Se passou pouco mais de dois meses desde que o Ken atacou a festa de fim de ano da Escola de Magia e fugiu junto com o Fafnir.

Os dois se tornaram procurados por terem atacado a escola, ferido algumas pessoas e indiretamente matado outras com o ataque.

Porém, todas as forças policiais que foram enviadas atrás deles foram facilmente vencidas, mas nunca pelos dois, somente um deles lutava.

Isso já era algo de se esperar do Fafnir, por causa da sua grande força, mas o Ken parecia estar muito mais forte que da última vez que ele foi visto, antes do ataque.

Atualmente ninguém sabia com certeza o que os dois queriam fazer, mas o que todos sabiam era que os dois estavam se movendo pra fora do país.

Agora, vamos ver o que o Fafnir e o Ken estão fazendo.

Em um restaurante que se localizava pouco depois de uma das fronteiras da Escola de Magia, lá estava o Ken, encapuzado para que não o reconhecessem. Naquele momento, ele estava conversando com o Fafnir, que havia se encolhido pra se esconder dentro do capuz do Ken.

— É incrível como uma única escola consegue ser do tamanho de um país, acho que deve ser um dos privilégios de ser a única Escola de Magia legalizada no mundo.

— Verdade. Se parar pra pensar, o Yuuji é como se fosse um presidente.

— Talvez ele tenha alguma coisa a ver com o governo ter me mandado pra Escola de Magia.

O Ken toma um gole do café.

— Me diz, não dá pra você fazer nós nos comunicarmos diretamente pela mente? Ia ficar mais fácil conversar e mais difícil de alguém perceber a gente.

— Eu posso me comunicar diretamente com a mente, mas não sou telepata. Não consigo conectar nossas mentes.

O Fafnir falou diretamente na mente do Ken. Aliás, o Fafnir sempre evita falar em voz alta quando não estão sozinhos.

O Ken solta um suspiro e diz.

— Tanto faz. De qualquer jeito, eram cinco os equipamentos que eu preciso pegar, né?

— Sim. Você já tem um, a Armadura de Absorção. Ela aumenta suas capacidades físicas, lhe dá a habilidade de absorver qualquer forma de energia. Além disso, com um pouco de treinamento você poderá...

— Tá, Tá. Ok, já entendi. Agora fala dos outros quatro. Se der, dos guardiões deles também.

O Fafnir parecida que queria continuar falando do Equipamento Supremo do qual ele era guardião, mas decidiu explicar sobre os outros.

— Bom. Os outros Equipamentos Supremos são: O Olho de Laplace, que é protegida por um golem. A Espada Demoníaca Judecca, que é protegida pela família Campbell. A Espada Sagrada Dymphna, que é protegida pelo cavaleiro mais forte de seu reino. E, por último, A Varinha Mágica Suprema, que é protegida pelos descendentes do mago Merlin.

— Hum. Não sabe mais nada? Tipo quais os poderes dos guardiões ou as habilidades dos equipamentos?

— Não. Os únicos guardiões que nunca mudaram desde o início somos eu e o golem, mas eu nunca me importei com ele. Já quanto aos equipamentos, eu nunca soube de um guardião que estudou o equipamento de outro guardião. Só temos uma noção básica de cada um.

— Então, fora alguns nomes, nós não temos informação nenhuma. Sabe pelo menos a localização deles?

— Sim. O mais próximo no momento é a Espada Demoníaca Judecca. Mas, os outros também não estão muito mais longe. Também podemos ir atrás deles.

— Não. Vamos pegar a Judecca primeiro. Independente das habilidades da espada, ela vai ser útil para o que eu estou planejando.

— O que você está planejando?

— Um jeito de chamar a atenção do cavaleiro mais forte, o que é guardião da Dymphna.

O Ken levanta da mesa, vai até o balcão e paga sua conta. Depois ele sai do restaurante.

Ken olha para o por do sol e pergunta.

— Quanto tempo de viagem, mais ou menos, nós temos até a espada?

O Fafnir para pra pensar um pouco e diz.

— Como sua velocidade atual é de nível super-sônico, nós teríamos uma semana de viagem pela frente.

O Ken trava por um segundo. Já está meio tarde, por isso ele diz.

— Amanhã a gente começa.

No outro dia, cedo de manhã, eles partiram em sua viagem. Uma semana depois, exatamente como o Fafnir havia previsto, eles chegaram no seu destino.

— Mais que... viagem... longa. — O Ken diz, ofegante — Enfim. Chegamos. Eu estou muito cansado pra lutar hoje. Então, vamos achar algum hotel pra ficar e amanhã nós vamos atrás da espada.

— Sua preguiça vai acabar lhe causando mal.

O Ken fica irritado.

— Eu não quero ouvir isso do cara que ficou dormindo a viagem toda.

— Não tenho culpa se você é muito lento.

— Eu corri por uma semana seguida!

— Não muda o fato de você ser lento. Você vai precisar superar a velocidade da luz no mínimo.

O Ken não tinha como revidar. Realmente o Ken conhecia o poder real do Fafnir, pois era ele quem vem treinando o Ken desde que ele saiu da Escola de Magia.

Depois de passar algumas horas procurando um hotel que não pedisse a identidade dele. Ele finalmente consegue achar um e vai dormir.

No outro dia, ele saiu do hotel e começou a andar.

— Fafnir, pra onde eu vou agora?

— Por ali. Entre naquele prédio.

— A biblioteca?

— Sim. Nela tem uma passagem secreta que leva até uma escada. Essa escada vai nos levar até onde a Espada Demoníaca Judecca está.

O Ken entrou na biblioteca e seguiu as instruções do Fafnir pra encontrar a passagem secreta. Ele achou umas escadas escondidas.

Depois ele desceu as escadas, ele chegou numa espécie de 'vila subterrânea'. O Fafnir falou para o Ken.

— Essa deve ser a vila secreta dos Campbell. Pelo que eu sei, eles têm o costume de viver aqui, apesar de terem vidas aparentemente normais para os outros. Sempre que alguém de fora se casava com algum Campbell, essa pessoa tinha que abandonar sua família e vir morar aqui. Se eu não me engano, tinha uma Super-Magia que o membro da família Campbell ensinava para a pessoa com quem ela se casava como forma de confiança... hum... não consigo lembrar o nome da Super-Magia.

— O que é essa tal de Super-Magia?

— Eu te ensino outro dia. De qualquer jeito, as coisas não estão muio quietas?

O Ken também estava pensando isso, mas não respondeu nada. Ele continuou andando até que chegou numa sala vazia, com um portão enorme bloqueando a passagem pra próxima sala.

— É bem parecido com a caverna. Será que o guardião está depois da porta?

— Não, eu estou bem aqui.

O Ken rapidamente se virou pra olhar pra fonte da voz e o Fafnir saiu de dentro do capuz dele e voltou a seu tamanho normal.

O que eles viram foi uma garota com os cabelos vermelhos escuros, separados em dois cachos, e olhos cinza. Na parte inferior do corpo, ela vestia um shortinho com uma bainha na qual estava uma espada. Já na parte superior, tudo o que ela tinha para cobrir os voluptuosos seios eram algumas bandagens.

O Ken ficou travado por um segundo pela beleza da garota que parece ser mais nova que ele, mas rapidamente se recuperou e perguntou.

— Você é a guardiã da Espada Demoníaca Judecca?

— Sim sim. E eu não suponho que vocês dois estejam simplesmente perdidos, certo?

— Você está correta. Onde está o resto da sua família? Até onde eu sei vocês defendem a espada juntos.

— Hahaha. Você deve ser o Fafnir, guardião daquela armadura, não é? Bom, não importa. Eu sou mais do que suficiente pra enfrentar vocês dois!

Ela se preparou pra lutar, o Fafnir também, mas antes de alguém avançar, o Ken parou o Fafnir.

— Fafnir, deixa ela comigo. Além de um bom treinamento pra mim, não é justo dois contra um.

O Fafnir olha pro Ken por um instante e diz.

— Que seja. Se é o que quer fazer.

— Valeu.

— Tem certeza que não vai querer a ajuda dele? Não quero ouvir reclamações depois.

— Você tem tanta vantagem assim pra ficar se preocupando comigo?

— Sendo assim, meu nome é Jessica, Jessica Campbell. Lembre-se bem do nome de quem te matou!

Instantaneamente, ela apareceu na frente do Ken, já com a espada em mãos, ela foi dar um golpe nele.

Porém, o ataque foi bloqueado pelo novo braço esquerdo do Ken. Se aproveitando da proximidade, o Ken deu um soco que parou pouco antes de atingir ela, mas o vento gerado pelo golpe conseguiu mandar a Jessica contra a parede.

Assim que conseguiu ficar de pé novamente, ela, de novo, apareceu instantaneamente perto do Ken, mas dessa vez ela não atacou com a espada e sim com magia.

Fogo! Gelo! Ar! Terra!

Ela lançou quatro tipos diferentes de magia. Com isso, o chão prendeu os pés do Ken, estilhaços de gelo cortavam a pele dele, um pequeno tornado começou aonde ele estava, o que dificultava a sua respiração e um fogo começou bem nos seus pés, o que transformou um pequeno tornado num tornado de fogo, com o Ken no centro.

Percebendo o perigo que era continuar ali, o Ken deu um soco no chão. Esse soco quebrou o que prendia ele e exterminou as outras magias.

— C-como você conseguiu eliminar minhas magias?

— Ah, isso. Eu simplesmente absorvi a mana das magias quando eu dei um soco no chão. — ele ri levemente — Eu também já descobri qual o seu poder.

Ela ficou com um rosto surpreso e o Ken continuou.

— Na primeira vez, eu pensei que você só fosse muito rápida, mas depois de ser jogada na parede, você mal estava em condições de se manter em pé, quanto mais correr. — ele aponta pra ela — Isso significa que seu poder é um que permite que você chegue instantaneamente em outro lugar, ou seja, teleporte.

A Jessica começa a rir.

— Impressionante. Mas, como você sabia que era um poder e que eu não estava só usando Magia de Teleporte?

— Eu não sabia. Foi você quem acabou de confirmar.

Ela estala a língua. Realmente, teria sido melhor ela não ter dito nada.

— Já que você já sabe tanto, não tem porque eu esconder mais nada.

Nesse momento ela pega a espada e, de algum jeito, estende e divide a espada.

— Essa espada é chamada de Espada-Serpente. Ela se estende e divide em várias partes. Ah, e só pra você saber, esse fio que conecta as divisões da espada na verdade é tão afiado quanto a própria espada.

— Ata. Valeu por avisar. Você é mais legal do que eu pensei.

Ela balançou a espada como se estivesse atacando, mas mesmo com a espada estendida, ela ainda estava muito longe pra acertar.

Foi o que o Ken pensou, até que ele sentiu algo cortando as costas dele, parecia que ia ficar uma cicatriz. Ao se virar o que ele viu foi uma parte da Espada-Serpente, mas essa parte rapidamente sumiu.

Ele se virou novamente, pra olhar pra Jessica, e disse.

— Então, você também pode teleportar objetos. Parece que eu não vou durar muito numa luta longa. Por isso... — um segundo — Vamos acabar logo com isso! — e ele apareceu instantaneamente na frente dela.

Com um soco, ele mandou ela para o ar e foi para trás dela.

— Numa distância tão pequena, qualquer um com velocidade suficiente pode chegar praticamente instantemente em algum lugar.

Ele agarrou ela por trás e falou.

— Eu estou tentando vencer o Representante dos Demônios. Não vou perder assim tão fácil!

E com um suplex alemão, ele encerrou a luta.

Alguns segundos depois, o Ken e o Fafnir abriram os portões da sala. Quando eles entraram, eles viram uma espada negra em um pedestal. Essa espada tinha algo parecendo uma corrente saindo pelo cabo.

Pouco antes do Ken pegar a espada, eles ouviram.

— Essa é a Espada Demoníaca Judecca. Ao tocar nela, ela vai enfiar essa 'corrente' no seu braço e vai julgar se quer ou não ser usada por você.

A Jessica, que tinha acabado de acordar, falou.

— Valeu pelo aviso.

O Ken pega com o braço direito na espada e, assim como a Jessica disse, a 'corrente' da Judecca entrou no braço do Ken. Isso causou uma dor enorme, mas ele conseguiu suportar.

Foi então que todos os três ouviram.

— Eu já terminei a avaliação. E decidi que vai ser muito interessante ficar ao seu lado. Agora eu, Judecca, sou sua espada. Minhas habilidades são: mudar de forma a vontade, tenho até uma forma humana, para caso queira que eu lhe sirva com meu corpo. Graças a 'corrente' que agora nos liga, eu posso voltar para o senhor a qualquer momento, ou talvez seja mais correto dizer que nós não podemos mais nos separar. Por último, posso liberar minha energia demoníaca para aumentar meu poder de ataque.

— Seja bem-vinda a equipe, Judecca. Mas, por que esse negócio de mestre?

— Porque, quando eu entrei em seu corpo e decidi lhe seguir, eu fiz algo conhecido como Contrato de Mestre e Servo. Graças a isso, agora eu posso lhe ajudar a cuidar de seu corpo. Mesmo que todo seu sangue seque, que todos os seus ossos sejam pulverizados, seu cérebro destruído ou qualquer outra coisa aconteça com seu corpo, eu vou lhe ajudar a continuar normalmente. Se quiser, também posso lhe ajudar a lançar magias.

— Valeu pelos exemplos. Mais alguma coisa que eu deva saber?

— Ao fazer o Contrato de Mestre e Servo, o mestre ganha alguma habilidade referente ao servo. A habilidade que o senhor ganhou de mim foi a de transformar qualquer coisa com que entre em contato fisicamente. Também podemos nos comunicar mentalmente e podemos dividir nossos sentidos.

— Isso pode ser bem útil. Ok, vamos lá.

O Ken transformou a Judecca em uma braçadeira, que ficou bem no local onde a 'corrente' havia entrado. Quando o Ken ia sair da sala, a Jessica parou ele e perguntou.

— Você disse que ia enfrentar o Dante, o Representante dos Demônios, certo? Me deixa ir com vocês.

— Eu não tenho problema com isso, mas por que você quer vir?

— A verdade é que, toda minha família foi chamada pra lutar contra o exército dele. Só eu fiquei. Recentemente, eu fiquei sabendo que todos morreram. Tudo porque o atual Representante dos Humanos não é forte o suficiente.

Ela para pra respirar por um segundo e fala.

— Eu tava pensando em pegar a Judecca e ir lutar nem que eu morresse no final, mas com vocês eu acho que dá pra ganhar.

— É um caminho sem volta. Mas, se realmente quiser vir, pode seguir a gente.

Assim todos saíram da passagem secreta da biblioteca.

Naquela noite, pouco antes da hora que o Ken foi dormir, a Jessica apareceu no quarto dele falando.

— Ei ei. Ken, vamos transar?

O Ken ficou surpreso com a pergunta, mas respondeu.

— Eu sou um adolescente comum, mais ou menos, claro que eu vou topar. Mas, só por referência, por que isso de repente? Normalmente uma garota não devia ficar envergonhada com essas coisas e não deveria oferecer seu corpo só pra quem elas gostam?

— Eu não me importo com essas coisas. Não me importo nem que o Fafnir ou a Judecca acabem vendo a gente. Agora, quando ao me oferecer só pra quem eu amo... acho que eu me apaixonei por você. Afinal, você é mais velho, é forte, é bonitinho, mas principalmente porque você não se segurou contra mim, mas também não deixou de se importar comigo. Você tem quase tudo que eu quero em um homem.

— E o que está faltando?

— Ser bom de cama. E eu pretendo verificar isso agora.

No meio da frase, a Jessica já estava em cima do Ken e perto do final já tinha quase tirado as calças dele.

Não posso dizer exatamente o que aconteceu. Mas, no outro dia, o Ken e a Jessica disseram que não dormiram nada na noite passada.

Quando o Fafnir perguntou o que tinha acontecido, tudo que a Jessica disse foi que ela achou o homem perfeito pra ela.