Capítulo 4
"Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados" Aldous Huxley
"Faz séculos que não venho a Hogwarts e ainda lembro de cada detalhe!" divagou Harry, subindo as escadarias da escola ao lado de Neville "É complicado, Nev. Passamos por coisas tão difíceis aqui. Queria que fosse mais tranquilo para o Al e a Rose."
"Estamos cuidando deles, Harry. Do Al pricipalmente. Oscar Wilde" proferiu Neville, parando em frente à gárgula que guardava a entrada do gabinete do diretor "Parece estranho, mas ele gosta de autores trouxas." explicou Neville, subindo com Harry e batendo na porta "Com licença, Blaise. Estou com Harry."
"Entrem, por favor." respondeu Blaise, oferecendo as cadeiras para que se sentassem "Obrigado por atender meu convite em tão curto tempo, Potter. Sei como sua agenda é ocupada no Ministério."
"Eu viria a qualquer hora pelos meus filhos, Zabini." proferiu Harry. Era estranho estar ali, depois de tantos anos, e ver Blaise Zabini ocupando o lugar que fora de Dumbledore por tanto tempo.
"Tenho falado com Neville sobre o Alvo, Potter. Estamos preocupados com ele." respondeu Blaise, sentando-se em frente aos dois "Nenhum aluno jamais foi para Sonserina sem realmente precisar da casa. Alvo é o primeiro. Não temos antecedentes."
"Por recomendação do Neville, estamos em contato constante com ele. Com Rose também. Há algo mais que podemos fazer?" perguntou Harry, preocupado.
"Harry, Blaise e eu pesquisamos a respeito e, ao que parece, explicar para Alvo sobre Sonserina seria o mais prudente a se fazer." começou Neville, a expressão séria "As atenções de Alvo estão completamente voltadas para Rose e, por este motivo, ele ainda não enxergou o que acontece com os demais alunos. Estamos preocupados sobre o que pode acontecer quando ele finalmente perceber."
"Resumindo, Potter, não sabemos até que ponto as coisas que acontecem na casa podem afetar alguém sem nenhum problema psicológico, como é o caso do Alvo." completou Blaise "A magia está crescendo dentro dele. Se o problema se instalar agora, crescerá junto com a magia, aumentando os riscos."
"Então vocês querem dizer que meu filho corre mais riscos do que qualquer outro aluno que realmente precise de Sonserina? É isso?" Harry concluiu, ultrajado "Pois tirem ele de lá! Coloquem ele em qualquer outra das casas de Hogwarts."
"Harry, você sabe que não podemos mudar a decisão do Chapéu Seletor. É magia antiga!" explicou Neville, fazendo Harry sentar-se novamente. O moreno mal havia notado que se levantara "Porém, acreditamos que ele estará seguro se souber o que realmente significa estar em Sonserina. Eu e Blaise pensamos em contar, mas concluímos que isso deve partir de você. Ele não acreditaria em mais ninguém."
"Ele é tão novo para passar por isso... tão novo para entender a complexidade do que eu vou falar." lamentou Harry, passando as mãos pelos cabelos. Estava decidido, diria tudo ao filho! Sua segurança era a única coisa que importava. Só não sabia como faria aquela que seria uma das tarefas mais difíceis de sua vida.
"Potter, há outro agravante." completou Blaise. Harry se perguntou o que mais poderia existir, além do fato de precisar contar ao seu filho de 11 anos... uma criança... sobre o que realmente era Sonserina e como a casa afetaria uma das pessoas que ele mais amava no mundo "Rose não pode saber de nada. Isso é de suma importância. Alvo não deve contar a ela, ou a qualquer outro sonserino, sobre as coisas que ficará sabendo. Como você sabe, parte importante do processo é aprender a enfrentar os problemas sozinho. Se Rose não passar por isso, as chances de cura serão infinitamente menores."
"Entendo. As férias de Natal estão próximas e vou aproveitar a data para conversar com Alvo a respeito." concluiu Harry, tentando encarar o problema racionalmente, mas falhando miseravelmente. Ele, Ron e Mione já haviam sofrido tanto! Perdido grande parte da infância com responsabilidades e medos de adultos. Era injusto que isso acontecesse novamente com seus filhos "Se me dão licença, preciso ir. Tenho que conversar com minha esposa sobre isso e decidir a melhor forma de agir."
"Se precisar de qualquer ajuda, Harry, estaremos aqui." disse Neville, levantando-se para acompanhar o amigo até a saída.
"Potter, não se esqueça. Hogwarts nunca abandona seus alunos." completou Blaise, repetindo a frase que Dumbledore, muitos anos antes, havia dito a Harry "Não será diferente com Alvo e Rose. Você tem a minha palavra."
"Obrigado Zabini. De verdade." disse Harry, apertando a mão de Blaise e retirando-se do gabinete do diretor.
"Al, por favor! Eu não estou entendendo!" suplicou Rose, ajoelhada na cama do primo. O garoto não a olhava, ocupado em bloquear a porta do quarto dos primeiranistas com um pesado armário "Por que tudo isso? O que há de errado com aquele garoto?"
"Rose, você não quer saber!"
"Sim, eu quero!" gritou a garota, alcançando Alvo e fazendo com que ele a olhasse "E se você não me contar, eu volto para a Sala Comunal e pergunto diretamente a ele! O que você acha disso?"
"Eu não vou deixar você falar com ele, Rose! Ponto final!" gritou o garoto, segurando a prima pelos braços, impedindo-a de se mover.
"Você não pode me impedir para sempre!" bradou ela, contorcendo-se para se desvencilhar "Droga Al, nunca sequer discutimos... e olha o que está acontecendo agora!"
"Eu não vou deixar você se aproximar dele, Rose! Não vou! Nem que você me odeie e eu te perca por isso!" disse o garoto, lívido.
Aquelas palavras assustaram Rose. Perder Al? Não! Não podia! Instantaneamente parou de se debater. O peso daquilo a desestruturando. Sentiu a força deixar seus joelhos e o terror invadir seu corpo. Mal podia ouvir os argumentos de Al... seu cérebro ficando vazio, invadido pelo desespero. Era inevitável se entregar àquelas sensações aterradoras.
"Rose? ROSE? O QUE ESTÁ ACONTECENDO, ROSE!?" gritou Al, sacudindo a prima pelos ombros ao perceber seu corpo tenso e seus olhos vidrados, sem qualquer vestígio de vida. Sabia o que aquilo significava e ficou apavorado "DROGA! VOLTA PARA MIM, ROSE! POR FAVOR, VOLTA!" gritou o garoto, na tentativa de despertá-la de sua catatonia.
Havia desencadeado uma das crises fortes de Rose. Lembrou-se imediatamente da primeira e única vez que a havia visto daquela maneira. Do desespero do seu tio Ron, tentando acordá-la. Nunca se perdoaria por aquilo! Continuou sacudindo a prima, gritando seu nome por diversos minutos, até senti-la relaxar em seus braços, piscando lentamente e olhando ao redor, como se voltasse de um longo transe. Alívio!
"Graças a Deus!" suspirou Alvo, apoiando a prima que acabara de desabar em seus braços. Com dificuldade, levou-a até a cama, fazendo com que se deitasse. Ela tinha a respiração pesada e o encarava com olhos distantes, como se tentasse entender o que havia acabado de acontecer "Me desculpe, Rose! Eu fui um idiota! Falei coisas sem pensar!" desabafou Al, limpando as lágrimas que escorriam pelo próprio rosto.
"Eu não posso te perder, Al! Você prometeu que nunca me deixaria! E eu morro se você me deixar!" sussurrou, com a voz fraca e entregue às lágrimas "Você sabe! Os sonhos ruins... os pensamentos escuros... tudo isso só vai embora quando você está perto de mim. Promete que não vai me deixar..." pediu, ajoelhando-se com dificuldade na cama e estendendo o dedo mindinho ao primo, em um pedido mudo "... por favor?"
"Você não vai me perder! Nunca!" assegurou Alvo, entrelaçando o seu dedo ao da prima para selar a promessa feita "Eu te prometi, depois daquilo, que nunca sairia de perto de você! E eu sempre vou cumprir! Me desculpe, Rose! Por favor!"
"Não... eu é que... peço desculpas!" respondeu, entre soluços, abraçando o primo "Eu só queria saber quem era o garoto... quando você não quis me contar, achei que você não confiava mais em mim... que ia se afastar... me desculpe!"
"Rose, eu confio em você! Só tenho medo do que pode te acontecer se eu falar."
"Nada vai me acontecer, Al. Enquanto você estiver aqui, eu não tenho medo." confessou a garota, e aquilo convenceu Alvo. Se ele não falasse, ela descobriria por outros meios. Não correria o risco de deixá-la descobrir aquilo sem ele por perto. Precisaria estar lá se os fantasmas aparecessem.
"Rose, eu preciso... não, eu não preciso, eu devo... devo e vou te contar." tentou Al, embaralhando as palavras e recebendo a atenção da garota "Você confia em mim, certo?"
"Sempre!" respondeu a garota, ainda abraçada ao primo. Era verdade. Apenas ele era capaz de acalmá-la... de cuidar dela. Saber que ele nunca a deixaria a fazia ter certeza que nada aconteceria, independente do que ele contasse.
"Rose... aquele garoto..." começou Al, encarando os olhos da prima e respirando fundo "... é um Malfoy." concluiu, vendo o medo invadir as íris azuis imediatamente. A abraçou mais forte e sentiu que ela tremia, as novas lagrimas molhando sua camisa "E ele não vai encostar um dedo em você! Nunca!" completou, unindo novamente seus dedos mindinhos.
O medo estava lá... mais forte e perto do que nunca... mas Rose soube, com aquele pequeno gesto, que estaria segura. Alvo nunca quebrava suas promessas.
Continua...
N/A: Oi gente! Capítulo publicado depois de taaaaaaanto tempo! Ele é super curtinho (sorry about that!), mas com muitas informações importantes!
Mas, mais importante do que as informações, este capítulo está aqui para mostrar que não desisti de nenhuma das minhas fics!
Estou fazendo o possível para trabalhar um pouquinho em todas, mesmo com a correria de trabalho + pós-graduação.
Como sempre, mil desculpas pela demora! E, por favor, não desistam de mim!
Beijos!
Dani
