FORGIVEN

Capítulo 03 – Escolhas.

A moto de Uruha avança pela cidade, o pensamento perdido em tudo que houve entre ele e o namorado. Por mais que as imagens fossem claras, por mais que olhasse para Aoi naquelas fotos em busca de uma montagem e nada encontrasse... Seu coração ficava lhe dizendo para acreditar mais uma vez na pessoa que lhe trouxe felicidade, que tornou seus dias cheios de significado. E essa dúvida dentro de sua cabeça o amargura, temendo que seja tarde demais, que Yuu decida partir para sempre da sua vida.

Corta caminho por algumas ruas sem grande movimento, voando baixo, o coração aos pulos, a respiração presa no peito. Afinal, Kaoru já provara ser mal intencionado, porque acreditar em qualquer coisa dita por ele? Mas o advogado não tem mais motivos para inventar algo assim, não estão mais juntos e jamais voltaria para ele. A confusão turva sua mente, deixando fatos e imagens aparecendo em flashes, tumultuando seu pensamento.

"Ele não pode deixar a banda... Ele não pode me deixar..." – Inconscientemente deseja que tudo acabe bem e que Aoi... O perdoe.

Pára diante do prédio, chamando o elevador, mas perdendo a paciência e subindo correndo pelas escadas, saltando dois ou três degraus de uma vez. Ao chegar ao andar certo, encosta-se na parede para não cair, pois o cansaço e a falta de fôlego são intensos. Caminha devagar até a porta do apartamento e toca a campainha, mas não há resposta. Procura então no seu chaveiro aquela que ganhou de Yuu quando começaram a namorar... E é impossível não lembrar como o moreno a entregou numa caixinha de presente... Um marco definitivo de que estavam realmente juntos.

- Yuu... Oh, Aoi... Abre a porta, por favor. – Finalmente encontra a maldita chave.

Uruha entra afobado, mas percebe que o moreno não veio para casa, caso contrário as chaves do seu carro estariam sobre a mesinha de entrada. Resolve entrar e ver como estão as coisas com ele. A sala está uma bagunça, um travesseiro e um cobertor jogados no chão, a cama ainda desarrumada, tudo deixando claro que o sono também não tem sido um companheiro muito constante dele. A geladeira está vazia, apenas uma caixa de leite que cheira a azedo.

"Ele não come quando está deprimido..." – Uma pontada aperta o peito de Kouyou, como se tudo isso fosse somente sua culpa... – "E talvez seja mesmo!"

Tira o celular do bolso, decidido a resolver esse problema agora mesmo, mas ele toca várias vezes e então vem a voz de Aoi abafada, quase um sussurro, dizendo que 'cansou' e 'bye'... E antes que possa falar qualquer coisa, a ligação é encerrada.

- Ele... Ele não pode... – Não acredita naquelas palavras ditas em tom tão baixo e inseguro e tenta mais uma vez.

Não desiste fácil, ligando mais duas vezes, porém o celular do namorado consta como desligado ou fora de área.

- Que merda! – Joga o celular sobre o sofá, socando a parede. – Eu estraguei tudo!

Deixa-se cair sobre a poltrona, desolado demais para pensar no que fazer em seguida, vendo na sua frente todos os momentos maravilhosos que passaram juntos nesta sala e em todos os lugares onde estiveram. E o guitarrista fica sentado ali por muito tempo, a luz vinda da janela mudando as sombras de lugar, as cores passando do branco para o laranja até que a luz desaparece e o loiro se vê na completa escuridão.

- Ele não vai voltar... – Diz para si mesmo, desconsolado, tentando entender a razão de tudo isso... – Já anoiteceu!

Acende a luz da sala, procurando no apartamento suas coisas, concluindo que este é realmente o fim. Mas por que ele não voltou? Algumas roupas estão faltando... A mala ainda está por lá... E se... Uma imagem terrível dele viajando com a 'baranga cabeluda' povoa sua imaginação como uma doença, daquelas que se alastram depressa.

- Isso explicaria o 'cansei' que ele me disse... – Começa a ficar com raiva. – E ele sussurrou... Talvez não quisesse que ela ouvisse!

Joga no chão as coisas que havia juntado para levar, pois todas elas foram presentes... Presentes de alguém que não merece seu amor. E pensar que ficou se lamentando por horas, esperando pela volta dele! Então ouve seu celular tocar e leva a mão ao bolso, mas não o encontrando.

- Merda! Eu joguei ele... – Começa a procurar pelo sofá, se irritando por não encontrá-lo e pela insistência de quem está ligando.

Começa a jogar as almofadas para os lados, desesperado, pois em sua mente apenas uma pessoa estaria ligando para ele nesse momento.

- Aqui! – Abre o flip e o leva ao rosto, apressado. – Yuu... É você?

- Yuu?! Sou eu, Uruha... – Um tom levemente manhoso. – Já esqueceu a minha voz?

- Ka-Kaoru?! – Não consegue disfarçar a sua decepção. – O que você quer agora?

Um risinho meio sem graça vem do advogado, deixando o loiro confuso, pois não imaginava que ele reagiria assim.

- Quero te convidar pra jantar. – Fala com a voz animada. – Tem umas coisas suas na minha casa e nunca cheguei a devolver.

- Jantar?! – O guitarrista carrega no seu tom irônico. – Você bebeu?

- Juro que vai ser sem nenhuma segunda intenção. – Uruha pode até imaginar a carinha de gatinho pidão no rosto do moreno. – Quero ser apenas seu amigo... Você deixou aqui o... Pon.

- O quê?! Então ele estava aí, mas... Como? – Não consegue imaginar por que teria levado seu ursinho de pelúcia na casa de um namorado.

- Quero te devolver... – Fala manso, extremamente gentil. - Sei que o tem desde criança.

- Ok... – Sabe que pode se arrepender, mas resolve dar um voto de confiança para a recuperação do advogado. – Quando?

Diz já pegando a chave da moto no bolso e se preparando para sair desse apartamento para nunca mais voltar.

- No sábado... – O homem parece extremamente feliz. – Está bom pra você?

- Certo... Combinado. – Bate a porta com raiva ao sair.

ooOoo

A cada suspiro seu
A cada movimento que você fizer
A cada ligação que você quebrar
A cada passo que você der

Eu estarei te observando

Os olhos negros se descerram ainda turvos, a tontura tão intensa que mal consegue se lembrar de qualquer coisa, apenas do enjôo que se apossa dele, uma onda de arrepios que o faz tremer, seus ouvidos captando uma música que parece muito distante, como se ecoasse dentro de sua própria cabeça.

A cada simples dia
A cada palavra que você falar
A cada jogo que você brincar
A cada noite que você ficar

Eu estarei te observando

"Onde... Quem...?" – Ainda saindo do entorpecimento da inconsciência. – "Música..."

Mas conforme o mal-estar vai cedendo, Aoi começa a entrever o quarto estranho, de decoração refinada, mas um tanto exagerada, mas de nenhum lugar em que já estivera. Uma janela ampla com as persianas fechadas, papel de parede creme com miúdas flores vermelhas, um guarda-roupa e um gaveteiro, ambos de madeira maciça, antigos... Talvez de algum estrangeiro, de alguém que morou no ocidente ou... Um colecionador. Mas...

Oh, não vê
Que você pertence a mim?
Meu pobre coração dói
A cada passo seu.

"Como... Uhm..." – Ainda tenta ordenar os pensamentos.

A cada movimento que você fizer
A cada promessa que você não cumprir
A cada sorriso que você fingir
A cada direito que você fizer valer

Eu estarei te observando

Tenta levar as mãos ao rosto, mas sente que não consegue, com estas presas a algo. Balança a cabeça procurando trazer de volta a lucidez, ainda beirando à inconsciência que deixou há poucos minutos.

Desde que você se foi fiquei perdido, sem rastros
Sonho de noite e só consigo ver o seu rosto
Olho ao redor mas você é insubstituível
Sinto-me frio e almejo seu abraço
Fico aqui implorando, baby, baby, por favor

- O quê?... – Sussurra, pois sua garganta parece tão seca, que a voz ameaça não sair.

Oh, você não vê?
Você pertence a mim.
Meu pobre coração dói
A cada passo seu

- Quem... Essa música... – A sua mente começa a ficar mais desperta, então tenta organizar tudo ao seu redor para tentar perceber onde está... O que está acontecendo... – The Police... Mas... Por quê?

A cada movimento que você fizer
A cada promessa que você não cumprir
A cada sorriso que você fingir
A cada direito que você fizer valer

Eu estarei te observando

Seu corpo ainda está levemente dormente, deitado sobre... Observa a cama estranha em que está, levemente reclinada e com grades nas laterais, onde suas mãos estão fortemente amarradas. Se debate tentando soltar-se, sem sucesso, recuperando aos poucos os movimentos de seu corpo.

A cada suspiro seu
A cada movimento seu
Eu estarei te observando
Eu estarei te observando

- Uma cama de hospital... Mas... – A música acaba e o silêncio toma conta do local, então sua mente tenta processar tudo o que ocorreu ainda confuso e aéreo. – Eu estava...

- No apartamento dele... – Uma voz carregada de ironia vem de onde há instantes pôde perceber uma porta se abrindo. – Recolhendo os restos da sua relação...

A cabeça de Shiroyama se volta devagar na direção da voz, ainda zonzo, a vista procurando a nitidez para vislumbrar quem se delicia com seu sofrimento. E aos poucos o rosto moreno, fino, marcado de cicatrizes indisfarçáveis, o sorriso com dois dentes quebrados na frente vai ganhando forma.

- Você... – O ódio dentro dele é tão grande que não consegue nem sequer dizer seu nome.

- Não imagina como te ver assim indefeso me deixa... Uhmmm... – Kaoru chega a fechar os olhos para apreciar melhor este momento. – É melhor que um orgasmo!

- Seu maldito! Me solta já daqui! – Aoi se debate mais uma vez, a gana de torcer o pescoço do advogado dando-lhe mais força, mas ainda assim sem efeito. – Quando me livrar, vou desmembrar você... Bem devagar!

- Nossa! Você seria capaz mesmo! – Um sorriso mais do que irônico se iluminando no rosto de Kaoru. – Mas não vai se livrar... Sorte minha, não é?

Ele dá a volta na cama, verificando mais uma vez o tecido que amarra seus pulsos na grade da cama, evitando usar cordas para não marcar demais a pele.

- O que você pensa ganhar com isso? – Yuu procura concentrar o melhor que pode seu pensamento.

O advogado senta numa cadeira colocada ao lado da cama, seu olhar carregado de vitória o fazendo parecer até o mesmo homem bonito de antes, sem as marcas deixadas por seu confronto com o músico.

- Esta foi a cama que precisei comprar, pois quebrei quatro costelas naquela noite. E as cicatrizes... Somente depois que se curarem totalmente é que poderei fazer uma plástica. – Ele parece divagar, mas é nítido o rancor em cada palavra, em cada pausa para respirar. – Mas é bom, pois quis aparecer assim para o Uruha... Quis estar assim para você.

- Depois do que fez... – Aoi sente uma ponta de remorso, mas não que se arrependa, pois o homem estava sobre Kouyou na noite em que o agrediu... Tentando Matá-lo.

- Eu mereci?! – Há uma raiva verdadeira em sua voz, apesar da expressão tranqüila. – Pode falar... É o que você pensa.

Aoi não o entende, pois está agindo como a parte ofendida, magoada, como se o guitarrista devesse se sentir culpado, mas... São as mãos do membro do the GazettE que estão amarradas na maldita cama.

- Não vem dar uma de coitadinho. – Yuu, mais concentrado, começa a ficar irritado. – Me solta agora e... Não chamo a polícia.

- HAHAHAHAHA... – Kaoru levanta da cadeira, sentindo-se superior como nunca. – Você está achando que vou te deixar ir?

Os dois homens se encaram, pois estas palavras encerram algo que pode ir além de tudo que poderia ser esperado em uma situação dessas. Até que ponto o advogado teria coragem de ir por uma simples vingança? Matar Aoi seria suficiente para aplacar o profundo ódio de Kaoru?

- Tive um ano pra planejar minha vingança nos mínimos detalhes! – Kaoru sorri satisfeito. – E ter você em minhas mãos é apenas um passo... Talvez o mais importante.

- Vão sentir minha falta! – Yuu tenta soltar-se, debatendo-se na cama, mas logo cansa, percebendo que é impossível.

- A beleza de tudo é que não... Por um bom tempo. – O sorriso dele talvez seja a pior parte de tudo. – Como o tal líder da banda... Aquele que eu não lembro nome... Sugestionou... Para todos os efeitos você foi passar as férias na casa dos seus pais...

- Como você... – Aoi o observa pasmo.

Isso havia sido dito numa conversa pessoal! E se... Kai tivesse contado para os outros... Kouyou teria contado para esse crápula? Não... Ele não confiaria nele... Não... Precisa tirar da cabeça a idiotice de que Uruha estivesse junto com esse...

- Ter dinheiro é muito bom, não é? – Kaoru pega um pequeno punhal veneziano colocado em um pedestal sobre o gaveteiro, brincando com ele, passando de uma mão para a outra. – Paguei um empregado da gravadora pra colocar escutas por todo lado onde vocês circulam... Como os ânimos andaram acirrados na última semana!

- Seu... – O guitarrista nem sabe o que dizer, pois tudo é tão surreal... Tão difícil de acreditar... Coisa que acontece apenas em filmes.

O advogado sorri mais uma vez, se sentindo muito inteligente, muito mais do que esses 'punks' apenas imaginam ser. Ainda mais esse brutamonte que o tratou como lixo e apenas porque ameaçava trazer o namorado de volta... Para o lugar de onde o loiro jamais devia ter saído, pois Kaoru era a única chance de Uruha ser feliz... Apenas ele o ama de verdade.

E depois da separação Kaoru, após os vários ferimentos terem cicatrizado, começou a planejar sua vingança. Contratou um detetive particular que passou a seguir os dois músicos por todos os lugares, inclusive na turnê, dando um relatório diário das atividades deles. E cada um desses era uma punhalada no coração do advogado, pois sempre pareciam tão felizes e apaixonados. Depois foi esperar o momento certo de ressurgir das cinzas, plantando a semente do ciúme no coração de Uruha, usando as fotos que pagou caro para serem manipuladas digitalmente, usando a imagem de uma modelo que contratou especialmente para se fazer passar por amante do miserável guitarrista... E a moça foi esplêndida na boate, melhor do que esperava.

- Foi tão fácil fazer vocês brigarem! – O tom vitorioso mais uma vez presente em sua voz. – Quando o ciúme entra num relacionamento, a razão sai pela janela... Meu avô sempre me dizia isso.

- Você pode enfiar seu avô e seus ditados no... – O ódio de Aoi já o deixa quase sem ar.

- Calado! – O tapa de Kaoru vibra no rosto de Yuu. – Jamais fale do meu avô dessa forma. Ele me deixou tudo isso... Me ensinou como a ordem e a disciplina devem ser sempre mantidas... A qualquer preço.

Um silêncio mortal se faz por alguns minutos, Kaoru ainda se recompondo por ter perdido o autocontrole e Aoi temendo agora, mais do que nunca, não sair vivo daquele quarto. O advogado se move mais uma vez, sentando-se na cadeira ao lado da cama, a expressão mais tranqüila que já imaginou conseguir imprimir as suas feições, destruídas pela surra que levou.

- O que você espera ganhar com a minha morte? – Yuu tenta conter toda a avalanche de sentimentos contraditórios, ódio e medo brincando com sua mente ainda entorpecida.

- Uruha! – Kaoru se surpreende com a estupidez do inimigo, pois a resposta é óbvia, sempre foi. – Quero o meu loiro de volta.

- Ele não vai se aproximar de você apenas porque eu morri. – Shiroyama sabe o que fala, pois a mágoa de Kouyou com relação à violência que sofreu é muito grande. – Não sou eu que o impede de...

- Você não sabe nada sobre ele! – Por mais que não queira se deixar levar pelo forte ressentimento, não consegue manter a calma do vitorioso diante desse homem. – Uruha precisa de orientação, pois essa vida que levam o torna preguiçoso e indolente. Sei que exagerei... Mas me tratei!

- Certo... Faz de conta que eu acredito! – Percebe bem o quanto o advogado está perturbado... E obcecado pela idéia de ter o loiro de volta. – É apenas o Kou-chan sair da linha... E você volta a ser o velho namorado agressor de sempre.

- Não chama ele assim! – Essa forma tão íntima de tratar Uruha o incomoda.

- Mas Kouyou é o nome dele! – Decide provocá-lo, já que nada mais pode fazer. – Ahhh... Mas ele nunca te falou, não é? Você não era íntimo o suficiente...

- Eu vou... – Levanta a mão para agredi-lo novamente, mas nota que entra no jogo do guitarrista. – Não... Quem comanda essa ação sou eu... Não você!

Encosta o punhal no peito de Aoi, bem sobre o local onde se encontra o coração, a leve pressão da lâmina afiadíssima ferindo a pele, um fio de sangue escorrendo e sujando a camisa.

- Não vou te matar! Isso levaria a polícia a procurar um assassino e... Não desejo ser um suspeito de crime. – Vai descendo a adaga de leve pela pele do moreno, mas tão suavemente que nem sequer chega a feri-lo, apesar da impressão ruim que provoca.

- Então... Mas... Você me disse que... – Aoi fica confuso, um fio de esperança em sua mente por alguns instantes.

- Mas você pode sair daqui ileso... Salvar sua vidinha medíocre. – Prende a respiração, ansioso com o golpe final sobre sua vítima. – Apenas tem que escolher...

- Escolher?! – Aoi teme demais o que isto pode significar.

Uma risada sonora ecoa pelo quarto, um sorrisinho satânico seguindo-se, o seu momento de triunfo finalmente em suas mãos.

- Eu pretendo disfarçar a sua morte. Aplicar drogas em você... Aumentando dia após dia... – Sua expressão sádica torna tudo muito mais assustador. – Até que acontece a overdose e...

- O quê?! – O moreno respira fundo, ainda descrente da maldade de um homem que parece tão insignificante. – Você enlouqueceu? Quem vai acreditar...

- Todos vão achar que o deprimido guitarrista se entregou ao vício... Acontece todos os dias nesse mundinho sujo em que vocês vivem. – Ele demonstra a segurança de quem já pensou em tudo. – E o Uruha, se sentindo responsável, vai ficar frágil o suficiente para que eu o console.

- Ou... – Engole em seco, pois a alternativa pode ser muito pior. – Qual a minha alternativa?

Kaoru tira o punhal da pele do inimigo, segurando-o em uma atitude altamente dramática perto do próprio rosto... Sorrindo, mas sem dizer nada, apenas observando-o.

- Vai... Desembucha logo, seu desgraçado! – Está cansado desse joguinho dele.

O advogado se curva sobre ele, sua boca bem próxima da orelha de Shiroyama.

- Se eu não ficar com Uruha... Ninguém vai ficar. – Sussurra com seriedade.

- Você não... – Aquelas palavras... Aquele tom de voz... Fica arrepiado pensando na terrível escolha colocada a sua frente. De um lado sua própria vida... De outro, a vida da pessoa que ama... Fecha os olhos... A voz presa na garganta.

Kaoru praticamente exulta com a reação, mas procura se conter, demonstrando ter o controle absoluto dessa situação.

- Claro que sei como é uma decisão difícil! – Diz com a voz mais calma que consegue, apesar do turbilhão de emoções que se apossa dele. – É apenas pensar no que é mais importante pra você...

- Então... Eu... – As palavras quase não saem, sua garganta seca, os olhos cerrados para não ver a vitória no rosto maldoso tão próximo do seu.

- Não! Vou te deixar pensar! – É indisfarçável na voz grave do advogado a felicidade. – Amanhã, logo cedo, venho em busca da resposta.

- Seu crápula! – Isso é apenas o que consegue dizer.

- Sou mesmo, não é? – Sua voz vem carregada de ironia.

Sente então que o homem se afasta dele e faz uma ligação no celular. Yuu abre os olhos para saber o que pretende agora, quando tem a vida do rival totalmente em suas mãos.

- Alô... Uruha? – Kaoru sabe que Aoi não dirá nada, encarando-o com firmeza, uma expressão satisfeita emoldurando seu sorriso com dentes quebrados.

Os olhos negros se fecham, as palavras trocadas pelo advogado com o seu namorado entrando em seu peito como uma faca, sabendo que a armadilha para Kouyou já está armada e não poderá protegê-lo dessa vez... Pode até fazer o sacrifício, mas sabe que não será o bastante. Kaoru está certo, pois sua morte nessas circunstâncias vai despedaçar o coração do loiro e... A culpa vai destruí-lo também... Mas não há alternativa, na verdade. Todas elas tiram Takashima de seus braços... Agora sabe do que o maldito seria capaz e... Não viveria sem Uruha. Mas como alguém pode conceber a idéia de entregar a própria vida assim dessa forma... Sem lutar?

- Pronto... – Kaoru se aproxima da cama novamente, guardando o celular no bolso. – Foi muito bom ter tido a idéia de roubar aquela porcaria de ursinho velho e remendado.

Aoi decide que não tem mais que ficar ouvindo as palavras de Kaoru, não quer mais saber o que fez ou o que planejou...

- Chega de papo furado, maldito! – Sua raiva quase o sufoca. – Se quer que eu escolha... Me poupa de ouvir essa sua voz. Me deixa sozinho.

- Ok... – Kaoru sorri. – Farei sua vontade.

Aoi ouve quando a porta se fecha, o homem que odeia saindo. Seus orbes fixam-se no vazio do teto, pensando em tudo que viveu com Kouyou no último ano e em como foi feliz ao lado dele. Não quer chorar... Não pode dar essa satisfação à Kaoru. Prende seu pensamento nos bons momentos, evitando questionar-se sobre a escolha que deve fazer, pois... Teme sua decisão mais do que tudo. Escolher entre si próprio e... Uruha...

ooOoo

Uruha entra nervoso no próprio apartamento, fechando a porta com força, nem conseguindo saber como chegou até em casa pilotando a moto. Seu estômago está embrulhado, um pouco por não ter comido nada desde o dia anterior, mais pela torrente de emoções fortes que o envolvem. Pára diante do seu bar, seco por beber algo, afogando com álcool tudo que o faz sofrer nesse momento.

Fica alguns minutos pensando se deve primeiro comer, pois o sakê vai cair como uma pedra em seu organismo, mas desiste, pois desde que os dois brigaram nada fica muito tempo no seu estômago. Pega um dos copos de refrigerante, daqueles com capacidade de 300 ml, e enche com o perfumado líquido transparente, jogando-se sobre o sofá logo me seguida.

Observa o copo por algum tempo, notando como a luz difusa do abajur que acendeu forma um prisma no líquido, colocando-o entre si e a fraca luminosidade da cidade que entra pela janela.

- Que se dane! Vou beber... Assim esqueço mais depressa. – Levanta o copo em um brinde. – Kampai, Yuu!

Bebe tudo de uma vez, quase sem parar para respirar, sentindo o efeito quase imediato em sua cabeça, assim como no aparelho digestivo, que ameaça fazer tudo voltar, mas assim que a sensação de enjôo passa, resolve levantar e encher mais uma vez o copo. Tenta, porém uma tontura o faz desistir, voltando a sentar e procurando centrar seu equilíbrio e pensamentos em um só objetivo... Beber até a inconsciência e esquecer por essa noite que uma vez amou Yuu Shiroyama.

Mais uma vez tenta levantar, conseguindo com dificuldade, mas alcançando seu intento, preenchendo o copo vazio com mais de sua bebida favorita. Volta ao sofá, concentrando seu olhar mais uma vez no líquido espesso.

- Querido sakê... E pensar que quase desisti de você por causa dele! – Vira mais uma vez o copo na boca, engasgando, a tosse quase lhe tirando o fôlego. – Você... Meu único amor... O único que me entende!

Mas quando seus olhos baixam e o braço enfraquecido pelo álcool cai, deixando o copo rolar pelo chão... Kouyou vê a mochila onde guardou as coisas de Aoi. Procura lembrar onde a deixou antes de sair de casa, pois tem quase certeza que não foi ali onde está agora. Levanta com dificuldade, pegando-a com interesse, lembrando nitidamente que deixou tudo que era dele próximo do sofá... Como veio parar ali no meio do caminho entre a sala e o quarto?

Decide ir até o local onde o sono tem sido seu inimigo mortal e vê as fotos incriminadoras que iniciaram tudo jogadas sobre a cama... Espalhadas desordenadamente sobre os lençóis... Quando as mantinha na cabeceira, pois toda noite olhava para a imagem de Yuu e procurava algum sinal de que a foto havia sido forjada.

- Que droga! – Apesar do álcool já começar a entorpecer seu discernimento, pensa muito sobre isso. – Aoi estava aqui quando liguei pra ele! Mas... Por que... Não entendo... Ele não levou nada. E... Me disse... Aquilo.

Começa a se arrepender por ter bebido tanto, pois nesse instante precisa de todo o seu cérebro funcionando, mas sente dificuldade até em falar. Pega o celular no bolso e disca o 'redial', mas obtendo a mesma resposta negativa de antes.

- Droga! Atende essa... Merda desse celular. – Fica irritado, sentando na cama, quase incapaz de parar de pé. – Já sei...

Abre mais uma vez o flip do aparelho e procura o número de Kai, incapaz de lembrar sozinho, ficando feliz quando finalmente o encontra na confusão de botões coloridos.

- Kai? É você...? – A voz dele sai arrastada e langorosa, claramente afetada pelo álcool, apesar de lutar pra se manter lúcido. – Preciso muito de você...

- Uru... É você?! – A voz do baterista soa preocupada. – O que aconteceu?

- Ele... O Yuu... Eu não... – Começa a perder a briga contra a inconsciência. – Não estava no apartamento... Eu falhei.

Começa a chorar sem controle, mesmo que não queira, nunca se sentindo tão sozinho como nesse momento.

- Calma... Não fica assim! – Kai tenta entender o que está se passando, mas já ciente de que o amigo bebeu... E muito. – Ele volta. Tenho certeza!

- Não... Ele esteve aqui... Não levou nada... – Tenta falar em meio dos soluços e choramingos. – As fotos... Ele viu... Kai... Ele falou... Que... Cansou de mim... Desistiu!

- Duvido! Não foi o que senti no Aoi que falou comigo hoje à tarde. – Espera que o loiro consiga captar e entender o que tenta dizer. – Ele te ama demais, mas está magoado.

- Pois é... Eu... Fui uma besta! – Começa a bater na própria cabeça, parando ao perceber que apenas piora a dor que se inicia nela. – Nunca... Não vai... Me perdoar.

- Deixa de falar bobagem! – Kai se irrita com o diálogo depressivo com alguém tão bêbado como Uruha está. – Ele morreria por você, seu idiota!

- Não... Ele desistiu... Eu... Ouvi. – Segura as fotos na mão, abraçando-as como se apertasse Yuu em seus braços. – Eu... Perdi... Nunca mais... Ele volta pra mim.

- Ele foi visitar a família... E pensar. – Tenta ser o mais paciente o possível. – Tenta dormir e amanhã nos falamos. Ok?

- Aham... – Quase não ouve mais a voz de Kai, apesar de ter discernido algo a ver com visitar a família... E se ligasse...

Desliga sem nem sequer se despedir, abraçando-se ainda mais, apertando às fotos, deitando-se sobre as demais e caindo na inconsciência da embriaguez, sem pensamentos ou aflições, quase um coma... Sem sonhos ou pesadelos.

ooOoo

- Quem era? – Miyavi pergunta quando Kai volta à ofurô, observando-o interessado retornando da sala com uma toalha enrolada na cintura. – Queria saber por que você usou essa coisa, se estamos aqui sozinhos?

- Era o Uruha! Ah vai... – Kai fica corado e totalmente sem graça. - Você sabe que fico envergonhado de andar pelado pela casa.

O baterista entra na banheira com cuidado para não cair, mas o outro o puxa de uma vez, segurando-o com força entre seus braços, totalmente extasiado com o rosto corado do namorado.

- Você sabe que fico taradão com essa sua vergonha, não é? – Ele o beija de leve. – Faz de propósito só pra me provocar.

- Não é não... – Kai tenta resistir um pouco, indignado com essa acusação infundada, mas acaba se derretendo nos braços que o aproximam ainda mais do corpo quente.

- Essa noite... Você estava tão... Tão... – Miyavi não sabe encontrar a palavra correta, pois qualquer uma o excita mais uma vez. – Delicioso... Gostoso...

Resolve resumir todos os adjetivos em um beijo apaixonado, tão quente que sente o corpo menor amolecer, ficando completamente entregue às suas carícias... Que se tornam cada vez mais intensas... Uma vontade quase irresistível de devorá-lo mais uma vez, mesmo depois das quatro vezes seguidas que tiveram no quarto.

- O que você acha de... Aqui na banheira... – Tenta falar, mesmo que o fôlego e o beijo intenso quase o impeçam. – Usarmos mais uma vez as bolinhas tailandesas?

- Hummm... – Kai se afasta ligeiramente do beijo e olha malicioso para o amante. – Ou você pode fingir que é um ladrão invadindo minha casa e... Me arrastar até a sala e me estuprar...

- Você anda muito safado, Yutaka! – Ele sorri gostando da imaginação fértil do moreninho nessa noite. – Já te amarrei e amordacei... Não foi o bastante?

- Não! – Faz uma cara de emburrado, mas claramente só para fazer tipo. – Eu quero o ladrão!

O cantor beija-o mais uma vez, mas agora sem tanto fogo, pois lembra o que veio fazer e acabou deixando de lado ao ver o delicioso baterista com aquela calça branca super justa e a camisa preta transparente quando abriu a porta. Separa-se dos lábios tentadores e tenta focar nos olhos dele, ainda sem saber como começar a difícil conversa.

- Yuk-kun... – É quase impossível resistir aos lábios sedentos que ainda procuram os seus. – Precisamos conversar... É sério.

- Isso é hora de dizer uma coisa dessas? – Kai ainda não se apercebeu de como a expressão do outro mudara, mas quando seus olhos se encontram de verdade... Pára e o encara também. – Pelo jeito é sério de verdade.

- Vamos sair da banheira. – Myavi diz já saindo e oferecendo a mão para ajudar Uke a fazer o mesmo com segurança.

Toda aquela mudança do cantor deixa Kai preocupado, pois nota o quão importante é o assunto. O que poderia ser tão importante a ponto de Miyavi parar um amasso daqueles? Geralmente o moreno tatuado não era de fazer tal coisa...

Ambos vestem os yukatas que sempre estão penduradas fora do box do chuveiro e caminham até a sala.

- Melhor você sentar. – Seu tom de voz está irreconhecível, contrastando com sua personalidade alegre.

- Você assim está me assustando. – Kai começa a ficar mais apreensivo, enquanto senta na poltrona próxima da janela.

Myv permanece de pé, ainda aflito em como iniciar essa conversa, pois a reação de Kai é imprevisível.

- Yuk-kun... Eu vim aqui hoje pra... – Sua fala é incerta, cheia de apreensão. – Te contar algo... Antes que você saiba por outras pessoas.

- Então diga... – Kai o incentiva, vendo Miyavi respirar fundo.

- Você sabe que eu deixei a PSC... – Pensa em começar assim, a fim de causar menos impacto.

- Claro! – O sorriso do baterista tenta aparentar uma calma que não existe de verdade. – Discutimos isso antes da renovação do seu contrato.

- Então... Não foi... – Respira fundo, pois não há uma forma fácil de dizer isso. – A única mudança radical na minha vida.

- Uhm... O que... Você quer dizer com isso? – Já começa a tremer, torcendo os dedos como sempre faz quando se sente nervoso.

O namorado se coloca a frente dele, agachando-se diante do inquieto Yutaka, já pensando em tudo de ruim que pode ter acontecido para acabar com sua felicidade... Como em geral acontece.

- Lembra da Melody? – Fala em um tom calmo, procurando não alarmá-lo. – A garota com quem eu...

- Tem saído desde que começamos a namorar. – Kai tenta apressar essa maldita revelação que parece engasgada na garganta de Myv. – Aquela que iria afastar a mídia de nós dois.

- Sim... Ela mesma... Bem... Eu... – Quer falar, mas as palavras não saem.

Uke Yutaka se levanta de um pulo, afastando-se dele com a expressão com um misto de surpresa, frustração e raiva. Tudo que temia quando toda essa história com a bonitinha cantora pop começou parece materializar-se a sua frente.

- BAKA! – Sua vontade é socar o rosto bonito que o observa súplice, levantando devagar. – Como pôde fazer isso comigo? Precisava sair com ela em todos os sentidos? Seu... Seu...

- Me perdoa... Por favor! – Ele se aproxima, querendo segurar a mão do namorado, que treme intensamente. – Eu precisava ser convincente... Ela precisava acreditar que estávamos juntos.

- Não se aproxima! Não me toca! – Empurra o outro pra longe de si, incapaz de olhar em seus olhos. – Como alguém inteligente como você nunca ouviu falar de uma coisa chamada... CAMISINHA!

- Eu usei... Juro! – Tenta novamente aproximar-se dele, mas percebe que é pior, então paralisa diante do rapaz que anda de um lado para o outro da sala. – Ele vai nascer... Em julho.

- Eu quero que você e essa... Essa... Nojentinha... – Olha pela sala em busca de algo pesado para atirar nele. – Sejam... Muito... Ah, vai à merda! Não vou desejar algo que não sinto!

Kai dá as costas para ele, encostando-se na parede para não cair, as lágrimas brotando de seus olhos sem controle, um aperto no peito impedindo-o de respirar direito. Sente então os braços fortes envolvendo-o por trás, querendo muito gritar e dizer que vá embora para nunca mais voltar, mas... Se sente incapaz de fazê-lo.

- Não me manda embora da sua vida... Por favor. – Miyavi não consegue conter a dor que o oprime neste momento. – Eu não vou agüentar.

- Mas o que você espera de mim? – Encosta a cabeça no peito do namorado, totalmente vencido pela desilusão. – Vocês estão juntos, não é? Vão ser um casalzinho feliz com um filhinho nos braços. E eu? O que sobra pra mim?

- Seja meu amante! – O cantor não consegue pensar em mais nada a oferecer ao homem em seus braços. – Não posso te perder.

Kai se volta, empurrando-o de leve, mantendo a mão sobre o peito dele a fim de manter a distância segura.

- Tem noção do que está me pedindo? Quer que eu viva das migalhas? Ficar com os restos da talzinha com quem você vai ter um filho? – Suas lágrimas rolam sem controle. – Pode esquecer! Não sou 'o outro' de ninguém.

- Entendo... – Myv se afasta devagar, pegando suas roupas sobre o sofá e vestindo-se sob o olhar de Kai. – Não posso condená-lo... Talvez eu também não aceitasse essa situação. Mas... Nunca duvide do que sinto por você.

- ...! – O baterista nada consegue dizer, apenas olha para o namorado... Não! Ele não tem mais um namorado.

O cantor se aproxima dele, depositando um beijo suave em seus lábios e saindo em seguida, sem nada dizer.

ooOoo

Takashima toma mais um analgésico, tentando desesperadamente acabar com a terrível dor de cabeça que o faz sentir o pior mal-estar de toda sua vida. Sua vista continua turva, o mínimo ruído o irritando, a simples visão de comida o enjoando... Nem vai prometer para si mesmo nunca mais beber, pois sabe que não vai cumprir o prometido.

Assim que o remédio começa a fazer efeito sua mente se reorganiza, os acontecimentos do dia anterior deixando-o intrigado. A mochila ainda no meio do caminho, as fotos amassadas sobre a cama...

"O que o Kai disse mesmo quando eu liguei? Pois... Eu liguei pra ele... Ou não?" – Tenta se concentrar a fim de pensar melhor.

Pensa em tudo que esses indícios podem significar... Procurando a verdade ou tentando se enganar, buscando alguma esperança?

- O Kai me disse... – O pensamento mais centrado traz de volta a conversa ridícula que teve com o amigo, com direito até as clássicas lágrimas de bêbado. – Que droga... Depois me desculpo por ter alugado o ouvido dele. Mas ele me disse que o Aoi foi pra casa dos pais.

Poderia esperar a volta dele, assim conversariam de cabeça fria, mas algo dentro de seu coração pede que não espere, pois pode ser tarde demais. Então o ideal é ligar direto para a casa dos pais dele e desistir do celular, pois pelo jeito ele desligou mesmo.

"Mas será que eu tenho o telefone de lá?" – Pára uns minutos para pensar se alguma vez o namorado lhe deu o número da casa de seus pais. – "Uhmm... Tenho sim! Mas... Onde eu guardei aquele papelzinho?"

Kouyou caminha até o quarto e começa a abrir as gavetas das mesas de cabeceira, sem nada encontrar. Pára mais um instante, seguindo a lógica de sua mente e tentando imaginar onde consideraria um lugar bom para guardar uma coisa dessas. Vasculha os bolsos das suas jaquetas, mas nada. Só pode ter feito alguma associação para poder lembrar e...

- Claro! – Sorri com a beleza do seu raciocínio. – Onde mais eu lembraria do Yuu?!

Abre então a gaveta do guarda-roupa onde guarda as cuecas, um dos lados separado para o namorado deixar algumas dele para as horas de emergência. Mas... Está vazio!

- A mochila! – Corre para a sala e a pega, jogando sobre o sofá, sentando-se ao lado. – Eu mesmo juntei todas as cuecas dele aqui.

Começa a vasculhar, jogando as coisas para fora a fim de ver melhor... Presentes, bilhetes, poesias... Tudo que trocaram nesse período de um ano contido apenas numa mochila.

- Como todo esse sentimento pode se resumir nisso? – Isso dói fundo, um sentimento de culpa se apossando dele.

Chega ao fundo, as cuecas amontoadas e, no meio delas, um pequeno papel com o número do telefone da família Shiroyama.

- Achei! – Ele corre todo feliz para a mesinha de cabeceira onde deixara o celular, sentando na cama. – Você não vai se livrar de mim tão fácil!

O ruído do telefone tocando enche seu peito de esperança, um nó no estômago denunciando o nervosismo que se apossa dele, igual a um adolescente tentando marcar seu primeiro encontro.

- Alô... Bom dia! – Ouve nitidamente a voz feminina um tanto afogueada, provavelmente a mãe, que devia estar ocupada e correu para atender.

– Shiroyama-sama? – Fica meio tímido ao falar com ela. – Aqui é o Takashima... Amigo do Yuu.

- Kouyou? Sei quem você é! – A mulher fala carinhosamente. – Você é o namorado do meu filho...

- Bem... Ahm... – Se alguém pudesse vê-lo iria rir do tom quase roxo, ainda sem saber o que dizer depois de tanta espontaneidade da mulher. – Eu poderia falar com ele?

- Com o Yuu? – A mãe fica surpresa.

- É! Ele disse que ia passar as férias com vocês. – Começa a ficar preocupado.

- Não... Ele não veio pra cá! – A voz da mulher já não tem o mesmo tom gentil, tornando-se taciturno.

- Como não?! – Seu pressentimento dizendo que algo de muito errado está acontecendo, mas sem ter idéia do que, um medo instintivo apertando-lhe o peito, a respiração se tornando difícil.

"E agora?!" – É a pergunta que se faz enquanto tenta inventar uma desculpa convincente para tranqüilizar a mãe aflita no telefone. – "Yuu... Onde você pode estar?"

Continua...

ooOoo

E os pedidos da minha amiga Kaline continuam a ser atendidos, com o Kai aparecendo para uma cena quente e complicada. Tadinho... Vc quem pediu mais Kai. Logo vão me acusar de escrever mais pra vc do que pras presenteadas!

Mas e esse Kaoru? Um dos meus piores vilões! Qual será a decisão do Aoi? Uruha o encontrará? Kai e Myv conseguirão vencer os obstáculos?

A música ouvida por Kaoru e que Aoi escuta é 'Every Breath You Take', da banda The Police, que fala exatamente de um apaixonado que persegue seu objeto de desejo por todos os lugares. Bem Kaoru mesmo...

Agradeço mais uma vez a minha amiga e beta Samantha Tiger Blackthorne por ter lido e betado essa fic. Também agradeço a minhas amigas Yume Vy, Scheilla, Eri-chan, Litha e Annek-chan por terem lido e me ajudado a ser fiel aos GazettEs.

Relembro que esta fic é um presente especial para minhas queridas amigas Yume Vy e Samantha Tiger Blackthorne.

Agradeço de coração aos reviews que me incentivaram a continuar essa fic... Desculpe a demora, mas espero que compense.

Espero que gostem e COMENTEM!!!!!!!!!!!!

30 de Julho de 2009

07:42 PM

Lady Anúbis