CAPÍTULO IV

— Dr. Cullen? Posso lhe falar um minuto? — Estava atrasado. Precisava voltar para o trailer e continuou andando. O tempo que passara na escavação com alguns alunos, além da conversa com Emmett demoraram mais do que o planejado: quase duas horas.

— Não tenho tempo agora, Jéssica. Na verdade, não tenho horário disponível até meados da próxima semana.

Ela teve que correr para alcançá-lo.

— Não quero falar do sítio arqueológico. Soube pelo dr. Banner que ele pretende contratar uma secretária para ajudar a arrumar a papelada que vocês dois não têm tempo de organizar. Ofereci-me para fazer o trabalho no período noturno, então ele pediu que eu lhe perguntasse se tem interesse de dividir uma secretária.

— Obrigada, Jéssica, mas já tenho uma pessoa para me ajudar — mentiu.

Na verdade, nunca quisera ter uma secretária porque sempre trabalhou em escavações. Não ficava na sala. A única vez que aceitara uma ajuda fora na época em que trabalhara como professor convidado, em San Diego.

Nos últimos anos só fazia conferências ocasionalmente, ainda assim, de favor para velhos amigos. A última conferência fora em Kentucky, onde estivera durante quatro dias, e sua participação lhe custara o relacionamento com Bella.

Jéssica deu um sobressalto.

— Você se refere àquela mulher que acabo de encontrar no seu trailer? Ela sabe alguma coisa de arqueologia ou geologia?

Deixando-se levar apenas pelo ímpeto imediato, respondeu:

— Ela satisfaz minhas necessidades. De qualquer forma, agradeça ao dr. Banner por se lembrar de mim.

Para seu alívio, quando chegou ao trailer, alguns minutos depois, encontrou Bella e Nicky dormindo no quarto. Sem se dar conta da passagem do tempo, ficou na porta a observá-los.

Nicky estava de bruços, com os braços estendidos e as mãos fechadas, o rosto perfeito e tranquilo. Bella estava virada para o bebê, com os longos cabelos caídos sobre o travesseiro. Parecia uma princesa adormecida. Observou os traços clássicos e, com os olhos, percorreu as formas exóticas de seu corpo.

O nascimento do bebê lhe deixara mais voluptuosa do que nunca. Era de tirar o fôlego! A calça jeans justa ressaltava o contorno das longas pernas torneadas que ele já sentira entrelaçadas às suas. A sensação lhe voltava à memória, juntamente com as cenas daquela noite de amor. No começo, ela estava tímida e adorável. Ele apenas a abraçara, até que os olhares se encontraram e revelavam amor, confiança e desejo. Ele nem sabia mais onde estava. A reação dela era mais que um sonho. A paixão os levara a fazer amor outra vez e mais outra...

Lágrimas marejaram-lhe os olhos, ao lembrar da beleza daquelas cenas. Desviou o olhar para o filho, Nicky fora concebido naquela noite.

Será que tudo não passara de fingimento? Se ela estava representando um papel, então era uma atriz espetacular. Durante os momentos de paixão, convencera-o de que os dois eram um só corpo e uma só alma.

Fechou os olhos quando, de repente, a solidão dos meses que se seguiram lhe voltaram à mente. Pelo telefone, Emmet o avisara de que as coisas poderiam não ser como pareciam. Bella retornara à vida dele com o bebê e, dadas as circunstâncias, isso era muito estranho.

O amigo lhe dissera para que agisse com paciência e serenidade.

Claro, no caso de Emmet, a história tivera um final feliz.

Mas Bella não era Rosalie. As mãos dele se fecharam, com raiva. Durante todo o tempo, ela escondera a gravidez. Só podia estar atrás de dinheiro, não havia outra explicação. Olhou-a mais uma vez.

Bella estava quase acordada, quando pressentiu a presença de Edward à porta. Abriu os olhos a tempo de vê-lo de costas, saindo do quarto, e perguntou-se quanto tempo teria ficado ali. Com certeza, estivera olhando Nicky, que ainda dormia. A qualquer momento, deveria acordar faminto e querendo brincar.

Na cozinha, talheres e panelas tilintavam. Sentindo-se culpada por não ter preparado o almoço, jurou para si mesma que esta seria a única vez que ele voltaria do trabalho e a encontraria deitada na cama.

Precisava de mais descanso do que imaginara e sabia que era melhor aproveitar os últimos minutos de sono de Nicky para depois conversar com Edward sobre a visita feminina que recebera durante sua ausência. Talvez fosse melhor manter sua identidade em segredo, por enquanto. Com certeza, ele concordaria com a idéia, mas era melhor saber logo como Edward queria que se apresentasse para seus alunos e colegas de trabalho.

Ele sempre fora muito reservado e embora, desde que o deixara, houvesse mudado em muitos aspectos, tornando-se amargo e rancoroso, Bella supunha que ainda continuava a ser um homem discreto. Na verdade, achava-o mais introspectivo do que antes, e aquela seria mais uma acusação que Edward poderia fazer contra ela. Bella tremeu.

Depois de se culpar, ao recordar as faltas cometidas, saiu à procura dele. O aroma de alho e frutos do mar que exalava pelo trailer era de dar água na boca. Ela adorava frutos do mar e, não pôde deixar de lembrar que, durante o tempo de namoro, quando saíam para jantar na praia, Edward sempre pedia salmão ou lagosta.

— Está tudo pronto! Pode se sentar.

A ternura desaparecera, junto com os pequenos carinhos que faziam dele um homem tão charmoso e especial.

— Obrigada, parece delicioso.

O enorme mapa que ela vira sobre a mesa no dia anterior havia sido removido e teve de retirar algumas coisas da cadeira para poder se sentar. A pilha de papéis era encabeçada por um pôster country que Edward adquirira recentemente.

Ela não pôde deixar de rir.

— Onde conseguiu isso?

— Uma antiga estaçãozinha de Laramie pretendia espalhar estes pôsteres pelas paredes, mas parece que desistiu da idéia.

— Você esteve no Wyoming?

— Estive.

Ele começou a comer, sem fazer comentário algum. Diante do silêncio constrangedor, Bella resolveu comentar sobre a visita da aluna de Edward.

— Uma de suas alunas esteve aqui agora há pouco e entrou no trailer, sem nem mesmo bater na porta. Perguntei se tinha hora marcada, mas era óbvio que não tinha. Eu não sabia o que dizer. Ela...

— Era Jéssica, ela pensa que você é minha nova secretária. Já conversei com ela e acho que devemos deixar por isso mesmo.

— Mas o que irão dizer, quando souberem que estou dormindo em seu trailer?

— Pensem o que quiserem, não dou a mínima. De qualquer maneira vão falar mesmo, quando virem o nosso filho por aí.

A frieza em seu tom de voz a fez estremecer.

— Posso lidar com isso, mas preferiria que não soubessem meu nome.

Ele a olhou intrigado, franziu a testa, as sobrancelhas negras quase que unidas.

— Por que não quer que saibam o seu nome?

Precisava pensar rápido.

— Porque vão pensar mal de mim, vão achar que sou uma libertina. Isso pode não ter importância para você, mas para mim tem. Não quero envergonhar minha família.

Ele terminou de mastigar uma fatia de pão com alho e então disse:

— Então, diga que se chama sra. Black.

Bella se agarrou no bote salva-vidas que, sem perceber, ele lhe jogara.

— Obrigada, por ser tão compreensivo — agradeceu enquanto pensava que assim os pais dele não poderiam saber que ela estava ali.

— Para mim, não faz a menor diferença. Dentro de alguns meses esse vai ser mesmo seu nome de casada, e acho que seu noivo não vai se importar se começar a usar o nome dele um pouco antes da hora. Imagino que seu noivo não se importe com muita coisa se sabe que você já tem um filho, resultado da antecipação do nosso casamento... — atacou, embora mantivesse inalterado o tom baixo de sua voz.

Bella achou melhor não revidar o comentário grosseiro para não se enveredar ainda mais naquela mentira.

— Por falar em Nicky, você tem algumas fotos dele?

— Dezenas! De todas as fases de seu crescimento até agora.

— Ótimo, Emmett quer saber como ele é.

Depois de tomar mais uma colherada de sopa, Bella perguntou em voz baixa:

— Como vocês dois se conheceram? Pareceu-me tão sim pático pelo telefone...

O olhar enigmático de Edward pairou sobre o rosto dela.

— É uma longa história. Jasper também quer ver as fotografias.

— Outro bom amigo? — arriscou-se a perguntar. Por que não fechava a boca e tentava conter sua curiosidade? Edward não fazia a menor idéia de como Bella se sentia curiosa por qualquer detalhe, por mínimo que fosse, a respeito da vida que ele levara desde que o deixara.

— Sim.

A resposta monótona era sinal de que o relacionamento entre os dois ainda era tenso. Era difícil ficar tão perto de Edward sem se abalar. Com medo de perder o autocontrole e gritar ali mesmo, levantou-se da mesa e decidiu se distrair.

— Enquanto eu lavo a louça e preparo a mamadeira, por que não procura a banheira nova de Nicky. Ele certamente acordará daqui a pouco.

Apesar da indiferença dele, havia o consolo de que estavam os três debaixo do mesmo teto. Desde o momento que o médico lhe dissera que estava grávida, sonhara com cenas familiares como a que estavam vivendo todas as noites.

Também alimentara esperanças mais secretas, com momentos de intimidade, paixão e amor, mas circunstâncias que fugiam a seu controle transformaram os sonhos em lembranças e o amor em amargura.

Agora, inacreditavelmente, voltava a fazer parte da vida dele, embora apenas como mãe do filho que tinham. Era uma união temporária que duraria só até ele se sentir seguro com o bebê.

Bella podia olhá-lo, sem tocar, podia amar, mas somente em segredo.

— Lágrimas, tão cedo? — Edward colocou a banheira sobre o balcão que ela acabara de limpar. — É mesmo muito difícil ficar longe de quem a gente ama. A decisão foi sua e não minha, lembre-se disso.

Bella jamais se acostumaria com aquele sarcasmo cruel, mas sentia-se bem ao perceber que ele acreditava que tinha saudade do noivo. Até o momento, esta história lhe servia como um escudo de proteção, mas sabia que seria difícil sustentar essa mentira durante todo o mês de outubro.

— Oh, é o Nicky! — ela rapidamente evitou aquele assunto ao ouvir os primeiros sons produzidos pelo bebê

— Eu vou buscá-lo — adiantou-se Edward.

A meia hora seguinte foi da mais pura alegria. Edward pôs o bebê na água e o banhou, seguindo as instruções de Bella. Seu rostinho tremia à medida que o papai lavava-lhe a cabeça com sabonete de glicerina. Tamanha era sua excitação, que mal podia conter os movimentos frenéticos de pernas e braços. O sorriso de anjo era enternecedor e não havia dúvida alguma de que ele já era o menino dos olhos do papai.

Edward ria sem parar.

Quando levantou Nicky para enxugá-lo, sua camisa pólo estava ensopada.

Edward observou-a limpar um dos ouvidos do bebê com cotonete. Em seguida, ele mesmo limpou o outro. Enquanto terminava de passar pomada e pôr a fralda, Bella esquentou a mamadeira. Logo, o bebê estava vestido com um macacão branco que tinha gola bordada com carneirinhos, um contraste perfeito com os cachos escuros. Edward pegou a mamadeira e levou o bebê para o sofá. Não o tratava mais como uma porcelana frágil. Agora, os gestos eram naturais: pôs a criança nos braços e a alimentou.

Ela começou a revirar as coisas, atrás de sua máquina fotográfica que, por sorte, ainda tinha filme.

— O que está fazendo?

— Procurando minha máquina. Se seus amigos querem fotos, devem ver pelo menos uma do papai orgulhoso com o filho no colo.

Como não fizera objeção alguma, parecera a Bella que a idéia o agradava. Quando encontrou a máquina, fotografou-os várias vezes. Estas fotos valiam ouro e as guardaria para o resto da vida. Mas por enquanto colocara-as ali, espalhadas ao lado dele, no sofá.

— Edward?

Ele demorou um pouco ao atendê-la, pois estava olhando atentamente uma das fotos.

— Tudo bem se eu tomar um banho agora? — Bella perguntou e corou ao sentir-se observada por ele.

— Claro, faça isso. Este trailer não tem um grande reservatório de água. Pretendo tomar uma ducha à noite, antes de dormir, e se tomarmos banho em horários alternados, teremos água suficiente para os três.

Uma hora mais tarde, ela entrou na sala vestindo calça jeans e uma malha. Os cabelos lavados, secos e escovados estavam presos com uma fita. Não havia ninguém lá. Estava sozinha. A mamadeira de Nicky, vazia, estava sobre o balcão. A caixa de papelão do carrinho de bebê fora deixada na cozinha, vazia, e sobre a mesa, revirada, es tava a sacola de fraldas. Pelo jeito, Edward estava tão apaixonado por Nicky que queria mostrá-lo a todo mundo.

Com um sorriso no rosto e dor no coração, Bella começou a arrumar o quarto da frente, que estava um verdadeiro caos. Precisou sair do trailer várias vezes para se livrar das caixas de papelão vazias, espalhadas por toda parte.

Trabalhara exaustivamente até conseguir arrumar suas coisas e as do bebê no quarto. Finalmente chegara a hora de enfrentar o verdadeiro problema, representado pela parafernália de Edward. O que mais a impressionava era a quantidade de cadernos e revistas sobre geologia que ele possuía. Perdido em meio àquela confusão de papéis e publicações relacionadas com seu trabalho, estava o computador. Bella ainda encontrou uma mesinha de tevê sobre a qual ficavam algumas lentes e um martelo de rochas. Já que iria precisar de espaço para dormir, era preciso pôr alguma ordem naquela bagunça. Por sorte, calçara uma sandália, pois em um canto, havia estilhaços de uma garrafa de uísque, um copo quebrado e um microscópio danificado.

— Deixe que eu limpo isso, Bella. — Ela virou-se, assustada.

— Não o ouvi entrar.

— Não estou acostumado a conviver com alguém aqui, sei que deveria ter batido antes de entrar.

— Entendo.

— De hoje em diante, vou trancar a porta ao sair e bater antes de destrancá-la, quando voltar para casa. Se fizer o mesmo, não teremos problema. Tenho uma cópia da chave por aqui, em algum lugar. Vou procurá-la e lhe darei mais tarde.

— Tudo bem. — Bella fitou o bebê. — Vocês dois fizeram um bom passeio?

— Ótimo. — Ele beijou a testa do menino. — Nicky teve sua primeira aula de geologia.

— E o carrinho, é bom?

— Não anda bem na terra, por isso resolvi deixá-lo no porta-malas do carro. Acho que servirá mais para passear pela cidade. Por aqui, é melhor carregar Nicky no colo.

— Vo...você encontrou alguém?

Ele notou que Bella estava tensa, pois levara as mãos aos quadris, esfregando-as nervosamente.

— Quase todo mundo que mora aqui no sítio — respondeu, com ar de ironia. — Todos perceberam que era meu filho. Foi um sucesso total, não chorou nem uma vez. O dr. Banner, arqueólogo, tem cinco filhas e disse que eu sou mesmo um sortudo, e tem razão. Todas as alunas queriam segurá-lo, mas disse que era muito pequeno para passar de mão em mão. Voltamos porque ele começou a procurar por você. Por que não brincam um pouco, enquanto eu monto o novo quadrado.

Bella pegou o bebê e o abraçou. Estava com o rosto frio por causa do ar fresco do início da noite.

— Venha, querido. Vamos trocar de roupa, enquanto seu pai faz mais bagunça. Sinceramente, Edward, não sei como vamos nos mexer aqui, se montar isso.

— Daremos um jeito. — Curvou-se para beijar o filho mais uma vez. — Você quer ficar perto do papai, não quer, garotinho?

Bella comovia-se com aquela demonstração de carinho, era óbvio que ele estava perdidamente apaixonado por Nicky, um tipo de amor que duraria para todo o sempre. Ao vir para Nova York, despertara em Edward um amor que se tornara irreversível, e agora aceitava suas imposições ou corria o risco de perder seu filho.

Claro que já fizera sua opção, mas isso significaria uma mudança radical em sua vida. Viveria sozinha, sem os pais, em compensação, por causa de Nicky, Edward estaria sempre por perto.

O filho era o laço que os unia, por isso, jamais perderia o contato com Edward, saberia o que estava fazendo, teria notícias. Poderia amá-lo para sempre.

— O telefone está tocando, Bella. Você pode atender?

Sem graça por causa de sua displicência, ela pegou Nicky e se dirigiu à bancada.

— Desta vez é uma chamada com código 801 — informou.

Ele estava agachado, tentando ler as instruções para montar o quadrado, a caixa já aberta.

— Deve ser Jasper. Diga para esperar um momento.

Bella ouviu uma animada voz masculina do outro lado da linha.

— É Bella?

— Sim.

— Acho que devo lhe dar os parabéns. Emmett me ligou há algum tempo e me contou as novidades. Também quero fotos.

Ela sorriu.

— Tirei algumas fotos esta noite, com Edward segurando o bebê.

— Eu faço questão de ver.

— Edward pediu que espere só um momento que ele já virá atender. Está acabando de montar um quadrado de bebê.

Do outro lado da linha, ela ouviu uma sonora gargalhada.

— Acho que vou ter que ir para Nova York imediatamente. O velho leão está cuidando do seu filhote, eu não posso perder essa.

— Onde você mora?

— No momento, estou em Tooele, no Estado de Utah.

— Fica perto do Great Salt Lake, não fica?

— Sim, pelo jeito você entende de geografia.

Ela sorriu.

— Você já nadou nele? É verdade que a gente flutua como uma rolha de cortiça?

Mais uma vez, Jasper riu.

— Mas é claro! Você tem de experimentar um dia.

— Sempre tive vontade de...

— Posso interromper? — perguntou Edward, por detrás dela.

Sentiu o calor de sua respiração na nuca, e pelo tom do comentário que fizera, achou que ele não gostara de ouvi-la conversando tão animadamente com o amigo.

— Só um instante, Jasper, Edward está aqui — disse com a voz trêmula, ao entregar-lhe o telefone.

Por sorte, podia sempre se confortar com o amor incondicional de Nicky. Deixando Edward a sós, foi para o quarto trocar a fralda do bebê.

À noitinha, o bebê ficava sempre muito bem-humorado. Ela deu corda na caixinha de música, e o móbile começou a girar, preenchendo o ambiente com aquela suave melo dia infantil. Como se estivesse hipnotizado, Nicky observava o movimento dos vários personagens coloridos do ursinho Puff. Bella sabia que ele estava gostando, porque não parava de agitar as pernas e braços.

Dentro de pouco tempo, Edward estava de volta, à procura do filho, e ao ver a reação do menino, parou para observá-lo, fascinado. A presença dele a perturbava.

— Vou preparar o jantar, Edward. Gostaria de comer algo especial?

— Por que não prepara tacos de camarão?

Ela também adorava este prato e, desde que terminara o noivado, nunca mais o preparara.

— Bella...

— Sim. — Ela parou junto à porta, havia tensão no ar.

— Se quiser falar com seu noivo, fique à vontade. Posso ficar com Nicky enquanto isso.

Ela conteve a respiração por instantes e simplesmente agradeceu:

— Obrigada.

— Feche a porta ao sair.

Esta era a parte da história que ela mais detestava. Precisava de um tempo para pôr em ordem a emoção que sentia. Procurou a chave do carro novo e também pegou o celular, antes de sair. Por que não ligar para tia Diana, a irmã mais nova de sua mãe? Ela lhe emprestara o anel de brilhante e era mais do que uma parente próxima, era também uma amiga em quem podia confiar.

No momento em que Bella ouviu a voz da tia, começou a chorar e não conseguiu mais se controlar. Precisou de quase dez minutos para só então conseguir se desculpar. Disse que ligaria no dia seguinte, depois de algumas horas de sono.

Antes de voltar ao trailer, enxugou as lágrimas. Edward estava escaneando as fotografias no computador para enviar aos amigos íntimos. Nicky brincava no cercado, olhando para o pai. A cena era tão tocante, que ela receou ter outro acesso de choro e, por isso, rapidamente correu em direção à cozinha para começar o jantar.

Uma ou duas vezes, percebeu que Edward a olhava. Era óbvio que tinha chorado, os olhos estavam vermelhos e o rosto, marcado. Tudo isso indicava que ela provavelmente sentia muita falta do homem que amava e com quem iria se casar. Era isso que ele deveria estar pensando. Tanto melhor!

Quando finalmente se sentaram para comer, ele falou.

— Espero que tenha falado com seu noivo sobre a situação.

Ela concordou com um leve sinal afirmativo.

— Se acha que não consegue viver sem ele, pode pegar um avião e visitá-lo, contanto que deixe Nicky comigo.

Bella não o encarou.

— Fizemos um trato e vou cumprir minha parte.

— Mesmo sofrendo tanto assim?

A pergunta dele a desarmou.

— O que mais quer de mim? — gritou, extravasando sua frustração.

— Com certeza muito mais do que você seria capaz de dar. — Depois de dizer isso, com a voz nitidamente alterada, Edward levantou-se, e sua cadeira caiu.

Assustado, Nicky começou a chorar.

Os dois correram para pegar o bebê, porém Edward chegou primeiro. O menino se acalmou, sentindo-se seguro nos braços do pai.

— Parece exausta. Por que não vai se deitar? Eu lavarei a louça e porei Nicky para dormir, depois de dar a mamadeira. Também pretendo levantar de madrugada para cuidar dele.

— Não precisa fazer isso.

— Mas eu quero. Acho que por enquanto é bom que ele fique comigo durante a noite também, para se acostumar. Depois, nós poderemos nos revezar.

Talvez fosse mesmo uma boa idéia. Com os nervos à flor da pele, a tensão entre os dois poderia explodir a qualquer momento, tamanha a emoção contida. Ela não poderia deixar isso acontecer de novo.

— A que horas pretende tomar café amanhã?

— Por que não falamos sobre isso amanhã. Vou tirar alguns dias de folga para dar atenção exclusiva a Nicky, e então teremos bastante tempo para conversarmos sobre a nossa rotina.

Surpresa, Bella arregalou os olhos.

— Tudo bem.

Por mais que sentisse vontade de se despedir de Nicky com um beijo, achou melhor não fazê-lo. Edward tinha o rosto muito próximo ao do menino.

Quando Bella se virou para sair do aposento, Edward a segurou pelo braço.

— Quantos anos tem seu noivo?

— Por que deseja saber? — Tentou se afastar, mas ele a segurava com firmeza.

— Disse que eu era velho demais para você... Importa-me saber o tipo de homem com quem meu filho vai conviver.

Só naquele momento ela percebeu a profundidade com que o havia magoado. Bella mal conseguia respirar.

— Tem vinte e quatro.

— Ele trabalha com o quê?

— Na área de construção civil.

— Tem curso universitário?

— Fez curso técnico por dois anos.

— Já foi para cama com ele?

Um calor repentino a fez enrubescer.

— Isso não é da sua conta.

— Quero ter certeza de que a pensão que pagarei vai para o meu filho mesmo. Se estiver grávida de novo...

Ela conseguiu se afastar, apesar de se sentir perplexa de dor. A dor que ele também sentira.

— Vou procurar esquecer esse seu comentário.

Ele a seguiu até o quarto.

— Está fugindo mais uma vez. Seu noivo ao menos sabe que nós já fomos noivos? Se é que ele sabe, contou também o motivo pelo qual me deixou?

— Jacob sabe de tudo. Satisfeito?

Mais uma vez, o rosto dele empalideceu. Se continuassem assim por mais uma noite, o convívio entre os dois seria insuportável. Era preciso fazer alguma coisa para pôr um fim naquele sofrimento todo.

— Edward, o problema não foi a sua idade. O problema era que eu me sentia muito inexperiente para você.

Era verdade. No começo fora difícil acreditar que alguém como o dr. Cullen fosse se interessar por uma de suas alunas, mas depois daquele dia maravilhoso quando a levara para casa, tudo mudou.

— Poucas mulheres podem acompanhá-lo na sua inteligência e sofisticação. Sou apenas uma garota comum de San Diego que nunca foi a lugar algum nem fez nada de extraordinário na vida. Não tenho nem mesmo um único talento especial. Não sou como você, nunca poderia ser.

Edward apenas a ouvia, sem saber ao certo se experimentava um sentimento de indignação ou surpresa.

— Quanto mais se aproximava o dia de nosso casamento, mais medo eu sentia. Temia que, como sua mulher, eu pudesse ser um atraso na sua vida. Pedi que fizesse amor comigo antes que fosse para Kentucky porque pensei que talvez, pelo menos na cama, pudéssemos ter uma relação de igual para igual. Mas por mais que tenha gostado de fazer amor com você, no dia seguinte tive de encarar minha mediocridade novamente. Olhei-me no espelho e vi que nunca poderia ser como você. Não gostaria de representar um peso em sua vida e não queria que sentisse vergonha de mim. Por isso, fui embora.

Edward não conseguia entendê-la e se recusava a aceitar aqueles argumentos, Bella continuou de maneira decidida:

— Com Jacob eu não tenho problemas desse tipo, porque ele é comum, como eu. Espero ter respondido de uma vez por todas as suas perguntas. Boa noite.


Capítulo 4 postado!
Sábado q vem eu posto o outro capítulo, até lá deixem bastante reviews, please!
Bjs!