"- Draco?"
Gina entrou no quarto, morrendo de vergonha, pois estava no quarto masculino daquela casa. Olhou para a janela, e viu que Draco dormia na cama perto dela, e se sentiu próximo a ele, pois ela também havia ficado com a cama da janela.
"- Draco?"
A cada vez que lhe chamava, parecia que sua voz sumia mais. Então tomou coragem e sentou na cama, colocou suas mãos sob o braço de Draco, e o sacudiu um pouco.
"- Draco, você pediu pra te acordar na hora da poção, vai acorda."
Draco abriu os olhos, completamente sonolento, como se não tivesse entendendo o por que dela estar lá.
"- O que foi Weasley?" Perguntou Draco virando para o outro lado da cama.
"- A poção, temos que ir mexer."
"- Ah, eu to dormindo Weasley, vai você."
Gina começou a se arrepender de ter ido tentar acordar ele, levantou de sua cama, olhou para ele, e saiu do quarto, e foi para o quarto de poções mexer ela. Enquanto isso no quarto, Draco ficou rodando de um lado para o outro, até que se levantou e foi ver ela.
Ela estava morrendo de raiva, por ele ter pedido para ela o acordar, e ele nem ter levantado da cama, como se ela fosse empregada dele, até que alguém mexeu na maçaneta da porta, ela pegou sua varinha e apontou para porta. Até que uma cabeça loira adentrou o quarto, e ela começou a rir. Ele estava completamente bêbado de sono, com seu pijama que era só uma calça.
"- Resolveu sair da cama é?"
"- Não enche se não eu volto para lá."
Draco foi pegando os outros ingredientes para a poção enquanto Gina a mexia. Depois de uma hora Gina começou a reclamar que seu pulso estava doendo e pediu para o Draco mexer um pouco. Então ele foi até ela, e encostou na mão dela, pois não podia mudar a velocidade de que estavam mexendo, então ela mostrou a ele a velocidade, e soltou sua mão de dele, e era estranho ser encostada por ele, lhe dava uns arrepios, e não sabia o que era aquilo que sentia.
"- Malfoy, eu vou me sentar aqui, por que ao contrario de você, eu não dormi essa noite, estou cansada, me chama quando cansar."
Gina apoiou a cadeira na parede para que pudesse ter apoio para sua cabeça, e ficou olhando para o menino que estava a sua frente, sem camisa mexendo a poção. Aquela imagem lhe agradava bastante, ele era lindo, parecia um anjo. Estava despenteado pois tinha acabado de sair da cama, então seu cabelo não estava todo para trás preso com gel. Até que ele fica melhor com o cabelo solto, ficava bonito, um ar de rebelde.
Ela ficou ali, babando a imagem perfeito do menino a sua frente, que até dormiu, quando Draco percebeu que sua parceira havia dormido, ela já estava ali a muito tempo, seu braço já estava doendo, mas ela parecia estar dormindo mesmo, não apenas cochilando, e parecia estar bem ali, e só faltavam meia hora para que ele pudesse parar de mexer na poção, ele agüentaria mais meia hora.
Aquela meia hora até que passou rápida, apesar da dor que estava sentindo em seu pulso, mas nem tinha como mudar de mão, pois poderia perder o ritmo e ai eles teriam que entrar no lago novamente, e a poção não ficaria pronta a tempo, pois ela ficaria pronta certinho no dia de entrega, e nem teriam como checar para ver se ela realmente estava certa.
O que lhe deixava com mais raiva, era o fato de não saber se a outra dupla havia recebido algo tão chato de fazer como o que eles receberam, pois Dumbledore deixou claro, que os pontos seriam de acerto e não tinha falado nada sobre a diferença de tarefas. Não que quisesse ganhar da outra dupla para ir ao torneio, mas ele não iria passar vergonha na frente do colégio todo. Sua família já estava com o nome bem manchado, desde que Harry resolveu bancar o herói a um ano e meio atrás.
Mas ele sabia que Harry não havia prejudicado somente a ele, aquela pequena ruiva, que parecia indefesa na sala, também havia sido bem prejudicada por causa dele, o que deixa Draco com certa raiva que nem entendia. Como Harry pode largar ela, e fazer tudo que ele fez com ela? Ela parecia ser a menina mais perfeita do mundo, a pessoa que todos os meninos procuram, mas nunca acham.
Quando percebeu a meia hora que faltava para parar de mexer a poção havia terminado. Então simplesmente parou de mexer a poção e tirou a colher de dentro dela, ela tinha que perder a velocidade por conta própria, ele ficou encarando a poção por um tempo até que viu que tudo estava ocorrendo como deveria ocorrer, então foi em direção à ruiva para acordá-la.
Ela parecia bem cansada, e estar em um sono profundo, e pela primeira vez na vida de Draco, ele ficou com pena de acordar uma menina, mesmo que essa ele não estivesse expulsando de sua cama. Nem de Pansy Parkison, menina que ele namorou por bastante tempo, ele teve essa pena, certo que ele sempre soube que só namorava ela porque seu pai precisava do contato, mas assim que seu pai foi preso ele terminou com ela.
Ele esticou a mão como se fosse tocá-la, mas de algum modo, algo dentro dele não foi capaz de acordá-la, então ele abriu a porta da sala de poções, pegou a ruiva no colo como se ela fosse uma criança. Mas mesmo dormindo Gina parecia bastante acordada, pois ela se ajeitou no colo dele, o que ele achou fofo. Nunca nenhuma menina havia feito uma cara de "estou segura" em seus braços antes, e essa ainda estava dormindo. Draco ficou um tempo com ela no colo antes de sair da saleta com ela. Ela era realmente leve, ele voltou apagou a luz fechou a porta e foi em direção ao quarto dela, e um receio lhe veio. Ele não queria perder aquela sensação que estava tendo com ela em seu colo.
Ele sentia como se aquilo fosse certo, como se aquele momento pudesse durar para sempre, como se aquela pequena ruiva que estava em seus braços pertencesse ali. Mas ele não podia ficar com ela nos braços até ela acordar, seria insano por parte dele, e ela provavelmente daria um chilique, e ele perderia aquela sensação para sempre. Abriu a porta do quarto dela, e viu que a cama dela era a da janela, já que Crista estava dormindo na cama em frente à porta. Ele foi até a cama dela, e a pos lá, assim que ele a pos lá, ela se encolheu toda, como se estivesse com frio, e subitamente lhe veio a vontade de deitar ao lado dela, e ser o cobertor para lhe aquecer.
Começou a achar que estava ficando louco, como tantos sentimentos assim podiam vir em sua cabeça, ainda mais que viam daquela ruiva, que até horas atrás tinha certeza que odiava. Mas foi contra sua vontade, e somente puxou a coberta e colocou em cima dela. Assim que a coberta encostou em sua pele, foi como se ali estivesse o calor. Gina se arrumou como uma criança.
Como se algo tivesse dominado o seu corpo, Draco foi até sua cabeça e lhe deu um selinho. Quando se percebeu fazendo isso Draco saiu do quarto da ruiva, e foi para o seu, onde deitou na cama, e rapidamente dormiu de cansaço. Na manhã seguinte Gina acordou na hora em que costumava a acordar, antes mesmo do sol nascer, e foi rapidamente se arrumar, tomou seu banho, prendeu seu cabelo em um rabo de cavalo, e foi para o grande salão.
Enquanto ia andando para o grande salão ficou se perguntando se Draco havia lhe acordado para que ela fosse sozinha para cama, ou se ele havia a levado, o que não podia acreditar, era algo muito bondoso vindo da parte dele. Se bem que ele realmente não era o que ela achava que fosse. Tudo bem que ela achava que ele era mais atencioso que o normal, menos frio que o normal, só que será mesmo que ele tinha sido quase um príncipe na noite anterior?
Quando chegou no grande salão teve um susto ainda maior, o Draco já estava na mesa, e ainda nem tinha tocado no seu café, tudo ainda estava sem cima da mesa. Ela tinha até pensado de ir deixar a carta de Colin no corujal, mas quando viu Draco ali, foi até sua mesinha para comer.
"- Bom dia Malfoy."
"- Bom dia Weasley."
'- Posso fazer uma pergunta?"
"- Outra além dessa pode sim Weasley."
"- Como eu cheguei na cama ontem a noite?" Terminou a pergunta pegando um pouco de suco de abóbora e colocando em sua pequena taça.
Com a pergunta Draco até se sentiu mais aliviado, com o fato dela não lembrar nada da noite anterior, mas ai veio a sensação de que isso não era algo bom. Pois ele lembrava completamente da noite anterior, da sensação de não querer soltar a ruiva do seu colo, de como ela havia se sentido segura em seu colo, de como ele queria ter somente deitado com ela, de como seu corpo havia lhe levado para perto dela, e com isso ele tinha a beijado. Mas ai percebeu que isso era bom, pois se ela lembrasse poderia achar que ele gostava dela, e ninguém no colégio poderia achar isso também.
"- Eu só te ajudei a chegar até a porta do seu quarto, de lá você deve ter ido andando, não sei como."
Draco ficou sem entender como tinha mentido daquele jeito, ele queria poder dizer a verdade, que ele havia levado ela, mas de algum modo seu corpo havia lhe impedido, assim como na noite anterior que seu corpo havia feito com que ele fosse até ela, e lhe desse um beijo. Ele só sabia que quando ficava perto da ruiva, seu corpo não funcionava normalmente. E queria saber o por que disso, afinal de contas ela era apenas uma Weasley.
"- Obrigada por me levar até a porta, apesar de que eu realmente não me lembro de nada, e olha que nem bebi nada ontem. Acho que era por que já tinha mais de vinte e quatro horas que eu não dormia. Mas vou parar de falar, você deve querer comer em paz."
Ele nem respondeu, ele na verdade não queria que ela se calasse, ele queria continuar, queria conversar com ela, ter uma conversa decente com ela, mas não queria admitir isso. Estava agindo como se estivesse viciado em alguma coisa. Primeiro passo é negar. E ele sabia disso, mas não queria nem mesmo admitir, porque sabia que se ele não ligasse talvez tudo sumisse.
Os dois terminaram o café em silencio, mas Draco terminou antes, fez sinal com a cabeça, meio que pedindo da licença e saiu da mesa. Gina ficou lá, ainda achando estranha a sua ida até a cama na noite anterior. Agora sabia que não havia sido o Draco, pois ele acabara de lhe falar, e com um rosto de tanta certeza, que não dava para acreditar que era mentira.
Mas começou acreditar na sua própria teoria que tinha ido por conta própria mas por causa do sono não conseguia lembrar. Mas já estava na hora de deixar para lá, e ir levar sua carta antes que sua aula começasse.
No caminho para o corujal se lembrou de que tinha que marcar com Malfoy para fazer a poção, mas não sabia que matéria ele teria agora. Então o mais sensato seria lhe mandar uma carta perguntando. Pegou um pedaço de pergaminho e lhe escreveu um recado.
" Malfoy,
A gente precisa se ver antes do almoço para fazer o treco na poção, sigilo né? Então me fala onde você vai estar para gente se encontrar.
G.W"
Gina foi até a sua coruja, fez um carinho nela, lhe deu um pão e colocou a carta de Colin em sua pata. Ela lhe deu uma bicada no dedo e ela saiu voando. Foi até uma coruja do colégio, e botou a carta que era para Draco nela, e ela saiu voando para dentro do castelo. Gina ainda ficou um tempo vendo a coruja indo para dentro do castelo tentando adivinhar onde ele estava.
Mas começou a bater um frio, e resolveu entrar para ir para aula. Foi até a sala de transfiguração e ainda não tinha ninguém na sala, então foi se sentar na primeira fileira, e ficou lá, até que a sala foi enchendo de alunos e alunas, da Grifinoria e Corvinal. A aula começou e Gina já sabia tudo que a professora estava explicando, ficou lá olhando para o nada. Até que uma coruja entrou na sala e parou em frente à Gina. A professora ficou lhe olhando com cara feia, como se a coruja ali fosse sua culpa.
A coruja ficou ali piando, e com a patinha com uma carta. Gina pegou a carta, fez um carinho na cabeça da coruja, e ela saiu voando. Abriu e carta e leu.
"Gina Weasley,
Compareça a minha sala nesse momento.
Atenciosamente,
Professor Dumbledore."
Gina se levantou, arrumou suas coisas, e mostrou a carta à professora, e saiu da sala. Foi em direção a sala do diretor. Odiava aquele caminho. Tinha pilastras que deixavam o caminho meio obscuro. Aquelas pilastras eram famosas por esconderem casais que queriam privacidade. Lembrou que Harry sempre falava para eles irem para ali, e ela nunca ia, pois não tinha nada que eles faziam que iria chatear os outros de verem.
Quando Gina estava chegando ao corredor no final das pilastras um braço a puxou para trás de uma. Logo uma mão lhe tampou a boca para que não pudesse gritar. Sabia que a pessoa que a puxara estava em suas costas, então não conseguia ver o rosto. Foi ficando com medo, a pessoa não falava nada. Até que ouviu outros passos, mordeu a mão que segurava sua boca, e saiu correndo em direção aos passos.
E ficou procurando pela outra pessoa, até que bateu de frente com algo e caiu no chão. Quando olhou estava em cima do Draco no chão, meio que chorando. Ele se levantou e a ajudou a levantar.
"- Sua louca, olha para frente quando andar."
"- Desculpa Malfoy, alguém tentou me agarrar, tava me segurando atrás da pilastra."
Gina estava com um olha de medo e desespero. Draco ficou até com pena da ruiva, mas ficou pensando o que ela fazia naquela região em hora de aula a não ser para ficar com alguém.
"- Malfoy o diretor mandou uma carta pra mim, vim para cá e alguém me agarrou. Ai eu ouvi passos, mordi a mão da pessoa e trombei com você."
Agora ele entendeu porque ela estava naquele corredor naquela hora, mas não sabia quem poderia estar ali. Abraçou a ruiva para ver se ela faria de novo aquela cara de estar segura, ele precisava daquilo de novo. E aconteceu de novo, a ruiva o abraçou também, e escondeu seu rosto em seu peito, e ficou ali se sentindo segura.
Até que ele ouviu um barulho e pegou sua varinha, pediu que ela se sentasse ali no canto claro, e foi até a origem do barulho, e quando chegou lá, tinha um pedaço de pano preto, ele pegou o pano e ficou olhando.
"- Meu pai?"
Gina foi até ele, e o abraçou. Os dois ficaram ali sem entender a situação daquele abraço no escuro. Então ele a soltou.
"- Vamos ver a poção? Eu recebi sua carta."
"- Sim, vamos Malfoy."
Quando iam saindo, Draco passou o braço, e o apoiou nos ombros de Gina, e ela meio que apoiou sua cabeça no ombro dele. Ela estava se sentindo segura, sem medo de quem a tinha agarrado. Eles foram andando assim até o quarto de poções, quando chegaram lá, Gina tirou sua mochila e seu sobretudo e colocou no chão, assim como Draco. Até que foram ver a poção.
Gina chegou nela primeiro e viu que ela ainda estava agindo perfeitamente. Então Draco chegou por trás e ficou ali atrás de Gina admirando ela. Até que ela virou e foi sair dali, e ficaram ali se olhando nos olhos. Até que Draco não se controlou e a beijou. E como da outra vez ela respondeu o beijo, sem entender por que e nem ele entendia a necessidade de beijar a ruiva.
Até que Gina parou o beijou, saiu de perto do loiro, e ficou fingindo que estava mexendo nos ingredientes de poções. Até que o silencio começou a ficar muito constrangedor, e Gina iniciou uma conversa.
"- O que você achou no chão, perto da pilastra?"
"- Nada não, esquece."
"- Fala Malfoy, não vai doer."
"- Achei um pedaço de pano, do meu pai."
"- Mas Malfoy, ele ta preso, eu tenho certeza. Eu lutei contra ele, eu tenho essa cicatriz por causa dele." Gina mostrou uma pequena cicatriz em suas costas.
"- Eu sei, e eu quero que ele continue lá, mas tenho certeza que isso é dele. Ele não te escolheu por nada, a carta que você recebeu não foi em uma hora a toa."
"- Não pode Malfoy, se for ele, eu estou ferrada, ele me jurou morte."
"- Eu sei, a mim também, eu dei a dica ao Dumbledore para ele mandar você, eu ferrei meu pai e minha mãe Weasley, ele te quer morta tanto quanto a mim. E eu também recebi a carta, aquilo foi uma emboscada."
"- Eu realmente não sabia Malfoy."
"- Ninguém sabe, só eu, meu pai e Dumbledore. E agora você."
"- Obrigada Malfoy."
"- Pelo que Weasley."
Gina chegou perto dele, pegou sua mão e colocou contra a sua, olhou dentro dos olhos dele e falou. "Pela confiança de me contar isso." Gina ficou na ponta dos pés, apoiou sua mão livre no peito dele, e lhe deu um selinho. Soltou-se dele, pegou suas coisas e saiu do quarto.
Draco ficou ali pensando no que tinha acabado de acontecer, ela o beijou por livre espontânea vontade. O que aquilo significava? Por que ela o beijara? Eles estavam juntos? Um Malfoy não poderia ficar com uma Weasley. Se bem que aquele Malfoy em particular havia traído todos os comensais, e aquela Weasley em exato havia sido traída por sua família inteira. Não teria como um traidor e uma traída se darem bem.
Aquele Malfoy só tinha tido uma namorada, era considerado um dos melhores partidos da escola, e agora estava trocando beijos com a rejeitada da escola. Não daria certo, ele tinha que mudar aquilo, mas não conseguia negar a necessidade de ficar com a ruiva também, ela literalmente mexia com ele.
E não era de agora, antes mesmo, nos jogos de quadribol contra a Grifinória, Draco sempre ficava vendo a ruiva se divertir com a vassoura, voando de um lado para o outro. No dia que Rony a expulsou do time, ela viu a cara de tristeza dela, ela realmente amava voar. Ele via como ela ficava nos jogos de quadribol quando parou de jogar. Sempre a via mesmo quando ela era excluída, e ia comer em horários vazios, ou passando pelos corredores mais discretos evitando contatos humanos. Ou de como toda terça ela recebia uma carta que vinha da mesma coruja.
Até que ele viu que ficou muito tempo ali pensando nela, pegou suas coisas e também saiu do quarto, deixando a poção ali sozinha.
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O atraso foi por que eu fiquei sem internet. Por causa disso o próximo capitulo posto semana que vem sem data prevista.
