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Chapter 4

Boston, 2001.

"Really Ma?!" – Jane rosnava enquanto apertava os olhos em frustração. – "Você não poderia me avisar antes? E... Desde quando você está vendo outra pessoa? Dammit!"

Ha poucos minutos sua mãe havia lhe contado que naquela noite Richard, seu novo namorado, iria jantar com elas.

"Janie, seja uma garota por uma vez na vida e faça o que eu estou pedindo!" – Angela rebateu sustentando um bico enorme nos lábios.

"Ugh, Ma! Tudo bem, mas eu não estou pondo um vestido!" – Apontou o dedo para sua Ma e subiu as escadas rapidamente, trancando-se no quarto.

Desde que havia concluído o colégio, Jane tomara a decisão de ingressar na academia de polícia. Até então, Angela não tinha conhecimento. Nada havia mudado, exceto que, ao invés de ir fazer concertos nas pias e banheiros dos clientes como sua mãe imaginava , Jane estava frequentando as classes policiais.

Não lembrava exatamente quando a vontade de exercer a profissão havia lhe ocorrido, mas não pôde evitar a lembrança que enchia suas noites e pesadelos. Encarando a foto escondida atrás de um troféu dos jogos escolares, Jane fixou os olhos no riso de seu Pop. Estremeceu, sentindo o rosto queimar. Engoliu seco, duro, como sempre fazia quando impedia qualquer chance de chorar. Lembrou-se de estar segura em seu quarto e permitiu que o rosto molhasse por alguns minutos, silenciosamente.

Lembrou de que em algumas horas estaria conhecendo o novo homem que fazia parte da família. Não se irritou. Como poderia? Angela merecia alguém. E era melhor esse cara ser bom para sua Ma, ou Jane cuidaria disso da sua maneira. Riu fraco e limpou o rosto antes de respirar fundo e ir para o banho. A noite seria longa.


Maura se despiu pela quarta vez, frustrada. Algumas peças de roupas em cima da cama e uma pequena bagunça no chão. Sentia-se nervosa; Ansiosa. Há alguns meses atrás seu pai havia comentado aleatoriamente que estava vendo uma mulher e, dias atrás, ele avisou sobre o jantar desta noite. A pequena não deixou de evitar a pequena excitação pelo convite de seu pai. Nunca antes havia imaginado que ele pudesse integrá-la em algo tão intimo e pessoal. Sorriu delicadamente, mordendo o lábio inferior. Suspirou em pura indecisão. O relógio apitou, avisando-a que pouco tempo lhe restara. Rapidamente, puxou um vestido vermelho ajustado e colocou seus saltos altos. Seus dedos tremiam por medo. Sabia que a namorada de seu pai era extremamente importante para ele, havia notado as suas leves mudanças de humor. Temia assustar a mulher e, fechando os olhos por alguns segundos, concentrou-se e decidiu tentar evitar conversas longas. Falaria o necessário e só quando fosse chamada.

"Maura, obrigado por me acompanhar essa noite." – A voz de Richard soou pacífica enquanto dirigia, saindo de Beacon Hill.

"Anytime, pai. Anytime." – Maura respondeu contendo a voz, tentando não soar tão animada. Mordeu o lábio e cruzou as mãos em nervosismo. Os olhos estavam atentos ao caminho que estavam indo e notou a diferença entre os bairros.

Antes que pudesse questionar, percebeu a velocidade do carro cessar aos poucos até pararem em uma casa simples. Surpreendeu-se. Nunca havia imaginado que seu pai poderia se interessar em alguém que não fosse de sua classe social. Sorriu interiormente, satisfeita.

Segundos após a campainha ser tocada, a porta de madeira fora aberta por uma mulher de meia idade. Maura observou-a notando os olhos adoráveis e sorriso encantador. Sentiu o rosto corar e desviou os olhos enquanto respirava fundo, tendo a exata noção do que significa acolhimento ao ser puxada para um abraço envolvente. Prendeu a respiração ao ser pega de surpresa e, um pouco desajeitada, retribuiu o singelo afeto.

"É um prazer enorme finalmente conhecer você, Maura!" – A voz de Angela era doce e extremamente carinhosa. Maura, sem confiar em sua voz, apenas sorriu e acenou.

Richard e Maura foram conduzidos por Angela até a sala, trocando algumas poucas palavras. A garota manteve-se quieta, observando a interação entre a incrível mulher que acabara de conhecer com seu pai. Não evitou sentir o cheiro do jantar que pousava em cima da mesa, atraindo sua atenção enquanto sentia a barriga reclamar.

"Oh, vocês devem estar com fome, sim?" – Angela comentou e riu, levando os convidados até a mesa. – "Sentem-se. Eu vou chamar Janie para juntar-se a nós."

Maura travou, já sentada, ao ouvir o nome em questão. Angela era descente de italianos, seus traços confirmavam. Puniu-se mentalmente por nunca ter se interessado em saber o sobrenome da mulher que, por uma questão de coincidência absurda, poderia ser mãe de sua ex colega Jane Rizzoli.

Racionalmente, Maura sabia que a garota pode ter mudado. Mas não deixou de sentir receio e enjoo ao constatar que havia chances de rever a italiana mais uma vez. Nunca trocaram palavras, mas simplesmente não se gostavam. Incomodavam-se na presença da outra e nunca sustentavam o olhar. Não mentiria – Não poderia – Jane era seu primeiro pensamento quando era necessário lembrar-se dos tempos escolares. Claro, havia Barry lá também. A amizade que construíram havia sido fundamental para que Maura pudesse suportar a rejeição evidente em todos os grupos adolescentes. Não que a BCU fosse diferente, mas Maura amadureceu. As poucas habilidades sociais que havia adquirido eram suficientes para poder aproveitar e se adaptar à vida de um universitário.

"Ma! Stop it!" – A voz rouca de Jane chamou atenção de Maura, que levantou os olhos até a figura alta que tentava se esquivar das mãos de Angela, que tentava ajeitar a juba negra da filha.

"Jane, tenho ouvido muito sobre você." – Richard levantou-se, estendendo a mão para a garota.

"Uh, idem.. Ri..chard." – Jane respondeu, insegura, torcendo mentalmente para ter acertado o nome do homem enquanto retribuía o cumprimento educadamente.

Finalmente Jane encarou a figura média atrás do homem de cabelos extremamente arrumados. Os olhos esverdeados a fitavam com a mesma intensidade que Jane pôde reconhecer apenas uma vez, quando soube que Maura havia escutado a conversa entre seus amigos anos atrás. Ambas se estudaram cuidadosamente, reconhecendo-se mutuamente. Haviam crescido alguns centímetros, Maura – Jane notou – ganhara mais busto e os cabelos cresceram um pouco mais. Os cachos loiros brilhavam impecavelmente, como sempre. Jane estava mais alta, músculos definidos e a mistura exótica entre o masculino e o feminino exalava em todo seu corpo.

"Janie, vá cumprimentar Maura. Maura.. Essa é Jane." – Angela conduziu o corpo de sua filha, que obedeceu em um momentâneo estado de catatonia.

Maura foi a primeira a sair do torpor. Apresentou um sorriso apertado, educado e polido. Estendeu a mão para a maior e encarou os olhos chocolates que lhe fitavam petrificados.

"Maura Isles" – A voz macia da menor soou nos ouvidos de Jane, que tocou a pequena mão delicada entre a sua coberta pela luva.

"Jane Rizzoli" – O murmuro rouco rolou pelos lábios da italiana, que rapidamente quebrou o contato e sentou-se em seu lugar.

Durante o jantar, ambas as garotas permaneceram caladas. Forçaram sorrisos e algumas respostas curtas foram dadas, ao contrário de seus pais que estavam relaxados e falantes.

"Garotas, eu entendo que meu anúncio pode parecer um tanto precoce, mas..." – Richard limpou a garganta, segurou a mão de Angela, que lhe sorria, e continuou. – "Angela e eu pretendemos morar juntos, pelo menos até o final do mês. Como disse, entendo que parece precoce, no entanto não somos nós que temos a idade de vocês. Não é um pedido, porém. Estamos avisando que a decisão já fora tomada tanto por mim, como por Angela."

Jane e Maura entreolharam-se, surpresas. Entendiam que, caso seus pais continuassem com o relacionamento, a decisão seria tomada futuramente. A italiana quebrou o contato visual e encarou seu prato por alguns segundos, sentindo suas mãos doerem terrivelmente. Respirou fundo e forçou-se a sorrir. Por outro lado, Maura agiu naturalmente. Fora uma grande surpresa, mas não conteve a expectativa que agora sentia por saber que a enorme casa que morava seria compartilhada com outras pessoas. Mesmo que uma delas fosse Jane Rizzoli.