N/A: O título deste capítulo é figurativo; Camlann era, de acordo com algumas versões da lenda, o lugar onde Rei Artur enfrentou e lutou contra seu filho Mordred.
Capítulo Quatro: Escolhendo as Camlanns Deles
"Tudo bem ai, Harry?"
Harry acenou com a cabeça quando eles entraram na Estação King's Cross. Connor sorriu para ele por mais um longo momento antes de desviar o olhar quando Lily começou a lhe recitar uma longa lista de instruções. James, no outro lado dele, olhou para ele, confuso, por um momento, antes de decidir aparentemente que Connor devia ganhar uma repreensão tranqüilizadora. Afinal de contas, como ele tinha dito para Connor ontem, quem não estaria nervoso de ir para seu terceiro ano de escola sozinho? Sirius estaria no trem, mas ocupado organizando os horários das práticas dos times com os Capitães de Quadribol.
Harry fechou os olhos e falou para si mesmo que não tinha nenhum direito de se sentir machucado ou desnorteado por isto. Afinal de contas, foi ele quem tinha conseguido deixado as coisas assim.
"Harry?"
Harry olhou de lado para Sirius que sorriu para ele e tentou não fazer o sorriso parecer nervoso. Ele não teve sucesso. Harry nunca tinha visto Sirius tão no limite quanto ele tinha estado desde a visita de Peter, até mesmo nas ocasiões em que ele estava planejando uma brincadeira e queria ter certeza de que ninguém interferiria nela.
"Sim?" Ele perguntou, quando viu que Sirius não pararia de encará-lo.
Sirius tossiu. "Eu-nós vamos conversar sobre porque seus pais estão ignorando você na escola, certo?" Ele acelerou seu passo e foi para a frente da fila, dando um tapinha na cabeça de Connor quando passou por ele. Connor se abaixou com um protesto suave, e Lily e James riram alto.
Harry fechou os olhos. Ele respirou cuidadosamente, e se lembrou de novo e de novo. Você escolheu isto. Você sabe que este era o melhor curso a seguir. Você teria matado eles sem isto. Como outra coisa poderia ser a certa além dessa?
A teia deu um pequeno puxão em sua mente, como vinha fazendo desde que eles saíram de casa. Ela não parecia achar que estar próximo de Connor em um espaço aberto era a mesma coisa que estar separado dele por umas série de aposentos. Harry suspirou e se apressou para entrar.
"Harry."
Assustado, Harry virou a cabeça para o lado, e ofegou ao ver Peter parado atrás de um dos pilares da Estação. Ele usava uma veste trouxa e não parecia muito deslocado ali, pelo menos enquanto ninguém olhasse nos olhos dele. Eles permaneciam penetrantes, e certamente perfuraram Harry. Passou-se um longo momento antes que ele pudesse puxar sua varinha, e mais um longo momento antes que ele pudesse achar sua voz.
"Não se aproxime de mim, traidor," Ele rosnou, elevando a varinha a sua frente.
"Eu não me aproximarei mais do que isto," Disse Peter, mantendo a própria voz calma. "Mas eu pensei que você merecia saber mais, Harry, até que eu pudesse lhe falar sem a teia brilhando e o cegando. Você alguma vez ouviu o nome Regulus Black?"
"Talvez," Harry respondeu. Sirius tinha mencionado uma vez, ano passado, durante sua desculpa a Harry por ser um padrinho terrível. Pensando nisso, ele tinha agido de forma estranha durante aquela desculpa, também. Harry empurrou o pensamento para o lado e se concentrou em Peter. Ele é o Rabicho. Ele só quer confundir você, causar deslealdade. Ele provavelmente está trabalhando com Fenrir Greyback para trazer o Lord das Trevas de volta a vida. "Eu não sei quem ele era."
"O irmão de Sirius," Disse Peter. "O irmão mais novo dele. O amado irmão mais novo dele, que no fim se tornou um Comensal da Morte." Ele pausou. "Você está vendo alguma comparação aqui, Harry?"
"Isso é ridículo," Harry disse, e ficou desagradado em notar que sua voz estava um pouco mais alta que um sussurro. Ele forçou-a mais. "Alguém teria me falado sobre Sirius ter um irmão mais novo. Eles sempre me disseram que ele era filho único. Porque esconder isso? Mamãe poderia ter usado a história para fortalecer meu treinamento e mostrar o que poderia acontecer com Connor se eu não o vigiasse."
Peter fechou os olhos. Harry não sabia o que fazer com a expressão que apareceu na face dele. Parecia uma mistura de raiva e repugna, mas o que tinha nas palavras que ele disse que inspiraria isso?
"É verdade, então," Disse Peter. "Eu queria saber o quanto disso era. Eu só sei o que eu ouvi aquela noite. Então você é guardião de Connor, não é? Você é realmente o sacrifício para ele, e não foi apenas criado para ser isso?" Ele abriu os olhos e fixou-os em Harry mais uma vez.
"Claro," Disse Harry. Sua teia estava quieta, provavelmente porque ele estava fazendo o que ela queria. Ele continuou. Talvez ele pudesse convencer Peter de quão ridículo era tentar falar com ele e o forçar a se afastar de sua família. Então Peter poderia fugir e se tornar o problema de outra pessoa. "Eu sei o que eu sou. Eu fico orgulhoso disto. Por que eu não deveria? "
"Harry," Peter sussurrou. "Há simplesmente tanta coisa errada em alguém criado para ser uma ferramenta para outra pessoa, uma garantia, escondendo sua força na sombra de outra pessoa."
Harry sentiu a primeira dor de cabeça começar, mas ele lutou contra ela. "Eu gosto. Eu não me importo." Sua raiva mexeu dentro dele, se unindo a teia, mas ele ignorou isso, também. "Eu sei que algumas coisas aconteceram comigo que fizeram eu não me importar com este dever por algum tempo, mas eu tenho que voltar. Quem mais vai fazer isto?"
"Seus pais," Disse Peter. "Connor. O próprio Dumbledore. Qualquer um menos você."
"Por que?"
"Porque," Disse Peter, "eles fizeram as escolhas por você, e você era muito jovem -"
Harry ofegou quando a dor o acertou como um Balaço no lado da cabeça. Ele conseguiu se sentar antes que caísse, mas foi por pouco. Ele colocou sua testa nas mãos, e sussurrou as palavras que ele vagamente se lembrava que sua mãe tinha usando para acalmar a dor. "Eu sou o sacrifício para Connor. Isto foi escolhido livremente."
A dor aliviou depois de um momento. Ele olhou para cima e viu Peter parado longe do pilar, uma mão esticada para ele. Ele baixou-a quando viu o olhar de Harry.
"Eu temia isso," Ele disse sombriamente. "Eu quebrei minha teia de uma vez. A sua foi debilitada, mas está ficando mais forte novamente. Eu quero lhe ajudar a quebrar ela, Harry -"
E então ele parou, mas não por causa da dor de Harry desta vez. Harry o viu tremer, viu seu rosto ficar cinza. Uma sombra caiu sobre ele, e Peter se virou, de repente ele era o pequeno rato que Harry pensava que ele sempre deveria ter sido.
Harry olhou para cima.
A sua frente estava uma criatura preta que flutuava com vestes escuras, sua cabeça oval estava inclinada para um lado. Uma mão com dedos que pareciam galhos avançou para ele, e Harry sentiu sua mente tremer, seus pensamentos dançando e rodando cada vez mais na superfície de sua mente.
Ele estava novamente na Câmara. Estava frio ali, e ele estava ajoelhado ante a pura e fria força da magia. Ela lhe mostrou recordações que ele não conseguiu enfrentar, coisas que ele sabia que não podiam ser verdade…
Harry bateu suas mãos no chão, tentando usar a dor da pedra cortando suas palmas para se forçar a focalizar. Ele sentiu sua mente vacilar, e um pouco da nova certeza que ele tinha, de que ele realmente era destinado a ser o guardião de Connor e que era assim que as coisas eram, rachou e quebrou. Mais uma vez, ele achou a terrível incerteza, a raiva de seu pais e de Dumbledore.
Alguém ficou entre ele e a criatura que Harry sabia que devia ser um Dementador, e sua terrível consideração diminuiu um pouco. Harry piscou e ofegou e olhou para cima para ver Peter ali, seu rosto branco enquanto ele absorvia toda a força do olhar frio. Uma mão avançou e pairou sobre o ombro dele, e Peter soltou um som engasgado e quase desmoronou. Mas ele não saiu de entre o Dementador e Harry.
Harry começou a avançar lentamente. Ele não tinha certeza do que aconteceria quando ele chegasse lá, mas ele sabia que devia fazer alguma coisa.
Então uma voz falou, como uma fria faca cortando o cérebro de Harry. Saia daqui.
Harry clamou, mas sua voz saiu fraca e frágil em face à sua dor. O Dementador em frente a Peter flutuou estranhamente, parecendo virar a parte de cima de seu corpo para o orador enquanto mantinha a parte inferior de frente para ele. Harry sabia que ele tinha respondido, mas desta vez pareceu ininteligível para ele.
O outro orador, outro Dementador que parecia mais cinza do que preto, avançou por trás do outro e disse apenas uma palavra, o que Harry agradeceu, já que até mesmo aquela palavra fez sua cabeça vibrar e parecer gelar.
Vates.
O Dementador segurando Peter se virou e se afastou imediatamente, parecendo se esconder atrás do cinza. O cinza virou seu olhar para Harry. Ele olhou para cima, e se forçou a olhar naqueles olhos escondidos com um tremendo esforço de vontade.
O Dementador cinza avançou e moveu uma mão em frente a ele, dedos sacudindo como um aceno. Harry sentiu sua raiva surgir. Então foi semi-encoberto por um brilho dourado que parecia originar de seu rosto. Quando ele pôde ver novamente, pedaços de uma teia dourada estavam desaparecendo nos dedos do Dementador. Harry tremeu. Por que ele está me livrando? Por que ele faria isso? E eu quero ser o que eu serei quando a teia sumir completamente?
Dor chamejou na cabeça dele, o que Harry adivinhou que era as últimas sobras da teia lutando para viver, no mesmo momento alguém atrás dele berrou, "EXPECTO PATRONUM!"
Um lobo prateado correu para os dois Dementadores, fazendo o preto gritar alta e estridentemente e virar para fugir. O cinza demorou por um momento, e Harry soube que ele estava olhando para ele. Ele choramingou quando a voz falou novamente, martelando em uma orelha e então saindo pela outra.
Nós nos encontraremos novamente. Vates.
Então eles viraram e fugiram quando o lobo prateado voltou para outro galope. O lobo reduziu a velocidade a um trote quando viu que não tinha mais nenhum inimigo para enfrentar, abanou seu rabo uma vez, e piscou para Harry. Então virou névoa e voltou para Sirius, que correu para abraçar Harry.
"Harry," Ele sussurrou. "Você está bem? Eu sinto muito. Os Dementadores estão aqui, caçando Peter, e eu não pude-eu não sabia -"
Harry virou a cabeça lentamente para o lado. Peter tinha sumido. Harry tinha esperado isso. Ele dificilmente ficaria por perto quando, primeiro os guardiões de Azkaban e então Sirius vinham atrás dele.
"Você está bem, Harry?" Sirius repetiu, se afastando e olhando novamente para ele.
Harry desviou o olhar e respirou profundamente. Parte de seu controle tinha sumido novamente, o controle que ele tinha lutado tanto para manter durante o verão. Ele percebia agora que devia ter construído seu controle nos restos da teia debilitada que estava se fortalecendo gradualmente. O Dementador tinha destruído aquilo. Harry não sabia se gritava ou agradecia.
Bem, agora mesmo ele queria gritar. Sirius murmurando desculpas e tentando dar-lhe confiança era simplesmente outra lembrança de como ele não tinha feito isso no ano passado até que fosse muito, muito tarde. Harry tentou se opor a isso, tentou se lembrar de como Sirius tinha o levado para voar no Natal e tinha lhe dado um presente que tinha ajudado a salvar sua vida na Câmara, mas seus pensamentos estavam mudando de direção, colidindo com um com o outro, e sua magia estava aumentando depressa.
"Vamos passar pela barreira," Sirius estava dizendo enquanto o puxava junto. "Eu tenho certeza de alguns Trouxas viram os Dementadores. Isto é trabalho para os Obliviadores, sem dúvida."
Harry fechou os olhos. Ele tinha que fazer algo com sua magia. Ele não sabia o que, mas ela tinha que ir para algum lugar.
O que eu posso fazer?
A magia ofereceu várias sugestões, todas elas eram modos que resultariam no corpo de seus pais e de Sirius ficarem em mil pedacinhos. Harry balançou a cabeça. Ele não podia fazer isso. Ele ainda não podia matá-los. Ele não queria matá-los. Machucá-los, talvez.
A magia se agarrou a isso, e Harry quase sentiu seus lábios abrirem para falar um feitiço que teria aberto várias feridas em seus pais, um feitiço sobre o qual ele tinha lido, mas nunca tinha feito a loucura de tentar. Com um esforço, ele fechou os lábios e lutou para controlar seu temperamento. Mas o ar ao seu redor estava frio, e Sirius tremeu quando eles passaram pela barreira para a Plataforma 9 ¾.
Harry tentou e tentou lutar contra sua magia, mas não estava funcionando. Ela corria pelos canais familiares em seu corpo que ele tinha criado no Solar Malfoy, e exigia coisas para rasgar e queimar. Harry poderia ouvir um grito de fúria crescendo em seus interiores, e estremeceu. Ele choraria em um momento.
"Harry?"
E Sirius estava deixando isto pior, maldito seja, tocando e empurrando e sondando. Harry manteve seus olhos fechados, sabendo que ele não poderia vê-lo agora mesmo. Se ele visse seus pais, ele tinha certeza que atacaria. Suas paredes já estavam debilitando, e sua magia rondava de um lado para o outro como um tigre que sabia que poderia escapar de sua jaula em segundos.
A única pessoa que Harry pensava que poderia estar disposto a amaldiçoar era Dumbledore. Mas Dumbledore estava em Hogwarts -
Hogwarts.
Harry se agarrou alegremente a idéia e entregou-a à sua magia, movendo sua vontade abruptamente àquela meta. A magia perdeu o desafio quando inundou seu interior. Harry sentiu uma densa resistência ao que estava tentando fazer, mas isso só o fez lutar mais, e o impediu de matar alguém.
Então ele desapareceu, e brevemente atravessou um espaço frio, e apareceu perto da entrada de Hogsmeade com o estalo alto de uma Aparatação próspera.
Harry caiu sobre um joelho e ofegou, então tossiu. Cristais de gelo caíram de seus lábios. Ele estremeceu. Ele tinha vindo tão perto de usar sua magia em outra pessoa. Ele esfregou suas mãos para cima e para baixo em seus braços, notando teias lânguidas de branco e os primeiros rastros de ulceração em seus dedos. Eles estavam esquentando depressa sob o sol da manhã, mas tinha sido muito, muito perto.
Bem, agora que ele estava aqui, o que ele ia fazer?
Harry elevou seus olhos à estrada que passava por Hogsmeade, para o castelo, e sorriu. Ele suspeitava que este era um sorriso sinistro, mas particularmente não se importou. Aparatar para tão longe tinha de algum modo usado, e assim acalmado, sua magia, mas não tinha feito nada com sua raiva.
O que eu vim fazer aqui.
"Sr. Potter. O que você está fazendo aqui?"
Ano passado esta voz o teria feito ficar tenso. Agora Harry poderia sorrir e se virar, confiante de que o dono dela pretendia lhe dar as boas-vindas, não importando o modo como ele tinha soado. "Professor Snape. Olá, senhor."
Snape olhou-o atentamente, olhos estreitos e nariz apontando para frente como se conduzisse o caminho. A visão aliviou a raiva de Harry. Ele se apoiou contra a parede do corredor de entrada e esperou que Snape parasse a sua frente e o examinasse de cima a baixo com uma varredura desdenhosa de seus olhos.
"Você parece ter perdido seus pais no caminho," Snape fungou para ele. "E um irmão. E um certo Black estúpido."
"Oh, eles vão aparecer, indubitavelmente." Harry sentiu seu sorriso alargar. Merlin, era realmente possível que ele tivesse sentido tanta falta de Snape assim? "Mas eu quis vir na frente. Tomar um pouco de ar, sabe. Ver o castelo antes de um grupo de crianças idiotas - " Ele imitou a voz de Snape "- infestá-lo." Ele hesitou, então continuou, tão seguro da lealdade de Snape quanto ele estava de qualquer outra coisa no mundo. "Para falar com um certo Diretor," Ele somou, "sobre certas decisões que ele fez relativas a mim."
Os olhos de Snape estreitaram mais. Harry prendeu o fôlego. Talvez Snape finalmente tivesse virado as costas a sua lealdade. Harry teria dito que isso não podia acontecer, depois do modo que eles tinham conversado na tempestade, mas ele quase tinha se tornado um penhor inútil para seu irmão novamente, também.
A raiva chamejou. Harry disse a ela para se acalmar. Você terá sua chance em breve. E Connor é inocente. Inocente.
"Bom."
Harry piscou, tirado novamente de sua contemplação quando Snape acenou com a cabeça e apontou na direção do escritório do Diretor. "A senha do Diretor é Bolos de Caldeirão," Ele somou. "Eu não irei com você, Sr. Potter. Eu acredito que você pode deixar a escola de pé sozinho?"
Harry apenas sorriu ao tom malicioso. "Eu tenho muita certeza disso, sim, senhor," Ele disse gravemente.
"Então vá em frente," Disse Snape, e se virou para seguir pelo outro caminho, suas vestes voando atrás dele quando ele trotou pelo corredor. Harry pensou ter visto ele parar para conversar com alguém quando alcançou os degraus para as masmorras, mas não tinha certeza de quem era. Alguém da Sonserina veio mais cedo, talvez?
Eu tenho que lembrar de falar com Snape sobre preparar a Mata-Cão para a Sra. Parkinson, Harry pensou quando subiu os degraus para o escritório do Diretor. Não seria um bom retorno a toda bondade dele se eu simplesmente pegasse seus materiais.
"Bolos de caldeirão," Disse Harry, e a gárgula pulou para o lado. Ele pisou sobre a escadaria se movendo, seus ombros relaxaram apesar da segunda tempestade que ele poderia sentir se preparando dentro de sua cabeça.
Ele desejou saber qual pergunta ele deveria fazer primeiro enquanto a escadaria o levava para cima. Por que você fez isto? Mas ele achava que era bastante óbvio o por que de Dumbledore ter feito isto: em obediência e resposta à profecia e as necessidades de guerra. Por que você deixou a teia dentro da minha cabeça? Mas a resposta para aquela pergunta era a mesma. Você alguma vez achou que eu descobriria sobre ela? Bem, obviamente a resposta era não.
Ele alcançou o topo da escada sem se decidir. Harry encolheu os ombros e empurrou a porta para o escritório. Ele esperaria e veria o que aconteceria, então.
Dumbledore não estava atrás de sua escrivaninha. Harry parou e curiosamente olhou ao redor. Ele teria pensado que Snape lhe advertiria se o Diretor estivesse em outro lugar. Talvez ele tinha passado por uma porta escondida atrás das estantes? Harry se moveu para investigar.
Um alto canto o cumprimentou antes dele poder se mover mais do que alguns passos. Harry olhou para cima, e sorriu quando viu Fawkes se erguer de seu poleiro e voar para ele. A fênix pousou em seu ombro, um peso mais denso do que parecia, sua cabeça se curvou de forma que o pescoço dele esbarrava no cabelo de Harry. Harry ergueu a mão e acariciou suas penas. Fawkes proferiu um sussurro contente e fechou os olhos. Harry brevemente desejou que Dobby estivesse ali para traduzir.
"Harry."
Harry se virou depressa para a escrivaninha. Dumbledore estava lá, seu rosto sério e seus olhos se movendo entre sua fênix e a mão de Harry. Harry desejou saber se ele estivesse mais surpreso de ver Fawkes dar as boas-vindas a Harry ou Harry simplesmente acariciando o pássaro e não atacando seu escritório.
Fawkes soltou um som alto e censurador e se apertou mais a Harry. Ele não olhou para Dumbledore.
"Ele tem feito isso todo o verão," Disse Dumbledore brevemente, aparentemente decidindo que faria o papel do Diretor caduco. Ele se sentou atrás de sua escrivaninha. "Você querer um doce, Harry?"
Harry balançou a cabeça. Ele tinha ficado ofegante de raiva, abruptamente. Ele tirou sua mão de Fawkes, e a fênix voou de volta para seu poleiro. Harry ficou feliz. Ele pensou que estar em contato com ele quando sua raiva começasse a chamejar, brilhante e fria, poderia ser doloroso para uma criatura de fogo.
"Eu quero saber por que você pôs esta teia na minha mente," Ele disse, quando achou que podia dizer isso e não simplesmente gritar. "Eu quero saber que merda você pensou que estava fazendo comigo."
Dumbledore apenas acenou com a cabeça, como se tivesse esperado esta pergunta, e então se ajoelhou. Harry enrijeceu, mas ele levantou uma Penseira do chão e colocou-a na escrivaninha. Ele acenou com a cabeça para ela.
"Esta Penseira, Harry," Ele murmurou, "contém a memória do dia em que eu pus a teia em sua mente. Eu convido você a entrar nela e ver por você mesmo. A teia só pode ser colocada em alguém que concorda em tê-la, você sabe. Você escolheu este destino, entretanto eu posso ver como isso pode não interessá-lo agora." Ele conseguiu parecer duro e perdoador ao mesmo tempo.
Harry rosnou, e ouviu um dos instrumentos prateados na estante atrás de Dumbledore estalar. O Diretor não vacilou, só acenou com a cabeça novamente à Penseira.
Harry avançou e imergiu sua cabeça no líquido prateado.
Ele se achou no gramado da casa em Godric's Hollow, em um dia de verão tão brilhante que não parecia haver nenhuma sombra. Uma versão mais jovem dele estava deitada de costas na grama sob a luz do sol, lendo um livro. Harry piscou. Ele não se lembrava do livro ser tão pesado que seus braços tinham que ficar tensos para segurar ele e incliná-lo para a luz, mas obviamente tinha sido.
Dumbledore e Lily estavam parados, conversando um pouco mais longe, suas vozes eram audíveis, mas não importavam ao Harry mais jovem. Ele estava estudando para proteger seu irmão, e essa era a única coisa que importava. Harry se aproximou mais dos adultos, olhando para trás de vez em quando. Parecia estranho que ele alguma vez tivesse sido tão pequeno, ou seus olhos verdes tão sérios. Harry tinha tido a impressão de que ele ria freqüentemente quando criança.
"Eu acho que está na hora," Disse Lily. A voz dela oscilou, mas se fortaleceu quando ela continuou. "Eu tenho - bem, eu tenho monitorado ele como você me pediu para fazer. E sua maturidade para um menino da idade dele é simplesmente surpreendente. Ele sabe que um bruxo mal está vindo atrás de Connor, e que eu quero que ele faça a parte dele para proteger o irmão."
Dumbledore acenou com a cabeça. "E a magia dele?"
Lily vacilou e desviou os olhos. Seus olhos pareciam se arremessar de um lado para outro, entre o gramado e seu filho. Harry esperou, suas mãos apertadas.
"É amedrontadora," Sua mãe admitiu afinal, seus lábios mal se movendo. "Eu nunca senti nada parecido. Ela dorme a maior parte do tempo, e até agora ele não feriu ninguém, mas eu acho que isso é principalmente devido ao treinamento dele. Ele atrai brinquedos quando os quer, e nunca parece achar estranho não usar suas mãos para fazer isso. Ele se serviu uma tigela de mingau de aveia no outro dia, perfeitamente, e levou-a à mesa sem derramar uma gota - e o todo tempo ele não tirou os olhos do próprio livro. Ele fez todo o pó no deles desaparecer um dia quando estava fazendo Connor espirrar. Seu uso de magia é casual, e se continuar por mais tempo, eu não acho que ele poderá parar." Ela estremeceu. "E, Diretor, é simplesmente - é simplesmente difícil viver em uma casa com uma criança assim, até mesmo quando a magia dele está dormindo. É como escutar um tigre ronronar. Ela pode estar contente neste momento, mas você sempre sabe que ela pode atacar você, mesmo se ela nunca fez isso."
Dumbledore acenou com a cabeça. "Eu entendo, Lily. Eu acho você muito valente por ter suportado isto até agora, uma verdadeira Grifinória." Lily ergueu seu queixo. "E os outros? Eles suspeitam de alguma coisa?"
Lily sorriu tristemente. "James poderia ignorar um bando de Acromântulas correndo para ele se isso significasse que ele não teria que reconhecer que um de seus filhos é das Trevas." Harry sentiu bílis subir por sua garganta. "E Sirius e Remus não nos visitam tão freqüentemente para saber como isso é. Eles apenas estão contentes e orgulhosos da 'magia acidental' de Harry, como eles chamam isto. Eles não sabem como é viver dia após dia com isto." Ela estremeceu.
Dumbledore bateu levemente no ombro dela. "Está tudo bem, minha querida," Ele disse. "Nós dois sabemos que não havia nada de acidental nisto, e que uma magia tão poderosa em uma criança é antinatural. Ele ficará mais contente quando estiver sem ela, quando ele for mais parecido com as outras crianças." Ele se virou para o Harry mais jovem, que prosseguia lendo no gramado, e puxou sua varinha. "Vamos terminar com este assunto."
Harry lutou contra a tentação de agarrar seu eu mais jovem e o tirar dali. Ele sabia que esta era só uma memória, e ele tinha que assistir o que havia acontecido. Ele ficou parado lá sentindo seus pés pesados enquanto Dumbledore caminhava para o pequeno menino e dizia, muito casualmente para o gosto de Harry, "Sobre o que você está lendo, meu querido menino?"
O jovem Harry piscou para ele por cima da capa de seu livro. "Feitiços defensivos," Ele disse, como se isso fosse óbvio. Dado que o título do livro era Um Guia Prático para Magia Defensiva, Harry poderia entender como ele tinha se sentido.
Dumbledore acenou com a cabeça. "Você quer proteger seu irmão, não quer, Harry? Esta é a razão de você ler sobre feitiços defensivos e fazer o pó desaparece do quarto de vocês quando ele espirra?"
O jovem Harry deu um relance primeiro à sua mãe. Lily acenou com a cabeça para ele. Ressegurado de que este homem era alguém que poderia saber sobre sua proteção ao seu irmão, Harry voltou seu olhar a Dumbledore. "Sim, eu quero," Ele disse. "Eu não quero que um bruxo mal venha matá-lo."
E eu ainda não quero isso, Harry pensou, se sentindo mal enquanto encarava o rosto de seu eu mais jovem. Que merda é esta. Eu ainda quero Connor vivo. Eu ainda amo ele. Por que você não podia simplesmente ter me ensinado a amá-lo, mamãe? Por que você tinha que ter certeza de que eu o amava? Por que você tinha que amarrar minha magia?
Se isso fosse realmente o que a teia da fênix tinha feito. Harry supôs que descobriria isso em um momento.
Dumbledore acenou com a cabeça. "E se eu pudesse lhe dar um presente que nos desse a certeza de que você protegerá seu irmão todo o tempo, você o aceitaria?" Ele perguntou. "Isso impedirá você de oscilar ou se afastar de sua meta."
Harry reconheceu uma das frases que Lily tinha lhe ensinado que era uma coisa ruim. O jovem Harry reconheceu também. Seu rosto se iluminou, e ele acenou com a cabeça. "Eu nunca quero oscilar ou me afastar da minha meta," Ele disse.
"Você escolhe isto de livre e espontânea vontade?" Dumbledore tinha sua varinha livremente apertada em sua mão agora, e faíscas douradas estavam correndo ao redor dela. Harry abafou um rosnado quando reconheceu as faíscas. Elas eram da cor exata da teia da fênix que brilhava atrás de seus olhos quando ele fazia algo que ela não gostava.
"Sim!" Disse o jovem Harry, derrubando o livro em sua ânsia. Seus olhos brilhavam por detrás de seus óculos. "Eu quero proteger meu irmão!"
Dumbledore acenou com a cabeça, e então ergueu sua varinha. "Expleo penuriam cum textura!" Ele disse firmemente, e as faíscas douradas fizeram uma dança selvagem, entrando na cabeça do jovem Harry. "Phoenix texturae!"
O brilho dourado formou um padrão, e Harry reconheceu a teia do modo como se lembrava vagamente de vê-la durante suas próprias tentativas selvagens de consertar sua mente na tempestade. Ele ouviu Lily ofegar, e o jovem Harry encarou a teia fascinado. Por um momento, Harry viu a teia cortar sua própria cabeça, como se o seu crânio fosse só uma sombra, ou como se a teia e o jovem Harry estivessem ocupando o mesmo espaço ao mesmo tempo.
Então a visão desapareceu, e o jovem Harry ofegou e apoiou sua cabeça para frente. Dumbledore acenou com a cabeça, levantou, e cuidadosamente se afastou do menino. Harry podia sentir seu próprio coração, batendo em suas orelhas como se alguém estivesse lhe esmurrando repetidamente.
"Isso o segurará," Dumbledore falou para Lily. "Colocada enquanto ele é tão jovem, fará mais do que segurá-lo. Vai tecer novamente a mente dele para seu propósito." Ele acenou com a cabeça novamente. "Você nunca precisará se preocupar sobre a magia dele escapar novamente."
Lily baixou a cabeça aliviada, e Harry pensou ver lágrimas em suas bochechas.
Ele tinha visto o bastante. Ele tirou sua cabeça da Penseira, e viu a varinha de Dumbledore apontada para ele um momento antes do Diretor começar a entoar, "Expleo penuriam-"
Harry se afastou, mais bravo do que alguma vez tinha estado em sua vida. Ele não sabia o que ia acontecer. Ele só sabia que queria machucar algo, e se este algo fosse o Diretor, então era isso o que ele faria.
Eu mal consigo me livrar, e só porque minha Locusta morreu e um Dementador me ajudou, e ele tenta me escravizar novamente? Não!
A última palavra explodiu por sua garganta como um uivo, e a pressão de sua magia arrancou a varinha da mão de Dumbledore e o forçou para trás contra as estantes. Harry manteve a pressão fixa, até mesmo quando sentiu a própria magia sem varinha de Dumbledore aumentar para se opor a ele. Ele sorriu, e foi surpreendentemente fácil suprimir aquela magia, simplesmente não permitindo que ela saísse do corpo de Dumbledore. Harry sabia que não teria chance contra o Diretor uma vez que a magia passasse da pele dele, mas ele poderia segurá-la com paredes defensivas.
"Por fim," Ele sussurrou, "você me ensinou a ser muito, muito bom em magia defensiva."
Os olhos de Dumbledore ainda estavam vazios, e ele ainda olhava para Harry com uma mistura de tristeza e advertência. "Você sabe as razões," Ele disse. "Você sabe que foi necessário. E se você tivesse ferido seu irmão em um ataque de temperamento infantil, Harry? E se você tivesse ferido seus pais, ou seu padrinho, ou Remus?"
Harry balançou a cabeça. "Por que meus pais simplesmente não me ensinaram a controlar minha magia, então, em vez de temer ela e a trancar? Eu certamente não estaria lançando você por aí como um brinquedo se eles tivessem feito isso. Eu teria um controle melhor." Ele estava respirando rapidamente. Seu poder estava aumentando de um poço em seu centro, e lhe urgia que fizesse mais do que simplesmente segurar o Diretor contra a parede.
"Não existe nenhum modo de controlar seu poder exceto amarrando ele," Disse Dumbledore. "Nós não podíamos confiar que uma criança de quatro anos entenderia a importância disso, e a teia da fênix era uma amarra que funcionaria junto com sua vontade de proteger Connor e ainda seria poderosa o suficiente para ter chance contra sua magia."
"Me livre das últimas sobras dela," Disse Harry. "Eu tenho consciência agora. Eu entendo a importância do controle."
"Você ainda é muito jovem." Os olhos de Dumbledore pareciam diamantes.
Harry acenou com a cabeça. "Eu achei que você diria isso," Ele disse, e então se concentrou. Toda sua magia saiu imediatamente da pele de Dumbledore. Quando o Diretor caiu no chão Harry embrulhou sua magia ao redor dele.
Proteções apareceram, profundas e fortes, quando a vontade de Harry empurrou seu poder para dentro. Ele estava mais disposto a fazer isto do que destruir algo, e assim as proteções atingiram uma força que suas tentativas de matar não poderiam ter atingido. E toda sua experiência em magia defensiva estava lá, também, do mesmo modo que tinha deixado o Protego tão instintivo para ele. Não era difícil apertar as proteções e amarrá-las.
Tudo isso levou apenas um segundo, assim como a recuperação do Diretor e o modo como ele arrebatou sua varinha. "Expleo penuriam cum textura," Ele disse, tão rápido que Harry ficou impressionado. "Phoenix texturae!"
O feitiço avançou para Harry -
E desviou. Dumbledore teve que se abaixar quando a teia voltou para ele, bateu na parede, e se dissolveu em mil faíscas. Ele ficou olhando por um longo momento, então voltou a olhar para Harry.
Harry olhou-o nos olhos, sem medo. Suas proteções estavam embrulhadas ao redor de sua mente, também, ou não teria havido nenhum motivo para tê-las. Agora Dumbledore não poderia usar Legilimencia nele a menos que Harry decidisse lhe permitir fazer isso.
"Eu sou imune a sua magia," Ele disse.
Dumbledore inspirou silenciosamente por um momento, seus olhos nunca saindo dele. Harry fitou-o também. Ele se sentia - diferente. Ele não tinha certeza ainda de quais seriam todas as conseqüências da diferença. Entre outras coisas, ele não sabia todos os efeitos da teia da fênix, nem como remover os pedaços dela de sua consciência. Mas ele achava que tinha feito um bom começo.
"O que você planeja fazer?" O Diretor falou em um tom neutro. Harry supôs que esta poderia ser a voz que ele usava para falar com seus iguais ou com os Professores, a qual Harry nunca teria ouvido, claro.
"Nada ainda," Disse Harry. "Eu não quero lutar contra você, realmente, Diretor." E isso era verdade. Harry ainda tinha horror de controlar e compelir pessoas, e ele ainda preferiria usar magia defensiva em vez de ofensiva. "Nós ainda estamos do mesmo lado. Eu simplesmente quero que você pare de tentar me controlar ou compelir. Eu ainda não posso confiar que você fará isso, assim minhas proteções permanecerão elevadas."
"E seu irmão?" A voz de Dumbledore ficou levemente mais fria.
Harry encolheu os ombros. "Eu amo ele. Você cuidou disso." Ele engoliu sua amargura. Havia algumas coisas que ele não podia mudar, e algumas das quais ele não podia desistir. "Eu protegerei ele, mas não tão cegamente ou tão escravizadamente quanto antes."
"E seus pais?"
Harry balançou a cabeça. "Eu não posso vê-los neste momento. Eu não sei o que eu faria." Ele achou bom ser honesto. Sua cabeça formigou e seu corpo pareceu cantar, e Harry suspeitou que estava em choque. Bem, ele cairia em si dentro de pouco tempo. Ele tinha uma estrada completamente nova para trilhar agora, e indubitavelmente seria difícil. Mas pelo menos ele seria mais livre do que antes.
Ele considerou perguntar a Dumbledore sobre Peter, mas decidiu que não haveria nenhum motivo para isso. Ele encontraria Peter novamente, se ele quisesse aparecer para ele, e veria o que poderia ser feito.
Dumbledore abaixou a cabeça. "Este não é o modo que eu esperava de que as coisas seguiriam, meu menino," Ele murmurou.
"Bem, é assim que as coisas ficaram," Disse Harry, e virou para a porta.
Ele sabia que seu rosto devia parecer estranho. Ele se sentia estranho. Sob o choque não estava medo ou raiva ou confusão como ele teria esperado, mas exaltação.
Eu sou mais perto de ser livre. Eu nunca soube que me sentiria tão bem.
Ele parou quando alcançou a gárgula novamente. Duas figuras estavam esperando lá por ele, não uma, que era o que ele esperava. Ao lado de Snape estava Professora McGonagall, seus olhos cortantes e assombrados.
"Harry," Snape disse, sua voz zombeteira e triunfante ao mesmo tempo, "eu acredito que Minerva tem algo a dizer a você."
NT: Um pouco mais do passado de Sirius foi revelado para Harry, não que nós não soubéssemos XD, e agora temos McGonagall querendo falar com ele, o que será que ela dirá? Não esqueçam de mandar Reviews dizendo o que acharam do Capítulo e da tradução!
Próximo Capítulo: O Caminho da Verdadeira Ética Nunca Foi Calmo
