Capítulo 3 – Intervalo de Aula

ou

A Rainha do Mal

- Remo?

Sirius corria alucinadamente pelos corredores do castelo. Não fazia idéia de onde Remo poderia estar. Ele já dava a segunda volta pelo quarto andar quando numerosos passos lhe chamaram a atenção.

Era isso! Remo estava na aula de Aritmancia que ele perdera, convenientemente procurando pelo colega. Ofegante, ele abriu caminho pelos outros estudantes quando aquela maldita ruiva lhe chamou atenção. Pelo menos ela não estava tão brava a ponto de perder uma aula.

- Sirius? – Remo chamou, preocupado ante ao olhar de desespero do amigo.- O que aconteceu? Por que você não apareceu na aula?

Sirius empalideceu a medida que seus olhos encontraram com os de Lily. Ela passou o dedo pela própria garganta, ameaçando-o. Remo não percebera.

E agora?

- Aluado, amigão!- Ele forçou uma risada, dando tapinhas nas costas do colega.

O lobisomem o olhava em completa confusão enquanto o outro maroto fazia o máximo de barulho possível até que ficassem apenas os dois no corredor. Assim que Lily seguiu junto aos outros estudantes que desapareciam de vista Sirius resmungou:

- 71-2-46.

- Há uma cenoura no nosso banheiro? – Remo perguntou confuso.

Sirius cobriu o rosto com as próprias mãos. Odiava Remo. Ele conseguia saber mais sobre o Código do que ele, que o criara.

- Não! 71-6-43.

- Ah, sim... – Fez Remo, antes de gritar, em pânico: - COMO ASSIM LILY ESTÁ COM A CAPA?

- Eu pensei que fosse segredo, Remo. – Disse uma voz perto deles e, em seguida, a própria Lily se materializava a frente deles, os olhos brilhando perigosamente.

Sirius de um grito.

Oooo...oooO

- Então é isso o que eu quero que vocês façam. – Ela concluiu, com toda a autoridade e confiança de quem sabe ter todas as cartas na manga.

- Nunca! – Sirius resistiu com bravura.

- Black, você não está entendendo. Ou vocês fazem isso, conscientes, ou eu faço isso com vocês inconscientes. – Ao dizer isso balançou um pequeno frasco da potente poção morto - vivo do Slughorn.

- Ah, já que você coloca isso dessa maneira. – Concordou o maroto, sorrindo amarelo.

- Sirius! – Remo protestou.

- Que? Que?

Suspirando impaciente, o lobisomem ficou a frente de Lílian. Usando seu tom de voz diplomático (criado para tentar adiar alguma azaração em Snape) ele explicou:

- Lily, eu sei que você está zangada. – Diante do olhar mortal da garota, acrescentou rapidamente. – É claro que você tem toooda razão para estar, mas não adianta nos ameaçar. Nós não vamos trair James, nem ajudá-la em planos mirabolantes que irão expô-lo ao ridículo frente a toda a escola. Vamos, Sirius.

A garota cruzou os braços, um brilho perigoso atravessando o seu olhar.

Sirius engoliu em seco ao passar por ela. Nesse exato momento escutou:

- 89-15-90-82.

Tomado pelo horror, se virou para a garota.

- Não me tente, Lily Evans! NÃO ME TENTE! – E saiu correndo atrás do colega, amaldiçoando o maldito dia em que inventara um código.

Oooo...oooO

Sirius Black se orgulhava de honrar plenamente a Grifinória. Gabava-se de sua coragem e lealdada, mas os últimos dias... Ah, os últimos dias estavam sendo um pesadelo.

Pela primeira vez na vida Sirius Black estava sentindo medo.

Perceba o impacto que isso causaria na sociedade organizada. É, eu sei... as conseqüências seriam desastrosas.

O motivo de tudo isso? Ele não podia dizer. O que podia afirmar era que James deveria rever seus critérios de avaliação sobre o que é uma garota saível. Obsessiva e rancorosa definitivamente não podiam ser opções!

- Bom dia Sirius. – Frank Longbotton cumprimentou, com um bocejo, levantando-se da cama. Sirius se encolheu mais em suas cobertas

Aquele idiota. Ele iria mesmo sair? Ele não sabia que ela estava espreitando nas escadas? Que ela iria segui-lo, aparecer e desaparecer e depois reaparecer quando ele menos esperava, com aquele sorriso mau?

E iria tentar obrigá-lo e...

Sirius balançou a cabeça. Olhou para Remo, adormecido há dois dias.

Ela não estava brincando.

Ele sabia que ela via a sua fraqueza. Que a única razão que a impedira de escorregar determinado frasco em seu suco de abóbora era o fato de que ela sabia que poderia convencê-lo.

E tudo só iria piorar hoje porque, oras, era o dia do novo encontro com McGonagall e ela ainda não conseguira se vingar.

Só existia uma solução. Apenas um jeito de lidar com isso. Uma maneira de não prejudicar James e manter-se vivo ao mesmo tempo.

Ele estava decidido:

Ficaria na cama.

-...

...hum...

-...

Bocejo.

Era um saco ficar no dormitório. Sem fazer nada. Sozinho com um Remo inconsciente. Um saco.

Nenhuma brincadeira funcionava com ele. Nem a da pasta de dente, nada. A poção morto – vivo fora bem preparada.

Quinze minutos inteiros de puro tédio se passaram desde que ele decidira não sair do quarto. Dezesseis.

Hum... talvez ela tivesse desistido. É. Talvez sua incrível fibra moral a tivesse desanimado. Talvez ela tivesse decidido aceitar seu destino e casar com James.

É.

Talvez.

Ora, que ele estava tentando enganar? Aquela era Lily Evans.

Rainha do Mal, para aqueles que a conhecessem bem.

Ah Merlin! Ele criara um monstro. Maldita a hora em que decidira tentar sensibilizá-la e conseguir a união do casal.

- Sirius?

Ele deu um grito. James estava na porta, com um olhar preocupado.

- Sirius, o que houve cara?

- Nada, Pontas. – Sorriso amarelo.

- Então, tem certeza que não devemos levar o Remo para a Ala Hospitalar?

- De maneira nenhuma! Já te disse. É uma nova poção que deram pra ele. Para os sintomas, sabe?

- Ele devia ficar em observação na enfermaria.

James pegou alguns livros na cama.

- Nah. Não é nada sério. – O sorriso congelara em seu rosto.

- Bem, você vem para a aula? – James perguntou devagar, como se o amigo tivesse dificuldade para entender.

- Não. Marquei com a Dorcas.

James deu um sorriso sacana. Sirius não. Estava horrorizado demais para esboçar qualquer reação.

- O que foi?

Ele não contaria, mas atrás de James Potter aparecera uma cabeça laranja cujo olhar acusador quase o matou de susto.

- Nada. É que... não vou sair com garota nenhuma.

A cabeça laranja – Lily – fez "Acho bom" com os lábios e desapareceu novamente.

- Você está esquisito hoje.

James pegou os livros e mexeu em seu baú.

- Viu a capa?

- Vi.

-...

-...

-...

-...

- E então?

- Então?

- A capa. Onde está?

- Ah... não sei.

A perna de Lily apareceu atrás de James. Depois a cabeça dela. Sirius pôde ler os lábios dela: "Está aqui!".

Ele empalideceu. James notou o olhar do maroto e se virou. Lily se escondeu bem a tempo.

- Como não sabe? – James olhou para o amigo de novo.

Mas Lily agora estava completamente visível e fazia uma dança bizarra com a capa, ainda muda. Sirius teria achado graça se a situação não fosse tão desesperadora.

- Está com o Remo. – Disse simplesmente, sentindo-se burro.

- Achei que estivesse com você. – James observou.

Lily agora fazia "Olé!" com a capa. Aparecia. Desaparecia. Reaparecia. Sirius estava zonzo.

- Eu dei ao Remo.

- Que está inconsciente. – Completou James.

- É.

Lily subiu na cama, rodando a capa.

Ela parecia se divertir muito.

- Pára! – Sirius disse baixo.

Ela lhe mostrou a língua. Onde estava a Monitora-chefe que conhecia?

Ela continuava a aparecer/desaparecer/reaparecer. A mola do colchão fez "nhem-nhem" (!), mas ela não parou.

- Sirius, você tomou a poção do Remo também? – James estava preocupado.

Pobre James. Sempre solícito. E Sirius cogitara traí-lo. Que grande cachorro ele era.

Lily agora descera da cama e imitava todos os gestos de James com caretas absurdas. Com um feitiço silencioso mudou a cor dos cabelos dele para rosa berrante.

Sirius estava em pânico. Ela precisava parar. E precisava parar rápido.

Quem iria imaginar que Lily Evans era tão atentada?

- Vai logo pra aula, James. Você vai chegar atrasado.

- Mas –

Mais nada. Sirius o estava empurrando rumo a porta e, ao chegar lá, fechou-a sem cerimônia.

- Lily?

Ele foi até a cama de James, onde a vira pela última vez.

- Lily, é sério. Apareça.

Nada.

- Não tem graça!

- É sério, não te-

- Não mesmo? –Ela reapareceu ao lado dele, que sufocou uma exclamação de surpresa.

- Nem um pouco.

- Você parece achar muito engraçado quando faz isso com os outros, não é? – Observou com astúcia.

- É. Mas é diferente.

- Tenho certeza que é. – Disse com sarcasmo.

Ela se sentou na cama de James.

- A propósito, que negócio é esse com a Dorcas?

- Estava disfarçando.

- Sei.

- Estava mesmo.

- James iria vê-la na aula e sua mentira seria descoberta.

Sirius ficou quieto e cruzou os braços, impaciente. Aquela garota era a coisa mais estranha que ele conhecia.

- Sabe, você é a garota mais estranha que eu conheço.

Bem, algum dia ele teria que dizer, não é?

- Mesmo? – Ela riu. Teria tomado aquilo como um elogio?

- Mesmo.

- Black, nós temos um pequeno problema a resolver. – Ela disse calmamente, seus olhos adquirindo o brilho Rainha do Mal.

- Temos é?

- Temos. Vamos chamá-lo de conflito de interesses. Entre os meus interesses e os do Potter. – Ela explicou.

- Certo.

- A questão é: como você vai me ajudar a frustrar os planos do seu amiguinho míope?

Sirius quase respondera. Ela era persuasiva.

- Eu não vou ajudar, Lily.

Ela deu um suspiro cansado.

- Sirius, seja sincero. Você acha que eu sou o par ideal do Potter?

Ele pensou por um instante.

- Não. Você é neurótica demais para isso.

Lily riu de novo. Definitivamente deviam ensiná-la o que era um elogio.

- Então, você só estará protegendo o seu melhor amigo.

Ela falava de maneira tão razoável, tão racional. Talvez ela tivesse razão.

- Não sei...

- Eu prometo fazer vista grossa nas próximas inspeções a armários de vassoura.

Golpe baixo.

oooOOOoooOOOooo

James estava ansioso. Finalmente chegara o dia da segunda aula, na qual poderia entender o que dera errado nos últimos dias.

Tentara diferentes abordagens, diferentes maneiras de falar com Lily, mas não conseguira nem cumprimentá-la uma única vez. A garota desaparecia com freqüência e parecia mais disposta a distribuir detenções do que o habitual.

Fora os pequenos acidentes que sofria ao longo do dia. Tropeçava nos jardins, sua gravata voara diversas vezes e se cabelo mudava de cor repetidamente. Tudo isso somado ao comportamento anormal de Sirius e a súbita hibernação de Remo o fazia ficar preocupado.

Definitivamente, ele não estava tendo muita sorte.

Porém, tudo estava prestes a mudar. McGonagall dissera mais cedo, enquanto o repreendia pelo cabelo cor-de-rosa, que a encontrasse no tempo livre.

Tudo certo. Tudo certo para colocar O Plano em prática.

Na verdade, ele ainda estava criando O Plano, mas quase podia senti-lo se formando em sua cabeça. Isso era o suficiente para animá-lo.

A aula de feitiços finalmente acabara. Ele desceu até o Salão Principal para almoçar, vendo apenas Pedro na mesa da Grifinória. Sentou-se com ele.

- Rabicho, viu o Sirius?

- Njo. – Respondeu Pedro, de boca cheia. – Ije njo vijo a awfa ogi?

- Não. Matou.

- Ag!

Os dois próximos tempos eram livres e ele devia ir para a sala da professora, logo não poderia ver o colega. Nem saber de Remo. Serviu-se de batatas.

- Rabicho, dá uma olhada no Sirius e no Remo enquanto hoje à tarde para mim?

- Kharw.

- Valeu.

Comeu com alguma rapidez e logo se dirigiu para as escadas.

oooOOOoooOOOooo

James andava pelo corredor do segundo andar, despreocupado.

- Vai logo, Black! Não podemos deixá-lo chegar lá.

- Mas..!

- Vai logo!

- Ma-!

- Agora!

Aconteceu muito rápido: James foi suspenso no ar de cabeça para baixo, uma espécie de gosma verde limão o prendeu no teto e isolou sua varinha. Ele tentou gritar, mas só saíram bolhas da sua boca.

- Yeah! – um gritinho foi ouvido. Lily fazia uma dança por baixo da capa e Sirius teve que se esforçar para não deixar que caísse. – Muito bem, Black.

Mas Sirius estava sério.

- Você não disse nada sobre as bolhas.

- Um toque de improviso.- Explicou. - Oras, ele vai se recuperar.

Ele não respondeu.

- Vou buscá-lo no próximo tempo, eu prometo. – A garota disse, tentando consolá-lo. Deu alguns tapinhas no ombro do garoto. – E vou tirar uma foto para você.

Sirius sorriu.

- Ta bom, então.

oooOOOoooOOOooo

- Você acha que estamos fazendo a coisa certa? – Perguntou uma garota de cabelos negros e modos refinados.

- Claro que estamos. – Respondeu uma morena cujos cabelos batiam nos ombros.

- Como você pode ter tanta certeza, Dorcas?

- Simples. McGonagall está sempre certa.

A amiga olhou-a incrédula. Parou no corredor.

- Brincadeira, Lene.

Marlene passou a mão nos cabelos negros impaciente.

- A Lily vai ficar uma fera.

- Ela não precisa saber.

- Se der certo ela vai saber.

- Se der certo ela nunca vai saber.

- E se não der certo?

- Se não der certo eles vão arrumar outro jeito pra fazer dar certo e ai ela nunca vai saber.

- Dorcas, essa lógica não faz sentido.

- Eu sei.

As duas riram.

- Que é isso no seu cabelo?

- Isso o quê?

- Essa gosma?

Marlene passou a mão no cabelo, dessa vez com nojo.

- Eca! O que é isso?

- Já disse: uma gosma.

- Tira Dorcas! Tira!

- Que nojo!

- Tira!

- Eu não!

- Tira logo!

- Tá caindo mais. Olha!

De fato muitos mais pingos da "gosma" caíam do chão. E em Marlene.

- Está chovendo gosma! Eca! – Dorcas constatou, abobalhada.

- Tá vindo dali, olha. A gosma-mãe.

De fato a maior "gosma" de todas estava grudada no teto, pingando repetidamente.

- Ela está soltando bolhas!

Marlene começou a gritar histericamente:

- Põe fogo nela, Dorcas. Põe fogo!

- FOGO?

As bolhas aumentaram.

- É!

- Então tá. – Dorcas mirou a gosma-mãe.- Incendio.

oooOOOoooOOOooo

Então, o que acharam? Desculpem a demora e etc, mas prometo rapidez no próximo capítulo se vocês comentarem bastante (chantagem!) hhihiihihi

Eu sei que a Lily parece meio... hum... má nesse capítulo, mas ela só está um pouco brava e vingativa. Hehehhe. Ela vai superar

O que acharam do Sirius, Dorcas e Lene? Pobre Remo... Finalmente o Pedrinho apareceu! Hahahhaaha

Me diverti bastante escrevendo isso... a cena da gosma-mãe também!

Obrigada e até a próxima!

Camilla Muliphein

Agradecimentos a jehssik, ArthurCadarn, miss Jane Poltergeist (sim, kilts são interessantes! Item a ser explorado no próximo capitulo aguarde!), JhU Radcliffe(obrigada pelo apoio! Bjos!), 22K, Srta Black, aNGeLa.xD, LULIX, e rafamine.

Obs: A culpa é de vocês! Eu comecei a achar q sou engraçada e estou pirando!