QUATRO
Fórmulas, o rosto de Sai, mais fórmulas, o rosto de Ino... A minha cabeça estava um caos, ainda doendo por causa da batida na carteira, e tudo o que eu via estava borrado pelas lágrimas de decepção que eu não iria deixar cair de novo.
A última coisa que eu queria era ter que encarar Sai sozinha nos portões da escola, então quando vi ele comecei a correr e então comecei a correr ainda mais rápido, sem querer me virar para trás para descobrir se ele ainda me seguia. Eu só queria chegar em casa.
Depois de toda uma vida estudando no mesmo colégio, as minhas pernas conheciam o caminho muito bem. Acho que eu conseguiria encontrar ele mesmo estando de olhos fechados, mas eu não poderia atravessar uma rua sem enxergar nada. Foi uma buzina estridente que me lembrou disso.
O meu corpo se enrijeceu, parecendo se preparar para o impacto de metal sobre a minha pele, músculos e ossos que eu sabia que viria, mas o que aconteceu me pegou desprevenida. Eu senti calor.
Abri os meus olhos lentamente, já secos de apertar eles com tanta força. A primeira coisa que percebi era que eu estava na calçada do outro lado da rua. A segunda, era que alguém me abraçava.
Segui os braços que me envolviam até o rosto de um garoto. Ele tinha cabelos escuros, pele clara e olhos negros que pareciam estar avaliando o meu estado como se eles tivessem visão de raio-X. Quando o que ele viu, ou não viu, pareceu o deixar satisfeito, ele me levantou e começou a se afastar de mim, indo embora.
"E-ei..." Eu disse com a voz trêmula. Todo o meu corpo estava trêmulo.
O garoto se virou lentamente para me encarar. Com aquele olhar, quase esqueci o que eu estava querendo dizer.
"Obrigada." Eu disse me segurando nas alças da minha mochila como se aquilo pudesse me dar forças.
"Da próxima vez, olhe para os dois lados antes de atravessar." Ele me respondeu depois de me avaliar de novo.
Então ele recomeçou a andar, logo se misturando as outras pessoas que pararam para ver se eu estava bem e que agora também já começavam a se afastar. Senti um calor de vergonha subir pelas minhas costas, mas logo essa sensação foi substituída por outra: eu parecia já conhecer o olhar daquele garoto.
~x~
"O que você fez? Todos os daimons estão comentando! A nossa habilidade de tomar forma física é para ser usada apenas em último caso, sem falar na outra coisa que você fez." Jiraya perguntou depois de me fuzilar com os olhos por uns cinco minutos, parecendo estar muito irritado.
Não sei por que ele deveria estar assim, já que quem estava encrencado não era ele. A convivência com Naruto não devia estar fazendo muito bem a ele.
Pouco tempo depois que Sakura chegou em casa, Naruto apareceu na porta do quarto da menina com o seu daimon a tira colo. De acordo com o garoto, ele sentiu que alguma coisa tinha acontecido com ela e que ele deveria vir checar se ela estava bem. Para mim, isso era coisa de seu daimon.
Enquanto Jiraya tentava me interrogar, Naruto fazia Sakura cair do choro ao riso em questão de segundos. Garoto hiperativo. Garota irritante.
"Beleza, salvei ela da morte mudando assim o seu destino. Ainda não sei exatamente por que fiz isso, mas eu fiz e vou ter que esperar para ver o que acontece agora." Acho que todos os daimons da vizinhança me ouviram gritar. Respirei fundo, tentando ficar calmo. Vai ver a convivência com Sakura estava fazendo mal a mim também.
"Sasuke, Sasuke, Sasuke..." Jiraya disse balançando a cabeça como se fosse um pai repreendendo o seu filho malcomportado. "Você acha que é o primeiro daimon que desenvolve sentimentos pelo seu vínculo humano?"
Meu queixo caiu, em choque.
"O que você quer dizer com 'desenvolver sentimentos'? Eu não..." Comecei a balbuciar, mas não pude completar a minha frase.
"Calado! Conheço alguém que pode te dizer o que vai acontecer agora." Jiraya disse, pegando no meu ombro e me levando para uma praça em questão de segundos. Outra mágica daimon.
Se existia mesmo alguém que poderia me dar respostas, ele teria que ser rápido. Nós, daimons, não podemos ficar muito tempo afastados dos nossos vínculos.
Jiraya começou a me guiar através de árvores até chegar em um banco onde um rapaz lia um livro. Ao lado dele estava sentada uma mulher, que parecia acompanhar a leitura que ele fazia.
"Tsunade." Chamou Jiraya. A mulher levantou o rosto, estreitando os olhos para ele.
"O que você quer?" Ela praticamente rugiu aquilo.
Eu não estava interessando em saber o que havia acontecido entre eles para ela ter falado daquele jeito.
"Vejo que você ficou feliz em me ver. Eu também estou feliz em te ver, mas é ele quem quer falar com você." Jiraya disse apontando para mim.
Ela desviou os olhos na minha direção e pareceu aguardar. Suspirei e então comecei a falar. No final da conversa, foi a vez de Tsunade suspirar.
"Certo, nesse caso você tem duas opções: uma nova sucessão de acontecimentos que levarão a garota à morte será apresentada e dessa vez você não vai poder interferir ou então..."
~x~
Uma existência por outra, era isso que Tsunade havia me dito. A minha vida pela dela. Os deuses eram muito espertos, nunca pensei o contrário.
Não queria saber como Tsunade sabia disso, por isso não perguntei nada ao me despedir dela e voltar voando para Sakura. Agora eu tinha os meus próprios problemas para ficar me preocupando com os problemas dos outros.
Saí da frente da janela do quarto de Sakura, de onde eu estivera observando cada um dos seus movimentos pelas últimas seis horas e me sentei aos pés de sua cama. Aquele idiota hiperativo do amigo dela devia ter feito alguma coisa certa afinal, porque ela dormia tranquilamente. Em certo momento ela até chegou a sonhar comigo. Fiquei estranhamente feliz com aquilo.
A escolha que eu deveria fazer me pareceu óbvia desde que eu ouvira as duas opções. O seu primeiro sorriso, os primeiro passos, a queda do primeiro dente de leite, a primeira tentativa bem sucedida ao andar de bicicleta, a primeira nota alta, a primeira vez que ela chorou por amor, os olhos dela nos meus... Eu sabia que Sakura poderia fazer coisas incríveis se ela tivesse uma chance, e eu daria essa chance para ela.
Respirei fundo e olhei para as palmas das minhas mãos. Estava começando, eu já conseguia sentir partes de mim me escapando como água entre os dedos. Fechei os meus olhos, desejando que o daimon que tomasse o meu lugar ao lado dela também visse o que eu via, porque a sensação de perda começou a aumentar. Eu estava partindo.
Abri os meus olhos novamente para olhar Sakura pela última vez e então uma imagem começou a brotar nos cantos dos meus olhos e se expandiu até tomar toda a minha visão: nela, uma senhora aparentando ter uns 80 anos de idade olhava diretamente para mim. E ela sorria.
Eu conhecia aquele sorriso muito bem. Sakura.
Gente, cheguei a pensar que eu nunca terminaria essa fanfic, mas terminei! (Uma das minhas metas de 2014 cumpridas.) Só vamos ignorar quanto tempo isso levou para acontecer, certo?
Sei que nem todos vão gostar desse final, mas desde que comecei a escrever essa fanfic a minha ideia nunca foi deixar a Sakura e o Sasuke juntos no fim. Os dois pertenciam a mundos totalmente diferentes e não teria como isso acontecer. A minha intenção era mostrar os sacrifícios que uma pessoa que ama alguém de verdade é capaz de fazer. Amor de verdade, isso existe mesmo? Espero que sim.
Enfim, tendo gostado ou não, espero que vocês deixem comentários dizendo o que vocês acharam.
Sobre a minha vida: nesse meio tempo larguei a minha segunda faculdade, comecei a trabalhar (estou desfrutando das minhas primeiras férias nesse momento, uma pena que elas já acabam segunda-feira) e estou levando o resto.
Não sei se vou voltar a escrever alguma fanfic, mas espero que sim. Continuo lendo muitas! Se alguém quiser entrar em contato comigo, vou atualizar o meu perfil com links para as minhas redes sociais. Espero encontrar com vocês de novo! A família FanFiction sempre me fez muito feliz.
