Capítulo 3
Nove horas antes…
– Acho que você está tentando me dizer algo mesmo que subconscientemente.
Bella sorriu contra a borda do copo, tentando não soltar uma risada, enquanto tomava o próximo gole. O delicioso sabor doce do martíni lhe revestiu a língua, fazendo-a imaginar como passara tanto tempo de sua vida sem ter experimentado aquele drinque de chocolate branco. Era delicioso.
Espere… subconscientemente…
– Está bem. O quê?
– Essa viagem a Las Vegas. É seu subconsciente gritando que algo profundamente reprimido precisa se arriscar. Fazer alguma loucura.
Estavam de volta àquilo outra vez.
Bella lhe dirigiu um olhar perspicaz, apenas para encontrar o dele impenitente.
– Ou essa viagem é por causa do casamento da minha prima.
– A negação é uma coisa poderosa.
– Esqueça isso. Eu já disse. Não vou fugir e me casar com você, portanto pare de insistir. Edwin… droga, Edward, por que nunca conseguia se lembrar?!, deixou escapar uma risada rouca. Ambos sabiam que não era exatamente a um casamento que ele estava querendo chegar. Assim como tinham plena ciência de que ele não estava falando sério.
Edward sabia quais eram seus planos. Mostrara-se muito interessado quando ela os revelou, explicando sua intenção de tentar uma inseminação artificial através de um doador de sêmen. E, em vez de começar a se afastar, ele decidiu que ambos necessitavam de uma noite para se libertar e se divertir. Do tipo sem consequências.
Do tipo que girava em torno de uma conversação agradável, flerte inconsequente e mais drinques do que seria sensato.
Sabendo que seria a última e encontrando um certo conforto na absoluta falta de expectativa em relação ao homem com quem estava, Bella concordara. E desde então estivera quase sem fôlego de tanto rir, vagando pelo enorme cassino, parando para ver uma atração ou outra, envolvida em um tipo de diversão que nunca se permitira.
No final das contas, Edward estava certo. Era daquilo que estava precisando.
A palma da mão longa pousou, suave, na base de sua espinha enquanto ele a guiava na direção de uma fileira de caça-níqueis.
– Não sei, Bella. Acho que, para uma decisão tão grandiosa, você deveria considerar todas as opções antes de descartá-las de pronto.
– Talvez tenha razão. – Em seguida, cedendo ao sorriso malicioso que repuxava seus lábios, fez um gesto vago com a mão para indicar os homens ao seu redor.
– E aqui parece ter muitas opções a considerar. Edward discordou com um gesto de cabeça.
– Se está procurando um homem para fechar negócio, eu me afastaria das máquinas caça-níqueis – sugeriu ele, totalmente inexpressivo. – Nada cheira mais a baixa autoestima do que um homem agarrado a uma haste de metal de trinta centímetros.
Demorou mais do que ela imaginava, mas, tão logo conseguiu frear a própria risada, Bella forjou uma careta falsa.
– Sério? Há quanto tempo nos conhecemos… e você acha que eu optaria pelas máquinas caça-níqueis?
Agora foi a vez de Edward exibir o meio-sorriso que parecia ser seu equivalente a uma risada de tirar o fôlego.
– Certo. Deveria ter tido mais fé em você.
Bella anuiu, olhando ao redor do cassino. – É nas roletas que se encontram os peixes maiores.
Mais uma vez ele torceu os lábios. – Sou forçado a discordar. Qualquer homem que se atenha a um jogo baseado apenas na sorte é delirante. Provavelmente, acredita em Papai Noel e em fadas. Não é um bom presságio de estabilidade mental. Quer enfrentar a possibilidade de uma psicose espiralando no DNA do seu bebê?
Bella teve de suprimir mais uma risadinha.
– Não, definitivamente não. Como pude ser tão incauta?
– Às vezes, me pergunto o que será de você.
Bella não conseguia lembrar qual fora a última vez que se divertira tanto. Tampouco de ter se sentindo instantaneamente tão à vontade ao lado de um homem. Claro que a última parte tinha mais a ver com o fato de ela saber que aquilo não ia levar a nada, o que subtraía a tensão daquela equação. Podia simplesmente desfrutar da atenção daquele homem incrivelmente atraente e charmoso, sem ter de se preocupar… com coisa alguma.
– Blackjack, então?
Os dois haviam dado alguns passos quando Edward abordou uma garçonete que passava e fez pedidos para os dois antes de retornar a atenção a Bella.
– Também delirante. Esse tipo de homem pensa que está no controle quando se trata de um jogo de azar. A não ser que ele esteja contando… então, terá um elemento criminoso a considerar.
Bancando o advogado do diabo, Bella perguntou.
– Mas a contagem não seria um indicativo de um ótimo nível de inteligência?
– Ora, você será uma mãe solteira, descapitalizada devido ao custo da escola particular que a "genialidade" dele exigirá. Quanto tempo livre acha que terá para visitar o pequeno no reformatório?
Bella simulou sua mais indignada tosse.
– Está insinuando que meu filho será algum tipo de delinquente?
Uma sobrancelha excessivamente arrogante se ergueu. Sexy e confiante.
– Não se souber jogar suas cartas.
– Está bem. Está bem. – Bella soltou uma risada, limpando as lágrimas que se acumularam nos cantos dos olhos com os polegares.
– Então, descartamos as máquinas caça-níqueis, a roleta e o blackjack. Se nenhum desses serve, então o que… apostas em corridas de cavalo?
Edward estacou de repente, girando para estudá-la mais de perto do que a pergunta exigira. Tão próximo, que ela podia sentir o corpo responder ao toque daquele olhar em cada ponto de contato.
A resposta de Edward veio acompanhada de um sorriso de pura arrogância.
– Se quer ganhar o prêmio máximo no âmbito da genética, então tem de evitar uma passada pelos Jogadores Anônimos também. É óbvio que sua melhor aposta sou eu.
Bella atirou a cabeça para trás e fechou os olhos, soltando outra gargalhada. O som o atingiu no centro do peito. E, quando aqueles enormes olhos azuis voltaram a se abrir e encontraram os dele, as bochechas do rosto delicado se encontravam rubras. Uma onda quente e eletrizante de atração varou o corpo de Edward, quase o fazendo perder a cabeça.
Felizmente, ela não parecia ter notado enquanto girava para aceitar o drinque que a garçonete que se aproximava lhe oferecia.
– Bem a tempo! Com toda certeza precisarei de outro drinque antes de concordar com essa última sugestão.
Empinando o queixo, ele estimulou: – Então, esvaziemos as taças! – Tomando um grande gole da própria bebida, Edward sorriu. – Tenho a noite toda.
Diabos! Aquela mulher tinha uma risada esplêndida. Mesmo depois de lhe abandonar os lábios… os ecos ainda lhe iluminavam os olhos. Aquelas íris azuis brilhantes que o fitavam como se ele pudesse ter a solução para tudo. E, de repente, a ideia daquela mulher forte, obstinada e independente necessitar algo dele o atraiu no mais primitivo dos níveis.
– O que foi? – perguntou ele, creditando o timbre baixo da própria voz à secura em sua garganta, e remediou o problema com outro gole de uísque.
Bella esticou a mão para lhe segurar a lapela do terno, os dedos magros se curvando no tecido em um movimento carente e íntimo… produzindo um efeito que ele não sabia se deveria gostar tanto. Os dentes brancos perolados de Bella se enterraram no lábio inferior antes de libertá-lo, o que fez Edward prender a respiração por completo.
– Bella.
– Estou faminta – confessou ela após um suspiro.
Por uma fração de segundo, Edward baixou o olhar para encará-la. E então aqueles dedos se fecharam com força e um leve tremor sobre sua lapela.
– Fa… minta. Bella repetiu com um sutil gesto positivo de cabeça.
Comida.
Sim, ele também estava com fome. De alguma coisa. Portanto, estava na hora de parar de encarar aquele belo rosto sardento.
– Certo. – Tomando o restante do uísque em um só gole, ele entregou o copo vazio a um garçom que passava. – Então, sou o homem que está procurando.
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Sete horas antes…
Edward pensou que não poderia haver coisa mais agradável do que aquele riso. Mas então ouviu a risada acrescida dos guinchos de alegria de Bella e teve uma visão completa das nádegas deslumbrantes cujos contornos se encontravam perfeitamente evidentes, requebrando-se em algum tipo de dança da vitória, enquanto a máquina vencedora fazia a contagem na extremidade do bufê de waffles que um taxista surpreendentemente confiável lhes havia indicado.
Bella o surpreendera. Mais uma vez.
Envolveu em uma conversação muito espontânea e, em seguida, lhe deu detalhes de sua vida com a mesma facilidade que a máquina lhe entregara aquele prêmio. Bastara a pergunta certa no momento certo e ela se abriu, revelando uma nova perspectiva da criatura cativante que ele conseguira pescar para passar a noite.
Bella se autoproclamava uma romântica em recuperação. Uma mulher que acreditava no amor, mas que descobrira, ao longo de uma vida inteira de experiências, que o ápice daquela sublimidade romântica estava fora de seu alcance.
E havia aceitado esse fato. Não estava interessada na inutilidade de uma busca inatingível. Bella era uma beldade inteligente. Uma engenheira de software que trabalhava por conta própria, bem-sucedida na profissão que escolhera. Confiante na medida certa e tímida da forma mais atraente. Independente ao extremo e não temia se opor às convenções quando se tratava de atingir seus objetivos. Terna, engraçada e sexy.
Naquele momento, Edward se encontrava parado atrás dela, a última rodada de drinques que haviam tomado, esquecida. O que talvez não fosse de todo ruim, considerando o tipo de desvios que sua mente estava tomando enquanto retirava o paletó, cedendo à absurda e inoportuna insanidade possessiva que o deixava louco só de pensar em qualquer outra pessoa admirando aquela perfeição em formato de coração.
– Tome. Coloque isto – disse ele, pendurando o paletó nos ombros de Bella.
– Não posso acreditar nisso! – ofegou ela. – Nunca consegui ganhar. Nunca, em nenhuma oportunidade, tive uma sorte como essa.
Edward sorriu, observando o comprimento desnudo dos braços elegantes desaparecer sob o mar de tecido do seu paletó. Esticando os braços, ajustou as lapelas, dizendo a si mesmo que ela parecia estar com frio. Em seguida, antes que capitulasse à tentação de se deter próximo do atraente "V" de pele feminina exposta ou, Deus o ajudasse, roçar as juntas dos dedos naquela suavidade provocadora, se ocupou com as mangas do paletó. Enrolou-as até que a pulseira fina do relógio que ela usava faiscasse, refletindo as luzes da máquina vencedora. Era uma pulseira delicada, mas um pouco comum. Da mesma forma que ele erroneamente a julgara ao pousar os olhos nela pela primeira vez.
Na verdade, Bella brilhava como um diamante.
– Edwin – disse ela, ofegante. Os olhos azuis observavam o polegar longo lhe roçar a pele sensível da parte interna do punho.
– Edward. – Que diabos ele estava fazendo?
Bella ergueu o olhar lentamente, seguindo o contorno do braço longo, do ombro largo até a parte superior da gravata e, em seguida, aos lábios sensuais de Edward.
Teria ela ideia do quanto eram sedutoras aquelas frações de segundo em que ele podia ver claramente a mente de Bella trabalhando nas possibilidades existentes no ponto onde seu olhar se detinha? Aquela mulher era extremamente sensual. E doce. Perspicaz. Divertida. E tinha o olhar cravado em sua boca como se a achasse mais apetitosa do que vodca de baunilha com licor de chocolate branco. Como se talvez, por fim, quisesse saboreá-la. Ou talvez mais.
Mais um segundo e os olhos azuis encontraram os dele.
– Edward – corrigiu ela, o bom senso travando uma batalha naquelas piscinas azuis, quase não conseguindo vencer a tentação.
Droga! Gostava do modo como Bella dissera seu nome. Principalmente por ela ter dito o nome certo.
Edward tinha uma excelente ideia para ajudá-la a se lembrar. Repetição. E um belo reforço… do tipo ofegante, com gemidos de súplica. Por horas a fio.
Poderia caprichar na sedução e a teria. O flerte de que lançara mão até então fora apenas um aperitivo. Em cada elogio casual, havia mantido a distância física entre os dois. Em cada insinuação, evitara o contato visual. Porque desde o princípio soubera, pressentira o que poderia acontecer entre os dois e decidira não investir. Porém, agora… desejava mais.
Gesticulando negativamente a cabeça, Edward fixou o olhar no copo pela metade sobre o balcão ao lado deles.
Culpa sua.
Empurrando os pensamentos para o fundo da mente, decidiu manter o braço de distância entre os dois e o sorriso fácil. A aparência de quem estava encarando aquilo apenas como diversão.
Instantes depois, encontravam-se envoltos pelo ar da noite, as luzes resplandecentes, o tráfego de pedestres sem destino e o fluxo de carros.
– Você acabou de depenar duas máquinas sucessivamente. Temos de voltar e tentar o prêmio máximo. Ou prefere tentar algo diferente, como as roletas?
Um profundo suspiro escapou pelos belos lábios de Bella.
– Acho que não. Para alguém que não tem sorte no jogo, estou feliz com meu lucro. Não quero abusar da sorte.
– Mais alguma coisa em mente? – perguntou Edward, embora já soubesse a resposta ao perceber a resignação naqueles olhos azuis.
Adeus.
Edward não queria pôr um fim à noite, mas afinal ela traçara um plano para sua vida. E a respeitava por isso. Admirava o senso de prioridade, a premeditação e o compromisso que Bella empregara naquela meta. Diabos! Provavelmente aquele plano era responsável por metade da atração que sentia por ela.
– Diverti-me muito esta noite. – Bella mudou o peso de um pé para o outro, parada diante dele. O olhar se desviou enquanto os dedos delicados subiam pela lapela de seu terno, onde se detiveram a brincar distraidamente com o primeiro botão da camisa.
– Eu também. Claro que isto é Las Vegas. Portanto, a noite ainda é uma criança.
Os olhos azuis voltaram a se fixar nos dele, brilhando por uma fração de segundo em seus lábios.
– Tenho de acordar cedo. – E então os ombros de Bella se estreitaram e as feições se acomodaram em uma expressão muito formal. – E terei um grande dia pela frente.
– Um grande dia de festividade.
– Sim. E de engendrar elaboradas mentiras sobre nossa noite juntos. – Dessa vez o sorriso que curvou os graciosos lábios de Bella era de pura travessura. – Terei de dar a Jessica e Angela algo suculento para elas digerirem.
– Uau! Vai mentir sobre mim? – perguntou ele, pousando a mão na base da espinha de Bella, enquanto se aproximavam da esquina, em busca de um táxi. – Sinto-me lisonjeado.
Não havia nenhum táxi disponível, mas a qualquer momento apareceria algum.
Bella lhe dirigiu um sorriso oblíquo. – Na verdade, talvez não. É o que desejo. Seria muito divertido, mas mentir me dá urticária. Mesmo que por uma boa causa, como manter a paz de espírito durante o casamento de minha prima, não sei se seria capaz.
– Então você é um daqueles tipos letalmente francos? – perguntou ele enquanto se encaminhavam na direção do cassino em que estavam hospedados.
– Sem dúvida. O que nem sempre é conveniente. Mas acho que, na maioria das vezes, me mantém longe de problemas.
Uh-huh, mas se ela não parasse de prender aquele lábio inferior sexy entre os dentes… nada a manteria longe do problema que ele tinha em mente. Mas em seguida Bella se deu conta de como ele a olhava e virou o rosto.
Edward não queria perder a atenção dela. Não ainda.
– Com mulheres como Angela e Jessica, acho que não dizer nada seria tão eficaz quanto dizer que sou um garanhão… o que, aliás, seria cem por cento verdade. Deixe-as cozinhando no banho-maria da curiosidade. Não revele nada.
– Oooh, isso as deixará enlouquecidas. – Ela ofegou, quase saltitando de felicidade ao lado dele, fazendo-o imaginar a profundidade da veia perversa de Bella e se alguma vez aquela mulher atravessava as fronteiras do pecaminoso. – Deus sabe que a imaginação daquelas duas é bem mais fértil do que a minha.
– Eu poderia ajudá-la com isso – ofereceu ele com outro sorriso presunçoso.
Ele estava brincando. Sem dúvida.
Bella estacou e fez que não com a cabeça. As pontas lisas dos cabelos roçando suavemente os ombros.
– Tenho certeza de que sim.
Mesmo sob as luzes e o brilho da Strip, Edward podia ver o rubor aflorar naquele belo rosto, captar todos os sutis sinais de hesitação à medida que surgiam. Podia vê-la lutando consigo mesma para não ceder a cada "talvez","só mais um pouco" e "só desta vez" que espocavam em sua graciosa cabeça.
Podia sentir a tensão enquanto Bella travava uma batalha contra a própria consciência sobre a possibilidade de esticar a noite que agradava a ambos. Sabia que ela desejava…
– Mas você tem um plano.
Sincera. Inteligente. Divertida. Independente. Bella era tudo aquilo e mais um pouco. Edward não conseguia parar de pensar na abordagem prática em relação ao amor que ela possuía. Com os olhos voltados para o céu, Edward deixou escapar um longo suspiro, apenas para estacar abruptamente quando se focou no letreiro neon brilhante sobre o ombro direito de Bella.
Sim, ela traçara um plano… mas talvez não fosse somente um.
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Deus, Bella não queria que a noite chegasse ao fim. Mas se continuasse só haveria um lugar para onde aquela situação os levaria. E, por mais que a ideia de acabar deitada na cama daquele homem lhe fosse atraente, não era seu estilo de vida.
Não importava que ele parecesse mais sua alma gêmea do que um desconhecido. Se ela cedesse, se arrependeria no dia seguinte. E quando pensasse sobre aquela noite, não queria ser assolada por nenhum arrependimento. Portanto, engoliu em seco e fez o que devia fazer.
– Sim, tenho um plano. – As palavras abriram um vazio no íntimo de Bella, diferente daquele que se transformara em uma parte de si mesma ao longo do tempo. – Obrigada por esta noite extraordinária, Edwin.
Os lábios de Edward se curvaram de leve em mais um daqueles meios sorrisos.
Tentador. Muito tentador.
– Quanto ao seu plano. – Ele pousou as mãos sobre os ombros de Bella. – Há algo que me deixa curioso.
– O quê? – perguntou ela, virada de frente para Edward.
Os dedos longos escorregaram pelos braços delicados em uma carícia suave. Segurando-lhe uma das mãos, ele a prendeu atrás da base da espinha de Bella. Em seguida, aproximou-se um passo, baixou o olhar aos lábios tentadores e murmurou:
– Apenas isso. E lhe capturou os lábios.
A princípio, tudo que Bella conseguiu registrar foi o choque daquele contato. Em seguida, o movimento lento e sensual da boca experiente contra a dela. A pressão firme. O suave sugar. A corrente elétrica produzida em todos os pontos em que os corpos dos dois se tocavam.
Sim. Apenas isso.
O fim perfeito para uma noite que ela desejava não ter de findar.
Segundos depois, sentiu um sopro do hálito quente e úmido entre os dois.
– Edward – murmurou ele, tão perto que Bella pôde sentir a vibração dos lábios sensuais.
Piscando, confusa, embora permanecesse no mesmo lugar, ela o olhou nos olhos.
– O quê?
Um dos cantos dos lábios de Edward se ergueu.
– Queria apenas garantir que não esquecesse meu nome.
– Edward. – Bella suspirou, fechando os olhos e saboreando aquele momento apenas um segundo a mais, antes de partir. – Isso foi maravilhoso.
Erguendo-lhe o queixo com o dedo curvado, Edward a forçou a encará-lo. Quando os olhares se encontraram, Bella teve de piscar várias vezes. Não era o tipo de resignação doce e ao mesmo tempo amarga que brilhava naqueles olhos verdes. Nem de longe. O que refletiam era uma arrogância atrevida e explícita expectativa.
– Não muito – retrucou ele, envolvendo-lhe a mandíbula com a mão em concha. – Isso foi para que você se acostumasse com a ideia.
Os lábios de Bella se entreabriram em um protesto, mas, antes que ela tivesse a chance de contestar ou reformular sua resposta, ele os arrebatou outra vez, fechando a distância que os separava sem hesitar. Edward se apossou de sua boca como se fosse algo que lhe pertencesse, tornando-a sua de uma forma que fez as mãos de Bella se erguerem em um gesto involuntário, os dedos se enroscando na camisa feita sob medida. Um gemido se desprendeu de seus lábios para ser absorvido pelos dele. Não havia nada suave naquele beijo, mesmo que remotamente. Era quente. Explosivo. Arrebatador e intenso. O tipo de beijo que se dava a portas fechadas. Algo que Bella nunca acreditara que um dia permitiria acontecer em plena calçada, repleta de transeuntes. Mas, também, nunca se vira em face da necessidade de interromper algo tão envolvente.
E então todos os pensamentos sobre onde estava, o que deveria estar fazendo ou o que faria lhe desertaram a mente. Tudo que conseguia registrar era a pressão quente do corpo de Edward quando ele a puxou mais para perto. A exploração magistral de uma parte de seu corpo que, de repente, parecia um continente desconhecido. A sensualidade com que aquela língua ousada encontrava a dela.
Delicioso. Muito bom.
Mais uma investida da língua e Bella se viu perdida. As mãos se moviam sobre os planos rígidos do torço largo em uma frenética antecipação do que mais ele poderia lhe oferecer. Talvez se arrependesse no dia seguinte… mas não tanto quanto se arrependeria se interrompesse aquela noite agora.
Quando Edward recuou, ela estava ofegante. Faminta. Desesperada. Dessa vez, o meio-sorriso elusivo não estava presente. Ele deixou escapar um suspiro lento. Os cílios pareciam baixar mais a cada segundo até os olhos esverdeados se transformarem em profundezas insondáveis que a fizeram imaginar se, uma vez mergulhando nelas, seria capaz de voltar à tona.
– Oh, está bem – murmurou ele, como se tivesse chegado a alguma conclusão íntima.
– Sim, está bem – sussurrou ela, anuindo. – Mas temos de ir para seu quarto. Estou dividindo o meu com Angela e Jessica.
Só então Edward baixou a cabeça na direção dela. Depois de pressionar um único e lento beijo em seus lábios, moveu a boca na direção da orelha de Bella.
– Tenho uma ideia melhor ainda.
Um segundo depois, as mãos firmes se espalmaram em torno dos quadris de Bella, e ela se viu atirada por sobre o ombro de Edward. O corpo oscilando com as passadas largas e decididas. Deliciada com aquela demonstração de homem das cavernas, ela soltou uma gargalhada, exigindo uma explicação.
– Tenho um plano… – respondeu ele, confiante e animado. – Pelo caminho eu lhe explico. Fica logo aqui à direita.
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