Perfectly
There's no limit how far I would go, no boundaries, no lengths –
"-Naruto, o que faremos quando o encontrarmos?"
"-Obviamente o levaremos para casa!"
"-E depois?"
"-E depois o que?" – ele arqueou uma sobrancelha, perdido.
"-...O que vai impedí-lo de ir embora de novo?"
"-Nós, Sakura-chan!" – respondeu, sério.
"-...Naruto..." – Sakura parou por instantes, como se estivesse ponderando sobre algo. – "Sasuke tentou nos matar. Eu não acho que temos algum significado para ele."
"-...Você sabe que isso não é verdade!"
...E para ser sincero, já naquela época ele não tinha muita certeza
"-Naruto."
O loiro ergueu os olhos cansados para a mulher à sua frente, desviando todas as lembranças nas quais estava absorto e espreguiçando-se ao mesmo tempo em que soltava um longo bocejo – indícios claros de que ele estava cansado.
"-Shizune-sama." – ele cumprimentou, ajeitando-se na cadeira. – "Algo errado?"
A mulher de cabelos escuros suspirou, sentando-se à frente do Hokage e deixando sobre a mesa uma pilha de papéis e um vidro pequeno com uma substância arroxeada. Quase de maneira instantânea ele entendeu do que se tratava. Afinal, aquele era um problema do qual ele estava inconscientemente fugindo das últimas semanas, não...? Porque era muito fácil esconder-se atrás de seu trabalho e fazê-lo tomar tempo o suficiente de sua vida para que se quer pudesse parar para pensar na bagunça que ela havia se tornado. Ou no quanto aquela descoberta de Shizune ainda poderia piorá-la – e algo no olhar dela o dizia que a conversa que estavam prestes a ter não seria das mais agradáveis.
Naruto poderia ser muitas coisas, ingênuo muitas vezes entre elas, mas para certos assuntos ele era bem maduro. Sabia das possibilidades por trás daquele veneno e pensara em mil formas de confrontar a pior delas... A que o levaria à conclusão de que –
"-Som." – olhou para ela mais atentamente tão logo a palavra saiu de sua boca de maneira simples, leve e clara. – "A planta utilizada na composição é encontrada apenas nos arredores de Otogakure, Naruto."
Otogakure.
Som.
Sasuke.
As palavras, tanto as ditas quanto as implícitas, rodavam em sua mente de maneira óbvia e perfeita, piscando como letreiros e fazendo sua cabeça doer. Sentiu seus dentes cerrarem contra sua vontade e não soube dizer exatamente quando foi que seu chakra passou a responder à sua raiva, à sua falta de informações, à sua confusão mental, à sua dúvida... Só se deu conta de que havia algo errado quando seus olhos encontraram os de Shizune novamente. Então tudo pareceu parar.
Seria Sasuke mesmo responsável pelos ataques? Por mais que tudo o levasse a acreditar que sim, por mais que todas as evidências estivessem contra ele... Ainda faltava algo para convencê-lo: as palavras de Sasuke. Precisava olhar nos olhos dele e ouvir da boca dele as palavras que o sentenciariam como culpado para que finalmente acreditasse, para que finalmente fosse capaz de fazer algo.
Sasuke. Sakura. Família.
Sakura.
Percebeu que estava perdendo o controle novamente quando um grunhido escapou de seus lábios e Shizune levantou-se da cadeira.
"-Naruto! Recomponha-se! Nós ainda não temos indícios suficientes para –" – mas ele não estava ouvindo. Seu mundo havia sido desligado daquele e os sons ao seu redor colocados no mudo.
Sakura. Sua Sakura. Sua família.
Ele queria estar errado. Queria que tudo estivesse errado.
E mais do que isso – queria que ela pudesse estar ali com ele. Mas ela não estava. Kakashi também não estava...
Sasuke.
Ele o encontraria, custe o que custasse... Cumpriria sua promessa. Mas e se ele se provasse culpado de tudo...? O que faria?
Fechou os olhos e respirou fundo, passando a mão pelos cabelos. Primeiro o encontraria, depois pensaria no que fazer.
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Sakura estava cansada.
Depois de sua conversa nada amigável com o Kazekage há alguns dias atrás suas noites – de sono e de trabalho – não haviam sido as mesmas. Uma espécie de infecção havia se espalhado por entre pacientes já estabilizados e ela passara horas em claro até conseguir que as coisas finalmente voltassem ao normal, tudo aquilo colaborando fortemente para sua mente ficar ainda mais bagunçada do que Gaara havia manejado deixá-la.
Tudo estava indo errado, e Naruto, Sasuke e até mesmo o próprio Gaara pareciam ter se tornado pensamentos constantes em sua cabeça sem que ela realmente pudesse chegar a alguma conclusão sobre qualquer coisa. Algo a dizia que por algum motivo desconhecido Naruto tentara a privar da notícia sobre o Uchiha enquanto que por outro lado – e por outra razão que ela também desconhecia – Gaara decidira que ela deveria saber... Não, mais do que isso, ele decidira que a questionaria sobre aquilo. Mas porque? E ainda havia Sasuke por si só, o que ele queria? O que estava fazendo?
Levou as mãos à testa e massageou as têmporas, reunindo toda sua força de vontade para voltar a caminhar pela rua em direção à sua casa – se é que ela podia chamar a casa dos Sabaku de sua casa. Ouviu alguém passar por ela e comentar qualquer coisa sobre o quinto Kage, lembrando-se então de algo que havia constatado durante aqueles últimos dias corridos: o povo de Sunakagure parecia estar sempre falando de seu Kazekage. Culpava seus ouvidos aguçados à simples menção do nome ou da posição dele ao seu mais novo receio em ser chamada para outra conversa no escritório dele que não tivesse relação alguma com seus relatórios ou seu trabalho ali.
...O problema era que passara então a perceber que todos pareciam admirá-lo em um misto de fascinação e graditão onde todo o medo anterior não havia deixado resquícios. O povo gostava dele, e agora provavelmente queria o bem dele tanto quanto ele lutava pelo bem deles. Era estranho pensar que aquele garoto sanguinário e solitário havia mudado tanto, mas também era bom.
Mal percebeu que já havia chego aonde queria, e quando ergueu os olhos e abriu a porta percebeu inclusive que não teria forças suficientes para chegar até o quarto. Desde quando estava tão cansada assim? E como não percebeu antes...? Suspirou, desabando no próprio sofá e deixando que finalmente o cansaço, a exaustão e a falta de chakra tomassem conta dela. A situação no hospital havia pelo menos se estabilizado e ela esperava que agora, finalmente, pudesse ter seu tão merecido sono – sem sonhos, sem pesadelos, sem pensamentos...
Na verdade, a kunoichi estaava tão cansada que se quer lembrou que tinha que encontrar Gaara no final daquela tarde.
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Gaara estava irritado.
Parecia que quanto mais coisas ele fazia, mais coisas o conselho traria para ele fazer. E ainda haviam as malditas missões diplomáticas que teria que enviar nas próximas semanas, os problemas dos ataques nas fronteiras e a médica de cabelos cor-de-rosa; sendo essa última seu atual problema de maior magnitude.
A garota era um enigma ao mesmo tempo em que lhe parecia um livro aberto. Ele sabia exatamente o que ela pensava, mas não conseguia entender suas razões e suas motivações. Os valores que ela possuía lhe eram completamente estranhos e desconhecidos e aquilo não o agradava. Ele queria entendê-la por completo, embora nem ele mesmo tivesse descoberto ainda a razão daquele desejo.
Fitou o relógio de relance, o cenho franzindo de maneira involuntária quando percebeu que ela estava atrasada. E até onde tinha conhecimento, Haruno Sakura nunca se atrasava. E também ninguém nunca o fazia esperar. Deixou o pergaminho que tinha nas mãos de lado e se levantou, se concentrando por instantes para encontrar o chakra dela – que, por sinal, era uma presença sempre forte nas ruas de Suna – mas frustrou-se ao não encontrar nada.
Gaara gostava de ter o controle das coisas e no entanto ela estava longe de poder ser controlada por ele... Talvez fosse por isso que tivesse criado um certo interesse na garota. Levantou-se, decidido a ir procurá-la. Afinal, ninguém o deixava esperando.
...Mas havia algo de errado nessa semana que passara que estava o deixando de certa forma inquieto. Seus relances de Sakura havia diminuído drasticamente, os relatórios do hospital deixaram de ser tão perfeitamente completos e o número de casos parecia ter de repente aumentado. Mas porque? Teria sua conversa com ela a afetado tanto asim? Duvidava muito.
"-Kazekage-sama...?" – um conselheiro o avistou no corredor, erguendo as sobrancelhas levemente, mas o ruivo não respondeu, passando por ele rapidamente apenas para sumir em meio à uma confusão de areia.
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Haviam três sombras esperando próximas ao rio quando a água se ergueu e tomou a forma de um homem que sorria abertamente, os dentes brancos e estranhamente pontudos à mostra.
"-Você não mencionou que seu amiguinho agora é Hokage." – ele disse ao que se aproximava, sem sair da água.
"-Hn. Kakashi?"
"-Fora em uma missão."
Sakura? - a pergunta percorreu sua mente mas nunca deixou seus lábios.
"-Ande logo com isso Suigetsu, diga o resto." – uma ruiva mais atrás murmurou, dando um passo à frente e saindo das sombras, seu rosto se iluminando com a fraca luz do luar que passava por entre as copas das árvores.
O mencionado grunhiu qualquer coisa mal-educada e finalmente saiu de dentro do rio.
"-Eles sabem que o veneno veio de Otogakure. Eu deixei o antídoto sobre a mesa que me indicou, mas o nome sobre ela não era Haruno Sakura. Era Shizune. A tal Haruno está em Sunagakure."
"-Suna...?" – Sasuke ergueu as sobrancelhas de maneira quase imperceptível. Aquilo certamente não estava em seus planos. Voltou-se para a garota atrás de si de repente. – "Para onde Tsubaki foi quando se separou de Kabuto, Karin?"
"-Sudoeste." – ela respondeu sem muito interesse.
Sudoeste eventualmente daria em Sunagakure, que certamente seria o único lugar que poderia lhes interessar... O Uchiha franziu o cenho, soltando um breve suspiro enquanto seus olhos escuros eram lentamente tomados por um tom de vermelho, quase como sangue sendo espalhado pelo chão. O que quer que estivesse nos planos de Kabuto era melhor que não envolvesse mais ninguém – e embora tivesse uma leve idéia sobre suas intenções agir agora seria provavelmente arriscado demais.
"-Para onde vamos dessa vez?" – Suigetsu perguntou ocasionalmente, cansado do silêncio que havia se estabelecido entre os quatro. Não que Juugo falasse, claro.
Pelo instante que se seguiu Sasuke não respondeu.
Ir para Konoha significaria arcar com problemas demais – e ele não estava disposto a lidar com aquilo naquele momento. Além do mais, haviam perdido o rastro de Kabuto, mas duvidava muito que ele fosse idiota o suficiente para se aproximar da vila da folha. Logo, lhe restava uma única opção rápida e que o faria ter fácil acesso à Naruto... Sakura. Muito embora achasse que aquele idiota chegaria sozinho à conclusão de que ele não era culpado quando achasse o antídoto, a kunoichi seria um meio muito mais fácil e rápido de conseguir o que queria e atrair Kabuto e Tsubaki.
"-Sunagakure." – respondeu enfim.
Atrás dele, a garota de cabelos ruivos apenas bufou.
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Gaara estava prestes a chamá-la tão logo a avistou deitada no sofá, mas desistiu completamente ao notar que ela estava dormindo profundamente. Aproximou-se cuidadosamente, abaixando-se ao lado do sofá para analisá-la melhor...
Os níveis de chakra estavam ridiculamente baixos e aquela provavelmente era a razão pela qual ele demorara tanto para encontrá-la. E ela parecia tão imersa em seu próprio sono que se quer notou a aproximação dele... O que o fazia se perguntar que tipo de ninja ela era?
Dali podia ver o peito dela subindo e descendo calmamente, os cabelos cor-de-rosa espalhados de maneira delicada pelo sofá e os braços largados, a mão esquerda quase tocando o chão. Em um ímpeto – que ele não fazia idéia de onde havia saído – estendeu o indicador para tocá-la, contornando toda a extensão do braço até finalmente chegar à mão.
A pele pálida era tão macia quanto aparentava ser e as mãos... Gaara franziu o cenho levemente, haviam calos nos dedos dela. E cicatrizes. Aquilo simplesmente não combinava com toda a delicadeza que emanava dela.
Estava prestes a se levantar e ir embora da mesma maneira que havia chego ali quando o vento bateu e ele sentiu aquele perfume. O de flores e folhas que sentia toda vez que ela estava por perto e que era agradável de mais de uma maneira. Olhou para a garota deitada mais uma vez, não fazendo força alguma para resistir à vontade súbita de se inclinar que apoderou-se dele, cheirando-lhe os cabelos e reprimindo um quase sorriso de satisfação. Acompanhou a linha do rosto dela, os traços delicados interrompidos por um leve corte na bochecha com sangue já seco.
Estreitou os olhos, de repente incomodado. Teria ela gasto todas as energias para salvar os outros que não pôde curar se quer aquilo? Ou ela simplesmente não ligava? Ignorando completamente seu lado racional e inclinando-se um pouco mais lambeu a ferida levemente, curvando o canto dos lábios ao constatar que o sangue dela era doce – exatamente como previra, e nesse ponto culpava Shukaku ou o que havia restado dele em seu corpo. Pelo menos havia ficado mais fácil de controlar.
Levantou-se enfim, decidindo que a cena toda havia sido uma estupidez e que aquela garota o confundia de uma maneira que ele definitivamente não aceitava e que também não havia decidido gostar daquilo ainda. O fato é que ela o deixava... Satisfeito, se é que aquela era a palavra certa para aquilo.
Estaria ela ainda aborrecida pela última conversa que tiveram? Provavelmente nem tivera tempo para pensar, assim como ele. Suspirou, passando a mão pelos cabelos ruivos e parando na porta quando a ouviu resmungar algo baixinho, se encolhendo um pouco.
Antes de sair e ainda sem entender os motivos que o moviam, Gaara deixou sua capa de Kazekage sobre a kunoichi de Konoha.
– promise me if I cave in and break and leave myself open that I won't be making a mistake
Space Bound – Eminem
Oi pessoal!
Sei que prometi postar ontem, mas devido ao feriado acabei me atrapalhando um pouco e err… Bem, desculpe mesmo! Mas aqui está, antes tarde do que nunca! Espero que gostem.
Ah, revisei rapidinho então desculpem qualquer erro...
Agradecimentos rápidos: Sone, YukiYuri, Hisui Ai, Roh Matheus, Shukaku de Suna, Rane Guedes, Krol, Nagila, Pricililica!
Comentários e sugestões são sempre bem-vindos e realmente apreciados!
Beijos!
