CAPITULO III

- Por que não me contou isso antes?

A campainha do microondas soou e Draco tirou o jantar. Distraído, quase se quei mou com o vapor quente ao abrir as embalagens. Não conseguia acreditar que aquele sem-vergonha perseguia Hermione outra vez.

Não simpatizara com Doug Hammond desde a primeira vez que o vira. E, depois do que o rapaz fizera com Hermione, jurara que, se o visse outra vez, faria com que lamentasse ter nascido.

- Para ser sincera, eu não devia ter contado. Esqueça. Cuidarei de Doug.

— Se precisar de ajuda para liquidá-lo, conte comigo.
Os olhos de Hermione se arregalaram.

— Quando foi que começou a ter essas tendências assassinas? Esse seu lado eu ainda não conhecia!

Nem Draco entendia a própria fúria. Não brigava por causa de uma garota desde o tempo de estu dante, mas agora sentia vontade de arrancar a pele de Doug Hammond.

— Sabe a que horas ele virá?

— Não. Doug não disse. — Hermione sorveu um gole de suco.

— Não importa a que horas venha, porque estarei por perto. Se ele sair da linha, irei expulsá-lo daqui a pontapés.

Ela pousou o copo sobre o balcão, surpresa com a inesperada demonstração de raiva.

— Aprecio seu zelo, mas vou lhe pedir para que fique fora disso. Ouvirei o que Doug tem a dizer e em seguida, se achar que devo, mando-o embora.

Aquela era Hermione que ele conhecia, sempre que rendo resolver tudo sozinha... A verdade, porém, era que Draco não podia evitar a sensação de estar aban donando um carneirinho indefeso a mercê de um lobo faminto.

— Posso pelo menos estar presente?

— Prefiro que não esteja.

— Mesmo se eu prometer ficar calado?

— Como se isso fosse possível!

— E se...

— Por favor. É melhor que Doug não o veja. Além disso, esqueceu que tem uma reunião marcada com o time de futebol?

— Droga! Com tanta coisa acontecendo, esqueci completamente da reunião. — Cruzou os braços diante do peito e fitou-a. — Infelizmente não poderei ir.

— Irá, sim! É nessas reuniões que você aproveita o entusiasmo dos pais para incentivar os filhos nos esportes. Dean não tem a sua habilidade para des cobrir voluntários.

Dean Thompson, assistente de Draco, era excelente estrategista mas péssimo com os jogadores. Hermione estava certa. Quando se tratava de buscar o apoio dos pais, Draco era bem mais persuasivo. E o pro grama dependia quase que exclusivamente disso. Não podia faltar à reunião.

— Obrigada por se preocupar comigo, mas sou bem crescidinha e sei como me cuidar.

— Não gosto disso. — resmungou ele, e depois voltou-se. — Lembra-se daquele golpe que eu e Jim lhe ensinamos antes do seu primeiro encontro?

— Como poderia esquecer? Foi muito útil naquela noite. Por acaso lembra quem me arranjou o encon tro com aquele idiota?

— Todos cometemos erros nesta vida. Ele iria pas sar o final de semana na cidade, e estava sozinho. Deveria ser apenas um jantar seguido de um cineminha. Como eu poderia imaginar que o cara iria atacá-la? Bem, mas quero que me prometa uma coisa...

— O quê?

— Antes que o canalha chegue, pratique aquele golpe.

— Pode deixar. — disse ela, rindo.

O som da risada de Hermione era contagiante e o fez rir também. Ninguém, além dela, o faria divertir-se, mal-humorado como estava.

Hermione deixara de sorrir durante um certo tempo, após descobrir que estava grávida. Felizmente con seguira recuperar a alegria. Se Hammond a deixasse triste novamente, Draco acabaria com ele. Não per mitiria que tornasse a magoá-la.

Hermione estremeceu ao ouvir o carro se aproximando. Conhecia aquele som, um som que a fazia lembrar-se das inúmeras noites que em vão esperara que Doug aparecesse. Lembrou-se das desculpas pouco con vincentes que o ex-namorado dava, e que fingia acre ditar só para não perdê-lo. Jamais esqueceria a de silusão que sentiu ao descobrir que ele a traía com outras mulheres. E soube disso logo depois de ter certeza de que estava grávida.

Agora não queria mais ouvir as histórias de Doug. Seria uma conversa breve, mas, sem dúvida, Hermione iria sentir-se muito mais segura se conseguisse evi tar a náusea e o tremor nas mãos. Controlando-se, abriu a porta assim que Doug alcançou a varanda.

— Olá, querida. — cumprimentou ele, sorrindo.

— Olá.

Ele cruzou a soleira e parou. Tinha o porte de um modelo e parecia prestes a ser fotografado para um anúncio de revista. Usava camisa de linho bran ca, gravata vermelha de seda e trazia o cabelo ruivo impecavelmente penteado. (N/A: Eu não custumo comentar nas adaptações, mas essa coinscidencia foi incrivelmente hilária.) Pela expressão, parecia satisfeito por estar ali.

— O que você quer? — indagou ela, gelada.

— Quanta frieza! — disse ele, erguendo a sobran celha num ar de surpresa.

— Você deixou bem claro, na última vez que con versamos, que não queria envolvimentos comigo ou com o bebê. Não tenho motivos para acreditar que mudou de idéia. Portanto, o que quer comigo?

Doug pareceu consternado.

— Lamento ter dito aquilo, Mi...

— Não me chame assim!

— Como desejar. Só quero que saiba que estou arrependido. Precisa entender que fui pego de sur presa quando soube que iria ser pai e entrei em pânico.

— Você, em pânico? Não posso acreditar. — Hermione balançou a cabeça, incrédula, diante do cinismo da quele homem. Doug era frio como um peixe e conse guia dizer aquela mentira sem sequer ficar vermelho.

— Acredite ou não, depois do choque inicial fiquei empolgado com a idéia. — disse ele com o jeito afável e humilde que certa vez a encantara.

— Por acaso parou para pensar no que eu senti quando soube que iria ser mãe? Foi a hora em que mais precisei de você.

— É justamente para tentar consertar meus erros que estou aqui.

Hermione não sabia se ria ou se o esbofeteava.

— Demorou um pouco para vir, não acha? — disse, sem disfarçar a contrariedade. — Seis meses, Doug! Estou grávida de seis meses e durante todo esse tempo você nunca se preocupou comigo nem com o que po deria me acontecer. Passou por sua cabeça como essa situação mudaria minha vida, meu trabalho?

— E mudou?

— Pode apostar que sim. A partir do final do semestre estarei desempregada.

Se Hermione não o conhecesse, poderia jurar que ele demonstrava preocupação sincera.

— Então acertei em vir procurá-la.

— Por quê?

— Quero que se case comigo, e que nosso filho tenha um pai.

Hermione ficou boquiaberta. Esperava que ele fosse dizer qualquer coisa, menos isso. Devia fazer exa tamente o que Draco aconselhara: dar-lhe um chute. Mas, em vez disso, só conseguiu apertar as mãos tremulas, tentando disfarçar o nervosismo.

— Lamento, Doug, mas eu não o aceitaria como marido nem que você fosse o último homem na Terra.

Ele não demostrou nenhuma reação, e no rosto de traços perfeitos não havia indicação de que es tivesse ofendido.

—Pense bem. Você acaba de me dizer que perderá o emprego. Como pretende se sustentar, e ao garoto?

Garotol Ele falava como se o bebê fosse algo im pessoal, uma amolação qualquer! Hermione não o queria perto de seu filho, servindo-lhe de exemplo.

— Darei um jeito. Sozinha. — declarou, decidida.

— Case-se comigo. Terei condições de cuidar de vocês dois. Minha carreira vai de vento em popa e estou acertando uma sociedade com um famoso es critório de advocacia.

— Ah, sei... — disse ela, estreitando os olhos ao fitá-lo.

O tempo e a distância fizeram-na entender que Doug não dava a mão a ninguém, a menos que pu desse tirar algum proveito. Ele jamais lhe dissera uma palavra de carinho e agora, sem mais nem me nos, aparecia com aquela proposta absurda! Se ela não estivesse com tanta raiva, até que acharia en graçado. Considerando tratar-se de uma mulher grá vida, ter recebido duas propostas, de casamento no mesmo dia deveria ser um recorde. A proposta de Draco era tentadora, admitiu, mas a de Doug lhe causava náuseas.

O rapaz baixou os olhos por um instante, e depois voltou a encará-la.

— A empresa da qual quero me tornar sócio é muito tradicional, conservadora. Não hesitariam em aceitar um sócio jovem, bem casado e com um filhinho. Mas não quero que pense que estou preocupado apenas com o meu sucesso. Não foi por isso que a pedi em casamento.

— Claro que foi! — Hermione respirou fundo. — Agora quero que me escute, porque direi apenas uma vez que devia saber que um advogado que dorme com sua cliente não era confiável. Você não passa de um mentiroso, e eu seria uma idiota se mais uma vez me deixasse levar por suas palavras bonitas. Saiba que nada neste mundo me faria casar com você!

O brilho gelado nos olhos do ex-namorado a fez arrepiar-se.

— Então não tenho escolha. Terei de pedir a cus tódia de meu filho.

— O quê? — Hermione deu um passo na direção dele, o coração disparado. — Mas você nunca o quis! Até sugeriu que eu o abortasse! E mais: afirmou que se eu insistisse em ter o bebê, jamais o reconheceria como filho! E que eu não contasse com você para nada!

— Mudei de idéia, ora.

— Apenas por egoísmo!

Doug ergueu as sobrancelhas com cinismo.

— Naquela empresa, a única coisa que aprecia riam mais num sócio, além dos laços familiares es táveis, seria uma boa causa. E se essa causa envolve uma criança, melhor ainda. Sabe que não me lembro de nenhum caso recente de algum pai que tenha requerido a custódia de um filho ainda por nascer? Isso com certeza iria gerar uma boa publicidade para os negócios.

— Você está blefando! Mas, se não estiver, não perca seu tempo. Nenhum juiz tiraria o filho da própria mãe.

— Se essa mãe for solteira e estiver desempre gada, e o pai for um homem bem situado financei ramente, pode apostar que sim. Quer arriscar?

Hermione, apavorada, apenas desejava que aquele crá pula fosse embora e a deixasse sozinha.

— Você é desprezível. Não sei como ainda lhe dou ouvidos. Por favor, saia daqui! — Apontou para a porta da frente e irritou-se ao ver a mão trêmula. Doug andou até a porta e voltou-se antes de sair. Seus olhos era cruéis quando disse:

— Pense no que lhe falei. Nossa união seria con veniente para nós dois e para o bebê. A alternativa seria... Bem, você sabe — ameaçou, encolhendo os ombros com descaso.

— Não se atreva a pensar em ficar com meu filho!

— Pense bem na minha proposta. Verá que não perderá nada se a aceitar.

— Saia da minha frente!

Assim que ele saiu, Hermione jogou-se sobre o sofá. "O que vou fazer?", perguntou a si mesma. Mas não obteve resposta.

Draco voltou para casa logo após a reunião. Tudo correra bem. Vários pais concordaram em ajudar o programa de treinamento.

No entanto, ele não via a hora de voltar para casa. Já passava das dez e meia è, cada vez que tentava sair, um pai chegava para conversar. Es perava não ter dito nenhuma besteira, pois seu pen samento estava em Hermione e no encontro que teria com Doug. O homem era inescrupuloso e safado.

Ao se aproximar da casa, viu alguém caído na varanda. Era Hermione. Desesperado, estacionou o carro e saiu correndo. Num segundo estava ao lado da amiga.

— O que houve? Ele a machucou? O que faz aqui fora?

— Doug quer me tirar o bebê... — confessou ela, soluçando.

— Ele o quê?

— Ameaçou pedir a custódia do bebê se eu não me casar com ele... — Hermione precisou se calar, de tanto tremer.

— Não fará isso. Você está gelada. Vou levá-la para dentro e aquecê-la.

Draco passou o braço em torno da cintura delicada e conduziu-a ao interior da casa. Fez com que se deitasse no sofá. Por causa do frio, acendeu a lareira.

— Se você não estivesse grávida, eu lhe ofereceria um drinque.

— Se eu não estivesse grávida, não estaria nessa confusão. — Mais calma, Hermione se levantou e apro ximou-se do fogo, esfregando as mãos.

— Vou preparar um chocolate quente. — Draco avisou, e foi para a cozinha.

Colocou o leite para esquentar no microondas. Re tornou à sala e a observou atentamente. O fogo na lareira iluminava o rosto delicado. Percebeu que a amiga estava tensa, infeliz, e não se perdoou por tê-la deixado sozinha.

Embora estivessem frente a frente, teve certeza de que ela não podia vê-lo: encontrava-se imersa em um mundo particular. Havia uma sombra sobre seus olhos, tornando-os opacos e sem vida. Quanto à expressão, sempre alegre, agora mostrava-se do minada pela angústia.

O chocolate ficou pronto. Draco entregou-lhe a xícara fumegante antes de agasalhá-la com a manta azul, presente que ela lhe dera. Sentou-se ao lado e abra çou-a carinhosamente, gostando daquela proximidade.

— Agora me conte exatamente o que ele disse.

— Doug quer a custódia... — Ela parou e deu um suspiro, segurando a xícara. — Primeiro, me pediu em casamento.

Draco ficou atônito.

— Você recusou, não foi?

— Claro! — Hermione balançou a cabeça, irritada. — Fui muito tola!

— Por recusar?

— Por ter revelado que perdi o emprego. Ele quer casar-se comigo para posar de homem correto, caso contrário não conseguirá tornar-se sócio no escritório de advocacia em que está trabalhando. Como recu sei, ameaçou pedir a custódia. Como não tenho con dições de me manter, nem ao bebê, receio que o juiz lhe dará ganho de causa.

— Não pode ser. Deve haver uma saída.

— Há uma saída. Estive pensando e esperando por você há horas, e cheguei a uma conclusão.

— Qual?

— Você disse que seu pedido de casamento ainda estaria em pé, se acaso eu mudasse de idéia... — Fitou-o, temerosa. — Creio que agora eu realmente preciso de um marido.

Lágrimas brotaram-lhe nos olhos. Naquele mo mento, Draco teria feito qualquer coisa para ajudá-la. Oferecera-lhe aquilo que ela mais precisava: uma família, um nome e segurança financeira. Isso mos traria àquele crápula que ele não poderia mais ameaçá-la e tampouco tirar-lhe o bebê.

— Está querendo dizer que se casará comigo?

Quando Hermione fez um gesto positivo com a ca beça, ele não ficou surpreso. Dera-lhe dez bons motivos para que entendesse que o casamento se ria a solução de seus problemas. Hermione recusara a proposta porque ainda sonhava viver um grande amor. No entanto, Doug Hammond aparecera e a assustara, trabalhando em favor de Draco. Estava ciente de que, se ela não se sentisse ameaçada, ja mais aceitaria ser sua mulher.

— Não tenho escolha. Casada, terei meu emprego de volta. Além disso, num tribunal, um casal terá mais chances de ganhar a custódia de um bebê do que um homem solteiro. Especialmente um homem como Doug Hammond.

— Tem certeza de que é o que deseja? Se ainda tiver dúvidas, podemos encontrar outra saída...

— Certeza absoluta. A menos que você tenha mudado de idéia. Afinal, um bebê é uma grande responsabilidade.

Durante um breve instante Draco manteve os olhos fixos no fogo. Hermione o deixava feliz como há muito tempo não se sentia. Não sabia o porquê de tanta felicidade, nem questionaria isso. Tampouco queria pensar na própria convicção de que as coisas boas duram pouco. Só o que precisava agora era assegu rar a Hermione que tudo ficaria bem.

— Então vamos combinar uma coisa. Quero estar casado quando o bebê nascer, e desejo que meu nome conste na certidão de nascimento.

Quando Hermione o fitou, havia um brilho suspeito nos olhos castanhos.

— Você quer que estejamos casados antes do parto para que meu filho não passe pelo que você passou.

— Ninguém chamará essa criança de bastarda. Não enquanto eu puder evitar.

Durante anos Draco tentara apagar as tristes lem branças de sua infância, mas ainda não conseguira livrar-se por completo das marcas que haviam ficado.

— Será como você deseja, Draco. Mas vai me prometer uma coisa — disse ela, num tom rouco, como se estivesse prestes a chorar.

— Diga.

— Prometa que, seja lá o que aconteça no futuro, sempre será meu amigo.

Isso era fácil.

— Prometo solenemente que nada no mundo con seguirá destruir nossa amizade. — prometeu ele, sorrindo.

— Então temos um trato? Vamos nos casar? — indagou ela, e limpou a garganta. Mesmo assim ele percebeu quanto estava comovida.

— Temos um trato e vamos nos casar. Mas as pessoas não costumam apertar as mãos, ou algo pa recido, para selar um acordo?

Quando Hermione ergueu os grandes olhos, Draco sen tiu-se assaltado por uma esmagadora emoção. Os lábios dela pareciam macios e doces, uma verdadeira tentação. Sem perceber ao certo o que fazia, ele abai xou a cabeça e beijou-a.

O doce contato espalhou um intenso calor em seu íntimo, um calor que nada tinha a ver com o fogo ardendo na lareira.

Assim que se afastou, viu uma ruga de preocu pação na testa de Hermione. Teria ela sentido o mesmo calor?

Calor? Como assim? Eram apenas amigos, e es tariam se casando pelo bem do bebê.

Hermione afastou-se e sentou-se na poltrona em frente, as pernas cruzadas.

— Mas, para que um acordo desse dê certo, creio que precisaremos fazer alguns acertos. — disse.

— Que tipo de acerto? — indagou ele, cruzando os braços diante do peito.

O olhar feminino pousou por um instante na boca sensual de Draco.

—Precisamos estabelecer o tempo que ficaremos casados.

Incrível! Eles mal haviam acertado o casamento e ela já falava em separação! Draco não soube por quê, mas aquilo o irritou.

— Ficaremos casados enquanto existir o perigo de Doug tomar-lhe a criança!

— Mas isso é muito vago. Não quero que fique preso a mim o resto da vida.

— Quanto a isso você não precisa se preocupar.
Ela o fitou, os olhos repletos de pesar.

— Eu o admiro muito, e nada faria para estragar nossa amizade.

— Então, o que sugere?

— Enquanto eu tiver um emprego, poderei en frentar Doug em qualquer tribunal. Posso ser di vorciada e lecionar. Só não posso ser grávida e sol teira. Que tal quatro meses? Até o reinicio das aulas?

— Tão pouco? As pessoas não vão desconfiar?

— Casamentos relâmpagos vivem acontecendo. — observou ela, encolhendo os ombros com indiferença. — Alguns duram apenas semanas.

Draco não concordava, mas não faria oposição. Se era o que ela desejava...

— Tudo bem. Quatro meses, mas talvez seja pre ciso estender esse prazo caso Doug insista com a custódia.

— Rezarei todas as noites para que ele consiga a sociedade antes disso. Nesse caso, não preci sará do bebê. Então poderemos levar nossas vi das normalmente.

Draco não entendia a sensação desagradável que o assaltava toda vez que ela falavaem separação. Nãoqueria pensar no futuro.

— Devemos nos casar o mais rápido possível. Se Doug começar a agir e nos incomodar, teremos as armas certas para nos defender.

— Concordo plenamente.

— Amanhã cedo daremos entrada nos papéis. Pre cisaremos contratar um advogado...

— Advogado? Por quê? — Hermione fitou-o com olhos indagadores.

— Um colega meu é especialista em direito de família. Precisamos de alguém entendido no as sunto para nos aconselhar caso Doug comece a dizer besteiras.

— Tem toda razão.

— Achou que haveria outro motivo?

—Julguei que desejasse fazer um acordo pré-nupcial.

— Isso jamais me ocorreu.

— Não o culparia se tivesse ocorrido. Depois de Carol... — Hermione parou de falar para analisar-lhe a reação. Ao perceber que o amigo não dava a menor importância, prosseguiu: — Saiba que, quando nos separarmos, não vou querer nada seu. Está me fa zendo um grande favor, e nem sei como vou poder retribuir.

— Não quero nada além da chance de poder aju dá-la. Agora, é melhor marcarmos a data.

— Você escolhe. — Hermione respirou fundo, sentin do-se estranhamente tensa.

— Que tal o próximo sábado?

— Acha que dará tempo?

— Tenho certeza que sim. A menos que você quei ra algo mais do que uma simples reunião com os amigos para comemorar.

— Nas atuais circunstâncias, uma cerimônia sim ples será suficiente.

— Vamos precisar da cooperação de algumas pessoas.

— Vou ver se Luna pode ser minha madrinha. E quanto a seu padrinho?

— Penseiem convidar Cliff Bloomhurst...— disse ele, rindo. — Com ele como testemunha, não restará dúvida quanto à devolução de seu emprego.

Hermione sorriu, mais tranqüila.

— Você é demoníaco, Draco Malfoy. No bom sentido, claro.

— Então, estamos combinados?

— Combinadíssimos. A partir de sábado, ninguém mais me segura!