o suficiente e dei de cara com o peito dele, nos desiquilibrando. Como naquelas estúpidas cenas de filmes, nós rolamos na areia e ele caiu por cima de mim.
O encarei, deixando todo meu ódio transparecer.
— Sai de cima de mim. – mandei. Ele me encarou pensativamente.
— Se é isso que eu vou ter que fazer pra você me ouvir, eu vou continuar aqui. – prometeu.
— Eu vou gritar. – avisei, e ele revirou os olhos.
— Bella, me deixa continuar, eu-
— SOCORRO! – gritei, com toda a minha força. Ele me encarou em choque. – ALGUÉM ME AJUDA, SOCORRO!
— Bella, para, por favor... – ele implorou, hesitando em cima de mim. Eu o ignorei.
— SOCORRO! ALGUÉM!
Ele se levantou, mas tapou a minha boca com sua mão enorme. Eu tentei me desvencilhar dele, e foi nessa situação – eu tentando me afastar e correr e Edward me segurando no lugar – que Jacob, o chefe de polícia de La Push, nos encontrou. Ah, e esqueci de comentar que ele também é meu ex namorado?
— Bella? – ele gritou de longe, preocupado. Edward estacou no lugar, mas eu parei de lutar.
— Ele é...? – começou Edward e eu gemi.
— Sim. – respondi, nervosa.
— Fique longe dela! – gritou Jacob, sacando a arma enquanto corria até nós. Eu ofeguei.
— Jake, relaxa, okay? – pedi, e Edward finalmente me soltou, estendendo as mãos para cima para mostrar sua complacência.
— O que está acontecendo aqui? – mandou, ainda apontando a arma para Edward. Eu me coloquei na frente dele e andei até meu ex.
— Jake, abaixa isso. Foi um mal entendido, okay? Ele só estava querendo conversar, eu não devia ter gritado desse jeito, não quis assustar ninguém. – expliquei, e ele finalmente abaixou a arma.
— O que diabos está acontecendo? – exigiu, e eu passei a mão pelo cabelo.
— Não é nada, Jake. Estamos apenas indo embora, não é? – pedi para Edward. Ele hesitou, mas assentiu.
— Você quer prestar queixa? – perguntou Jacob, e eu fiz uma careta.
— Deixa isso quieto. – insisti, apressando Edward com a mão.
O esforço foi inútil.
— Ei, eu conheço você. – Jake falou, olhando para Edward. Gemi.
— Não conhece não. Vamos logo, Edward.
Isso não vai acabar bem.
— Conheço sim. Alice só faltou mandar fazer um retrato falado seu e espalhar pela cidade como se fosse um molestador de crianças para as pessoas te atacarem na rua. – lembrou Jacob. Eu ri, e então fiquei séria quando percebi o olhar assassino dele.
— Não, Jake. – pedi, olhando para ele. – Deixa isso quieto, por favor.
— Eu não sou um molestador-
— Fica quieto que o assunto é entre eu e a Bella. Você não é nada além de um playboyzinho de merda que acha que pode vir aqui e bagunçar tudo. Você tem ideia do que você fez essa menina passar? – insistiu Jacob.
— Jake, não...
— Muito fácil pra você desaparecer o ano inteiro e chegar agora achando que pode obrigar Bella a ver sua cara de bosta e ouvir suas desculpas esfarrapadas. Ela não é uma das suas mulheres da cidade, que você passa a noite e só liga quando está com tesão de novo. – continuou.
Eu queria chorar. Pensei em sair de fininho, mas fiquei com medo que os dois se matassem.
— Eu nunca-
— Cale a sua boca, moleque. Não tem nada que você possa falar que vá melhorar as coisas pro seu lado. Ela esperou, sofreu e chorou pelo otário que você é e agora acha que simplesmente pode voltar?
— Jake... – sussurrei, implorando. Por que ele não me ouvia?
— Você está olhando pra ela? Você ao menos percebeu quanto peso ela perdeu esse ano? Reparou que o cabelo dela não brilha mais como costumava? Que o olhar dela...
— CHEGA de ressaltar o quão não bonita eu estou. – gritei, interrompendo. – Me leva pra casa, Jake, por favor. Eu só quero ir pra casa.
— Dá o fora da minha cidade. Você não é bem vindo aqui. – rosnou Jacob para Edward, me abraçando e me levando até seu carro de patrulha.
Aguentei firme até que ele começou a dirigir. Funguei.
— Bells, me desculpe, eu...
— Só dirige. – pedi, enxugando o rosto discretamente.
Ele concordou e me agraciou com seu silêncio até que chegamos na minha casa. Alice estava sentada na cadeira de balanço da varanda, animada. Quando ela viu meu rosto, murchou completamente e veio correndo.
— Jake, o que aconteceu? – perguntou ela, preocupada. – Bella, tá tudo bem? Isso é areia no seu cabelo?
Saí do carro, andando como um zumbi até minha porta. Abri e entrei, trancando-a atrás de mim. Não queria Alice me interrogando nem Jacob tentando me consolar. Me senti mal por Jake estar certo. Era tudo verdade. Eu tinha emagrecido, eu tinha perdido o brilho dos olhos, eu tinha deixado de me cuidar. O que mais eu podia fazer? Meu coração tinha sido partido em milhões de pedacinhos espalhados por todo o caminho de Forks até Seattle.
[FLASHBACK]
26 de dezembro de 2013 00:06 am
— Eu nunca me senti tão a vontade com alguém que acabei de conhecer. – Edward disse, beijando meu nariz carinhosamente. Estávamos no sofá da minha casa tomando café, eu esperando ele me agarrar, e ele provavelmente esperando que eu desse algum tipo de permissão para me carregar pra cama.
— Nem me fale. Tive três namorados, todas essas relações surgiram de amizades longas e demoraram no mínimo meses para que eu me abrisse assim. – admiti. Eu não estava falando só de facilidade pra conversar, também estava pensando sobre sexo... não que nós tivéssemos transado. Mas eu queria.
— Você é... linda. Eu amo seu sorriso. Não acredito que estou dizendo essas coisas pra você, mas parece tão certo... – fez ele, sorrindo com carinho. Parecia certo. Parecia amor à primeira vista.
— Edward? – chamei, mordendo o lábio de leve pra criar coragem. – Vamos pra cama.
Ele não arregalou os olhos, mas vi em sua expressão alguma surpresa. Por um segundo, me perguntei se ele era um daqueles caras babacas que não respeita mulheres que fazem sexo no primeiro encontro.
— Não quero que ache que não desejo ficar com você, Bella, mas você não tem que dizer isso só porque eu estou na sua casa. Eu posso dormir no sofá. – garantiu, franzindo o cenho de preocupação.
Ri baixinho.
— Tenho certeza que você pode, mas eu não conseguiria dormir na cama sabendo que você está aqui. Eu quero que essa noite seja completa. – sussurrei, sorrindo de forma que eu esperava que fosse convincente.
Ele se levantou e estendeu a mão pra mim, uma oferta que eu não recusaria de jeito nenhum. Eu queria fazer amor com ele até desmaiar de exaustão.
[FIM DO FLASHBACK]
25 de dezembro de 2014 04:10 pm
Fungando e respirando fundo para não chorar, subi até meu quarto e fui tomar um banho. Ignorei a banheira e arranquei a roupa do corpo antes de entrar debaixo do jato quente de água. Consegui não chorar, mas enquanto lavava o cabelo, a vontade era tão grande que eu tive que parar e apenas inspirar e expirar por alguns minutos.
Saí do banheiro limpa e me sentindo um pouco melhor. Me vesti e alcancei a caixinha azul de veludo, tendo a leve impressão que o dono dela por direito estaria, mais uma vez, do lado de fora da minha casa. Brinquei com o anel, observando como ele cabia perfeitamente no meu dedo.
Batidas insistentes na madeira da minha porta me provaram que eu estava certa. Suspirando, desci para encara-lo. Escancarei a porta e me surpreendi ao ver Edward sentado no degrau, me encarando sem esperança. Um sorriso se abriu no rosto dele ao me ver.
— Me deixa explicar. Disse que ia me ouvir e desistiu. Por favor, só me dê uma chance de explicar tudo pra você. – pediu, soando tão arrependido que eu me comovi contra a minha vontade.
O cabelo dele estava cheio de areia, assim como o meu estava antes do banho. Eu quis manda-lo embora, mas não era como se em Forks existisse um hotel ou pousada onde ele pudesse se limpar. Pra piorar, o céu estava fechando e eu tinha quase certeza que ia chover feio. Tanto ânimo pra festa de Natal, e São Pedro estragaria os planos de todos.
— Entra. – resmunguei, abrindo espaço pra ele. Ele se levantou e olhou minha casa por inteiro.
— É exatamente como eu lembrava. – sussurrou, sorrindo com uma espécie de nostalgia. Sem muita paciência, limpei a garganta para chamar a atenção.
— Você está cheio de areia. – reclamei, indicando que ele me seguisse. Quando
cheguei na porta do meu quarto, me virei pra ele e estendi a mão. – Você fica aqui. – mandei, séria.
Entrei no meu closet e saí com algumas roupas que eram do meu pai, jogando-as na mão do meu visitante indesejado.
— Você está sujando minha casa. A segunda porta à esquerda é um banheiro. Tem toalhas limpas lá dentro.
Era como se um robô tivesse tomado conta do meu corpo. A sensação de controle sobre mim mesma era boa, mesmo que eu soubesse que ia durar pouco tempo. Enquanto ele se limpava, eu precisava me ocupar com alguma coisa. Segui para cozinha e comecei a fazer o jantar, embora fosse muito cedo pra isso. Eu não me importava, só queria me distrair e não pensar em Edward sem roupa no meu banheiro.
Funcionou tão bem, que quando ele voltou do banho e apareceu na cozinha, eu me assustei com a sua presença.
— Me desculpa. Não quis te assustar. – pediu, passando a mão pelo cabelo molhado.
Deus, como eu amava aquele cabelo.
Componha-se!
— Não tem problema. – respondi, sem saber como lidar com aquela situação. Eu já tinha fatiado metade dos legumes para a posta, então decidi continuar me mexendo pelo meu reino e aprontando a comida.
— Você precisa que eu... Será que eu posso te ajudar em alguma coisa? – fez ele, embaraçado por estar parado na porta. Eu achei que ele merecia estar constrangido.
Pensei rapidamente sobre o que ele podia fazer, já que não queria um telespectador sentado atrás de mim observando meus movimentos. Eu já estava desconfortável, obrigada.
— Hum, você pode lavar a salada? – sugeri, franzindo o nariz.
Ele concordou e começou a fazer o que eu pedi. O silêncio estava pesado, então coloquei meu celular para tocar música enquanto terminava de ajeitar os ingredientes na fôrma. Liguei o forno e deixei na temperatura média. Edward estava terminando sua tarefa. Coloquei meu celular para despertar em quarenta minutos. A chuva tinha começado a cair sem pena, então fechei as janelas da cozinha e subi para tomar conta das outras. Quando voltei, Edward estava fechando a última janela da sala.
Eu me surpreendi tanto pela solicitude dele que não agradeci.
Nos encaramos pelo que pareceu dez minutos até que ele começasse a falar. Foi involuntário ser carregada por memórias.
[FLASHBACK]
26 de dezembro de 2013 03:04 am
— Fui criado de uma forma muito aberta. Meus pais queriam que eu tivesse toda a liberdade pra conversar com eles sobre qualquer coisa, e eu nunca apanhei na minha vida. – fez ele, soando pensativo.
— Minha mãe morreu quando eu era bem pequena, mas meu pai deu um jeito de me criar sozinho. Ele casou de novo quando eu tinha treze anos. – contei, brincando com o cabelo dele. Eu nunca queria sair daquela posição: deitada no peito dele e com os braços dele ao meu redor.
— Sinto muito. Quer ouvir uma história engraçada pra esquecer coisas tristes?
Ele nem me deixou responder direito e já estava se lançando no conto sobre a adolescência dele, mais especificamente sobre a primeira vez que ele tinha chamado uma garota pra sair. Eu chorei de rir ao ouvi-lo retratar que estava tão nervoso que tossiu um milho no decote da menina.
Eu quero casar com esse cara.
[FIM DO FLASHBACK]
25 de dezembro de 2014 04:57 pm
— Bella? – fez Edward, tentando chamar minha atenção. Ele devia estar falando, mas eu não estava ouvindo nada, perdida em memórias. O encarei, sinalizando pra ele continuar falando, mas ele hesitou. – Você tá bem?
— Não. – respondi, na lata. – Como você pode me perguntar isso?
— Me desculpa, eu sei que...
— Não, você não sabe. – o cortei, ficando brava. – Você não sabe o que fez. Você teve tanto tempo. Eu esperei por tanto tempo. Eu torci pra que eu estivesse errada, pra que você tivesse uma boa desculpa e aparecesse na minha porta no meio da noite pra me tirar do inferno que você criou na minha vida.
— Foi você que me disse pra nunca mais aparece aqui! – pontuou ele.
— Eu disse, e por acaso você obedeceu? – reclamei. – Se conseguiu se segurar por um ano, por que não seguiu em frente? Voltasse pra sua ex, conhecesse uma outra pessoa, eu não me importo!
— Continua falando. – pediu ele. O encarei como se ele fosse louco.
— Você quer ouvir o quanto eu te odeio? – desacreditei.
— Eu quero ouvir você falar. Qualquer coisa, Bella. Só não me ignore mais. Grita comigo, me faz entender tudo. Me xingue.
Eu me levantei do sofá e ele espelhou meu movimento.
— Você me prometeu amor e um futuro. Você me deu nada. Eu me abri pra você. Nós passamos horas conversando e fazendo amor, mas você esqueceu da minha existência no dia seguinte. Demorou uma porra de uma semana inteira pra você entrar em contato comigo de novo. Uma pena que a sua namorada... Ah, me deixe corrigir: sua noiva me ligou antes e me explicou o quão "terminado" estava o relacionamento de vocês. Você poderia ter transado comigo e ido embora. Mas não... não, Edward. Você me fez acreditar que eu era mais. Que aquilo era mais. VOCÊ ME DEU A PORRA DE UM ANEL, EDWARD! Como você pôde fazer aquilo com ela? Você é o homem mais mau caráter e covarde que eu já conheci!
— Posso falar agora? – perguntou, calmo.
— Não! – gritei. – Você não pode falar! Eu não acredito em nada do que você diz. Você quebrou a minha confiança e meu coração e eu NÃO quero ouvir as suas desculpas porque eu sei muito bem que você é bom com as palavras. Não foi por isso que você veio parar na minha cama, em primeiro lugar?
Feliz ano novo!
3h33 da manhã do primeiro dia do ano e eu aqui postando! Me amem :3
Só falta um último capítulo e ele é bem curtinho. Juro que tá acabando a enrolação, hehe.
Me deixem recadinhos que eu posto rápido hahaha
~bjs, Jen
