Capítulo 4

8 de Março de 1997

Amanheceu muito frio.

Eileen acordou tarde, já passavam das 3 da tarde. Estava muito enjoada, uma tontura forte, tentou levantar da cama, mas quase caiu. Chamou a Sra. Snape.

- O que aconteceu, Lyn? - perguntou ela, entrando no quarto.

- Não estou me sentindo bem... acho melhor chamar a Dra. Trentini.

- Eu vou ver se consigo falar com ela...

A Sra. Snape desceu as escadas, quase correndo. Se ajoelhou em frente a lareira.

- Incendio! Diretoria de Hogwarts! - e a imagem da sala do diretor apareceu. - Severus! - ele apareceu nas chamas. - Graças à Merlin, você está aí!

- O que aconteceu, mãe?

- Lyn não está bem. Acho que Nicholas vai nascer!

- Vou mandar Pomfrey até aí. A guerra está para estourar aqui no castelo hoje, eu não poderei ir...

- Estou esperando por Pomfrey!

Não demorou mais que dois minutos para a medibruxa aparecer. As duas mulheres correram até o quarto de Eileen. Ela estava desmaiada, a camisola e o colchão molhados.

- A bolsa dela estourou! - falou Pomfrey, abrindo a pequena maleta que trouxera, tirando de lá dois vidrinhos, levando-os aos lábios de Eileen.

Logo ela acordou, lentamente, assustando-se.

- Acalme-se, querida, você entrou em trabalho de parto, mas está tudo bem com você e com Nicholas. - falou a Sra. Snape.

- Q-quem é ela? - apontando para Pomfrey, que corria a varinha sobre seu corpo.

- Madame Pomfrey é... médica. Tudo vai dar certo...

Pomfrey projetou uma imagem da criança, sobre o corpo de Eileen, que se assustou.

- O que é isso?

- Este é seu filho, Eileen! Mas você só poderá ver a magia enquanto ele estiver dentro de você.

- Magia?

- Deite e relaxe. Logo você terá um pequeno chorão em seus braços para amamentar. - disse Pomfrey, verificando que as poções faziam efeito.

Eileen estava completamente desperta e não aparentava sentir dor, uma expressão confusa no rosto.

- Faça força, querida, quando sentir as contrações... - pediu Pomfrey.


Menos de quatro horas depois, um choro foi ouvido. Pomfrey analisou Nicholas, limpou-o e o passou para os braços de Eileen, que olhava para o filho, encantada. O pequeno cessou o berreiro, Eileen levou o bico de seu seio à boca do filho que sugou, avidamente. Ela ficou o olhando, os pézinhos, as mãozinhas, os cabelos tão finos e tão negros...

Pomfrey se despediu e foi embora.

Mas foi quando o pequeno parou de mamar e abriu os olhinhos para vê-la que seu coração perdeu uma batida. Os olhos eram escuros, assim como os cabelos, assim como...

- Severus... - e ela entendeu, olhando para a Sra. Snape. - Ele é o pai de meu filho, não é?

- Sim, minha querida. - respondeu ela, emocionada.

- Por que que eu não me lembro...? Será que... - ela não terminou o pensamento, não imaginaria Snape a tomando a força... se aconteceu algo entre eles fora consentido, ela o amara platônicamente por anos.

- Assim que ele chegar ele te contará... mas, acredite, Nicholas foi feito com muito amor...

- Isso eu tenho certeza... eu apenas queria lembrar...


Passava das duas da manhã quando Nicholas chorou novamente. Eileen acordou, sorrindo, pegando o pequeno no berço, voltando à cama, observando-o mamar. Um barulho no corredor e ela olhou para a porta.

- Severus! - ela sorriu, sonolenta.

Ele estava parado na porta, ainda, olhando para o pequeno nos braços de Eileen.

"Meu filho."

Sorriu e se aproximou, parando ao lado da cama.

- Como nós...? - sussurrou Eileen, olhando para ele.

- Você lembrou? - estranhou ele.

- Não. - ela sorriu, suavemente. - Mas é muito óbvio que Nick é seu filho... ele tem os seus cabelos e os seus olhos. Mas... por que eu não me lembro?

- Nós nos reencontramos, há quase dois anos atrás. Em resumo... tinha um... homem te perseguindo, mas eu a encontrei antes dele e te levei para morar comigo em Hogwarts...

- A escola onde você estudou... onde você dá aulas. - interrompeu ela.

- Isso. Eu a pedi em casamento, você aceitou. Mas o Ministério da Magia proibiu a sua presença no mundo bruxo.

- Ministério da Magia? Mundo bruxo? Do que você está falando? - ela não estava entendendo nada.

- Eu sou um bruxo, Lyn. Assim como Nicholas.

- Nick é... - ela parou, algo fazendo sentido. - Por isso a bandeja de café da manhã apareceu aquela vez!

- Foi ele quem a fez aparecer para você. Enfim, sem a liberação do Ministério eu não poderia mantê-la em Hogwarts, mas eu a mantive, a escondi dentro dos terrenos do castelo. Há quase um ano atrás, eles encontraram você. Apagaram sua memória e a mandaram de volta para casa, como se nada do que vivemos juntos tivesse acontecido.

- Por isso eu sempre tinha a impressão de que havia esquecido de algo! - Nicholas parara de mamar e adormecera. Snape olhava para o filho, sem se aproximar. - Quer segurá-lo?

- Eu... estou sujo. - era verdade, agora Eileen reparara, ele estava coberto de barro e algo que parecia... sangue, preocupação surgiu, mas ele entendeu o que ela iria perguntar: - Depois eu te explico como fiquei assim, Lyn. Vou tomar um banho.

Foi o banho mais rápido e mais esfregado que Snape já tomara na vida!

Quando ele voltou ao quarto, o corpo relaxado, Eileen conversava com o filho, os olhos dela brilhavam de amor e o pequeno a olhava atentamente. Snape sentou ao lado dela, na cama, beijando-lhe os lábios, suavemente. Os olhos negros de Nicholas caindo sobre ele.

- Os meus olhos... - murmurou ele, encantado.

- Sim... ele é lindo.

- Vamos torcer para que ele não tenha o meu nariz... ou a minha personalidade.

Eileen riu.

- Pois eu amo tudo em você. Se ele tiver seu senso de honra a sua inteligência e essa pose aristocrática, eu serei a mãe mais orgulhosa do mundo!

- A sua opinião não conta, as mães sempre acham seus filhos perfeitos. Posso segurá-lo?

- Claro!

Ela passou o pequeno para os braços de Snape. Nicholas olhava para ele com a mesma atenção que olhara antes para Eileen.

- Eu queria lembrar de como ele foi feito...

- Eu posso te contar tudo o que você não lembra, Lyn. - murmurou ele, olhando para o filho.

E ele contou, com detalhes. Desde a caça de Rosier, até a noite em que Hagrid apareceu na sala da diretoria avisando-o que os aurores a haviam levado.

- Mas... por que você não me contou isso antes?

- Eu ia, mas quando descobri que você estava grávida, eu me forcei a mantê-la no escuro. Estávamos em guerra, Lyn! Eu não podia arriscar a vida de vocês... se descobrissem que você estava grávida de um filho meu... - ele respirou fundo, sacudindo a cabeça, como se espantasse o pensamento. - Eu era um espião duplo... trabalhava para a luz dentro do covil do Lord das Trevas.

- Estavam em guerra? Não há mais guerra?

- Não, desde hoje. Voldemort foi destruído há poucas horas.

- Por isso você chegou daquele jeito...?

- Sim. Quando minha mãe me contactou na escola, eu recém havia recebido a mensagem de que a bataha se daria hoje, em Hogwarts. Eu queria ter estado aqui, ao seu lado, como eu prometi, mas eu não pude! Me desculpe...

- Não há o que eu lhe desculpar, Sev. Você estava lutando para que nossos filhos tivessem um futuro sem guerras... - ela acariciou o rosto do filho que havia se aconchegado no peito de Snape, adormecendo.

- Nossos filhos? - uma sobrancelha foi arqueada.

- Sim... eu não quero parar no Nicholas. Quero mais uns dois, pelo menos!

Snape a beijou, feliz demais para confiar na própria voz.

- Mas... e agora? Você vai continuar ensinando em Hogwarts? - perguntou Eileen.

- Nunca pensei que viveria para ver o final da guerra. Nem nunca imaginei que eu diria isso... mas sim, eu gostaria de continuar ensinando em Hogwarts... mas quero a cadeira de Defesa Contra as Artes das Trevas! Chega de Poções!


Filhos que eles tiveram:

1997 - Nicholas

2003 - James e Sophie

2008 - Christopher


18 anos depois...

2015

James e Sophie W. Snape entravam pelas portas duplas do grande salão, juntos com outros primeiranistas. Os cabelos lisos dos gêmeos e os olhos escuros de Sophie não deixavam dúvidas de que eram filhos do diretor e professor de DCAT, Severus Snape, e da bela convidada da noite, que tinha ao seu lado um outro menino, Christopher, de sete anos, com os cabelos tão negros e lisos quanto o dos gêmeos, ou quanto os do setimanista da sonserina, Nicholas Snape.


E aqui está o último capítulo de Amor em Tempos de Ódio (o resultado de uma tarde chuvosa).

Peço desculpas pelo final pouco criativo.

Prometo que "Só o Amor Salva" terá um final mais detalhado!

TatiHopkins e NinaRickman: o final foi, sim, feliz! Não sou adepta a finais tristes.

Coraline Snape: esta aqui é apenas uma... distração... pra falar a verdade, eu só gosto mesmo é do início!

Ana Paula Prince: foi uma pena Eileen esquecer de tudo o que viveu com o Sev... mas ela vai ter muito tempo para... digamos... refazer tudo aquilo que ela não lembra! rsrsrs AH! E a ideia de Nick fazendo comidas aparecerem, eu é que queria poder fazer isso!

Muitos beijos!

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