Dizer que nossas mães - minha e de James - estavam exultantes com a ideia de um namoro entre nós seria muito errado. Para elas, era como se o curso do universo fosse mudar, agora que estávamos juntos. Não que estivéssemos juntos de verdade, mas eu não tive o coração para dizer isso à Mrs. Potter.

E não é como se James estivesse morrendo de vontade de corrigir nossas mães.

A conversa do jantar se resumia a qualquer coisa que pudesse levar à oportunidade de nossas mães lembrarem que estávamos juntos. Na verdade, chegou um momento em que saía naturalmente, como se fosse parte integral de qualquer frase. Aqui vão alguns exemplos:

- Eu agradeço o convite, mas James tem que trabalhar amanhã e Lily estará com ele. Já sabe? Estão namorando.

- Sim, iremos para Queenwood também. Lily irá com James, você sabe, eles estão namorando.

- Oh, Lily pode escolher para James. Eles estão namorando.

- Ele deve falar com Lily primeiro, entende? Agora que estão namorando...

Chegando ao ponto de ouvir Mrs. Potter dizer:

- Passe-me a água por favor? James e Lily estão namorando. Sem gelo.

Lógico que James teve que ser colocado ao meu lado à mesa e não perdia uma oportunidade de passar as mãos em minhas pernas. E não em seu usual estilo pervertido/tarado, mas quase como uma caricia. Perceba, mesmo que meu momento doida-de-pedra já tenha passado - e por doida-de-pedra entenda-se: meu autocontrole aparentemente inexistente no quarto, ter saltado em cima de James como se ele fosse um pedaço de carne e tudo o mais - eu não podia evitar a onda de excitação que subia pelas pernas todas as vezes que as pontas de seus dedos acariciavam minha coxa. De forma tanto inocente. Digo, santo Deus, eu estava a beira de um orgasmo e James estava completamente vestido e meus pais estavam do outro lado da mesa. Como isso é escrotamente possível? Ah sim, não deveria ser.

É isso, eu vou agarrar o primeiro cara que aparecer hoje. Meus hormônios estão claramente necessitados de ação masculina e é por tal razão que fico imaginando jogar James debaixo da mesa e fazer tudo o que não é permitido em público. Estou escandalizada comigo mesma, digo, eu nunca me senti tão frustrada!

Era difícil ser polida e educada enquanto James me tocava de modo tão despretensioso e ao mesmo tempo tão tentador. Tentei me concentrar nas famílias que ainda sobravam à mesa (os velhinhos já tinha ido embora).

Os Domville não trouxeram as trigêmeas, pois aparentemente havia uma festa do pijama acontecendo na sala de tv deles nesse momento. Os Pearce contavam com seus dois filhos, Caiden e Peyton à mesa. Os Falshaw conseguiram fazer a filha deles Viola, sair do laboratório e ser um pouco mais social - nas palavras deles - mas ela já era suficientemente encantadora para mim. Os Tindall tinham seus dois filhos, Oscar e Lewis Tindall com eles. Mrs. Jervois estava presente apenas com seu filho Augustus, já que ela é viúva. E por fim - além dos pais de James - os Byfield com Agnes e Chester, o filho mais novo deles, Alvin, estava em um jogo de futebol.

Lembrei novamente dos beijos de James e fechei os olhos tentado respirar normalmente. A mão de James tocou minha coxa mais uma vez, eu apenas virei discretamente o rosto para ele pronta para ameaçar cortar suas mãos, mas quando meu olhar caiu sobre sua boca tentadora eu esqueci o que exatamente eu deveria dizer.

Algo sobre James... E mãos.

James aproximou o rosto devagar, a essa altura eu estava pouco ligando para os convidados ou meus pais à mesa, só queria beijar James e saltar em seu colo. O cretino saído dos infernos apenas me provocou, fingindo que ia me beijar. Mandei mentalmente tudo se danar e beijei James suspirando com o fim da doce tortura.

James não foi exatamente cavalheiro se você quer saber, ele não parecia nada preocupado com nossa imagem à mesa e deslizou sua língua gostosa para minha boca sem pudores. Para o crédito dele, não é como se alguém estivesse prestando atenção em nós. Suas mãos se entranharam em meus cabelos e pus minha mão em seu braço.

Ouvi Donald - o mordomo de mamãe - pigarrear, e me separei de James sabendo que meu rosto estaria corado tanto pelo beijo enlouquecedor dele, quanto pela vergonha de tê-lo beijado à mesa com convidados.

Meu Deus. Olhe. O que. James Potter. Me causa.

Estou mortificada.

Alguém, por favor, arranje um buraco para que eu possa me enterrar.

Mr. Domville riu e se manifestou após tomar mais um gole do whisky:

- Oh, deixe as crianças. Estão apaixonados.

Mamãe riu, mas eu sabia por sua sobrancelha arqueada e o sorriso de lado que ela me pedia para ser mais discreta.

Eu lhe lancei um olhar de desculpas e antes que pudesse reclamar com James por suas provocações, Mrs. Domville perguntou:

- James, você acabou de lançar o segundo livro de sua última trilogia, estou certa?

James assentiu.

- Sim, tenho recebido muitas críticas positivas.

- Oh, minhas meninas adoram seus livros. - Ela sorriu - Já leram e releram.

Mr. Domville riu novamente.

- Não sei o que vou fazer para mantê-las ocupadas até o lançamento do livro final. Elas não nos deixam em paz. Querem que eu peça para você escrever mais rápido.

Risadas ecoaram pela mesa de jantar.

- Por favor, diga a elas que estou trabalhando o mais rápido que posso. E prometo que elas receberão uma cópia antes do lançamento oficial.

Mrs. Jervois sorriu:

- Você deve estar orgulhosa Dorea. - Ela tomou o último gole de sua bebida. - James é um homem lindo, bem-sucedido e educado. Você o criou maravilhosamente bem.

Mrs. Potter riu.

- Ele sabe que tenho muito orgulho dele. Aliás, de meus dois filhos.

Caiden, que estava se divertido com um summer pudding, olhou surpreso para Mrs. Potter e perguntou:

- A senhora tem outro filho Mrs. Potter?

Augustus lançou a Caiden um olhar confuso, mas foi Viola quem se manifestou:

- Você não conhece Sirius?

- Sirius? - Caiden olhou para James como se esperasse vê-lo se dividir em dois. - O único Sirius que conheço é o mulherengo do Black.

Mr. Tindall, que se sentava novamente após ter levantado e puxado a cadeira para que sua esposa pudesse ir ao banheiro, sorriu:

- Sim, Sirius Black. - Ele riu - Um excelente rapaz.

- Caiden. Francamente. - A mãe de Caiden, Mrs. Pearce, repreendeu para então se virar constrangida para Mrs. Potter - Eu sinto muito Dorea, ele não quis dizer por mau.

Mr. Potter acenou despreocupado.

- Não se preocupe Yeleena.

Mr. Domville riu e disse para Caiden:

- Ora, é um homem jovem e bonito. Todos nós passamos por essa fase. Estou certo Edward? - Ele perguntou de meu pai.

Papai riu mas apontou para Mr. Potter.

- Charlus era o pior. Definitivamente.

Mamãe sorriu para nossos convidados falando:

- Edward está certo, Charlus era o pior. Eu mesma tive que estapear muitas oferecidas que apareciam no apartamento que dividíamos. Lembra-se Char?

Mrs. Tindall que voltava do banheiro, sentou-se novamente e pegando a conversa por ali acrescentou:

- Oh, eu lembro dessas oferecidas. Dorea, agradeça à Deus por Violet ter morado com Charlus por três anos. Ela era a única que conseguia colocá-lo na linha.

- Violet sabe como sou grata. - Mrs. Potter sorriu para mamãe - Além da reputação, Charlus ainda tinha Edward e Joseph que também não eram lá o melhor exemplo de comportamento.

Papai pigarreou e Mr. Byfield fingiu que não era com ele. Agnes não deixou quieto:

- Como o senhor pode repreender Chester, quando não se comportava quando era jovem?

Mr. Byfield tentou se explicar com algum humor:

- Faço isso para que ele não esteja, vinte anos mais tarde, sendo questionado por sua filha mais velha em um jantar.

Todos riram.

Chester deu de ombros com um sorriso.

- O senhor está se saindo muito bem.

- Por que não mudamos de assunto? - Ele riu.

Caiden voltou a falar de Sirius com curiosidade:

- Eu não tinha ideia de que ele era seu filho.

Mr. Potter sorriu paciente.

- Não biologicamente, mas o temos como um filho légitimo sim.

Mrs. Tindalle riu.

- É incrível como ele se parece com você Dorea.

Mr. Falshaw completou:

- Sim, tem os olhos dela. Mas o comportamento é igualzinho ao de Charlus quando novo.

James riu.

- Oh, que sorte o senhor tem por ele não ter vindo pai. Depois de ouvir algo assim Sirius não o deixaria em paz.

Mamãe aproveitou a oportunidade para chamar Donald.

- Don, por favor, prepare a sala de chá para nós. - Ela pediu.

Ele se curvou levemente em assentimento e sumiu na cozinha.

- Bem, vamos sentar na sala de chá para ficarmos mais a vontade. - Mamãe sorriu e papai, que já estava de pé, puxou a cadeira para ela. - Don providenciará mais bebidas, chá e algumas coisinhas.

Mr. Tindall, sua esposa e seus filhos levantaram-se também, mas ele sorriu pedindo desculpas para mamãe.

- Eu e Lucy agradecemos o convite Violet, mas já vamos.

Mamãe pareceu um tanto desapontada, mas abraçou de volta Mrs. Falshaw que agradeceu:

- Obrigada pelo jantar maravilhoso Vee.

- Eu agradeço sua companhia Lucy. - Mamãe sorriu.

Eu me despedi de Oscar e Lewis e os levei até o elevador. O restante se dirigiu à sala de chá guiados por Donald.

Peyton, alegre e falante, se sentou ao meu lado em um dos sofás. Augustus, que estava claramente interessado em Peyton, rapidamente - ainda com classe - se sentou ao seu lado. Viola, Agnes e Chester sentaram-se em outro sofá, Viola estava um tanto vermelha e me perguntei se Chester já estava pondo em uso os dons que herdou - aparentemente - de seu pai.

Minha mãe e as outras mulheres se sentaram à mesa se chá e papai e os homens nos sofás do outro lado da sala.

James tomou o outro lugar ao meu lado, sentando-se de forma um tanto possessiva com sua perna encostando a minha e o braço descansando na parte superior do sofá casualmente. Já não tão casualmente eu sentia seus dedos acariciarem meu ombro.

A verdade é que não me importei. Depois de toda aquela loucura dentro do quarto e nossas brigas constantes, era surpreendente ver esse lado carinhoso de James. Seu lado selvagem estava lá, isso não é segredo. Ele sempre existiu e James nunca o escondeu. Mas esse lado carinhoso? Eu não sabia como agir.

Claramente meu ódio por ele não podia ter sumido assim, do nada. Mas considerando que eu sempre o achei terrivelmente tentador e nossas últimas semana de convivência tem sido consideravelmente melhores... Bem, para ser sincera mesmo nos odiando, nós sempre passamos por situações um tanto íntimas um com o outro.

Oh meu Deus, eu não sei nem mais o que estou falando. Não faz sentido algum.

Massageei as têmporas tentando por alguma ordem em minha cabeça.

- Lily? - Ouvi a voz de Peyton.

Levantei a cabeça depressa.

- Oh, sim?

Ela riu.

- Para onde viajou?

Corei.

Francamente Lily, isso não é hora de analisar seu relacionamento com Potter.

Digo, nosso relacionamento não existente.

- É, Lily. - Ouvi James rouco em meu ouvido - Em que estava pensando?

Eu lhe lancei um olhar reprovador.

- Em nada querido. Comporte-se, não quero que Donald nos chame atenção de novo.

Ele riu mostrando seus dentes perfeitos e eu decidi voltar a me concentrar em Peyton e sua conversa agradável, mas James fazia disso uma tarefa um tanto difícil todas as vezes que roçava as pontas dos dedos em meu ombro. Quinze minutos depois eu não aguentava mais receber os carinhos de James e não tocá-lo de volta, por isso levantei depressa com uma ideia:

- Oh, por que não vamos até a sala de jogos e achamos algo para nos divertir?

Peyton sorriu maravilhada.

- Eu adoraria Lily!

Olhei para os outros convidados, esperando por algum tipo de manifestação. Augustus prontamente concordou com Peyton, Agnes e Chester acharam divertido e Viola, que no inicio não parecia muito confortável, por fim aceitou.

Não me preocupei em olhar para James e Caiden. Eles certamente fariam o que nós fizéssemos. Avisei minha mãe que estávamos a caminho da sala de jogos e ela apenas acenou com as mãos para indicar que havia ouvido. Ela estava por demais entretida na conversa.

Assim que entramos na sala, Peyton e Agnes começaram a mexer nos jogos disponíveis em um dos armários de mogno da sala. Caiden e Augustus foram direito à mesa de jogos pegar cartas.

James me seguia como uma sombra, seu ombro enorme encostando em minhas costas todas as vezes que eu parava de andar. Ele colocou sua mão na base de minhas costas e murmurou:

- Que tipo de jogo você quer jogar, ruiva?

E eu entendi muito bem seu recado.

- Sei jogar qualquer coisa Potter. - Tentei ignorá-lo.

Ele riu baixo e perigoso.

- Você me parece do tipo que monta uma estratégia antes de começar.

- Eu só jogo para ganhar, amor. - Lhe sorri olhando-o por cima dos ombros.

Caiden pigarreou e falou um tom mais alto que o costume.

- Vamos jogar cartas?

Viola fez uma careta, mas permaneceu calada.

- Oh, não. Vamos jogar algo diferente. - Peyton reclamou com seu irmão.

- Diferente como? - Caiden perguntou impaciente.

Agnes puxou uma caixa de jogos e levantou mostrando-a para nós.

- Imagem e ação!

Só podem estar brincando comigo. Não existe basicamente na terra, um jogo no qual eu seja pior.

Os olhos de Peyton brilharam e ela quase pulou de excitação.

- Vamos!

Caiden olhou para o jogo descrente.

- Que diversão teremos com um jogo desse?

Chester riu e sugeriu:

- Vamos jogar strip-poker.

James riu ao meu lado, mas agarrou minha cintura e disse a Chester.

- Por mais que sua ideia me agrade, eu sou o único que tem o prazer que ver o corpo nu de minha namorada Byfield. Se você me entende.

Chester percorreu de forma rápida meu corpo com os olhos e sorriu para James:

- Compreendo. Caso Lily fosse minha namorada eu teria o mesmo resguardo. Certas coisas devem ser guardadas para o quarto. - Ele riu.

Não pude evitar ficar vermelha com o comentário de Chester, primeiro por ser um tanto inadequado. Segundo por ser estranho de todo vindo de Chester, quem eu conheço desde os 12 anos.

- Não sei se vou querer jogar. - Caiden disse desinteressado.

- Por quê não? - Augustus perguntou antes de olhar para Peyton - Podemos jogar em duplas.

- Duplas? - Eu repeti - Por quê não mulheres contra homens?

- Acredite em mim, será mais divertido.

- Ele tem razão, Lily. - Agnes disse.

- Eu tenho uma ideia excelente. - Chester disse. - Ouçam, jogaremos em duplas, toda vez que uma alguém fizer uma mimica todos poderemos tentar acertar. A dupla que acertar, ganha um ponto e o direito de escolher uma outra dupla para beber uma dose.

- Dose de que? - Viola perguntou.

Chester acenou com uma das mãos.

- Qualquer coisa. Vinho, whisky, vodca, licor...

- Como isso é uma ideia excelente? - Peyton perguntou.

- Você vai ver depois que tivermos um bando de bêbados fazendo mímica. - Chester riu.

- Bem, parece divertido. - Augustus comentou.

- Vamos jogar? - Agnes se sentou no tapete da sala com a caixa.

Peyton deu de ombros.

- Não era exatamente o que eu esperava, mas por mim tudo bem.

- Como vamos dividir as duplas? - Caiden olhou para mim em questionamento.

James tirou os sapatos, sentando no tapete e puxando-me para seu colo.

- Eu não sei vocês. Mas Lily é minha dupla.

Peyton riu.

- Todos já imaginávamos James.

- Viola é minha dupla. - Chester falou sentando-se ao lado dela.

Agnes não pareceu incomodada por um segundo com a atitude do irmão.

- Peyton, quer jogar comigo? - Ela perguntou.

Augustus e Caiden olharam um para o outro desconfortáveis.

- Peyton, você não quer jogar com Augustus? Eu jogo com Agnes.

- Não, irmão. Obrigada. Eu e Agnes seremos uma dupla excelente.

Viola e Chester foram a primeira dupla a beber a mando de Agnes, que acertou com facilidade a mimica de Augustus. E agora eu entendia porque Agnes não quis formar dupla com o irmão. Ela aumentava consideravelmente as chances de Chester com Viola após algumas bebidas, - Viola mal tinha tomado dois "shots" de tequila e já estava bem mais desinibida - além de ele ser um péssimo mimico, claro.

- Serrote! - Peyton disse.

- Murro! Soco! - Caiden sugeriu. Ele ficou terrivelmente competitivo após algumas bebidas também. - Socar! É um verbo?

- Motor de lancha. - James disse.

Agnes apontou para James.

- Certo!

James beijou minha boca comemorando a vitória e anotando mais um ponto para nós. Pontos, feitos em maioria por ele, pois eu não conseguia acertar uma. Acabava pensando nas coisas mais improváveis por primeiro. Ele era muito bom nisso

- Motor de lancha? - Caiden reclamou, a língua já enrolada. - Que porra de mimica foi essa?

- James acertou. - Agnes deu de ombros e cambaleou de volta para o lado de Peyton que - eu descobri - quando bebia, ria de forma incontrolável.

- De quem é a vez? - Alguém perguntou.

- Lily!

- Oh! - Eu exclamei ficando de pé após pegar uma carta.

Haviam três opções no meu cartão. Nenhuma delas possível. Francamente, eu gostaria de saber quem são as pessoas que escolhem o que por no cartão. Entre sertão, linha de fogo e O Flash, decidi ficar com O Flash.

Eu comecei a correr no lugar - na verdade algo que se assemelhava mais a pulos ritmados - pensando que seria deduzível imaginar que corro tão rápido que eu havia dado a volta na sala mas ninguém teria visto. Ficou claro após meio minuto que minha ideia não era das melhores. Então tentei ser rápida de verdade dando uma volta pela sala, mas eu continuava a ouvir coisas como: maratona, jogging, corrida, correr, fuga e outros. No meio de minha segunda volta pela sala, tropecei no descanso para pés de papai e - por sorte - me agarrei na poltrona mais próxima.

Peyton explodiu em uma gargalhada exagerada, Agnes se contorceu de tanto rir e eu não consegui evitar rir junto, desistindo de minha mimica e fazendo James e eu beber uma dose.

Meia hora mais tarde passamos de um grupo jovem bem-sucedido a um punhado de bêbados babões. Chester era definitivamente o mais bêbado de todos e ao contrário do que ele inicialmente havia planejado - tirar proveito da pobre e inocente Viola - era ela quem estava tirando proveito dele. Eu já havia visto as mãos de Viola percorrer quase toda parte do corpo de Chester, que também não estava exatamente sentindo-se violentado.

Peyton parara de rir e estava dormindo em posição fetal com a cabeça debaixo de uma das poltronas verde e dourada da sala de jogos. Eu lembro que estava um tanto tonta, mas estava ao menos confortavelmente recostada em uma almofada quentinha. Caiden e Agnes discutiam qualquer coisa sobre ser válido ou não fazer mimica da primeira letra da palavra. Então vi Donald entrar e o ouvi dizer algo sobre motoristas e roupas. No momento seguinte eu estava flutuando nos braços de James, ele se dirigiu a porta da sala de jogos e eu agarrei uma garrafa de sekt meio cheia que estava na bancada de madeira envernizada de mamãe e tomei um gole.

- Por hoje chega, Evans. - Eu o ouvi dizer tomando a garrafa de minhas mãos.

- Awn. - Reclamei enfiando meu rosto na curva de seu pescoço.

Senti a pressão de seu aperto em mim ficar mais forte e introduzi minha mão por dentro da gola de sua camisa dando uma mordidinha em seu pescoço.

- Comporte-se, ruiva.

- Eu não quero me comportar. - Murmurei.

Ele deu uma curta risada e entramos em meu quarto.

- Você precisa, está tornando mais difícil para eu me comportar.

Foi minha vez de rir. Ele me colocou na cama de forma gentil e não precisou se preocupar em tirar meus sapatos que deviam estar jogados no tapete da sala de jogos. Eu afastei com um movimento um tanto descoordenado o cobertor com o qual James me cobrira, ajoelhando-me na cama e passei a tentar - sim, tentar, minha coordenação motora é reduzida a -20 quando eu bebo - desabotoar meu vestido. James desligou as luzes e se dirigiu para a porta parando apenas quando eu gemi seu nome inconformada. Eu o vi virar o rosto em minha direção e falei:

- Preciso de ajuda.

Sinceramente, nesse ponto eu estava mandando tudo para o inferno e pouco me danando para minha resolução de odiar James Potter para todo o sempre. O bastardo é o homem mais sexy e tentador que eu já tinha visto e choveriam macacos antes de eu permitir que ele saísse por minha porta sem - depois de todo aquele caralho de provocação que tive que suportar durante o jantar - ao menos um beijo de boa noite decente do meu pseudo-namorado. Ei, se é para aguentar esse tipo de situação, que hajam benefícios certo?

James fechou a porta atrás dele e caminhou devagar em minha direção. A luz da cidade passava por alguns feixes em minha cortina permitindo aos meus olhos se acostumar de forma rápida com o escuro.

- Você não tem noção do perigo, ruiva. - Ele murmurou rouco antes de descer o olhar e as mãos para onde as minhas estavam, no primeiro botão de meu vestido.

Eu permaneci de joelhos enquanto ele se aproximava um pouco mais de mim - e consequentemente da cama - para manipular melhor os botões e o ignorei perguntando inocentemente:

- Não quer sentar? - Indiquei o espaço ao meu lado na cama com a cabeça. O movimento fez tudo rodar por um momento, mas segurei nos ombros de James para não me desequilibrar.

- Não, obrigado. - Ele estava no quarto botão e descendo.

- James Potter está com medo? - Eu zombei risonha liberando uma mão de seu ombro para tirar o cabelo de meu rosto, depois murmurei provocante - Eu não vou fazer nada que você não queira.

A mão de James achou depressa o caminho para a base de minhas costas fazendo com que eu levantasse o corpo ficando a centímetros do dele.

- Não há nada que você possa fazer comigo que eu não queria, Evans. Estou mais preocupado com o que eu posso fazer com você. - Sua voz soou perigosa.

E eu decidi que gosto do perigo. Quase perdi o ar achando que ele me beijaria, mas James somente encarou-me tentador e senti as pontas de seus dedos empurrarem as mangas de meu vestido - agora já todo aberto - para baixo.

Ele me empurrou com lentidão deliberada, deitando-me na cama e terminando de puxar meu vestido por minhas pernas. Eu estiquei minha perna para ele:

- E a meia-calça?

James inclinou-se para mim, subindo na cama. Ouvi um riso baixo e rouco no momento que ele alcançou a borda da meia-calça.

- Sem pressa. - Ele deslizou devagar a peça por minhas pernas no que pareceu uma eternidade deliciosamente torturante.

Agora eu estava só em minha minúscula lingerie roxa e toda vez que eu olhava para James eu tinha vontade de - mesmo ele estando obscenamente sexy com aquele colete por cima da blusa social azul - arrancar suas roupas e sentir a pele quente contra a minha.

Ele se afastou indo até meu armário quase vazio - já que a maioria de minhas roupas estão em minha casa agora - e abriu procurando provavelmente por algo para me dar para dormir.

- Deus, Evans. Você tem outra coisa que não seja lingerie e sapatos nesse armário?

Eu ri.

Ele se voltou para mim tirando rapidamente o colete e a blusa em seguida. Eu sentei na cama e o observei. James é indescritível.

Ainda na calça - para meu desgosto - ele se aproximou, passou sua blusa por minha cabeça e então pelos braços. Seus dedos tiraram delicadamente meu cabelo de meu rosto e ele me cobriu mais uma vez.

- Boa noite, Lily. - Ele disse para então murmurar em meu ouvido - Saiba que vou passar a noite inteira sonhando com todas as coisas que quero fazer com você.

Senti seus lábios traçarem de forma tentadora um caminho por meu pescoço, percebi que o pescoço dele estava desprotegido. Como naquela noite, dei uma longa lambida até chegar no lóbulo de sua orelha e ouvi - para minha satisfação - um curto e gutural gemido.

Então beijei sua boca, suspirando com o fim da tortura. Eu invadi com minha língua sua boca, colando nossos corpos quentes ao sentir a língua dele responder com igual energia. Empurrei James sentado para sentar-me por cima dele, meu corpo arrepiando-se ao assimilar o nível de excitação dele. Chegava a doer em mim.

- James... - Suspirei quando ele invadiu minha blusa para explorar minha pele.

Ele me deitou entre os travesseiros e desceu beijos por meu pescoço abrindo a blusa que ele acabara de fechar. Porém, sem tanta delicadeza dessa vez.

Fechei os olhos e sorri imersa nas mais envolventes sensações; no momento seguinte, acordo enrolada em meus lençóis na cama com a luz do Sol tentando entrar por entre minhas cortinas.

Levantei, sentando depressa na cama e olhando ao redor. Bufei caindo novamente entre os travesseiros.

No dia seguinte meu mau-humor era quase físico. O que é compreensível vendo o quão frustrada fiquei depois da noite passada. Eu estava irritada. Eu estava irritada demais. Pelos céus eu estava tão irritada que rosnei para a moça simpática da pequena lojinha onde compro minhas verduras.

Tudo por causa de Potter.

Digo, oi? Eu estava parcialmente bêbada, quase para explodir de tesão e aberta - literalmente - a qualquer sugestão safada que ele tivesse para dar. Tudo o que eu esperava dele era que rasgasse suas roupas e pulasse na cama comigo!

É pedir demais? Eu acho que não.

Ele tinha que me largar como se eu estivesse pegando fogo - é justo dizer que eu estava - e sair pela maldita porta?

Decidi que nunca mais bebo uma gota de álcool com James por perto. Toda vez que lembro da outra lambida que dei em seu pescoço tenho vontade de me atirar em frente à um carro. Quero dizer, francamente, Lily, você não tem autocontrole algum? O pior é que eu não sabia se era agradecida ou não por não lembrar da noite inteira.

Assoprei minha unha recém-pintada segurando cuidadosamente o celular perto do ouvido.

- Evans! - Ele gritou do outro lado da linha.

- Não sou surda, Potter! - Gritei de volta.

- Podia ser mais feminina também, não? - Ele disse divertido.

Desliguei o telefone.

Francamente, ele acha mesmo que eu vou perder meu precioso tempo ouvindo-o dizer que eu deveria ser mais feminina? Eu sou feminina! A culpa é toda dele se eu preciso ser grossa o tempo todo.

Voltei a pintar as unhas dos pés, e o telefone tocou mais uma vez. Estreitei os olhos ao ver o número de James no visor. Deixei tocar mais uma vez por pura tortura, então atendi.

- O que é?

- Porque desligou o telefone?

- Potter, eu acho que deixei claro as circunstâncias nas quais você poderia me ligar. - Segurei o pincelzinho do esmalte longe do tapete. - Se seus pais estiverem precisando de mim, se alguém com quem me importo estiver morrendo.

- Bom, meus pais não precisam de você e eu não estou morrendo.

- Estou tentando pintar as unhas Potter! Aliás, quando eu disse que você está na lista de pessoas com quem me importo?

- Você não precisa dizer doçura - Ele respondeu sarcástico - Eu preciso que vá por a comida de Coffee. Eu vou me atrasar um pouco e já passou da hora de ele comer.

- Por favor? - Eu disse esperando a "palavra mágica".

- O prazer é meu. - James respondeu antes de desligar.

Filho da...

Argh.

Levantei pisando devagar para não borrar as unhas, eu teria que descer e pegar as chaves reservas com Mr. Sanders e eu sabia que não seria uma tarefa agradável. Ele já achava que James e eu erámos um casal desde a noite em que ele me trouxe para casa após a despedida de solteira de Alice. Não que eu quisesse ajuda dele, mas nós moramos no mesmo prédio e de todos os caras na despedida de solteiro de Frank - que era a três quadras da nossa - ele era o único que estava em condições de dirigir. A culpa foi minha, eu admito, já que no momento que ele me tirou do carro em seus braços eu o abracei com força e murmurei umas coisas que - ahem, agora não me são muito claras - eu tenho certeza que fariam uma virgem corar quando ele perguntou por minhas chaves. Porra, coisas que eu não falaria em meu estado normal.

E para piorar, no momento em que ele parou, comigo ainda em seus braços, na frente de Mr. Sanders para pedir minha chave reserva dele, eu dei uma longa lambida em seu pescoço. Eu estava completamente bêbada, só para deixar claro. Okay, James é muitas coisas, mas ele não é um canalha completo. Qualquer outro cara poderia ter se aproveitado muito bem da situação.

Mais tarde, já no apartamento de James, o telefone começou a tocar enquanto eu guardava a comida de Coffee no armário, mas eu ignorei completamente. Digo, pelo amor de Deus, eu não vou atender o telefone da casa de Potter. Ao fechar a porta da cozinha, eu ouvi a voz de uma mulher.

"Uh, James. Sou eu, Corine. Não quero incomodar, mas estou indo até sua casa deixar um pedaço de bolo que fiz. Caso não esteja, deixarei na porta. De qualquer forma você sabe que é meu. Beijos."

Encarei o telefone.

Beijos?

Francamente, quem ela pensa que é?

Mordi os lábios ligeiramente irritada quando uma ideia me surgiu. Lentamente andei até o quarto de James e abri a porta de seu armário.

Lembre-se Lily, você está fazendo isso para ajudar James. Apenas por isso. Quero dizer, ele deve estar sofrendo tendo que desviar da pobre menina o tempo todo. Aliás, você está fazendo para se ajudar! Afinal todos pensam que James e eu estamos juntos. Que desastre seria se alguém visse Corine saindo do apartamento dele.

Repeti esse mantra enquanto tirava toda e qualquer peça de roupa que eu estivesse vestindo para por unicamente uma das blusas de James. Em frente ao espelho dele, joguei minha cabeça para baixo bagunçando meus cabelos.

Cinco minutos depois, ouvi alguém bater à porta.

Preguiçosamente caminhei até a entrada e abri a porta sem perguntar nada.

Corine - a neta bronzeada de shorts minúsculos da Mrs. Mason - sorria de forma encantadora com um prato nas mãos. Seu sorriso morreu ao me ver, dando lugar a uma expressão confusa. Ela não disfarçou o olhar para as roupas de James em meu corpo e perguntou perturbada:

- Quem é você?

- Perdão? - Eu disse - Você está batendo em minha porta.

- Sua? Achei que James morasse aqui.

- Oh, ele mora. - Eu sorri.

- Mas...

- Sim? - Falei inocente.

- Você é a namorada dele ou algo assim?

Sorri.

- Algo assim. - Eu resisti a tentação de dizer que era namorada dele, afinal sabe-se lá o que ele havia dito ou feito com ela no dia do jantar.

- Oh. - Ela encarou-me muda.

- Sinto muito, o que você queria mesmo?

Corine corou.

- Ah, eu vim trazer um pedaço de bolo.

- Oh, que doçura. - Sorri amigável.

Parecia que Corine estava prestes a cavar um buraco e jogar-se dentro. Ou atirar-se da janela. E eu assegurei-a mentalmente que não iria atrapalhar se ela quisesse fazer qualquer uma das duas coisas.

Sabe o que dizem, não se meta na vida dos outros.

Oh, estou má hoje.

- Não é nada.

- Corine? - Ouvimos James perguntar.

Adivinhe? Quem procurava um buraco para se jogar agora era eu. Imagine só, pega no flagra por James Potter. Ele pensará que sou louca. Bem, devo ser pelo menos um pouquinho. Oh, não. Pior, ele pensará que estou com ciúmes.

Isso sim é absurdo.

- James! - Ela exclamou sorrindo.

Ele a ignorou olhando para mim e percorrendo meu corpo com interesse. Eu lembrei do dia que nos conhecemos. A calça baixa, o peito nu, minha semi-nudez... Foi o único momento em minha vida que pensei beijar - entre outras coisas - um cara que eu tinha acabado de conhecer.

- Foi embora e não me acordou, amor. - Falei tentado deixar claro para ele a situação.

Lógico que James não é nenhum idiota, ele logo deu seu meio sorriso maroto e aproximou-se de mim para depositar um rápido beijo em meus lábios aproveitando para colar meu corpo no seu. Preciso lembrar que estava apenas com a camisa dele? Fiquei meio tensa com a proximidade física repentina e acho que Corine notou.

- Não queria te incomodar, ruiva. - Ele sorriu.

Corine nos olhou desconfiada ainda com o prato com bolo nas mãos.

James sorriu para ela.

- Não acredito que me trouxe mesmo um pedaço de bolo.

Ela apenas devolveu o sorriso e respondeu:

- Eu disse que traria, não disse?

- Você quer entrar? - Ele perguntou e eu quis pisar em seu pé.

Corine olhou de James para mim e para James novamente. Estava claro que ela não tinha comprado toda aquela história de amor e tudo o mais. Ela deu de ombros:

- Por que não? Vou adorar.

Para os infernos com a pisada no pé. Eu quis dar uma joelhada na parte sensível de James. Digo, por que diabos ele teve que convidar a garota para entrar? Eu tinha trocado meia dúzia de palavras com ela e já a odiava.

Corine entrou passando os olhos pelo ambiente com curiosidade. James fechou a porta atrás de nós e se aproximou de mim falando:

- Lily vai fazer um chá para nós, não vai minha ruiva? - Ele agarrou minha bunda por cima da camisa que eu vestia.

Eu precisei de muito autocontrole para não gritar com ele sobre o quão inapropriado isso foi. Entretanto, quem sou eu para dizer? O cara chega em casa e eu estou com as roupas dele como uma psicótica.

- Claro, coração. - Eu lhe respondi com um sorriso.

Se ele estava achando que eu iria deixá-lo na sala para ser comido de novo e de novo na mente de Corine, ele está muito enganado. Caminhei graciosamente até Corine - internamente querendo arrancar o prato de suas mãos e atirá-lo pela janela - e com um pequeno sorriso desafiador - você sabe, de mulher para mulher - eu estendi a mão esperando que ela me entregasse o maldito bolo. Ela sorriu de volta, arqueando uma sobrancelha e me entregou o prato.

Ao fazer lentamente meu caminho para a cozinha, movendo os quadris de modo calculista, passei deliberadamente perto de James e como quem não quer nada, inocentemente olhei para seus lábios e entreabri levemente os meus. Ele me acompanhou com os olhos, da porta da cozinha fiz minha melhor cara e disse:

- Oh, não lembro onde você guarda o chá, James.

- Eu mostro para você. - James falou antes de se virar para Corine e dizer - Fique à vontade.

Entrei na cozinha, larguei o prato na bancada e encostei na ilha esperando por James que veio logo atrás, assim que ele fechou a porta sussurrei o mais alto que pude.

- Mas que porra? Por que você a convidou para entrar?

Ele deu de ombros.

- Qual é o problema?

- Você tem apenas parte do cérebro? E se ela descobrir a verdade?

- Se você agisse como uma boa namorada ela nem desconfiaria.

Eu o encarei chocada.

- Perdão? Quando não agi como uma boa namorada?

James se aproximou com uma sobrancelha arqueada.

- Quem sabe quando tentei beijar você e seu corpo ficou mais rígido que uma tábua.

- Oh, vai jogar a culpa de seu beijo medíocre em mim? - Eu apontei para o peito em revolta para depois zombar: - O que aconteceu com toda aquela história de "ninguém resiste" ao meu beijo?

A boca de James se curvou em um pequeno sorriso.

- Eu disse que não beijo quem não quer ser beijada, não disse Evans?

- Disse sim e pelo que vejo Corine está louca para beijar. Aliás, claramente não só sua boca. - Cruzei os braços arqueando uma sobrancelha.

- Lily Evans com ciúmes? - Ele riu levemente.

Revirei os olhos.

- Francamente, achei que já tínhamos encerrado tal assunto. E você me pegou de surpresa, eu não estava exatamente esperando um beijo seu.

Dessa vez ele pareceu surpreso.

- Você foi pega de surpresa? Volto para minha casa e você está em minha porta, vestida com minhas roupas, esperando-me como uma boa esposa ou algo assim e você foi pega de surpresa?

- Ah, então agora sou uma boa namorada? E pelo amor de Deus não faça escândalo, não é como se isso fosse chocante para você casanova.

- James? - Ouvimos a voz de Corine na sala - Seu gato me assusta.

Revirei os olhos e controlei meu impulso de vomitar.

- Garanto que ele está mais assustado com ela. - Eu falei dirigindo-me a porta para resgatar Coffee.

James me parou colocando-se à minha frente e levantando meu rosto para o seu.

- Talvez tenhamos que praticar mais.

- É talvez... - Eu fingi ponderar para depois bater sua mão para longe - Em outro universo, Potter!

- Perdão, deixe-me corrigir. Talvez você tenha que praticar mais.

- E talvez você beije direito da próxima vez.

- Talvez adiantasse se você me beijasse de volta como se quisesse! Ou será que Hugh beija melhor?

- Pelos céus, você está se ouvindo?

Ele balançou a cabeça concordando.

- Tem razão, nem em outra vida Hugh seria capaz de beijar melhor do que eu.

- Eu quis ressaltar seu ódio infundado por Hugh - Cruzei os braço - Não seu egocentrismo.

- Meu ódio infundado? E o seu por Corine? - Ele acusou.

- Seja coerente, Hugh não olha para mim como se quisesse me comer. Agora Corine? Só Deus sabe! Ela pode muito bem estar esperando nua por você na sala nesse instante que não me surpreenderia.

- Está de brincadeira. Aquele trouxa baba a camisa inteira quando a vê e você ainda acha que ele só quer ser um vizinho prestativo?

- Sinceramente, o comportamento de Hugh sequer se compara ao de Corine!

- Vai dizer que ele nunca tentou beijar você? E de onde você tirou essa ideia estúpida sobre Corine?

- Infernos, Hugh é tão lento que precisaria de três meses para pegar em minha mão que dirá me beijar! Oh Potter, eu não preciso ser muito criativa para saber o que acontece quando você tira suas roupas para uma mulher. - Apontei para seu peito.

- Mas o qu-

De repente ouvimos o barulho dos passos de Corine, e em uma velocidade quase sobre humana James empurrou-me contra a ilha da cozinha e capturou minha boca fazendo com que minhas pernas nuas enlaçassem seu quadril. Eu não lembrei nem mesmo o que estava fazendo antes de James me beijar, a única coisa que eu ouvia em minha cabeça era: caralhos, que beijo mais perfeito.

James sabe beijar. Fato. Puta merda, pelo que Marlene diz, ele sabe fazer qualquer coisa muito bem. A reputação dele definitivamente o precede.

Minha mão agarrou com certa agressividade o cabelo de James e apertei mais meu corpo contra o dele. A língua dele deslizava enlouquecedora por minha boca e suas mãos desciam por minhas costas lentas em uma caricia provocante que fazia apenas com que eu me arqueasse ainda mais contra ele.

- James. - Ela chamou.

Se James ouviu ou não, pouco me importa. Eu não ia parar de beijá-lo por causa dela. Meus ciúmes ridículos são tantos que mesmo entre os beijos de James eu pensava: oh, está vendo? James está um pouco enrolado... Em mim. Então, vai pastar querida.

Ela não pareceu intimidada - claro que ela não ouvi meu pensamentos - e apenas o chamou novamente quando ele descia as mãos para minha coxa. Eu tive que fazer muito esforço para lembrar que estou sem calcinha.

- James!

James finalmente desgrudou a boca da minha e eu quase gemi inconformada. Ele abriu os olhos focando nos meus para depois virar para Corine e dizer:

- Já estou indo, vou mostrar para Lily onde está o chá. - James sorriu simpático enquanto eu olhava para ela e imaginava tacar fogo em seu cabelo.

Minha parte disfuncional do cérebro - eu nem sabia que tinha uma - quis dizer que ele poderia me mostrar o que quisesse, mas a parte racional me obrigou a ficar calada. Corine me pareceu um tanto receosa de nos deixar novamente sozinhos, mas quando abriu a boca para protestar James insistiu.

- Por favor, espere lá.

- Está bem. - Corine fechou a porta atrás de si ao sair.

- Seu beijo melhorou, hon. - Ele sorriu maroto. - Logo eu poderei acreditar.

Arqueei uma sobrancelha e trouxe seu quadril mais para perto com a perna que ainda estava segurando-o de forma possessiva.

- Oh, você me parece excitado o suficiente, amor.

Ele riu e aproximou sua boca de minha orelha.

- Faça o chá depressa - James murmurou antes de morder meu lóbulo e minhas unhas cravaram em suas costas - Você não vai querer me deixar sozinho com Corine, vai?

- Só o tempo necessário para por a água para ferver Potter. - Eu o empurrei para longe protegendo minha nudez com a camisa enorme dele. - Se comporte.

Em alguns segundos eu já tinha posto a água no fogo e separados as louças para usar. Marcando o tempo em meu relógio, fui até a sala ainda vestindo apenas a blusa.

Corine falava alguma coisa que eu não me dei o trabalho de prestar atenção, ela estava sentada no sofá, perto de James, perto demais se você quer saber minha opinião. Mas, para mostrar que sou uma pessoa adulta e madura, sentei-me na poltrona que ficava ao lado do sofá.

James olhou para mim, e disse:

- Acho melhor você por um short ruiva.

Sorri-lhe marota.

- Não precisa James, Corine é mulher, tenho certeza de que ela não se importa - Eu cruzei as pernas - Não é, Corine?

Não é como se alguma coisa estivesse aparecendo, a camisa dele era suficientemente longa para me proteger.

Corine sequer olhou para mim.

- Claro que não. - Então ela fez um pequeno teatrinho pondo uma das mãos na cabeça - Oh, James! Que cabeça-de-vento eu sou, esqueci de trazer a camisa que você esqueceu lá em casa.

Vaca escrota.

Meu celular que estava na mesinha da sala apitou com uma mensagem nova, eu estiquei-me devagar para pegá-lo, observando James com o canto dos olhos. Ele discretamente acompanhou o movimento, lançando-me um olhar de aviso. Com o celular nas mãos, o olhei de forma inocente e eu tenho certeza que pode ler meu pensamento: "O que foi? "

A mensagem era de Petúnia reclamando por mamãe ter marcado o jantar justamente para a semana em que ela estava viajando e mais umas merdas sobre ser apunhalada pelas costas que eu não tive paciência para ler. Eu tive vontade de responder-lhe que mamãe havia dito a ela um mês antes a data do jantar e mandar a representação de uma gesto obsceno, - o que, para esclarecer, eu não faço com frequência, por alguma razão Corine está me deixando um tanto agressiva - mas tive uma ideia melhor e sorri para a mensagem como se fosse a noticia mais maravilhosa do dia.

Isso chamou a atenção de James que ainda ouvia alguma coisa que Corine falava, e o fez dizer:

- Uma boa noticia pelo que vejo.

Sorri para ele alegre.

- Oh, sim. Hugh disse que está livre para verificar o que há de errado com meu fogão. Vou esperá-lo em meu apartamento.

Ei, não é mentira. Ele se ofereceu mesmo. Enquanto James não parecia muito feliz, eu por outro lado, gargalhava internamente.

- Não vejo porque incomodá-lo, eu posso consertar para você.

- Não quero ocupá-lo - Movimentei-me na cadeira como quem vai se levantar - E você tem visita.

- Por isso mesmo que não deve ir. - Ele contrapôs.

- Oh, eu não me importo. - Corine me sorriu e bateu seus cílios para mim com meiguice exagerada.

Isso é evidente sua piranha oferecida.

Preciso passar menos tempo com Dorcas e Marlene, meu vocabulário já está sofrendo as influências.

Nesse momento meu telefone tocou e ao olhar o visor, sorri novamente e levantei atendendo.

- E ai gata? - Lene disse - Vamos sair para comer hoje? O barman daquele restaurante de sushi perto da casa de Dorcas é muito gostoso e eu tenho certeza de que ele pode me ensinar outras coisas além de como fazer bebidas.

- Hugh, eu acabei de receber sua mensagem! - Falei simpática.

- Que merda? Você bateu a cabeça Lily? - Marlene falou do outro lado.

- Se não for muito incomodo para você eu agradeceria. - Continuei como se não tivesse ouvido Lene falar.

- Lily - James falou perigoso - Eu conserto para você.

- OhmeuDeus. Você está na casa de James! O que está fazendo ai? - Ela surtou ao ouvir James.

- Não precisa James, Hugh o fará rapidamente. - Falei com um movimento das mãos - Eu vou acompanhá-lo e já volto.

- Hugh? Consertar alguma coisa com você do lado? - Ela riu debochada - Só se for o zíper da calça dele.

- Bem - Eu disse me aproximando do local onde James estava sentado e acariciei provocativa seu queixo - James está um tanto relutante em ocupá-lo com isso, mas...

- Desligue o telefone, Lily.

- Oh, estamos um tanto possesivos, não? - Lene provocou. Não que James pudesse ouvi-la. - Pelo amor de Deus Lily, vá se trancar em um quarto com James, leve bebida e umas caixas de camisinha.

Corine nos encarava em um misto de raiva e ciúmes. O que é compreensível.

Fingi tapar o telefone e o afastei do rosto para falar com James.

- Eu agradeço de todo, Hugh. Estarei esperando voc-

E foi isso. Eu ouvi Marlene gargalhar do outro lado, James levantou tomou o celular de minha mão e o desligou para murmurar:

- Nós temos que conversar, Lily.

- Sim, amor. Sobre seus bons modos. - Tentei tomar o celular de volta para mostrar que ele não manda em mim e que, quando eu decido algo, mantenho minha posição. Isso e para ele não perceber que a última pessoa que me ligou fora, na verdade, Marlene.

James não facilitou minha vida e acabei desistindo do celular. Coloquei as mãos na cintura e disse irritada:

- Certo, fique com ele. - Dei de ombros - Hugh já está vindo mesmo. Divirta-se.

Marchei em direção porta abrindo-a e cruzando o corredor, quando lembrei que minhas chaves estão no shortinho que eu estava usando e que agora está jogado no chão do quarto de James.

Revirei os olhos irritada e dei meia volta, entrando no apartamento de James e fazendo meu caminho até seu quarto. Procurei o meu short no chão onde eu o havia deixado me abaixando cuidadosamente para pegar minha chave do bolso.

Assim que voltei para a sala, vi James e Corine em pé. Ela estava junto à porta não parecendo exatamente feliz.

- Oh, já está de saída? - Eu perguntei - Foi uma visita tão curta...

- Eu posso voltar outro dia. - Ela quase rosnou tentando explodir minha cabeça com a mente.

Inferno, eu não sei exatamente se era esse o objetivo dela, mas caralhos, era o que eu estava tentando fazer.

- Seria maravilhoso. - Forcei-me a ser civilizada.

Alguns momentos depois ela se foi e James fechou a porta virando para mim com um sorriso maroto. Ele pegou a chave de minha mão e gesticulou para a porta que ele acabara de fechar.

- Venha, vamos esperar Hugh.

Caralhos que se fodam.