As meninas lavaram as mãos rapidamente e desceram para a sala de jantar – todos as esperavam. Emmet começou:

- Finalmente, estava achando que vocês ou tinham morrido lá em cima, ou tinham achado alguém mais interessante do que eu. – Piscou para Rose que sorriu, e eu e Alice rimos. – Eu ia arrombar a porta, e Edward parecia querer fazer a mesma coisa. – Cutucou as costelas do irmão, que lhe lançou um olhar mortífero.

- Não exagere, Emmet. – Sibilou. Jasper, que parecia entediado até então, se pronunciou pela primeira vez:

- Sentem logo, estou com fome.

- Folgado. – Alice disse. Esme a lhe repreendeu com um olhar e disse a Jasper:

- Claro que está, querido. Tenho certeza de que vai gostar da minha lasanha.

- E quem não gosta? – Carlisle perguntou à esposa, que corou. Sorrindo, nós sentamos à mesa. Rose ao lado de Emmet, que estava ao lado da tia. Carlisle estava à cabeceira, com Edward ao seu lado. Jasper estava a uma cadeira de distância, restando para mim ou a cabeceira da mesa, ou o lugar vago entre eles. Mesmo com repugno à pessoa de Jasper, Alice se sentou ao lado dele, me forçando a sentar ao lado de Edward. Esse seria um longo almoço, senti quando ele me lançou seu sorriso torto e levantou para me puxar a cadeira.

Eu posso jurar que o molho de tomate da lasanha não era tão vermelho quanto o meu rosto. Edward passou a refeição inteira ou olhando para o meu decote (descaradamente, devo acrescentar) ou dizendo como eu era linda, cheirosa, inteligente – me cantando, para resumir. E eu aqui fiquei com o rosto mais quente e vermelho do que uma pimenta! Bem, pelo menos o plano surtia efeito, e daqui ele não receberia nada.

Eu não sabia mais os meus motivos para fazer aquilo...Podia ser vingança pelo que ele fez anos atrás e o fato dele tratar isso com descaso, na maior cara-de-pau...Ou eu simplesmente queria vencer esse jogo. Mas eu sabia que faria isso, não o daria descanso, nem em sonhos – ele faria isso comigo, eu tinha certeza. Enquanto ele me elogiava, ele afagou minha mão incontáveis vezes, sua perna sempre "acidentalmente" roçava na minha, ou seus olhos me encaravam trazendo sensações que eu mal podia descrever. E o seu cheiro...Ui. Mas eu não podia deixar de me perguntar: eu sabia por que eu estava naquele jogo...Mas e ele? O quê que ele ganhava? Não foi ele quem saiu machucado, muito pelo contrário. Eu recebi os chifres e ele a fama de pegador.

Terminado o almoço – finalmente, eu não agüentava mais a perna de Edward encostada na minha (não que eu não estivesse gostando, mas eu poderia perder meu autocontrole) – Rosalie e Alice me levaram para casa, com o que eu podia jurar ser um salão de beleza completo e uma quantidade imensa de roupas. Claro que elas também se arrumariam em casa, mas...Por Deus. A gente sabia que era cedo, mas Lice não suportava mais Jasper (nem eu, para dizer a verdade) e meus tios queriam aproveitar os sobrinhos, já que as semanas que eles passariam aqui de férias eles passariam estritamente com a gente e em baladas.

A casa estava vazia (Charlie só voltaria lá pelas sete, quando estivéssemos de saída) e nós colocamos uns romances para assistir, esperando as horas passarem enquanto uma arrumava a outra. Chegava a ser divertido quando uma dava bronca na outra por esta chorar por causa do filme e acabar com a maquiagem. Mas, após muitos berros de Alice, muitas reclamações minhas e risos de Rose, ficamos prontas. Alice usava um vestido tubete preto, e rose um extremamente decotado e vermelho. Por mais que eu achasse a saia do meu muito curta... Eu tinha que admitir: o azul realmente realçava o tom de minha pele. E o melhor... Edward ia adorar. Só havia um problema: eu acho que a gente se arrumou demais – mas elas eram irrefreáveis. Era impossível imaginar algum lugar em que realmente fosse possível usar essas roupas em Forks.

- Alice? – Comecei.

- Nem me venha reclamar desse salto de novo, Bella. – Ela se virou irritada do espelho em que se mirava, ajeitando o seu cabelo espetadinho pela milésima vez.

- Não, não é isso. – Apressei-me em dizer, e ela logo aliviou sua expressão dura.

- O que é, então? – Ela perguntou visivelmente curiosa.

- Aonde nós vamos para usar essas roupas? Em Forks não há nada assim... – Ela riu:

- É porque não vamos ficar em Forks. Vamos até Seattle, nos embebedar. – Rose ficou radiante com a notícia, mas eu nem tanto.

- E como vamos voltar para casa bêbadas? Charlie me mataria!

- Ah, relaxa, Bella! Eu reservei uns quartos em um hotel de lá: nós vamos ficar bem. – Eu mordi meu lábio inferior: Alice estava tramando e eu não gostava nada disso. Aquele brilho no seu olhar me avisava: "salve-se quem puder!".

- E você acha que meu pai vai deixar eu ir para outra cidade simplesmente para ficar bêbada e dormir em um quarto de hotel, cheio de garotos? – Há. Quero ver ela superar essa.

- Primeiro, Bells: são quartos, não quarto. E, segundo: ele já deixou. – Meu queixo caiu ali: meu pai totalmente rigoroso havia deixado? Como que se pode confiar em alguém nesse mundo? Bem, eu tentei...Eu realmente tentei me livrar dessa noite. Mas Alice parecia adivinhar tudo o que eu faria. De vez em quando essa anãzinha de jardim conseguia ser bem irritante para a altura dela. Eu suspirei derrotada e ela voltou a fazer o que devia. Cinco minutos depois, uma Alice saltitante seguida por uma Rosalie perfeita e feliz e uma Bella resmungona entraram em um conversível vermelho, a caminho da casa da primeira.

Chegando lá, os garotos já estavam arrumados. Eu só tenho uma palavra para descrever a nossa visão: uau. Jasper e Edward usavam camisas que se moldavam perfeitamente ao seu corpo e Emmet usava uma camiseta apertava que ressaltava seus músculos; usavam calças jeans e casacos de cores neutras por cima. E o perfume que eles exalavam...OMG. Eu estava reconsiderando seriamente essa guerrinha entre eu e Edward. Foco, Bella: você tem que ganhar, ele não pode se aproveitar de você! E, pelo visto, nós também tínhamos causado um certo impacto sobre eles: quando chegamos, estacamos com as imagens deles. Mas eles conservavam suas bocas abertas, só faltava babar. Essa seria uma noite...Hm...Interessante, para se dizer o mínimo. Limpando a garganta, Edward disse:

- Oi, Bella...Você está linda. – Alice o fuzilou com o olhar e Rose olhou indignada, e ele logo tossiu e recomeçou, se corrigindo: - Vocês estão lindas. – Elas sorriram e os outros dois pareceram sair do transe em que estavam.

- Sim, sim...Gosto...Digo, lindas. – Emmet começou e Rose sorriu para ele, que disse: - Principalmente você, ursinha. – Ursinha? De onde saiu aquilo? Rose riu e o puxou para um beijo que fez todos desviarem os rostos, enojados. Alice olhou para Jasper, desafiando-o a dizer alguma coisa: não sei se um elogio ou crítica, do jeito que eles brigavam eu não me surpreenderia com nenhum dos dois. Mas Jasper permaneceu calado, e Alice emburrou.

- Vocês dois, parem de se agarrar aqui! Eu vou vomitar daqui a pouco. Vamos logo lá para Seattle: duas horas de viagem e vocês podem tratar de dirigir, que a gente está de salto. E ai se tiver um arranhão no meu canarinho! – Ela olhou para os garotos brava. Eu queria rir, mas me segurei: Alice amava o carro dela, e mataria qualquer um que lhe estragasse.

Jasper dirigia o carro de Alice e ela ia ao seu lado, "vendo se ele não bate o carro numa árvore de propósito para irritá-la". Eles brigaram o caminho inteiro, como era de se esperar, mas eu não pude deixar de ver uns olhares furtivos de Jasper para as pernas de Alice. Se ela não percebia, não demonstrava – mas eu podia jurar vê-la corando por um momento.

Se as coisas na frente do carro estavam "quentes", aqui atrás estavam "pegando fogo". Edward sabia o poder que tinha sobre mim, e abusava – todas as vezes que nossos olhares se encontravam, ele dava seu sorriso torto e piscava. Ele me deixava sem ar. Não que eu não tenha abusado também – cruzava as pernas toda hora e ele ficava hipnotizado pelo movimento. E, em certo ponto, fingi ver uma estrela linda pela sua janela e me inclinei sobre ele, apoiando minhas mãos em suas pernas, perto de seu órgão. Ele engoliu em seco depois dessa, e eu sorri internamente. Mas é claro que não saí impune – assim que chegamos ao clube (sim, com piscina e um imenso jardim decorado), ele correu para abrir a porta da mim e, vendo a minha dificuldade em descer com o salto sem cair, ele me pegou no colo. Deus, como ele cheirava bem!

- Edward, me ponha no chão! – Ou continua assim, tá bom...

- Eu só queria... – Ele foi aproximando seu rosto do meu, com um grande sorriso nos lábios. É agora...Que eu faço? Beijo ou viro a cara? Mas ele não me deu a chance de pensar no que fazer, ele decidiu por mim: quando sua boca estava a um centímetro da minha, ele desviou seu rosto para o meu ouvido e sussurrou: - que você não caísse. – Besta. E eu achando aqui que ele queria me beijar, mas não, ele só queria que a desastrada aqui não caísse no chão fazendo ele pagar o maior mico. Ele riu e depositou um beijo logo abaixo ao meu ouvido, e eu estremeci. Canalha, ele ainda me mata do coração hoje.

Ele me colocou no chão e eu logo tratei de abaixar meu vestido (que tinha subido muito com essa brincadeira dele. Eu o peguei olhando minhas pernas com a boca aberta – bem feito. É bom ele tomar do próprio remédio de vez em quando. E ele ainda ia sofrer muito hoje por ter me pego no colo.

Demos o nosso nome na entrada – devia ser uma festa particular – e entramos. Para variar, os homens se viraram para encarar Rose (Emmet quase socou alguns) e Alice, mas o que me surpreendeu foi o fato deles me olharem: eu nunca atraí olhares antes. Edward estava rígido ao meu lado, e eu sorri com o fato de lhe causar ciúme. Alice nos puxou para dançar e eu nem pensei em reclamar, queria ver que reação causaria em Edward se eu dançasse sensualmente.

Todas as vezes que eu o procurava com o olhar, ele estava me olhando. Mas não foi assim da última vez: ele estava conversando com uma garota bem oferecida, por sinal. Loira oxigenada e com um sorriso falso – já a odiei. E ele parecia estar gostando, sorriu quando ela tocou seu braço e se demorou mais pelos seus músculos (vadia!). Eu já ia até lá tomar satisfações quando me lembrei que ele não tem nada comigo, e que provavelmente estava querendo me causar ciúme. Bem, se era assim, eu vou chamar sua atenção ainda mais. Puxei Alice para o banheiro, que me ajudou com os retoques da maquiagem e, ao sairmos de lá, me apontou um cara bonito, dizendo para eu ir falar com ele, e assim o fiz.

Ele era alto e loiro, forte pelo que dava para ver, e seu nome era Mike. Ao me ver aproximar, sua boca foi se abrindo (adorei isso). Lancei-lhe o meu melhor sorriso e começamos a conversar, eu não perdia uma chance de lhe dar indiretas – não quisesse alguma coisa com ele, mas agora Edward estava aos amassos com aquela garota. Sem pensar, me inclinei para Mike e o beijei. Ele beijava bem, mas eu queria que outra pessoa estivesse ali...Quando nos afastamos, eu só tive tempo de ver Edward se lançando sobre ele.

Eu nunca fui fã de brigas, e não era agora que eu me tornaria. Foram necessários dois seguranças mais Emmet e Jasper para separá-los. Mike estava um pouco machucado e foi embora, se despedindo de mim com um selinho e a promessa que me ligaria (tudo bem, ele era legal...Mas eu estava feliz por ter lhe dado um número falso: não queria mais brigas). Assim que ele estava longe, "soltei os cachorros" pra cima de Edward, ele não tinha o direito de me interromper quando ele próprio estava se agarrando com outra:

- Qual é o seu problema? – Sibilei. Ele fez cara de desentendido e eu o puxei para fora, no jardim. – Qual é o seu problema? – Repeti, com a voz contida. Estava tentando me segurar para não lhe dar um tapa na cara.

- Ele estava a beijando! – Disse incrédulo. Eu rolei os olhos e disse suspirando:

- Jura? Eu não sabia disso! Eu quero saber por que você fez aquilo! – Ele me olhou bravo e respondeu:

- Porque você é minha! – Como? Agora eu não sei se fico feliz ou brava com isso!

- Como é que é, Edward Cullen? Eu sou sua? Desde quando? Eu não me lembro de ter ficado com você, ou ser sua namorada! Na verdade, a única coisa que eu me lembro é de você beijando aquela vadia! – Ele sorriu e me respondeu:

- Então você viu? – Sorriso presunçoso dos infernos. Nota mental: arrancar aquele sorriso de seu rosto na primeira oportunidade:

- Não fuja da minha pergunta. Você estava com outra, então eu podia muito bem ficar com outro. – Eu gritava agora. – A gente não tem anda e ele não estava me forçando a nada, então você foi um estúpido de me interromper!

- Você estava gostando? – Ele perguntou levando uma sobrancelha e com um sorriso cínico. Ele ficava irresistível assim...Concentra, Bella!

- Eu... – Ele riu e disse:

- Então eu não interrompi nada.

- Mas por que você se interrompeu para tirar ele de cima de mim? E ainda por cima, por que deu um soco no pobre coitado?

- Eu já disse: você é minha, e eu não interrompi nada mesmo.

- Diz isso para aquela loira oxigenada que você tava pegando. – Ele me olhou incrédulo. – E, pela milésima vez: eu não sou sua!

- Você é sim, Bella. É minha porque eu sei que você me ama, assim como eu te amo. – Eu não encontrei palavras para revidar. Ele estava dizendo que me amava? – Melhor assim, sem falar nada. Você fala demais, sabia? – Ele se aproximou e me beijou.

Não sei por quanto tempo a gente se beijou, se foram horas ou segundos...Eu só sei que foi extremamente bom. Eu já tinha o beijado antes, quando éramos pequenos, mas foi só um selinho...Agora foi totalmente diferente. Sua língua brincou um pouco com meus lábios, depois abriu entrada por eles, se movimentando com a minha. Suas mãos corriam da minha cintura até o meu cabelo e os meus dedos passeavam pelos seus fios cor de bronze, puxando-o mais para perto toda vez que ele insinuava parar. Paramos somente para tomar ar, mas mesmo assim seus lábios não se distanciaram meio centímetro dos meus, e ele vivia me dando mordidas na boca. Bem melhor que o beijo do Mike...

- Ah, e Lauren não é oxigenada... – Aí eu me lembrei que eu não era a primeira que ele beijou desse jeito hoje (meu beijo com Mike não contava – não tinha calor), e que, além disso, ele a defendeu, dizendo que ela não era oxigenada. É, uma vez canalha...Sempre canalha. Eu olhei bem nos seus olhos e lhe dei um tapa na cara, me esquecendo completamente da declaração de amor que ele havia me feito há pouco.

Cap. 4 – Código chocolate

- AI! MERDA, BELL! QUE MÃO PESADA! – Edward reclamou.

- Ah, desculpe...Doeu? – Fiz cara de santa.

- Claro que doeu! – Hum, que bom.

- ÓTIMO, PORQUE ERA PARA DOER! – Ele me olhou como se eu fosse uma maluca, e isso só me deixou mais estressada: - "E Lauren não é oxigenada?"! Como você ousa defender aquela vadia que estava dando em cima de você e te beijando logo depois de você me beijar? Eu só não te mando voltar para a p*** que te pariu porque eu gosto da sua mãe, e não quero ofendê-la.

- Acalme-se, Bell. – Ele tentava me acalmar.

- Não me chame de Bell! Me esqueça, Edward Cullen! Volte para a oxigenada vadia da Lauren... – Debochei, e ele me encarou:

- Bella, ela não é oxigenada; talvez você possa chamá-la de vadia, mas não nesse caso. – Eu não acredito! Ele continuava a defendendo!

- Ah, é? E por que não?

- Eu a conheço há muito tempo... – Grande coisa.

- Claro, porque isso me ajudaria a repensar meus conceitos sobre ela. – Comentei, o interrompendo, mas ele fingiu não escutar:

-...E tudo o que ela fez foi um favor para mim, me ajudando a chamar a atenção de certa pessoa. Para falar a verdade, eu nem tirei meus olhos de você. Eu só queria fazer ciúme... – Ele disse em tom de desculpa. -...Mas aí eu a vi com aquele idiota... – Respirou fundo, e eu o interrompi:

- Se você acha que eu vou acreditar em você, você está muito enganado.

- É a verdade, Bell.

- Já falei, não me chame assim!

- Eu já te contei a minha versão, por que você ainda está irritada? O que eu fiz? – Ele não me perguntou isso...O que ele fez? Bem, desde que nos conhecemos, tudo o que ele tem feito foi botar chifres em cima de mim. Não que estivéssemos juntos agora, mas era algo parecido...Ele me deu ilusões, e a besta aqui foi tola o suficiente para acreditar.

- O que você não fez, Edward? É essa a pergunta...E a resposta é bem simples: me tratar com respeito. Ou você já se esqueceu da Victoria, quando tínhamos dez anos? E agora você chega e age como se nada tivesse acontecido, me dando falsas ilusões. Aí eu o vejo aos amassos com outra e então, quando eu decido partir para outra, você soca o cara! Depois me vem com esse papo de "amor" e defende a vadia de antes! – Ele me encarava atônito.

- Bell... – Ele se corrigiu ao ver a minha expressão mortífera: - Isabella...Nunca duvide de meu amor por você. E eu achava que você não quisesse lembrar do que aconteceu naquele dia... – Disse secando as lágrimas silenciosas que começaram a escorrer dos meus olhos. – Eu só achei que nós poderíamos passar uma borracha por cima disso tudo.

- Tudo bem, Edward. Você tem um ponto, mas daí agir como se nada tivesse acontecido, nem um mísero pedido de desculpas...

- Eu me desculpei.

- Não, não se desculpou. – Suspirando, ele disse:

- Ok, não diretamente. Eu tentei, sério. Mas Alice me disse que você não queria me ver na sua frente nunca mais na sua vida...E eu desisti. Eu não devia, mas o fiz. Não houve um dia sequer em que eu não me martirizei pelo que aconteceu...Eu simplesmente não queria perder a sua amizade, já que parecia que você tinha esquecido do que aconteceu. Eu estava com medo de que se eu te lembrasse, você iria me afastar de novo. E eu não agüentaria.

- Você sabe que isso não muda nada, não?

- Muda sim, Isabella. – Por mais que eu tenha pedido que ele não me chamasse pelo apelido que só ele usava comigo, eu odiava quando ele usava meu nome inteiro. Parecia que a gente não se conhecia... – Porque desse jeito você sabe que eu nunca deixei de amá-la. E pelo jeito que você me encara, eu sei que você também não.

- É diferente...Eu fui a única a sair machucada dessa relação: duas vezes, ainda por cima.

- Eu já disse que me arrependo...

- Mas não é o suficiente. – Eu travava uma grande batalha no meu interior. Cada fibra do meu corpo clamava por ele, queria perdoá-lo. O meu coração só tinha um motivo para bater: Edward Cullen, eu sabia disso. Mas a única coisa que mantinha a minha sanidade e o meu orgulho intactos era o fato de ficar longe dele. Ele me magoou demais.

- Por favor, Bella. – Ele tinha lágrimas em seus olhos.

- Edward, não vou mentir para você, tanto porque você já sabe a verdade...Eu te amo. E estou tentando acreditar que você nutre os mesmos sentimentos por mim, mesmo que isso seja praticamente fisicamente impossível para o meu ser. Mas...Sempre que a gente tenta alguma coisa, sai errado. E no fim eu sou a única a se machucar, a que sofre mais.

- Quem disse que precisa terminar, Bell? Não precisa ter um fim...

- Sempre tem um fim, Edward. – Suspirei.

- Este não é o nosso fim, Bell. Eu vou provar a você que nós podemos dar certo, mas só me diga uma coisa...Se eu não tivesse defendido a Lauren, a gente ainda estaria bem? – Mordi meu lábio inferior, pensando. Eu não tinha certeza.

- Não sei, Edward. Mas em algum momento teríamos uma briga semelhante, por você ter tratado com indiferença o que aconteceu no passado. Como eu disse antes: no final a gente se separaria e eu sairia machucada. – Ele engoliu em seco e, não agüentando mais ver aqueles olhos verdes chorosos, entrei no clube à procura de Alice. Eu queria passar a noite assistindo romances melosos, comendo uma caixa de chocolate e reclamando da vida para Lice e Rose. Eu tentaria, de novo, esquecer Edward Cullen.

Eu ia andando, escutando a voz de Edward ao fundo me chamando, mas não respondi. A beleza romântica do jardim parecia inapropriada agora, e eu procurava não reparar muito. Quando eu finalmente entrei no clube, tive dificuldades para achar Alice. Eu poderia procurar Rose, mas com certeza ela estaria com Emmet se agarrando, e eu correria o sério risco de começar a chorar ali mesmo – queria guardar as lágrimas para os filmes, em um lugar fechado. – Todos passavam por mim como borrões, chegando a atingir uma aura de irrealidade – parecia impossível haver pessoas tão felizes e animadas enquanto o mundo de outra pessoa desmoronava a poucos passos de distância.

- Bella? – Eu me virei a esse chamado, reconhecendo a voz: era Alice.

- Lice, finalmente! – Eu a encarei, seu rosto estava vermelho e ela mantinha um sorriso no rosto, que desmoronou ao ver a minha expressão.

- O que aconteceu, Bellinha? – Me perguntou preocupada.

- Depois, Lice...Lembra do código chocolate? – Ela me olhou confusa:

- Aquele que eu inventei depois do que aconteceu aquilo com você e o... – A interrompi:

- Esse mesmo. No quarto do hotel, agora. Se quiser pode chamar a Rose, mas ela deve estar ocupada...

- Ela vem, nunca a deixaria desamparada E se Emmet tentar impedi-la, eu lhe arranco as bolas fora. Ai se algum dos meninos nos irritar hoje, eu juro que mato! – Eu quase sorri ao ver o tom assassino que atingiu a minha amiga.

Não demoramos muito para achar Rose – ela e Emmet estavam no lugar mais óbvio: um canto escuro e afastado, se pegando. – Eu desviei o olhar rapidamente, e, à menção do "código chocolate", Rose largou Emmet com uma cara de cachorrinho sem dono confuso e nos seguiu rapidamente para fora, pegar o carro e ir para o hotel.

Entramos no nosso quarto (os meninos dividiriam o outro e, para quem quisesse, havia outro – que não seria usado mais, já que Rose abandonou Emmet por esta noite) e eu logo tomei um banho e coloquei um pijama confortável, enquanto as meninas pediam incontáveis chocolates e doces na recepção, com uns dois baldes de pipoca e filmes melosos. Eu sai do banheiro e as encontrei já sem maquiagem, preparando as coisas. Elas haviam tomado banho nos banheiros dos outros quartos também. Sentei-me lentamente em uma cama e Rose me puxou para um abraço enquanto Lice começava um interrogatório sobre o que havia acontecido. Assim que eu terminei o relato, Lice começou:

- Bella, eu sinto informar, mas...Eu concordo com o meu primo. – Disse um pouco relutante. Eu a encarei, sem acreditar no que ela dizia.

- Por que, Alice? – Ela bebeu demais nessa festa, só pode...

- Tudo bem que no relacionamento de vocês dois tudo o que ele fez foi cagada, foi tolice ele tentar fazer ciúme para você e depois defender a tal da Lauren (mesmo que ela fosse amiga dele), e eu nem vou comentar aquela história com a Victoria. Mas ele tem razão em um ponto: você não pode começar um relacionamento pensando em seu fim. Ele diz te amar acima de tudo e, eu devo informá-la que toda vez que eu ia para Phoenix, ele me bombardeava com perguntas sobre você...Ele te ama, Bella. Eu não duvido nem um pouco disso, e acho que você vai ter que tentar botar uma pedra em cima de todos esses seus medos tolos e se focar em ser feliz com ele. Dê-lhe uma última chance. – Eu me virei para Rose, pedindo apoio contra aquela fadinha desmiolada, mas tudo o que ela fez foi sorrir. Belas amigas que eu tenho.

- Desculpe, Bella...Mas Alice tem razão. Dê uma chance a Edward.

- Vocês estão loucas! Ele me beija e depois defende a vadia!

- Bella, ele era amigo dela...

- E estava aos amassos com ela. – Hum.

- E agora? – Rose perguntou se virando para Alice.

- E agora o quê? – Perguntei, emburrada.

- Bem, já que este não é um código chocolate... – Alice a interrompeu, antes que eu pudesse afirmar que aquele era sim um código chocolate.

- Esse é um código chocolate, Rose...Mas uma nova versão dele. Você pode chamar de "código chocolate branco". – Eu e Rose a encaramos sem entender nada.

- Você pode explicar ou vai deixar por assim mesmo? – A perguntei, esquecendo completamente devido à curiosidade que eu estava brava com ela.

- Claro que sim! – Ela sorriu e corou. – Eu e Jasper...

- Sabia! Vocês se beijaram, não foi? Diz que foi! Vocês ficam tão bonitinhos juntos! – Rose explodiu em perguntas e Alice só ia ficando mais vermelha: o que era estranho, porque ela nunca ficava envergonhada.

- É...Pode-se dizer que sim... – Disse escondendo o rosto em um travesseiro. Eu e Rose rimos e a curiosa aqui perguntou:

- Como, quando e onde? – Ela me encarou com os olhinhos brilhantes, e começou a narrar a sua história:

- Enquanto a gente dançava, ele ficava me olhando...Você não percebeu, Bella, porque estava de olho no meu primo. Ele estava no bar, e toda garota que aparecia para falar com ele, ele dispensava. Eu achei estranho, não posso negar que ele é bonito...E um homem assim não fica sozinho em festas.

"Depois que eu te arrumei no banheiro, eu fui à direção dele e perguntei por quê que ele estava sozinho, e ele me respondeu:

'A garota que eu quero ainda não veio pedir para ficar comigo' Eu sorri e brinquei com ele, dizendo para ele parar de ser medroso e pedir para dançar com ela, porque ela seria muito burra de negar. Eu acho que eu bebi demais para falar isso, eu nunca o elogiei...Aí ele me encarou com aqueles lindos olhos azuis brilhantes, e eu percebi o quão bonito ele era. Ele sorriu (que sorriso lindo), e segurou a minha mão, dizendo:

'Você quer dançar comigo, Alice?' Eu fiquei indignada: ele queria me usar para fazer ciúme, e eu não aceitaria. Quando eu falei que não, ele me perguntou: "Por que não? Você falou que ela seria muito burra de negar..." Foi aí que a ficha caiu. Eu nem pensei, eu só olhei em seus olhos e fui me aproximando...Ele sorriu e me deu o melhor beijo do mundo. Quando nos separamos, ele a viu e disse que você parecia procurar por alguém. Eu me soltei dele e fui te procurar, foi aí que eu te encontrei."

- Eu vou ser a madrinha. – Disse antes que Rose se recuperasse da história. Alice sorriu e disse que nós duas seríamos. Rose, mais contente com isso, a perguntou:

- Então, o que seria o código chocolate branco, então? – Lice sorriu e disse:

- Simples: a primeira fase é a que a gente está fazendo agora...Contar o que aconteceu. A segunda fase e assistir comédias românticas, mas isso a gente pode pular: já assistimos muitos filmes assim hoje. E a terceira fase é a melhor: nós vamos ficar com os nossos namorados, ficantes, etc.: o que quer que seja que eles são para a gente.

Antes que eu piscasse, Rose e Lice saíram correndo do quarto, gargalhando. Eu fiquei sem entender nada, até que um Edward perdido entrou no quarto coçando a cabeça:

- Rose e Lice chegaram correndo no quarto...A minha prima puxou o Jasper para fora, mas a sua amiga me expulsou de lá, com a ajuda do meu irmão. – Ele fez uma careta. – Mas eu não vou reclamar...A gente pode conversar pelo menos, não? – Ele me olhou esperançoso e eu fiquei perdida.

N/A: Eu adoro as briguinhas da Alice e do Jasper, he. Edward e Bella no carro? Ui. Agora... Eu juro que não queria fazer ele tão canalha assim (não por enquanto, pelo menos). Mas eu estava terminando o capítulo, e essa idéia maluco me veio à cabeça... E eu não resisti. Se vocês quiserem, podem xingar à vontade – só reservem alguns palavrões para mais tarde, vocês vão precisar, acreditem.

- xoxo

Pâm P. =]